
Enquanto assiste às ações no congresso nacional de piorar o já horroroso “Novo Ensino Médio”, o governo Lula decidiu colocar “uma tramela” na situação dos chamados curso de “Ensino à Distância” (EAD) que proliferaram tal qual cogumelos em pastagens após chuvas intensas. A primeira medida foi suspender o credenciamento de uma lista de cursos por um período de 90 dias, de modo a permitir elaboração de proposta de regulamentação de oferta de cursos de graduação na modalidade EAD.
A coisa estava tão fora de controle que se estava permitindo até a promulgação da Portaria 2.041 o credenciamento de cursos de Enfermagem, Psicologia e Medicina na forma de 100% EAD. Com isso, o risco de formação de profissionais com baixíssima competência prática para áreas em que qualquer erro pode resultar em graves consequências para os indivíduos por eles assistidos.
Mas a luz vermelha que acendeu no governo Lula também se estende aos cursos de licenciatura já que a proliferação de cursos EAD tem possibilitado a entrada de professores sem qualquer experiência em sala de aula e formados dentro de critérios extremamente baixos de qualidade. O que parece ter aumentado o senso de urgência de mudanças drásticas nas regras de autorização de cursos de licenciatura EAD foram os resultados obtidos pelo Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2022 que mostrou que menos de 50% dos alunos brasileiros sabem o básico em matemática e ciências.
Agora, o Ministério da Educação, segundo o próprio ministro Camilo Santana, estuda não permitir mais cursos 100% EAD, e a dúvida seria se o percentual de ensino presencial será de 50%, 30% [da carga horária total].

Mudanças deverão ter forte impacto na Uenf
Se concretizadas, estas possíveis mudanças na oferta de cursos EAD deverão ser uma fonte de dor de cabeça garantida para todas as instituições de ensino superior que participar do Consórcio Cederj. É que apesar dos cursos EAD deste consórcio serem apresentados como semipresenciais, na prática a coisa é diferente. Assim, se efetivamente a oferta de conteúdos tiver que passar a ser 30% ou 50% na forma presencial, o aumento da carga de trabalho será inevitável, principalmente para os professores.
No caso da Uenf, o problema poderá tomar proporções ainda mais graves, na medida em que atualmente o estoque total de estudantes de três cursos de licenciatura na modalidade EAD (Ciências Biológicas, Pedagogia e Química) já supera o existente para os 17 cursos na modalidade presencial.
O maior problema será garantir não apenas o espaço de sala de aula e de laboratórios de ensino, mas também o de professores doutores que atuem em regime de dedicação exclusiva.





