Com a aprovação de mais 31 produtos, governo Bolsonaro chega a 197 agrotóxicos em 2019

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Com mais 31 produtos  autorizados para comercialização, governo Bolsonaro chega ao número recorde de 197 agrotóxicos liberados apenas cinco meses de 2019.

O Diário Oficial da União publicou na sua edição desta 3a. feira (21/05) o Ato No. 34 de 16 de Maio de 2019 que autoriza a comercialização de mais 31 agrotóxicos no mercado brasileiro, o que leva a uma aprovação recorde de 197 produtos antes que se complete o quinto mês do governo Bolsonaro. Com esta aprovação, o Brasil possui agora estratosféricos 2.262 liberados para comercialização em seu território, muitos deles proibidos em outras partes do mundo por serem potencialmente danosos à saúde humana e ao meio ambiente.

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Como construí uma base de dados para acompanhar e identificar as principais características dos agrotóxicos aprovados apenas no governo Bolsonaro, sob a batuta da “Musa do Veneno”, a ministra da Agricultura Tereza Cristina (DEM/ES), já acrescentei estes 31 “novos produtos”, e já posso compartilhar alguns dados que, digamos, saltam aos olhos, em uma primeira análise.

A supremacia chinesa no fornecimento de produtos técnicos

A China que vem paulatinamente assumindo o controle do fornecimento de produtos técnicos com os quais se fabricam as formulações que são utilizadas na agricultura brasileira é o país sede de 27 (87%) das empresas que constam como as primeiras, senão as únicas, fabricantes dos agrotóxicos que constam como aprovados no Ato No. 34.  Por sua vez, apenas um dos produtos técnicos aprovados é fabricado no Brasil.

Tal dependência da indústria de agrotóxicos da China tende a se aprofundar na medida em que muitos produtos que estão sendo banidos na União Europeia estão tendo sua produção transferida para lá.

Essa realidade objetiva explica o porquê do discurso anti-chinês que marcou as primeiras semanas do governo Bolsonaro ter basicamente sumido do noticiário. Isto sem falar na recente visita do vice-presidente Hamilton Mourão à China, certamente para tentar acalmar o humor dos dirigentes do governo chinês em relação aos discursos alinhados ao governo de Donald Trump que andaram sendo proferidos pelo presidente Jair Bolsonaro, e que foram claramente antagônicos à manutenção da China como principal parceiro comercial do Brasil.

Fripronil, o  assassino de abelhas, entra com mais 2 produtos no mercado brasileiro

Ao contrário de que alegou a ministra Tereza Cristina em relação ao que seria o uso ilegal do Fipronil por agricultores brasileiros, o Ato No. 34 traz a aprovação de mais agrotóxicos à base deste princípio ativo, totalizando 3 agrotóxicos aprovados desde que ela assumiu a pasta da Agricultura.

A ampliação da abundância de produtos que contém Fipronil deverá impactar ainda mais a população de abelhas. É que o Fipronil tem sido diretamente associado ao extermínio de centenas milhões de abelhas. Apenas no Rio Grande do Sul, o Fipronil foi responsabilizado por pelo menos 80% da mortandade de colmeias inteiras de abelhas.

Com a ampliação do uso e a falta de fiscalização, o mais provável é que haja um aumento ainda maior no extermínio de abelhas. É que além do Fipronil, houve ainda a aprovação de dois agrotóxicos à base do Imadacloprido, um agrotóxico Neonicotinóide, que também sido associado ao chamado “colapso” das abelhas. Outro neonicotinóide aprovado nessa leva foi o Tiametoxam que, ao contrário do Imadacloprido, é proibido na União Europeia.

Há ainda que se lembrar que o Fipronil é proibido para uso na União Europeia e só pode ser usado em condições altamente restritas nos EUA. Além disso, o Fipronil ficou conhecido, e posteriormente banido, por causa do escândalo envolvendo a contaminação de milhões de ovos de galinha que tiveram de ser recolhidos em países como Bélgica, Holanda, Alemanha, França, Suécia, Reino Unido, Áustria, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Polônia, Romênia, Eslováquia, Eslovênia e Dinamarca.

O discurso da segurança continua sendo negado na prática

Um dos discursos mais comuns para justificar a aprovação acelerada de agrotóxicos é de que os novos produtos seriam mais modernos e seguros. Este discurso não resiste ao exame prático por duas razões básicas. A primeira é que a imensa maioria dos produtos sendo aprovados já estão disponíveis no mercado brasileiro. A segunda é que dos 31 agrotóxicos aprovados no Ato No. 34, 45% deles estão localizados nas faixas de maior toxicidade (I e II) para a saúde humana.

Outro exemplo de que não há de novo nos agrotóxicos que estão sendo aprovados via “fast track” foi a aprovação de mais 3 agrotóxicos à base da Glicina Substituída, ou seja, o Glifosato. Acontece que neste momento há uma clara rejeição ao uso deste herbicida em função das crescentes evidências de que o mesmo seria indutor do Linfoma Non-Hodgkin. Apenas nos EUA, a Bayer/Monsanto foi condenada em 3 casos que foram julgados, e no caso mais recente a multinacional alemã foi condenada a pagar uma indenização de 2 bilhões de dólares americanos a um casal de agricultores que teria contraído o Linfoma de Non-Hodgkin a partir de um longo período de exposição ao produto.

Todas essas evidências estão sendo desprezadas pela Anvisa e pelo Ministério da Agricultura e aqui no Brasil estão sendo aprovados inúmeros produtos contendo a Glicina Modificada como seu princípio ativo.

Além disso, há que se notar que 29% dos produtos liberados no Ato de No. 34 estão proibidos na União Europeia.

O céu é o limite para saciar a fome de venenos por parte da agricultura brasileira?

Como estamos apenas no mês de Maio, é muito provável que outras centenas de agrotóxicos sejam aprovados pelo governo Bolsonaro até o final de 2019. Essa é uma situação que deverá ser acompanhada de perto por todos os que se preocupam com a saúde coletiva dos brasileiros, e com os nossos ecossistemas naturais.

É que a fome insaciável por venenos agrícolas está transformando o Brasil numa espécie de banheira de produtos químicos banidos em outras partes do mundo.  Como a maioria dos brasileiros está desinformada dos amplos impactos que esse processo de uso indiscriminado de agrotóxicos poderá trazer sobre a saúde de gerações inteiras, é importante que a comunidade científica e os movimentos sociais continuem acumulando informações que possam ser transmitidas de uma forma compreensível aos que estão hoje na linha de frente do uso desses produtos que são os trabalhadores rurais, e os que estão sendo expostos de forma indireta a partir do consumo de água e alimentos contaminados, que somos todos nós.

 

Lobistas da Monsanto ficharam ilegalmente personalidades francesas

Documentos que vimos mostram o uso de arquivos para identificar pró e anti-glifosato. Práticas que provavelmente são ilegais. Uma queixa foi arquivada.

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Vista da sede da Monsanto em St. Louis, EUA, maio de 2016. AFP / Michael B. Thomas

Por Gaël Lombart para o LeParisien

Compartilhar uma lista de pessoas, com seus detalhes de contato e opiniões, sem o seu consentimento, é ilegal. A FleishmanHillard, uma subsidiária de um dos maiores grupos de comunicação do mundo, supostamente usou essa prática em nome de um de seus clientes, a Monsanto, para fins de lobby, como revelado por L ‘ Olho das 20 horas da França 2, quinta-feira à noite.

Documentos Le Parisien viu mostrar que FleishmanHillard usou, no final de 2016, dois arquivos contendo 239 nomes no total, com raras exceções personalidades francesas – políticos, jornalistas ou representantes de organizações público ou privado – com comentários sobre sua posição sobre o glifosato ou sobre seu possível apoio à Monsanto.

Na época, o gigante de pesticidas está a desenvolver uma estratégia ofensiva para defender a sua imagem e a de sua substância herbicida classificados em março de 2015 “provavelmente cancerígeno pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC), uma agência especializada das Organização Mundial da Saúde (OMS). Como o Le Monde revelou em janeiro de 2019, a Monsanto confiou à FleishmanHillard um programa chamado “Let Nothing Go” para monitorar e responder a comentários negativos na Internet, mas também para influenciar personalidades.

Identificados como “oponentes” ou “apoiadores”

Um dos arquivos da FleishmanHillard inclui 200 nomes, com informações de contato pessoal (endereços postais, e-mails, número de telefone …) e um em cada cinco sistemas de classificação. A credibilidade, influência e capacidade de apoio dos indivíduos mencionados pela Monsanto são avaliados em seis temas (agricultura, meio ambiente, nutrição, OGM, pesticidas e saúde).

Juntamente com 91 jornalistas, a categoria mais representada, há 28 executivos sindicais agrícolas, 25 políticos e 15 cientistas. Entre as pessoas-alvo, o atual ministro da Economia, Bruno Le Maire, então parlamentares dos Republicanos. Sete parlamentares verdes também estão em jogo, incluindo os deputados José Bové e Michèle Rivasi.

