Mapa da Água: descubra o que tem na água de Campos dos Goytacazes, mas fique avisado que algumas revelações são assustadoras

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Detecções  acima do limite de segurança na água de Campos dos Goytacazes entre 2018 e 2020:

Substância(s) com o(s) maior(es) risco(s) de gerar doenças crônicas, como câncer:

O arsênio e seus compostos são classificados como cancerígenos para humanos pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão da Organização Mundial da Saúde. A exposição prolongada ao arsênio por ingestão de água está relacionada com aumento do risco para câncer de pele, pulmão, bexiga e rins, bem como outros problemas na pele e tecidos. O ácido arsênico e o trióxido de arsênio, dois compostos inorgânicos desse elemento, são usados como descolorante, clareador e dispersante de bolhas de ar na produção de garrafas de vidro e outras vidrarias.

Substância(s) que também gera(m) riscos à saúde:

Os trihalometanos são um grupo de compostos químicos e orgânicos que derivam do metano. Ele inclui substâncias como o clorofórmio, classificado como possivelmente cancerígeno pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC). A exposição oral prolongada a esta substância pode produzir efeitos no fígado, rins e sangue. Os trihalometanos são utilizados como solvente em vários produtos (vernizes, ceras, gorduras, óleos, graxas), agente de limpeza a seco, anestésico, em extintores de incêndio, intermediário na fabricação de corantes, agrotóxicos e como fumigante para grãos. Alguns países proíbem o uso de clorofórmio como anestésico, medicamentos e cosméticos.

O trióxido de antimônio é classificado como possivelmente cancerígeno para o ser humano pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão da Organização Mundial da Saúde. Os sais solúveis de antimônio, após serem ingeridos, exercem forte efeito irritante na mucosa gástrica e provocam vômito, além de cólica, diarreia e toxicidade cardíaca. Os compostos de antimônio são usados na indústria têxtil, e fabricação de plástico, adesivo, tinta, papel e borracha. Também são usados em explosivos e pigmentos. O antimônio forma ligas com outros metais, que são utilizadas em chapas de solda, tubulações, rolamentos, armas. O sulfeto de antimônio é usado em fósforos. Outros compostos são usados para induzir o vômito em casos de intoxicação, para tratamento de leishmaniose e em produtos veterinários

A exposição prolongada ao bário gera efeitos adversos nos rins, segundo o ministério da saúde do Canadá. O bário e seus compostos são utilizados na fabricação de diversos produtos industriais, como plásticos, vidros, cerâmicas, eletrônicos, têxteis, lubrificantes, ligas metálicas, sabão e borracha. O sulfato de bário é usado como contraste em radiografias.

Todas as substâncias químicas e radioativas listadas nesta página oferecem risco à saúde se estiverem acima da concentração máxima permitida pelo Ministério da Saúde. Elas foram detectadas ao menos uma vez na água que abastece este município entre 2018 e 2020.

Quando essas substâncias estão acima do limite, a água é considerada imprópria para o consumo. Nesses casos, as instituições de abastecimento deveriam informar a população sobre o problema, assim como sobre as medidas tomadas para resolvê-lo. Leia mais nas reportagens do especial Mapa da Água.

Para facilitar o entendimento sobre os riscos dos casos de contaminação, a Repórter Brasil criou uma divisão entre as substâncias, separando-as em dois grupos de periculosidade:

As substâncias com os maiores riscos de gerar doenças crônicas, como câncer” são as que têm maior evidência de risco à saúde. Elas são listadas como “reconhecidamente” ou “provavelmente” cancerígenas, disruptoras endócrinas (que desencadeiam problemas hormonais) ou causadoras de mutação genética. Essas classificações de risco são da Organização Mundial da Saúde ou das agências regulatórias da União Europeia, Estados Unidos, Canadá e Austrália (links na descrição de cada substância).

Já o segundo grupo substâncias que geram riscos à saúde” reúne todas as outras que também oferecem risco, segundo a literatura internacional e o Ministério da Saúde. Entre elas estão as “possivelmente” cancerígenas”, além das que podem causar doenças renais, cardíacas, respiratórias e alteração no sistema nervoso central e periférico.

Os critérios para fixar os limites de segurança para cada substância na água são do Ministério da Saúde, assim como a lista de substâncias que devem ser testadas na água de 2 a 4 vezes por ano.

Navegue pelo Mapa da Água.

Os riscos são maiores para quem bebe a água imprópria de forma contínua, ou seja, diversas vezes ao longo de meses ou anos. Casos em que a mesma substância aparece acima do limite nos três anos analisados (2018, 2019 e 2020) foram destacados com o alerta máximo no topo da página.

Os testes são feitos pelas empresas ou órgãos de abastecimento e enviados ao Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano), banco de dados do Ministério da Saúde que reúne informações de todo o país.

Confira, abaixo, as substâncias detectadas dentro do limite de segurança nesta cidade:

Detecções DENTRO DO LIMITE DE SEGURANÇA na água de Campos dos Goytacazes (RJ) entre 2018 e 2020:

Substância(s) com o(s) maior(es) risco(s) de gerar doenças crônicas, como câncer:

 

Substância(s) que também gera(m) riscos à saúde:


CONHECER SEUS RISCOS


FONTE:
Resultados dos testes: Sisagua/Ministério da Saúde (2018-2020). Dados baixados em novembro de 2021, não contempla atualizações e retificações feitas desde então. Base do Sisagua atualizada.

Divisão das substâncias em grupos: Organização Mundial da Saúde (International Agency for Research on Cancer), União Europeia, agência ambiental dos Estados Unidos (Environmental Protection Agency) e agências de regulação do Canadá e da Austrália.

Este texto foi inicialmente publicado pelo “Mapa da Água” [Aqui!].

Observatório dos Agrotóxicos: apesar das evidências de impactos graves sobre a saúde humana, governo Bolsonaro autoriza mais 26 agrotóxicos

bancada do cancerA aprovação do “Pacote do Veneno” pela Câmara de Deputados abriu ainda mais espaço para que o governo Bolsonaro continue liberando venenos agrícolas altamente perigosos para uso nas áreas cultivadas com monoculturas de exportação

Enquanto crescem evidências da associação entre o uso abusivo de agrotóxicos em áreas de monocultura e a incidência de vários tipos de cânceres, o governo Bolsonaro continua sua marcha desenfreada de aprovações de venenos agrícolas.  Essa constatação fica evidente com a publicação nesta 6a. feira (04/03) do Ato No 11 de 25 de fevereiro de 2021 pelo qual ficam liberados mais 24 agrotóxicos, o que faz com que o total de produtos liberados desde janeiro de 2019 chegue 1.635.

Há que se notar que na lista dos agrotóxicos liberados pelo Ato No 11 se encontram “velhos conhecidos” da lista de substâncias proibidas pela União Europeia, incluindo os herbicidas Glufosinato, Imazetepir, o inseticida neonicotinóide Imidacloprido (um “assassino de abelhas”) e o fungicida Clorotalonil. Todas essas substâncias foram banidas pela União Europeia por causarem danos não apenas ao ambiente, mas também à saúde humana.

Se levarmos em conta apenas a pesquisa mencionada acima, que foi liderada pela pesquisadora da Fiocruz Lidiane Silva Dutra sobre a relação espacial entre o uso de agrotóxico e a incidência de três tipos de câncer, fica fácil entender os efeitos de médio e longo prazo que essa tsunami de agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonaro implicará em termos de adoecimento e, consequentemente, pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). O pior é que, como foi explicitado na pesquisa em questão, o padrão de distribuição espacial da incidência de doenças têm implicações profundas para o direcionamento de políticas públicas.

A importância de se impedir a aprovação do PL do Veneno no Senado Federal

A documentação científica da epidemia de doenças que resultam da exposição ocupacional ou pela ingestão de alimentos e água contaminada por resíduos de agrotóxicos torna ainda mais central o acompanhamento da tramitação do chamado “Pacote do Veneno” no Senado Federal. É que mesmo sem a profunda liberalização que o novo regime de aprovação trará, o Brasil já foi transformado em uma espécie de latrina de venenos agrícolas altamente perigosos que não podem ser mais utilizados nos países que os fabricam.

Por outro lado, há que se continuar denunciando o padrão duplo que as fabricantes europeias de venenos agrícolas praticam, pois enquanto defendem metas de sustentabilidade para suas operações no continente europeu, continuam lucrando bilhões com a venda de agrotóxicos que a União Europeia já proibiu por causa de sua alta periculosidade ambiental e humana.

Câmara aprova Pacote do Veneno em votação relâmpago e marca “derrota civilizatória”

“Vence o discurso de que vale tudo para produzir mais soja, enquanto o povo passa fome na fila do osso”, enfatiza Alan Tygel, integrante da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

PACOTE DO VENENO

Por Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

Por 301 a 150, a Câmara dos Deputados aprovou o Pacote do Veneno (PL 6299/2002), na noite desta Por 301 a 150, a Câmara dos Deputados aprovou o Pacote do Veneno (PL 6299/2002), na noite desta quarta-feira (09), em menos de 4 horas de debate entre a aprovação do pedido de urgência e a votação do projeto de lei. Sem participação popular, o projeto agora segue para apreciação pelo Senado.

