O alerta da rã-cachorro sobre agrotóxicos à base de glifosato

Estudo experimental sugere que agrotóxico pode alterar crescimento, desenvolvimento e provocar deformidades em girinos, com possíveis impactos em ecossistemas inteiros.

🌎 O alerta da rã-cachorro sobre agrotóxicos à base de glifosato Estudo experimental sugere que agrotóxico pode alterar crescimento, desenvolvimento e provocar deformidades em girinos, com possíveis impactos em ecossistemas inteiros. Texto de Edson Antonio Tanhoffer, Luana Wunsche, Marta Margarete Cestari e Mauricio Moura
Anfíbios anuros são mais vulneráveis a poluentes por terem fase aquática e outra terrestre, o que aumenta risco de contaminação. Na foto, subespécies de rã Physalaemus cuvieri. Fotos: Herpto.org/Reprodução
Por Edson Antonio Tanhoffer, Luana Wunsche, Marta Margarete Cestari e Mauricio Moura para Ciência UFPR 

 Há questões na vida que são falsas dicotomias. Um exemplo é a ideia de que se não aumentarmos a área plantada, não haverá alimentos para todos. Ou ainda, a de que se não se usar agrotóxico, não há como produzir alimentos em grande quantidade. São polêmicas infundadas porque é possível ter uma área plantada grande, diversificada e saudável, com uso de menos insumos. Mas isso implicaria a mudança da lógica dominante de plantio, a lógica do agronegócio.

Esse modelo, que recebe fartos incentivos fiscais, privilegia a produção de commodities, produtos de origem primária, de baixo valor agregado e voltados para exportação, além do aumento do capital privado em vez da preservação da natureza e da segurança e soberania alimentar das populações.

A questão dos agrotóxicos é particularmente sensível porque afeta o sistema de produção em todos os níveis e tem um peso econômico gigante com diversos interesses associados. O uso dos agrotóxicos também tem impacto na saúde humana e de uma diversidade de outros organismos. Então, a equação não é simples.

Os organismos vivos são bastante complexos e o grande desafio da química, de fármacos ou agrotóxicos é ser preciso quanto ao alvo de atuação de seus produtos. A indústria dos agrotóxicos desenvolve produtos tóxicos e que potencialmente envolvem riscos aos organismos vivos e aos ambientes ao quais estão associados.

O alto incentivo ao aumento do uso de agrotóxicos denota que essa indústria pouco considera tais efeitos nocivos. Estudos que avaliam a segurança dos agrotóxicos são de responsabilidade das próprias empresas desenvolvedoras, o que abre espaço para ações que garantam seus interesses, como o acúmulo de capital.

Uma forma de evitar esse conflito de interesse seria um processo de controle externo, acompanhado e determinado pelo Estado. Entretanto, no Brasil, os grandes latifundiários e as multinacionais do agronegócio possuem um forte poder político, tornando o país permissivo aos interesses desse setor.

É claro que um exame do comportamento ecotoxicológico das substâncias sob todas as combinações possíveis de fatores influentes é praticamente impossível e certamente inviável. Fato que demonstra que os estudos utilizados nos processos de avaliação de risco e liberação de uso são insuficientes, especialmente quando se tratam de substâncias utilizadas de maneira difusa, em grande escala.

Mas, dentro desse contexto, o princípio da precaução deveria prevalecer. Esse é um princípio moral e político que determina que, se há dúvidas sobre uma ação que pode originar um dano socioambiental severo, é recomendável que ela não ocorra. Nesse sentido, é necessário mostrar os efeitos nocivos em diversos grupos de organismos e de ecossistemas, forçando uma discussão ampla.

Rãs-cachorro são vulneráveis à contaminação da água

Como os organismos usualmente encontrados nos cultivos não se queixam, esse artigo tem por finalidade buscar ouvir as queixas de um deles, a rã-cachorro (Physalaemus cuvieri), sobre as ações de um herbicida com base de glifosato.

Esse anfíbio está amplamente distribuído pela América do Sul e muito embora tenham populações grandes e estáveis, encontra-se localmente ameaçado na Argentina, especialmente devido à perda e contaminação de áreas de ocorrência desta espécie pelo agronegócio.

Os anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas) são organismos com características bem particulares. O grupo recebe esse nome por possuir duas fases em seu ciclo de vida, uma aquática e outra terrestre. Os anfíbios foram os primeiros animais vertebrados terrestres e sobreviveram às grandes extinções, incluindo aquela que extinguiu os dinossauros.

Mesmo com essa história de sucesso, hoje é o grupo de vertebrados com mais risco de desaparecer, com aproximadamente 41% das espécies ameaçadas.

