Com 1.192 mortos pela COVID-19, Campos vive misto de relaxamento de regras de isolamento,falta de vagas de UTI e caos na vacinação

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As notícias da manhã desta 4a. feira (12/05) sobre a situação da pandemia da COVID-19 em Campos dos Goytacazes mostra um momento, no mínimo, contraditório.  Após se alcançar o total de 1.192 mortos, a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes decidiu relaxar as regras  de confinamento social e ampliou os horários de funcionamento de uma série de atividades comerciais.  Ao mesmo tempo, apareceu a notícia de que a unidade preferencial para tratamento de doentes com COVID-19 atingiu sua lotação máxima ao receber 17 pacientes apenas em um dia, o que obrigou a distribuição dos casos adicionais para outras unidades de saúde do município.

Por outro lado, noto com alguma perplexidade que o critério para o relaxamento das regras de isolamento social teria sido exatamente a existência de vagas em Unidades de Terapia Intensiva especializadas em COVID-19!

Finalmente, eu gostaria de saber por que o critério para relaxar as regras de isolamento não está sendo a taxa de contaminação em vez da disponibilidade de vagas de UTI. É que o nível de contaminação é que determina qual é o estoque potencial de UTIs de que se necessitará nas próximas semanas.

Enquanto isso, a campanha de vacinação contra a COVID-19 aparece imersa uma situação que beira o caos, especialmente no tocante ao oferecimento da segunda dose da Coronavac. 

Daí é que eu pergunto: essa é realmente a hora de relaxar?

Além de ultraneoliberal, Paulo Guedes agora se revela ser anti-ciência

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Reprodução/TV Globo. Paulo Guedes, ministro da Saúde, sendo vacinado com a CoronaVac

O dublê de banqueiro e ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, vinha mantendo uma fachada de não ser anti-ciência como o presidente Jair Bolsonaro.  Em diferentes ocasiões, Guedes destoou de Bolsonaro ao ligar a realização de uma campanha de vacinação em massa à retomada da economia. Com isso, o banqueiro/ministro se manteve em uma posição que o mantinha relativamente a salvo das críticas dirigidas contra as posturas anti-científicas do presidente da república, enquanto seguia aplicando seu receituário ultraneoliberal que está reconduzindo à miséria extrema milhões de famílias brasileiras (ver vídeo abaixo).

 Mas sabe-se lá por quê, Paulo Guedes decidiu tirar a máscara, e em uma reunião do Conselho de Saúde Complementar, que estava sendo gravada,  decidiu afirmar que o “chinês inventou o vírus”, mas que a “vacina chinesa” é menos efetiva que a dos americanos.  Com isso, Guedes se alinhou completamente ao negacionismo e ao discurso anti-ciência de Jair Bolsonaro. 

É preciso lembrar que uma delegação organizada pela Organização Mundial da Saúde, que inspecionou inclusive o mercado onde o Sars-Cov-2 primeiro apareceu em Wuhan, e não concluiu que fosse possível ligar o surgimento da pandemia a algum tipo de manipulação realizada em laboratório. Além disso, a maioria da comunidade científica tem rejeitado a tese da produção artificial do novo coronavírus, na medida em que esta família de vírus está presente em populações de animais, especialmente de morcegos (estes sendo considerados como os mais prováveis hospedeiros originais do Sars-Cov-2) e pangolins. 

Além disso, já é sabido que a instalação de megafazendas industriais na China tem possibilitado o ambiente ideal para que haja o surgimento de novas variantes de coronavírus que têm logrado desenvolver a capacidade de infectar sres humanos.  São essas fazendas e a destruição dos habitats naturais de morcegos e pangolins que estão mais provavelmente por detrás da atual pandemia.

Nesse sentido,  as razões para Paulo Guedes aderir à tese do “vírus chinês” podem estar mais ligadas às suas necessidades pragmáticas para se manter à frente do Ministério da Economia, para continuar aplicando sua receita ultraneoliberal, do que uma crença propriamente dita de que isto seja verdade e não apenas mais uma teoria da conspiração dos negacionistas com quem convive no governo Bolsonaro.

Entretanto, com essa adesão Paulo Guedes também mostra que, além de ser ultraneoliberal, ele também é anti-ciência, o que, aliás, não tem nada de incoerente. Aliás, muito pelo contrário.

