Que diria Carlos Marighella da chapa presidencial do capitão e do general?

Sou um feliz portador de uma cópia do livro “Marighella, o guerrilheiro que incendiou o mundo” do jornalista Mário Magalhães.  Como tive a oportunidade de organizar lançamento da obra na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), lembrei hoje de uma das muitas histórias curiosas que constam da obra de Mário Magalhães, e que ele compartilhou com a plateia que esteve presente no evento realizado na Sala de Multimídia do Centro de Ciências do Homem.

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Essa história, aliás, estava imortalizada na página 424 do livro, e narra um encontro frustrado entre Carlos Marighella e Carlos Lamarca onde o líder da Aliança Libertadora Nacional não conseguiu que sua organização e a Vanguarda Popular Revolucionária lançassem um documento comum, apesar da concordância do seu interlocutor.  O que impediu a assinatura do documento que indicaria uma unidade política entre a ALN e a VPR foi a oposição de Onofre Pinto, outra liderança da organização comandada por Lamarca.

marighella

O fracasso da negociação teria então irritado Marighella, já que Onofre Pinto era sargento, enquanto Carlos Lamarca era capitão. Em função disso, Marighella teria dito que “nunca vi capitão obedecer a sargento“.

Pois bem, passados 39 anos daquele momento crucial na luta armada contra o regime militar, temos uma chapa presidencial que tem um capitão concorrendo a presidente, enquanto a vice-presidência é pleiteada por um general.

bolsonaro

Não tendo como não notar a semelhança na inversão hierárquica, eu me pergunto sobre o teria Carlos Marighella a dizer sobre a chapa Bolsonaro/Mourão.  Certamente teria muito mais a dizer do que simplesmente notar a evidente inversão hierárquica.

Ato em homenagem à memória de Carlos Marighella

marighella

Amanhã, em São Paulo: nesta quarta-feira, 4 de novembro, o assassinato de Carlos Marighella completa 46 anos. Velhos e novos companheiros do guerrilheiro que incendiou o mundo prestarão uma homenagem à sua memória. A partir das 10h, no mesmo local onde ele foi morto por agentes da ditadura (alameda Casa Branca, altura do número 800).

FONTE: https://www.facebook.com/282900591824287/photos/a.282913841822962.66111.282900591824287/884347898346217/?type=3&theater