Bolsa Família x Bolsa Banqueiro: o fosso que separa os ricos dos pobres no Brasil

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Acabo de ouvir uma reportagem dando conta dos múltiplos requisitos que foram postos pelo governo Lula para a concessão da chamada “Bolsa Família” a mais de 20 milhões de famílias pobres. Algumas dessas regras fariam total sentido se não estivéssemos em uma condição totalmente precária em termos não só da geração de empregos, mas também da capacidade limitada de prestação de serviços que deveriam públicos.  A imposição de regras que de cara não serão fáceis de serem cumpridas representa uma negação do direito de milhões de brasileiros a terem um mínimo de condição de melhorarem sua condição de vida.

A coisa fica ainda píor se lembrarmos que o estado brasileiro vem há várias décadas entregando mais da metade do orçamento federa aos bancos na forma do pagamento de juros de uma dívida pública que nunca foi devidamente auditada. Para piorar, os bancos brasileiros, que estão entre os mais lucrativos do planeta, possuem mecanismos de proteção contra perdas que advenham de suas atividades que são verdadeiras “bolsa banqueiro”.

Um exemplo da “Bolsa Banqueiro” foi o repasse de R$ 1,8 bilhão feito pelo Bradesco para a União por causa da decisão da instituição financeira de  repassar seus prejuízos com o imbróglio das Lojas Americanas para a União.  Apenas para ver o tamanho do abusrdo, usando o valor base da Bolsa Família, apenas com esse “repasse” seria possível beneficiar 3 milhões de famílias. 

Por outro lado, se os mesmos “analistas” da mídia corporativa dedicassem o mesmo tipo de viés crítico que dispensam à Bolsa Família à congênere concedida aos banqueiros, eu até acharia que estamos próximos de um debate sério. Mas a verdade está muito longe disso. 

Na prática o que temos é a perpetuação de que os investimentos sociais são gastos inúteis, enquanto que a entrega de grandes nacos do orçamento federal aos bancos seria uma espécie de direito divino.