Em uma coluna de comentários, quatro de seus colegas, em Estrasburgo, estão carimbados como “pró-glifosato”. Uma posição refutou Philippe Juvin com o parisiense: “Concordo totalmente em ser pró-glifosato. “Chocado” com o processo, o deputado LR imagina que ele tem que ser comparado ao seu grupo, o Partido Popular Europeu (EPP), “que contou com um estudo da OMS e da FAO que o glifosato não era carcinogênico.”

Um pesquisador é descrito como o “principal adversário científico” do herbicida. Um jornalista é acusado de ser um “oponente” e outros sete recebem o título de “adversário forte” (“oponente forte”), enquanto um colunista de mídia é visto como “forte apoiadora”.

Metas prioritárias

Um segundo arquivo se concentra em 74 nomes, alguns faltando no primeiro documento. Metas prioritárias para a campanha da Monsanto, muitas das quais incluem políticos, jornalistas e representantes sindicais em sua maior parte. Um código de cores distingue “aliados”, “possíveis aliados a serem recrutados”, “partes interessadas para educar” e “partes interessadas a serem observadas”.

Um memorando da FleishmanHillard datado de 10 de janeiro de 2017 destaca a importância de atuar nesses “principais interessados” no contexto da renovação do glifosato na União Européia. Naquela época, os estados membros não conseguiram concordar, com a França pedindo uma nova autorização de curto prazo.

De acordo com este documento, as personalidades identificadas no arquivo “determinarão como as políticas tomarão sua decisão final para a votação do país na renovação”. No arquivo de código de cores, Xavier Bertrand, presidente da região de Hauts-de-France, é assim rotulado como “potencial aliado para recrutar”.

“Esses elementos envolvem apenas o autor do arquivo. Isto não reflecte a posição de Xavier Bertrand, que é que não podemos aceitar uma moratória sobre o glifosato que seja diferente entre os Estados-Membros, o que cria uma distorção da concorrência entre os agricultores “, reagimos na comitiva dos escolhidos, questionados por Le Parisien.

“Isolar” a voz dos ministros “anti-glifosato”

A categoria “Stakeholders to Monitored”, que é menos desenvolvida, inclui dois ministros, dois conselheiros ministeriais e um punhado de tomadores de decisão do governo que têm voz nas decisões sobre pesticidas. Os nomes de Ségolène Royal e Marisol Touraine, respectivamente na Transição Ecológica e Saúde, são acompanhados por esta menção lapidar: “Ela é anti-glifosato. O “objetivo” da campanha para eles é “isolar” sua “voz”.

“Vemos que a Monsanto era, na época, uma estratégia muito identificada para garantir que os opositores do glifosato fossem bem identificados e, tanto quanto possível, combatessem. O que me choca sem me surpreender é a existência de uma estratégia para impor um produto que sabemos ser perigoso para a saúde pública “, diz Marisol Touraine. O ex-ministro também deplora a presença “espantosa” nas listas de conselheiros ministeriais, cuja posição sobre os arquivos não deveria ser pública.

Entre os “aliados” em potencial e aqueles a serem “vigiados”, os “interessados ​​em educar” reúnem um atual ministro, um de seus antecessores, conselheiros do Elysée e Matignon, vários políticos e 16 jornalistas. Suspeitam-se de poder “balançar-se”, por outras palavras para poder convencer-se.

O memorando de 2017 lembra as boas perguntas para todos os “influenciadores”: “O que nossos alvos precisam? O que os motivará a apoiar a renovação (glifosato, Ed)? Mais surpreendente: a nota pede para aprender sobre os hobbies das pessoas-alvo, por exemplo, tênis ou golfe. Por que tal interesse por um hobby? O artigo sugere que a estratégia da FleishmanHillard é emergir no mundo imaginário de usos pouco conhecidos, mas potencialmente atraentes, do glifosato, em lugares como greens, herbicidas gananciosos.

Outra tendência desejada, sem dúvida, considerando a reputação controversa da Monsanto: “debates” devem “focar” na substância em questão, não na multinacional …

Por que é ilegal?

Nenhuma das pessoas que entrevistamos foi informada de sua presença nesses arquivos antes de vazarem. No entanto, mesmo antes da entrada em vigor do Regulamento Europeu de Proteção de Dados (GDPR) em 2018, a lei francesa é clara: as pessoas catalogadas devem dar consentimento e ter o direito de acesso e retificação aos seus registros, especialmente se o objetivo é detalhar suas opiniões pessoais.

“Se não tivermos o consentimento da pessoa, devemos ter um interesse legítimo em construir o arquivo e não acho que um arquivo apresentando pessoas como oponentes entre no padrão da CNIL”, Commission Nationale Informatique et Libertés, explica Étienne Papin, advogado da Corte de Paris.

“Seja um comentário textual que é neutro, difamatório ou prejudicial em seu conteúdo, é o mesmo sob a lei de 1978. O sistema de notação, seja números, letras, códigos de cores, está em auto-dados pessoais. É geralmente aplicado o mesmo tratamento jurídico a estes códigos que os textos “, sublinha este especialista em direito informático.

Ambos os arquivos foram escritos em inglês e um deles foi consultado em Paris e em Bruxelas, segundo a France 2. Contactado por Le Parisien, Sandrine Cormary, diretor executivo da FleishmanHillard France até janeiro de 2017, disse desconhecer a existência de tais documentos. “O fato de fazer listagens é algo bastante comum em nossa profissão. Mas todo o nosso grupo está obviamente em conformidade com a lei francesa de proteção de dados e com o RGPD “, disse a atual executiva da France Omnicom, a gigante global de relações públicas FleishmanHillard.

A Bayer, o grupo farmacêutico que se fundiu com a Monsanto em 2018, também diz que eles ignoram esses documentos. “Essas não são práticas atuais na Bayer”, disse uma porta-voz do grupo na França. Afirma que o contrato entre a Monsanto e a FleishmanHillard foi concluído no final de 2018. Desde então, a Bayer selecionou outra agência de comunicação, a Partners in Innovation, que inclui membros da FleishmanHillard.

Vários procedimentos em vista

Tendo conhecimento desses arquivos, o jornal Le Monde apresentou uma denúncia em 26 de abril com o promotor público da República em Paris, especialmente para a retenção de dados “revelando as visões políticas e filosóficas de uma pessoa sem o seu consentimento”.

Qualificado em uma lista como sendo um  “oponente forte”, o jornalista Stéphane Foucart, co-autor da denúncia, é apresentado em outro documento, como “um ativista mobilizado contra a renovação do glifosato”. Quatro outros jornalistas do jornal da tarde estão presentes nos arquivos.

O procedimento poderia ser emulado. Contactada, a associação Future Generations anunciou sua intenção de registrar uma queixa. No séquito de Xavier Bertrand, especifica que o presidente da Hauts-de-France “se reserva o direito de um possível processo quando ele puder acessar o conteúdo desses arquivos”. “Não surpreende estar entre as pessoas de quem a Monsanto não gosta”, disse a ex-ministra do Meio Ambiente, Corinne Lepage, “tomará as medidas necessárias” se considerar o processo ilegal.

Quanto ao parisiense-hoje na França, incluindo três jornalistas aparecem nas listas, ele já planejou para aproveitar o Cnil.

Quem encontramos nos arquivos?
95 jornalistas
39 políticos
30 representantes de sindicatos de agricultores
17 membros de ONGs
16 cientistas
11 membros de organizações públicas  e da administração pública
8 líderes de organizações da indústria
7 funcionários ministeriais ou do Elysee
5 membros do setor de distribuição
4 fazendeiros influentes no Twitter
7 pessoas de diversas origens

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Esta reportagem foi originalmente publicada em francês pelo LeParisien [Aqui!].

“Brasil é um inferno de agrotóxicos na Terra”

Bayer, agrotóxicos, câncer e padrões duplos de comportamento

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Acionista crítico leva a Bayer a prestar contas na assembleia geral anual da empresa

O presidente-executivo da Bayer, Werner Baumann, perdeu recentemente um voto crucial de confiança, com os investidores questionando sua forma de lidar com o acordo de US$ 63 bilhões da Monsanto e a onda de ações judiciais dos EUA que se seguiram. No que Bloomberg chamou de “um desenvolvimento impressionante para a companhia alemã de medicamentos e produtos químicos”, cerca de 55% dos acionistas votaram contra a absolvição de Baumann e outros gerentes de responsabilidade por suas ações na tomada da Monsanto que ocorreu no ano passado.

A votação colocou em dúvida o futuro de Baumann e provocou uma sessão imediata do conselho de supervisão. Enquanto o conselho supervisor ignorou a votação sem precedentes, os investidores não estão satisfeitos com a decisão dos diretores de apoiar Baumann e sua estratégia.

Embora grande parte da agitação dos investidores incida, sem dúvida, no passivo financeiro, fortes preocupações estão sendo levantadas sobre a ética da Bayer. Na reunião geral anual da Bayer, Christian Russau, da organização guarda-chuva, os Acionistas Críticos, fez um discurso no qual lançou um ataque contundente à empresa por seus “duplos padrões”. Segundo Russau, a Bayer vende pesticidas no Brasil que são proibidos na UE.

Russau realizou duas investigações, uma em 2016 e uma segunda em 2019.