Falta de vacinas e cronograma “para inglês ver” geram caos na vacinação da COVID-19 em Campos dos Goytacazes

Enquanto espero pacientemente pela minha vez de ser vacinado em algum momento de abril ou quiçá maio, estou como plateia de um caos impressionante nas filas organizadas (ou seria desorganizadas?) pelo governo de Wladimir Garotinho para que idosos (e alguns membros de corporações bem organizadas) possam receber a sua dose de uma das vacinações contra a COVID-19 (ver imagens abaixo).

A primeira coisa que salta aos olhos é que o cronograma oficial de vacinação (ver abaixo) é do tipo “para inglês ver”, visto que as filas estão mostrando algo que nem é culpa da gestão municipal, mas do governo federal, que vem a ser o fato básico de que o número de vacinas disponibilizadas é muito aquém do total de pessoas habilitadas e interessadas em serem vacinadas.

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Além disso, é de pouca ou nenhuma utilidade tentar avançar nos grupos etários habilitados a serem vacinados, sem que se conclua a vacinação daquelas pessoas que já receberam a primeira dose. É que, até onde eu sei, no caso da “Coronavac”, o tempo entre a 1a. e a 2a. dose é de 30 dias, coisa que já está ocorrendo para um certo número de pessoas, as quais agora estão correndo o risco de não serem vacinadas no prazo que a fabricante chinesa Sinovac considera a ideal para que a eficácia da sua vacina.

Então, o que me parece mais lógica é concluir a vacinação das pessoas que já estão chegando no tempo limite para receberem a segunda dose da Coronavac, antes que se convoquem outras pessoas.  Já as vacinas da Astrazeneca/Oxford poderiam ser alocadas de uma forma racional que não gere filas intermináveis e que estão servindo mais como “super spreaders” de COVID-19 do que qualquer outra coisa.  Isto sem falar na exposição de pessoas idosas à condições de espera que se aproximam do vexatório.

Finalmente, há que se ressaltar que o principal neste momento seria o prefeito Wladimir Garotinho se somar a todos os prefeitos e governadores que estão na linha de frente para fazer o que o governo federal não está fazendo direito que é garantir a aquisição de um número mais significativo de vacinas.

 

Minta, minta, minta de novo

A fuga para a frente de Jair Bolsonaro

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Por Peter Steiniger para o Neues Deutschland

Lula deu-lhe uma facada: no primeiro discurso depois de recuperar seus direitos políticos na semana passada, o ex-presidente do Brasil leu o ato de motim contra Jair Bolsonaro. Ele exortou as pessoas a não seguirem as “decisões tolas” de Bolsonaro na crise causada pelo coronavírus e a se vacinarem contra a COVID-19. Não importa de que país venha a vacina. Com esse ataque ao demagogo de direita, Lula afetou muitos brasileiros diante de uma política de saúde catastrófica e de um alto número de mortes causadas pela COVID-19. Bolsonaro sabe muito bem que não se compara ao excepcional político que Lula é, e teme a continuidade da grande popularidade do ex-presidente de esquerda do Partido dos Trabalhadores. Pode haver um grande duelo nas eleições de 2022.

O Brasil se tornou o foco mundial da pandemia da COVID-19. Tendo em vista os milhões  que vivem em condições miseráveis de trabalho e de vida no Brasil, grande parte da população está em maior risco desde o início do que no “Primeiro Mundo”. Isto sem falar nos indígenas. O preço que o Brasil está pagando pelo caos das vacinas que foi causado pela política ultraliberal é ainda mais amargo. Primeiro o país jogou dinheiro pela janela comprando a hidroxicloroquina que se mostrou inadequada para combater a COVID-19. Depois Bolsonaro rotulou a Coronavac como uma “vacina da China”. Depois da forte atuação de Lula, o clã Bolsonaro de repente ganha uma nota diferente: a vacinação é ótima e ajuda a economia.

O presidente Jair Bolsonaro agora declara que nunca foi contra a vacinação. E que ele nunca considerou a COVID-19 uma “gripezinha”. Mentir está em seu sangue.  Uma prova que o Lula funciona.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo “Neues Deutschland” [Aqui!].