O projeto flexibiliza ainda mais o uso de agrotóxicos no país e substitui o atual marco legal (Lei 7.802), vigente desde 1989. Com violação a diversos artigos da Constituição e acordos e tratados que o Brasil ratificou, o projeto prevê a liberação de agrotóxicos cancerígenos; maior poder ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e desautorização da Anvisa e Ibama; e abre espaço para uma “indústria” de Registros Temporários. 

A aprovação do PL na Câmara marca um retrocesso histórico, diante do contexto de crise econômica e de crescimento da fome pelo qual o Brasil atravessa. Mais de 116,8 milhões de brasileiros estão em situação de insegurança alimentar, segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da COVID-19 no Brasil, organizado pela Rede PENSSAN.

Para Alan Tygel, integrante da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, a aprovação do Pacote do Veneno é “uma verdadeira derrota civilizatória”. E completa: “Num momento em que o mundo está buscando menos poluição, menor uso de recursos naturais, menos contaminação e emissões de produtos poluentes e tóxicos, o que fazemos aqui? O oposto: libera geral para os agrotóxicos. Vemos um grupo de supostos representantes da população decidindo algo completamente oposto ao verdadeiro desejo da sociedade. Além disso, vence o discurso de que vale tudo para produzir mais soja, enquanto o povo passa fome na fila do osso. Somos os campeões da soja e da fome. A quem interessa isso?”, questiona Tygel. 

A posição da maioria das e dos parlamentares  ignora dezenas instituições científicas públicas, órgãos técnicos, entidades representantes do Sistema Público de Saúde, e de organizações da sociedade civil, que se manifestaram contra o PL 6299 por meio de notas públicas ao longo dos últimos dois anos. Entre elas estão a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto Nacional do Câncer (INCA), Organização das Nações Unidas (ONU), Defensoria Pública da União, Ministério Público Federal e do Trabalho. 

Karen Friedrich, pesquisadora da Fiocruz e membro GT Saúde e Ambiente da Abrasco, afirma que as modificações previstas no PL permitirão a liberação de agrotóxicos ainda mais danosos sejam autorizados no Brasil. “Agrotóxicos com maior risco de câncer, de problemas reprodutivos e hormonais e malformações em bebês terão mais facilidade para serem registrados. Os danos são imprevisíveis, para quem mora próximo das lavouras ou de indústrias fabricantes e principalmente para quem trabalha nesses locais”.

Para a pesquisadora, além das graves consequências diante da aprovação do Projeto de Lei, se somam a um cenário de desmonte das políticas de agroecologia, desestruturação dos órgãos de assistência técnica, fiscalização e vigilância em saúde.
“Seguiremos a luta no Senado, e por todos os meios possíveis para barrar este retrocesso. Não vamos desistir de construir um Brasil soberano, agroecológico, e livre de agrotóxicos e transgênicos”, garante o porta-voz da Campanha Contra os Agrotóxicos. A plataforma abaixo-assinado “Chega de Agrotóxicos” soma mais de 1,7 milhão de apoios, e segue aberta a adesões.

Modernização às avessas 

O PL avança em um contexto de aumento recorde de liberação de agrotóxicos durante o governo Bolsonaro, parte deles extremamente tóxicos e muitos proibidos na União Europeia. Foram mais de 1.500 novos produtos liberados desde o início da gestão, 641 apenas em 2021.   

Nilto Tatto, deputado federal pelo PT-SP,  enfatizou a ineficácia do aumento do uso de veneno na agricultura: “Depois de liberado mais de 1500 agrotóxicos, o curto prazo para a produção de agrotóxicos continuar aumentando”.  

O parlamentar questiona quem, de fato, se beneficia do avanço do PL: “Eu pergunto para os liberais que querem aprovar:, vocês querem atender aos interesses do povo brasileiro ou das grandes corporações e dos grandes latifúndios, que é quem ganha dinheiro com a agricultura brasileira?” São esses grandes produtores que se apropriam de 60% do Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar] e utilizam na produção de soja para exportação, e não para a produção de alimentos”. Os produtores e distribuidores de veneno receberam cerca de R$ 4,2 bilhões em incentivos fiscais em 2021, por meio da Lei Kandir, de 1996.

O pedido de urgência para a votação do PL partiu dos parlamentares Aécio Neves (PSDB-MG), Wolney Queiroz (PDT-PE), Reginaldo Lopes (PT-MG), Adolfo Viana (PSDB-BA), Alex Manente (CIDADANIA-SP), Wellington Roberto (PL-PB), Efraim Filho (DEM-PB) , Bira do Pindaré (PSB-MA), Cacá Leão (PP-BA), Vinicius Carvalho (REPUBLIC-SP), Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL). 

O PL da comida de verdade

Centenas de outros projetos foram apensados ao original, proposto há 20 anos. Parte deles buscava ampliar o controle sobre o uso de substâncias tóxicas na produção de alimentos e incentivo à redução do uso. No entanto, a versão votada nesta quarta é amplamente focada na ampliação do uso de agrotóxicos. 

Entre os projetos que ainda não ganharam espaço na Câmara está o que propõe a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, a PNARA (PL nº 6.670/2016). Construída por centenas de entidades do campo e da cidade, ligadas à produção e à defesa da agroecologia, da saúde pública, da ciência e da natureza, a PNARA vai na contramão do Pacote do Veneno. 

O PL 6.670 quer a redução gradual do uso de agrotóxicos e o estímulo à transição orgânica e agroecológica; a reavaliação periódica de registro das substâncias (na legislação atual, o registro é eterno); a proibição da aplicação de veneno próximo a áreas de proteção ambiental, de recursos hídricos, de produção orgânica e agroecológica, de moradia e de escolas; e a redução da pulverização aérea.

>> Acompanhe e divulgue os canais da Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida:

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Este texto foi publicado inicialmente pela Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida [Aqui!].

Brasil, o “Paraíso dos Agrotóxicos”

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Por Christian Russau para

A disputa política e social pelos “venenos agrícolas”, “agrotóxicos” ou “agrotóxicos” vem à tona e é expressão da expansão desenfreada dos “agrotóxicos” no Brasil, enquanto o governo Bolsonaro está constantemente permitindo a liberação de novos produtos. Em 36 meses de mandato de Jair Bolsonaro, foram aprovados 1.558 novos venenos agrícolas. E duas corporações alemãs estão na vanguarda desse negócio.

Nomen est omen, mas também expressão de narrativas sociais que concorrem entre si na disputa midiática sobre a soberania interpretativa – e, consequentemente, também sobre as relações sociais de poder. Sempre houve tentativas de controlar os debates políticos criando novas palavras, desarmá-las e influenciá-las na direção desejada. Na Alemanha, após o surgimento de críticas e resistência à energia nuclear, a indústria de energia nuclear tentou substituir o termo “energia nuclear” pelo termo “força nuclear”. Já no caso do Brasil, para compensar o apoio perdido no debate social por meio de renovação e ofuscação conceitual, uma coalizão de políticos e grandes agricultores, juntamente com representantes da indústria, começou a desenvolver a mídia e narrativas sociais sobre agrotóxicos para influenciar a atitude em relação a ingredientes ativos simplesmente mudando as palavras.

A partir de 1988, ano da atual constituição, passou a se utilizar a palavra “agrotóxicos” em documentos públicos. Isto de deu por que a seção 4 do Capítulo 5 da Constituição Brasileira, que trata dos direitos e obrigações da comunicação pública, há uma menção explícita a “agrotóxicos”.  Já em 1989, na Lei nº 7.802/1989, a palavra agrotóxicos é explicitamente mencionada nas disposições básicas sobre produção, armazenamento, uso e descarte de venenos agrícolas. O pano de fundo foi que grande parte dos autores das leis da época tinham de fato consciência da periculosidade e toxicidade dos agrotóxicos e sabiam da importância da terminologia utilizada pelo estado para gerenciar a aprovação deste tipo de produto para garantir a segurança e saúde dos a população. Conscientizar as pessoas sobre o perigo de uma possível intoxicação apenas escolhendo o termo.

No Brasil, porém, essa medida de precaução parece valer para uma proporção cada vez maior e mais poderosa de políticos: a preocupação com os riscos criados pelo uso de agrotóxicos já não conta tanto quanto a produção de maiores volumes de produção e lucros. De acordo com o projeto de lei 6.299/2002 em tramitação nas câmaras do Congresso Nacional brasileiro, o termo agrotóxicos deve ser retirado dos documentos oficiais e substituído por “agroquímicos” . Mas até isso vai alguns parlamentares: interior não é o suficiente: Muitos deles da banca ruralista preferem a adoção dos termos “defensivo agrícola” ou “defensivo fitossanitário”, o que mais se aproxima do “produto fitofarmacêutico” que hoje é comum na Alemanha. “Se o agricultor sabe que o produto é tóxico, ou o utiliza com cuidado redobrado ou procura outra forma de controlar a praga, patógeno ou planta invasora”, disse Adilson D. Paschoal, do Departamento de Entomologia da Faculdade de Agricultura da USP. Paschoal considera perigoso substituir o termo “veneno” por termos mais inofensivos: “Trata-se de um retrocesso inadmissível e unilateral, que visa ocultar a verdadeira natureza destes produtos, nomeadamente a sua toxicidade”.

E o governo Bolsonaro avança incansavelmente para consolidar o protagonismo do Brasil no consumo de agrotóxicos, em linha com os interesses das corporações e do agronegócio implacável com fins lucrativos: as últimas pesquisas do professor Marcos Pedlowski da Universidade Estadual do Norte Fluminense em Campos dos Goytacazes no Estado do Rio de Janeiro, um total de 1.558 novos Agrotóxicos foram aprovados pelo governo nos 36 meses do governo Bolsonaro até 31 de dezembro de 2021.