Ele descobriu que 8 substâncias ativas de pesticidas foram vendidas pela Bayer no Brasil em 2016 e não estão autorizadas a nível da UE:

  • Carbendazim
  • Ciclanilida
  • Dissulfotam
  • Etiprona
  • Ethoxysulfuron
  • Ioxinil
  • Thidiazurom
  • Tiodicarbe

Mas em 2019, o número aumentou para 12:

  • Carbendazim
  • Ciclanilida
  • Etiprona
  • Ethoxysulfuron
  • Fenamidona
  • Indaziflam
  • Ioxinil
  • Oxadiazona
  • Propinebe
  • Thidiazurom
  • Tiodicarbe
  • Tirame

Russau comentou: “Este é um aumento de 50%”.

Russau observou que em 1988, o então CEO da Bayer Hermann J. Strenger se recusou a estabelecer padrões duplos. Ele disse: “Fazemos as mesmas exigências de nossos investimentos no Brasil ou na Índia, nos EUA ou no Japão, como [na Alemanha]”.

No entanto, 31 anos depois, Russau disse que a Bayer ainda vende no Brasil alguns herbicidas, inseticidas e fungicidas com ingredientes ativos que são proibidos na Europa. Por isso, está operando de acordo com um padrão duplo. Russau acusou o CEO da Bayer, Werner Baumann, de cumplicidade com esse duplo padrão, em uma “continuidade histórica indescritível”.

Por que o Brasil?

Por que o foco no Brasil? Russau disse: “Porque o Brasil está no centro do interesse de crescimento da Bayer”. Dirigindo-se diretamente a Baumann, ele acrescentou que o CEO da Bayer disse na reunião geral anual de 2018 que o interesse da Bayer em adquirir a Monsanto seria no setor de sementes e no crescimento desse setor: “Este tipo de semente é geralmente geneticamente modificado, e é isso que Se essas três variáveis- sementes geneticamente modificadas, venenos agrícolas e crescimento – forem reunidas, somente um denominador comum pode ser encontrado em todo o mundo: o Brasil. Essa é a triste realidade, porque o crescimento nas áreas de sementes geneticamente modificadas e os venenos agrícolas já atingiram seus limites nos EUA, os processos contra a Monsanto atestam isso. “

Na Europa, Russau disse que a resistência pública é grande demais para que o crescimento seja esperado aqui. Na Índia, mais e mais estados estão declarando-se “livres de agrotóxicos” e a China está mostrando preocupação com a contaminação por agrotóxicos; “Então só o Brasil permanece. E há uma razão para isso.”

Russau comentou “notícias alarmantes do Brasil”: o novo governo brasileiro do presidente Jair Bolsonaro, com a ministra da agricultura e lobista agroquímica Tereza Cristina, que o maior e mais respeitado diário do Brasil apelidou de “Musa do Veneno”, lançou outros venenos agrícolas altamente tóxicos que são proibidos em outros lugares. Como cientista conhecida do instituto estadual de pesquisa para questões de saúde, a FIOCRUZ disse recentemente: “O Brasil se tornará um paraíso para os venenos agrícolas”.

Russau disse temer que empresas como a Bayer continue a participar, talvez mais do que nunca, na venda e distribuição de venenos agrícolas altamente tóxicos no Brasil. Como uma tática de sobrevivência diante da aquisição multibilionária da Monsanto, a Bayer irá crescer a qualquer preço. Qualquer veneno que possa ser vendido será vendido.

Brasil: Um “inferno de agrotóxicos na Terra”

Russau chamou o Brasil de um “inferno de agrotóxicos na Terra”, pelas seguintes razões:

* O Brasil é o líder mundial no uso de agrotóxicos – e a província de soja transgênica de Mato Grosso detém o recorde mundial: se a quantidade total de venenos agrícolas liberados no Brasil por ano é medida em termos de população per capita, então chega-se ao aterrorizante montante de 7,3 litros por cidadão brasileiro. Mas isso é “apenas” a média nacional. O líder brasileiro na pulverização de agrotóxicos é o estado de Mato Grosso, onde 13,3% (140 milhões de litros) de todos os venenos agrícolas usados no Brasil foram pulverizados anualmente entre 2005 a 2012, segundo os últimos cálculos do Instituto Estadual de Agricultura. Segurança do Mato Grosso (Indea).

* Observando uma dessas comunidades de “boom” – Sapezal, no estado do Mato Grosso, em 2012, nove milhões de litros de venenos agrícolas foram usados apenas no município de Sapezal. Estes são os últimos dados disponíveis da Indea. Se você contar a quantidade de agrotóxicos usados em todo o Brasil, chegamos aos 7.3 litros acima mencionados por pessoa. Em Sapezal, no entanto, esse valor é 52 vezes maior: 393 litros por pessoa, se tomarmos como base a população de 2016.

* Um estudo da Universidade Federal do Mato Grosso encontrou em um estudo que havia 1.442 casos de câncer gástrico, esofágico e pancreático em 13 municípios (644.746 habitantes segundo o último censo de 2015), nos quais soja, milho e algodão foram cultivados entre 1992 e 2014. Em comparação, nos 13 municípios comparáveis (219.801 habitantes segundo o último censo de 2015), onde o turismo predominou em vez da agricultura, o número de casos de câncer foi de apenas 53. Isso resulta em uma taxa de câncer de 223,65 por 100.000 habitantes predominantemente municípios agrícolas, enquanto que em municípios predominantemente turísticos, há uma taxa de câncer de 24,11 por 100.000 habitantes. Assim, em municípios onde os pesticidas são fortemente pulverizados, a taxa de câncer é estatisticamente maior por um fator de 8.

Em conclusão, Russau perguntou ao CEO da Bayer, Baumann: Quanto remédio anticâncer (volume e vendas) sua empresa farmacêutica enviou para o estado do Mato Grosso em 2016 e 2017?

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Este artigo foi originalmente publicado pela GMWatch [Aqui!]

O Brasil da Bayer, o Brasil da Monsanto

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Em 25 maio de 2018, Alan Tygel da Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida), foi a convite dos Acionistas críticos na Assembleia Geral Anual da Bayer AG em 25 de maio de 2018 Bonn

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Campanha Permanente contra os Venenos Agrícolas e pela Vida organiza no Brasil resistência a pesticidas e plantas e sementes modificadas transgênicas. FONTE:CAMPANHA PERMANENTE CONTRA OS AGROTÓXICOS E PELA VIDA

Prezadas senhoras e senhores,

Meu nome é Alan Tygel, sou da Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

Do ponto de vista da Bayer, o Brasil é um país muito promissor. O Brasil é o país que usa mais agrotóxicos no mundo. E o Brasil é o país que promete o maior crescimento na venda de agrotóxicos. No Brasil, a Bayer foi a empresa em 2014, o segundo maior vendedora de agrotóxicos. Após a aquisição da Monsanto, a Bayer ficará em primeiro lugar, com uma participação de mercado de cerca de 23%.

E o Brasil tem a segunda maior área de sementes geneticamente modificadas do mundo. Em contraste com o país com a maior do mundo cultivo área de plantas geneticamente modificadas – os EUA – O Brasil tem planos para colocar sementes transgênicas até mesmo nos cultivos de algodão. Além disso, a autoridade responsável pelo registro de autoridade plantas geneticamente modificadas CTNBio, estão em processo de tramitação a aprovação de licenças para novos cultivos transgênicos. Assim, não é de admirar quando dois milhões de hectares de terra estejam sendo definidos para o cultivo de arroz transgênico.

Este é o Brasil da Bayer. Este é o Brasil da Monsanto.

Mas há outro Brasil também. O Brasil onde eu moro. Esta é a terra da agricultura camponesa, a terra da diversidade alimentar, a terra da mandioca e do milho indígena. É neste Brasil que a nossa Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida “leva as vozes de milhões de pessoas a uma só voz”. E essa voz diz “não!” a agrotóxicos e plantas e sementes modificadas transgênicas. E essa voz diz “sim!” para construir um movimento em direção à agroecologia.

No outro Brasil, há a cada ano 6.000 pessoas que precisam de tratamento médico para intoxicação por venenos agrícolas. Mas sabemos que os números reais são certamente dez vezes maiores. Porque a maioria dos envenenados mora no campo, onde há pouco ou nenhum acesso a cuidados médicos. Os agricultores cometem suicídio, as crianças nascem com danos, os bebês mostram sinais de puberdade. Tudo provado por causa dos venenos agrícolas.

Na sua política de responsabilidade social e ambiental, a Bayer declara que é aconselhável seguir as instruções no folheto informativo, a calibração do equipamento de aplicação, a utilização de vestuário protector prescrito, a limpeza do equipamento e a eliminação adequada das águas residuais após a utilização.

Peço-lhe, portanto: Você acha que Bayer está livre de tal culpa por todo o envenenamento e todo o sofrimento? Então, as próprias vítimas são culpadas?

O portfólio de venenos agrícolas da Bayer registrados no Brasil inclui 109 produtos fabricados com 50 ingredientes ativos diferentes. Seus best-sellers no Brasil são os produtos à base de carbendazim e imidaclopride. Ambas as drogas estão na lista das dez substâncias mais utilizadas. É pura coincidência que uma das duas substâncias na União Europeia (UE) seja proibida, a outra seja banida? Além disso, a Bayer vendida no Brasil oito outros ingredientes ativos utilizados em produtos que são proibidos na UE: Thidiazuron, Tiodicarbe, Ioxinil, iprodiona, indaziflam, Etiprol, Etoxissulfurom e Cloridrato de Propamocarbe.

