Façam suas apostas: quando a baronesa vai pular da barca petista?

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Carla Machado, uma deputada que sempre foi mais amiga do Porto do Açu do que as vítimas da desapropriação no V Distrito de São João da Barra

No dia 12 de outubro publiquei um texto do Douglas Barreto da Mata onde ele tecia uma análise precisa sobre as incongruências existentes na relação da ex-prefeita de São João da Barra, e atual deputada estadual, Carla Machado, com o Partido dos Trabalhadores (PT).

Essas incongruências ficaram ainda mais explícitas com adesão que eu julguei meio tresloucada à candidatura da Delegada Madeleine (do direitista União Brasil) em detrimento daquela oficialmente apoiada pelo PT, a do Professor Jefferson Azevedo.

Quiserem as urnas que o resultado eleitoral do Professor Jefferson fosse muito melhor do que esperavam os próprios petistas, o que o elevou a uma condição de pleiteante natural a uma vaga para concorrer a deputado estadual em 2026.

Diante deste cenário tão adversa que, convenhamos foi criado pela própria Carla Machado, eu fico me perguntando quando é que a deputada sanjoanense irá pular da barca petista e se encaminhar para, por exemplo, o da União Brasil com quem ela tem claramente mais alinhamento ideológico. Se isso acontecer, Carla Machado ainda poderá trocar figurinhas com a que candidata que ela apoiou cujo destino pós-eleições foi exatamente a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Então, quem se arrisca a um prognóstico?  Com a palavra, o Diretório do PT Campos que, em minha modesta opinião, já deveria ter mostrado a porta da rua para a deputada.

Ascensão e queda da baronesa de São João da Barra

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A deputada Carla Machado, então prefeita de Sâo João da Barra, no dia da entrega da Medalha Barão de São João da Barra ao ex-bilionário Eike Batista

Por Douglas Barreto da Mata

Não entendo o fetiche do PT regional com a deputada Carla Machado.  Justiça lhe seja feita, ela nunca esboçou qualquer tentativa de parecer progressista ou mais afeita a uma agenda de esquerda. Pensando bem, acho que entendo sim.  Afinal, há muitos anos, nem o próprio PT tem se esforçado nesse sentido, seja no Planalto, seja na planície.

Mesmo assim, não deixa de ser estranho ver duas candidaturas oriundas do MST no PT Campos dos Goytacazes, convivendo com uma personagem como a baronesa, ou de figuras (simplórias) do PT, dedo em riste, acusando este ou aquele político de bolsonarista ou direitista, tendo uma matriarca de direita como a baronesa no PT. 

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Reforma agrária às avessas: a então prefeita Carla Machado, sentada ao lado de Sérgio Cabral, olhando para as terras que seriam tomadas dos agricultores do V Distrito de São João da Barra para a instalação do natimorto Distrito Industrial de São João da Barra

Logo ela, uma das envolvidas por aquilo que pode ser chamada de maior reforma agrária invertida da história recente do país.  Ao invés de desapropriação de terras para benefício de muitos, no V Distrito de SJB se fez o inverso, desalojaram centenas de famílias para instalação do porto, e até hoje, há pendências no pagamento desses agricultores.  Uma vergonha.

Bem, muito tem se falado quem saiu menor ou maior desse pleito.  Eu diria que a baronesa deputada saiu muitíssimo menor que entrou. Antes, na pré campanha, tida e havida como carta na manga do grupo de oposição, reunido em torno dos Bacelar, a ponto do PT (linha auxiliar desse mesmo grupo) ter mantido a vaga da candidatura à prefeitura em aberto, até que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dissesse o que todos sabiam, a baronesa deputada também foi considerada um manancial de transferência de votos.

A candidata delegada e o candidato professor sonhavam herdar esse capital eleitoral, que, afinal, se diluiu entre os principais concorrentes, incluindo aí o atual prefeito reeleito.  Deste modo, à baronesa deputada restou um papel melancólico na campanha, que piorou ainda mais, mesmo que ninguém achasse ser isso possível, quando ela esfaqueou o PT pelas costas, subiu no palanque da delegada, e, pecados dos pecados, fazendo um discurso de desagravo ao ex-prefeito Rafael Diniz, o pior de todos os tempos.

