Coronavírus em Campos dos Goytacazes: pesquisa inicia nova etapa de testes rápidos neste domingo

Pesquisadores do IBOPE Inteligência vão aplicar testes rápidos para o coronavírus em visitas domiciliares a moradores de 133 cidades do Brasil entre os dias 21 e 23 de junho

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A pesquisa EPICOVID19-BR, que estima a proporção de casos de infecção por coronavírus no Brasil, inicia nova etapa a partir deste domingo (21), com a meta de realizar 33.250 testes rápidos e entrevistas em Campos dos Goytacazes e em mais 132 cidades de todos os estados do país. Cerca de 2,6 mil pesquisadores do IBOPE Inteligência vão às ruas, nos dias 21, 22 e 23 de junho, para visitar residências e convidar 250 moradores a realizar testes rápidos para o coronavírus em cada uma das cidades incluídas na pesquisa.

“É fundamental que a população aceite participar da pesquisa. Em cada cidade, por exemplo, é preciso realizar pelo menos duzentos testes, para que possamos apresentar estimativas sobre a real dimensão da COVID-19. Além de contribuir com o esforço coletivo de enfrentamento da pandemia, o participante tem a oportunidade de realizar o exame e saber o resultado na hora”, diz a epidemiologista Mariângela Freitas da Silveira, integrante da coordenação do estudo.

O Estudo de Prevalência da Infecção por COVID-19 no Brasil (EPICOVID19-BR), coordenado pela Universidade Federal de Pelotas com financiamento do Ministério da Saúde, é o maior levantamento populacional do mundo a estimar a prevalência de COVID-19. A segunda etapa da pesquisa apresentou evidências inéditas sobre a velocidade de expansão do coronavírus em 83 cidades do país. A proporção de pessoas que já contraíram o vírus no Brasil aumentou em 53% no período de duas semanas entre a primeira etapa, realizada de 19 a 21 de maio, e a segunda, de 4 a 5 de junho. Os dados mais recentes também mostram que, para cada diagnóstico confirmado, existem ao redor de seis casos reais não notificados na população. Para se ter uma ideia, as estimativas somam mais de 1,7 milhão de pessoas que têm ou já tiveram o coronavírus, contra o total de 296.305 casos notificados em 120 cidades brasileiras na véspera do segundo levantamento da pesquisa.

Como funciona a pesquisa

O estudo inclui a cidade mais populosa de cada uma das 133 sub-regiões definidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o território brasileiro. A seleção das residências e das pessoas que serão entrevistadas e testadas ocorre por meio de um sorteio aleatório, utilizando os setores censitários do IBGE como base.

Para o exame, os pesquisadores coletam uma gota de sangue da ponta do dedo do participante, que será analisada pelo aparelho de teste em aproximadamente 15 minutos. Enquanto aguarda o resultado, o participante responde a perguntas sobre sintomas da Covid-19 nas últimas semanas, busca por assistência médica e rotina em relação às medidas de prevenção e isolamento social. Em caso de resultado positivo, os profissionais comunicam a Vigilância Epidemiológica local.

Pesquisa disponibiliza canais de informação sobre visitas

Os pesquisadores que realizam as visitas estão identificados por crachá do IBOPE Inteligência e utilizam os equipamentos de proteção individuais (EPIs): máscaras, toucas, aventais, sapatilhas (todos descartáveis), óculos de proteção e luvas. Todos os profissionais são testados e apenas aqueles que tiverem resultado negativo realizam as visitas domiciliares. O estudo tem aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa e cumpre todos os requisitos de segurança necessários, para proteger os pesquisadores e a população.

Em caso de dúvidas, os participantes podem entrar em contato para esclarecimentos sobre as visitas às casas pelos telefones 0800-800-5000, (11) 3335-8583, (11) 3335-8606; (11) 3335-8610, ou pelos e-mails pesquisa.covid-19@ufpel.edu.br pesquisa.covid-19@ibopeinteligencia.com.

Pandemias resultam da destruição da natureza, dizem ONU e OMS

Especialistas pedem legislação e acordos comerciais em todo o mundo para incentivar a recuperação verde

guardian2Manguezais em Morondava, oeste de Madagascar. A ONU descreveu o coronavírus como um ‘sinal SOS’ para a humanidade. Foto: Alamy

Por Damian Carrington, editor de ambiente do “The Guardian”

Pandemias como o coronavírus são o resultado da destruição da natureza da humanidade, segundo líderes da ONU, OMS e WWF Internacional, e o mundo ignora essa dura realidade há décadas.

O comércio ilegal e insustentável de animais silvestres, bem como a devastação de florestas e outros locais selvagens ainda eram as forças motrizes por trás do crescente número de doenças que saltam da vida selvagem para os seres humanos, disseram os líderes ao Guardian.

Eles estão pedindo uma recuperação verde e saudável da pandemia de COVID-19, em particular reformando a agricultura destrutiva e as dietas insustentáveis.

Um relatório da WWF , também publicado na quarta-feira, alerta: “O risco de uma nova doença [da vida selvagem para o humano] emergir no futuro é maior do que nunca, com o potencial de causar estragos na saúde, nas economias e na segurança global”.

O chefe do WWF no Reino Unido disse que acordos comerciais pós-Brexit que não protegem a natureza deixariam a Grã-Bretanha “cúmplice em aumentar o risco da próxima pandemia”.

Números de alto nível emitiram uma série de avisos desde março, com os principais especialistas em biodiversidade do mundo dizendo que mais surtos de doenças mortais provavelmente ocorrerão no futuro, a menos que a destruição desenfreada do mundo natural seja rapidamente interrompida.