Início da vacinação no Brasil é duplo desastre de relações públicas para o presidente Bolsonaro

Jair Bolsonaro espera em vão pelas entregas da AstraZeneca da Índia. Seu arquiinimigo político, o governador do estado de São Paulo, entretanto, inicia a vacinação com uma vacina chinesa

posePose de vitória após a vacinação: A enfermeira Mônica Calazans, 54, do estado de São Paulo, é a primeira pessoa no Brasil a ser vacinada contra o coronavírus. O governador do estado comemora a vacinação com uma vacina chinesa. Carla Carniel / AP

Por Thomas Spleen, Rio de Janeiro, para o Neue Zürcher Zeitung

Mônica Calazans, 54, é a primeira pessoa no Brasil a ser vacinada contra o coronavírus. A enfermeira de uma unidade de terapia intensiva da COVID-19 do maior estado de São Paulo recebeu a vacina CoronaVac no domingo, poucos minutos após a aprovação emergencial pela autoridade da Anvisa. O governador do estado, João Doria, foi festejado na ocasião. Com os dedos estendidos para marcar a vitória, ele falou de um “dia V” histórico como “vacina, vitória, verdade, vida” – “vacinação, vitória, verdade e vida”. Doria planeja concorrer contra o presidente Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022. As fotos do sucesso do início da vacinação são úteis para ele.

Doria fazia campanha para o instituto de vacinas do Butantan, em São Paulo, para colaborar com a fabricante chinesa Sinovac desde meados do ano passado. Desde o final de novembro, já chegam a São Paulo transportes com latas do produto CoronaVac da Sinovac, onde já estão armazenados seis milhões de vacinas e a matéria-prima para a produção de mais cinco milhões delas. No entanto, a agência federal Anvisa atrasou a aprovação da vacina. Para pressionar a autoridade, Doria anunciou em dezembro que iniciaria a vacinação em São Paulo em janeiro.

Desde o início, o presidente Bolsonaro sabotou os esforços de Doria, seu mais feroz adversário político. Bolsonaro tentou jogar tacos burocráticos entre as pernas de Doria para atrasar o início da vacinação em São Paulo com o CoronaVac. No final do ano passado, o ex-militar anunciou que em hipótese alguma a população do Brasil seria vacinada com a vacina chinesa. Bolsonaro ordenou ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que rescindisse o contrato já fechado com São Paulo para a entrega de 46 milhões de doses do CoronaVac para os postos de vacinação estaduais. Em hipótese alguma quis conceder a Doria e aos chineses, a quem acusava de causadores da pandemia, o triunfo da imunização da população brasileira com o CoronaVac

Bolsonaro apostou com AstraZeneca

Em vez disso, o governo federal do Brasil assinou um contrato com a fabricante anglo-sueca AstraZeneca e a Oxford University para a entrega de milhões de doses e transferência de tecnologia para futura produção da vacina no Brasil. O governo rejeitou as ofertas da Pfizer/Biontech por razões de custo. Mas Bolsonaro apostou fora. Porque as entregas prometidas da AstraZeneca para o Brasil continuam atrasadas. A tentativa desesperada de coletar rapidamente dois milhões de doses da vacina AstraZeneca na Índia no sábado falhou. Precisamos das doses de vacinação para nossa própria população, foi o motivo alegado pelas autoridades indianas.

Desastre de relações públicas do Bolsonaro

Bolsonaro e seu ministro da saúde Eduardo Pazuello, um general rígido e de aparência hostil que organizou a logística para os Jogos Olímpicos de Verão no Rio de Janeiro em 2016, mas não tem experiência no setor de saúde, teve que assistir a primeira vacinação  de João Doria Brasil no domingo. Além do CoronaVac, a Anvisa também emitiu a vacina AstraZeneca com aprovação emergencial neste domingo. Mas como não é certo quando a vacina britânica pode ser esperada, o governo central terá que iniciar sua campanha de vacinação nacional com o CoronaVac.

Em frente à imprensa no domingo, um ministro da Saúde visivelmente irritado, Pazuello, pediu ao governo de São Paulo que entregasse todas as seis milhões de doses do CoronaVac ao governo central. Isso vai distribuir as vacinas em todo o país na segunda-feira, para que as vacinações em massa possam começar simultaneamente em todas as regiões na quarta-feira. A vacinação em massa só pode ser realizada no Brasil pelo sistema público de saúde SUS, que é subordinado ao Ministério da Saúde, e os estados individuais não podem fazer isso sozinhos, disse Pazuello. Todas as doses de vacinas fabricadas ou armazenadas no Brasil teriam que ser entregues exclusivamente ao governo central.

No entanto, João Doria não pensa em fazer isso. Já nesta segunda-feira, ele quer iniciar as vacinações em massa sob sua direção nos hospitais de São Paulo. De acordo com a proporção da população de São Paulo em relação à população total do Brasil, 20% das vacinas CoronaVac serão retidas. Os restantes 80 por cento serão colocados à disposição do Ministério da Saúde em solidariedade. O ministro da Saúde, Pazuello, já anunciou que entrará com ações judiciais contra a suspensão das vacinas, se necessário.