As atividades antropogênicas (aquelas derivadas das atividades humanas) são responsáveis por uma grande parcela do desaparecimento populacional. E, dentre estas atividades, o agronegócio tem grande importância, tanto pela expansão da fronteira agrícola (redução e fragmentação das paisagens naturais) quanto pela utilização do controle químico nos plantios (contaminação).

A contaminação por agrotóxicos talvez seja a mais agravante, uma vez que essas substâncias são formuladas para eliminar formas de vida e causam efeitos nocivos, que, nesse caso específico, podem passar despercebidos a grande parte das pessoas.

Os anfíbios anuros são particularmente susceptíveis, justamente por possuírem uma fase aquática e outra terrestre, o que aumenta a probabilidade de contaminação. Além disso, possuem a pele altamente permeável, o que facilita a absorção de diversas substâncias, incluindo os agrotóxicos.

Considerando que as poças dentro de cultivos ou no seu entorno têm pouco volume de água, os girinos nesses ambientes podem ser expostos a doses muito altas de agrotóxicos,  que são prontamente absorvidas, como o observado no caso do glifosato. Uma vez absorvido, o glifosato e produtos formulados possuem como efeito final para os girinos, o aumento da mortalidade, distúrbios no desenvolvimento, ou mesmo indução de malformações, o que levará a um menor sucesso reprodutivo do indivíduo adulto.

Esses efeitos só ocorrem se o agrotóxico interferir nos processos naturais de formação e manutenção do funcionamento do corpo dos organismos. Independentemente do efeito, a mensagem é direta: um produto químico pode alterar vias metabólicas de um organismo de maneira danosa.

Glifo o quê?

O glifosato é o agrotóxico mais utilizado no Brasil e no mundo, e um dos mais controversos com relação às suas propriedades toxicológicas e ecotoxicológicas. O volume de glifosato aplicado em campo tem aumentado expressivamente e assimetricamente em relação à área plantada nos últimos anos, principalmente após o desenvolvimento de cultivos transgênicos resistentes a esse herbicida.

Até o momento, os dados não demonstraram haver uma correlação positiva entre o uso desse herbicida e o aumento da produtividade agrícola. Pelo contrário, em um período de 12 anos, o uso do glifosato por hectares aumentou 124%, enquanto a produtividade cresceu 9,5%.

Existem ainda correlações positivas significativas em estudos epidemiológicos de casos de malformação e abortos em humanos que estão próximos a áreas de aplicação de herbicidas a base de glifosato. Em adição, estudos experimentais têm demonstrado efeitos de disrupção endócrina, tumores em mamas e danos nos rins e fígado.

O glifosato não é utilizado de forma isolada. Existem mais de 750 formulações comerciais, mas usamos no estudo o mais consumido em nível mundial. Embora alguns desses efeitos tóxicológicos sejam exclusivos do princípio ativo (o glifosato), ingredientes contidos nas formulações muitas vezes possuem também a sua própria toxicidade.

Desse modo, os estudos que avaliam exclusivamente o glifosato não garantem a segurança dos seus produtos formulados, como realizado muitas vezes pelas agências reguladoras. Resíduos de glifosato já foram encontrados em amostras do ar, da água da chuva e do abastecimento público, nos alimentos, no sangue, urina e leite humano, em várias regiões do mundo, incluindo o Brasil.

Embora os resultados na literatura científica independente (não vinculados à indústria de venenos) e da ciência regulatória (oficial) sejam muitas vezes controversos, crescem as evidências dos efeitos adversos do glifosato e seus produtos formulados sobre a saúde humana e de muitos outros organismos.

Com base nessas evidências, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), órgão da Organização Mundial da Saúde (OMS), reclassificou o glifosato como provável carcinógeno em humanos. No Brasil, no entanto, após ter permanecido ao longo de dez anos em reavaliação, o glifosato teve sua manutenção no mercado brasileiro mantida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em 2019.

Portanto, dada a escassez de estudos e as incertezas dos impactos desses pacotes tecnológicos sobre o conjunto de seres vivos e do ambiente ao qual estão associados, torna-se necessário ampliar nossos conhecimentos sobre os efeitos destas substâncias. Com isso, espera-se fortalecer os debates e decisões em torno da liberação de uso destas substâncias, com base em novas evidências. Para abordar essa questão, pretendemos determinar o efeito do agrotóxico sobre atributos da história de vida e incidência de malformações em girinos de rã-cachorro.

Como fizemos nosso estudo?

Foi realizado um experimento de 12 dias, com o intuito de avaliar efeitos que possam aparecer ao longo do desenvolvimento das rãs, como malformações e alterações da forma. Nesse experimento, repetido 5 vezes, foram utilizados três aquários de vidro contendo as seguintes concentrações de glifosato:

T1 = 0.28mg.L-1;
T 2 = 2.8mg.L-1;
T 3= 4mg.L-1.