No início de junho, o chefe de meio ambiente da ONU e um economista importante disseram que o Covid-19 era um “sinal de SOS para a empresa humana ” e que o pensamento econômico atual não reconhecia que a riqueza humana depende da saúde da natureza.

Imagens aéreas mostram a extensão do desmatamento na floresta de Gran Chaco na Argentina – vídeo

“Vimos muitas doenças surgirem ao longo dos anos, como zika, Aids, Sars e Ebola e todas se originaram de populações de animais sob condições de severas pressões ambientais”, disse Elizabeth Maruma Mrema, chefe da convenção da ONU sobre diversidade biológica, Maria Neira, diretor da Organização Mundial da Saúde para meio ambiente e saúde, e Marco Lambertini, chefe da WWF International, no artigo do Guardian .

Com o coronavírus, “esses surtos são manifestações de nosso relacionamento perigosamente desequilibrado com a natureza”, disseram eles. “Todos ilustram que nosso próprio comportamento destrutivo em relação à natureza está colocando em risco nossa própria saúde – uma dura realidade que coletivamente ignoramos há décadas.

“O preocupante é que, enquanto o COVID-19 nos deu mais um motivo para proteger e preservar a natureza, vimos o contrário. Desde o Grande Mekong, até a Amazônia e Madagascar, surgiram relatórios alarmantes de aumento da caça furtiva, extração ilegal de madeira e incêndios florestais, enquanto muitos países estão se engajando em reveses ambientais apressados ​​e cortes no financiamento para a conservação. Tudo isso acontece no momento em que mais precisamos.

“Devemos abraçar uma recuperação justa, saudável e verde e dar início a uma transformação mais ampla em direção a um modelo que valoriza a natureza como base de uma sociedade saudável. Não fazer isso, e tentar poupar dinheiro negligenciando a proteção ambiental, os sistemas de saúde e as redes de segurança social, já provou ser uma economia falsa. A conta será paga muitas vezes.

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O relatório da WWF conclui que os principais fatores para doenças que se deslocam de animais selvagens para humanos são a destruição da natureza, a intensificação da produção agrícola e pecuária, além do comércio e consumo de animais selvagens de alto risco.

O relatório insta todos os governos a introduzir e fazer cumprir leis para eliminar a destruição da natureza das cadeias de suprimentos de mercadorias e ao público para tornar suas dietas mais sustentáveis.

Carne, óleo de palma e soja estão entre as commodities frequentemente ligadas ao desmatamento e os cientistas disseram que evitar carne e laticínios é a maior maneira de as pessoas reduzirem seu impacto ambiental no planeta.

Tanya Steele, chefe do WWF do Reino Unido, disse que os acordos comerciais pós-Brexit devem proteger a natureza: “Não podemos ser cúmplices em aumentar o risco da próxima pandemia. Precisamos de uma legislação forte e de acordos comerciais que nos impeçam de importar alimentos resultantes do desmatamento desenfreado ou cuja produção ignore os maus padrões de bem-estar e ambientais nos países produtores. O governo tem uma oportunidade de ouro para fazer acontecer uma mudança transformadora e líder mundial. ”

O relatório da WWF disse que 60-70% das novas doenças que surgiram em seres humanos desde 1990 vieram da vida selvagem. No mesmo período, 178 milhões de hectares de floresta foram desmatados, o equivalente a mais de sete vezes a área do Reino Unido.

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Este artigo foi publicado originalmente em inglês pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

No Brasil sob Bolsonaro, os movimentos sociais estão em luta contra a COVID-19

Por Verena Grass para a Fundação Rosa Luxemburgo

No contexto da pandemia global de COVID-19, o Brasil ganhou notoriedade devido ao tratamento governamental da crise da saúde, e particularmente devido ao comportamento controverso do presidente Jair Bolsonaro. O presidente não apenas nega os efeitos letais da COVID-19, mas também age em conformidade. Ao participar ativamente de manifestações de rua contra as restrições e comentar com zombaria sobre o crescente número de infecções e mortes no país,  Bolsonaro incentiva a população a desconsiderar os requisitos de isolamento social. Dessa maneira, ele retira a legitimidade de membros de seu próprio governo, o que já levou dois ministros da Saúde a renunciarem dentro de dois meses. Além de Bolsonaro, outros funcionários do governo tomaram medidas para:

Como os governos locais restringiram a liberdade de movimento, fecharam negócios não vitais e proibiram eventos, o número de demissões disparou. Milhares de trabalhadores foram demitidos. A resposta do governo Bolsonaro a isso foi dar aos empregadores plenos poderes para que seus funcionários trabalhem e planejem suas férias e negociem cortes de 25, 50 ou até 70% nos ordenados e salários por até três meses, o que eles fizeram A pobreza de milhares de famílias aumentou ainda mais. Os sindicatos foram excluídos de todas as negociações.

