Eleições na UENF: o adorável mundo novo da chapa 11 e a realidade que ela não mostra

Ainda que não haja qualquer pesquisa científica sendo realizada acerca das intenções de voto nas eleições para a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que ocorrerão nos dias 01 e 04 de agosto, a campanha eleitoral da chapa 11 dá indícios que percebe que seus candidatos se encontram em dificuldade. Uma pista disso é a página oficial da chapa 11 no Facebook que vem se esmerando em apresentar um desenho gráfico de excelência para nos prometer uma “UENF com qualidade”.

Vejamos dois exemplos dessa excelência gráfica da campanha da chapa 11:

campo 0Chapa 11 prometendo que “veio para transformar a UENF”, tendo no fundo uma produção visual com o campus Leonel Brizola que transmite um sentido futurístico.

Na segunda imagem que segue abaixo, o que temos é um suposto compromisso com a “a qualidade”.

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Propaganda da chapa 11 que promete “alta qualidade” utilizando uma estudante que não deve sequer ter visitado o Brasil em sua vida, mais parecendo um daqueles posters produzidos por universidades norte-americanas para atrair estudantes.

Esse esforço de imagem procura esconder vários aspectos básicos do envolvimento dos professores que compõe a chapa 11 com as administrações dos reitores Almy Junior e Silvério Freitas que eles agora prometem “transformar”

edmilson silverio -convenio-unifluReunião no gabinete do  reitor Silvério Freitas com a presença dos professores Edmilson Maria (então diretor do CCT) e do Professor Antonio Amaral (então Pró-reitor de Pós-Graduação).

Mas mostrar esse continuísmo entre as reitorias de Almy Junior e Silvério Freitas que a chapa 11 representa é pouco para mostrar aos potenciais eleitores. Assim, mostro imagens que colhi recentemente numa unidade de experimental que a Uenf mantem na cidade de Campos dos Goytacazes, onde colhi depoimentos que mostram o que de fato acontece aos que constroem a nossa universidade todos os dias, e que não aparecem nas propagandas estilosas da chapa Edmilson-Amaral.

campo 1Bezerros que são usados nos experimentos recebem diariamente ração de alta qualidade e possuem até um bebedouro próprio que aparece ao fundo da imagem.

 Mas e a condição que os servidores que cuida com o maior zelo desses animais? Abaixo um pequeno comodo mostrando o único sofá existente na unidade para possível descanso dos servidores

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Se a situação das  condições para descanso já são lamentáveis, vejamos a situação do bebedouro que foi disponibilizado para uso dos servidores dessa área e as condições em que o mesmo se encontra a poucos dias da eleição em que a chapa 11 promete “transformar a UENF”!

campo 3Bebedouro e tanque sem utilização porque a reitoria da UENF nunca realizou a ligação dos mesmos com a rede de abastecimento de água.

E os estudantes de carne e osso que ajudam a construir a Uenf como uma das melhores universidades brasileiras da atualidade? Esses padeceram nos últimos anos, com a presença do candidato a vice-reitor da chapa 11 na gestão da reitoria que ele agora diz querer transformar, de todos os tipos de desrespeito, a começar pelo atraso no pagamento de bolsas acadêmicas. Isto acabou ocasionando ao longo de 2015 uma série de manifestações legítimas do movimento estudantil uenfiano, inclusive com o fechamento das entradas do campus Leonel Brizola em Campos dos Goytacazes.

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Estudantes fecham o campus Leonel Brizola em 2015 para protestar contra o atraso crônico no pagamento de bolsas acadêmicas.

Para completar os problemas dos alunos presenciais também no sistema Cederj existem uma série de problemas que hoje dificultam a vida dos estudantes, a começar pela demora na entrega  material didático impresso, o que contraria toda a estrutura de aprendizagem e, acima de tudo, contraria a própria propaganda oficial. Isto sem falar no fato de que quando algum estudante procura se informar sobre quando o material será entregue, a resposta é “Quanto a distribuição do material didático, impresso, não é de responsabilidade desta Coordenação e Tutoria.

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A propaganda do Cederj diz que os estudantes com material didático. No caso de muitos estudantes de EAD da Uenf, isso é só propaganda mesmo!

O fato é que a distância entre as promessas glamourosas da chapa 11 e a realidade em que a Uenf está colocada neste momento é abissal. Afinal, se não fizeram até agora, vão fazer depois de eleitos por quê? Talvez por isso, apesar dos esforços, a propaganda da chapa 11 só tenha conseguido convencer poucos até o momento. É que não basta propaganda bonita, há que se trabalhar com respeito e transparência para mudar a realidade. Simples assim!