Além de um grupo controle negativo (CN), sem a exposição ao agrotóxico, que possibilita analisar os possíveis desvios da normalidade. Essas dosagens representam concentrações ambientalmente relevantes, ou seja, possíveis de serem encontradas nos ambientes que esses organismos ocupam e onde se reproduzem.

Para o estudo de malformações e desenvolvimento, um total de 80 indivíduos foram analisados através da utilização de uma lupa e paquímetro (instrumento utilizado para medições). Em cada girino, foram avaliados quatro parâmetros:

1) Desenvolvimento;
2) Crescimento;
3) Morfologia do disco oral;
4) Pigmentação.

Esse parâmetros foram escolhidos por possuírem impacto na sobrevivência dos girinos e no sucesso reprodutivo dos adultos.

O que descobrimos?

O agrotóxico foi capaz de afetar igualmente as taxas de desenvolvimento e crescimento dos girinos, de forma que, quanto maior a dose, menor e mais novo era o girino. Ou seja, maior era o efeito do agrotóxico sobre essas características. Ainda, observamos um aumento na incidência de deformidades no disco oral, como dequeratinização, fusão de lábios ou ausência de lábios, dentículos e papilas.

Da mesma forma, foram notadas diferenças na pigmentação da pele dos girinos. Essas diferenças estão relacionadas ao tamanho, morfologia e desenvolvimento das expansões ramificadas (processos dendríticos) das células pigmentares.

Mas o que dizem esses resultados?

Indicam que o agrotóxico foi capaz de alterar as taxas de crescimento, desenvolvimento e produzir deformidades em girinos de rã-cachorro. E como o agrotóxico afeta o crescimento e o desenvolvimento? Uma possibilidade são os custos da detoxificação e reparação de tecidos, pois os danos causados pelo agrotóxico nos tecidos, como brânquias, fígado e rins, têm como consequência um deslocamento energético para a reparação desses danos.

Este processo leva a uma grande redução das reservas energéticas, que podem trazer prejuízos para outros processos fisiológicos importantes, processos esses que envolvem o funcionamento e a manutenção da vida, como o crescimento e o desenvolvimento.

Outra possibilidade é a quebra das vias neuro-endócrinas, já que o glifosato é considerado um desregulador endócrino. Essas vias bioquímicas regulam diversos processos que estão também relacionados, dentre outras funções, ao crescimento e desenvolvimento.

E, com relação às alterações nas células pigmentares e malformação do aparato bucal? As alterações nas células pigmentares encontradas estão relacionadas a danos provocados pelo Roundup no citoesqueleto, o que prejudica a formação das expansões dendríticas e consequentemente o transporte dos pigmentos no interior das células. Dessa forma há uma redução da cobertura pigmentar.

E qual seria o impacto? A pigmentação tem função ecológica sob diversos aspectos, como a camuflagem. Alterações no padrão de pigmentação podem alterar interações ecológicas, como a predação e a seleção sexual. Já as malformações no aparato bucal impactam tanto a alimentação quanto funções sensoriais. Portanto, quebras nos padrões biológicos encontrados podem levar a mudanças de alto significado ecológico para os indivíduos, com implicações na sobrevivência dos girinos e no sucesso reprodutivo dos adultos e assim afetar a dinâmica populacional. Esses impactos podem também interferir em outros níveis da hierarquia ecológica, como as comunidades e os ecossistemas.

Independentemente se é possível ou não relacionar os mecanismos bioquímicos e fisiológicos de atuação do agrotóxico sobre as alterações morfológicas e de crescimento encontradas, o fato é que existe um efeito nocivo potencial do agrotóxico da marca testada nos girinos.

Isso demonstra que organismos não alvo podem ser afetados pelo agrotóxico. Embora não contemplados na maioria das legislações mundiais, os anuros podem ser um grupo importante a ser avaliado, especialmente devido às suas características particulares e seu grau de vulnerabilidade.

A cada conhecimento adicional relacionado aos fatores que afetam a sobrevivência e reprodução dos indivíduos desse grupo que sofre taxas alarmantes de extinção, são importantes em uma abordagem da preservação das espécies e ambientes associados. Além disso, como são componentes fundamentais dos ambientes aquáticos, possuem potencial para serem utilizados como bioindicadores da saúde desses sistemas.