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A subida da deputada Carla Machado no palanque da delegada Madeleine teve o efeito de matar duas campanhas nas eleições municipais de 2024

Em um movimento, como já disse em vários textos, neste blog, ela matou duas campanhas, a do PT, já moribunda, e da delegada, cuja base de apoio ficou sem saber se a delegada era mesmo de direita, como jurou ser, além de ressuscitar o “bode na sala” (Rafael Diniz), que foi cuidadosamente escondido pela coordenação das campanhas do PT e da delegada, que contavam com a amnésia do eleitor acerca da umbilical relação de todos com o governo desastroso do neto de Zezé Barbosa.

Ah, mas você se esqueceu da esmagadora vitória em São João da Barra, onde a sucessora e pupila da baronesa conseguiu uma votação histórica.  Bem, pode ser, mas tenho lá minhas dúvidas.  A julgar pelo número de votos alcançado pela prefeita reeleita, Carla Caputi, tudo indica que a baronesa deputada não seja mais a única referência de seu campo político na cidade, pois emergiu das urnas uma força autônoma, com condições e intenções de se desvincular da baronesa, em franco declínio.

A prova principal da queda da baronesa é a ridícula votação de seu irmão, Fred Machado, ex-presidente da Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes, que concorria à reeleição naquela casa. 

Campos dos Goytacazes parece ter rejeitado invasores como os deputados que aqui estiveram para despejar mais modos e truculência.  Rejeitou também a baronesa, que deverá correr de volta para SJB, sob pena de ficar sem espaço por lá também.

Aguardemos.

Carla Machado, como Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá. E o PT Campos arrisca ir junto

A então prefeita Carla Machado entregando a medalha de “Barão de São João da Barra” a Eike Batista

Esta postagem pode parecer uma sequência do preciso texto assinado pelo Douglas da Matta, e até certo ponto é, porque trata de uma mesma personagem, a ex-prefeita de São João e atual deputada estadual pelo PT, Carla Machado. Começo dizendo que sou do tempo em que a hoje deputada pelo PT era uma espécie de filial do chamado Garotismo nas terras que dão ao Brasil o conhaque de alcatrão São João da Barra. Depois por motivos que se tornaram óbvias, Carla Machado assumiu voo próprio e passou a fazer uma oposição visceral a Anthony Garotinho e seu grupo político.

Mas passada a introdução, eu tenho que dizer que Carla Machado foi uma personagem habitual no espaço deste blog desde sua criação em 2011 por um motivo que considero emblemático da sua trajetória pós-Garotismo que foi o processo de desapropriação de 7.500 hectares pertencentes a agricultores familiares para a implantação de um natimorto Distrito Industrial de São João da Barra que daria uma conformação produtiva ao Porto do Açu, empreendimento iniciado sob os auspícios de um grande amigo de Carla Machado, o ex-(des) governador Sérgio Cabral  (Aqui!, Aqui!, Aqui!, Aqui!).

Carla Machado foi uma figura instrumental não apenas para a Codin tomar terras cujas indenizações ainda não pagas, mas também para transformar terras que eram agrícolas em um grande latifúndio improdutivo, o que facilitou não apenas a instalação do Porto do Açu com Eike Batista, mas também todo o desarranjo social e produtivo que vigia no V Distrito de São João da Barra.

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Carla Machado e o então reitor do IFF, Jefferson Manhães na Feira de Oportunidades de 2019

As imagens abaixo mostram Carla Machado participando de uma espécie de divisão (neo) colonial do V Distrito com direito a poses com mapas que lembram muito o que as potências europeias fizeram na Ásia e na África no Século XIX.

