Na surdina, Cláudio Castro, o governador por acaso do RJ, decreta a militarização da rede Faetec

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Em uma materialização do velho adágio que diz que “de onde nada se espera é que não sai nada mesmo”, o governador acidental do Rio de Janeiro decidiu decretar a militarização da rede de ensino técnico, ao impor via o  DECRETO Nº 48.003 DE 23 DE MARÇO DE 2022, que em um período de 90 dias a criação ” das Escolas Técnicas Cívico-Militares do Estado do Rio de Janeiro” (ver imagem abaixo).

faetec militarizada

Para traduzir em miúdos o que Cláudio Castro (um ilustre desconhecido transformado em governador pela derrubada do governador Wilson Witzel) está tentando fazer, basta pensar em unidades escolares centenárias como o Instituto Superior de Educação Professor Aldo Muylaert (ISEPAM) em Campos dos Goytacazes ou o Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro na capital do estado tendo que repentinamente abandonar suas trajetórias históricas para se transformarem objetivamente em unidades de reprodução de uma ideologia militarizada de educação, preparando assim uma geração de futuros mestres que serão formados sob o peso dos coturnos militares.

Que Cláudio Castro vinha fazendo movimentos para apelar para os setores mais ligados ao presidente Jair Bolsonaro, isto já estava claro em suas muitas viagens a redutos bolsonaristas onde tentou, e continua tentando, chamar para si um capital eleitoral que nunca teve. Mas, convenhamos, a militarização da rede Faetec é um pouco demais até para um estado que se acostumou a viver em um ambiente político completamente degradado.

Obviamente existirão aqueles que saudarão a chegada dos comandantes militares nas escolas técnicas do Rio de Janeiro.  Para estes há uma ilusão de que o problema da nossa juventude não é falta de horizontes profissionais, mas de disciplina e códigos firmes de conduta. Entretanto, eu presumo que mesmo dentro do comando da Polícia Militar do Rio de Janeiro haverá quem ache que este é um tremendo presente de grego (lembrando o Cavalo de Tróia), na medida em que a realidade das escolas técnicas é altamente complexa, e marcada pelo abandono e escassez de recursos. Isto sem falar na complexidade dos processos formativos que ocorrem na rede Faetec, nenhum deles afeitos à disciplina militar.

Um dos maiores problemas que eu vejo na concepção de que militarização é sinônimo de melhoria do quer que seja no âmbito escolar é que tal sistema não é proposto para as escolas particulares, especialmente naquelas em que estudam os filhos das elites.  A verdade é que nas escolas destinadas aos filhos das classes dirigentes o receituário seguirá modelos mais ligados aos conceitos formulados por Paulo Freire que são voltados para a construção de formas libertárias de pensamento, enquanto para os estudantes oriundos da classe trabalhadora se aplicará regras do adestramento militar, destinando-os a obedecer sem pensar.

A verdade inescapável é que esse decreto não pode ser tolerado, aperfeiçoado nem minimizado pelo impacto que criará na formação técnica e no desenvolvimento da juventude pobre do Rio de Janeiro. Esse decreto tem que ser contestado em todos os níveis para que chegue muito rapidamente a uma lata de lixo, único lugar que um instrumento tão regressivo e tão antagônico ao direito de uma escola pública de qualidade, democrática e inclusiva.

E que nas próximas eleições se trabalhe muito para retornar Cláudio Castro à obscuridade da qual ele nunca deveria ter saído. Simples assim!