A população indígena também é bastante afetada pela pandemia. Indivíduos e lenhadores ilegais de ouro penetram nos territórios indígenas de forma sistemática e prática, com impunidade. O desmatamento na Amazônia supostamente quebrou todos os recordes no primeiro trimestre de 2020, medindo um aumento de 51% em relação ao primeiro trimestre de 2019 (Fonseca, Antônio e outros: Boletim do Desmatamento da Amazônia Legal, abril 2020, SAD, 2020) Os povos indígenas são particularmente suscetíveis às doenças dos “brancos”, que mataram milhares de pessoas no passado e levaram grupos quase inteiros à extinção. Mesmo assim, o governo emitiu uma portaria em abril que permitiu a ocupação e venda de territórios indígenas não reconhecidos. Ao mesmo tempo, o próprio ministro do Meio Ambiente criticou os controles de supervisão nas áreas de conflito e  restringiu ainda mais o uso deles. No final de maio, 20% dos aproximadamente 300 grupos populacionais indígenas já apresentavam infecções e mortes (Conselho Indigenista Missionário: Povos Indígenas ou Coronavírus ).

lux 1Munduruku, no Alto Tapajós, no estado do Pará, bloqueia o rio para impedir a passagem de garimpeiros.Foto: Wakoborun

A distribuição da COVID-19, como era de se esperar, não tem nada de “democrático” em um dos países com maior desigualdade social. A taxa de mortalidade nos bairros pobres do Rio de Janeiro e São Paulo é dez vezes maior que nos bairros ricos. Segundo estatísticas da cidade de São Paulo, os negros têm 62% mais chances de morrer de Covid-19 do que os brancos (veja SP: PRO-AIM / SIM / CEInfo / SMS-SP, dados até 17/4). Nas periferias e favelas, praticamente não existem oportunidades de distanciamento social. Em muitas áreas, não há água para lavar as mãos e atender aos requisitos mínimos de higiene. Muitos não têm dinheiro para comprar sabão, máscaras e desinfetantes. Na cidade, nas áreas rurais e nas comunidades indígenas, o número de famílias que sofrem de fome está crescendo a um ritmo alarmante. Nesse contexto, mais de cem organizações estão agindo.

Contra-ofensiva

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Os movimentos sociais unem forças para combater a disseminação do Covid-19 na periferia. Foto: Todomundo

Imediatamente após os efeitos da pandemia serem sentidos nas periferias do país, os dois grupos centrais de movimentos sociais, a Frente Brasil Popular (liderada pelo movimento sem-terra MST) e a Frente Povo sem Medo (liderada pelo movimento sem-teto MTST), têm a plataforma em comum “Precisamos de toda ajuda”, sobre o qual eles fornecem notícias e informações sobre campanhas de solidariedade, debates ao vivo, pedidos de ajuda e doações de solidariedade e oportunidades de apoio para todo o país (o portal https://todomundo.org/ oferece uma visão geral das campanhas de solidariedade) Ambos os movimentos deixaram de lado suas diferenças e conseguiram construir uma rede que reúne organizações de agricultores, indígenas, negros e quilombolas, mulheres, sindicatos, migrantes, etc.

Muitas organizações assumiram como tarefa política central participar da luta contra a pandemia no Brasil, aderindo à iniciativa nacional ou realizando ações solidárias de forma independente.

O Movimento Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), criado em 1984, é a principal organização na luta pela reforma agrícola no Brasil. Está representado em quase todo o Brasil. Desde o início da pandemia e a explosão das infecções por Covid-19, o MST doou mais de 1.500 toneladas de alimentos – a maioria foi produzida em seus próprios assentamentos. Em quase todos os estados, o movimento reúne produtos, monta “cestas de reforma agrícola” e depois organiza o transporte e a distribuição às famílias em situações rurais e urbanas de emergência. Essas ações também destacam a importância da agricultura orgânica e o trabalho dos agricultores. O MST também fornece informações sobre medidas de higiene nas distribuições e discute a necessidade de uma renda básica como um direito universal.

lux 3Membros do MST do Paraná com caminhões cheios de alimentos orgânicos doados.Foto: MST

A organização não governamental feminista Sempreviva Organização Feminista (SOF)está associado à “Marcha Mundial das Mulheres” e está ativo em várias partes do país. Uma de suas principais atividades é a educação continuada de mulheres em áreas rurais e urbanas nos campos da agricultura ecológica, cultura, economia feminista e políticas públicas. Durante a pandemia, a SOF conseguiu continuar comercializando produtos da RAMA (Agroecológica de Mulheres Agricultoras) do interior de São Paulo para consumidores e empresas da capital. Em cooperação com grupos de consumidores, foi possível receber e redistribuir os alimentos em conformidade com os regulamentos da distância social. A própria SOF também compra produtos para serem enviados para instalações auxiliares, Doe para famílias de baixa e baixa renda e para comunidades guarani nos arredores de São Paulo. Uma dessas doações foi para a Associação de Mulheres da Economia Solidária de São Paulo (AMESOL), cujos membros atualmente não têm renda porque os mercados e eventos em que normalmente vendem seus produtos não ocorrem. Também foi organizada uma campanha online para as mulheres da AMESOL, que visa doar 300 reais a 50 mulheres por dois meses. Ele suporta a produção de máscaras que são doadas ou vendidas. A SOF anuncia os produtos femininos da AMESOL por meio de seus canais de mídia social. Uma dessas doações foi para a Associação de Mulheres da Economia Solidária de São Paulo (AMESOL), cujos membros atualmente não têm renda porque os mercados e eventos em que normalmente vendem seus produtos não ocorrem. Também foi organizada uma campanha online para as mulheres da AMESOL, que visa doar 300 reais a 50 mulheres por dois meses. Ele suporta a produção de máscaras que são doadas ou vendidas. A SOF anuncia os produtos femininos da AMESOL por meio de seus canais de mídia social. Uma dessas doações foi para a Associação de Mulheres da Economia Solidária de São Paulo (AMESOL), cujos membros atualmente não têm renda porque os mercados e eventos em que normalmente vendem seus produtos não ocorrem. Também foi organizada uma campanha online para as mulheres da AMESOL, que visa doar 300 reais a 50 mulheres por dois meses. Ele suporta a produção de máscaras que são doadas ou vendidas. A SOF anuncia os produtos femininos da AMESOL por meio de seus canais de mídia social. que visa doar 300 reais a 50 mulheres por dois meses. Ele suporta a produção de máscaras que são doadas ou vendidas. A SOF anuncia os produtos femininos da AMESOL por meio de seus canais de mídia social. que visa doar 300 reais a 50 mulheres por dois meses. Ele suporta a produção de máscaras que são doadas ou vendidas. A SOF anuncia os produtos femininos da AMESOL por meio de seus canais de mídia social.

Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS)educa, apóia, mobiliza e organiza as mulheres da agricultura nas áreas suburbanas e periféricas. É particularmente ativo no Rio de Janeiro, mas também trabalha com grupos em Recife, Belo Horizonte e Salvador. O PACS quer incentivar os moradores das favelas e periferias a plantar pomares e hortas, a fim de fortalecer a segurança e a soberania alimentar e difundir o conhecimento sobre a agricultura ecológica. O PACS também quer expandir ainda mais os mercados orgânicos, aumentar a conscientização feminista e criar redes de apoio mútuo. Devido ao fechamento pandêmico dos mercados semanais no Rio, a fonte central de renda para essas mulheres não está mais disponível, é por isso que o PACS trabalha em conjunto com membros do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) para fornecer fundos das reservas de emergência da cidade. Esses fundos são usados ​​para comprar e distribuir os produtos dos agricultores, mais afetados pela fome, nas periferias. O instituto também apoia a organização de uma rede de consumidores no centro da cidade que desejam estabelecer um sistema de entrega de caixas de vegetais orgânicos e está expandindo seu trabalho com mulheres que trabalham por conta própria (vendedores ambulantes, ajudantes domésticos, etc.). Juntamente com os movimentos pelas hortas urbanas, eles falam sobre hortas como um meio de reduzir o problema da fome nas famílias. O PACS também está em processo de criação de uma rede de solidariedade para as mulheres nos quatro estados. Toda mulher grava um vídeo para outro no qual ela conforta e dá dicas para uma vida melhor. Isso varia de recomendações para cuidar do corpo e de receitas a dicas e penteados para cuidados com os cabelos e dicas sobre plantas medicinais. O objetivo é fortalecer o relacionamento um com o outro e dar esperança.

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Juliana Diniz, uma das agricultoras urbanas do PACS, em sua horta.Foto: Edson Diniz

Missão Paz(Missão Paz) é uma instituição filantrópica que apoia e acolhe imigrantes e refugiados. Coordena a “Casa da Migração” com 110 lugares e oferece, entre outras coisas, alimentação, apoio no trato com as autoridades, assistência social, assistência psicológica e médica, além de cursos de português, além de oferecer aos migrantes que procuram contatos de trabalho com empresas. A situação dos migrantes e refugiados piorou durante a crise. Muitos têm maior dificuldade em reorganizar suas vidas devido à mobilidade e isolamento restritos. A Missão Paz organizou uma quarentena coletiva com todos os estrangeiros residentes em seu centro em São Paulo e coordenou uma campanha de arrecadação de fundos para a compra de alimentos e produtos de higiene. Politicamente, a Missão Paz está comprometida em garantir que não haja contratempos em relação aos direitos dos migrantes. Para isso, coloca pressão pública sobre o governo e o parlamento e não exige nenhuma medida ou iniciativa legislativa relacionada ao Covid-19 que seja direcionada contra os interesses dos migrantes e refugiados. Em uma carta, ela pediu o envolvimento e a consulta de grupos e coletivos da sociedade civil nas decisões sobre programas e leis para responder à pandemia. direcionados contra os interesses dos migrantes e refugiados. Em uma carta, ela pediu o envolvimento e a consulta de grupos e coletivos da sociedade civil nas decisões sobre programas e leis para responder à pandemia. direcionados contra os interesses dos migrantes e refugiados. Em uma carta, ela pediu o envolvimento e a consulta de grupos e coletivos da sociedade civil nas decisões sobre programas e leis para responder à pandemia.

Pastoral social da Igreja Católica, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) apoia os interesses dos povos indígenas em todo o país e apoia vários grupos indígenas em disputas políticas e legais sobre seu território e seus direitos constitucionais. Isso é feito, entre outras coisas, condenando publicamente atos de violência (assassinatos, ocupações ilegais de terras, ameaças de morte, ataques políticos, etc.) nos níveis nacional e internacional. Devido à extrema suscetibilidade dos povos indígenas a doenças infecciosas, o CIMI produz material de informação extensivo sobre opções de autoproteção e campanhas de solidariedade desde o início da pandemia. A instalação também coleta e apresenta informações sobre rotas de transmissão e dados sobre infecções e mortes em um site especial (consulte https://cimi.org.br/coronavirus/). Em quase todos os estados em que a organização atua, ela desenvolve estratégias para obter máscaras alimentares e protetoras e distribuí-las nas comunidades. No Mato Grosso do Sul, estado em que há um número particularmente alto de conflitos e violência contra grupos indígenas (Guarani-Kaiowa e Terena), o CIMI está buscando apoio internacional para a compra de tanques de água. O Conselho da Missão também oferece treinamento para jovens de comunidades indígenas na área de trabalho local de informação e prevenção. Juntamente com organizações de povos indígenas ou aqueles que trabalham com povos indígenas, ele atua política e legalmente contra decisões do governo, como o decreto, que permite a ocupação de territórios indígenas por grandes proprietários e a venda a eles.

