Sai pesquisador, entra empresário bolsonarista: troca na presidência da Faperj causa repentino e amargo acordar na comunidade científica fluminense

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O futuro presidente da Faperj, Alexandre Valle,  desfilando em carro aberto em companhia do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2024

Estou vendo uma série de manifestações e mobilizações em torno da demissão do Professor Jerson Lima do cargo de presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e sua substituição pelo empresário do ramo de seguros, Alexandre Valle, que também é ex-deputado federal e ex-secretário estadual de Educação. De quebra, Valle foi recentemente derrotado como candidato a prefeito de Itaguaí, apesar do apoio explícito do ex-presidente Jair Bolsonaro de quem é aliado.

Ainda que eu entenda e apoie as demandas para a permanência de um pesquisador à frente da Faperj (afinal faz sentido que um pesquisador dirija uma fundação de amparo à pesquisa), eu não vejo nenhuma surpresa nessa substituição. 

Além disso, considero essa troca menos grave do que ter desde junho como secretário de Ciência e Tecnologia, o deputado Anderson Moraes, que em 2021 propôs a extinção da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), sob a alegação de que a instituição era muito cara para os cofres do Rio de Janeiro.

Eu não me recordo de ter ouvido ou lido a ocorrência do mesmo tipo de reação, o que considero um erro óbvio, na medida em que, como secretário de Ciência e Tecnologia, Moraes está hierarquicamente acima do presidente da Faperj.

O que me ocorre é que enquanto o cargo de secretário de Ciência e Tecnologia há muito tempo é daqueles que sobra para quem não quer efetivamente sentar na cadeira, a presidência da Faperj possui uma capacidade de alavancagem  política que é dada pela sua capacidade de financiamento. Mas se esse movimento tivesse ocorrido quando a nomeação de Moraes ocorreu, é muito provável que Cláudio Castro teria pensado melhor antes de mexer na Faperj.

A minha expectativa é que essa troca na Faperj sirva como alerta para os problemas que existem no tratamento da ciência e tecnologia no estado do Rio de Janeiro sob a égide de um governo claramente de direita, e sem quaisquer compromissos com o desenvolvimento científico e tecnológico.

Afinal, como se pode esperar mar de almirante com uma figura como Cláudio Castro sentada na cadeira de governador? A mim me parece que sempre estaremos mais para mar revolto. Que essa troca esdrúxula no comando da Faperj sirva para acordar quem ainda conseguia dormir em berço esplêndido. Afinal,  o cenário me parece claro: a Faperj corre grave risco sob a mãos de um empresário/político com laços claros 

Serafini impetra ação civil pública para impedir desvio de recursos do RioPrevidência decretado por Cláudio Castro

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O deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) impetrou na última sexta-feira (20/09) uma ação civil pública (ACP) para fazer cessar os efeitos do a suspensão imediata dos efeitos do Decreto Estadual nº 49.292/2024 por meio do qual o governador Cláudio Castro realizou desvio de recursos do fundo próprio de previdência dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro (o RioPrevidência) para pagamento da dívida pública estadual.

Em sua ação civil pública, Serafini alerta para os graves danos que serão causados à sustentabilidade financeira do RioPrevidência e, consequentemente, aos serviços públicos estaduais aposentados ou não, caso o Decreto Estadual nº 49.292/2024 não seja suspenso imediatamente.

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O deputado Flávio Serafini alega na ação que “a edição de Decreto pelos Réus autorizando a si mesmos a sacar quase cinco bilhões de reais do fundo de uma autarquia destinada a pagar as pensões e os proventos de aposentados que trabalharam a vida inteira servindo ao Estado do Rio de Janeiro, desvia completamente da finalidade do ato administrativo, chegando a ser iníqua e de má-fé“.

Na ação, Serafini também afirma que “não há dúvidas de utilizar o regime próprio de previdência social para financiar o Estado do Rio de Janeiro viola a moralidade administrativa, ferindo a boa-fé e o bem comum, uma vez que milhares de pessoas que trabalharam e contribuíram por décadas terão a sua subsistência ameaçada com a iminente ausência de pagamento de suas aposentadorias“.

A ação agora passará pela devida análise por parte da justiça, estando o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro citado para que se envolve na ação caso deseje, após ser intimado a tomar conhecimento.

Quem desejar ler a íntegra da ACP impetrada pelo deputado Flávio Serafini, basta clicar [Aqui!].