Bolsonaro nega os perigos da Covid-19

O presidente Bolsonaro tem que aceitar outro revés. No início da pandemia, ele disse que a Covid-19 era uma gripe menor e se manifestou contra as restrições e bloqueios. Ele se recusou a usar uma máscara ou seguir as regras de distância. Ele também afirmou que não queria ser vacinado. Você não poderia saber se isso o transformaria em um crocodilo. Nesse ínterim, cerca de 210.000 pessoas morreram de Covid-19 no Brasil. Somente nos Estados Unidos há mais mortes por pandemia. É crescente o descontentamento da população com a passividade do governo no combate à pandemia.

A situação é atualmente particularmente crítica na metrópole amazônica de Manaus. Os hospitais de lá estão sem oxigênio para os ventiladores há uma semana. Além disso, centenas de leitos de terapia intensiva estão desaparecidos e muitas pessoas morrem sem chance de atendimento médico em casa. Bolsonaro colocou a culpa pelo caos no governo local. No entanto, disse que já havia pedido ajuda ao governo central e a outros Estados membros semanas atrás

Hidroxicloroquina em vez de oxigênio

O ministro da Saúde, Pazuello, havia visitado Manaus apenas no início da semana passada. No entanto, sua visita não era para fornecer o oxigênio urgentemente necessário. Em vez disso, Pazuello promoveu o uso do medicamento contra a malária, a hidroxicloroquina. Bolsonaro havia anunciado a droga como uma “arma milagrosa divina” na luta contra a COVID-19. Embora cientistas de todo o mundo duvidem da eficácia do medicamento contra a COVID-19, Pazuello insiste que os médicos em hospitais públicos tratem os pacientes com o medicamento. Enquanto há falta de oxigênio em Manaus, milhares de embalagens do medicamento antimalária produzida pelos militares estão armazenadas sem uso.

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Este artigo foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo jornal suíço Neue Zürcher Zeitung [Aqui! ].

A transparência da Anvisa que sobra para as vacinas da COVID-19, falta para os agrotóxicos

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Milhões de brasileiros devem estar passando o início desta tarde de domingo (17/01) com os olhos pregados nas telas da TV para acompanhar o processo de aprovação pela diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para duas das vacinas (Covishield, da Oxford/Fiocruz, e Coronovac, da Sinovac/Instituto Butantã).  O interessante é que apenas o voto da diretora relatora dos pedidos, Meiruze Freitas, está durando mais de uma hora. Se o mesmo acontecer com os quatro diretores que ainda deverão proferir seus votos, os brasileiros só saberão o placar final da decisão da Anvisa lá pelas 16 horas.

Essa longa reunião deve ser um caso único em todos os países que já estão fazendo o uso das vacinas ora analisadas para futuro emprego no Brasil. É que as explanações da diretoria da Anvisa, as quais estão sendo realizadas via TV, representam um nível de transparência raro quando se trata da aprovação de vacinas, especialmente em um contexto de uma pandemia letal como a da COVID-19.

Curiosamente, quando se trata de aprovar agrotóxicos banidos em outras partes do mundo e que são tão ou mais letais que o coronavírus, não se vê o mínimo de transparência por parte da mesma Anvisa. Esta diferença de postura no tocante à transparência de atos  de liberação para uso no Brasil, especialmente quando atos de liberação afetarão a saúde dos brasileiros, não pode passar despercebida ou naturalizada. Por isso, há que se começar a cobrar da Anvisa que utilize mecanismos de transparência para a aprovação de agrotóxicos. E isso para ontem.

Agenda tóxica: Governo Bolsonaro publica ato e eleva total de agrotóxicos liberados em 2020 a 498

comida agrotóxicos

Andava estranhando a pausa na liberação de novos agrotóxicos pelo governo Bolsonaro, visto que o último ato detectado havia sido o  No.65 de 23 de Novembro de 2020. Entretanto, hoje o Diário Oficial da União trouxe a publicação atrasado do Ato No. 70 de 23 de Dezembro, com a liberação de mais 56 agrotóxicos, o que eleva o total aprovado no ano de 2020 para 498 produtos. Com isso, o “grande total” dos produtos liberados pelo governo Bolsonaro em seus dois primeiros anos de mandato chega a incríveis 1001 agrotóxicos.

