EUA tentam subornar outros países para entrar no movimento anti-China: editorial do China Daily

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Em um movimento um tanto bizarro, uma vez que as travessuras de Washington geralmente não são tão abertamente expostas, o governo americano parece ter recorrido a pagar para que outros países se juntem à sua campanha de pressão contra a empresa de telecomunicações chinesa Huawei, e mais amplamente a China.

Na terça-feira, Washington se ofereceu para financiar a compra por empresas de telecomunicações brasileiras de equipamentos produzidos por empresas não chinesas, com funcionários da US International Development Finance Corporation, do US Export-Import Bank e do National Security Council dizendo a repórteres que havia financiamento disponível para cumprir este objetivo.

O fato de a suposta delegação comercial dos Estados Unidos em visita ao Brasil ser chefiada pelo conselheiro de Segurança Nacional Robert O ‘Brien, e não pelo representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, é o bastante para denunciar o caráter da visita. Embora este último tenha deixado bem claro, dizendo que há um elemento China “em tudo o que todos nós fazemos”, e Washington estava “preocupado” com os investimentos chineses no país e queria contrabalançar a influência da China excluindo a Huawei e investindo no Brasil indústrias de aço, etanol e açúcar.

Embora o Brasil pareça disposto a confiar sua autonomia comercial, senão sua segurança nacional, aos Estados Unidos – para atingir as necessidades políticas do próprio presidente Jair Bolsonaro e não nação – os Estados Unidos têm um orçamento limitado para atrair outros países para o seu lado, e outros possíveis beneficiários da generosidade de Washington saberão agora que podem negociar com firmeza por sua cumplicidade.

Funcionários do Exim Bank disseram que a instituição tem 20%  de sua carteira de US $ 135 bilhões disponíveis para negócios comerciais com empresas que desejam fazer parceria com os EUA como parte de seu chamado Programa sobre a China e Exportações Transformacionais, lançado em julho de 2020.

O programa, que o presidente do Exim Bank Kimberly A. Reed chamou de “uma das iniciativas mais significativas na história de 86 anos do Exim Bank”, nada mais é do que uma folha de figueira para autorizar o governo Trump a usar fundos governamentais para atrair outros países a aderir EUA na tentativa de “neutralizar” a competição das empresas chinesas.

A política de dinheiro por conivência é mais um sinal da perda de confiança dos EUA em suas habilidades de liderança e na competitividade de suas empresas.

Em uma amarga ironia, enquanto Washington está subornando tão generosamente outros países para embarcarem em sua onda anti-China, os governos locais nos EUA estão clamando por financiamento do governo federal para pagar pela atualização da infraestrutura muito necessária, especialmente novas redes de telecomunicações.

Como o maior parceiro comercial de bens com mais de 120 países, o comércio exterior da China foi de US $ 4,74 trilhões no ano passado, entre os quais quase metade foi de importações de produtos agrícolas, matérias-primas e energia, que são as principais exportações dos países de origem.

Os países tentados a seguir o exemplo do Brasil devem ter em mente que os EUA podem não ter dinheiro ou mercado para substituir a China.

Embora eles possam ser tentados pelas notas verdes oferecidas, eles devem pesar os ganhos e perdas de aceitar tais contratos deixe-me-pagar-a-conta, pois eles virão com restrições.

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Este editorial foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo China Daily [Aqui!].

Enquanto Brasil afronta, EUA vendem soja para a China

As últimas semanas têm sido caracterizadas por uma série de ataques de membros da família Bolsonaro contra a China, percebida como um dos componentes de uma pretensa ameaça comunista ao Brasil [1]. Isto em que pese a China ser atualmente o primeiro parceiro comercial do Brasil, sendo inclusive o principal mercado para a soja, principal commodity da agricultura brasileira.

Pois bem, eis que hoje (13/12), o jornal China Daily publicou uma matéria informando que a China irá realizar uma grande aquisição de soja, só que dos EUA [2].  Esta compra será segundo o China Daily, uma espécie de porta voz extra oficial do governo chinês, uma demonstração de boa vontade da China para com os EUA no processo de retomada de negociações para resolver as pendências comerciais existentes entre os dois países.