 

 

Eleições na UENF: debate organizado pelos sindicatos aconteceu, apesar do boicote da chapa 11

A tarde desta 4a.feira (22/07) serviu para a realização de um importante debate acerca das eleições que ocorrerão para a reitoria da Universidade Estadual do Norte (Uenf) no próximo dia 04 de agosto. A organização deste debate que ficou a cabo dos sindicatos que representam estudantes, servidores técnicos e professores (DCE, Sintuperj e Aduenf) lamentavelmente foi boicotado pelos membros da chapa 11 (professores Edmilson Maria e Antonio Amaral) que se recusaram a comparecer com alegações objetivamente insustentáveis.

O que poderia ter sido um debate sem maiores cobranças aos candidatos da chapa 10 (professores Luís Passoni e Teresa Peixoto) acabou servindo para que membros dos três segmentos fizessem perguntas objetivas e diretamente relacionadas a problemas que efetivamente hoje impedem o pleno desenvolvimento das potencialidades que a Uenf possuem. E este parece ter sido o principal ganho para todos os que lá foram e que, de forma objetiva, desmontaram a tentativa de boicote da chapa 11 a um debate poderia ter sido mais rico se seus membros não tivessem fugido da discussão.

Abaixo imagens do debate que ocorreu na quadra do Prédio E-1 no campus Leonel Brizola.

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Da conversa que tive com várias pessoas presentes no debate surgiram duas questões principais:

1) Quem se nega a debater com os sindicatos antes de eleitos, vai debater depois de eleito?

2) Quem não consegue encontrar disposição para debater com os sindicatos, vai debater com o governo do Rio de Janeiro em condições de firmeza?

Eleições na UENF: pressionada pelo andamento da campanha, chapa 11 foge do debate organizado pelos sindicatos

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Com desculpas esfarrapadas, os membros da chapa 11, professores Edmilson Maria e Antonio Amaral enviam documento avisando que não comparecerão ao debate organizado pelas entidades sindicais da UENF. Amarelaram ou é mesmo a prova cabal de indisposição para o debate democrático? 

Trabalho como professor na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) desde janeiro de 1998 e comecei a e participei do processo de reorganização  da Associação de Docentes da Uenf- Aduenf (sindicato que representante os professores nas negociações com o governo do Rio de Janeiro) em meados de 1999. Desde então tentei contribuir com a Aduenf em diferentes funções dentro dos organismos decisórios que existem em nosso sindicato. Participei de centenas de assembleias ao longo desses 16 anos, muitas delas em momentos cruciais não apenas para os interesses corporativos dos professores.

Lembro que o principal momento de atuação da Aduenf e das demais organizações representativas de servidores não docentes e estudantes foi a belíssima luta pela autonomia universitária da Uenf que ocorreu entre os anos de 2000 e 2001. Naquela luta memorável pela criação de fato da Uenf, que até então não possuía existência jurídica, os sindicatos foram decisivos para que o então governador Anthony Garotinho concedesse a nossa autonomia em relação à Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte) que até então era quem geria todos os aspectos da vida institucional da nossa universidade. Aliás, do movimento da autonomia, gosto sempre de lembrar aos mais novos dentro da universidade que o movimento foi iniciado pelos estudantes. Outro episódio mais recente, mas igualmente memorável, foi a mobilização realizada para impedir a quebra do regime de Dedicação Exclusiva dos professores, onde a unidade de todos os segmentos que compõe a nossa comunidade universitária impediu o esfacelamento do modelo de docência idealizado por Darcy Ribeiro.  

Como participante, e não como mero observador, da história da Uenf e, por extensão da Aduenf, posso dizer que jamais presenciei um pronunciamento dos professores Edmilson Maria e Antonio Amaral em quaisquer assembleias da Aduenf ou das organizadas de forma conjunta com as demais entidades que representam servidores não docentes e estudantes! E olha que o professor Edmilson Maria chegou na Uenf em 1996 e o professor Antonio Amaral em 1997, como atestam seus currículos depositados na Base Lattes do CNPq.  No caso do professor Edmilson Maria ele sequer é associado da Aduenf. Já o professor Antonio Amaral, em que pese ser associado, compareceu em raríssimas ocasiões nas assembleias da Aduenf. Aliás, na última vez que compareceu, ainda como pró-reitor da gestão comandada pelo reitor Silvério Freitas, foi para votar o fim da greve ocorrida em 2014!