Autores

EDSON ANTONIO TANHOFFER é docente no Departamento de Anatomia da UFPR

LUANA WUNSCHE DE ALMEIDA é bióloga e mestra em Ecologia e Conservação pela UFPR

MARTA MARGARETE CESTARI é professora titular no Departamento de Genética da UFPR, onde coordena o Laboratório de Citogenética Animal e Mutagênese Ambiental (Labmuta)

MAURICIO MOURA é professor no Departamento de Zoologia da UFPR e coordenador do Laboratório de Dinâmicas Ecológicas

Edição: Lívia Inácio

➕ Leia detalhes na dissertação Efeito do Roundup sobre as variações morfológicas de girinos de rã-cachorro (Physalaemus cuvieri Fitzinger, 1826), defendida por Luana Wunsche de Almeida no Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação (PPGEco) da UFPR


📌 Conteúdo elaborado na disciplina de divulgação científica do PPGEco/UFPR

🌎 A Ponte com a Ciência é a editoria especializada em divulgação científica da Ciência UFPR. Nela, cientistas da UFPR puxam conversas sobre temas de seus estudos. Textos e argumentações são próprias dos autores. Saiba como enviar seu texto 


Fonte: Ciência UFPR

Nova pesquisa encontra níveis altíssimos de inseticidas na água do Colorado

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Por Shanon Kelleher para o “The New Lede” 

Somando-se às evidências sobre a difusão de agrotóxicos que colocam em risco a saúde humana e ambiental, uma nova pesquisa encontrou inseticidas amplamente utilizados em cursos d’água do estado do Colorado em níveis 100 vezes maiores do que os pesquisadores dizem ser necessário para proteger a vida aquática.

Neonicotinoides (neônicos), os tipos de inseticidas mais utilizados no país, estavam presentes em níveis altíssimos em amostras de águas superficiais e subterrâneas, de acordo com um relatório publicado esta semana pela organização sem fins lucrativos Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC). A análise, que se baseou em dados de testes de água federais e estaduais, concluiu que sementes agrícolas revestidas com neinicotinóides, também conhecidos como neônicos, são provavelmente as responsáveis pela alta contaminação da água.

Essa contaminação “provavelmente está causando danos significativos e generalizados aos ecossistemas aquáticos e um aumento na exposição humana por meio das águas subterrâneas”, afirma o relatório.

O autor usou o parâmetro federal para um neônico, o imidacloprido, para derivar parâmetros de como a exposição crônica a outros neônicos afeta a vida aquática, de acordo com o relatório.

Alguns níveis detectados nas amostras de água superaram as estimativas do pior cenário dos reguladores federais sobre a quantidade de dois neônicos, clotianidina e tiametoxame, que podem estar presentes nas águas subterrâneas do Colorado.

“Os níveis de contaminação no Colorado são alarmantes, mas não surpreendentes”, disse Pierre Mineau , autor do relatório e professor da Universidade Carleton, no Canadá, que estuda o risco ambiental dos pesticidas há mais de 40 anos.

“A EPA (Agência de Proteção Ambiental) dos EUA não está fazendo o suficiente para proteger a água e os ecossistemas desses produtos químicos nocivos”, disse ele.

Assassinos indiscriminados

Os neônicos são considerados alguns dos inseticidas mais mortais já produzidos, atuando no sistema nervoso dos insetos, paralisando-os e matando-os. Embora sejam destinados a pragas que danificam as plantações, como pulgões e besouros, os neônicos também matam borboletas, abelhas e minhocas, essenciais para a saúde dos ecossistemas. Os inseticidas, aplicados em mais de 60 milhões de hectares de terras agrícolas a cada ano, são usados principalmente como revestimento de sementes e são absorvidos pelas folhas, caules e pólen das plantas à medida que crescem , envenenando os insetos que entram em contato com eles.

A União Europeia proibiu o uso externo de alguns neônicos devido a evidências de que eles podem prejudicar abelhas e polinizadores selvagens. Defensores do meio ambiente há anos pedem proibições semelhantes nos EUA. Em 2018, mais de 200.000 comentários públicos sobre avaliações ecológicas e de saúde humana da EPA instaram a agência a proibir os inseticidas , citando o declínio dos polinizadores.

A poluição por neonicotinoides do Colorado reflete um problema nacional, disse Allison Johnson, advogada sênior do NRDC.

“Estamos plantando pesticidas tóxicos no solo em todo o país, e esses produtos químicos persistem por muito tempo”, disse Johnson. “Eles estão se acumulando em nossa água, em nosso solo, em nosso ar – e em nossos corpos. Felizmente, há um primeiro passo fácil para resolver esse problema: parar de usar neônicos onde eles não são necessários.”

Um estudo de 2015 do Serviço Geológico dos EUA identificou pelo menos um neônico em quase dois terços dos 48 riachos amostrados em todo o país.

Em 2023, a EPA dos EUA descobriu que três neônicos — clotianidina, imidacloprida e tiametoxame — podem colocar em risco de 9 a 11% das espécies listadas como ameaçadas ou em perigo de extinção.

Estudos relacionaram os neonicotinoides ao declínio de pássaros , borboletas , invertebrados aquáticos veados.