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É interessante notar que este último ato de 2020 repete uma forte influência de fabricantes chineses de agrotóxicos que são os produtores primários de um número significativo dos agrotóxicos aprovados. Este fato reforça que toda a oposição mostrada pelo presidente Jair Bolsonaro ao uso da vacina Coronavac da empresa chinesa Sinovac não alcança os agrotóxicos fabricados na China, muitos deles proibidos em outras partes do mundo. 

Além disso, há que se frisar que todo o atraso que está se vendo para o início da vacinação contra a COVID-19 não ocorre com a liberação de agrotóxicos, o que reforça ainda mais a primazia da agenda tóxica sobre a saúde dos brasileiros.

Amanhã o Observatório dos Agrotóxicos do Blogo do Pedlowski irá divulgar a lista completa dos agrotóxicos liberados pelo Ato No. 70, bem como a planilha completa para o ano de 2020.

Vacina contra o coronavírus fabricada na China está no centro do confronto político no Brasil

 Choque em curso entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo sobre a vacina Sinovac ameaça implantação de imunização.  Desentendimentos sobre quais vacinas fornecer à população brasileira vêm fermentando desde outubro

mascaraMulher usando máscara protetora no Brasil, o segundo país mais atingido pela pandemia de coronavírus depois dos Estados Unidos. Foto: Reuters

Por Eduardo Baptista para o South China Morning Post

O Brasil se tornou um campo de batalha à medida que facções políticas disputam sobre qual vacina contra a Covid-19  vai  usada para imunizar 212 milhões de cidadãos – uma decisão que terá implicações para toda a região da América Latina.

O presidente do Brasil Jair Bolsonaro emitiu um decreto em agosto para reservar US $ 356 milhões para comprar e eventualmente produzir 100 milhões de doses da vacina desenvolvida em conjunto pela Universidade de Oxford e a empresa farmacêutica AstraZeneca.

Enquanto isso, João Doria, governador do estado mais rico do Brasil, tem pressionado ativamente  pelo uso da CoronaVac, uma vacina desenvolvida pela Sinovac Biotech, sediada em Pequim, no que os especialistas dizem ser um movimento inicial para a candidatura presidencial de 2022.

Um confronto está se preparando desde outubro, quando Bolsonaro vetou um acordo entre o ministério da saúde e o governo paulista de Doria para a compra de 46 milhões de doses do CoronaVac. Ele passou a igualar isso a “morte e invalidez” e disse que não o incluiria no programa nacional de imunização do país.

As primeiras doses da vacina CoronaVac Covid-19 da China chegam ao Brasil

Conhecido como o “Trump dos Trópicos”, Bolsonaro também se recusou a ser vacina contra a COVID-19 e minimizou a gravidade da epidemia.

Ao mesmo tempo, o Instituto Butantan, com sede em São Paulo, quase concluiu os testes de Fase 3 da vacina chinesa e cooperou com Doria para construir a infraestrutura necessária para a produção em massa.

A crise da Covid-19 no Brasil foi de mal a pior. O país está enfrentando o segundo surto mais mortal depois dos Estados Unidos, com mais de 6,7 milhões de casos e 179.000 mortes. Vários governadores estaduais, incluindo Doria, criticaram o plano federal de imunização por não garantir um suprimento diversificado de vacinas.

A pressão sobre Bolsonaro também está aumentando à medida que outros países da região tentam aumentar seus próprios suprimentos de vacinas. Dimas Covas, chefe do Instituto Butantan, disse em agosto que estava em negociações com Argentina, Colômbia e a Organização Pan-Americana da Saúde para fornecer o CoronaVac.

Na quinta-feira, Covas disse que o número de países interessados ​​cresceu e inclui Peru, Uruguai, Paraguai e Honduras. Falando na mesma conferência, Doria disse que 11 estados brasileiros entraram em contato com o Butantan em busca do CoronaVac.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ajusta sua máscara facial durante uma entrevista coletiva em março.  A pressão sobre Bolsonaro está aumentando à medida que outros países da região tentam aumentar seus suprimentos de vacinas.  Foto: ReutersO presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ajusta sua máscara facial durante uma entrevista coletiva em março. A pressão sobre Bolsonaro está aumentando à medida que outros países da região tentam aumentar seus suprimentos de vacinas. Foto: Reuters

Doria disse na segunda-feira que a implantação da vacina em todo o estado começaria em 25 de janeiro, com 18 milhões de doses a serem distribuídas no total. Os primeiros a receber a vacina serão grupos vulneráveis, como profissionais de saúde e povos indígenas, seguidos por qualquer pessoa com mais de 60 anos.