Para promover o boom de exportação de culturas de rendimento como soja, milho, algodão, café e suco de laranja concentrados, que são exportados principalmente para o exterior, o Brasil está usando agrotóxicos de forma abundante. Em função disso, em poucas décadas, o país tornou-se o campeão mundial no consumo de agrotóxicos. Desde que mais de um milhão de toneladas de agrotóxicos foram pulverizados nas áreas agrícolas brasileiras em 2010, o país ostenta o título inglório de maior consumidor mundial de venenos agrícolas. E quando Tereza Cristina, lobista declarada dos agrotóxicos, tornou-se Ministra da Agricultura. “Brasil – o paraíso dos agrotóxicos” foi a manchete do prestigiado portal Carta Capital em junho de 2019.

E isso tem consequências. “Desde o início dos anos 2000, são vendidas muitas sementes geneticamente modificadas que não morrem se você as pulverizar com glifosato em uma grande área, por exemplo. A agricultura industrial no Brasil é totalmente dependente de agrotóxicos”, afirma o ativista Alan Tygel da campanha brasileira contra toxinas agrícolas (“Campanha permanente contra os agrotóxicos e pela vida”). Um estudo da Universidade Federal de Mato Grosso constatou que em 13 municípios (644.746 habitantes: interior segundo o último censo de 2015), nos quais soja, milho e algodão foram cultivados entre 1992 e 2014, houve 1.442 casos de estômago e esôfago – e câncer de pâncreas. Nos 13 municípios comparativos (219.801 habitantes: interior segundo o último censo de 2015), onde havia uso principalmente turístico em vez de uso agrícola), o número de casos de câncer foi de 53. Isso resulta em uma taxa de câncer de 223,65 por 100.000 habitantes em municípios usados ​​para agricultura: no interior, em municípios usados ​​principalmente para turismo, a taxa de câncer é 24,11 por 100.000 habitantes: dentro. Assim, em municípios onde os agrotóxicos são pulverizados avidamente, a taxa de câncer é estatisticamente maior por um fator de 8 . Além disso: No Brasil, milhares de cidadãos brasileiros são envenenados por toxinas agrícolas todos os anos. O número vem aumentando ano a ano: em 2007 foram 2.726 casos, em 2017 foram 7.200, um aumento de 164% .

Mas as regiões em que agrotóxicos não são usados para a agricultura também são afetadas por  veneos agrícolas. Por um lado, trata-se dos casos em que agrotóxicos pulverizados permanecem como resíduos nos alimentos consumidos. De acordo com os últimos dados disponíveis (2017/18) da Autoridade Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, 14 produtos agrícolas comuns (selecionados pela Anvisa: abacaxi, alface, alho, arroz, batata-doce, beterraba, cenoura, chuchu, goiaba, laranja, manga , pimentos, tomates e uvas) excederam os valores-limite admissíveis em 23% dos casos .

Outra área extremamente crítica é a da água potável. O Ministério da Saúde verifica de acordo com a regulamentação em vigor até agora 27 substâncias , algumas das quais podem causar sérios riscos à saúde em contato . Segundo a Anvisa, 16 dessas substâncias são “extremamente tóxicas” ou “altamente tóxicas”, enquanto onze estão associadas a doenças crônicas como câncer, malformações, distúrbios hormonais ou reprodutivos. O que chocou particularmente o público brasileiro em abril de 2019: em 2014, foram encontrados resíduos de agroquímicos na água potável em 75% dos testes. Em 2015 este valor subiu para 84%, em 2016 para 88% e em 2017 para 92%.

Quando questionados sobre a responsabilidade conjunta da Alemanha pela aplicação massiva de agrotóxicos no Brasil, o primeiro destinatário são os dois pesos pesados ​​do mercado mundial de venenos agrícolas:  duas empresas alemãs Bayer e Basf . O autor deste texto teve em 2016 um estudo dos ingredientes ativos oferecidos pela Bayer e Basf que são realizadas no Brasil. O objetivo do referido estudo era descobrir se e quais ingredientes ativos Bayer e Basf eram vendidos no Brasil que não são aprovados pela União Europeia (UE) de acordo com o Banco de Agrotóxicos  da organização . Esta investigação foi repetida três anos depois. O resultado foi que o número de agrotóxicos da Bayer e da Basf aumentou. Os ingredientes ativos vendidos no Brasil, mas não aprovados em nível da UE de acordo com o Banco de  Agrotóxicos  aumentaram de oito (2016) para 12 (2019) e no caso da Basf de nove (2016) para 13 (2019). Um novo estudo do Inkota, Misereor e da Fundação Rosa Luxemburgo para 2020 também mostrou dados idênticos para os ingredientes ativos vendidos pela Bayer e Basf no Brasil .

Desde que não seja proibida no Brasil, essas substâncias são vendidas lá por grupos como BASF e BAYER. A BAYER admitiu isso no final dos anos 1980. Em 1988, o então presidente do conselho, Hermann J. Strenger, disse: “Na verdade, por exemplo, não temos leis no Brasil como na República Federal da Alemanha”, acrescentou : “Mas estamos fazendo nossos investimentos no Brasil ou na Índia, nos EUA ou no Japão com as mesmas exigências que aqui.” Porém, mais de 30 anos depois, a BAYER ainda vende herbicidas, inseticidas e fungicidas no Brasil, assim como a BASF, que são proibidos na Europa.

E esse comportamento imprudente acaba afetando novamente nós consumidores na Alemanha. Em maio do ano passado, o Greenpeace testou frutas do Brasil para resíduos de toxinas agrícolas. O resultado: “Os testes de laboratório das 70 frutas revelam resíduos de um total de 35 diferentes substâncias ativas de pesticidas. Os níveis máximos legais foram excedidos um total de quatro vezes. As amostras analisadas consistem em casca e polpa. ”Um exemplo entre muitos: mais de 37% das limas importadas para a Alemanha no período de 2017-2020 vieram do Brasil, sendo quase 36.200 toneladas de limões. No passado, o agronegócio brasileiro sempre gostou de negar que resíduos de agrotóxicos poderiam ser encontrados em produtos cítricos. Em outras vezes era usado o argumento de que poderia haver resíduos na casca, que, no entanto, não são ingeridos. Resta agora saber se toda caipirinha em que os limites dos resíduos de agrotóxicos nos limões são respeitados,

E a política europeia? Continua a depender, por exemplo, do Acordo de Livre Comércio UE-MERCOSUL. E isso também tem algo a ver com a compra e venda de agrotóxicos. De qualquer forma, o Greenpeace adverte: “Se o planejado acordo UE-Mercosul for concluído, as tarifas sobre agrotóxicos cairão. Isso deve aumentar suas vendas e o comércio tóxico.” Como primeiro passo, espera-se que o acordo não se concretize, e como segundo passo que a coalizão “Semáforo” colocou nos acordos que gerou o novo governo alemão para a exportação de bens que são proibidos na Alemanha esteja seja cumprido. É claro que isso não afeta a questão da continuidade da produção dos mesmos princípios ativos no próprio Brasil, por exemplo, pelas filiais da Basf e da Bayer. É preciso um fim fundamental para o duplo padrão de lucro. E é necessária uma reviravolta agroecológica, no Brasil e na Alemanha, e em todos os lugares. Nesse sentido, há muito o que fazer.

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Este texto foi escrito inicialmente em alemão e publicado pela Dachverband Kritische Aktionäre [Aqui!].

Venenos agrícolas mortais: um negócio tóxico e protegido por uma dupla moral

Os agrotóxicos podem ter consequências graves para a saúde humana. Muitos dos agrotóxicos que estão proibidos na União Europeia (UE) ainda são exportados. revelando uma dupla moralidade

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Nos países do sul global quase não há monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos. Pequenos agricultores e trabalhadores agrícolas costumam aplicar os venenos sem roupas de proteção (trabalhadores agrícolas em um campo de batata na Indonésia, 16 de novembro de 2020)

Por Peter Clausing* para o JungeWelt

Os agrotóxicos são substâncias altamente biologicamente ativas cujo objetivo é matar organismos indesejáveis insetos, plantas ou fungos – ou inibir seu desenvolvimento. Portanto, é da natureza das coisas que as propriedades desses produtos químicos também representem um risco para os seres humanos e o meio ambiente.

Após décadas de relativo descuido, este facto tem sido levado em consideração tanto a nível mundial como na União Europeia. Um exemplo bem conhecido é a proibição do DDT, o infame inseticida organoclorado que se acumula na cadeia alimentar. No início da década de 1970 foi proibido na maioria dos países ocidentais, na República Federal da Alemanha em 1972. Desde 1991, a colocação de agrotóxicos no mercado da Comunidade Europeia foi regulamentada por uma Diretiva do Conselho, que foi substituída por um Regulamento (CE) 1107/2009 em 2011 tornou-se. Este último exige, entre outras coisas, que cada substância pesticida ativa seja submetida a um processo de reaprovação após 15 anos, no máximo, no qual o estado da ciência atual deve ser levado em consideração. Além disso, ingredientes ativos que representam um risco comprovado ou provável para a saúde humana, não podem ser aprovados. Fala-se aqui dos chamados critérios de corte para uma classificação em uma das duas categorias de risco mais altas (1 A ou 1 B) para uma toxicidade carcinogênica, mutagênica ou reprodutiva. Para compreensão, deve ser explicado que o termo “tóxico reprodutivo” abrange distúrbios do desenvolvimento e da fertilidade e que a categoria 1 A esconde um perigo “verificável” e 1 B um “provável” perigo para os humanos. As substâncias ativas classificadas desta forma são referidas no texto a seguir como »substâncias EU-1-A- / 1-B« – para diferenciá-las das categorias da Organização Mundial de Saúde (OMS) para toxicidade aguda, que também são designados como 1 A e 1 B.