Os neonicotinóides têm sido infamemente associados à mortandade em massa de abelhas , um problema que continua a se intensificar. De abril de 2023 a abril de 2024, os apicultores dos EUA perderam cerca de 55% de suas colônias de abelhas – bem acima da perda média anual de cerca de 40% desde o início da contagem em 2010, de acordo com uma pesquisa sobre apicultura nos EUA . Até agora, as perdas para 2025 são ainda mais devastadoras, com cerca de 60% das colônias de abelhas perdidas – um prejuízo financeiro de pelo menos US$ 139 milhões, de acordo com uma pesquisa com 234 apicultores dos EUA.

Outros fatores também representam ameaças generalizadas às colônias de abelhas, incluindo ácaros parasitas que se alimentam das abelhas e de suas larvas e espalham vírus que as matam. Os fabricantes de pesticidas negam que os neônicos estejam por trás da mortandade de polinizadores.

“Estudos abrangentes conduzidos em condições de campo realistas mostraram que os resíduos de neonicotinoides nas flores de culturas tratadas com sementes estão claramente abaixo dos níveis que podem causar efeitos adversos nas colônias de abelhas”, escreveu a Bayer, que fabrica neonicotinoides e outros pesticidas, em um relatório de abril de 2025 .

Os neonicotinóides são altamente regulamentados, escreveu a Bayer, e os inseticidas da empresa são exaustivamente testados “para garantir que não tenham efeitos adversos inaceitáveis em insetos não-alvo e no meio ambiente”.

Perigos para a saúde

Uma pesquisa dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças usando dados de 2015-2016 descobriu que cerca de metade da população dos EUA com três anos de idade ou mais foi recentemente exposta a neônicos , com crianças pequenas correndo risco de níveis mais altos de exposição.

Os resultados sugerem que uma grande parcela da população é exposta a esses produtos químicos regularmente. Um estudo de 2022 encontrou neônicos nos corpos de mais de 95% das gestantes testadas nos EUA. Os pesticidas foram encontrados em diversos alimentos populares e saudáveis .

O relatório mais recente sobre resíduos de pesticidas emitido pelo Departamento de Agricultura dos EUA relatou a descoberta de neônicos em diversos alimentos para bebês, incluindo aqueles feitos com peras, pêssegos, maçãs e ervilhas, bem como em amoras e batatas. Pesquisas relacionaram a exposição a neônicos a defeitos congênitos no cérebro e no coração de recém-nascidos, bem como a sintomas associados ao autismo.

Apesar das pesquisas sobre os perigos dos neônicos para a saúde e o meio ambiente, a EPA continua permitindo seu uso. A agência deve decidir em 2025 se reaprovará cinco neônicos – acetamiprida, clotianidina, dinotefurano, imidacloprida e tiametoxam. Enquanto isso, uma dúzia de estados já implementou suas próprias restrições ao uso de neônicos em ambientes externos, embora apenas Nova York e Vermont tenham restringido o uso agrícola de sementes tratadas com neônicos.

Em dezembro passado, os reguladores de Minnesota rejeitaram uma petição legal alegando que o departamento de agricultura do estado estava violando os direitos dos habitantes de Minnesota ao não regulamentar o uso de sementes tratadas com neonicotinóides.

(Imagem em destaque por jabberwocky28 no Unsplash .)


Fonte: The New Lede

Estudo traça perfil dos poluentes encontrados em uma das principais bacias hidrográficas de São Paulo

50062O rio Camanducaia é um dos que formam a bacia PCJ (foto: Cassiana Carolina Montagner/Unicamp)

Por José Tadeu Arantes | Agência FAPESP

 A bacia hidrográfica dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí – também chamada de “bacia PCJ” – estende-se por 76 municípios do Estado de São Paulo e atende a mais de 5,8 milhões de pessoas. Com uma área de drenagem superior a 14 mil quilômetros quadrados, suas águas são muito demandadas pela agricultura, pela indústria e pelo consumo da população. Em função disso, e no contexto da crise climática global, a bacia sofre atualmente com escassez hídrica. Mas esse não é o único nem o maior dos problemas: o grande conjunto de rios, riachos e córregos que compõem a bacia encontra-se também fortemente contaminado por efluentes agrícolas, industriais e domésticos.

As expressões visíveis dessa poluição já foram objeto de várias reportagens da mídia. Mas faltava um estudo em profundidade que identificasse as principais áreas contaminadas e a natureza dos contaminantes individuais e das misturas de contaminantes; que calculasse sua concentração, frequência e toxicidade; e que apontasse seus potenciais riscos para humanos e organismos aquáticos. Esse estudo foi feito agora por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e parceiros de outras instituições do país e do exterior.