Nada disso será possível, porém, sem a aprovação do órgão regulador de saúde do Brasil, a Anvisa. Poucas horas após o anúncio de Doria, a Anvisa expressou surpresa e preocupação com o fato de a data escolhida invalidar o andamento da avaliação da vacina.

A Anvisa também observou que ainda havia dois bloqueios de estradas antes que a vacina pudesse ser aprovada para uso emergencial. Uma revisão da fábrica na China onde a vacina será feita ainda estava em andamento e os resultados finais dos testes de Fase 3 do Instituto Butantan ainda não haviam sido apresentados.

O ministro da Saúde e aliado do Bolsonaro, Eduardo Pazuello, disse nesta terça-feira – durante reunião com governadores de estados brasileiros – que a Anvisa precisava de cerca de 60 dias para aprovar uma vacina e que a primeira da fila era a da AstraZeneca. Isso tornaria a data anunciada de Doria inatingível.

Doria criticou as declarações de Pazuello, dizendo que o governo federal tinha uma oposição ideológica e política ao CoronaVac. Em resposta, Pazuello garantiu aos governadores que o governo federal compraria qualquer vacina aprovada pela Anvisa a preços razoáveis.

Ativistas da organização não governamental “Rio de Paz” erguem barracos simulados, que representam a vida de famílias de favelas de baixa renda no Brasil, para protestar contra a decisão do governo Bolsonaro de suspender a ajuda às pessoas mais afetadas pela pandemia.  Foto: AFPAtivistas da organização não governamental “Rio de Paz” erguem barracos simulados, que representam a vida de famílias de favelas de baixa renda no Brasil, para protestar contra a decisão do governo Bolsonaro de suspender a ajuda às pessoas mais afetadas pela pandemia. Foto: AFP

Em entrevista à CNN Brasil no dia seguinte, Pazuello disse que se o governo federal fechar um acordo com a farmacêutica norte-americana Pfizer, o uso emergencial de sua vacina pode começar já em dezembro.

Milhares de pessoas receberam a vacina CoronaVac na China, onde a vacina tem autorização de uso emergencial.

Doria disse que os dados finais dos ensaios clínicos da Fase 3 serão apresentados na terça-feira, e que a Anvisa havia prometido uma decisão em 30 dias.

Ao longo da disputa entre Doria e Bolsonaro, a Anvisa reafirmou seu compromisso de avaliar vacinas com base em critérios científicos e não políticos.

Doria já questionou várias vezes a independência da Anvisa, afirmando nesta quarta-feira que a agência não deve ser refém de interesses do governo federal, da presidência ou de uma ideologia.

Bolsonaro, um ex-capitão do Exército, indicou o tenente-coronel aposentado Jorge Kormann para o conselho da Anvisa no mês passado. Se a indicação for aprovada no Senado, três dos cinco diretores da Anvisa serão aliados do Bolsonaro, aumentando as chances de boicote da CoronaVac.

Kormann, atualmente trabalhando no ministério da saúde de Pazuello, não tem experiência anterior em medicamentos ou vacinas, mas deve liderar a unidade da agência responsável pela aprovação de vacinas. Sua indicação foi contestada pelo sindicato dos trabalhadores da Anvisa.

O Brasil, que tem a quinta maior população do mundo, precisa de mais de 400 milhões de doses para que o governo cumpra sua promessa de vacinar toda a população até o final do ano que vem

Pazuello disse na terça-feira que a AstraZeneca forneceria 260,4 milhões de doses – 100,4 milhões no primeiro semestre de 2021 e 160 milhões no segundo semestre. Setenta milhões de doses viriam da Pfizer e de um consórcio liderado pela Organização Mundial da Saúde, o Consórcio Covax , que forneceria 42,5 milhões de doses.

Na quinta-feira (10/12), o segundo funcionário mais graduado do Ministério da Saúde, Elcio Franco, disse que a Pfizer e a CoronaVac estavam “no mesmo nível” e aguardando a aprovação da Anvisa. No entanto, o ministério ainda não disse quantas doses de CoronaVac serão lançadas.

Este artigo foi inicialmente escrito em inglês e publicado por South China Morning Post [Aqui].

