Eleições na UENF: pressionada pelo andamento da campanha, chapa 11 foge do debate organizado pelos sindicatos

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Com desculpas esfarrapadas, os membros da chapa 11, professores Edmilson Maria e Antonio Amaral enviam documento avisando que não comparecerão ao debate organizado pelas entidades sindicais da UENF. Amarelaram ou é mesmo a prova cabal de indisposição para o debate democrático? 

Trabalho como professor na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) desde janeiro de 1998 e comecei a e participei do processo de reorganização  da Associação de Docentes da Uenf- Aduenf (sindicato que representante os professores nas negociações com o governo do Rio de Janeiro) em meados de 1999. Desde então tentei contribuir com a Aduenf em diferentes funções dentro dos organismos decisórios que existem em nosso sindicato. Participei de centenas de assembleias ao longo desses 16 anos, muitas delas em momentos cruciais não apenas para os interesses corporativos dos professores.

Lembro que o principal momento de atuação da Aduenf e das demais organizações representativas de servidores não docentes e estudantes foi a belíssima luta pela autonomia universitária da Uenf que ocorreu entre os anos de 2000 e 2001. Naquela luta memorável pela criação de fato da Uenf, que até então não possuía existência jurídica, os sindicatos foram decisivos para que o então governador Anthony Garotinho concedesse a nossa autonomia em relação à Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte) que até então era quem geria todos os aspectos da vida institucional da nossa universidade. Aliás, do movimento da autonomia, gosto sempre de lembrar aos mais novos dentro da universidade que o movimento foi iniciado pelos estudantes. Outro episódio mais recente, mas igualmente memorável, foi a mobilização realizada para impedir a quebra do regime de Dedicação Exclusiva dos professores, onde a unidade de todos os segmentos que compõe a nossa comunidade universitária impediu o esfacelamento do modelo de docência idealizado por Darcy Ribeiro.  

Como participante, e não como mero observador, da história da Uenf e, por extensão da Aduenf, posso dizer que jamais presenciei um pronunciamento dos professores Edmilson Maria e Antonio Amaral em quaisquer assembleias da Aduenf ou das organizadas de forma conjunta com as demais entidades que representam servidores não docentes e estudantes! E olha que o professor Edmilson Maria chegou na Uenf em 1996 e o professor Antonio Amaral em 1997, como atestam seus currículos depositados na Base Lattes do CNPq.  No caso do professor Edmilson Maria ele sequer é associado da Aduenf. Já o professor Antonio Amaral, em que pese ser associado, compareceu em raríssimas ocasiões nas assembleias da Aduenf. Aliás, na última vez que compareceu, ainda como pró-reitor da gestão comandada pelo reitor Silvério Freitas, foi para votar o fim da greve ocorrida em 2014!

Pensei que esta campanha eleitoral me daria a oportunidade de pela primeira vez ouvir os dois fora da seara dos organismos dirigentes da Uenf onde estão presentes quase desde quando chegaram no campus Leonel Brizola.  É que as entidades representativas de estudantes, servidores técnicos e professores organizaram um debate que ocorrerá nesta 4a. feira (22/07), onde poderíamos ouvir as posições das duas chapas aos problemas concretas que afligem o cotidiano da Uenf, começando pelo necessário reajuste de salários e bolsas acadêmicas, cujos valores estão claramente corroídos por um processo inflacionário que pode ser baixo, mas é persistente.

Mas qual é o meu desapontamento ao ler o documento abaixo, onde com base em desculpas esfarrapadas, os membros da chapa 11 avisam que vão fugir do debate organizado de forma democrática pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), pelo Sintuperj/Uenf e pela Aduenf

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Entretanto, apesar de desapontado, não posso dizer que estou surpreso. É quem esteve presente, por exemplo, nas diversas manifestações que lacraram a entrada do campus Leonel Brizola nos últimos anos pode testemunhar que os membros da chapa 11 não foram exatamente entusiastas das atividades que explicitavam os diferentes aspectos da crise que aflige a Uenf. Também pudera, esta crise está diretamente ligada à forma que a atual reitoria, com a qual os dois estão alinhados politicamente, é a executora no plano interno.

Creio que a melhor lição que se poderá dar aos membros da chapa 11 é encher a quadra de esportes do prédio E-1 para inquirir e ouvir respostas das chapas que lá aparecerem. Se só os professores Luís Passoni e Teresa Peixoto decidirem honrar o convite feito pelas entidades que representam os interesses de estudantes, servidores técnicos e professores, os membros da chapa 11 só terão a si mesmo a culpar.

 

Um pensamento sobre “Eleições na UENF: pressionada pelo andamento da campanha, chapa 11 foge do debate organizado pelos sindicatos

  1. George Maia disse:

    A nota de esclarecimento foi deveras… curiosa. Os representantes do DCE e da ADUENF declaram apoio a chapa 10 pelo fato de terem garantia constitucional de liberdade de expressão e de escolha. Ou não ?

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