Soluções amigáveis para a indústria

Mas, antes de mais nada, trata-se da classificação da UE nas categorias 1-A- / 1-B para câncer, danos genéticos e toxicidade reprodutiva. A interpretação dos dados científicos usados ​​para atribuir 1 A ou 1 B é um campo de conflito entre a indústria agroquímica e a ciência independente. Em contraste com o efeito diretamente fatal (veja abaixo), esses efeitos de longo prazo devem ser diferenciados da ocorrência espontânea de tumores, mutações no material genético ou malformações embrionárias, etc. Esta variabilidade biológica cria uma certa margem de interpretação, que pode ser usada para ignorar os efeitos ou, em caso de incerteza científica, para aplicar o princípio da precaução ancorado no regulamento de agrotóxicos da UE.

Uma análise dos relatórios de avaliação das autoridades mostra que elas continuam discutindo os efeitos, que não podem ser interpretados como outra coisa senão ceder à pressão do lobby do setor. No pior dos casos, as autoridades não estão apenas jogando fora o princípio da precaução, mas também violando suas próprias regras e diretrizes para chegar a uma conclusão favorável à indústria. O exemplo mais conhecido é a polêmica em torno da reaprovação do glifosato, em que, em 2016, algumas organizações não governamentais (ONGs) chegaram a entrar com ações criminais contra o Instituto Federal de Avaliação de Risco por fraude científica, embora sem qualquer processo judicial.

A classificação em relação ao efeito altamente tóxico, ou seja, o efeito imediatamente fatal, é menos controversa, porque aqui causa e efeito estão tão próximos que, de fato, quase não há espaço para interpretação. A OMS publicou pela primeira vez uma lista aqui em 1975, que é regularmente atualizada e a última versão da qual apareceu em 2019.¹ A OMS distingue entre substâncias extremamente tóxicas (Categoria 1 A) e substâncias altamente tóxicas (Categoria 1 B). Se a substância for engolida, os ingredientes ativos da OMS-1-A têm um efeito letal com menos de cinco miligramas por quilograma de peso corporal, as substâncias da categoria 1 B com menos de 50 miligramas.

Se você olhar no banco de dados de agrotóxicos da UE, verá que das atualmente 454 substâncias ativas aprovadas na UE, apenas nove pertencem à categoria 1 A / 1 B da OMS e três à categoria 1 A / 1 B da UE para danos de longo prazo. Por outro lado, 151 dessas substâncias 1-A / 1-B estão agora proibidas na UE. Além disso, existem princípios ativos que perderam a autorização de introdução no mercado por razões ambientais, mas que não podem ser aqui discutidos com mais detalhe devido à falta de espaço. Os únicos exemplos são o herbicida atrazina, que foi repetidamente encontrado em águas subterrâneas, e – devido à sua toxicidade para as abelhas – os chamados neonicotinóides, isto é, que incluem inseticidas como o tiaclopride.

No geral, o termo “agrotóxicos altamente perigosos” (HHPs em inglês) é usado para todos esses ingredientes ativos. Os critérios detalhados para os HHPs podem ser encontrados em um documento conjunto da FAO (Organização Mundial da Alimentação) e da OMS.2, no entanto, nenhuma substância ativa é mencionada. Essa deficiência foi corrigida pela PAN International, a rede internacional de ação de agrotóxicos, que publicou pela primeira vez uma lista de ingredientes ativos do HHP em 2009 usando os critérios da FAO/OMS. Esta lista é atualizada regularmente – a última versão, aliás, é deste ano.

Padrões duplos

O problema que mais nos preocupa são os chamados padrões duplos. Conforme descrito acima, os agrotóxicos que atendem aos critérios do HHP são uma grande ameaça para os seres humanos e o meio ambiente. Muitos deles estão proibidos na UE. Mas em outras partes do mundo eles continuam a ser comercializados.

Vamos primeiro dar uma olhada no desenvolvimento em termos de volume. De acordo com estatísticas do governo federal e da FAO, surge o seguinte quadro: Também na Alemanha, a quantidade de inseticidas, herbicidas e fungicidas usados ​​aumentou nos últimos 25 anos. Mas a quantidade vendida aumentou apenas 0,8 por cento ao ano de 1995 a 2019. Em contraste, o consumo global dessas três classes de ingredientes ativos cresceu três vezes mais rápido no mesmo período, em uma média de 2,4 por cento ao ano. Se em 1995 2,4 milhões de toneladas desses princípios ativos foram lançados no meio ambiente em todo o mundo, em 2019, último ano com cifras disponíveis, foram 3,9 milhões de toneladas. Mesmo que não haja números precisos em escala mundial, os HHPs provavelmente darão uma contribuição significativa. Para a UE, no entanto, os números sobre as exportações de HHP estão disponíveis ao público. O Acordo de Roterdã, vinculativo ao abrigo do direito internacional (em vigor desde 2004), obriga a UE a apresentar as chamadas notificações de exportação para a maioria dos HHPs oficialmente reconhecidos. Esta obrigação de informar os países-alvo sobre a importação planejada de HHPs com antecedência (referido como consentimento prévio informado) tem como objetivo principal proteger os países do sul global de importações descontroladas de HHPs (e outros produtos químicos altamente perigosos).

Com base nessas notificações de exportação e na avaliação de um banco de dados comercial, a organização suíça “Public Eye” e “Unearthed”, um grupo de nove jornalistas investigativos, chegou à conclusão de que as cinco principais empresas agroquímicas em 2018 ganharam um terço de suas vendas de agrotóxicos de HHPs alcançadas.³ Os cinco grupos são BASF, Bayer, Corteva Agriscience, FMC e Syngenta, duas empresas alemãs, duas americanas e uma suíça que, juntas, controlam mais de 65% do mercado global de agrotóxicos.

Existem também estatísticas de exportação disponíveis publicamente para a Alemanha. Esses são – de acordo com uma exigência legal – publicados anualmente pelo Instituto Federal de Defesa do Consumidor e Segurança Alimentar, mas não os números exatos, apenas ordens de grandeza. Além disso, as empresas exportadoras não são identificadas. No caminho para uma proibição de exportação de HHPs, uma maior transparência seria importante para poder nomear cavalos e cavaleiros. Essas estatísticas foram avaliadas em um estudo da rede de ação de agrotóxicos (PAN Alemanha). Mais de 25% de todos os agrotóxicos exportados da Alemanha em 2017 eram HHPs. E nove desses ingredientes ativos de agrotóxicos não tinham aprovação dentro da UE.

Suicídios e envenenamento

Então, quais são as consequências específicas de tais exportações? Eles são derivados das propriedades toxicológicas dos ingredientes ativos. Mesmo que o foco seja nos efeitos para a saúde a seguir, não se deve esquecer que também há danos ambientais consideráveis ​​- perda de biodiversidade, poluição do solo e da água e poluição do ar nas regiões rurais. Isso, por sua vez, pode causar danos à saúde. Uma particularidade neste contexto é o »ciclo tóxico«: as empresas químicas produzem e exportam agrotóxicos proibidos na UE, que depois regressam aos consumidores europeus na forma de resíduos de alimentos importados.

O mais óbvio, entretanto, é o envenenamento agudo por pesticida, e isso ocorre com muita frequência, mas raramente neste país. Agrotóxicos altamente tóxicos, que são relativamente facilmente acessíveis em muitos países do sul global e que eram usados ​​como agentes suicidas, alcançaram triste fama. Há alguns anos, a “epidemia de suicídio” de pequenos proprietários indianos endividados chegou às manchetes. Vários estudos mostraram que o argumento cínico “se aqueles em risco de suicídio não têm mais acesso aos HHPs, então eles pegam outra coisa” não se aplica. Por exemplo, a taxa nacional de suicídio caiu significativamente na Coreia do Sul depois que o herbicida paraquat foi proibido em 2011.

O envenenamento não intencional por agrotóxicos, que atinge grande parte dos agricultores e do proletariado rural nos países da África, Ásia e América Latina, tem recebido menos atenção da mídia, mas é extremamente dramático. No final de 2020, uma estimativa global de envenenamento por pesticida não intencional foi publicada, com a qual números confiáveis ​​estão finalmente disponíveis. ⁵ Depois de revisar mais de 1.600 publicações de 2006 a 2019, os dados de 157 publicações foram finalmente classificados como úteis e extraídos. Além disso, foram incluídos na estimativa os dados do registro global de mortalidade da OMS, que se baseia na chamada codificação CID-10. O número de intoxicações não intencionais por agrotóxicos é de cerca de 385 milhões por ano (das quais cerca de 11). 000 fatais), o que corresponde a cerca de 44 por cento dos trabalhadores agrícolas do mundo, foi um aumento dramático em comparação com a estimativa anterior. A estimativa publicada em 1990 em nome da OMS tinha chegado a cerca de 25 milhões de vítimas de envenenamento anualmente. 