O fato é que Carla Machado nunca foi cobrada por sua participação na tomada de terras de centenas de agricultores pobres que tiveram seu modo de produção e reprodução completamente dilacerados por um empreendimento que até hoje se mostra um pesado fardo para São João da Barra. As promessas de crescimento de empregos e da renda municipal não se confirmaram e o nível de miséria se manteve firme, mas Carla Machado continuou surfando nas boas ondas da política regional. O que ficou foi  salinização das águas continentais, erosão costeira, aumento dos problemas sociais, e perda da produção agrícola.

Uma das explicações para isso foi sua migração para o Partido dos Trabalhadores (PT) e sua eleição para deputada estadual, a despeito da trajetória anti-camponesa que ela construiu como uma das avalistas da tomada de terras pelo (des) governo de Sérgio Cabral. As cenas de agricultores idosos sendo removidos algemados de suas propriedades nunca resultaram na devida fatura política para Carla Machado e seu acolhimento nas hostes do PT serviu como uma espécie de indulto da qual ele se beneficiou alegremente.

Como alguém que trabalhou para conseguir o registro nacional do PT junto ao Tribunal Superior Eleitoral em 1982 subindo os morros na cidade do Rio de Janeiro para captar filiados, ver uma personagem como Carla Machado andando com a estrela no peito é não apenas fonte de desgosto, mas também de confirmação de que ter me retirado do partido a que ajudei a fundar foi um ato correto.  Mas como considero que existem militantes sinceros no PT de Campos, eu fico imaginando como eles estão se sentindo hoje com a ida de Carla Machado para a campanha da Delegada Madeleine, enquanto o partido tem um candidato no pleito, o Professor Jefferson Manhães.

Mas para além do desrespeito com a candidatura oficial do partido, o abraço de Carla Machado em outra candidatura de viés claramente mais à direita do espectro ocupado pelo PT torna ainda mais difícil o esforço que os membros da nominata de vereadores estão tendo que fazer para serem chances mínimas de eleição.  Curiosamente nesta nominata existem militantes do campo da reforma agrária, como no caso do Hermes Mineiro e do Mateus do MST. Pelo menos para esses, a boa notícia é que não terão a companhia de uma inimiga da agricultura familiar nas caminhadas em que estão gastando a sola do sapato e as cordas vocais para enfrentar alianças que possuem mais dinheiro para se viabilizarem.

Aliás, o aparecimento de jovens militantes que ainda acreditam no PT como instrumento de luta era uma das poucas coisas boas que eu pude ver no atual ciclo eleitoral. Agora, com essa guinada pró-Madeleine de Carla Machado, fico me perguntando se até isso não está sendo jogado pelo ralo.

Aí me parece que não apenas se deverá fazer o devido balanço do custo de ter se incensado uma política que é efetivamente uma alienígena dentro do PT e perdido tanto tempo em um esforço para viabilizar uma candidatura impossível.   Há que se tirar consequências práticas não apenas sobre o que fazer com Carla Machado após sua migração para a candidatura da delegada Madeleine, mas também para que se evite o mesmo tipo de vexame político no futuro.

Por onde anda Wally?

Por Douglas Barreto da Mata
Onde está Wally? Não, mesmo que você procure, você não vai encontrar Wally na foto abaixo.
wallyAliás, não é Wally que deveria estar na imagem, mas sim a deputada estadual Carla Machado.

Afinal, depois de ser a quase-ex-futura-candidata à prefeita pelo PT, e de juras de amor e fidelidade mútuas entre os petistas e a parlamentar, soa, no mínimo, intrigante o fato dela não estar na fotografia de convocação da Convenção do PT, ao lado de outras figuras proeminentes.

O PT, que poderia se chamar, no caso da deputada, de PG (porta giratória), parece que vai ter que sofrer para herdar as intenções de votos que deseja, e que estão no patrimônio político da deputada.

Ao que nos parece, a deputada recolheu “todos seus pertences”, e só não deixou o “lar” (partidário), por medo de ficar sem mandato. Assim, vão manter um “casamento de aparências”, sem qualquer laço de afinidade eleitoral. 

Os votos dela? Acho que o PT não vai ficar com nada, senão com as lembranças das promessas não cumpridas de “amor”. Porém, o que nos espanta não são essas conjecturas. Nada disso.