Via decreto, Cláudio Castro promove sangria no RioPrevidência e ameaça o pagamento de pensões e aposentadorias

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Cláudio Castro, ao lado do presidente da Alerj, na cerimônia de inauguração da UTE Marlim Azul

Enquanto o estado do Rio de Janeiro continua concedendo centenas de bilhões de isenções fiscais para as quais não se vê qualquer retorno para o seu desenvolvimento econômico, o governador Cláudio Castro resolveu decretar o desvio dos recursos royalties de petróleo e participação especial que entram nas contas do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (RioPrevidência)— responsável pelo pagamento de aposentadorias, pensões e outros benefícios do funcionalismo fluminense para quitar parcelas da dívida pública do governo Cláudio Castro com a União.

Ainda que sob pressão, Cláudio Castro tenha limitado o alcance dessa verdadeira tunga nos recursos do RioPrevidência até o final de 2024 e limitado o teto da verba a ser transferida em R$ 4,9 bilhões, o decreto de Cláudio Castro é uma porta aberta, já que impede que seja renovado ano a ano.

Em 2024, já entraram nas contas do RioPrevidência R$ 15,3 bilhões de royalties e participação especial. Cerca de mais R$ 5 bilhões são esperados até o fim deste ano. Para 2025, a expectativa é de as transferências chegarem a R$ 20 bilhões, embora os repasses estejam condicionados ao preço do barril do petróleo e à variação cambial.

Dados da Secretaria de Fazenda informam que a dívida total do estado alcança R$ 196 bilhões, sendo R$ 164 bilhões devidos à União e R$ 32 bilhões de contratos garantidos pelo governo federal.

Segundo o deputado Luiz Paulo,  vice-presidente da Comissão de Tributação, Controle de Arrecadação e de Fiscalização da Assembleia Legislativa (Alerj), Cláudio Castro está praticando uma operação contábil, profundamente prejudicial ao RioPrevidência, ou seja aos aposentados e pensionistas que precisam acessar esses recursos. 

Em outras palavras, para continuar dando isenções bilionárias sem retorno e continuar pagando uma dívida impagável, Cláudio Castro está ameaçando os atuais e futuros servidores aposentados com a falta de suas pensões e aposentadorias.

Vejam abaixo vídeo com o deputado Flávio Serafini para entender o tamanho da ameaça que Castro está colocando sobre as cabeças dos aposentados.

A crise político-financeira na Uerj como um sinal para a Uenf: eu sou você amanhã

Estudantes da Uerj protestam contra mudanças nas regras para auxílios

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) vem sendo palco de uma revolta estudantil contra a reitoria da instituição que resolveu fazer um corte profundo na distribuição dos recursos destinados à chamada “assistência estudantil”. A alegação da reitoria da Uerj para tal corte é de que a Uerj simplesmente não tem recursos orçamentários para continuar atendendo nos limites estabelecidos por administrações anteriores.

Os estudantes da Uerj, que contam com a simpatia dos sindicatos de servidores e docentes, partiram para um modelo clássico enfrentamento que inclui a ocupação física de prédios e manifestações de rua. A intenção declarada é fazer a reitoria retroceder e continuar praticando o modelo anterior de distribuição de recursos. Por sua vez, a reitoria da Uerj também se mantém em uma posição clássica de para conter a o movimento dos estudantes, com o uso até aqui de seguranças patrimoniais para conter a revolta estudantil.

Enquanto isso, o governador Cláudio Castro (PL) se mantém completamente à vontade para, entre outras coisas, sair pelo estado fazendo campanha por seus candidatos a prefeito e vereador, a despeito do fato de que a educação fluminense afunda em crise profunda, ocupando o penúltimo lugar nos índices do IDEB que acabam de ser divulgados pelo MEC.  É como se Cláudio Castro sapateasse sorridente sobre a educação fluminense enquanto asfixia escolas e universidades para continuar praticando uma injustificada política bilionária de isenções fiscais.

Candidata do grupo Bacellar, Madeleine lança campanha à Prefeitura de Campos  - Campos 24 Horas | Seu Jornal Online.