Em 1990, o número de intoxicações agudas foi aparentemente muito subestimado, porque a estimativa de 2020 tem um banco de dados consideravelmente mais amplo e selecionado de forma transparente. No entanto, a quantidade de agrotóxicos usados ​​globalmente também aumentou em mais de 80% de 1990 até os dias atuais. Em 1990, o número de intoxicações agudas foi aparentemente muito subestimado, porque a estimativa de 2020 tem um banco de dados consideravelmente mais amplo e selecionado de forma transparente. No entanto, a quantidade de agrotóxicos usados ​​globalmente também aumentou em mais de 80% de 1990 até os dias atuais.  

Aumento do risco de câncer

As intoxicações agudas, porém, são apenas a ponta do iceberg. Por serem fáceis de entender, são relativamente bem documentados. Se, no entanto, cerca de 385 milhões de pessoas estão expostas a agrotóxicos a tal ponto que desenvolvem sintomas de envenenamento, pode-se presumir que estão mais ou menos permanentemente, embora sutil, expostas a agrotóxicos, uma exposição que, no entanto, é provável ser muitas vezes superior à população da UE devido a resíduos de agrotóxicos nos alimentos ou devido à exposição ocupacional. Mas mesmo na UE, os efeitos dos agrotóxicos são mensuráveis ​​na vida cotidiana: em um estudo francês publicado em 2018 com mais de 68.000 participantes, o risco de câncer era “pessoas que comeram alimentos totalmente orgânicos,

Nos países do sul global, a situação é completamente diferente. Não há virtualmente nenhum monitoramento de resíduos de agrotóxicos nos alimentos. Lá, os agricultores que aplicam agrotóxicos não se sentam em tratores com cabines de proteção, mas os pequenos agricultores e trabalhadores agrícolas aplicam agrotóxicos com pulverizadores de mochila – muitas vezes sem roupas de proteção e às vezes com os pés descalços. Relatórios dos sindicatos sul-africanos mostram que as roupas de proteção só são distribuídas quando as inspeções são solicitadas e que são coletadas novamente para serem guardadas para a próxima inspeção. As famílias mexicanas que realizam trabalho migratório em grande número nos estados do norte precisam levar seus filhos com eles, que ficam sentados na beira do campo, não importa o que aconteça no campo. E estudos na Argentina comprovam

Portanto, existem inúmeras e sérias razões para proibir a exportação de agrotóxicos que já não são permitidos na UE por razões de saúde ou ambientais. Que isso é possível fica demonstrado na França, onde essa lei entra em vigor no início do novo ano. A indústria química de lá tentou impedir essa lei por meio de uma ordem judicial, mas falhou devido a uma decisão da mais alta corte. No início deste ano, uma lei entrou em vigor na Suíça que proíbe a exportação de cinco agrotóxicos particularmente problemáticos. Mas na Alemanha, com seu forte lobby para a indústria química, nada mudou até agora. De acordo com um estudo publicado em abril, as duas grandes corporações Bayer e BASF continuam a comercializar agrotóxicos na África e na América Latina, que contêm ingredientes ativos 1-A/ 1-B proibidos na UE. ⁷ O governo alemão teve a oportunidade de agir desde 2012. 

Em um relatório dos Serviços Científicos do Bundestag, é indicado que o Parágrafo 25 da Lei de Proteção de Plantas habilita o Ministério da Agricultura a emitir uma portaria »a fim de evitar perigos significativos para a saúde humana ou animal que não possam ser remediados em qualquer outra forma (…) a exportação de certos produtos fitofarmacêuticos (…) a ser proibida em estados fora da União Europeia «. Não deve haver dúvida de que tais perigos “significativos” existem. No entanto, a opção oferecida pela Lei de Proteção de Plantas aparentemente nunca foi usada. Em um relatório dos Serviços Científicos do Bundestag, é indicado que o Parágrafo 25 da Lei de Proteção de Plantas habilita o Ministério da Agricultura a emitir uma portaria »a fim de evitar perigos significativos para a saúde humana ou animal que não possam ser remediados em qualquer outra forma (…) a exportação de certos produtos fitofarmacêuticos (…) a ser proibida em estados fora da União Europeia «. Não deve haver dúvida de que tais perigos “significativos” existem. 

No entanto, a opção oferecida pela Lei de Proteção de Plantas aparentemente nunca foi usada. Em um relatório dos Serviços Científicos do Bundestag, é indicado que o Parágrafo 25 da Lei de Proteção de Plantas habilita o Ministério da Agricultura a emitir uma portaria »a fim de evitar perigos significativos para a saúde humana ou animal que não possam ser remediados em qualquer outra forma (…) a exportação de certos produtos fitofarmacêuticos (…) a ser proibida em estados fora da União Europeia «. Não deve haver dúvida de que tais perigos “significativos” existem. No entanto, a opção oferecida pela Lei de Proteção de Plantas aparentemente nunca foi usada. Outros perigos para a saúde humana ou animal que não podem ser remediados (…) para proibir a exportação de certos produtos fitofarmacêuticos (…) para países fora da União Europeia «. Não deve haver dúvida de que tais perigos “significativos” existem. No entanto, a opção oferecida pela Lei de Proteção de Plantas aparentemente nunca foi usada. Outros perigos para a saúde humana ou animal que não podem ser remediados (…) para proibir a exportação de certos produtos fitofarmacêuticos (…) para países fora da União Europeia «. Não deve haver dúvida de que tais perigos “significativos” existem. No entanto, a opção oferecida pela Lei de Proteção de Plantas aparentemente nunca foi usada.

Em conversas pessoais, membros do Bundestag que estão comprometidos com a política de desenvolvimento, até mesmo de grupos parlamentares favoráveis ​​aos empresários, disseram pelo menos que era “ilógico” exportar agrotóxicos considerados muito perigosos na UE. O antigo governo federal, entretanto, continuou difícil de ser ouvido, e o que o novo governo fará ainda está para ser visto.

Ministério Silencioso

Incitada pela PAN Alemanha e pela Inkota, rede ativa na política de desenvolvimento, a ministra da Agricultura da CDU, Julia Klöckner, foi convidada a agir em um apelo assinado por 60 ONGs em outubro de 2020. Não houve resposta a esta carta. Também em outubro de 2020, a Comissão Europeia publicou o rascunho de sua estratégia de produtos químicos, que contém a passagem esperançosa para uma futura proibição de exportação de produtos químicos tóxicos que são proibidos na UE. Isso então teria que incluir agrotóxicos. Em novembro de 2020, a Esquerda e os Verdes apresentaram uma moção intergrupal para proibir a exportação de tais agrotóxicos, que foi debatida na sessão plenária do Bundestag em 11 de fevereiro de 2021. Como esperado, o pedido foi rejeitado. O governo federal se escondeu atrás disso,

É claro que uma proibição nacional ou mesmo da UE não resolverá finalmente nem o problema do envenenamento agudo nem o do envenenamento progressivo no sul global. É verdade que existem muitos outros participantes no mundo que continuarão a produzir e exportar HHPs. Mas justificar sua própria inação é um argumento preguiçoso. Porque a própria vontade de fazer campanha por um acordo global aumentará consideravelmente depois que uma proibição de exportação nacional ou em toda a UE for aprovada. E vontade política seria essencial para avançar nessa área. O que se encontra na página 151 do acordo de coalizão sobre o assunto é ainda mais decepcionante: »faremos uso das possibilidades legais para proibir a exportação de certos agrotóxicos, que não são homologados na UE por razões de proteção da saúde humana. «A proteção ambiental nem sequer é mencionada – a Bayer também poderá exportar seus agrotóxicos proibidos na UE e perigosos para as abelhas no futuro. 

Da mesma forma, não se busca uma lei correspondente, que então não poderia ser alterada tão rapidamente, aparentemente prefere-se reger por portaria, ou seja, esgotar as possibilidades jurídicas do parágrafo 25 da Lei de Proteção Vegetal. As ordenanças podem ser retiradas com relativa facilidade. E fala-se vago de “certos agrotóxicos”. O conteúdo da moção apresentada pelos Verdes e pela Esquerda em novembro de 2020 não está refletido no acordo de coalizão. “A proteção ambiental nem é mencionada – a Bayer continuará a poder exportar seus agrotóxicos, proibidos na UE e perigosos para as abelhas, no futuro. Da mesma forma, não se busca uma lei correspondente, que então não poderia ser alterada tão rapidamente, aparentemente prefere-se reger por portaria, ou seja, esgotar as possibilidades jurídicas do parágrafo 25 da Lei de Proteção Vegetal. As ordenanças podem ser retiradas com relativa facilidade. E fala-se vago de “certos agrotóxicos”. O conteúdo da moção apresentada pelos Verdes e pela Esquerda em novembro de 2020 não está refletido no acordo de coalizão. “A proteção ambiental nem é mencionada – a Bayer continuará a poder exportar seus agrotóxicos, proibidos na UE e perigosos para as abelhas, no futuro. Da mesma forma, não se busca uma lei correspondente, que então não poderia ser alterada tão rapidamente, aparentemente prefere-se reger por portaria, ou seja, esgotar as possibilidades jurídicas do parágrafo 25 da Lei de Proteção Vegetal. 