Eu lhes pergunto: Vocês acham que sua política de enviar venenos agrícolas proibidos há longa data na Alemanha para países em desenvolvimento é eticamente justificável? O que a Bayer fará com o glifosato da Monsanto se ele for banido na União Europeia por ser cancerígeno?

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Alan Tygel na ação de protesto durante a reunião geral anual da Bayer AG FONTE:UMBRELLA ASSOCIATION OF CRITICAL SHAREHOLDER

Atualmente, uma enorme pressão está sendo exercida no Brasil para derrubar a lei existente sobre agrotóxicos. Em seu lugar, os congressistas da bancada ruralista propõem uma lei sobre agrotóxicos. Isso reduziria o papel das autoridades sanitárias e ambientais no registro de agrotóxicos e aboliria as disposições do Registro de Venenos Agrícolas Carcinogênicos. Atualmente, 250.000 pessoas assinaram uma petição contra esse projeto, mas este projeto é abertamente apoiado pelo Sindiveg, a associação setorial da qual a Monsanto e a Bayer são membros.

Em 2018, a Monsanto participou de nove reuniões com o Ministério da Agricultura do Brasil e a Bayer em seis, algumas das quais diretamente com o ministro da Agricultura do Brasil, Blairo Maggi.

A Bayer considera justificado fazer lobby com o objetivo de enfraquecer a legislação nos países subdesenvolvidos e fornecer produtos já proibidos na Alemanha para o Brasil?

A Bayer também tem muito a ser criticado em relação às plantas transgênicas no Brasil: a Bayer tem atualmente onze patentes sobre sementes transgênicas no Brasil. Após a aquisição da Monsanto, que tem 23 patentes, a Bayer seria a dona de quase metade de todas as 75 modificações transgênicas registradas no Brasil.

Hoje vocês falam muito sobre plantas transgênicas sendo sustentáveis ​​e contribuindo para a redução de venenos agrícolas. Na realidade, porém, estamos experimentando uma trágica contaminação ambiental, a perda de uma herança genética preservada há séculos e um aumento maciço no consumo de agrotóxicos.

O caso da coruja cápsula de algodão Falters (Helicoverpa armigera) mostra claramente o problema: em 2012, a população dos Falters explodiu porque o milho transgênico geneticamente modificado não poderia mais prejudicá-lo. Em grande parte do nordeste brasileiro, houve então uma situação extrema de emergência, que chegou a uma perda de bilhões de reais. Em resposta, o Brasil importou uma toxina agrícola que já era proibida no país há muito tempo, porque é altamente prejudicial para o sistema nervoso humano: o benzoato de emamectina. O Ministério da Agricultura, que era tão transgênico, viu a culpa do milho transgênico, mas sobre a lei no ano passado, a aprovação do benzoato de emamectina no Brasil.

Entre 2007, quando o primeiro produto transgênico da Bayer foi registrado no Brasil e em 2014, o consumo de venenos agrícolas aumentou 52%. Estudos recentes indicam que esse aumento é em grande parte devido à soja transgênica, uma área em que a Monsanto é a campeã de vendas.

Contra esse pano de fundo, gostaríamos de saber: o seu entendimento de sustentabilidade inclui esse alto consumo de venenos agrícolas induzidos pelo uso de plantas transgênicas? Sua compreensão da sustentabilidade inclui a contaminação ambiental e o desequilíbrio ecológico causado por uma profunda desconsideração pelos direitos humanos dos pequenos agricultores?

Prezadas Senhoras e Senhores, Acionistas. Se vocês acham que o Brasil é a terra do lucro, não importa o preço e a que custo, e se vocês acham que pode despejar todo o seu lixo que não é bom aqui no nosso país, então tenha certeza que nós iremos Resistir.

Obrigado pela sua atenção.

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Este artigo foi originalmente publicado em alemão pelo site Amerika21 [Aqui!]

Ativistas criticam Bayer por venda no Brasil de agrotóxicos proibidos na UE

Associação questiona multinacional alemã sobre aumento de 50% nos últimos três anos no número de pesticidas comercializados no Brasil e não permitidos na Europa e alerta para liberação de produtos pelo governo Bolsonaro.

DW

Do lado de fora do Centro de Conferências de Bonn, onde ocorreu reunião anual dos acionistas da Bayer, jovens protestaram contra a empresa nesta sexta

Passado quase um ano da conclusão da aquisição da Monsanto pela Bayer, um grupo de associações e ativistas lançou nesta quinta-feira (25.04) o estudo “Um ano Bayer-Monsanto: um balanço crítico”, questionando as práticas da multinacional alemã em diversas partes do mundo.

Das dez páginas do relatório, duas delas se referem ao Brasil, e o principal dado divulgado é que, de 2016 para 2019, houve um aumento de 50% no número de agrotóxicos vendidos no Brasil que são proibidos na União Europeia (UE). Um levantamento de 2016 apontou que eram oito produtos e, agora, três anos depois, são 12.

O estudo foi realizado em parceria pela rede de desenvolvimento alemã Inkota, a ONG católica de ajuda ao desenvolvimento Misereor e a rede de ativistas Associação de Acionistas Críticos na Alemanha.

Após a compra da Monsanto, a Bayer se tornou a líder mundial no mercado de sementes, fertilizantes e pesticidas, e o Brasil é o segundo maior mercado para a divisão agrícola da empresa.

“O Brasil é o mercado do futuro para os agrotóxicos. Os Estados Unidos já parecem ter atingido seu limite de liberações [de agrotóxicos], e a sociedade da União Europeia não está disposta a tolerar mais agrotóxicos. Países como China e Índia também já estão mais conscientes. No Brasil, porém, a sociedade em geral não parece fazer tanta pressão”, afirma Christian Russau, da direção da associação de acionistas críticos.

“E o Brasil ainda tem um governo de extrema direita despreocupado com o meio ambiente e uma bancada ruralista muito forte, que pressiona o governo para conseguir cada vez mais liberações”, diz.

O estudo sobre a Bayer foi lançado às vésperas da reunião anual de acionistas da multinacional, que ocorreu nesta sexta-feira (26/04) em Bonn, na Alemanha. O evento foi uma oportunidade para os ativistas apresentarem os dados compilados e questionarem a empresa sobre a venda no Brasil de agrotóxicos proibidos na Europa.

De acordo com a lei alemã, todos os acionistas têm direito de comparecer à reunião anual e fazer questionamentos, não importando o número de ações que detenham. Se o acionista não pode ou não deseja comparecer, é permitido que ele indique um representante.

A Associação de Acionistas Críticos mobiliza-se para comprar ações de várias empresas alemãs de capital aberto – como Bayer, BASF, Siemens e Deutsche Bank – e as gerencia para que ativistas possam participar das assembleias gerais e questionar as grandes corporações.

Desde 1986, a associação pressiona companhias por mais transparência, respeito aos direitos trabalhistas e humanos, fim da produção de armamento e proteção ambiental.

O brasileiro Alan Tygel, da coordenação da Campanha Permanente contra Agrotóxicos e Pela Vida, foi um dos ativistas que participou da reunião desta sexta-feira como representante da associação.

“As grandes corporações da área agrícola acabam focando países com regulações mais permissivas, como Brasil, Paraguai e Argentina. A Bayer é uma empresa privada que visa o lucro. Não esperamos que uma mudança parta dela, mas tentamos, sim, pressionar o governo para que se façam as regulações necessárias para que a saúde da população seja garantida”, afirma Tygel.

Para ele, em países como o Brasil as megacorporações em países têm maior poder de lobby com o governo, mais capacidade de investimento em propagandas e em pesquisas que as apoiem e a possibilidade de impor a venda de pacotes conjuntos de tecnologias – por exemplo, a comercialização de uma semente que exige o uso de um determinado agrotóxico vendido pela mesma empresa.

“No Brasil, com a união entre a Bayer e a Monsanto, mais de 50% das sementes transgênicas vêm da mesma empresa”, pontua.

Dados alarmantes

No relatório, os ativistas chamam a atenção para um dado alarmante divulgado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) em 2015. Naquele ano, estimou-se que cada pessoa no Brasil “consumiu” cerca de 7,3 litros de agrotóxicos por ano, ao dividir-se a quantidade de químicos vendida pelo número de habitantes do país.

O texto também destaca que um estudo da Universidade Federal de Mato Grosso mostrou que em 13 municípios (com população total de 644.746 moradores), onde soja, milho e algodão foram plantados entre 1992 e 2014, houve 1.442 casos de câncer gástrico, esofágico e pancreático. Em comparação com outros 13 municípios (219.801 habitantes no total), onde a atividade principal é o turismo, e não a agricultura, o número de casos foi de apenas 53.

velocidade de liberação de agrotóxicos no Brasil é outro destaque do estudo, que aponta que, somente nos primeiros 42 primeiros dias do governo de Jair Bolsonaro foram liberados 57 novos registros. Outra preocupação dos ativistas é quanto aos níveis de tolerância de resíduos, que são muito maiores no Brasil do que na União Europeia.