Enquanto o Rio de Janeiro ocupa o penúltimo lugar no IDEB, um Cláudio Castro sorridente faz campanha para sua candidata em Campos dos Goytacazes

O curioso é que até agora o quadro conflagrado da Uerj não está se repetindo na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). Alguém mais distraído poderia achar que Cláudio Castro está sendo mais benevolente com a Uenf por causa de sua localização estratégica em Campos dos Goytacazes, onde o ainda governador do Rio de Janeiro esteve fazendo campanha pela sua candidata a prefeita, em companhia de uma numerosa delegação de deputados estaduais que chegaram na cidade em uma espécie de revoada de aviões de carreira.

O meu diagnóstico é que a situação de paz aparente na Uenf não tem nada a ver com uma suposta benevolência de Cláudio Castro. A coisa na Uenf se explica mais pela indisposição de seus sindicatos, especialmente os dos estudantes (DCE e Associação de Pós-Graduandos) e dos servidores técnicos (Sintuperj) de se comportarem como representantes não dos interesses de seus dirigentes, mas daqueles que dizem representar. 

Agora, como o torniquete que aperta a Uerj também arrocha e asfixia a Uenf, o corte de bolsas que começou nos projetos de extensão, ceifando ações estratégicas para beneficiar a população, poderá em um futuro não muito distante chegar à outras modalidades de bolsas estudantis e também nos auxílios que deram um refresco na penosa situação causada pela corrosão inflacionária dos salários.

E aí pode ser que a paz aparente reinante na Uenf se transmute nas cenas de enfrentamento que estão ocorrendo na Uerj em uma espécie de “eu sou você amanhã”.  Curioso vai ser acompanhar a reação da reitoria da Uenf que, ao contrário do que ocorreu na Uerj, se elegeu com o apoio explícito de dirigentes sindicais de estudantes e servidores técnico-administrativos. 

Cláudio Castro lança sua versão das “Olimpíadas do Faustão”: a ponte que liga nada a lugar algum

ponte do lugar algum

Todos devem ser lembrar de um famigerado quadro dentro do dominical comandado por Fausto Silva (a.k.a., Faustão) em que incautos tentam cruzar um ponte mambembe sob o alvo de canhões que lançavam petardos cujo objetivo era lançá-las na água. Era a tal “Ponte do rio que cai”.  Pois bem, o dublê de cantor e governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, esteve ontem para lançar sua própria versão de uma ponte cujo histórico é de assombrar qualquer engenheiro. Falo aqui da “Ponte da Integração” que agora, graças a Cláudio Castro, será conhecida como a ponte que liga nada a lugar algum.

Antes de qualquer coisa, notemos o histórico dessa ponte preparado por um veículo da mídia corporativa campista:

1981 — Ponte João Figueiredo é lançada, mas pilares jamais receberam os tabuleiros da pista;
06/06/2014 — Descartada a possibilidade de conclusão da Ponte João Figueiredo, pedra
fundamental da Ponte da Integração é lançada pelo então governador Luiz Fernando Pezão, com
prazo de conclusão de um ano;
24/11/2018 — Pezão reafirma que obra seria concluída no seu mandato, que terminaria no mês
seguinte;
02/09/2019 — Cláudio Castro visita Campos, ainda como vice-governador de Wilson Witzel, e
promete retomada da obra “em breve”;
27/09/2022 — Castro, agora governador e candidato à reeleição, promete a conclusão da obra
até 31 de maio de 2023;
16/12/2022 — Após diplomação, Castro fala na conclusão em 30 de maio e diz que se a obra não
terminasse, “alguma cabeça iria rolar”;
30/05/2023 — DER-RJ adia conclusão para dezembro;
22/11/2023 — DER altera a previsão de conclusão para março de 2024.
01/03/2024 — DER faz nova alteração e conclusão da Ponte está prevista para junho de 2024
27/05/2024 — DER-RJ confirma entrega da Ponte para o final de junho
17/06/2024 — Governo do Estado diz que conclusão está prevista para setembro
05/07/2024 – Cláudio Castro adia entrega da ponte para ano que vem

Como se vê, Cláudio Castro já se utiliza da “ponte do lugar algum” com veículo de propaganda desde setembro de 2019 quando era vice-governador de Wilson Witzel, o breve.  Cláudio Castro também esteve na região diversas vezes prometendo a inauguração de sua versão da “ponte do rio que cai”, inclusive como candidato a reeleição.

Então, me digam, o que dizer agora do conhecimento tardio de que essa ponte, tão necessária quanto estratégica, estava sendo construída sem que tivesse as estradas que viabilizassem o fluxo de trânsito que será criado pela sua existência.