As ordenanças podem ser retiradas com relativa facilidade. E fala-se vago de “certos agrotóxicos”. O conteúdo da moção apresentada pelos Verdes e pela Esquerda em novembro de 2020 não está refletido no acordo de coalizão. Em vez disso, eles aparentemente querem governar por decreto, ou seja, exaurir as possibilidades legais da Seção 25 da Lei de Proteção de Plantas. As ordenanças podem ser retiradas com relativa facilidade. E fala-se vagamente de “certos agrotóxicos”. O conteúdo da moção apresentada pelos Verdes e pela Esquerda em novembro de 2020 não está refletido no acordo de coalizão. Em vez disso, eles aparentemente querem governar por decreto, ou seja, exaurir as possibilidades legais da Seção 25 da Lei de Proteção de Plantas. As ordenanças podem ser retiradas com relativa facilidade. E fala-se vago de “certos agrotóxicos”. O conteúdo da moção apresentada pelos Verdes e pela Esquerda em novembro de 2020 não está refletido no acordo de coalizão.

Proibição global vinculativa

Uma longa jornada exige um longo fôlego. Os esforços da rede de ação de agrotóxicos não se limitam à Alemanha, onde em 22 de junho de 2021, junto com Inkota, foram entregues ao governo federal 177 mil assinaturas exigindo a proibição das exportações. Uma campanha pelo banimento global dos HHPs está em andamento na PAN International há anos. O apelo correspondente já foi assinado por mais de 560 organizações de 111 países. No documento conjunto FAO-OMS sobre HHPs mencionado acima, são discutidas medidas para mitigar os efeitos negativos dessas substâncias. O fim do uso desses agrotóxicos por meio de ato administrativo é denominado “opção mais eficaz”. A FAO e a OMS já reconheceram que a proibição do HHP é necessária há anos.

Observações

1 A Classificação Recomendada pela OMS de Agrotóxicos por Perigo e diretrizes para a classificação, edição de 2019; apps.who.int/iris/rest/bitstreams/1278712/retrieve

2 FAO / OMS (2016): Diretrizes sobre Agrotóxicos Altamente Perigosos, Roma

3 Gaberell, L./Viret, G. (2020): Bilhões em vendas de agrotóxicos que são cancerígenos ou venenosos para abelhas. www.publiceye.ch/de/themen/pestizide/agrochemiekonzerne-machen-millionen-mit-krebserregend-pestiziden-oder-bienen-killern

4 PAN Alemanha (2019). Exportações tóxicas. pan-germany.org/download/giftige-exporte-ausfuhr-hochgefaehrlicher-pestizide-von-deutschland-in-die-welt

5 Boedeker, W. et al. (2020): A distribuição global de intoxicação aguda não intencional por agrotóxicos: estimativas baseadas em uma revisão sistemática. BMC Public Health 20, p. 1875

6 Baudry, J. (2018): Associação da frequência do consumo de alimentos orgânicos com o risco de câncer. JAMA Internal Medicine 178, pp. 1597-1606

7 Clausing, P. et al. (2021): Padrões duplos e toxinas agrícolas da Bayer e BASF. pan-germany.org/download/studie-doppelstandards-und-ackergifte-von-bayer-und-basf/

Peter Clausing é PhD em ciências agrícolas e toxicologia. Ele escreve sobre o tema da nutrição global e os perigos representados pelos agrotóxicos.

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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

Agrotóxicos voltam a intimidar os brasileiros e pacote do veneno pode ser votado a qualquer momento na Câmara

unnamed (42)Trator pulverizador em Barreiras, Bahia / © Victor Moriyama / Greenpeace

São Paulo, 14 de setembro de 2021 – A boiada da vez, o Projeto de Lei 6299/2002 conhecido como “pacote do veneno”, que visa flexibilizar e facilitar a liberação de fabricação e uso de agrotóxicos, pode ser votado no plenário da Câmara dos Deputados a qualquer momento.

De autoria do ex-senador Blairo Maggi, e já aprovado pelo Senado Federal, o projeto foi aprovado na Comissão Especial da Câmara em 2018, sob relatoria do Dep. Luiz Nishimori e pela presidência da Comissão da então Dep. Tereza Cristina (atual Ministra da Agricultura), mesmo sob intensa pressão da sociedade que naquele ano se mobilizou e quase 2 milhões de pessoas e diversas organizações públicas, se posicionaram contra. Na ocasião, mais de 20 órgãos públicos como a Fiocruz, Abrasco, Inca, Ibama e mais de 320 organizações da sociedade civil se manifestaram publicamente contra o pacote.

Agronegócio acima de tudo, agrotóxicos acima de todos!

No executivo, desde o começo do mandato de Bolsonaro, o governo vem ignorando a demanda da sociedade e liberando um número recorde de agrotóxicos, boa parte deles sendo altamente ou extremamente tóxicos e que estão também na lista de substâncias que já não são mais permitidas na União Européia. Já no legislativo, governistas e ruralistas encontram na Câmara, sob comando de Arthur Lira (PP – AL), a porteira aberta para passar mais essa boiada.

“Arthur Lira e os parlamentares ruralistas declararam guerra à sociedade e à natureza! O país, no caos em que se encontra, e os deputados pautando e aprovando projetos que nos prejudicam e colocam em risco nossas crianças e nosso futuro é no mínimo, absurdo. A sociedade não está dividida, ela não quer mais agrotóxicos e clama pela redução do uso dessas substâncias, não pelo aumento indiscriminado como prevê o pacote do veneno. Porém, Lira não quer saber, veneno é a boiada da vez e ele é o chefe da boiada”, afirma a porta-voz da campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace Brasil, Marina Lacôrte.

Para escancarar a mensagem que os governantes não querem ouvir: “agronegócio acima de tudo, agrotóxicos acima de todos”, um grupo de ativistas nesta quarta-feira,15, irá projetar a mensagem por meio de imagens em prédios, muros e avenidas de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Maceió, Belo Horizonte e Belém. A ação também será realizada em Lisboa (Portugal), Lviv (Ucrânia) e Berlim (Alemanha).

Dentre os argumentos para justificar a matéria, ruralistas alegam que mais agrotóxicos são necessários para combater a fome em voga, já que sem eles é impossível produzir. Entretanto, o argumento não se sustenta, tendo em vista que o Brasil tem batido recordes de produção de grãos para exportação e tem uma boa parte do PIB ancorado na economia de base agro exportadora, enquanto aproximadamente mais de 125 milhões de brasileiras e brasileiros passam por algum grau de insegurança alimentar em 2021. Além disso, é a agricultura familiar e a agroecologia que têm sido determinantes no combate à fome nesta grave crise enfrentada pelo país. É deste grupo que tem partido ações de solidariedade e distribuição de alimentos às comunidades mais vulneráveis, e não de empresas ou produtores que fazem parte do agronegócio

Se o PL do veneno for aprovado:

• Transfere todo o poder de decisão de aprovação de um novo agrotóxico para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tornando praticamente consultivas partes fundamentais do processo de avaliação e aprovação, como Ministério do Meio Ambiente e Anvisa, órgãos responsáveis pelos pontos mais importantes em jogo: saúde e meio ambiente;
• Garante o registro de substâncias comprovadamente cancerígenas. Atualmente ingredientes ativos que causam graves danos à saúde (teratogênicos, carcinogênicos, mutagênicos) são totalmente proibidos caso já tenha alguma evidência ou a partir do momento que demonstrem em novos estudos tais propriedades tidas como proibitivas. O pacote do veneno exclui esse texto e em troca diz que qualquer ingrediente pode ser liberado, desde que não apresentem “risco aceitável”, sem se quer definir aceitável;
• Muda o termo “agrotóxico” para “pesticidas” mascarando a nocividade dessas substâncias e não atendendo a realidade brasileira de baixa escolaridade no campo. O termo agrotóxico é amplamente conhecido por quem lida diariamente com essas substâncias e não foi adotado ocasionalmente na construção da Lei 7.802/1989, mas sim para colocar em evidência a toxicidade destas substâncias, representando perda de direito à informação correta;
• O PL também inclui conferir registro temporário sem avaliação para aqueles pesticidas que não forem analisados no prazo estabelecido pela nova Lei.

Tribunal de apelações rejeita oferta da Bayer para anular a perda do julgamento Roundup

Tribunal citou o “desrespeito imprudente” da Bayer/Monsanto pela segurança do consumidor

bayer monsanto

Por Carey Gillam para o USRTK

A proprietária da Monsanto, a Bayer AG, perdeu outra decisão do tribunal de apelações no amplo litígio do US Roundup, continuando a lutar para encontrar uma saída sob o esmagamento de dezenas de milhares de reivindicações alegando que os herbicidas à base de glifosato da Monsanto causam câncer.

Em uma decisão proferida na segunda-feira, o 1º Distrito de Apelação no Tribunal de Apelação da Califórnia rejeitou a oferta da Monsanto para anular a perda do julgamento em um caso apresentado pelos demandantes marido e mulher, Alva e Alberta Pilliod.

“Descobrimos que evidências substanciais apóiam os veredictos do júri”, afirmou o tribunal. “A conduta da Monsanto evidenciou um desrespeito irresponsável pela saúde e segurança da multidão de consumidores desavisados ​​que manteve no escuro. Este não foi um incidente isolado; A conduta da Monsanto envolveu ações repetidas ao longo de um período de muitos anos motivadas pelo desejo de vendas e lucro. ”

O tribunal rejeitou especificamente o argumento de que a lei federal antecipa tais reivindicações, um argumento que a Bayer disse aos investidores que oferece um caminho potencial para sair do litígio. A Bayer disse que espera conseguir que a Suprema Corte dos EUA concorde com seu argumento de preempção.