O trabalho foi apoiado pela FAPESP por meio de três projetos (14/50951-421/12484-9 e 20/14988-1). Artigo relatando os resultados foi publicado no periódico Chemosphere.

“Além de contaminantes tradicionais, já bastante conhecidos e sujeitos à legislação, encontramos também contaminantes emergentes, ainda não legislados, que apresentam toxicidade em condições de exposição crônica. Nossa pesquisa forneceu o primeiro retrato da ocorrência de compostos do grupo dos PFAS em rios do Estado de São Paulo”, diz Cassiana Carolina Montagner, professora do Instituto de Química da Unicamp e coordenadora do estudo.

Os PFAS são um grupo com milhares de compostos químicos sintéticos, perfluoroalquilados, utilizados pela indústria em uma grande variedade de produtos com o objetivo de torná-los antiaderentes, impermeáveis e resistentes a manchas. A utilização mais conhecida ocorre nos utensílios antiaderentes recobertos por teflon.

Informe da United States Environmental Protection Agency (Usepa, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) lista vários problemas de saúde humana comprovadamente associados à exposição a PFAS. Entre eles, o aumento do risco de alguns tipos de câncer, incluindo de rim, próstata e testículo. “A ocorrência de sete PFAS em diferentes rios do Estado de São Paulo foi relatada pela primeira vez em nosso estudo”, afirma Montagner.

Mas isso não é tudo. “Detectamos também muitos outros contaminantes, compondo um total de 45. Os agrotóxicos atrazina, carbendazim, tebutiurom e 2,4-D foram os que apresentaram a maior frequência de detecção, tendo sido encontrados em 100% das amostras coletadas. A mesma frequência, de 100%, foi detectada também para a cafeína e o bisfenol A [BPA], levados aos rios pelos esgotos domésticos”, acrescenta a pesquisadora.

Aqui é importante dizer que, embora bem tolerada pelos humanos, a cafeína pode ser bastante prejudicial para a biota aquática, como ressalta Montagner. Já o bisfenol A é uma substância química orgânica, o 2,2-bis(4-hidroxifenil) propano, utilizada na fabricação de polímeros e revestimentos de alto desempenho. Plásticos empregados em eletrodomésticos, computadores, brinquedos, talheres descartáveis, mamadeiras, revestimentos de latas de comida e bebida e resinas epóxi contêm BPA. Ele aparece também como componente do PVC maleável em papéis térmicos, como os extratos bancários e os comprovantes de pagamento liberados por caixas eletrônicos e máquinas para leitura de cartões.

Para avaliar a dimensão dos impactos causados por todos esses contaminantes, é preciso considerar que a região servida pela bacia PCJ é um importante polo agrícola e industrial e também a sede de cidades de grande porte. A área responde por 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Destaques são a produção de cana-de-açúcar no município de Piracicaba, a indústria têxtil no município de Americana e a grande concentração populacional no município de Campinas.

“Além de ser a principal fonte de água potável de toda a área, a bacia do PCJ fornece água para irrigação, que não recebe nenhum tratamento antes de ser utilizada nos campos agrícolas. Ao mesmo tempo, a região abriga muitas cidades pequenas que lançam esgoto quase in natura nos rios”, informa Montagner.

A pesquisadora enfatiza que contaminantes emergentes, como pesticidas, hormônios, produtos farmacêuticos, produtos químicos industriais e PFAS, estão sendo liberados na bacia do PCJ, sem que a atual legislação brasileira exija o seu monitoramento.

“Em nosso estudo, coletamos amostras em 15 pontos diferentes da bacia. E avaliamos os contaminantes presentes considerando três fatores: concentração, frequência e toxicidade. Além das altas frequências já mencionadas, obtivemos elevados quocientes de risco para os herbicidas diuron e atrazina, além do inseticida imidacloprido”, conta.

E conclui: “Além de velhos problemas de poluição não resolvidos, como a contaminação por coliformes fecais, por exemplo, há novos problemas agora causados pela presença dos contaminantes emergentes, que são produzidos para garantir a qualidade de vida moderna, mas chegam ao ambiente devido à má gestão dos resíduos sólidos e saneamento ineficiente. Nosso estudo sugere que é necessário estabelecer um programa de monitoramento abrangente para garantir a proteção da vida aquática e da saúde humana”.

Monitoramento

Procurada pela reportagem, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou em nota que, atualmente, são feitas medições trimestrais em 519 pontos de amostragem, dos quais 91 estão distribuídos na bacia PCJ. Além de parâmetros tradicionais, como matéria orgânica, nutrientes, coliformes e metais, a Cetesb faz medições de agrotóxicos e de alguns compostos emergentes, quantificados indiretamente por meio de dois ensaios: um que mede atividade estrogênica, para a detecção de compostos do tipo interferentes endócrinos (que mimetizam os hormônios femininos, como o BPA); e outro que mensura a atividade de glicorticoides, para a detecção de medicamentos da classe dos anti-inflamatórios.