Das duas uma: ou Cláudio Castro é muito distraído ou é muito incompetente. Como ninguém chega aonde Castro chegou de forma distraída (distraídos são seus eleitores), resta a ele a incompetência.

E ainda, uma perguntinha inocente: quantos milhões já saíram dos cofres estaduais para viabilizar a “ponte que liga nada a lugar algum”? 

Finalmente, há que se lembrar que no caso da ponte do Faustão, tinha gente que conseguia chegar do outro lado. Na ponte de Cláudio Castro, isso ainda vai demorar.

Enquanto arrocha salários dos servidores estaduais, governo Castro promove farra fiscal descontrolada

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Enquanto promove arrocho salarial, Cláudio Castro continua promovendo uma farra fiscal que deixa o Rio de Janeiro em condição falimentar

Volta e meio se ouve falar na condição falimentar do estado do Rio de Janeiro, situação que é usada para justificar o congelamento de salários dos servidores do executivo fluminense.  Com um déficit previsto para 2024 de R$ 8,5 bilhões, o problema só deverá aumentar nos próximos anos, com o valor devendo chegar a R$ 16,3 bilhões em 2027 (ver figura abaixo).

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Mas há algo de muito esquisito na construção desse déficit que se localiza na continuidade de uma política de isenções fiscais herdadas e continuadas pelo governo de Cláudio Castro. Prova disso foi a aprovação pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a pedido do governo estadual, de 59 tipos de incentivos fiscais, na última quinta-feira (25), pelo menos até 2026.  

Só para que se tenha ideia do buraco que essa politica de isenções fiscais já criou nos cofres estaduais, estimativas do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro apontam que essa política de renúncia fiscal alcançou astronômicos R$ 83 bilhões apenas entre 2016 e 2023. Para piorar a situação, o TCE/RJ afirma que o governo Castro não possui qualquer forma de controle sobre o cumprimento das chamadas contrapartidas. E, pior, sequer se sabe sequer se essa política de benesses fiscais traz algum tipo de efeito positivo para os cofres estaduais ou apenas contribui para o aumento do déficit público.

E aqui uma observação importante: se não fosse por essa farra fiscal, o estado do Rio de Janeiro estaria supervitário e não com um déficit que aumenta sem parar. Desta forma, antes que se naturalize a crise orçamentária e se aceite a situação de penúria salarial dos servidores, há que se cobrar do governo Castro e da Alerj informações precisas sobre os beneficiados da farra fiscal que continua sendo promovida às custas da deterioração dos serviços públicos prestados à população do Rio de Janeiro.

Já os servidores, o negócio será colocar as barbas de molho, pois essa farra é a mesma que causou a crise salarial de 2017. O problema é que de lá para cá, o rombo só aumentou. Como o governo Castro está de pires nas mãos em Brasília, ao mesmo tempo que distribui benesses de forma completamente descontrolada, não será surpresa que novamente sejam os servidores estaduais os sacrificados em nome do equilíbrio das contas estaduais. Enquanto isso, os agraciados pela farra fiscal vão continuar enchendo os seus cofres.

Estudo do DIEESE mostra que perdas salariais dos professores da UENF foi de 42% entre 2014 e 2023

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Um estudo encomendado pela diretoria do sindicato dos professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), a Aduenf, junto ao Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelou que entre julho de 2014 e dezembro de 2023, as perdas salariais acumuladas pela categoria foram de 42% (ver estudo aqui!).

Eu já andava sentindo essa depreciação salarial nas minhas idas aos supermercados e hortifrutis da vida, mas agora com os números nas mãos, ficou mais claro que a política de destruição do serviço público estadual encaminhada pelo governo do dublê de cantor e político Cláudio Castro está atingindo em cheio o processo instrumento de desenvolvimento econômico e social implantado no interior do Rio de Janeiro nos últimos 30 anos, a Uenf.

Para piorar a situação, a extinção dos triênios para os docentes que ingressaram na universidade desde que a Alerj decidiu seguir as ordens do Ministério da Fazenda, piora em muita a condição de atração de novos quadros para a Uenf, em um momento em que muitos que ingressaram no concurso de 1999 já se encaminham para a aposentadoria.

A verdade é que com esse quadro de depreciação salarial que não possui sequer o incentivo do tempo de serviço, muitos jovens doutores que poderiam querer vir para Campos dos Goytacazes ou Macaé para trabalhar na Uenf vão preferir seguir outros caminhos, especialmente porque aqui a dedicação é exclusiva.

