Legado de Brumadinho clama por justiça e fim da negligência

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Por Alexandra Andrade

É preciso combater o risco do esquecimento que confina tragédias-crimes a dolorosa lembrança dos familiares das vítimas sem que o país adote políticas vigorosas de proteção à vida dos que trabalham e ao meio ambiente. É preciso reforçar para a sociedade que medidas de prevenção devem ser tomadas hoje, porque amanhã pode ser tarde. Este alerta adquire ainda mais urgência quando lembramos que o rompimento da barragem em Brumadinho aconteceu cerca de 3 anos após Mariana, matando 272 pessoas, o que é imperdoável.

Cair no esquecimento, seja pela morosidade dos processos judiciais — onde os acusados usam todas as brechas para a protelação — tem sido o destino de outros desastres e rompimentos. As lições do passado precisam ser aprendidas.

Há mais de 50 anos, 64 trabalhadores que erguiam o pavilhão de exposições do Parque da Gameleira, em Belo Horizonte, morreram soterrados. Era quinta-feira, 4 de fevereiro de 1971, quando por volta do meio-dia, a estrutura em obras desmoronou e toneladas de concreto e ferragem esmagaram os operários. O desabamento provocou ainda dezenas de feridos, alguns incapacitados de forma permanente.

Seis anos atrás, cerca de 55 milhões de m³ de lama foram despejados sobre trabalhadores e comunidades vizinhas da Barragem do Fundão, em Mariana. O saldo foi a morte de 19 operários e contaminação do solo e dos rios num raio de 80 km, causando prejuízos a 40 municípios de Minas e Espírito Santo, com impacto na vida de 1,2 milhão de pessoas.

Há três anos, o país, perplexo, assistiu ao rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão. Considerado o maior desastre humanitário do Brasil, o colapso da barragem aconteceu em um dia normal de trabalho, sem que nenhuma sirene desse o alarme. A fúria de 12 milhões de m³ de rejeitos de mineração ceifou 272 vidas e impactou dolorosamente milhares de famílias de Brumadinho e região.

Tais episódios evocam a repetição de um padrão de negligência, omissão e irresponsabilidade que tornam o trabalho inseguro no país. É o que atestam as estatísticas: o Brasil é 2º país do G-20 em mortalidade por acidentes no trabalho e registrou, de 2002 a 2020, 6 óbitos a cada 100 mil empregos formais, de acordo com relatório do Ministério Público do Trabalho e da Organização Internacional do Trabalho.

Uma consulta aos autos dos processos permite perceber a existência de falhas por parte das empresas, seja pelo fato de não investirem maciçamente na proteção da vida, seja por adaptações e soluções do tipo “remendos” para manter o ritmo da produção. Os processos narram, ainda, as ações e providências de órgãos públicos apontando falhas graves na gestão de riscos, ou mesmo a política de menosprezar os avisos e sinais visíveis de insegurança.

Não aprender com tragédias tem custado caro para o país. Para que o futuro não se repita com as marcas do passado, a Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (AVABRUM) fez uma escolha que honra a memória das 272 vidas ceifadas pela negligência. Na virada do mês de abril, dedicado à prevenção de doenças e de acidentes dos trabalhadores, e com o simbolismo marcante do Primeiro de Maio, lançamos o Projeto Legado de Brumadinho, criado por familiares das vítimas da maior tragédia trabalhista do país — o rompimento da Barragem da Vale em Brumadinho.

Queremos deixar claro para a opinião pública que as vítimas de Brumadinho e de tantos outros desastres e rompimentos estão relacionadas à negligência, omissão e violação de normas pelas empresas quanto aos riscos durante a atividade profissional. A necessidade de fortalecer a fiscalização do poder público também está na agenda. O Brasil é um dos países com mais acidentes de trabalho em todo o mundo e, no caso de rompimento de barragens, Minas Gerais é o estado que mais mata no país.

A proposta é chamar a atenção para o aprimoramento da segurança nas empresas, tornando a vida humana e a proteção ambiental prioridades inegociáveis. O tema requer engajamento das instituições de justiça, governantes, parlamentares, organizações não governamentais, especialistas, movimentos sociais e os investidores — que precisam comprar papéis de empresas que fazem da responsabilidade socioambiental uma obrigação e não autoelogio para os holofotes sem vestígios de verdade.

Nós, com a dor da perda de nossos entes queridos, queremos contribuir para uma cultura preventiva e responsável dos empregadores. Esperamos ainda que a Justiça faça o seu papel e puna responsáveis por acidentes de trabalho, afinal, precedentes de impunidade abrem portas para novas atitudes temerárias.

Fixar a agenda do trabalho seguro no Brasil, de modo a se tornar um valor absoluto, celebrando a vida humana em primeiro lugar, é um objetivo social que envolve responsabilidade de todos.

A segurança no ambiente de trabalho não cabe apenas aos empregados do chão de fábrica. Nas tragédias lembradas acima, capacetes, botas, luvas, ou saber os mandamentos de segurança, não foram suficientes, pois conselhos de administração, corpo diretivo e executivos responsáveis por investimentos e medidas preventivas de segurança não fizeram a sua parte.

Leis que garantem a segurança no trabalho também precisam ser cobradas pelo poder público. Em Minas Gerais, a Lei Mar de Lama Nunca Mais, que previa prazo de três anos para o descomissionamento de barragens à montante, como eram Mariana e Brumadinho, era um exemplo promissor, mas sofreu grave retrocesso. Os prazos foram revistos e a data original para o descomissionamento não será cumprida. Os riscos continuam.

O que Gameleira, Mariana e Brumadinho ensinam é a necessidade de que não devem ser adiados investimentos para segurança dos locais de trabalho. Vidas estão em jogo. A boa prática recomenda ser diligente, romper com a omissão e adotar soluções concretas e eficazes para conter riscos. O custo financeiro do investimento em segurança pode ser recuperado. A vida humana, não.
 


* Alexandra Andrade é presidente da AVABRUM (Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão) — Biênio 2021/2023.