Num estudo separado, o atlas Geografia do Uso de Agrotóxico no Brasil e Conexões com a União Europeia, publicado no final de 2017, a professora de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) Larissa Bombardi comparou os dois cenários.

Vestidos de apicultores, ativistas protestam contra o alto consumo de agrotóxicos em frente ao evento da Bayer, em BonnVestidos de apicultores, ativistas protestaram contra o alto consumo de agrotóxicos em frente ao evento da Bayer

 

Segundo a pesquisadora, a  atrazina, por exemplo, sétimo pesticida mais vendido no Brasil e proibido na Europa, tem um limite máximo de resíduo para cana, milho e sorgo cinco vezes maior no Brasil do que o permitido na UE.

Além disso, no Brasil, o limite de resíduo de glifosato no café é dez vezes maior do que na UE e, na soja, 200 vezes maior. Quanto à água potável a diferença de parâmetros é ainda maior: o limite de glifosato permitido é 5 mil vezes maior no Brasil.

Consumo indireto de agrotóxicos

Mesmo preocupados com a venda e uso de agrotóxicos na União Europeia, muitos europeus não percebem que acabam entrando em contato com essas sustâncias indiretamente.

O Atlas da Geografia aponta que o Brasil exportou, em 2016, café equivalente a 974 milhões de dólares para a Alemanha. No Brasil, para o cultivo de café estão autorizados 121 tipos de agrotóxicos, dos quais 30 são proibidos na Europa, ou seja, 25%.

“Muitos alemães não sabem que, indiretamente, eles consomem esses agrotóxicos proibidos aqui. Por exemplo, na soja que serve de comida para o gado, que depois vai parar na mesa das pessoas”, ressalta Lena Michelsen, consultora global de alimentação e agricultura da Inkota.

O que diz a Bayer

Em resposta a críticas de ativistas e organizações, incluindo o estudo da Inkota, Misereor e da Associação dos Acionistas Críticos, a Bayer afirma que comercializa mundo afora, “inclusive em economias emergentes e em países em desenvolvimento”, apenas produtos fitofarmacêuticos que estão registrados em pelo menos um país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Além disso, a empresa diz que os produtos da empresa no Brasil e em todos os países onde atua atendem aos requisitos regulatórios de cada governo.

“No Brasil, por exemplo, comercializamos o indaziflam, um dos nossos mais novos herbicidas. Não solicitamos aprovação para esta substância na União Europeia, porque os produtos à base de indaziflam são comercializados exclusivamente na Ásia e na América Latina”, afirma a Bayer.

A empresa também informa que todos os produtos fitossanitários comercializados pela Bayer em todo o mundo “foram cuidadosamente testados quanto à segurança para os seres humanos, animais e ambiente e que foram aprovados pelas autoridades reguladoras competentes”.

Sobre o poder de influência sobre governos, a corporação afirma que “o trabalho político da Bayer é regido pelos princípios da transparência e do Código de Conduta para o Lobby Responsável” da empresa.

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Este artigo foi inicialmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui!]. A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.

Nova pesquisa em humanos mostra ligação entre doença hepática avançada e exposição ao herbicida Glifosato

glifosato

Resultados avançam pesquisa anterior mostrando exposição ao herbicida Roundup causou doença hepática

Um novo estudo mostra que pacientes com uma forma avançada de doença hepática gordurosa não-alcoólica (NAFLD) chamada esteato-hepatite não alcoólica (NASH) e têm níveis mais elevados de resíduos de glifosato na urina, em comparação com pacientes com a forma menos grave de DHGNA.

Os pacientes com EHNA são considerados de alto risco de desenvolver doenças ainda mais graves, como cirrose e câncer de fígado.

O estudo foi conduzido pelo professor Paul Mills do Departamento de Medicina Familiar e Saúde Pública da Universidade da Califórnia, em San Diego, com o envolvimento do Centro de Pesquisa em NAFLD em La Jolla, Califórnia. O tamanho da amostra foi de 97 pacientes.

O novo estudo avança os conhecimentos de uma pesquisa anterior liderada pelo Dr. Michael Antoniou no King’s College London. A equipe do Dr. Antoniou descobriu que ratos alimentados com o herbicida Roundup a base de glifosato em níveis muito baixos dentro dos limites regulatórios de segurança desenvolveram NAFLD e NASH durante um longo período de dois anos.

O estudo do Dr. Antoniou, sendo um ensaio de alimentação animal controlada, mostra uma ligação causal entre a exposição ao herbicida Roundup e NAFLD e NASH.

O estudo de  professor Mills não prova que o glifosato realmente cause doença hepática. É um estudo “depois do fato” em humanos com doença hepática, em que a exposição ao herbicida glifosato não foi controlada, mas a excreção de glifosato foi medida depois que os indivíduos ficaram doentes. No entanto, mostra uma correlação entre níveis elevados de glifosato na urina humana e NASH.

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O estudo sugere que as pessoas devem minimizar sua exposição ao herbicida glifosato e outros pesticidas, buscando alimentos cultivados organicamente.

Comentando sobre o novo estudo, o Dr. Antoniou disse: “Nossos estudos com animais de laboratório identificaram a exposição ao Roundup como um fator de risco previamente insuspeito para o desenvolvimento de DHGNA e EHNA. A pesquisa conduzida pelo Prof Mills dá um passo à frente, demonstrando que isso também pode ser um fator de risco em humanos “.

Dr. Antoniou continuou: “A questão que permanece sem resposta é qual (is) componente (s) de herbicidas à base de glifosato comercial constitui o fator de risco NAFLD-NASH. É o glifosato sozinho, ou os adjuvantes tóxicos presentes em formulações comerciais, ou uma combinação do dois? Mais estudos são necessários para resolver esta questão crucial. ”

Exatamente como os níveis de excreção de glifosato na urina se correlacionam com as quantidades realmente presentes nos órgãos vitais do corpo não são conhecidos. A indústria de pesticidas afirma que altos níveis de urina são uma coisa positiva, porque o corpo está excretando com sucesso o produto químico.

No entanto, esta noção é contrariada pela pesquisa liderada pela Dra. Monika Kruger na Alemanha. A Dra. Kruger descobriu que os níveis de glifosato em uma variedade de órgãos em vacas leiteiras eram muito semelhantes aos da urina. Isso sugere que o glifosato pode se acumular no corpo. Além disso, pessoas com doenças crônicas apresentaram níveis mais elevados de resíduos de glifosato na urina do que humanos saudáveis, sugerindo que altos níveis de excreção de glifosato não são um sinal saudável.

Além disso, um estudo separado em mulheres grávidas que vivem nos EUA mostrou que os níveis de glifosato na urina estão correlacionados com a redução do tempo de gravidez.

O estudo de Prof Mills acrescenta peso à probabilidade de que altos níveis de glifosato na urina sejam um sinal de problemas de saúde, pelo menos em relação à DHGNA, especialmente NASH.

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Este artigo foi originalmente publicado em inglês pelo GMWatch [Aqui!]

Julgamento do Câncer causado pelo Roundup: e-mails mostram Monsanto em “relações aconchegantes” com servidores de agência ambiental

Glyphosate

A estrutura química do glifosato, o ingrediente ativo do herbicida Roundup da Monsanto (via Wikipedia)

Por Mary Dinzeo para a Corthouse News Service

OAKLAND, Califórnia (CN) – Como o processo jurídico envolvendo o Glifosato, herbicida mais usado no mundo, e sua conexão com o câncer de casal na Califórnia se estende até a terceira semana, o advogado mostrou ao júri mais registros revelando uma relação confortável entre a empresa de agroquímicos e os servidores da agência federal responsável pela regulação do uso de agrotóxicos, a Environmental Protection Agency (EPA).

O advogado Brent Wisner, representando os autores Alva e Alberta Pilliod,  mostrou um depoimento em vídeo do porta-voz corporativo da Monsanto, William Reeves, na segunda-feira, no qual ele reconheceu que os executivos da Monsanto trocaram mensagens de texto com reguladores que participaram do comitê da  EPA que classificou o glifosato, ingrediente principal no Roundup, como não carcinogênico para humanos.

A equipe jurídica da Pilliods espera que essas trocas de e-mails e textos sejam evidências suficientes de conluio entre a Monsanto e a EPA para atrasar uma revisão da Agência de Substâncias Tóxicas e Registro de Doenças, uma agência de saúde pública ligada aos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. 

Alva e Alberta Pilliod, que desenvolveram Linfoma não-Hodgkin  com quatro anos  de diferença um do outro, afirmam que o Roundup foi um fator substancial em causar o câncer.  Alva e Alberta pulverizaram o herbicida por cerca de 30 anos em suas propriedades, e acusam a Monsanto de encobrir os danos do produto.

Em 18 de junho de 2015, o cientista da Monsanto, Eric Sachs, enviou uma mensagem de texto para a ex-toxicologista da EPA, Mary Manibusan, perguntando se ela conhecia alguém na Agência para Substâncias Tóxicas e Registro de Doenças.

“Sim. Onde especificamente? ”Manibusan perguntou.