Espantosa é a falta de qualquer profissionalismo, de qualquer engenhosidade política, e permitir que se produza um material sem a deputada estadual, justamente ela que se dizia a referência de viabilidade do partido.

Ou seja, mesmo em um “casamento de aparências”, são necessárias certas formalidades, certos modos e salamaleques. E aqui, sim, entre a deputada e o PT tudo é o que parece ser. Enfim, por onde quer que se olhe, foi uma tragédia essa relação.

Pelo jeito, agora nem eu te ligo, nem você me telefona. Triste sina desse partido na cidade de Campos dos Goytacazes, e no Estado do Rio de Janeiro. Fazendo um trocadilho com os temas matrimoniais, um “péssimo partido”.

Esperando por Godot, o PT de Campos foi buscar lã e voltou tosquiado

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Por Douglas Barreto da Mata

O PT esperou Godot, e Godot não veio.

A tática do partido, em sua seção local de Campos dos Goytacazes, em emplacar a candidatura da Deputada Estadual Carla Machado, ex-prefeita de SJB, não deu certo. Deu a lógica, e o TSE confirmou o que todos sabiam, que um prefeito de município vizinho (limítrofe) não pode concorrer a um terceiro mandato na cidade ao lado, mesmo que tenha renunciado ao cargo no meio do segundo mandato.

Defendi essa tese no programa da Rádio Aurora, com meus amigos Léo Puglia e José Alves, e disse na ocasião que mesmo que houvesse uma mudança de entendimento da jurisprudência, ela não poderia valer neste pleito, dada sua natureza normativa e de amplo espectro, isto é, o novo entendimento alteraria, significativamente, a situação jurídica de vários interessados.

Ressalte-se que tais renovações têm se tornado tão comuns na Justiça brasileira, que já são chamadas de F5 (aquele comando do computador para atualização da página). É certo, como já apontou o juiz Nunes Marques, acompanhado de outro, que há chance de reexame do tema. Não é esse o assunto aqui, que merece até outro texto. Quero falar de outra questão.

O fato de que o PT se transformou em um partido-ônibus ou partido hospedeiro. Incapaz de elaborar uma estratégia política de médio e longo prazos, carente de quadros e de renovações destes quadros, a legenda repete os mesmos erro, enquanto espera resultados diferentes. Impossível.

O PT optou sempre por ser rabo de elefante, a ser cabeça de mosquito, e agora não faz diferente.  Em lugar de traçar um caminho próprio, ainda que modesto, o PT de Campos prefere embarcar nos projetos do anti-garotismo local, sem perceber que esse garotismo se alterou, com a atual administração do prefeito Wladimir Garotinho, mas mesmo assim, mantém sua indiscutível hegemonia.

Seria o momento de manter alguma interlocução com o atual prefeito?  Os petistas podem argumentar, com certa razão, que o atual prefeito simboliza hábitos políticos da direita, e ele mesmo admite isso, e que tal circunstância tornaria qualquer conversa um incômodo.

Há também cicatrizes históricas no embate do PT com a família Garotinho, certamente, com culpas para todos.  Porém, o fato é que parte dos antagonistas que o PT escolheu para se associar, como um partido auxiliar, agora retornam ao ninho garotista, como a família Vianna, dentre outros, todos recrutados pela extrema habilidade do atual prefeito Wladimir, que transita com facilidade nas esferas superiores de comando do próprio PT.

Para levar adiante esse plano equivocado, a nosso ver, o PT foi procurar aconchego nos rivais do atual prefeito, que nem de longe podem ser identificados como progressistas, os Bacellar, ele mesmo presidente estadual do União Brasil, aliado do governador bolsonarista, que administra o estado onde essa facção política joga quase todas as suas fichas, junto com SP.