Vale é alvo de primeira grande ação de agência dos EUA por fraudar compromissos de governança socioambiental em Brumadinho (MG)

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Mais de um ano após a criação de sua Força-Tarefa Climática e ESG em março de 2021 , as metas de fiscalização relacionadas à governança socioambiental da Securities and Exchange Commission (SEC) estão finalmente sendo cumpridas. A SEC moveu recentemente uma ação de fraude contra a Vale SA, uma empresa brasileira de minério de ferro de capital aberto, por fazer declarações falsas e enganosas sobre segurança antes do rompimento de sua barragem de Brumadinho em 2019. É importante ressaltar que as declarações supostamente fraudulentas da Vale estavam contidas não apenas em arquivos da SEC e apresentações a investidores, mas também em relatórios voluntários de sustentabilidade e em um webinar ESG publicado no site da Vale. Dado o foco da SEC na aplicação de ESG,  combinado com as regras propostas recentemente divulgadas pela Comissão sobre divulgações relacionadas ao clima,o caso da Vale provavelmente se tornará a primeira de muitas novas ações de execução decorrentes de questões ESG. Como esta ação demonstra, as empresas devem tomar medidas, se ainda não o fizeram, para garantir que seus regimes de conformidade e relatórios sejam suficientemente robustos para minimizar os riscos de aplicação e litígio.

A reclamação da SEC, alegando violações da Seção 10(b) do Exchange Act e da Regra 10b-5, bem como a Seção 17(a) do Securities Act, reflete as prioridades de aplicação ambiental, social e de governança (ESG) da SEC . A denúncia , apresentada no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Leste de Nova York, alega que a Vale enganou os investidores sobre a segurança e a estabilidade das barragens que construiu para reter resíduos, ou rejeitos, de suas operações de mineração. 1

Mais especificamente, após o rompimento de outra barragem da Vale, em novembro de 2015, que matou 19 pessoas em Mariana, Brasil, a Vale ficou sob intenso escrutínio regulatório e, de acordo com a denúncia, fez uma série de declarações para tranquilizar o mercado, incluindo que “aderiu a as ‘mais rigorosas’ e melhores práticas internacionais para segurança de barragens e ‘rigorosamente’ cumpridas as exigências regulatórias.” Segundo a SEC, essas declarações “tinham a intenção de não deixar dúvidas de que [a Vale] havia aprendido com o desastre da barragem de Mariana e mitigado o risco futuro de falha em suas outras barragens de rejeitos”. A denúncia da SEC alega que essas e outras declarações eram falsas e enganosas, e que a Vale estava, de fato, ciente das condições perigosas na barragem de Brumadinho. A barragem se rompeu em 25 de janeiro de 2019,

Significativamente, as declarações nas quais a SEC baseou sua ação de fiscalização foram incluídas, entre outros lugares, nos relatórios anuais de sustentabilidade da empresa e em um webinar ESG de 2018 publicado no site da Vale, divulgando o compromisso da empresa com a segurança de barragens. Por exemplo, de acordo com a denúncia, o webinar afirmou que “todas as barragens de minério de ferro da Vale estão seguras e operando dentro dos limites normais”, e que auditores externos certificaram a estabilidade das barragens.

Quando a  SEC anunciou a ação ,o Diretor da Divisão de Execução da SEC enfatizou que “todos os investidores confiam em divulgações ESG como as contidas nos Relatórios de Sustentabilidade anuais da Vale e outros documentos públicos para tomar decisões de investimento informadas”.  Conforme observado em alertas anteriores, todos os materiais voltados para o público podem fornecer prontamente uma fonte para ações de fiscalização e litígios.

As alegações contra a Vale também destacam o risco de litígio que pode resultar de falhas ESG de uma empresa. Por exemplo, antes da reclamação da SEC, a Vale havia sido processada por investidores norte-americanos em uma ação coletiva de valores mobiliários decorrente do rompimento da barragem em 2015. Esse caso foi resolvido em 2020 por US $ 25 milhões. Uma nova ação coletiva foi movida contra a Vale em 2019 após o colapso de Brumadinho e, em 31 de março de 2022, o tribunal concedeu a certificação de classe, abrindo caminho para o que provavelmente se tornará outro acordo caro para a Vale.

Em suma, os desastres de mineração da Vale são um roteiro para os vários riscos que podem surgir de declarações relacionadas a ESG, incluindo ações de fiscalização por reguladores e litígios de acionistas. Embora as circunstâncias do caso da Vale possam ser únicas, elas ilustram a importância de garantir o cumprimento das políticas e procedimentos ESG. O caso também ressalta a necessidade de garantir que as divulgações ESG, obrigatórias ou voluntárias, sejam precisas e não enganosas.

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1. Embora a Vale seja uma sociedade anônima brasileira, suas American Depository Shares e notas são negociadas na Bolsa de Valores de Nova York.


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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pela “The National Law Review” [Aqui!].

Brumadinho celebra Dia Das Mães pedindo justiça com música e seminário

Mães da cidade e 272 vítimas fatais da tragédia da Mina Córrego do Feijão serão homenageadas com concerto musical e debate sobre a força da indignação como motor para transformação social e para gerar esperanças. A participação nos dois eventos é gratuita

unnamed (1)Rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão matou 272 pessoas

Cenário do rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, maior acidente de trabalho do país, que há três anos deixou dezenas de mães sem seus filhos e 105 órfãos, Brumadinho receberá neste 7 de maio, véspera do domingo da Mães, dois eventos culturais que buscam minimizar a dor causada pela saudade das vítimas e, ao mesmo tempo, debater ações em defesa dos atingidos, além de medidas para que outros acidentes de trabalho – previsíveis como este – nunca mais se repitam. Os eventos fazem parte do Projeto Legado de Brumadinho*.
 

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Marcus Viana
 

Todas as mães e a população em geral serão presenteadas com um concerto especial regido pelo maestro mineiro Marcus Viana, autor da música tema da novela “Pantanal”, atualmente em exibição pela TV Globo. Batizado de “Terra, Espírito e Luz”, o concerto será no Estacionamento Central de Brumadinho. Ele começa às 18h, na hora da Ave Maria e do pôr do sol, prometendo muita emoção para o público.

