Na gestão de Rafael Diniz e seus menudos neoliberais, a educação virou um asterisco

1_brand_e_diniz_2-1540960

O prefeito Rafael Diniz (Cidadania) e o ex-secretário municipal de Educação Brand Arenari (PSB) prometeram um “choque de gestão” na Educação municipal, mas acabaram enrolados com compras mal explicadas de merenda escolar e com o município sendo um asterisco no IDEB.

Em sua campanha eleitoral de 2016, o então candidato a prefeito Rafael Diniz (Cidadania) não se cansava de dizer que o problema da Prefeitura de Campos de Goytacazes não era financeiro, mas de gestão.  Pois bem, quase 4 anos depois da retumbante vitória que alçou Rafael Diniz ao posto de prefeito, descubro no Tribuna do Norte Fluminense que a educação municipal virou um asterisco no mapa do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, criado em 2007, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)(ver figura abaixo).

ideb-2019

É preciso frisar que a ausência dos dados de Campos dos Goytacazes no IDEB não se deve em primeira instância à falta de investimentos na educação. É que segundo outra matéria, agora no Portal Viu, o orçamento da secretaria municipal de Educação em 2019 foi estipulado em cerca de R$ 400 milhões.  Um orçamento que, convenhamos, não é nenhuma mixaria, e permitiria uma ação sustentada para melhorar a educação pública municipal, caso houvesse a prometida melhoria na gestão pelo poder executivo.

Mas o que a falta  do envio dos dados para a base do IDEB, uma ação tão básica quanto necessária, pode refletir mais do que uma simples incompetência clerical de algum gestor sonolento. É que sem esses dados, não teremos com saber os efeitos (positivos ou negativos) do prometido choque de gestão que Rafael Diniz e seu secretário de Educação, o sociologo Brand Arenari, na educação municipal. Aliás, interessante ver abaixo a manifestação do SEPE Campos sobre alguns dos impactos que a falta de preenchimento dos dados do IDEB acarreta.

sepe ideb

E o pior é que sem esses dados, os futuros gestores do município (salvaguardada a possibilidade de reeleição de Rafael Diniz) não terão a mínima ideia de que como andam as coisas na educação municipal, em que pese os gastos na ordem de R$ 1,6 bilhão que terão sido feitos ao longo do mandato do atual prefeito.

Tampouco saberemos quão sustentável (ou até desejável) terá sido o “legado de Brand Arenari à frente da Secretaria Municipal de Educação. Um exemplo disso são os tais Centros Municipais de Educação Integral (CEMEIs) dos quais pouco se sabe, mas que tomaram ares de Viúva Porcina, “aquela que deixou de ser sem nunca ter sido”.

Mas o essencial aqui é ver agora o que dizem os candidatos a prefeito de Campos dos Goytacazes sobre como pretendem fazer para que Campos dos Goytacazes, em que pesem os bilhões gastos, deixe a incômoda posição de ser um asterisco na educação brasileira. É que nossas crianças merecem algo melhor do que apenas serem recebedoras de merenda escolar de baixa qualidade, mesmo que custando bastante para os cofres municipais.

Rafael Diniz e sua “visão mundial” de ataque aos direitos dos trabalhadores

Não bastasse ter exterminado as políticas sociais que protegiam os cidadãos mais pobres da cidade de Campos dos Goytacazes, criando um vácuo social e político que a cada dia empurra um dos municípios mais ricos do Brasil para o caos e o descontrole. Também não bastou colocar na Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes todo um conjunto de menudos neoliberais para tentar dar uma ar de modernidade às suas políticas regressivas.

Não, o jovem prefeito Rafael Diniz (PPS) quer ir mais longe, muito mais longe, na sua política de ataque aos trabalhadores, especialmente os mais humildes e mais mal pagos. Essa é a única conclusão possível da intromissão que o Rafael Diniz está realizando num raro acordo entre patrões e empregados, no qual o direito dos últimos não é pisoteado.

Falo aqui da notícia de que Rafael Diniz está enviando um projeto de lei para especificamente (palavras do próprio) para regulamentar o funcionamento dos supermercardos aos domingos, segundo ele para que não se retroceda e Campos dos Goytacazes assuma a realidade vigente no mundo [1].

supermercados

A visão de que supermercados funcionando aos domingos é uma realidade mundial só pode vir daqueles que restringem sua vivência internacional a Orlando ou Miami ou, quando muito,  Fort Lauderdale. 

É que se o jovem prefeito Rafael Diniz tivesse consultado o seu (des) secretário de Educação, o sociólogo Brand Arenari, saberia que na Alemanha, país onde Arenari cursou seu doutorado, os supermercados são fechados aos domingos. Aliás, supermercados não abrem em boa parte da Europa Continental, incluindo para começo de conversa países como França, Portugal e Espanha. Aliás, dos países europeus que visitei, apenas me lembro de ver mercadinhos abertos na Inglaterra. No resto dos países, os supermercados fecham e sem o tipo de reclamação que setores de classe média campista ecoam contra o direito de descanso dos trabalhadores.