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O CIMI distribui tanques de água nas comunidades de Guarani-Kaiowa, no Mato Grosso do Sul.Foto: CIMI

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), movimento que organiza pessoas sem moradia, há muito tempo  luta por reformas urbanas fundamentais e pelo direito à vida decente. O ex-candidato à presidência Guilherme Boulos (PSOL) é um de seus coordenadores em nível nacional. Nos primeiros meses da pandemia, o MTST conseguiu abastecer cerca de 12.000 famílias nas periferias de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Alagoas, Pernambuco, Sergipe, Ceará, Roraima, Goiás e Distrito Federal com 100 toneladas de alimentos, Fornecer pacotes de higiene e limpeza, desinfetantes e medicamentos. Em uma primeira fase, o MTST recebeu 900.000 reais por meio de uma campanha de crowdfunding na Internet, que costumava comprar e distribuir os bens mencionados acima (uma segunda campanha já começou e deve gerar mais de um milhão de reais).

Na Bahia, o Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB)  realiza campanhas em defesa uma melhor situação de vida, especialmente na cidade de Salvador. Ela trabalha com pessoas sem-teto (a maioria negra, extremamente pobre e morando na periferia) e ocupa grandes áreas abandonadas para construir assentamentos com pequenos jardins ecológicos. O MSTB se baseia na educação política, na criação dos chamados “Territórios da Boa Vida” (Terrirórios do Bem Viver) e na cultura, como o teatro dos oprimidos. A primeira ação do MSTB durante a pandemia foi uma campanha de compra de alimentos em larga escala, distribuída às famílias do movimento e a outros necessitados. Em todos os seus assentamentos e territórios ocupados, o movimento montou tanques de água e pias para que todos pudessem lavar as mãos antes de entrar nos assentamentos. A maioria das cabanas e tendas não tem conexão com a água. As mulheres do movimento se uniram para costurar máscaras – para adultos, mas também máscaras coloridas e decorativas para crianças que têm maior dificuldade em se proteger. O MSTB também organizou uma “campanha de denúncias” contra a violência doméstica, que aumentou devido ao movimento restrito da pandemia. No caso de um ataque a uma mulher, os vizinhos devem assobiar alto, a fim de chamar a atenção da comunidade. Isso deve, então, ajudar a mulher atacada e parar o agressor com meios educativos e repressivos. mas também máscaras coloridas e decorativas para crianças que têm maior dificuldade em se proteger. O MSTB também organizou uma “campanha de denúncias” contra a violência doméstica, que aumentou devido ao movimento restrito da pandemia. No caso de um ataque a uma mulher, os vizinhos devem assobiar alto, a fim de chamar a atenção da comunidade. Isso deve, então, ajudar a mulher atacada e parar o agressor com meios educativos e repressivos. mas também máscaras coloridas e decorativas para crianças que têm maior dificuldade em se proteger. O MSTB também organizou uma “campanha de denúncias” contra a violência doméstica, que aumentou devido ao movimento restrito da pandemia. No caso de um ataque a uma mulher, os vizinhos devem assobiar alto, a fim de chamar a atenção da comunidade. Isso deve, então, ajudar a mulher atacada e parar o agressor com meios educativos e repressivos. para chamar a atenção da comunidade. Isso deve, então, ajudar a mulher atacada e parar o agressor com meios educativos e repressivos. para chamar a atenção da comunidade. Isso deve, então, ajudar a mulher atacada e parar o agressor com meios educativos e repressivos.

A Uneafro é uma rede dedicada à educação de jovens e adultos nas áreas periféricas do Brasil. A oferta varia de cursos preparatórios para o exame de admissão em universidades e seminários de preparação vocacional até educação política sobre temas como gênero, anti-racismo ou diversidade sexual, controle de drogas e trabalho legal. Em cooperação com a Coalizão Negra por Direitos, uma aliança nacional de movimentos e mulheres negras, a Uneafro está organizando ações políticas durante a pandemia para aumentar a conscientização de que a população negra precisa de proteção imediata. A rede avalia estatísticas oficiais sobre quantas infecções, Mortes e tratamentos para pessoas infectadas que afetam a população negra e exigem mais dados a serem fornecidos. Ajudou a aplicar a renda emergencial de 600 reais, financiada pelo Estado, para trabalhadores do setor informal por meio de várias atividades. Juntamente com a instituição de pesquisa Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), a Uneafro respondeu ao pedido da Comissão Interamericana de Direitos Humanos para coletar informações e coletar dados para analisar a injustiça racial e específica de gênero da pandemia. Para esse fim, a Uneafro trabalhou em conjunto com a Universidade do Grande ABC e a Fundação Rosa Luxemburgo, no mapeamento das ações emergenciais de agências governamentais e não-governamentais na região de COVID-19, na Grande São Paulo. Outra iniciativa é apoiar pessoas que perderam sua fonte de renda e precisam de alimentos e produtos de higiene para manter o isolamento social. Mais de 80% dos membros da Uneafro são professores, estudantes e coordenadores educacionais que perderam sua renda e contam com o apoio da organização. Um total de 4.000 famílias (mais de 15.000 pessoas) foram ajudadas em 39 áreas com 45 toneladas de alimentos distribuídos. que perderam sua renda e contam com o apoio da organização. Um total de 4.000 famílias (mais de 15.000 pessoas) foram ajudadas em 39 áreas com 45 toneladas de alimentos distribuídos. que perderam sua renda e contam com o apoio da organização. Um total de 4.000 famílias (mais de 15.000 pessoas) foram ajudadas em 39 áreas com 45 toneladas de alimentos distribuídos.