O espetáculo será dividido em três blocos, com repertórios dedicados à “Mãe Terra”, gestora da natureza e do meio ambiente; à “Mãe Espiritual”, que como Maria tira sua força das adversidades e da luta; e à “Mãe Luz”, mulher que ama, educa e alimenta o ser.
 

Bárbara Barcellos

Sanráh Ângelo
 

Nabila Dandara

No palco com Marcus Viana estarão o grupo Sagrado Coração da Terra e o Coro Madrigale, além de artistas como Sanráh Ângelo e a banda de percussão Batucabrum, a cantora lírica Nabila Dandara, além de outros artistas como Arnon Oliveira, Lincoln Cheib, Augusto Rennó, Bárbara Barcellos, Bárbara Garcia, Ivan Corrêa, Eduardo Campos, João Viana e Will Motta.

Durante o show, ainda serão apresentados depoimentos de mães que perderam seus filhos na tragédia da Mina Córrego do Feijão.

Redes de Indignação e Esperança

No mesmo dia 7, na parte da manhã, a partir das 10h, será realizado o seminário “Redes de Esperança e Indignação”, no auditório da Secretaria de Educação de Brumadinho (rua Presidente Kennedy, 20). Em debate, a força da indignação para construir esperança. Os trabalhos serão abertos pela presidente da Avabrum, Alexandra Andrade.

O encontro tem as presenças confirmadas de Marina Silva, ambientalista e ex-senadora pela Rede de Sustentabilidade; Padre Júlio Lancellotti, que estará on-line; a representante dos familiares das vítimas, Alexandra Andrade, que perdeu um irmão e um primo no acidente de Brumadinho; e a jornalista Daniela Arbex, autora do livro “Arrastados”, que narra os bastidores do desmoronamento da barragem. A plateia poderá encaminhar perguntas para os participantes.
 

Daniela Arbex

Alexandra Andrade

Marina Silva

Padre Júlio Lancellotti
 

Ainda durante o debate, haverá uma apresentação musical com Sanráh Ângelo, que é de Brumadinho.

A presença no debate é aberta e gratuita, mas ele também será transmitido pelo Youtube do Projeto Legado de Brumadinho.
 

O Legado de Brumadinho* é um projeto criado para chamar a atenção da sociedade para temas dentro do âmbito da segurança do trabalho que, se tivessem tido a atenção necessária no passado, poderiam ter evitado tragédias como o de Brumadinho, considerada o maior caso de perdas no trabalho na história do Brasil, com 272 mortes.

Todas as ações do projeto serão divulgadas por meio do site Legado de Brumadinho, além de redes sociais Instagram Facebook

Com a parceria da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (Avabrum), o seminário e o concerto serão realizados pela Associação dos Amigos das Bibliotecas Comunitárias (Sabic). As ações integram o Legado de Brumadinho que é desenvolvido com a Fundação Dom Cabral (FDC), a Inspirartes Produções Culturais, o Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais (CeMAIS) e a LS Comunicação, contando ainda com apoio técnico da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública).

SERVIÇO

HOMENAGENS ÀS MÃES DE BRUMADINHO

QUANDO: 7 DE MAIO DE 2022

Seminário Redes de Indignação e Esperança

Onde: Secretaria de Educação de Brumadinho (rua Presidente Kennedy, 20)

Horário: 10h

Participantes: ex-senadora Marina Silva, padre Júlio Lancellotti, jornalista Daniela Arbex, autora do livro Arrastados, e a diretora da Avabrum, Andresa Rocha, que perdeu o único filho no acidente de Brumadinho.

Entrada Franca

Concerto Especial Dia das Mães: Terra, Espírito e Luz

Onde: Estacionamento Central de Brumadinho

Horário: 18h

Artistas:Marcus Viana, Sagrado Coração da Terra, Coro Madrigale, Sanráh Ângelo e Batucabrum, Arnon Oliveira, Lincoln Cheib, Nabila Dandara, Bárbara Barcellos, Augusto Rennó, Bárbara Garcia, Ivan Corrêa, Eduardo Campos, João Viana e Will Motta

Entrada franca

*Projeto realizado com recursos destinados pelo Comitê Gestor do Dano Moral Coletivo pago a título de indenização social pelo rompimento da Barragem em Brumadinho, em 25/01/2019, que ceifou 272 vidas.

Tsulama de Brumadinho: maior acidente do trabalho da história do Brasil continua impune

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Bombeiros procuram corpos em Brumadinho. Crédito: Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMG)/Divulgação

Já se passaram três anos e três meses desde o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, considerado o maior acidente de trabalho do Brasil, que causou a morte de 272 pessoas.

Era hora do almoço quando a barragem da Mina Córrego do Feijão se rompeu, derramando 12,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro. A explosão formou um tsunami de lama que desceu a cerca de 100km por hora, destruindo tudo pela frente, causando o que se tornou a maior tragédia humanitária do Brasil – um desastre trabalhista que causou a morte de 251 trabalhadores (muitos deles estavam comendo no refeitório que foi colocado logo abaixo da barragem). O rompimento da barragem também matou 2 nascituros e 19 moradores da comunidade, entre moradores e turistas, somando a perda de 272 vidas humanas. A lama acabou atingindo o principal manancial da região, o Rio Paraopeba, que hoje é contaminados com metais pesados.

No Brasil, os acidentes de trabalho representam uma enorme ameaça à vida humana, bem como um grande risco de perdas ambientais. Segundo relatório divulgado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil ocupa a segunda posição em mortalidade no trabalho, com 6 óbitos por 100 mil vínculos empregatícios, entre os países do G20.

Minas Gerais é o estado com o maior número de barragens de rejeitos no Brasil. Segundo a Agência Nacional da Mineração (ANM), em 2019 foram 351, dos quais 209 estão incluídos no Plano Nacional de Segurança de Barragens e 50 são considerados de risco.

O caso de Brumadinho não é isolado, segue, há pouco tempo, o maior desastre ambiental do Brasil, quando outra mina desabou, na cidade de Mariana, também em Minas Gerais (MG). Isso foi em novembro de 2015, quando 19 pessoas foram mortas, juntamente com a destruição completa da Vila Bento Rodrigues e a contaminação de um dos mais importantes cursos d’água do estado, o Rio Doce.