Pois é disso que se trata. O fechamento dos supermercados aos domingos representa uma oportunidade dos trabalhadores passaram o dia com sua família e não empurrando mercadorias que podem ser perfeitamente adquiridas em outros dias da semana. Tanto isto é verdade que na maioria dos estabelecimentos que abriam aos domingos antes do acordo entre patrões e empregados, tudo ficava abandonado às moscas, sendo esta uma das razões para o dito acordo!

O fato é que Rafael Diniz deveria estar se ocupando de coisas mais básicas como a limpeza das ruas, a manutenção de escolas e hospitais e, por que não, a reabertura do restaurante popular.  É que graças às suas políticas neoliberais extremadas, a cidade de Campos dos Goytacazes tem cada vez mais gente que não tem como ir ao supermercado seja qual for o dia da semana. Mas com estes, ele e seu grupo de menudos neoliberais não parecem se importar. 

Finalmente, essa intromissão do jovem prefeito Rafael Diniz é um belo exemplo de como as classes mais abastadas se relacionam com países europeus e com o Brasil. Lá fora, adoram a “civilização” que permite aos trabalhadores desfrutem mais da riqueza que ajudam a criar. Quando voltam para o Brasil, a “civilização” é rejeitada e reaparece o apego à senzala. Típico comportamento de oligarcas que não querem que sequer cheguemos ao Século XX.


[1] https://www.portalviu.com.br/cidades/campos-rj-supermercados-poderao-reabrir-aos-domingos/

A volta de Brand Arenari e a “Caravana Rolidei” de Rafael Diniz

Resultado de imagem para caravana holiday bye bye brasil

O jornalista Alexandre Bastos publicou em seu blog uma simpática nota sobre o retorno ao cargo de secretário municipal Educação, Cultura e Esporte  do igualmente simpático sociólogo Brand Arenari [1]. Pelo que pude ascultar entre pessoas que atuam como profissionais da educação em Campos dos Goytacazes que esta é a volta daquele que não foi, pois transpirava pelos corredores das escolas que Brand Arenari continuava sendo o secretário de fato, ainda que não de direito. Uma espécie de “shadow secretary” do jovem prefeito Rafael Diniz.

bastos brand

De volta ao posto, o meu ex-aluno na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) teria emendado a seguinte declaração “Retorno com o desafio de avançar cada vez mais na área da Educação. De longe, acompanhei a evolução da Educação de Campos, reforma de escolas, um novo galpão da Nutrição com condições adequadas, a chegada do material didático para 2018, convênios com o governo federal, novo sistema de matrícula, tantas outras ações. Estaremos firmes no que o nosso prefeito Rafael Diniz prometeu: educação de qualidade“.

Noto intrigado que dentre as muitas realizações que teriam ocorrido em sua ausência temporária da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte (SMECE) foi omitida a espécie “Caravana Rolidei” [2] que custará aos cofres públicos municipais a bagatela de R$ 640 mil sob o manto de oferecer cinema itinerante aos alunos da rede municipal. 

cinema-1

Suponho que essa omissão tenha se dado pelo fato de Brand Arenari ter cursado o seu doutorado na Alemanha, onde este tipo de estripulia com o dinheiro público dificilmente seria tolerado. Mas por aqui, sempre com a bandeira de combater a tal “herança” do governo Rosinha, a Caravana Rolidei campista passa como se fosse algo realmente meritório do gasto de qualquer centavo que fosse.

Como me confidenciaram os profissionais com quem conversei sobre o retorno de Brand Arenari, esse dinheiro seria melhor gasto com a ampliação do número de escolas reformadas, pois a maioria dos estabelecimentos municipais carece de melhorias estruturais. 

De minha parte lembro ainda que os recursos para o pagamento da caravana holiday idealizada pelo jovem prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais vão sair dos cofres municipais, enquanto os servidores municipais estão recebendo o 13º salário de 2017 de forma parcelada, e os professores contratados estão sendo demitidos sem o pagamento dos direitos trabalhistas.

Por essas e outras é que vou ficar observando de forma mais próxima os tais avanços que estão sendo alcançados por Rafael Diniz e Brand Arenari na área da Educação, Cultura e Esportes.  É que até agora, a coisa anda pior do que a Caravana Rolidei original que era, pelo menos, genuina e divertida.


[1] http://www.blogdobastos.com.br/brand-arenari-retorna-ao-cargo-de-secretario-de-educacao-de-campos/

[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Bye_Bye_Brasil