lux 6A Uneafro pega comida para distribuir às famílias que perderam sua fonte de renda durante a pandemia.Foto: Uneafro

Dado o rápido aumento de infecções periféricas e o risco de os hospitais não atenderem à demanda por camas, a Uneafro também trabalha diretamente com pessoas e instituições do setor de saúde. A rede oferece treinamento on-line para médicos de várias especialidades e para a equipe de enfermagem que precisa cuidar dos 19 casos moderados da COVID-19. Além disso, foram criados materiais informativos e folhetos que apontam para o racismo institucional, a fim de conscientizar os funcionários do hospital sobre esse assunto. O objetivo é aumentar a probabilidade de elaboração de um relatório em caso de discriminação racial, garantindo assim a igualdade de tratamento no sistema de saúde.

O Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras é uma plataforma para escritoras negras de Salvador (Bahia). Há três anos, eles trabalham em vários projetos que se concentram na produção cultural e artística de mulheres negras. Eles também participam de eventos literários nacionais e internacionais. Por causa da pandemia, o maior evento do gênero no Brasil, a Feira Internacional do Livro em Paraty (Festa Literária Internacional de Paraty) foi cancelada. As atividades centrais para 2020 normalmente seriam desenvolvidas lá. A organização agora está trabalhando em uma série de eventos on-line sobre a arte das mulheres negras, focada em educação, leitura e entretenimento. Para este podcasts são gravados, em que a literatura negra é discutida com escritores e pesquisadores. Também haverá um webinar sobre aspectos biográficos, trabalho, produção e crítica de vários autores negros e o intercâmbio nas redes sociais.

A iniciativa Marcha de Mulheres Negras de São Paulo reúne mulheres negras de diferentes coletivos e organizações. Ele criou um “Fundo de Solidariedade” para apoiar principalmente mulheres negras que estão em maior risco com a pandemia de Covid 19. Para combater o isolamento social, a organização também está construindo estruturas de comunicação aprimoradas e trabalhando em um novo site com novos conteúdos e contribuições.

Federação de Órgãos para Assistência social e Educacional (FASE) é uma das organizações não-governamentais mais antigas do Brasil, e trabalha em seis estados em questões como direito à cidade, soberania alimentar, agroecologia, justiça ambiental, defesa de bens comuns, direito à terra e organização de mulheres. O FASE também coleta e distribui itens de alimentos e higiene durante a pandemia. No estado de Pernambuco, por exemplo, a organização criou um fundo de ajuda de emergência com o qual cerca de 850 famílias podem ser atendidas. No estado amazônico do Pará, o FASE produz vídeos e mensagens de áudio para apoiar a disseminação de informações e preparar comunidades para o confronto com o vírus. Ela também participa de captação de recursos para suprimentos básicos de comida, pacotes de higiene e máscaras de proteção.

lux 7Moradores da região de Santarém, na Amazônia,  recebendo doações de alimentos.
 Foto: FASE

Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) atua desde 1997 e é formado por jornalistas, designers gráficos, fotógrafos etc., organizados em sindicatos, movimentos sociais e outras iniciativas. Durante a pandemia, o NPC participa de iniciativas para apoiar as pessoas nas favelas do Rio de Janeiro, incentivando, através de sua rede, a relatar e documentar a expansão da pandemia e suas conseqüências nos bairros pobres, além de ações de auto-ajuda e campanhas de solidariedade. para informar.

As Brigadas Populares é uma organização que trabalha em todo o país nas periferias urbanas e apoia iniciativas de agachamento, produção agroecológica, organização comunitária e educação política. As Brigadas também trabalham politicamente com o partido de esquerda PSOL, dois dos quais estão representados no parlamento de Minas Gerais. Como a maioria dos movimentos nacionais, as brigadas organizaram um grande arrecadador de fundos para fornecer alimentos e produtos de higiene para os necessitados em áreas onde a organização é particularmente ativa (estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará). No Rio de Janeiro, as brigadas lançaram a campanha “Você não está sozinho, mesmo em isolamento social”. Doações foram coletadas, material de informação criado e distribuído, mas também organizou uma “festa dos responsáveis” no complexo da favela da Rocinha. Inspirada nos concertos de vários músicos na Europa e nos bairros ricos do Rio de Janeiro, a típica festa da favela “Baile Funk” foi realizada de forma descentralizada nos telhados inacabados das casas. Todos podiam assistir música e discursos políticos nos telhados das casas vizinhas a partir de seu próprio telhado.

lux 8Um show de rap na cobertura da Rocinha, no Rio de Janeiro, durante a pandemia.Foto: Brigadas Populares

Bônus político

À medida que a crise da Corona no Brasil continua a piorar, o governo Bolsonaro está aproveitando as restrições e exceções não apenas para mostrar suas posições extremistas, mas também para atacar o judiciário e o Congresso Nacional e estruturas institucionais para formar suas próprias A favor de influenciar. Bolsonaro está reagindo ao fato de que ele, seus filhos e vários ministros e aliados se tornaram alvo de investigações criminais.

Para os movimentos sociais, as conseqüências da desintegração da democracia institucional são ainda mais graves que o isolamento social imposto. Protestos públicos em massa, um dos instrumentos mais importantes de resistência, praticamente não são mais possíveis, assim como outras formas de organização política coletiva. Nesse contexto, as ações práticas de solidariedade desempenham um papel fundamental. Eles se tornam uma ferramenta eficaz para fortalecer os laços das classes mais baixas. Há uma mudança de paradigma na consciência das pessoas na periferia: reconhece-se que não são as instituições que cuidam dos indivíduos, mas que os coletivos se apoiam.