“Sobre perfis de toxinas”, disse Sachs, referindo-se à “toxicidade”. A agência vinha trabalhando em um perfil toxicológico do glifosato logo após a classificação do herbicida da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Cancro de 2015 como “provavelmente carcinogênico para humanos”. A EPA anunciou a revisão em fevereiro de 2015 com uma data de publicação planejada em outubro.

“Já faz um tempo, mas eu posso. Querida, eu conheço muitas pessoas, então você pode contar comigo ”, Manibusan disse a Jenkins.

“Estamos tentando fazer tudo o que pudermos para evitar que um IARC doméstico ocorra com esse grupo. Pode precisar da sua ajuda ”, disse ele.

Wisner também mostrou os e-mails internos do júri sobre os esforços da Monsanto para que a agência esperasse com sua revisão até depois da própria reavaliação da EPA / avaliação preliminar de risco do glifosato.

Em 23 de junho de 2015, Dan Jenkins, contato da Monsanto com várias agências reguladoras dos EUA como a EPA, escreveu em um e-mail aos colegas dizendo que a Agência para Substâncias Tóxicas e Registro de Doenças (ATSDR) havia assegurado a Jack Housenger, na época diretor do Escritório da EPA para Programas de Agrotóxicos, que colocaria seu relatório em espera.

“O Diretor da ATSDR e o Chefe de Escritório prometeram a Jack Housenger (diretor do Escritório de Programas de Pesticidas dos EUA) colocar seu relatório ‘em espera’ até depois que a EPA publicasse sua avaliação preliminar de risco (PRA) para o glifosato. A EPA não terá a reunião final do grupo técnico interno de revisão de câncer até que as monografias do IARC sejam publicadas e, portanto, não divulgará a PRA até depois disso (supondo que isso significaria em meados de agosto) ”, escreveu Jenkins. “O ATSDR citou um relatório de Auditoria do GAO ao argumentar que seu processo é diferenciado e não duplicativo. Eles olham para elementos de conclusão diferentes e disseram à EPA que não “fazem um apelo ao câncer”, mas acho que devemos continuar sendo cautelosos. A EPA me enviará o nome do Chefe do Escritório para que possamos marcar uma reunião.

Em uma resposta, agradecendo Jenkins pelo acompanhamento de 24 de junho, o toxicologista William Heydens, da Monsanto, escreveu: “Distinguível e não duplicativo”? A sério? E eu vou acreditar que não “fazer uma chamada ao câncer”, quando eu vejo isso. De qualquer forma, pelo menos eles sabem que estão sendo vigiados, e espero que eles façam algo muito estúpido … ”

Naquele mesmo dia, Jenkins respondeu: “Concordo completamente. Mary Manibusan me disse ontem que a EPA teve vários problemas no passado com o ATSDR chegando a conclusões diferentes. … Ela descreve o ATSDR como sendo muito conservadora, na mesma forma que o IARC, bem como o fato de que eles são baseados em riscos ”.

Ele então acrescentou: “Me deixa muito nervosa”.

No começo daquele ano, Heydens enviou a Jenkins um e-mail sobre como lidar com “as consequências da IARC”.

No final da mensagem, Heydens disse: “AGORA A PERGUNTA – Quais são seus pensamentos sobre se aproximar da EPA e ter uma conversa, provavelmente genérica, sobre qual área eles consideram mais problemática (por exemplo, epidemiologia humana versus bioensaios com animais versus genetox) ou simplesmente perguntar se há alguma coisa que possa ajudá-los a defender a situação? ”

Em sua resposta, Jenkins sugeriu que Heydens entrasse em contato com Jesudoss “Jess” Rowland, diretor de divisão do Escritório de Programas de Agrotóxicos da EPA. Rowland também foi presidente do Comitê de Revisão de Avaliação do Câncer da EPA, responsável pela avaliação da carcinogenicidade do glifosato na EPA.

– Acho que você e eu podemos falar com Jess Rowland e discutir isso abertamente. Ele nos dará uma conversa direta ”, disse Jenkins.

“Isso seria ótimo Dan”, respondeu Heydens.

Jenkins respondeu no dia seguinte, dizendo a Heydens que Rowland o chamara “do nada” pedindo um nome de contato na Agência de Substâncias Tóxicas e Registro de Doenças.

“Ele me disse que não há coordenação e ele queria estabelecer alguns dizeres: ‘Se eu puder matar isso, eu deveria ganhar uma medalha’. No entanto, não tenha esperanças, duvido que a EPA e a Jess possam matar isso; mas é bom saber que eles vão realmente fazer o esforço agora para coordenar devido à nossa preocupação premente e compartilhada de que o ATSDR é consistente em suas conclusões com a EPA ”, escreveu Jenkins a Heydens.

Em outubro, Jenkins também enviou uma mensagem de texto ao executivo da Monsanto, Phillip Miller, na época vice-presidente de assuntos regulatórios e governamentais globais. “Lembre-se que a ATSDR disse que também divulgaria sua visão em outubro”, disse ele. “Disse EPA para agradar e mantê-los alinhados.”

Sob o questionamento em vídeo de Wisner, Reeves não pôde fazer outra coisa senão confirmar o conteúdo das mensagens, mas ele disse: “Eu nunca ouvi ninguém na EPA dizer que eles iriam dizer ao ATSDR o que fazer”.

A ATSDR não divulgou seu perfil toxicológico no glifosato em outubro em 2015. Na verdade, ela não divulgou seu relatório preliminar até 8 de abril de 2019, quase quatro anos depois. O relatório adotou uma abordagem cautelosa, dizendo: “Numerosos estudos relataram razões de risco maiores que 1 para associações entre exposição ao glifosato e risco de Linfoma não-Hodgkin ou mieloma múltiplo; no entanto, as associações relatadas foram estatisticamente significativas apenas em alguns estudos ”.

O comitê de Rowland divulgou seu documento de avaliação do câncer sobre o glifosato em 1º de outubro de 2015, constatando que “as evidências epidemiológicas neste momento são inconclusivas para uma relação associativa causal ou clara entre o glifosato e o NHL”.

Reeves disse que sempre foi a posição da Monsanto de que não há evidências ligando o Roundup e o câncer. Ele citou, juntamente com as conclusões da EPA, relatórios da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos e da Agência Europeia de Produtos Químicos e conclusões de reguladores do Japão, Canadá, Nova Zelândia e Austrália de que o glifosato não é carcinogênico.

Espera-se que os advogados da Pilliods concluam seu caso na próxima semana, quando a Monsanto – agora pertencente à gigante química alemã Bayer AG – trará seus próprios especialistas.

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Este artigo foi originalmente publicado em inglês pela Corthouse News Service [Aqui!]

Estudo de organização de acionistas críticos mostra que aumentou o padrão duplo da BAYER sobre as vendas de agrotóxicos no Brasil

As vendas de agrotóxicos produzidos pela BAYER no Brasil, que não estão autorizados a nível da UE, de acordo com a Base de Dados de Pesticidas da UE, aumentaram em 50% entre 2016 e 2019.

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Foto: christianrussau

Em 26 de abril, a reunião de acionistas da BAYER de 2019 será realizada em Bonn, Alemanha. Mais uma vez haverá protestos e discursos críticos contra os duplos padrões estabelecidos pela BAYER no Brasil.

Em 2016, a organização abrangente de  “Acionistas Críticos” realizou um exame dos produtos agrotóxicos oferecidos pela BAYER no Brasil. Os Acionistas Críticos queriam saber se e quais ingredientes ativos a Bayer vende no Brasil, o que não é permitido em nível da UE, de acordo com o Banco de Dados de Pesticidas da UE 1 . Repetimos essa investigação três anos depois. O resultado: o número de ingredientes ativos comercializados pela BAYER no Brasil, mas não autorizado no nível da UE, de acordo com o Banco de Dados de Praguicidas da UE, não diminuiu, mas, ao contrário, aumentou.

Substâncias vendidas pela BAYER no Brasil (2016) que não estão autorizadas a nível da UE:

  • Carbendazim
  • Ciclanilida
  • Dissulfotom
  • Etiprol
  • Etoxissulfuron
  • Ioxinil
  • Thidiazuron
  • Tiodicarbe

Substâncias vendidas pela BAYER no Brasil (2019) que não estão autorizadas a nível da UE:

  • Carbendazim
  • Ciclanilida
  • Etiprol
  • Etoxissulfuron
  • Fenamidona
  • Indaziflam
  • Ioxinil
  • Oxadiazon
  • Propinebe
  • Thidiazuron
  • Tiodicarbe
  • Tirame

Enquanto em 2016 ainda havia oito ingredientes ativos que a BAYER vende no Brasil, mas que não são aprovados no nível da UE de acordo com o Banco de Dados de Pesticidas da UE, em 2019 já havia doze substâncias ativas distribuídas no Brasil, mas de acordo com a UE Banco de Dados de Pesticidas não são permitidos. Isso corresponderia a um aumento de 50%.

1 Ver http://ec.europa.eu/food/plant/pesticides/eu-pesticides-database/public/?event=homepage&language=EN .

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Este artigo foi publicado originamente em alemão organização não-governamental KoBra [Aqui!]