Então, vamos combinar, a questão não é ideológica ou apego ao histórico de lutas do partido.  No campo do cálculo eleitoral, há ainda a constatação de que os aliados que o PT procurou, os Bacellar, apesar de terem uma dimensão estadual considerável e nada desprezível, na cidade de Campos dos Goytacazes carecem de maior densidade, o que pode ser comprovado na ausência de um nome de peso do grupo para concorrer com o prefeito que tenta reeleição.

Se fosse, com certeza, a candidata não seria Carla Machado, que entrou e saiu do partido como se ali houvesse uma “catraca livre”, servindo-se da legenda sem trazer nada em troca, ou quase nada. Na trajetória da deputada, nada que se identifique com o PT, ao contrário, ela foi a patrocinadora de primeira hora de um dos maiores escândalos financeiros e da política nacional, protagonizado por Eike Batista e sua “grilagem” do V Distrito de SJB, onde até hoje as populações locais sofrem os efeitos do desterro, da salinização da água e do solo, e das violências praticadas em nome da propriedade portuária instalada ali.

Como se não bastasse, mesmo SJB sendo uma das cidades com maior orçamento per capita do país, com quase 1 bi para 2025 e 36 mil habitantes, o que dá R$ 27.777,00 por habitante, a cidade ostenta o maior nível de pessoas abaixo da linha da pobreza do Estado, e claro, do país.

O PT desperdiçou, novamente, um belo quadro, Jefferson Azevedo, ex reitor do IFF, ou sequer fez um debate de alianças, partindo para um adesismo barato, uma espécie de prostituição chamada, eufemisticamente, de “pragmatismo”.  Não!  Pragmatismo é quando se cede para ganhar algo.  E o PT não ganhou nada com Carla Machado, nem com os Bacellar, ou se ganhou, ninguém quis contar, e não ousamos dizer a razão do segredo.

Agora, o partido espera eleger ao menos um vereador. Pouco provável. Sem uma cabeça de chapa digna desse nome, que pelo menos mantivesse a densidade nos estratos eleitorais que já votaram no PT, ou da esquerda, é muito difícil.

Ao mesmo tempo, o ressurgimento das lutas campesinas poderia oferecer ao PT uma base de apoio social, mas o partido parece anêmico.  Agarra-se no SindiPetro/NF, um sindicato que parece atônito com a gestão privatista que foi colocada pelo Governo Lula na Petrobrás, cujo plano de ação em nada parece resgatar o aspecto crucial da estatal, ao contrário, domesticado pelo mercado, Lula, o seu governo, o PT e a Petrobrás adernam para o naufrágio iminente.

Agora, Inês está morta.  O PT de Campos foi buscar lã e voltou tosquiado.

E Godot? Será que vem?

Um infeliz aniversário: desapropriações do Açu completam 10 anos e centenas de agricultores continuam abandonados

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Poucos devem lembrar, mas um muito (in) feliz aniversário foi completado no dia 15 de dezembro de 2020, afetando as vidas de centenas de agricultores familiares que viviam e produziam nas terras tomadas pelo (des) governo de Sérgio Cabral para a implantação de um natimorto distrito industrial em São João da Barra. As terras tomadas por Sérgio Cabral e entregues ao ex-bilionário Eike Batista estão hoje sob controle da Prumo Logística Global que aufere milhões anualmente em troca do aluguéis salgados.

Fonte: Blog do professor Roberto Moraes

A persistente injustiça contra os agricultores familiares que hoje vivem em condições difíceis em áreas espalhadas pelas localidades de Água Preta, Mato Escuro e Barra do Açu é evidenciada pela completa paralisia em que se encontram centenas de processos de desapropriações firmados pela Companhia de Desenvolvimento Industrial (Codin) que reconhecidamente não possui sequer o orçamento para pagar as indenizações devidas a quem teve as terras tomadas.  A Codin só não sofre mais porque os processos estão em sua ampla maioria acumulando poeira na sede do fórum de São João da Barra.

Advogados familiarizados com o drama dos agricultores se sentem impotentes para dar o devido e necessário apoio aos que permanecem sem qualquer perspectiva de avanço no processo de pagamento das indenizações que o estado do Rio de Janeiro, na figura da Codin, deveria já ter pago, visto que uma década já transcorreu desde que o drama dos agricultores foi mostrado até pela grande mídia internacional.

