Diretor do DCE responde à docente apoiador da chapa 11 que assemelhou sua decisão de apoiar Passoni e Teresa ao peleguismo da UNE

caravana

Recebi pelo e-mail do blog, uma mensagem na forma de um pedido de resposta do diretor do DCE/UENF, Gilberto Gomes, que foi acusado por pelo menos um docente apoiador da chapa 11 de ter começado a trilhar o caminho do peleguismo da direção da União Nacional dos Estudantes (UNE) por ter ele declarado o seu apoio à chapa 10 formada pelos professores Luís Passoni e Teresa Peixoto.

Como este blog é um espaço aberto aos que normalmente não tem direito à voz, decidi postar a resposta do Gilberto Gomes por dois motivos: 1) que o tipo de adjetivação que lhe foi imposta por simplesmente ter tomado a decisão de apoiar a chapa 10 não é compatível com a democracia, especialmente num espaço universitário, e 2) por saber de sua firmeza de propósito em defender os interesses dos estudantes da UENF que têm sido tão prejudicados pelo alinhamento da reitoria da Uenf com os seguidos (des) governos que vem tentando destruir a nossa universidade.

Ao Gilberto Gomes a minha total solidariedade, agradecendo ainda a sua firmeza de propósito em defesa dos interesses coletivos na Uenf. E como ele mesmo diz, os cães ladram, mas a caravana passa.

Precisamos desconstruir o mito de que “quem luta não tem capacidade para administrar a Uenf

gilberto gomes

Precisamos mais do que nunca desconstruir a ideia de que para lutar por direitos, não podemos estar alinhados em ideias com aqueles que podem realizar as mudanças. Estar em posição de reivindicante é algo que não deve, ou, ao menos não deveria, mudar de acordo com momentos mais ou menos oportunos.

De fato, ser oposição é consequência quando a dita situação não cumpre seu papel, e faz com que o reivindicante tome posições mais radicais, estas por sua vez, também criticadas quando convém.

O interessante disto tudo é exatamente a última palavra do paragrafo anterior: convém. Convém ao crítico optar por criticar aquilo que vai contra seus interesses, suas vontades. Nada mais óbvio. Mas isto nos leva a um questionamento: cabe a este crítico julgar como irá se portar o reivindicante?

– Trocando em miúdos –

A diminuição na combatividade da UNE é reflexo não somente de um processo de alinhamento com o atual governo, mas também de rompimento com governos anteriores ao reconhecer que tratavam a educação de nível superior no Brasil como sucata, no mais amplo sentido da palavra. Coube ao governo que apoiaram/apoiam cumprir diversas demandas estudantis, principalmente as relacionadas ao acesso. O que falta à UNE é continuar a cumprir seu papel de reivindicante por diversas outras pautas urgentes e necessárias que não deve adormecer. 

Porém, é muita pretensão de alguém que, nem ao menos me conhece, querer julgar como irei me portar caso o candidato que apoio seja eleito, visto que essa não é uma escolha simplesmente pessoal, mas pensada no coletivo ao reconhecer as incapacidades do outro candidato, com o qual também terei que dialogar caso eleito.

Enquanto estiver como diretor do DCE-Uenf, representarei os interesses dos estudantes e somente eles. Enquanto aluno, defendo e reitero minha posição de apoio à chapa 10 de Passoni e Tetê. 

Mas já que me cabe um direito de resposta, respondo com outra pergunta: quais dos que apoiaram as desastrosas últimas gestões da Uenf tiveram a coragem de lutar por nossa universidade? CONIVENTES foram estes, e AUTORITÁRIOS são os que tentam impedir o livre direito daqueles que democraticamente fazem uma escolha! Quaisquer argumentos que tentem desqualificar aqueles que optam por apoiar a chapa 10 são nítidas posições de ataque.

Garanto que minhas ações passam longe de qualquer proximidade com estes questionamentos repressores e não-construtivos. FORA AUTORITÁRIOS!

Os cães ladram, mas a caravana passa.

Gilberto A. Gomes, Diretor DCE-Uenf Gestão 2015.

A prática como critério da verdade ou… porque votarei na chapa 10 para as eleições da reitoria da UENF

passoni & teresa

Ao longo dos últimos quase 18 anos em que estou trabalhando na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), ouvi que certas coisas eram impossíveis de acontecer e depois o que aconteceu de fato quando a comunidade universitária se mobilizou. Seleciono umas poucas para marcar um ponto:

1.     A demissão e cooperativação forçada numa cooperativa existente dentro da Faculdade Filosofia de Campos de um grupo de quase 30 professores da Uenf é a única saída porque o Anthony Garotinho mandou.  NÃO ERA E OS PROFESSORES RETORNADOS À FOLHA DE PAGAMENTO DA UENF POR ORDEM DO GAROTINHO!