 

Tribunal francês considera a Monsanto da Bayer responsável pela doença de agricultor

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O agricultor francês Paul François, líder da associação das vítimas de doenças, participa de uma entrevista coletiva após o veredito em seu julgamento no Tribunal de Apelações contra a empresa norte-americana Monsanto, em Paris, França, 11 de abril de 2019. REUTERS / Charles Platiau

PARIS / LYON (Reuters) – Um tribunal francês determinou que a Monsanto é responsável pela doença de um fazendeiro que inalou um de seus herbicidas, em outro revés legal para a empresa de propriedade da Bayer por causa de alegações de saúde.

Na última etapa de uma disputa legal que durou uma década, a corte de apelações em Lyon na quinta-feira achou a alegação do agricultor Paul François de que o herbicida Lasso da Monsanto o deixou doente e que a rotulagem do produto foi inadequada.

François, 55, diz que sofreu problemas neurológicos, incluindo perda de memória, desmaios e dores de cabeça, depois de acidentalmente inalar o Lasso em 2004 enquanto trabalhava em sua fazenda.

“O senhor François concluiu justificadamente que o produto, devido à sua rotulagem inadequada que não respeita os regulamentos aplicáveis, não ofereceu o nível de segurança que ele poderia legitimamente esperar”, disse o tribunal em sua decisão.

O veredicto mais recente, no entanto, não determinou a compensação para o agricultor, que agora será considerado por outro tribunal em Lyon.

François está buscando cerca de 1 milhão de euros (US $ 1,1 milhão) em danos.

A  multinacional alemã Bayer, que adquiriu a Monsanto em um acordo de US $ 63 bilhões em 2018,  declarou que estava considerando suas opções legais, incluindo um recurso perante a mais alta corte da França.

O grupo de químicos alemães acrescentou que os produtos de proteção de cultivos “não representam um risco para a saúde humana se forem usados ​​de acordo com os termos de uso estipulados em sua aprovação reguladora”.

François havia conseguido decisões contra a Monsanto em 2012 e 2015 antes de o principal tribunal da França reverter as decisões e ordenar a nova audiência em Lyon.

“Estamos todos felizes por ter vencido, mas foi caro”, disse François a repórteres em Paris.

“É um grande suspiro de alívio. São 12 anos de luta, 12 anos durante os quais tive que suspender toda a minha vida. ”

Lasso foi proibido na França em 2007 depois que o produto foi retirado em outros países.

Usou uma substância ativa diferente para o glifosato, a substância química contida no herbicida mais popular da Monsanto, o Roundup, e alvo de ações judiciais nos Estados Unidos devido a supostas conexões com câncer.

A empresa foi considerada responsável em dois julgamentos na Califórnia, levados por sofredores de câncer que receberam dezenas de milhões de dólares em danos. A Bayer está apelando contra essas decisões.

Os problemas legais em torno do glifosato contribuíram para que a Bayer perdesse cerca de 30 bilhões de euros em valor de mercado desde agosto do ano passado. O executivo-chefe do grupo disse na quinta-feira que foi “massivamente afetado” pelo litígio.

Após o anúncio da decisão, as ações da Bayer estenderam tive uma queda p de 1,5% antes de recuperar algumas dessas perdas.


Esta reportagem foi originalmente escrita em inglês e publicada pela Agência Reuters [Aqui!]

Um aborto a cada quatro grávidas

A cidade em que o agrotóxico glifosato contamina o leite materno e mata até quem ainda nem nasceu

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Por Nayara Felizardo para o “The Intercept”

O FILHO DE MARIA Félix, de 21 anos, resistiu pouco mais de seis meses de gestação. Morreu ainda no ventre, com apenas 322 gramas. A causa do aborto, que aconteceu com 25 semanas de gravidez, foi má formação: o bebê tinha o intestino para fora do abdômen e também problemas no coração. Não é incomum que as mães da região percam seus filhos precocemente. O bebê de Maria, ao que tudo indica, foi mais uma vítima precoce do agrotóxico glifosato, usado em grandes plantações de soja e de milho em Uruçuí, a 459 km de Teresina, no Piauí.

O mesmo veneno que garante a riqueza dos fazendeiros da cidade, no sul do estado, está provocando uma epidemia de intoxicação com reflexo severo em mães e bebês. Estima-se que uma em cada quatro grávidas da cidade tenha sofrido aborto, que 14% dos bebês nasçam com baixo peso (quase do dobro da média nacional) e que 83% das mães tenham o leite materno contaminado. Os dados são de um levantamento do sanitarista Inácio Pereira Lima, que investigou as intoxicações em Uruçuí na sua tese de mestrado em saúde da mulher pela Universidade Federal do Piauí.

Conheci a história de Maria Félix Costa Guimarães na maternidade do hospital regional Tibério Nunes, na cidade de Floriano. É para lá que as mulheres de Uruçuí são encaminhadas quando têm problemas na gravidez. Nos primeiros exames, feitos em julho, já havia sido identificada a má-formação no feto. Em setembro, no leito do hospital, encontrei a jovem, que lia a Bíblia e se recusava a comer. Carregava um olhar entristecido, meio envergonhado. Ela tinha sofrido o aborto no dia anterior e aguardava o médico para fazer uma ultrassom e se certificar de que não seria necessária a curetagem (cirurgia para retirada de restos da placenta).

Maria não tinha condições emocionais para conversar, por isso falei com a sua tia, a intercept 2funcionária pública Graça Barros Guimarães. Ela não sabia sobre a pesquisa realizada em Uruçuí, mas acredita nos resultados apontados por Lima. “Se a gente for avaliar, o agrotóxico causa problema respiratório e de alergia. Então é claro que se a mulher tiver grávida, o bebê pode se contaminar também”.

Graça me contou que a sobrinha sempre esteve rodeada de fazendas de soja. A casa onde vive, em Uruçuí, fica a cerca de 15 km de uma plantação. Antes, ela morava na zona rural do município de Mirador, no Maranhão, onde também há plantio de soja. “Os fazendeiros tomaram conta de tudo.”

 

Laudo do ultrassom que constatou a morte do bebê. ‘A principal consequência é a atrofia de alguns órgãos’, diz o médico.Imagem: Reprodução

 Em meados de agosto estive em Uruçuí para conversar com profissionais da saúde e com os trabalhadores agrícolas. Eu queria entender como viviam as pessoas no município contaminado pelo glifosato, e se elas tinham noção de que o problema existe. Também liguei para o pesquisador Inácio Pereira Lima, que culpa o agronegócio pelo adoecimento das pessoas. “Tudo isso é consequência do modelo de desenvolvimentoeconômico em que só o lucro está em foco, independente das consequências negativas para a população”, ele me disse.

Epidemia de glifosato

O glifosato é o agrotóxico mais usado no Brasil. É vendido principalmente pela Monsanto, da Bayer, com o nome comercial de Roundup. Seus impactos na saúde humana são tão conhecidos que o Ministério Público pediu que sua comercialização fosse suspensa no Brasil até que a Anvisa fizesse sua reavaliação toxicológica. Em agosto, a justiça aceitou e o glifosfato foi proibido. A suspensão foi classificada como um “desastre” pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e foi duramente combatida por ruralistas e pela indústria.

A decisão, no entanto, foi derrubada pela justiça em segunda instância poucas semanas depois. Maggi – que também é conhecido como “rei da soja” – não escondeu o seu entusiasmo com a liberação do agrotóxico:

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A Monsanto diz que o produto é seguro, mas e-mails da empresa divulgados no ano passado mostram que ela pressionou cientistas e órgãos de controle nos EUA para afirmarem que o glifosato não causa câncer. Isso não impediu a Monsanto de ser condenada a pagar mais de R$ 1 bilhão a um homem que está morrendo de câncer nos Estados Unidos. Cerca de 4 mil ações parecidas estão em curso naquele país.

O produto representa quase a metade de todos os agrotóxicos comercializados no Piauí. O pesquisador Lima explicou que a presença da substância no leite materno indica a contaminação direta ou que as quantidades utilizadas na atividade agrícola da região são tão elevadas, que o excesso não foi degradado pelo metabolismo da planta. As mulheres estudadas por ele sequer trabalham nas lavouras: elas estão intoxicadas porque fazem limpeza, cozinham nas fazendas ou porque comeram o herbicida nos alimentos. Lima, em sua tese, explica que o organismo é contaminado pela pele e vias respiratória e oral.

Mulheres, as maiores vítimas

Pelos registros do hospital regional de Uruçuí, os abortos ocorrem geralmente em mulheres entre 20 e 30 anos, que chegam até a 10ª semana de gestação. O número elevado de casos é citado por Iraídes Maria Saraiva, enfermeira plantonista. “São muitas as mulheres que chegam com sangramento ou já com o ultrassom mostrando que o feto não tem batimentos cardíacos. A maioria desses abortos são espontâneos”, me disse.

Muitas mulheres têm a gravidez interrompida logo nas primeiras semanas. Sem saber que estão grávidas, elas seguem trabalhando cercadas pelo glifosato. Quando descobrem, já não há mais o que fazer. “Dificilmente é a primeira gravidez e elas não têm doenças pré-existentes. Quer dizer, são mulheres jovens que aparentam ser saudáveis”, observou a enfermeira.