Um dos maiores riscos que a Uenf corre neste momento de salários pouco atrativos é de que apenas seus próprios formandos queiram trabalhar na instituição, o que certamente diminuiria o grau de inovação das pesquisas que são realizadas, na medida em que se consolidarão apenas pesquisas que já estão em curso. Essa endogenia do quadro docente já não é pequena, e tenderá a aumentará caso não haja uma reversão nos salários pagos na Uenf.

Uma coisa curiosa que está acontecendo neste momento é que dada a presença de doutorandos que já estão empregados e aproveitam a qualidade da Uenf para alcançarem melhores titulações acadêmicas é o fato de que já tem aluno ganhando mais do que o seu orientador.  Aliás, eu mesmo tenho ex-alunos que estão em instituições federais que se penalizam com o meu salário quando comparam os contracheques.

No meio disso tudo, muitos podem se perguntar o que irá acontecer se a Uenf, a começar pela sua reitoria, não começar a se mexer para pelo menos começar a tramitação do novo Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) que se encontra trancado em alguma gaveta empoeirada no Palácio Guanabara. Eu diria que nada de bom. 

Há que se lembrar que já se avança pelo mês de abril de 2024, e a carestia, especialmente a dos preços dos alimentos, continue avançando de forma inclemente.

Finalmente, como diria o meu falecido pai, há que se lembrar aos professores da Uenf que “jacaré parado vira bolsa”.

Reitora dobra aposta na “Melô do Marinheiro” e se filia ao sindicato dos servidores técnicos da Uenf

Observei recentemente neste espaço a minha estranheza em relação a uma visita da reitora da Universidade Estadual do Norte Fluminense, professora Rosana Rodrigues, ao gabinete do deputado federal Lindbergh Farias em Brasília. É que diante do papel de dirigente de uma universidade estadual, a reitora da Uenf deveria saber que visitar um dos principais adversários políticos do governador Claúdio Castro não resultará na boa vontade deste com as muitas demandas que ela tem para apresentar, a começar pela aprovação do Plano de Cargo de Vencimentos (PCV) da Uenf.

Eis que hoje, um dos dirigentes do sindicato que representa os interesses dos servidores técnico-admnistrativos da Uenf divulgou imagens do que seria a cerimônia de filiação da reitora Rosana Rodrigues (ver imagem abaixo).

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Essa filiação é inusitada, na medida em que os professores da Uenf possuem sindicato próprio, a Aduenf, e a reitora, ao que me consta, é filiada. Assim, ao se filiar a outro sindicato que representa outra categoria dentro da Uenf, a reitora cria uma situação sui generis  de possu ir uma dupla filiação sindical. Isso até segunda ordem não está previsto na legislação trabalhista, até porque é uma situação tão bizarra que nem os mais visionário dos legisladores poderia ter previsto este caso.  Até aqui, resta saber o que vai pensar o Andes-SN, sindicato nacional que representa os interesses dos professores universitários em nível nacional.

Mas essa repentina volúpia de adesão sindical da reitora da Uenf me surpreenda pela trajetória  dela dentro desde a formalização da Aduenf em 1999. É que tendo sido presidente e vice-presidente da Aduenf por duas vezes em cada posto, eu raramente vi a reitora presente em nossas assembleias. Aliás, nas poucas vezes que a professora Rosana Rodrigues se fez notar em assembleias, ela apenas apareceu para votar pelo fim de greves que eram mais do que justas, as quais foram responsáveis pelos principais avanços que conseguimos em nossos direitos trabalhistas a partir de 1999.

Uma peculiariedade relacionada ao Sintuperj/Uenf é um dos seus principais diretores é, ao que me consta, pré-candidato a vereador pelo PT, o mesmo do deputado Lindbergh Farias. Com isso, a reitora estaria dobrando a sua aposta na “Melô do Marinheiro”, pois comete a pouco sábia atitude de se vincular novamente a um partido de oposição em uma situação política muito complexa que o estado do Rio de Janeiro atravessa neste momento.

A verdade é que ao dobrar essa aposta, a reitora da Uenf mostra um grau de incompreensão formidável em relação ao seu papel de reitora de uma universidade pública localizada no interior do estado.  Com essa adesão ela pode ter complicado não apenas a situação do trâmite do novo PCV, mas fechado outras portas importantes no governo estadual. Ou será que Cláudio Castro já adiantou a ela que está se mudando de mala e cuia para o PT? Se for isso, tiro o chapéu para a professora Rosana Rodrigues. Se não for, me parece urgente que ela nomeie uma versão uenfiana do “ministro do vai dar merda” que foi criado e eternizado por Chico Buarque.