Observatório dos Agrotóxicos: novo pacote de liberações mostra que o governo Bolsonaro rejeita 5G e vacina, mas ama agrotóxicos “Made in China”

Em 2018 pelo menos 30% dos agrotóxicos consumidos no Brasil tiveram origem na China, cuja influência deve ser ainda maior por causa do uso de produtos chineses por empresas de outros países que terminam vendendo seus produtos no mercado brasileiro.

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Workshop promovido pela China para ampliar a exportação de agrotóxicos  contou com representantes de empresas sediadas no Brasil que têm se beneficiado da  onda de aprovações de agrotóxicos realizada pelo governo Bolsonaro

As recentes manifestações do presidente Jair Bolsonaro e do seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, um sobre a “coronavac” e o outro sobre a compra da tecnologia 5G colocaram o Brasil à beira de uma séria crise diplomática com a China. Pelo menos é o que mostra uma dura resposta da Embaixada da China no sentido de que os responsáveis pelas declarações desairosas ao principal parceiro comercial brasileiro “vão arcar com as consequências negativas e carregar a responsabilidade histórica de perturbar a normalidade da parceria China-Brasil“.

O curioso é que o aparente desgosto por produtos “Made in China” não alcança a compra de venenos agrícolas, visto que no novo pacote de liberações de agrotóxicos levado a cabo por meio do Ato No. 64 de 18 de Novembro, os 21 agrotóxicos que tiveram sua venda autorizada são produzidos inteiramente na China, envolvendo 12 empresas diferentes.

Neste nova rodada de liberações, a “estrela” dos produtos agora livres para comercialização no Brasil foi o “Dibrometo de Diquate”, um herbicida  que foi proibido em 2018 pela União Europeia por causar efeitos deletérios em trabalhadores que manuseiam, além de causar danos às populações de pássaros. O Dibrometo de Diquate  também tem sido relacionado a problemas de contaminação de solos e do lençol freático. 

Originalmente produzido pela Syngenta, corporação suíça que foi adquirida em 2017 pela estatal chinesa ChemChina, agora chega no Brasil pelas mãos da Dezhou Luba Fine Chemical Co., Ltd, localizada na província de Shandong.

O curioso é que em toda essas manifestações que afrontam a presença e a importância fundamental da China no funcionamento da economia brasileira nunca vi nenhuma que colocasse em questão o papel central das empresas chinesas no abastecimento de agrotóxicos para o latifúndio agro-exportador.  Enquanto isso, se sucedem ataques ao fornecimento de vacinas contra a COVID-19, especificamente a Coronavac produzida pela empresa Sinovac, e contra a entrada da tecnologia 5G produzida na China, principalmente pela Huawei. O interessante é quem ambos os casos, está ficando óbvio que os produtos chineses são de melhor qualidade em relação àqueles produzidos por empresas europeias e estadunidenses.

Também considero curioso o silêncio da ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS), que, como representante dos interesses do latifúndio agro-exportador brasileiro e das empresas vendedoras de venenos agrícolas no Brasil, deve estar sendo muito pressionada por seus pares para impedir que os interesses estratégicos do setor continuem sendo colocados em xeque por declarações estapafúrdias, que hoje nem servem aos interesses do aliado Donald Trump que está lentamente preparando suas malas para sair da Casa Branca. 

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Jones Yasuda, CEO da CCAB, uma das empresas que mais aprovaram agrotóxicos no governo Bolsonaro, apresenta a legislação do “Pacote do Veneno”. o famigerado PL 6299/02, em um evento de fabricantes de agrotóxicos realizado em 2019 na China

Quem desejar baixar o arquivo contendo a lista dos 21 agrotóxicos “Made in China” liberados pelo Ato No. 64, basta clicar [Aqui!]. Já quem quiser baixar a base contendo os 401 agrotóxicos liberados apenas nos primeiros onze meses de 2020, basta clicar [Aqui!].

O desafio das cadeias de suprimentos:Levar vacina contra a COVID-19 para todo o planeta

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*Por Rafael Vásquez

A Rússia chocou o mundo quando anunciou o lançamento do “Sputnik V”, a primeira vacina contra a COVID-19 a ser comercializada em vários países na esperança de acabar com a pandemia que marcou 2020. Embora organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), tenham pedido cautela no seu uso e distribuição, a notícia marcou o início de uma corrida contra o tempo para garantir o fornecimento da medicação.

Claro, o país não é o único que desenvolveu pesquisas para encontrar uma vacina contra o vírus. China, Estados Unidos e Itália também informaram sobre o progresso que fizeram. No Brasil, por exemplo, o Governo de São Paulo assinou um contrato com a farmacêutica chinesa Sinovac que prevê o fornecimento de 46 milhões da vacina Coronavac até dezembro de 2020 e outros 14 milhões até fevereiro de 2021.