Há ainda as que sabem que estão esperando um filho mas não podem deixar o trabalho, simplesmente porque dependem do salário. As que passam da fase mais crítica e levam a gravidez até o fim correm alto risco de ter má formação do feto.

Na maternidade de Floriano, o coordenador do setor de obstetrícia Luiz Rosendo Alves da Silva já viu muitos casos de aborto e de má-formação. Ele acredita na culpa dos agrotóxicos. “É uma contaminação lenta, gradual e diária. A principal consequência é a atrofia de alguns órgãos, principalmente coração e pulmão”.

Alanne Pinheiro, enfermeira do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), observa que as mulheres estão expostas aos agrotóxicos de forma mais perigosa do que os homens que trabalham diretamente na aplicação do veneno. “Elas ficam na cozinha ou fazem a limpeza das fazendas e acabam inalando o agrotóxico de forma indireta. Como não usam roupas especiais, sofrem mais o efeito da intoxicação passiva.”

PIB alto, salário baixo

A cidade de 21 mil habitantes tem as características comuns do interior, onde a vida acontece sossegada e todo mundo se conhece. Quase um terço da população vive na zona rural. No percurso de 40 km do centro até o Assentamento Flores – onde moram muitos dos trabalhadores com quem eu pretendia conversar – quase não há árvores, exceto em pontos isolados ao redor da casa grande, a sede da fazenda. A sensação é de um enorme deserto e uma riqueza distribuída entre poucos.

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Na pacata Uruçuí, mesmo quem não trabalha diretamente na agricultura está sendo contaminado. Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de Uruçuí

Uruçuí não é um município pobre. O PIB per capita, de R$ 49 mil, era o 2º maior do Piauí em 2015, último ano da pesquisa do IBGE. Perdia apenas para a cidade vizinha, a também agrícola Baixa Grande do Ribeiro. Mas na prática, o salário dos trabalhadores é de R$ 1.900 por mês, em média.

Quem enriquece de verdade são os fazendeiros. A maioria deles saiu do sul do Brasil para o cerrado piauiense em busca de terras e do clima ideal para o plantio de suas lavouras. Outros ocupam ou já ocuparam cargos na política como deputados ou vereadores. É o caso do ex-deputado estadual Leal Júnior, eleito três vezes para o mesmo cargo, e da vereadora de Uruçuí Tânia Fianco.

Joana* trabalhou como cozinheira na Fazenda Serra Branca há sete anos. Ela conta que o cheiro do agrotóxico chega até as trabalhadoras, mesmo quando elas não estão nos locais onde o veneno é aplicado. “Dependendo da posição do vento, a gente sentia. E se tivesse aplicando com o avião, era mais forte. Às vezes eu chegava em casa com dor de cabeça e sabia que era do veneno”, lembra ela, que prefere não se identificar. “Sabe como é, né? A gente depende das fazendas”, conforma-se. O marido ainda trabalha no agronegócio.

Se os males causados pelos agrotóxicos se limitassem às mães e aos seus bebês, o problema já seria grave o bastante, mas o sanitarista Inácio Pereira Lima faz um alerta. “Como minha pesquisa foi voltada para a mulher, coletei amostras biológicas exclusivas; por isso foi o leite. Mas, se a pesquisa fosse da população em geral, poderia optar por outro tipo de amostra como sangue ou urina. E talvez chegasse a esses mesmos resultados. Ou seja, toda a população está sob risco, e não só as mães que amamentam”, me explicou o pesquisador.

Ouvi de muitas pessoas da cidade que alguns fazendeiros não são simpáticos com quem os contraria. O conselho que todo mundo me deu foi: “Não fale com eles”. As fazendas têm seguranças armados.

Decidi ir ao escritório da Fazenda Canel, administrada pelas famílias Bortolozzo e Segnini, originárias de Araraquara, no interior de São Paulo. Eles se instalaram no Piauí há 30 anos e são os pioneiros no plantio de soja no estado. Eu queria entender a posição deles. Todos se negaram a conversar comigo. Funcionários justificaram que os responsáveis estavam “viajando para o exterior”.

Mais medo de demissão do que de doença

Na cidade onde quase todo mundo se conhece, o mesmo segredo é compartilhado. Ninguém fala para os profissionais de saúde quando sente os efeitos do agrotóxico no organismo, e dificilmente o hospital é procurado. Se a intoxicação for mais grave, os trabalhadores escondem dos médicos sua possível causa. É muito difícil detectar laboratorialmente doenças causadas por agrotóxico. Se o paciente não fala, muitas internações provocadas pelos químicos não caem na conta deles.

A enfermeira Alanne Pinheiro me disse que as pessoas têm medo de perder o emprego. “Se eles disserem que estão doentes por causa dos agrotóxicos, aquilo pode repercutir na cidade e ficar mal pro fazendeiro. Os trabalhadores têm mais medo de demissão do que de uma doença.”

Há ainda a falta de conhecimento sobre os riscos dos agrotóxicos. “Eles nem acreditam que possa acontecer algum problema grave porque os danos só aparecem a longo prazo. Não existe a percepção de que os males se acumulam e podem trazer doenças irreversíveis, como um câncer que já se descobre em metástase”, diz Alanne.

Um possível exemplo é João*, marido de Helena*. Conversei com ela porque João sai cedo para a Fazenda Nova Aliança e só chega à noite. Este ano, o trabalhador teve uma alergia nos braços, mas decidiu tratar em casa. Sem avaliação médica e sem exames, João se auto-medicou. “Acho que não foi agrotóxico, porque ele é pedreiro e não mexe com veneno. Deve ter sido por causa do cimento”, opina a mulher.

É comum que os moradores atribuam os sintomas da intoxicação a outras causas. “Os pacientes chegam com queixas vagas, como ardência nos olhos. Mas, quando a gente começa a investigar, eles não falam tudo”, comenta a enfermeira Iraídes. Nas raras vezes em que vão ao hospital, são levados por algum funcionário da fazenda. Com essa vigília, o medo de perder o emprego é maior e a saúde fica em segundo plano.

O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador está tentando evitar o alto índice de subnotificação: eles treinam os enfermeiros e médicos para que notifiquem os casos de intoxicação quando perceberem os sintomas, independente do que afirmam os pacientes.

Tecnologia para o lucro

Geivan Borges da Silva é técnico em agropecuária e presta assessoria para muitos fazendeiros de Uruçuí. Ele defende que o uso de sementes transgênicas reduz a necessidade de agrotóxicos. “Quase 100% das áreas plantadas aqui são de variedades transgênicas, resistentes a muitos tipos de praga e ervas daninhas”, ameniza.

Na verdade, as provas científicas dizem o contrário. O dossiê sobre agrotóxicos da Abrasco, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva, mostra que o uso de transgênicos aumentou a necessidade de defensivos agrícolas. É só olhar para a soja, campeã no uso de agrotóxicos: 93% da safra é transgênica, e a quantidade de litros de produtos químicos aumentou mesmo assim.

Na região sul do Piauí, as sementes de milho, soja e algodão também são vendidas pela Monsanto, a mesma que fornece o glifosato, de acordo com o cadastro de junho de 2018 da Agência de Defesa Agropecuária do Piauí, a Adapi.

Outra tecnologia defendida por Silva é a que minimiza a disseminação do agrotóxico no ar: usa-se um produto que aumenta o peso da gota, fazendo com que ela desça diretamente na planta e não disperse com o vento. “Tudo é agricultura de precisão para reduzir os custos”, argumenta.

É certo que essas tecnologias otimizam a produção agrícola, mas elas foram incapazes de evitar a intoxicação de Emanuel*, que trabalha como operador de máquina de aplicação de agrotóxico na Fazenda Condomínio União 2000.

Após um ano trabalhando, Emanuel sentiu tontura, fraqueza, ardência nos olhos e chegou a vomitar. Quem conta essa história é a esposa dele, Rosa*. “Nós fomos pro hospital e quando saiu o resultado do exame, deu que tinha agrotóxico no sangue. A médica passou remédio, mandou ele se afastar do trabalho por um tempo e tomar muito leite”.

Emanuel melhorou, mas há três anos voltou para o mesmo ofício. “Ele já me disse que só fica até o final desse ano. Não vale a pena perder a saúde por causa de dois mil por mês”, diz Rosa. Eram 18h quando me despedi. O marido dela ainda não tinha chegado. Ele trabalha para a vereadora Tânia Fianco, do PSDB.

No Brasil, o Projeto de Lei conhecido como PL do Veneno pretende liberar mais rapidamente vários produtos, entre eles muitos que são à base de glifosato. O lobby da indústria é pesado, e ataca sobretudo a Anvisa, agência reguladora suscetível a todo tipo de pressão e que já mostrou que está disposta a fazer o jogo das grandes corporações.

*Os nomes dos trabalhadores foram alterados para preservar suas identidades.

Foto em destaque: ultrassom que constatou a má-formação no filho de Maria Félix. Ele morreu ainda no útero, com 25 semanas, por causa de má-formação no abdômen e no coração.


Esta reportagem foi inicialmente publicada pelo site jornalístico “The Intercept” [ Aqui!]