O interessante é que no âmbito do governo municipal de São João da Barra permanece um silêncio sepulcral, em que pese a prefeita Carla Machado (PP) ter sido uma parceria preferencial, tanto de Sérgio Cabral quanto de Eike Batista na ágil remoção dos agricultores de terras que ocupavam há várias gerações.  Ninguém pode se esquecer da famosa cerimônia de entrega da Medalha Barão de São João da Barra por Carla Machado a Eike Batista, enquanto famílias inteiras eram tocadas para fora de suas pequenas propriedades por uma combinação de forças policiais regulares e seguranças privados do Grupo EBX.

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Cerimônia de entrega da “Medalha Barão de São João da Barra” realizada pela prefeita Carla Machado para “paparicar” o ex-bilionário Eike Batista

Por essa situação toda é que não se pode deixar de frisar que essa década foi perdida também para o município de São João da Barra que perdeu boa parte de seu celeiro agrícola para uma empreitada que não tem nenhuma cara que sairá das lâminas de Powerpoint que Eike Batista adorava projetar para políticos parceiros e investidores incautos.

Como fiz amizades com muitos agricultores que viveram a experiência de serem ejetados à força de suas terras, e lembrando que vários deles morreram sem receber as indenizações devidas, considero que é um completo ultraje o estado de profunda paralisia em que se encontra a tramitação dos processos referentes às desapropriações.  Minha expectativa é que cedo ou tarde (mais cedo do que tarde) tenhamos a devida mobilização para fazer justiça aos agricultores do V Distrito de São João da Barra.

Carla Machado, uma prefeita de braços dados com o Porto do Açu e de costas para os agricultores do V Distrito

O site oficial da Prefeitura Municipal de São João da Barra publicou um press release dando conta da parceria firmada pela prefeitura Carla Machado (PP) com o Porto do Açu (leia-se Prumo Logística Global) no âmbito da Feira de Oportunidades que está ocorrendo no campus centro do Instituto Federal Fluminense (ver imagem abaixo).

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Ainda que essa parceria não seja recente, pois vem desde os tempos o ex-bilionário Eike Batista era merecedor até da concessão da medalha “Barão de São João da Barra“, não deixa de ser peculiar todo o empenho da prefeita Carla Machado para se colocar como uma aliada preferencial do Porto do Açu.

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Eike Batista recebendo a homenagem de Carla Machado, em 2008 Foto: Divulgação

É que sorte bem diferente vem sofrendo desde 2010 as centenas de famílias de agricultores familiares que tiveram suas terras expropriadas pelo ex (des) governador e atual hóspede de unidade prisional,  Sérgio Cabral, as quais vivem até hoje no mais completo abandono e sem receber um mísero tostão do que lhes é devido pelo estado (ver vídeo abaixo contendo o documentário “O Preço do Desenvolvimento” de Danilo Barreto).

Pelo jeito o lema de Carla Machado é “de braços com a Prumo Logística, enquanto ficamos de costas para os agricultores do V Distrito”.

 

Rafael Diniz e Marcão Gomes faltam na posse de Fred Machado e abrem espaço para a prefeita de São João da Barra brilhar

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Já se sabe que o jovem prefeito Rafael Diniz e o vereador Marcão Gomes (PR) formam uma dupla inseparável. O que ninguém aparentemente esperava, ao menos os presentes ontem na Câmara de Vereadores de Campos dos Goytazes, é que os dois dessem um chá de sumiço na posse do aliado de primeira, o vereador Fred Machado (PPS).

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A prefeita de São João da Barra e irmão do novo presidente da Câmara de Vereadores, Carla Machado, que é mais treinada para não sumir em momentos como esse, acabou sendo a estrela da noite, ouvindo inclusive conclamações para que se candidate para substituir Rafael Diniz a partir de 2021.