Também observamos que os movimentos tendem a “territorializar” cada vez mais. As lutas locais e regionais tornaram-se mais importantes nas áreas rurais e urbanas. O lugar onde você está, onde vive e onde constrói alternativas é o lugar onde ações concretas e solidariedade podem ser realizadas.

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A distribuição de alimentos pelo MTST também é uma campanha de educação política.
 Foto: MTST

Isso não significa que o conflito entre a sociedade civil e a política institucional no Brasil tenha terminado. Embora para muitos movimentos sociais a fase atual seja mais uma época de auto-reflexão e educação adicional, a pressão para agir contra as muitas destruições e danos que o governo está causando atualmente está aumentando. Em alguns lugares, especialmente em relação ao Congresso Nacional, os efeitos catastróficos já estão aparecendo. No entanto, o que a pandemia da COVID-19 ensinou é não subestimar o poder político e reconciliador de uma boa refeição. Isso se aplica àqueles que os recebem, bem como àqueles que colhem e processam os ingredientes para eles, os preparam e os servem.

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Este artigo foi escrito originalmente em alemão e publicado pela Rosa Luxemburg Stiftung [Aqui!] .

Pedidos de recuperação judicial devem bater recorde

Senado analisa PL que agiliza processo de negociação entre empresas e credores, mas especialistas preveem sobrecarga no Judiciário

recuperação

Segundo diversas consultorias especializadas, 2020 pode chegar a registrar até cinco mil pedidos de recuperação judicial no país, um verdadeiro recorde causado, sobretudo, pela pandemia do coronavírus. Até então, o número mais alto de pedidos de recuperação judicial fora em 2016, com 1,8 mil casos. Os setores mais afetados são os de serviços, mais especificamente turismo, eventos e produções, hotelaria, academias e restaurantes.

Para Claudio Pedro de Sousa Serpe, advogado pós-graduado pela Fundação Getúlio Vargas em Direito de Empresas e Economia, especialista em recuperação judicial, a lei 11.101/2005, que trata do tema no Brasil, precisa de uma reforma urgente. “Especialmente no sentido de determinados créditos, que pela lei atual não integram a recuperação judicial. Com a inserção de novas classes de credores, tais como a tributária, garantia imobiliária, da alienação fiduciária, arrendamento mercantil, dentre outras que são excluídas pela lei atual, o processo de recuperação judicial passará a ser mais abrangente e aumentará a possibilidade da recuperação ter maior sucesso”, analisa.

“Em alguns Estados já se detecta um aumento de 90% nos trâmites de recuperação judicial quando comparado com o ano anterior”, compara Victor Fernandes Cerri de Souza, vice-presidente da Comissão de Direito Contratual, Compliance e Propriedade Intelectual da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo. Ele complementa: “Aqui, a gente ainda esbarra numa questão econômica, que já trazia uma sazonalidade para determinados negócios nos últimos cinco, seis anos, fazendo com que, por si só, existisse uma fragilidade inerente”.

Datada de 2005, a lei 11.001 foi um avanço no país, sendo aplicada com o princípio da continuidade da atividade empresarial. “A cessação da atividade empresarial traz grandes consequências para a coletividade, que acaba permeando a cadeia de produção. Os credores perdem seus créditos, os empregados seus empregos, o fisco os tributos e a população produtos e serviços que eram oferecidos por necessidade. Então ela é uma lei de cunho social muito importante que busca viabilizar a superação do momento de crise financeira e econômica de uma empresa”, avalia Cerri, sócio do escritório Correa Porto, sediado em São Paulo.

Outro ponto positivo é a promoção de acordo coletivo da devedora com seus credores, em prejuízo a acordos individuais, que nem sempre têm êxito. Também há a suspensão de ações e execuções contra a empresa devedora, a possibilidade de apresentação de um plano de recuperação viável e a determinação judicial para não retirada forçada de bens indispensáveis à atividade da empresa devedora.

A adequação, no entanto, é necessária. “É uma lei que já possui 15 anos e foi pensada para resolver problemas ordinários de economia e não problemas extraordinários, como numa pandemia”, afirma Serpe, sócio do escritório Serpe Advogados.

Em busca de uma solução para o momento atual, a Câmara dos Deputados aprovou recentemente o Projeto de Lei nº 1.397/2020, que institui medidas emergenciais e transitórias para as empresas que estão em crise devido à pandemia ou que estejam em processo de recuperação judicial. Agora, o projeto deverá ser apreciado pelo Senado Federal.

Por um lado, o texto amplia a utilização do instituto da recuperação judicial para as micro e pequenas empresas, e estipula que o pagamento aos credores poderá ser feito em até 60 parcelas (possibilidade atual é de 36 parcelas). A proposta ainda suspende por 30 dias as execuções judiciais e extrajudiciais de dívidas vencidas após 20 de março de 2020, bem como os atos como a decretação de falência, o despejo por falta de pagamento, a cobrança de multas de mora e de não pagamento de tributos.

As moratórias, no entanto, não levam em consideração o tipo de atividade das empresas e se, de fato, as dificuldades financeiras foram impostas pelo isolamento social. Após a moratória de 30 dias, o devedor pode ainda comprovar redução igual ou superior a 30% de seu faturamento – em comparação com o mesmo período do ano anterior – e ingressar com um pedido de Negociação Preventiva perante o juízo especializado em recuperação judicial e falências.