O texto afirma ainda que os agrotóxicos (42 diferentes ativos) são medidos pela Cetesb desde 2017, em trechos de rios localizados em bacias com uso do solo predominantemente agrícola.

“Na bacia hidrográfica do PCJ, os agrotóxicos são monitorados desde 2018 no trecho de cabeceira do rio Corumbataí […], município de Analândia, com cerca de 65% da área da bacia destinada ao uso agrícola. Os agrotóxicos mais frequentemente detectados nesse trecho do rio Corumbataí no período de 2018 a 2022 foram o inseticida imidacloprida [bastante frequente também nas amostras analisadas na Unicamp] e o herbicida tebutiurom [este encontrado em 100% das amostras do estudo]. As concentrações de imidacloprida estiveram frequentemente acima do limite de ecotoxicidade crônico para invertebrados aquáticos da Usepa [Office of Pesticides Program, OPP], que é de 10 ng/L [nanograma por litro]. Nesse mesmo período, não foram detectados nesse trecho os agrotóxicos 2,4 D e atrazina [ambos detectados em 100% das amostras analisadas na Unicamp], que são contemplados com padrões de qualidade para a proteção da vida aquática pela Resolução Federal [Resolução Conama n.o357/2005].”

Por último, a Cetesb informa que não há valores legislados para a atividade estrogênica e os glicocorticoides. “Os resultados desses dois ensaios, obtidos ao longo dos últimos cinco anos na bacia hidrográfica do PCJ, indicaram valores, em ambos os ensaios, considerados baixos ou de baixa relevância, com base nos estudos já realizados e na experiência internacional.”

O artigo Uncovering the impact of agricultural activities and urbanization on rivers from the Piracicaba, Capivari, and Jundiaí basin in São Paulo, Brazil: A survey of pesticides, hormones, pharmaceuticals, industrial chemicals, and PFAS pode ser acessado em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0045653523022233?via%3Dihub.


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Este estudo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp [Aqui!].

França proíbe popular herbicida S-metolacloro por causar poluição das águas

aspersorUm aspersor rega plantações de milho nos arredores da cidade de Toulouse, no sul da França. AFP – JEAN-PIERRE MULLER

Por Amanda Morrow para a RFI

A autoridade de segurança alimentar da França, Anses, decidiu proibir o S-metolacloro, um herbicida comum usado por produtores de cereais, devido à poluição significativa das águas subterrâneas. O produto se junta a uma lista cada vez maior de produtos químicos que não são mais permitidos na agricultura francesa.

Uma vez espalhada no solo, a substância ativa se decompõe em metabólitos que migram para o solo, águas superficiais e subterrâneas. Embora não represente um risco imediato à saúde, Anses disse que a molécula é uma importante fonte de poluição da água. 

“Em testes de água potável, os metabólitos do S-metolacloro foram frequentemente detectados em concentrações que excedem os padrões de qualidade”, disse Anses .

Restrições

A proibição segue medidas anteriores das autoridades de saúde para restringir as doses permitidas para o uso deS-metolacloro em campos de milho, girassol, soja e sorgo.

Charlotte Grastilleur, vice-diretora da divisão de produtos regulamentados da Anses, disse que os resultados dos testes da agência são indiscutíveis.

“Apesar das recentes restrições às condições de uso, o limite de 0,1 micrograma por litro estabelecido pela legislação europeia em águas subterrâneas é excedido para três metabólitos do S-metolacloro”, disse Grastilleur.

As empresas que fabricam S-metolacloro foram informadas sobre o procedimento de retirada, e os produtores de cereais receberam de 6 a 12 meses para vender seus grãos antes de mudar para um herbicida alternativo.

A proibição do S-metolacloro ocorre semanas depois que os produtores franceses de beterraba foram proibidos de usar pesticidas neonicotinóides “matadores de abelhas”.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicada pela RFI [Aqui!].

Peixes transgênicos vermelhos e verdes brilhantes escaparam de tanques de reprodução em rios brasileiros

Os peixes-zebra não são os únicos peixes ornamentais invasores que brincam nos rios de forma ilegal e indesejada. Se eles se estabelecerem, eles podem perturbar severamente o ecossistema.