A Associação de Familiares de Vítimas e Atingidos pela Tragédia do Rompimento da Barragem Córrego Feijão em Brumadinho (AVABRUM) exige uma solução para o problema:

“É revoltante ouvir as empresas dizerem que não cumprirão as etapas e o prazo para a desativação final de barragens perigosas. Eles estão mostrando que não aprenderam nada com Mariana e Brumadinho. Minas Gerais é o estado onde mais barragens desabam, e não podemos continuar matando. Esperamos proteção do nosso Governo do Estado, das Instituições de Justiça, que são rigorosas em exigir o cumprimento da Lei. O investimento em prevenção e ações concretas poderiam ter salvado vidas preciosas de pais, filhos, irmãos, avós, tios, primos e cunhados”, afirma Alexandra Andrade, presidente da Avabrum.

STF vai decidir competência para julgar tragédia de Brumadinho

Supremo definirá se processo crime será enviado para a Justiça Federal ou se poderá ser julgado na cidade, pelo Tribunal do Júri Estadual, conforme pede o Ministério Público

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A controvérsia sobre a instância de competência para julgamento do processo crime envolvendo o rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), será levada ao Supremo Tribunal Federal (STF). No dia 30 de março, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) admitiu recurso do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra decisão que havia enviado para a Justiça Federal a ação, na qual se discute a prática de 270 homicídios e um volume massivo de crimes ambientais na região. Caso o recurso do MPMG seja aceito pelo STF, o processo volta para a Comarca de Brumadinho.

“Queremos que o crime seja julgado pelo Júri Popular, em Brumadinho. Seguimos acreditando na punição dos culpados e na responsabilização das empresas para que a impunidade como precedente não torne o crime recorrente”, afirma Alexandra Andrade, presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (AVABRUM), lembrando ainda que, entre os 270 mortos, estavam duas gestantes, o que eleva o número de vítimas fatais da tragédia para 272 pessoas.

Seis vítimas ainda não foram encontradas, e as buscas pelos corpos continuam na região. “Lutamos por justiça, encontro, memória em honra das 272 vítimas e não repetição do crime. Não queremos que outras famílias passem pelo que nós estamos passando”, completa Alexandra.

De acordo com o ministro Jorge Mussi, vice-presidente do STJ, o caso possui repercussão geral e a matéria constitucional nele suscitada pelo MPMG deve ser decidida pelo STF. A decisão de Mussi chegou cinco dias depois da cobrança expressa neste sentido feita ao STJ em ato público no dia 25 de março, em Brumadinho, e no mesmo dia em que a AVABRUM e a Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário (RENSER) remeteram à Corte um ofício solicitando prioridade na tramitação do processo.

De acordo com o MPMG, não há interesse federal no julgamento dos crimes, pois os homicídios não foram praticados contra bens, serviços ou interesses da União, mas contra pessoas comuns que trabalhavam, moravam ou passavam pelo local, e foram atingidas de surpresa pelo gigantesco volume de lama.

“Considerando que a instituição do Júri é garantia fundamental da sociedade brasileira, e diante das 270 pessoas assassinadas em decorrência do rompimento da barragem de rejeitos da Vale, o MPMG defenderá, agora perante o STF, que o Tribunal do Júri, a ser instalado em Brumadinho, é o competente para julgar os homicídios e os crimes ambientais que ocorreram com a tragédia”, afirmou o MPMG, em nota.

Brumadinho: o crime ambiental completa três anos

Rompimento de barragem matou 264 pessoas e causou dano irreversível para o meio ambiente

unnamed (2)O mar de lama tóxica no Córrego do Feijão em Brumadinho (MG) | Foto: Greenpeace Brasil

São Paulo, 24 de janeiro de 2022  No dia 25 de janeiro, o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, na cidade de Brumadinho (MG), completará três anos. Ao todo, foram 264 pessoas mortas em decorrência do rompimento da barragem, sendo que seis vítimas ainda continuam desaparecidas. Ainda assim, são 36 meses de um crime ambiental que ainda segue impune. Durante esse período assistimos a negligência do poder público omisso e, principalmente, falta de comprometimento ambiental e humano da empresa Vale S.A, responsável pelo rompimento da barragem.

A barragem rompida apresentava um volume de 11,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Essa grande quantidade de rejeitos, somados à velocidade em que foram liberados, destruiu grande parte da vegetação e da fauna locais. Segundo dados do Ibama, houve a perda de cerca de 134 hectares de florestas nativas de Mata Atlântica, o equivalente a 153 campos de futebol e 70,65 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP) ao longo de cursos d’água afetados pelos rejeitos de mineração. Nos mais de 300 km do Rio Paraopeba analisados pela SOS Mata Atlântica (desde a região de Córrego do Feijão até o reservatório de Retiro Baixo, em Felixlândia), a água estava imprópria, sem condições de uso. A organização também verificou que os rejeitos contaminaram até o Rio São Francisco, um dos mais importantes do Brasil.

No que diz respeito às áreas urbanas, ao menos 17 municípios no entorno do Rio Paraopeba foram afetados, atingindo cerca de 600 mil pessoas. Os povos originários da região também foram impactados. Na aldeia Naô Xohã, que conta com indígenas das etnias pataxó e pataxó hã-hã-hãe, enquanto alguns permanecem no território, outros se deslocaram para os centros urbanos em razão do risco de contaminação. Entretanto, há ainda dezenas de indígenas que lutam para serem reconhecidos como atingidos e que exigem que a Vale S/A pague os valores emergenciais, além de garantir a realocação das famílias para um novo território.

Confira especial completo do Greenpeace Brasil sobre o caso Brumadinho aqui

Um dia depois do rompimento da barragem, o Greenpeace Brasil esteve em Brumadinho documentando o crime ambiental e cobrando justiça diante de tamanho crime ambiental.

De acordo com a porta-voz do Greenpeace Brasil, Pamela Gopi: “O que aconteceu em Brumadinho não foi um desastre ambiental de proporção local, foi um crime ambiental de alcance global, que afetam famílias, comunidades locais que sequer são consultadas no momento de implementação de uma barragem. Desde o primeiro momento, o Greenpeace esteve presente no local, não apenas coletando imagens, mas denunciando ocorrido e hoje seguimos cobrando ações efetivas do poder público para que crimes como estes não se repitam em nossa história”.

