Barragem de Belo Monte enfrenta fiasco econômico

belo monteBarragem de Belo Monte (a Volta Grande, vindo da esquerda abaixo). Foto: Christian Russau (2016)

Por Christian Russau para a Kooperation Brasilien

O operador da barragem de Belo Monte alerta para enormes prejuízos econômicos se a redução da drenagem de água da área da barragem até a grande curva do Volta Grande, que foi decidida recentemente pelo órgão ambiental do Ibama, for implementada para proteger os interesses dos  moradores locais.  A empresa quer reverter decisão do Ibama. Mas mesmo antes do início da construção, anos atrás, os críticos alertaram para o conflito da “lucratividade da barragem contra os interesses dos moradores locais”.

Ao longo de uma década, muitos críticos da barragem monstro de Belo Monte repetidamente apontaram que ela transformaria a grande curva da Volta Grande para a operação lucrativa da barragem de 11 GW,  apontando para o fato de que a natureza e as pessoas no local serem maciçamente afetadas, porque uma redução de até 80% na quantidade de água de um rio de quase 100 km traria estagnação do corpo hídrico, com todas as consequências, tais como falta de oxigênio, mortandade de peixes, aumento da formação de mosquitos. Os críticos repetidamente apontaram que apesar da estação das chuvas sempre houve estações secas e que, portanto, o conflito entre a rentabilidade da barragem e os interesses dos moradores locais da Volta Grande era inevitável. Agora, o conflito anunciado ameaça chegar ao auge.

Depois que moradores uniram forças para realizar um protesto em novembro do ano passado e  bloquearam a Transamazônica  para exigir um aumento do volume mínimo de vazão livre para a Volta Grande, o  Ibama decidiu que no canal que se ramificava em frente à primeira barragem do Pimental, a máximo de 10.900 metros cúbicos por segundo deve ser desviado para a barragem de Belo Monte a fim de garantir uma vazão mínima de 16.000 m3 /s na Volta Grande do Xingu, de modo a permitir a reprodução da fauna e da flora durante o período Piracema.

Mas agora a operadora Belo Monte Norte Energia confronta essa decisão em uma notificação formal ao Ibama. A redução do volume de água para 10.900 metros cúbicos por segundo para a operação da barragem de Belo Monte não seria suficiente para garantir uma produção lucrativa de energia elétrica, segundo a revista IstoÉ Dinheiro. Segundo o relatório, essa objeção formal também foi encaminhada aos ministérios federais em Brasília. O relatório cita fontes segundo as quais está em risco não apenas a lucratividade da maior barragem de Belo Monte, mas também a da barragem menor de Pimental que fica a montante. Um dos outros argumentos do operador da barragem agora inverte o argumento da proteção dos peixes: Uma redução na quantidade de água a ser fornecida ao reservatório da barragem acarreta o risco de que os níveis de água impactem as áreas de lagoas fechadas em que os peixes então capturados morreriam ou ficariam impossibilitados de realizar a tão importante desova, afirma IstoÉ Dinheiro. Um aumento abrupto do fluxo de água em Pimental também acarreta o risco de uma formação repentina de inundação na Volta Grande, o que significa inundação e destruição de propriedades e posses das pessoas, bem como uma ameaça à flora e fauna. 

O conflito chegará ao ápice. Como se nada disso tivesse sido avisado com antecedência

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Este artigo foi escrito originalmente em alemão e publicado pela Kooperation Brasilien [Aqui!].