Por Stephanie Lahrtz para o Neue Zürcher Zeitung

zebra 1Peixe-zebra transgênico com um gene embutido de criaturas do fundo do mar brilham no aquário

“Starfire Red Danio” e “Electric Green Danio” são apenas uns bons peixes-zebra de dois centímetros, mas você dificilmente pode perdê-los no aquário crepuscular. Eles brilham em vermelho brilhante ou verde brilhante. Quanto mais escuro o ambiente, mais intenso. Porque eles carregam genes de anêmonas do mar, águas-vivas ou corais que foram construídos em laboratório. Esses peixes GM são muito populares – e legais – residentes de aquários em alguns lugares. Mas no sudeste do Brasil, eles escaparam de fazendas de criação em vários lugares e agora estão brincando em vários rios ilegalmente. É o que relatam pesquisadores na revista Studies on Neotropical Fauna and Environment .

De fato, o comércio de peixe-zebra transgênico foi proibido no Brasil desde 2017. Em outros países, incluindo Suíça, Austrália e toda a UE, o comércio e a manutenção de pequenas criaturas coloridas é proibido há muito tempo. Existe o risco de que o peixe possa escapar para a natureza, com efeitos desconhecidos no ecossistema afetado, disse o comunicado.

Projetado para detectar corpos d’água contaminados

Aparentemente, essa preocupação não é compartilhada nos EUA ou em Taiwan, onde os peixinhos coloridos estão disponíveis há quase duas décadas. E tão popular que a empresa texana Glofish, que detém os direitos de patente mundial do peixe neon, agora não apenas oferece peixes-zebra transgênicos em várias cores brilhantes, mas também equipou outros peixes ornamentais, como farpas de Sumatra e tetras longfin com os genes de brilho.

Os peixes GM foram inventados por pesquisadores da Universidade de Cingapura em meados da década de 1990. Foi usado para verificar a qualidade da água. O primeiro peixe-zebra transgênico brilhou em verde quando certos produtos químicos estavam presentes na água. No entanto, este aplicativo não pegou.

Comércio apesar da proibição

No Brasil, os peixes brilhantes são tão populares que, apesar da proibição, milhares deles são mantidos em grandes aquiculturas todos os anos. Houve os primeiros relatos de espécimes individuais escapados já em 2015. Mas para o estudo que agora foi publicado, dados confiáveis ​​foram coletados pela primeira vez.

Para isso, os pesquisadores analisaram de perto uma grande área com 350 pisciculturas e 4.500 tanques de reprodução na Mata Atlântica, no sudeste de Minas Gerais. Os peixes foram coletados em intervalos regulares em rios nas imediações dos tanques de criação, usando redes de malha fina.

Tanto o peixe-zebra GM vermelho brilhante quanto o verde venenoso se contorciam nele de tempos em tempos, mas apenas alguns espécimes cada. Seu conteúdo estomacal mostrou que eles se alimentaram principalmente de insetos aquáticos em vários estágios da vida, mas também de algas e zooplâncton. Aparentemente, os peixes-zebra que escaparam também eram capazes de se reproduzir. Isso foi revelado por exames de seus órgãos sexuais.

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Glowfishes vendidos nos EUA chamados Sunburst Orange, Galactic Purple, Electric Green e Starfire Red (de cima para baixo) Paulo de Oliveira/Imago

No entanto, ainda não está claro se os peixes geneticamente modificados realmente se multiplicam nos rios de forma permanente e se uma população independente se estabeleceu fora dos tanques de reprodução. Uma vez que estes são pescados várias vezes por ano e depois esvaziados no fundo para limpeza, também é provável uma “liberação” não intencional regular. Como os tanques não tinham peneiras nos drenos nem tanques de retenção com peixes predadores para eliminar peixes criados em cativeiro, escrevem os pesquisadores. Isso teria mostrado visitas no local, bem como relatórios dos agricultores.

Aquicultura segura necessária

Essas medidas de segurança devem agora ser instaladas em todos os lugares imediatamente, exigem os cientistas – não apenas por causa de alguns peixes-zebra coloridos que escaparam. Porque nos rios brasileiros nas proximidades das pisciculturas já se encontram mais de 70 espécies de peixes não nativos, em uma das regiões mais ricas em espécies do planeta e, portanto, uma das mais dignas de proteção.

Os efeitos das espécies invasoras de peixes nos respectivos ecossistemas são imprevisíveis. Pode haver competição por comida e áreas de desova, bem como ataques mútuos. Isso agora também está sendo investigado para peixes geneticamente modificados. Numerosos exemplos de muitos países mostram como as espécies invasoras superam as nativas.

Atualmente, é improvável que os genes de luz embutidos do peixe-zebra nos rios do Brasil se espalhem amplamente para outros peixes. Para isso, os peixes geneticamente modificados teriam que encontrar parceiros sexuais adequados para eles, ou seja, outros peixes-zebra. Mas estes não são nativos do Brasil. Os ancestrais dos habitantes do aquário vêm dos rios do Himalaia. No entanto, peixes-zebra escapados e não transgênicos também foram encontrados em rios brasileiros.

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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “Neue Zürcher Zeitung” [Aqui!].