Outros “Brumadinhos” podem acontecer
A degradação do meio ambiente tem intensificado a ocorrência de eventos extremos como fortes chuvas, temperaturas altas, estiagens e secas que vêm ocasionando enchentes, deslizamentos de terras e tragédias como o rompimento de barragens. Tudo reflexo das mudanças climáticas.

Estados como Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Tocantins, Goiás, Piauí, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina são exemplos de regiões que atualmente estão sentindo de maneira intensa os efeitos da crise climática. Apesar disso, a maioria dos estados brasileiros não estão preparados para lidar com a crise: atualmente, somente sete unidades da federação (PE, MG, SP, AC,TO, RS e GO) possuem um plano de adaptação climática e, mesmo nesses casos, faltam ações efetivas.

“É urgente que os governantes, principalmente na esfera estadual, elaborem estratégias e planos de ações que proporcionem a mitigação das consequências das mudanças climáticas, zelando pela vida de suas populações. Os planos de adaptação climática e mapeamento de áreas de risco, além de orçamentos destinados a perdas e danos, e materiais para populações vulneráveis são apenas alguns exemplos de ações que devem ser priorizadas pelos governos diante da emergência climática”, finaliza Gopi.

Nos 3 anos do rompimento da barragem, Brumadinho ainda não tem um fim à vista

Três anos após o rompimento da barragem de Brumadinho, ainda não foram concluídas as indenizações, o desmonte das barragens “a montante”, extremamente vulneráveis ​​ao rompimento, e a condenação criminal dos responsáveis

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Delegação dos atingidos e ativistas de Brumadinho em frente ao Bundestag alemão no outono de 2019. Foto: Christian Russau

Por Christian Russau para a Kobra

Amanhã, 25 de janeiro, será o terceiro aniversário do rompimento da barragem de Brumadinho. Mais de 270 pessoas morreram, juntamente com o rompimento da barragem de Mariana em 5 de novembro de 2015, um dos maiores desastres ambientais da história brasileira. Essa é a leitura oficial. Mas os afetados, seus parentes e ativistas deixam claro: “O rompimento da barragem não foi um acidente – foi um crime”.

Era 25 de janeiro de 2019 uma barragem de uma bacia de retenção de resíduos de lama de minério da mina Córrego do Feijão se rompeu. A empresa que opera e é proprietária da mina e do reservatório de rejeitos, a mineradora brasileira Vale, disse que o reservatório rompido continha 11,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério.

Após o rompimento da barragem da primeira lagoa de detenção, a lama de minério inundou e submergiu a segunda barragem da lagoa de detenção mais próxima. Depois disso, a lama continuou descendo a montanha como um tsunami, destruindo tudo em seu caminho. Entre outras coisas, a onda de lama de minério varreu uma cantina de trabalho, onde muitos trabalhadores almoçavam, ônibus em que estavam sentados trabalhadores que iam ou voltavam do turno de trabalho foram enterrados sob as massas de lama. Pelo menos uma aldeia foi destruída, e pequenos territórios indígenas e quilombolas também sofreram meses depois com a má qualidade da água dos rios afetados.

A mina e a barragem de rejeitos são de propriedade do grupo minerador brasileiro Vale SA. A mina do Córrego do Feijão e a barragem de rejeitos foram colocadas em operação em 1956 pela Companhia de Mineração Ferro e Carvão, em 1973 foi integrada à subsidiária da Thyssen Ferteco Mineração antes sendo adquirida pela Vale SA em 2003 foi adquirida. A barragem agora rompida foi construída em 1976 pela subsidiária da Thyssen Ferteco Mineração.

A TÜV Süd de Munique, a subsidiária brasileira TÜV Süd do Brasil,  fez em nome da Vale e – conforme explica a TÜV Süd na homepage – “com base nas exigências legais (DNPM 70.389/2017) uma revisão periódica de barragens (documento de 18 junho de 2018) e uma Inspeção Regular de Segurança de Barragens (documento datado de 26 de setembro de 2018) realizada.” Quatro meses depois, a barragem se rompeu. 272 pessoas morreram, incluindo o pai de Marcela.

“O rompimento da barragem não foi um acidente – foi um crime.” É o que diz Marcela Nayara Rodrigues. Ela faz uma pausa, pausa, luta com as palavras. Ela respira. Isso foi em Berlim no outono de 2019. Marcela viajou para Berlim junto com outros parentes dos afetados e ativistas para, entre outras coisas, registrar uma queixa em Munique e falar com membros do parlamento no Bundestag alemão.

Marcela Nayara Rodrigues é da cidade de Brumadinho, no estado brasileiro de Minas Gerais, não muito longe da metrópole de Belo Horizonte. Brumadinho é uma daquelas pequenas cidades do interior do grande e vasto Brasil, onde não é gerada nenhuma pequena parte do produto interno bruto, tão importante para os governantes de Brasília e os chefes das empresas na sede corporativa porque é uma expressão do lucro que as Empresas auferem, mas trabalham com as mãos pesadas de gente como o pai de Marcela. Ele trabalhava para a mineradora Vale há muitos anos e era assim que sustentava a pequena família. Então veio o intervalo.

Quem Marcela vê como responsável pelo intervalo? Foi a empresa brasileira Vale, que, como proprietária e operadora da mina e da bacia de retenção, foi responsável pela estabilidade da barragem, ou foi mais responsabilidade da empresa alemã TÜV SÜD, que por duas vezes declarou a barragem inquebrável em 2018? Marcela Nayara Rodrigues vê a Vale como a principal responsável pela segurança da mina e barragem. “É a própria empresa que deve garantir que a mineração seja segura e não coloque os trabalhadores em risco. E se a Vale contrata uma empresa para verificar a segurança, então esperamos um certificado de segurança devidamente elaborado.”