E antes que eu me esqueça, uma história de bastidores. Na última vez em que fui presidente da Aduenf, o governo estadual estava com uma ideia maluca de unificar os salários da Uenf e da Uerj. O mentor da ideia era o vice-reitor da Uerj, João Regazzi Gerki que, na época, ocupava um cargo importante na Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia. Em um final de reunião com a diretoria da Aduenf na Secti, João Regazzi me confabulou a ideia e propôs a realização de uma reunião apenas com os sindicatos das universidades.  Intrigado com o convite, perguntei a Regazzi se ele não iria falar primeiro com os reitores. Ele rapidamente retrucou que não porque reitores, segundo Regazzi, eram patrões que não mandavam e ele queria falar direto com quem mandava, os sindicatos.  O fato é que mandando ou não, os reitores exercem o papel semelhante a de um patrão dentro das universidades.  Assim,  levando em conta o que me disse João Regazzi, o que dizer de uma reitora que se filia a um sindicato no início de um mandato que vai até 2027?

Cláudio Castro, mais um governador em apuros que aprofunda a agonia do RJ

A sucessão de governadores encrencados com a justiça é muito grande no Rio de Janeiro, e dos ex-governadores que ainda estão vivos, não me lembro de nenhum que não tenha tido um sobressalto com a polícia por causa de “causos” mal resolvidos.

Agora é a vez de Cláudio Castro ter sua vida revirada por causa de supostos pagamento de propinas por empresas contratadas por seu governo (ver imagem abaixo).

Como servidor público estadual que teve seu tempo de trabalho alongado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) até 2029, penso que o maior escárnio desse atual escândalo é que Cláudio Castro (misto de cantor gospel e ilustre desconhecido na política até a queda de Wilson Witzel) negou as servidores públicos até mesmo o que havia acordado, qual seja, o pagamento de uma reposição parcialíssima das perdas salariais causadas pela inflação.

O governo de Cláudio Castro é, reconheçamos, uma cara do que têm sido os governos que o antecederam, principalmente quando se trata de exercer uma violentíssima repressão policial contra comunidades pobres periféricas sob o manto do combate ao narcotráfico. Ele, Cláudio Castro, tem na sua conta várias chacinas policiais, nas quais os assassinados não tiveram a mesma chance de recorrer à advogados caros para se livrarem de estripulias que, não raramente, envolvem mochilas flagradas cheias em elevadores com que seria dinheiro oriundo da corrupção.

O mais dramático é constatar que se Cláudio Castro for apeado do cargo de governador por causa das provas que estão sendo levantadas pela Polícia Federal, ele será substituído por Thiago Pampolha, outro ilustre desconhecida, cuja base eleitoral é a Zona Oeste. Com Pampolha governador,  a agonia que o Rio de Janeiro vive certamente ganhará capítulos ainda menos auspiciosos.

Cláudio Castro antecipa um 2024 difícil para os servidores estaduais do Rio de Janeiro e coloca em xeque “sindicalismo de resultados” na Uenf

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Após anunciar que o seu governo poderia voltar a atrasar o pagamento dos salários dos servidores estaduais, ele partiu para a ação concreta e enviou uma proposta de Lei Orçamentária para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro que não preve reajustes salariais (sequer as perdas inflacionárias em 2024. Em outras palavras, mais arrocho salarial está a caminho dos servidores estaduais fluminenses.

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Essa postura do governo Castro visa atender os especuladores financeiros que hoje detém o controle da dívida pública fluminense em detrimento daqueles que fazem a máquina do estado operar. Com isso, ele não só antecipa momentos financeiros duros para os servidores, mas também a deterioração da qualidade dos serviços públicos prestados. É que atraso de salários e precarização dos serviços prestados sempre caminham de mãos dadas.

No plano interno da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), este cenário de arrocho coloca em xeque um modelo de sindicalismo que vem apostando na concessão de vantagens pontuais que caem no momento da aposentadoria em detrimento da luta salarial.  Se esse cenário se concretizar, vamos ver como ficam os adeptos desse sindicalismo de vantagens e suas promessas de ganhos sem enfrentamento.