Além disso, como de boba não tem nada, Carla Machado postou logo imagens da cerimônia de posse de seu irmão na sua página pessoal na rede social Facebook (ver imagem abaixo).

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Em minha modesta opinião, alguém precisa informar à dupla de “gazeteiros” que não se falta em cerimônias como a de ontem, sob pena de se alienar aliados, especialmente quando a popularidade já se está em baixa, como é o caso do jovem prefeito de Campos dos Goytacazes.

Carla Machado e Rafael Diniz: um só sorriso, uma só política neoliberal

 

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Num nada impossível diálogo imaginário dos dois grandes amigos Carla Machado (PP) e Rafael Diniz (PPS) o que poderiam estar eles tricotando acerca de suas últimas ações nas prefeituras de Campos dos Goytacazes e São João da Barra? 

Eu pessoalmente apostaria que a conversa recairia sobre uma espécie disputa que os dois andam travando para ver quem corta mais recursos para os programas sociais voltados para os segmentos mais pobres das populações de suas respectivas cidades.

O duro será definir qual dos dois amigos conseguiu prejudicar mais os que dependiam dos programas que agora viraram poeira.  

Alguém se arrisca a escolher um vencedor?

Conflito agrário no Porto do Açu: um dia após anúncio de contrato milionário com o Porto de Antuérpia, PM retira agricultores de propriedade reocupada

Se existe um aspecto que explicita bem as contradições que cercam o megaempreendimento portuário iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista no município de São João da Barra, litoral norte do Rio de Janeiro, são as relações de custo e benefício que cercam o chamado Porto do Açu.

É que enquanto a mídia corporativa local dá a boa notícia para os atuais controladores do Porto do Açu de que irão receber US$ 10 milhões em troca de aluguéis de terras e uso do chamado Terminal Mlticargas [Aqui!] a partir de um contrato com o Porto Antuérpia Internacional (PAI), os agricultores que tiveram suas terras expropriadas por valores irrisórios e até hoje não foram pagos continuam sentindo a mão pesado do Estado. E a coisa vai mais ou menos assim: para o Porto do Açu vai o PAI, para os agricultores fica estado PADRASTO.

Coincidência ou não (aliás, a estas alturas do campeonato, quem ainda acredita em coincidências?) nem precisou mais de 24 horas após os belgas do PAI começarama sua viagem de volta para a Europa para que a justiça de São João da Barra, apoiada em forte contingente policial, fizesse cumprir o mandado de reintegração de posse determinado pelo juiz Paulo Maurício Simão Filho da 1a. Vara Cível de Sao João da Barra há exatos 12 dias [Aqui!] (ver imagens abaixo). Há inclusive informes que agricultores foram retirados da área algemados, repetindo cenas que têm marcado a expropriação de terras feitas no V Distrito de Sâo João da Barra.

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Interessante notar que enquanto cumpre fielmente um corolário de políticas ultraneoliberais na Prefeitura de São João da Barra, a prefeita Carla Machado ainda arruma tempo para ocupar em tempo integral o papel de sicerone oficial do Porto do Açu. A partir de uma clara escolha de que lado está, a prefeita Carla Machado continua ignorando solenemente a situação crítica em que estão muitas das famílias que tiveram suas terras entregues a Eike Batista, o seu seu ídolo empresarial anterior a quem concedeu, inclusive, a mais alta honraria do município de São João da Barra, a medalha Barão de São João da Barra (ver imagensda cerimônia de entrega logo abaixo).

Agora, uma pergunta que não quer calar: quanto será que os belgas do PAI irão pagar pelo aluguel de cada metro quadrado que deverão ocupar no interior do Porto do Açu? É que enquanto a Prumo Logística vai acumulando milhões em aluguéis, os agricultores do V Distrito continuam totalmente abandonados à própria sorte. 

Depois não me venham dizer que isto está sendo feito em nome do desenvolvimento econômico de São João da Barra.  É que ao que vemos sendo executado com a cobertura da PM tem outro nome segundo o geógrafo David Harvey: acumulação por espolição. E adivinhem quem são os acumuladores e quem são os espoliados!