O certificado de segurança, que foi emitido pelos funcionários da TÜV SÜD, é questionado por muitos dos afetados e suas famílias. E-mails que se tornaram conhecidos após a violação mostram a pressão que a Vale exerceu sobre a TÜV SÜD para certificar a segurança. Os promotores no Brasil também têm informações de que pelo menos duas outras empresas de consultoria se recusaram a certificar a segurança dessa barragem. No entanto, a TÜV SÜD confirmou a segurança. De acordo com o conhecimento disponível ao Ministério Público, isso poderia ter acontecido contra um melhor conhecimento.

Claudia Müller-Hoff é advogada e trabalha para a organização de direitos humanos ECCHR, com sede em Berlim. O ECCHR, juntamente com a organização de ajuda episcopal Misereor, entrou com uma ação contra a TÜV SÜD na Alemanha em outubro de 2019 e também apresentou acusações criminais contra gerentes alemães responsáveis. Claudia Müller-Hoff disse em entrevista à KoBra em outubro de 2019: “A barragem teve sérios problemas de estabilidade desde novembro de 2017, pelo menos. Provamos que tanto a Vale quanto a TÜV SÜD estavam cientes disso. Eles, no entanto, garantiram a estabilidade da barragem. E aí está o cerne do problema para a TÜV SÜD. E a conexão direta com a Alemanha neste caso é que havia um engenheiro diretamente responsável que supervisionou todo o processo a partir daqui. De acordo com vários depoimentos de testemunhas, este senhor voou várias vezes ao Brasil para inspecionar o trabalho da subsidiária. E sabemos que os engenheiros no local só poderiam declarar a barragem segura com sua aprovação. Em última análise, eles atestaram a estabilidade da barragem. Portanto, assumimos que o engenheiro alemão deu sua aprovação para isso.”

Este processo faz parte de um processo criminal contra a TÜV SÜD. Mas o seu progresso ainda está para vir.

Enquanto isso, um processo civil foi aberto em Munique contra a TÜV SÜD por outro escritório de advocacia, que está exigindo pagamentos de indenização em nome dos afetados. “Aconteceu um terrível acidente” em Brumadinho, admitiu à mídia na época Florian Stork, diretor jurídico da TÜV Süd. Ele não quer “questionar o sofrimento de forma alguma”, mas: a TÜV SÜD não vê “nenhuma responsabilidade legal” pela catástrofe de 25 de janeiro de 2019.

Aqui, também, o tribunal terá que examinar: os responsáveis ​​da Vale e da TÜV Süd estavam cientes de que a barragem da mina do Córrego do Feijão corria risco de colapso e emitiram certificado de segurança contra seu melhor conhecimento? O tribunal de Munique quer fazer um julgamento neste caso civil em 2022. No Brasil, as ações legais dos afetados continuam, assim como a ação penal movida pelo ECCHR contra a TÜV Süd na Alemanha.

“Para mim, o anúncio é uma questão pessoal: porque meu pai foi morto no rompimento da barragem e porque o negócio corrupto com segurança precisa mudar – porque está destruindo nossas vidas e nosso planeta”, diz Marcela Nayara Rodrigues. Um veredicto não traria seu pai de volta, mas talvez algo mudasse no setor de mineração brasileiro no futuro.

Mude alguma coisa: os políticos do Brasil, que há anos olhavam para o outro lado quando se tratava dos riscos e consequências sociais da mineração, olham apenas para os números macroeconômicos de exportação de todas as pelotas de minério que vão para o exterior, inclusive para a Alemanha, que fica em torno de 45% de suas importações de minério de ferro do Brasil, as políticas do maior estado da América do Sul foram pró-mineração, para dizer o mínimo. Ainda é assim hoje, logo após a ruptura, com a mídia mundial olhando para o país e seu setor de mineração com todos os seus custos ambientais e sociais, a política brevemente frenética e levou ao óbvio: o fim das barragens de rejeitos mais vulneráveis: o barragens “a montante”.

Houve um grande clamor depois que a barragem da bacia de retenção da mina de minério de ferro da Vale na mina Córrego do Feijão, perto da vila de Brumadinho, em Minas Gerais, rompeu em 25 de janeiro deste ano. Tão grande que mesmo políticos arqui-neoliberais pró-indústria declararam publicamente que agora, após as duas rupturas de Mariana (5 de novembro de 2015) e Brumadinho (25 de janeiro de 2019), as estruturas de barragens mais vulneráveis ​​para rejeitos (ou seja, bacias de retenção de principalmente resíduos de mineração liquefeitos) – as chamadas barragens “a montante” não devem mais ser permitidas no futuro e, além disso, as existentes devem ser desativadas e desmanteladas até 2021. Essa decisão, tomada sob pressão da mídia, No entanto, o governo arquineoliberal de Bolsonaro, na forma de seu ministro do Meio Ambiente, Salles, o anunciou de maneira habilmente divulgada logo após a ruptura de Brumadinho, mas foi derrubado novamente apenas alguns meses depois, em agosto de 2019. Se a atenção da mídia caiu e algum tempo passou, então o interesse favorável à indústria prevalece sobre a proteção da natureza e das pessoas.

As barragens, que foram construídas a montante apenas em Minas Gerais e estão em operação, foram originalmente programadas para atingir a vida útil máxima e as barragens devem ser descomissionadas até 2021. Mas depois a Agência Federal de Mineração ANM deu às empresas até mais seis anos, dependendo do tamanho da barragem. O tamanho da memória é levado em consideração para o novo prazo restante, de acordo com a ANM da época. Na verdade, todas as barragens “a montante” devem estar em operação até 15 de agosto de 2021, o mais tardar. A desativação estendida permitirá que as mineradoras concluam os trabalhos em setembro de 2022 para aterros com até 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos, agosto de 2025 para instalações de até 30 milhões de metros cúbicos e até agosto de 2027 para estruturas com mais de 30 milhões de metros cúbicos de enchimento de lodo de mineração.

Mas mesmo essa abordagem pró-indústria não está à altura da indústria de mineração do Brasil. Um olhar sobre o estado mineiro de Minas Gerais revela o problema: das 54 barragens existentes no estado de Minas Gerais que foram construídas pelo método “a montante”, 49 ainda não foram desmontadas, segundo a fundação estadual de meio ambiente Fundação Estadual do Estudo criado pelo Meio Ambiente (Feam).