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Como se pode verificar de apenas esta única aquisição que beira o valor de US$ 180 milhões, o governo Trump pode até arreganhar os dentes para a China, mas não tem como desprezar o potencial de consumo do mercado chinês. E aí o que conta é a necessidade de vender produtos, e a ideologia que se dane.

A coisa é que a geopolítica da trocas capitalistas não tem mais (se algum dia já teve) espaço para amadores. E seria bom que o governo Bolsonaro entendesse isso logo na relação com a China. Do contrário, quem vai acabar sendo isolado do mercado chinês de soja será o Brasil. Aí eu gostaria de ver o que diriam os latifundiários que ajudaram a eleger Jair Bolsonaro.


[1] https://www.brasil247.com/pt/247/poder/376943/Chanceler-informal-Eduardo-Bolsonaro-amea%C3%A7a-rela%C3%A7%C3%A3o-Brasil-China.htm

[2] http://www.chinadaily.com.cn/a/201812/13/WS5c127dbaa310eff303290e56.html

China Daily: Bolsonaro diz que ampliará laços comerciais com os “comunistas” chineses

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Uma das muitas mancadas cometidas pelo presidente eleito do Brasil no pós-eleitoral foi colocar ainda mais em risco a relação comercial com a China, país que hoje é um dos principais parceiros comerciais do Brasil.

A repercussão negativa das declarações dadas durante a campanha serviram para azedar mais o humor dos dirigentes do Partido Comunista Chinês (PCC) que já estava azedo por causa de uma visita realizada por Jair Bolsonaro à Taiwan.

Pois bem, para dar uma amainada no humor dos “comunistas” chineses, o presidente eleito recebeu o embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang.  Esse encontro foi largamente noticiado pela mídia corporativa brasileira.

Mas ao ler a matéria publicada pela China Daily (o mesmo jornal que havia publicado um artigo notando o desconforto dos dirigentes do PCC com o presidente eleito), vi que as declarações dadas ao embaixador chinês vão no sentido diametralmente oposto do que Bolsonaro expressa para seus eleitores em relação à China.  É que segundo o China Daily (ver matéria  completa abaixo [1]), Bolsonaro teria declarado que “seu governo buscará ativamente ampliar e ampliar os laços de cooperação com a China e fortalecerá o relacionamento bilateral.”

Assim, a China que já domina o comércio de commodities agrícolas e minerais, bem como tem participações significativas em portos e hidrelétricas, terá ainda muito negócios a fazer no Brasil, e com as bençãos de um governo que foi eleito com um suposto viés nacionalista. Mas um nacionalismo do tipo “pero no mucho“.

Bolsonaro, presidente eleito do Brasil, destaca laços com a China*

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Jair Bolsonaro, legislador de extrema-direita e candidato presidencial do Partido Social Liberal (PSL), gesticula em uma assembleia de voto no Rio de Janeiro, Brasil, em 28 de outubro de 2018. [Foto / Agências]

RIO DE JANEIRO – O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, disse na segunda-feira que o Brasil atribui grande importância às relações com a China e considera a China como um “grande parceiro de cooperação”. 

Bolsonaro fez as declarações em uma reunião no Rio de Janeiro com o embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang. 

Bolsonaro, que deve assumir o cargo em janeiro, disse que seu governo buscará ativamente ampliar e ampliar os laços de cooperação com a China e fortalecerá o relacionamento bilateral. 

O principal representante da China no Brasil disse que seu país está disposto a trabalhar com o Brasil para promover o desenvolvimento contínuo de sua parceria estratégica abrangente baseada no respeito mútuo, igualdade e benefício. 

Unir forças para buscar a cooperação ganha-ganha cumpriria o objetivo de melhorar o bem-estar de ambos os países e fortalecer a cooperação entre os dois mercados emergentes, acrescentou Li.

* Artigo publicado originalmente em inglês [1]