Pensei que esta campanha eleitoral me daria a oportunidade de pela primeira vez ouvir os dois fora da seara dos organismos dirigentes da Uenf onde estão presentes quase desde quando chegaram no campus Leonel Brizola.  É que as entidades representativas de estudantes, servidores técnicos e professores organizaram um debate que ocorrerá nesta 4a. feira (22/07), onde poderíamos ouvir as posições das duas chapas aos problemas concretas que afligem o cotidiano da Uenf, começando pelo necessário reajuste de salários e bolsas acadêmicas, cujos valores estão claramente corroídos por um processo inflacionário que pode ser baixo, mas é persistente.

Mas qual é o meu desapontamento ao ler o documento abaixo, onde com base em desculpas esfarrapadas, os membros da chapa 11 avisam que vão fugir do debate organizado de forma democrática pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), pelo Sintuperj/Uenf e pela Aduenf

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Entretanto, apesar de desapontado, não posso dizer que estou surpreso. É quem esteve presente, por exemplo, nas diversas manifestações que lacraram a entrada do campus Leonel Brizola nos últimos anos pode testemunhar que os membros da chapa 11 não foram exatamente entusiastas das atividades que explicitavam os diferentes aspectos da crise que aflige a Uenf. Também pudera, esta crise está diretamente ligada à forma que a atual reitoria, com a qual os dois estão alinhados politicamente, é a executora no plano interno.

Creio que a melhor lição que se poderá dar aos membros da chapa 11 é encher a quadra de esportes do prédio E-1 para inquirir e ouvir respostas das chapas que lá aparecerem. Se só os professores Luís Passoni e Teresa Peixoto decidirem honrar o convite feito pelas entidades que representam os interesses de estudantes, servidores técnicos e professores, os membros da chapa 11 só terão a si mesmo a culpar.

 

Eleições na UENF: chapa 11 muda layout de campanha para conter o tsunami da mudança representada por Passoni e Teresa

A equipe de produção visual da chapa formada pelos professores Edmilson Maria e Antonio Amaral, que contam com o apoio efetivo do reitor Silvério Freitas e do ex-reitor Almy Junior, acabam de lançar uma novidade no layout na página oficial que a campanha mantém na rede social Facebook.

A mudança parece sutil, mas não é. À guisa de comparação, vejamos a primeira versão do layout do topo da página.

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Essa versão enfatiza a figura dos dois candidatos da chapa 11, e não mencionou qualquer elemento referente à mudança, um tema que tem sido um dos motes da chapa encabeçada pelos professores Luís Passoni e Teresa Peixoto que são de oposição à atual gestão comandada por Silvério Freitas, a mesma em que Antonio Amaral foi o Pró-Reitor de Pós-Graduação por quase a integralidade da gestão, saindo apenas para se candidatar com Edmilson Maria.

Confrontada com a rejeição existente dentro da Uenf em relação à gestão catastrófica de Silvério Freitas que nos primeiros meses de 2015 atolou-se numa crise profunda, principalmente em função dos atrasos seguidos no pagamento de bolsas acadêmicas, atraso esse que permanece para um número significativo de bolsistas, a chapa 11 agora produziu um novo layout que foi ao ar no final da noite deste sábado (11/07).

Captura de tela 2015-07-11 23.51.19Esse novo layout esconde de forma esperta os candidatos que já foram identificados como ligados â gestão de Silvério Freitas, e lançam mão de um uso subliminar da vontade generalizada de mudança que existe dentro da Uenf. Agora, Edmilson e Amaral falam em “uma nova UENF com qualidade”, e se esquecem de mencionar que sempre estiveram próximos do grupo que vem controlando a Uenf nos últimos 12 anos.

Mas não há layout que possa esconder que Antonio Amaral foi secretário-geral da reitoria na gestão de Almy Junior e Pró-reitor na de Silvério Freitas, onde participam de forma direta de muitas das decisões anti-democráticas e opacas que ajudaram a criar uma disposição de mudar o estilo de gestão que ameaça retirá-los do poder.

Assim, não há nem que se deixar enganar pela fala mansa, promessas ou, tampouco, por um layout cujo principal objetivo é manter a Uenf sob um profundo véu de ignorância, de modo a impedir a correta análise dos fatos, condição principal para impedir que as pessoas votem na chapa 10.

A verdade é que no modelo de gestão que Edmilson Maria e Antonio Amaral vem participando de forma ativa, não há layout bonito que dê jeito. Afinal de contas, falta de transparência e submissão crônica ao (des) governo Pezão só resolve com disposição para trabalhar de forma exaustiva e autônoma. E isso só a chapa encabeçada por Passoni e Teresa Peixoto tem capacidade para fazer acontecer.