O presidente da Associação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, descreveu recentemente o prazo especificado, no entanto, como “irrealizável”. Ele estima que o processo de descomissionamento durará pelo menos até 2030. “Não vale a pena estabelecer um prazo irrealista. A legislatura, então, estabeleceu uma data sem analisar como isso deveria acontecer”, disse o presidente da Fiemg, Roscoe. Segundo Roscoe, o setor de mineração já investiu R$ 16,7 bilhões – o equivalente a atualmente 2,7 bilhões de euros – em medidas para aumentar a segurança dessas barragens e seu descomissionamento nos últimos três anos. De acordo com o panorama divulgado pela Fiemg, sete barragens já foram desmontadas e outras 12 serão desmontadas até 25 de fevereiro de 2022. No total, a indústria chegou assim a 19 barragens de rejeitos desmontadas da marca de construção “Upstream”.

Muitas barragens de rejeitos de mineração são construídas usando o método “upstream”, que é de longe o menos caro, mas também o mais vulnerável de todos os sistemas de barragens de rejeitos. Depois, há o método do centro e o método a jusante. O último, o método a jusante, é o mais caro, mas o mais seguro de todos os métodos de construção de barragens de rejeitos. Como lembrete, as estatísticas de falhas de barragens dizem que falhas de rejeitos são estatisticamente 10 vezes mais propensas a falhar do que barragens hidrelétricas (o que é interessante porque a Comissão Internacional de Grandes Barragens (ICOLD) não incluiu barragens de despejo de minas em seu registro de 58.000 barragens , porque então eles fariam as estatísticas de falhas de barragens parecerem tão devastadoras). No método “upstream”, é construída uma barragem, atrás da qual o lodo de mineração é armazenado, após alguns anos este secar, uma nova barragem é construída em cima da barragem e parte do material então (espero bastante) seco, que então novamente tem uma camada absorve lama. Este processo pode ser repetido até dez vezes, resultando em barragens com várias centenas de metros de altura. 

Com o método do centro, o empilhamento é realizado na área da barragem, com o método “a jusante”, a barragem é alargada em declive. As barragens “a montante” há muito são proibidas na América Latina, por exemplo, no Chile. No Brasil, isso ainda está se arrastando. uma nova barragem é construída em cima da barragem e parte do material então (espero bastante) seco, que então absorve uma camada de lama novamente. Este processo pode ser repetido até dez vezes, resultando em barragens com várias centenas de metros de altura. Com o método do centro, o empilhamento é realizado na área da barragem, com o método “a jusante”, a barragem é alargada em declive. 

As barragens “a montante” há muito são proibidas na América Latina, por exemplo, no Chile. No Brasil, isso ainda está se arrastando. uma nova barragem é construída em cima da barragem e parte do material então (espero bastante) seco, que então absorve uma camada de lama novamente. Este processo pode ser repetido até dez vezes, resultando em barragens com várias centenas de metros de altura. Com o método do centro, o empilhamento é realizado na área da barragem, com o método “a jusante”, a barragem é alargada em declive. As barragens “a montante” há muito são proibidas na América Latina, por exemplo, no Chile. No Brasil, isso ainda está se arrastando. Com o método do centro, o empilhamento é realizado na área da barragem, com o método “a jusante”, a barragem é alargada em declive. As barragens “a montante” há muito são proibidas na América Latina, por exemplo, no Chile. No Brasil isso ainda está se arrastando. Com o método do centro, o empilhamento é realizado na área da barragem, com o método “a jusante”, a barragem é alargada em declive. As barragens “a montante” há muito são proibidas na América Latina, por exemplo, no Chile. No Brasil isso ainda está se arrastando.

Os pagamentos de indenização aos afetados, que a mineradora Vale tem que fazer, também estão sendo sacados. Nem todos foram indenizados, os processos ainda estão em andamento e os advogados ainda estão atuando em nome da Vale, relata a mídia brasileira. Na verdade, a jurisdição do Brasil prescreve um prazo máximo de até três anos. Mas sempre há argumentos jurídicos inovadores, noticia o jornal Brasil de Fato. Por exemplo, muitas das pessoas afetadas pelo rompimento da barragem de Mariana ainda não receberam nenhuma compensação, e os novos assentamentos prometidos e ordenados pelo tribunal ainda não foram amplamente concluídos. A separação de Mariana já faz mais de seis anos. O caminho para a justiça é longo, mas permanece questionável se algum dia levará ao objetivo.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pela Kooperation Brasilien [Aqui!].

Associação de Vítimas e Atingidos convoca manifestações para marcar os 3 anos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG)

Atos pela Justiça e Memória das 272 vidas ceifadas pelos crimes cometidos contra a vida e contra o meio ambiente; e pela continuidade das buscas até o encontro das 6 “jóias” ainda não encontradas

Brumadinho,_Minas_Gerais_(47021723582)

SEGUNDA-FEIRA, DIA 24 DE JANEIRO, 18 HORAS

Atividade: Carreata pela Justiça
Concentração: Cemitério Parque das Rosas

Percurso: do Cemitério até ao letreiro da cidade, percorrendo as principais avenidas e ruas de Brumadinho.

TERÇA-FEIRA, DIA 25 DE JANEIRO, 11 HORAS

Atividade: Ato em Homenagem às 272 vítimas ceifadas e clamor por Justiça
Local: no letreiro da cidade.

AVABRUM

Avabrum é a Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão, com sede em Brumadinho, há três anos abraçou a causa da justiça. Luta para a responsabilização efetiva dos responsáveis pelos crimes cometidos pela Vale e Tüd Süd contra a vida de 272 pessoas, nossas joias, única forma de reparação que vai representar a vitória da justiça contra a impunidade.

Estamos também reconstruindo nossas histórias, individual e coletivamente, por meio da preservação da memória de nossos familiares para que nunca mais aconteça tamanha negligência com a vida humana, com o ambiente e com as comunidades locais que estão próximas às indústrias de risco.

Convidamos a imprensa para acompanhar os atos previstos e registrar a continuidade da nossa luta e em memória aos 272 familiares, nos dias 24 e 25 de janeiro, em Brumadinho. Teremos fontes da Avabrum para dar informações e entrevistas para os jornalistas.