Em maio de 2019, um júri concedeu aos Pilliods mais de US $ 2 bilhões em danos punitivos e compensatórios depois que os advogados do casal argumentaram que ambos desenvolveram linfoma não-Hodgkin causado por muitos anos de uso de produtos Roundup.

O juiz reduziu o valor da sentença para US$ 87 milhões.

Ao apelar da perda, a Monsanto argumentou não apenas que as alegações de Pilliod foram antecipadas pela lei federal, mas também que as conclusões do júri sobre causalidade eram falhas, o tribunal não deveria ter admitido certas evidências e que “o veredicto é produto de má conduta do advogado . ” A Monsanto também queria que as indenizações por danos fossem reduzidas ainda mais.

Tribunal bate dura na Bayer/Monsanto

Na decisão do tribunal de apelações, o tribunal não alterou a sentença e disse que a Monsanto não havia demonstrado que a lei federal previa reivindicações como as feitas pelos Pilliods. O tribunal também disse que havia evidências substanciais de que a Monsanto agiu com “desrespeito deliberado e consciente pela segurança dos outros”, apoiando a concessão de indenizações punitivas.

A evidência mostrou que a Monsanto “falhou em conduzir estudos adequados sobre o glifosato e o Roundup, impedindo assim, ou distorcendo a investigação científica sobre o glifosato e o Roundup”, disse o tribunal.

O tribunal também castigou a Monsanto por não apresentar com precisão “todas as evidências registradas” ao fazer seu recurso: “Mas, em vez de declarar de forma justa todas as evidências relevantes, a Monsanto fez uma apresentação desequilibrada que se baseia principalmente nas evidências a seu favor. Este tipo de apresentação pode funcionar para um júri, mas não funcionará para o Tribunal de Recurso. ”

O tribunal acrescentou: “O julgamento descrito no relatório de abertura da Monsanto tem pouca semelhança com o julgamento refletido no registro.”

“Resumindo, as evidências mostram a intransigente relutância da Monsanto em informar o público sobre os perigos cancerígenos de um produto que disponibilizou abundantemente em lojas de ferragens e jardinagem em todo o país”, disse o tribunal.

Outro julgamento está em andamento 

O julgamento de Pilliod foi o terceiro contra a Monsanto. No primeiro julgamento, um júri unânime concedeu ao demandante Dewayne Johnson US $ 289 milhões o autor do  segundo julgamento recebeu US $ 80 milhões.

O quarto julgamento começou na semana passada. Um júri de sete homens e cinco mulheres na segunda-feira estava ouvindo depoimentos no caso Donnetta Stephens v. Monsanto no Tribunal Superior do Condado de San Bernardino, na Califórnia. O cientista aposentado do governo dos Estados Unidos, Christopher Portier, que foi perito dos demandantes em julgamentos anteriores do Roundup, testemunhou longamente na segunda-feira, reiterando o testemunho anterior de que há evidências científicas claras mostrando que o glifosato e as formulações à base de glifosato, como o Roundup, podem causar câncer.

A Bayer, que comprou a Monsanto em 2018, resolveu vários outros casos que estavam programados para ir a julgamento nos últimos dois anos. E em 2020, a empresa disse que pagaria cerca de US $ 11 bilhões para resolver cerca de 100.000 reivindicações de câncer Roundup existentes. No final do mês passado, a Bayer disse que reservaria outros US $ 4,5 bilhões para a responsabilidade de litígios do Roundup.

A Bayer também anunciou recentemente que deixará de vender o Roundup e outros herbicidas feitos com o ingrediente ativo glifosato para consumidores residenciais norte-americanos até 2023. Mas a empresa continua a vender os produtos para uso por agricultores e aplicadores comerciais.

fecho

Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pela US Right to Know (USRTK) [Aqui!  ].

“Pacote do Veneno” pode ser votado esta semana; mobilizações virtuais contrárias estão marcadas no Brasil todo

Foto_Leandro Molina

O chamado “Pacote do Veneno” (Projeto de Lei 6299/02) pode voltar a tramitar nesta semana no plenário da Câmara dos Deputados. O PL pretende flexibilizar ainda mais o uso de agrotóxicos no país. O avanço desta pauta se soma ao cenário preocupante em que mais de 2 mil agrotóxicos já foram liberados nos últimos quatro anos, um recorde negativo para a saúde humana e o meio ambiente.

De acordo com o deputado federal Elvino Bohn Gass (RS), líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, o projeto está pronto e pode ser votado a qualquer momento. “O apetite ruralista por pesticidas é insaciável. Não bastasse a postura frouxa de Bolsonaro, que já liberou centenas de produtos danosos à saúde e ao meio ambiente, a bancada ruralista está empenhada em aprovar o que eles chamam de “marco legal dos agrotóxicos” mas que, na verdade, é o PL do Veneno. Porque a intenção é legalizar, de vez, ritos flexíveis para novos agrotóxicos. É nessa boiada que eles pretendem fazer passar produtos que a lei atual proíbe porque há unanimidade científica em torno dos riscos que representam”, afirma.

Em contraposição ao PL 6299, parlamentares e dezenas de entidades integrantes da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida propõem a aprovação do PL 6.670/2016, que cria a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA). “Queremos tornar o Brasil um dos maiores produtores de alimentos saudáveis no planeta. Não podemos permitir que, também no campo, o negacionismo deste governo cause doenças e mortes”, completa Elvino Bohn Gass.

Mobilização da sociedade

Como parte das reações contra o Pacote do Veneno, na última semana 38 organizações e movimentos que compõem a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida enviaram uma Carta ao presidente da Câmara Federal, Arthur Lira, e aos líderes de bancadas e blocos no Congresso Federal, com argumentos contra o Pacote do Veneno e a favor da PNARA.
A Campanha também propõe que entidades, movimentos e bancadas também protocolem esse documento nos endereços de e-mail dos deputados e deputadas.
Para ampliar a mobilização, entidades e movimentos sociais farão seminários regionais virtuais, a partir desta semana. As ações estão previstas para ocorrer sempre às 18h e transmitidas pelas redes da Campanha, com o seguinte calendário:  
18/08 – Sul
25/08 – Centro-oeste
01/09 – Nordeste
08/09 – Norte
15/09 – Sudeste

“Nossa expectativa é de que as iniciativas regionais se enraízem nos estados, e incentivem o conhecimento e a defesa de políticas públicas de promoção à agroecologia e produção orgânica. A sociedade é contra esta enxurrada de veneno na produção de alimento”, garante Mirele Gonçalves, integrante da Campanha.  

Outra forma de participar da mobilização é por meio do abaixo-assinado pela aprovação da PNARA. Mais de 1,7 milhões de pessoas já aderiram ao manifesto.
Como subsídio para entender o Pacote do Veneno e também o seu contraponto, a PNARA, entidades produziram o Dossiê Contra o Pacote do Veneno e em Defesa da Vida, lançado no início de julho. O material também contribui como ferramenta de estudo e divulgação dos riscos em torno do PL 6299.

As iniciativas dão continuidade à “Mobilização Nacional Contra os Agrotóxicos e Pela Vida”, realizada entre 15 de junho e 5 de julho, por frentes parlamentares e movimentos sociais. A série de encontros aconteceu de forma virtual semanalmente, com contribuições científicas e das famílias agricultoras e organizações sociais que constroem a agroecologia nos territórios, para ampliar o diálogo com a população brasileira sobre os impactos dos agrotóxicos para a saúde humana e do ambiente.

O que propõem o Pacote do Veneno
Confira as principais mudanças, caso o PL fosse aprovado:
– “Agrotóxico” passará a se chamar “pesticida”, na tentativa de mascarar e encobrir a nocividade amplamente conhecida destas substâncias;
– A avaliação de novos agrotóxicos deixará de considerar os impactos à saúde e ao meio ambiente, e ficará sujeita apenas ao Ministério da Agricultura e aos interesses econômicos do agronegócio;
– Será admitida a possibilidade de registro de substâncias comprovadamente cancerígenas! E serão estabelecidos níveis aceitáveis para isto, embora não existam níveis seguros para substâncias que se demonstrem cancerígenas;
– A regulação específica sobre propaganda de agrotóxicos irá acabar;
– Será permitida a venda de alguns agrotóxicos sem receituário agronômico e de forma preventiva, favorecendo ainda mais o uso indiscriminado;
– Estados e municípios enfrentarão dificuldades para ter medidas mais restritivas, embora estas esferas tenham o dever proteger seu patrimônio natural.

O que propõem o PNARA

– Visa uma redução gradual do uso de agrotóxicos e estimula a transição orgânica e agroecológica;
– Propõe reavaliação periódica de registro das substâncias mais ágil e a cada 3 anos (hoje o registro é eterno e um processo de reavaliação leva anos, nos deixando expostos a agrotóxicos altamente tóxicos e que deveriam ser retirados de circulação); 
– Proíbe qualquer forma de aplicação próximo a áreas de proteção ambiental, de recursos hídricos, de produção orgânica e agroecológica, de moradia e de escolas. O que deveria já estar em prática;
– Redução contínua e gradual da aplicação de veneno por aeronaves.