2.     A autonomia da UENF em relação à FENORTE nunca vai acontecer porque o Garotinho não quer.   A AUTONOMIA ACONTECEU COM O GAROTINHO COMO GOVERNADOR!

3.    A quebra do regime de Dedicação Exclusiva (DE) é a única forma de se garantir ganhos salariais para os professores da Uenf porque essa é a posição do secretário de Planejamento e Gestão, Sérgio Ruy. NÃO ERA E ISSO FOI DESMENTIDO PELO PRÓPRIO SÉRGIO RUY!

4.    Qualquer ganho salarial virá na forma de um adicional porque o Sérgio Ruy disse que só pode ser assim. O REAJUSTE VEIO NO VENCIMENTO INICIAL DE CADA DOCENTE, APESAR DO SÉRGIO RUY SER CONTRÁRIO!

O elemento comum em todas essas situações é que a posição do governo de plantão foi derrotada por uma reação organizada, combativa e propositiva da comunidade universitária da Uenf!

Agora, vemos um esforço para esconder outro aspecto dessa situação: a de que sempre tivemos que ser perseverantes frente às ameaças de desmanche que este ou aquele governo comprometido com o ensino privado quis impor à Uenf.

Eu também acho interessante notar que a evolução dos argumentos usados contra o candidato a reitor pela chapa, Prof. Luís Passoni, ao longo dessa curta campanha eleitoral. Ainda que não dito publicamente aqui nessa lista, já se questionou a capacidade científica dele. Depois que esse elemento foi superado no debate público, agora rola de forma subliminar o questionamento de que ele é um sindicalista e que seria errado colocar uma pessoa com esse perfil para dirigir a Uenf. Ah, e que ele seria um radical e movido por ideologia partidária.

Pois bem, o que se oculta com esse debate é que todo presidente da Associação de docentes da Uenf (Aduenf) de quem eu tenho memória ocupou sempre um papel dual de ser dirigente sindical e continuar com suas atividades normais dentro da Uenf, inclusive aquelas relacionadas às chefias de laboratório, coordenações de curso, e atividades docentes. 

E em todas as vezes que o Passoni ocupou cargos na diretoria da Aduenf, ele também exercia algum cargo na administração fosse dentro do LCQI ou no CCT.  Aliás, a própria participação dele na sustentação do curso à distância de Química dentro do Cederj tem sido pouco explorada até por ele em suas falas.

E à parte de eventuais momentos em que se irrita o Passoni sempre se mostrou uma pessoa sempre disposta a ouvir exaustivamente todas as posições, e seguir democraticamente as decisões coletivas. E mesmo naquelas que as suas posições foram claramente derrotadas, é preciso que se diga.  Um exemplo é sobre o uso do instrumento da greve, ao qual ele sempre resiste e procura soluções alternativas. Aliás, se ninguém nunca se perguntou a ideia das idas à Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj) para estabelecer mecanismos permanentes de diálogo com governo e oposição foi do Passoni lá pelas bandas de 2003. E de lá para cá se tornou o modelo pelo qual arrancamos sucessivas conquistas, como a verba que foi usada para construir o bandejão.

Quero lembrar que na recente e surpreendente vitória do professor Roberto Leher para a reitoria da UFRJ, a primeira reação que eu notei entre alguns apoiadores da chapa apoiada pela reitoria da Uenf foi de inconformismo com a vitória de um docente que possui uma posição acadêmica e de pesquisador diametralmente oposta ao que se faz hoje na universidade brasileira.   Depois ouvi comentários de que o professor Roberto Leher não seria nomeado pelo MEC porque era muito “radical”. 

E não é que o professor Roberto Leher já tomou posse no MEC e já instalado na cadeira de reitor está tentando tirar a UFRJ do imenso buraco em que a instituição foi colocada por uma forma, digamos “menos combativa” de se relacionar com o governo federal?

Que ousemos ser ousados como a UFRJ foi, e optemos por uma transformação na forma de gerir a Uenf. Essa parece ser a saída mais apropriada não apenas para superar um modelo de gestão fracassado, mas também para  garantir os recursos que precisamos para fazer a Uenf  funcionar num cenário político e econômico completamente adverso.