Vítimas de Brumadinho alertam sobre riscos em barragens

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A Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos do Rompimento da Barragem Mina Córrego Feijão Brumadinho (AVABRUM) acompanha com apreensão os acontecimentos recentes em Minas Gerais e faz os seguintes alertas:

  1. o risco de rompimento de barragens e o transbordamento de dique, que interrompeu movimento de rodovias, indicam o descaso das autoridades com fiscalização e monitoramento de barragens que colocam em risco a vida de milhares de pessoas;
  2. o cenário aponta, ainda, o descaso das empresas privadas em adotar medidas concretas de responsabilidade socioambiental que possam preservar os trabalhadores e as comunidades próximas;
  3. são necessárias políticas públicas para o setor minerador que, de fato, possam ouvir e atender as necessidades da sociedade e não apenas o poder econômico;
  4. reitera, por fim, que continua a luta para que a justiça seja feita em relação às 272 vítimas que perderam a vida com o rompimento da Barragem do Córrego do Feijão, de responsabilidade da Vale e pelo Encontro de todas as Joias (6 vitimas ainda não encontradas);
  5. no dia 25 de janeiro próximo, completam-se 3 anos da tragédia em Brumadinho. Para que a história não se repita, pela negligência ou descaso, chamamos atenção do poder político e órgãos de Justiça para adotar, em todo o País, urgente e efetiva fiscalização das barragens que ainda colocam em risco a vida de milhares de brasileiros.

Esperamos as devidas providências e continuaremos a lutar para que a nossa dor jamais se repita e que nenhuma família passe pelos q estamos passando.

Diretoria AVABRUM

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Em julgamento realizado em Munique, TÜV Sud se exime e apenas manda condolências aos atingidos de Brumadinho

Diante do Tribunal Regional de Munique, a TÜV Süd não vê responsabilidade legal pelos 270 mortos após o rompimento da barragem no Brasil.

BELO HORIZONTE MG 24 02 2019 PROTEST AGAINST VALE IN BH Protestors petitioned for justice duri

Em Belo Horizonte, manifestantes exigem justiça para as vítimas de Brumadinho, Brasil, fevereiro de 2019

Por Patrick Guyton para o “Die Tageszeitung”

“Aconteceu um terrível acidente”, disse Florian Stork, consultor jurídico chefe da TÜV Süd. No grande tribunal de Munique na instalação correcional de Stadelheim, ele expressou suas condolências aos parentes e disse: “Não queremos questionar o sofrimento de forma alguma.” E ainda: a empresa de testes alemã não vê “nenhuma responsabilidade legal” pela catástrofe de 25 de janeiro de 2019.

O rompimento da barragem de uma mina de minério de ferro provocou um grande deslizamento de terra em Brumadinho, Brasil, que destruiu partes do local, deixando 270 pessoas mortas . Poucos meses antes, a barragem havia sido examinada pelo braço da TÜV brasileira e certificada como segura.

Na terça-feira, representantes de Brumadinho, no estado de Minas Gerais, e advogados da TÜV sentaram-se frente a frente em um caso-teste. Novo território legal está sendo negociado no processo: uma empresa pode ser responsabilizada por infrações ambientais cometidas na Alemanha por sua subsidiária no exterior?

Avimar Barcelos, o prefeito de Brumadinho, viajou a Munique para o julgamento. Assim como dois irmãos e o marido da engenheira Izabela Barroso – que morreu no deslizamento. “Ninguém pode trazer Izabela de volta”, disse o prefeito de Brumadinho no tribunal.

“Eles deveriam vir”

“Mas estou indignado que a TÜV se recuse a assumir a responsabilidade.” Barcelos, um homem mais jovem, diz que a sua comunidade ainda está em grande parte destruída. Apenas 30 por cento da lama tóxica foi removida. “Eles deveriam vir e ver o que fizeram.”

A juíza presidente do tribunal regional, Ingrid Henn, tentou chegar a uma negociação de compromisso em que ambos os lados concordam com os valores de compensação. O advogado Jan Erik Spangenberg, que representa os demandantes, estava basicamente preparado para isso.

Para a comunidade, é necessário o equivalente a 70.000 euros, para os familiares dos mortos entre 15.000 e 30.000 euros por pessoa. A TÜV Süd poderia facilmente fazer isso. No entanto: Spangenberg afirma representar mais 1200 parentes.  A empresa poderá vir a ter de desembolsar um bilhão de euros em compensação – o que muito  até para a TÜV .

Mas também há o operador da mina que é o responsável. É o mega-mineradora brasileira Vale. Durante a negociação, a TÜV assumiu a posição de que seu relatório estava “correto”, disse o advogado da empresa Philipp Hanfland.

Sem denominador comum

Não há “evidências de comportamento abusivo” e nenhum “vínculo causal”. O representante das vítimas, no entanto, referiu-se a e-mails nos quais representantes da Vale teriam pressionado a TÜV a produzir um relatório positivo. E citou detalhes técnicos que devem comprovar que os testes não foram realizados de maneira adequada.

Também não havia um denominador comum quando se tratava de saber se o Grupo Vale, a TÜV ou ambos são obrigados a pagar indenizações. 5,8 bilhões de euros estão na sala, o que o grupo Vale teria prometido. A maior parte das compensações vai para a construção de estradas, que por sua vez são usadas principalmente pelas empresas de mineração, criticou o advogado da vítima Spangenberg.

“Ninguém recebeu qualquer tipo de indenização  para os parentes mortos.” O advogado da TÜV, Hanfland, contradisse: O pagamento está sendo preparado, o dinheiro deve fluir no próximo ano, “uma soma gigantesca”. E também para os parentes. Os demandantes duvidaram disso. Spangenberg afirmou que “Você teria que esperar anos e décadas.”

Em Munique, este foi o primeiro e, ao mesmo tempo, o último dia do julgamento. O juiz disse que as duas partes deveriam agora responder a várias questões por escrito. O pessoal de Brumadinho e da TÜV tem que esperar um pouco pelo julgamento que está marcado para 1º de fevereiro de 2022.

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Este texto foi inicialmente escrito em alemão e publicado pelo jornal  “Die Tageszeitung” [Aqui!].