Novo estudo encontra correlação entre exposição a agrotóxicos e tumores no sistema nervoso central em crianças

“As intervenções políticas para reduzir a exposição a agrotóxicos em indivíduos que residem perto de campos agrícolas devem ser consideradas para proteger a saúde das crianças”.

crianças agrotoxicos

Um novo estudo, o primeiro de seu tipo, encontrou evidências diretas que ligam a exposição a agrotóxicos a tumores do sistema nervoso central na infância. O estudo, que foi publicado na Environmental Research, foi usado “para estimar os efeitos de um grande número de agrotóxicos específicos em relação aos subtipos de tumor do Sistema Nervoso Central (SNC) ”.

A pesquisa examinou dados do Registro de Câncer da Califórnia em relação a certos tipos de casos de câncer em crianças nascidas entre 1998 e 2011, que viviam em áreas rurais, e descobriu que a exposição a agrotóxicos, tais como: Clortalonil, Bromacil, Tiofanato-Metila, Triforina, Cresoxim-Metila, Propiconazol, Dimetoato e Linuron, aumentou o risco de tumores no SNC.

“As intervenções políticas para reduzir a exposição a agrotóxicos em indivíduos que residem perto de campos agrícolas devem ser consideradas para proteger a saúde das crianças”, disse Beate Ritz, coautora e professora de epidemiologia da Fielding School of Public Health da UCLA.

O estudo identificou 667 casos de tumores do sistema nervoso central na infância e 123.158 controles e “comparou esses casos com dados do sistema de Relatórios de Uso de Agrotóxicos (PUR) do Departamento de Regulamentação de Agrotóxicos da Califórnia (CDPR) para identificar se os produtos químicos classificados como possíveis carcinógenos pelo Meio Ambiente dos EUA A Agência de Proteção (EPA) foi pulverizada a 2,5 milhas de suas casas no nascimento ”, relatou EcoWatch. Os pesquisadores determinaram que alguns dos agrotóxicos estudados tinham um risco aumentado de tumor em até 2,5 vezes.

O estudo também revelou que “além dos efeitos negativos dos agrotóxicos sobre a saúde dos trabalhadores, há um grande número de mulheres grávidas e crianças que vivem adjacentes aos campos tratados que também podem sofrer efeitos prejudiciais à saúde”, disse o autor e epidemiologista do Samuel Oschin do Comprehensive Cancer Institute no Cedars-Sinai Medical Center em Los Angeles.

“Nossos resultados sugerem que a exposição a agrotóxicos específicos pode explicar melhor os resultados de estudos anteriores que relataram relações entre tipos de agrotóxicos mais amplos e tumores no SNC”, disse Julia Heck,  também coautora do estudo.”

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Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pelo “Nation of Change” [Aqui!  ] .

Agrotóxicos no ar: estudo francês identifica 32 substâncias identificadas como “prioritárias” para controle

Os resultados da primeira campanha nacional realizada na França para medir a presença de agrotóxicos na atmosfera mostram a presença de glifosato e até produtos proibidos.

pulverizaçãoO Glifosato é pulverizado em um campo de milho no noroeste da França, em 11 de maio de 2018. JEAN-FRANCOIS MONIER / AFP

Por Stéphane Mandard para o Le Monde

Os agrotóxicos não são encontrados apenas na água ou nos alimentos, mas também poluem o ar que respiramos. Porém, se houver limites a serem excedidos em água e alimentos, eles não estarão sujeitos à supervisão regulatória no ar e, tampouco, a padrões de avaliação. Para avaliar melhor a exposição da população francesa e, finalmente, definir uma estratégia nacional de monitoramento de pesticidas na atmosfera, a Agência Nacional de Segurança Sanitária (ANSES), o Instituto Nacional de Meio Ambiente e Riscos Industriais ( Ineris) e a rede de Associações Aprovadas de Monitoramento da Qualidade do Ar (AASQA), federadas pela Atmo France, uniram forças para liderar a primeira Campanha Nacional de Pesticidas Exploratórios Nacionais (CNEP).

Os resultados foram divulgados quinta-feira, 2 de julho. No total, 75 substâncias diferentes foram identificadas, 32 das quais são consideradas “prioritárias” pela ANSES devido aos seus efeitos potencialmente cancerígenos ou de agirem como desreguladores endócrinos. Entre os produtos mais frequentemente encontrados estão o Glifosato, Folpel (mais conhecido como “fungicida da videira”) e o Lindano, um inseticida que é proibido na União Europeia desde 1998.

As amostras foram coletadas entre junho de 2018 e junho de 2019 em 50 locais espalhados por todo o território francês (França metropolitana, departamentos e regiões ultramarinas) e levando em consideração os diferentes tipos de áreas residenciais (50% dos locais) áreas urbanas-periurbanas e 50% rurais) e produção agrícola: lavouras de campo (26%), viticultura (18%), arboricultura (20%), jardinagem de mercado (10%), pecuária (6%). A grande maioria dos sensores foi, no entanto, colocada a mais de 150-200 metros do primeiro lote, o que exclui os residentes de propriedades agrícolas, os primeiros expostos, desta fotografia. Outro estudo realizado com a Public Health France, chamado PestiRiv, tem como objetivo avaliar a exposição de moradores de áreas vitícolas.

“Avalie rapidamente a situação do Lindano”

Cerca de 100.000 dados foram analisados. A partir dessa base, a ANSES estabeleceu “uma primeira interpretação da saúde” , que não pretende ser uma avaliação de risco. Essa análise não “destaca, à luz do conhecimento atual, um forte problema de saúde associado à exposição da população em geral pelo ar externo, fonte externa de emissão de proximidade” , deseja tranquilizar desde o início a agência. Uma afirmação que faz seus parceiros tossirem. A ANSES, no entanto, identifica trinta e duas substâncias prioritárias para as quais “investigações aprofundadas são necessárias” . Desses trinta e dois agrotóxicos, nove são proibidos. Para a ANSES, a prioridade é “avalie rapidamente a situação do Lindano”. A agência considera esse inseticida como “uma das substâncias mais perigosas (com efeitos cancerígenos e / ou reprotóxicos e / ou endócrinos)” . Apesar de proibido na agricultura desde 1998 (e em preparações contra piolhos ou pulgas desde 2006), o Lindano é a substância mais comumente encontrada: foi detectada em 80% das amostras (incluindo 98% na França continental).

Para a ANSES, é agora uma questão de identificar os motivos da persistência do Lindano no ambiente e, em seguida, estimar as exposições cumulativas pelas diferentes rotas (respiratórias, alimentares, cutâneas) e meios de exposição (fora do ar e do ar). interior…). A agência afirma que continuará “trabalho semelhante” para as outras oito substâncias proibidas (epoxiconazol, fenarimol, iprodiona, linuron, pentaclorofenol, clorotalonil, clorpirifós-etil e oxadiazon).

“A ANSES está abrindo portas “, comenta um especialista familiarizado com o assunto. É fácil lidar com produtos já proibidos, mas e todos os outros que ainda são amplamente utilizados? “ . Uma pergunta que se aplica principalmente ao glifosato. Listado como provável agente cancerígeno, o herbicida produzido pela Bayer, muito difamado atualmente, é a terceira substância mais comumente encontrada (56% das amostras). É uma das nove substâncias “frequentemente quantificadas”, ou seja, identificadas em pelo menos 20% das amostras, de acordo com a classificação adotada pela Ineris. Entre esses nove agrotóxicos, o glifosato é o que apresenta as menores concentrações médias anuais (0,04 ng / m 3 ) quando os outros são maiores que 0,12 ng / m3 . Mas eles são dificilmente mais fracos do que o lindane (0,06 ng / m 3 ).

“Acelere na supervisão regulatória sustentável”

E o Folpel? Utilizado contra o oídio, o “fungicida da videira” é classificado como cancerígeno, mutagênico e provavelmente reprotóxico pela Organização Mundial da Saúde. De todas as substâncias medidas na França continental, o Folpel é o agrotóxico com os mais altos níveis de concentração (1,03 ng / m 3 em média por ano), atrás do Prosulfocarbe (2,61 ng / m 3 ), um herbicida .

E as médias anuais nacionais dão uma indicação que pode ser enganosa. Escondem diferenças locais e variações sazonais significativas. Assim, a concentração média anual de folpel atinge 3 ng / m 3 , na zona vinícola. Concentrações que podem exceder 100 ng / m 3 semanalmente durante os períodos de tratamento da videira entre junho e setembro. Encontramos os mesmos picos com Prosulfocarbe e culturas de campo de outubro a dezembro e de abril a junho.

Isso não impede, para a ANSES, que  ainda seja necessário um trabalho adicional de especialização” para todas essas outras substâncias “prioritárias” . “Em algum momento, ainda teremos que acelerar o monitoramento regulatório de longo prazo de agrotóxicos no ar com valores de referência de saúde “, impaciente Emmanuelle Drab-Sommesous, diretora da Atmo Grand-Est e representante de pesticidas da Atmo- França. Medimos há vinte anos. “

Sem esperar, as associações de monitoramento da qualidade do ar recomendam a multiplicação dos locais de medição para produzir “informações locais,
confiáveis ​​e representativas”,
 essenciais em um contexto às vezes tenso; o estabelecimento de uma plataforma nacional para o registro de produtos fitofarmacêuticos para centralizar tanto a compra de agrotóxicos quanto seu uso, ou a inclusão do controle de agrotóxicos presentes ar nas políticas de saúde ambiental.

fecho

Este artigo foi escrito originalmente em francês e publicado pelo jornal Le Monde [Aqui!].