Este cenário representa uma tarefa clara e precisa: a responsabilidade das cadeias de suprimentos. A rapidez com que conseguem levar o medicamento a todo o planeta implica em um objetivo que ultrapassa qualquer finalidade comercial: o de parar as infecções e salvar mais vidas.

Paradoxalmente, a “corrida” para encontrar uma forma eficaz de imunização contra o vírus tem levado o mundo a desenvolver essas vacinas em poucos meses quando, normalmente, essa tarefa levaria de cinco a 18 anos apenas entre o desenvolvimento de testes e pesquisas para seu lançamento no mercado.

Produzir uma vacina: O primeiro desafio

Cerca de 35 empresas especializadas e instituições acadêmicas em todo o mundo estão concentrando seus esforços na busca de um medicamento eficaz contra a COVID-19. Após extensos testes em laboratórios e com pacientes voluntários, avanços importantes foram revelados.

Antes que a vacina possa ser comercializada, é necessário a aprovação regulatória de agências de saúde especializadas para validar sua aplicação e resultados na população; enquanto isso acontece, deve ser garantida uma infraestrutura com capacidade para produzir milhões de doses. Neste sentido, centenas de agências em todo o mundo já estão se preparando para esta tarefa.

No entanto, até agora, as vacinas que foram produzidas para outras doenças foram feitas com medicamentos desenvolvidos ao longo de décadas. Agora, depois de apenas alguns meses de pesquisa, as companhias farmacêuticas devem ter milhares de toneladas de materiais, colaboradores e uma grande implantação de capacidade de fabricação como nunca antes visto.

De fato, estima-se que para derrotar a COVID-19 é necessário que pelo menos 60% da população mundial esteja imune e, para isso, são necessários cerca de 4,7 bilhões de doses.

Para isso é necessário ter tecnologia de ponta para tornar o processo produtivo eficiente, permitindo visualizar e escolher os melhores fornecedores de insumos para o desenvolvimento do medicamento. Mas não só: é preciso também promover uma integração de todos os elos que participam de sua elaboração para que haja clareza sobre seu papel e também o nível de otimização e antecipação de disrupções que possam surgir durante este processo.

A sua distribuição: Tarefa para logística e transporte

Mover uma vacina de um ponto a outro envolve um esforço significativo. Por se tratar de um produto perecível, o ideal é que a temperatura necessária para manter suas condições varie entre 2 e 8 graus. Isso implica um dilema para as empresas farmacêuticas, que devem ter veículos suficientes para transportá-las nessas condições.

Além disso, há outro desafio: o de ter controles rígidos de embalagem e segurança nas transferências. Por sua vez, também é necessário o transporte de suprimentos médicos (como seringas) para sua aplicação, o que leva à articulação com governos e fornecedores locais.

Logicamente, hospitais, farmácias e postos de atendimento médico seriam os locais prioritários para os quais a vacina teria de ser transportada. No entanto, o verdadeiro desafio é chegar às áreas rurais com pontos de difícil acesso, o que transcende as dificuldades de entrega da “última milha”.

Felizmente, já existe tecnologia para enfrentar esses desafios. O Digital Twin, por exemplo, é um recurso útil para analisar as diferentes rotas de transporte para distribuição com base nas fontes de contágio. Além disso, é uma ferramenta que permite escolher fornecedores logísticos que atendam a toda as capacidades de armazenamento para transportar o medicamento no estado desejado.

Países de clima tropical, como o Brasil, enfrentarão grandes desafios devido as elevadas temperaturas e a entrega na última milha, pois o País possui cidades e comunidades de difícil acesso. Para tentar simplificar a logística da Coronavac no Brasil, no acordo feito entre o Governo de São Paulo e a farmacêutica Sinovac há uma cláusula de transferência tecnológica para o Instituto Butantan, o que dá direito a entidade de fabricar doses da Coronavac, o que poderá facilitar o processo logístico no País. Porém, como a Coronavac não é uma vacina ‘comum’, ela precisará de operadores logísticos especializados.

Diante disso, percebemos que o esforço coordenado entre governos, organizações e farmacêuticas é o levará a uma distribuição global bem sucedida da tão sonhada vacina contra a COVID-19.

*Rafael Vasquez é Vice-presidente Regional da LLamasoft, empresa especialista em soluções para tomada de decisões estratégicas nos negócios.