“Se a pretensão do legislador é fomentar com vigor a composição e renegociação de contratos muito mais para que ocorram na esfera amigável, o instrumento da Negociação Preventiva segue em sentido inverso, levando à judicialização do processo, conferindo ao Poder Judiciário uma série de tarefas, desde a distribuição da medida, verificação pelo juiz do preenchimento dos requisitos legais, designação de negociador, entre outros”, avalia Claudio Serpe.

“A contrapartida é inglória, pois haverá um cenário de assoberbamento do Poder judiciário incomum, já que poderá haver um aumento muito significativo de números de processos em tramitação, especialmente, diante da dimensão da crise provocada pela pandemia”, continua Serpe.

Para Victor Cerri, as intenções do projeto de lei são boas. “Traz o procedimento de negociação preventiva, de jurisdição voluntária, com base no sistema europeu de gestão de crise, além do que propõe uma série de alterações de recuperação judicial e falências. Me parece que são medidas que vão impactar o mercado, só que de forma diversa, porque cada negócio tem uma característica. Alguns setores tem prejuízos inestimáveis, com problemas graves de fluxo de caixa, que impossibilitam regular qualquer implemento de obrigação. A gente sempre tem que pensar que isso estimula a economia, mas impacta os credores. Por outro lado, é melhor receber algo a longo prazo do que não receber”.

 

Por  M2 Comunicação
Aline Moura
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Marcio Santos
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Movimento Brasil Sem Corona prevê área prioritária para testagem para COVID-19

  • • Pesquisadores cruzaram informações de voluntários que reportam seus sintomas por meio de aplicativo com dados de síndromes respiratórias da Prefeitura de Caruaru (PE)
  • • Identificação de área de risco em que testagem foi feita apresentou acerto no intervalo de 84% a 94%
  • • Movimento promove vigilância participativa para apoiar gestores e equipes de Saúde no planejamento de ações de combate à Covid-19 no Brasil

corona mapping

São Paulo, 08 de junho de 2020 — Com a abordagem da vigilância participativa, uma metodologia com embasamento científico em que cidadãos ajudam a construir um mapa de risco de epidemias, o Movimento Brasil Sem Corona conseguiu ajudar uma gestão pública do Brasil a priorizar áreas para o direcionamento de testes da COVID-19.

O caso aconteceu em Caruaru, cidade no interior de Pernambuco, onde a participação dos moradores relatando seus sintomas por meio do Brasil Sem Corona é consistente, e a plataforma foi adotada pela prefeitura municipal para complementar os dados do seu sistema de vigilância em Saúde. Diante de 100 testes para detecção de COVID-19, a prefeitura queria saber para onde seria mais inteligente direcioná-los.

Desde o dia 20 de março milhares de voluntários de todo o Brasil estão informando como estão se sentindo com o objetivo de mapear coletivamente o risco do avanço do novo coronavírus pelo território nacional. O mapa gratuito e as informações sobre como participar estão disponíveis em www.brasilsemcorona.com.br

Para ajudar a prefeitura de Caruaru (PE) a otimizar o uso dos testes, os pesquisadores do Brasil Sem Corona cruzaram as informações enviadas por moradores da cidade com dados oficiais de síndromes respiratórias do município e identificaram seis áreas de risco de infecção. A prefeitura optou por enviar os testes para uma região de sobreposição de duas dessas áreas, em que os moradores teriam de 34% a 38% mais chance de serem casos positivos de COVID-19 em relação aos de outras regiões.

Com a aplicação dos exames, 32% das pessoas testaram positivo, o que quer dizer que a análise do Brasil Sem Corona apresentou um acerto no intervalo de 84% a 94%. A prefeitura também realizou testes em áreas fora daquela região e o resultado foi que apenas 3% das pessoas testaram positivo.

“A testagem depende da disponibilidade de materiais e, em um cenário de escassez como o do Brasil, deve ser usada de maneira muito eficiente e otimizada para evitar qualquer tipo de desperdício. A experiência em Caruaru mostra como a vigilância participativa consegue empoderar uma estratégia ou política pública de direcionamento de testes para Covid-19 de maneira inteligente e robusta”, diz Onicio Leal, epidemiologista e PhD em Saúde Pública, cofundador da startup Epitrack, à frente do Movimento Brasil Sem Corona.

“A parceria com o Brasil Sem Corona é imprescindível para o uso dos recursos públicos de maneira adequada e eficiente. Com vigilância participativa, conseguimos atuar mais perto da população e do que ela realmente precisa, além de aumentar a eficiência do serviço público”, diz Francisco Santos, secretário de Saúde de Caruaru (PE).

Além de Caruaru, outras gestões públicas optaram por usar as informações do Brasil Sem Corona para entender tendências da doença e melhorar o tipo de informação que usam para combatê-la, como é o caso de Maceió (AL), Teresina (PI), Ipojuca (PE) e Santo André (SP).

Construção do mapa do Brasil Sem Corona

O mapa do Brasil Sem Corona mostra com geolocalização aproximada e atualização em tempo real os casos considerados suspeitos de COVID-19, graves, confirmados, com alguns sintomas e sem sintomas. A partir do relato dos cidadãos, a classificação é feita por um modelo epidemiológico sindrômico desenvolvido por pesquisadores da Epitrack, startup de inteligência de dados para o monitoramento e controle de doenças, que é referência internacional para a detecção de epidemias.

O Movimento Brasil Sem Corona é uma iniciativa conjunta da Epitrack e a startup Colab, plataforma colaborativa de engajamento de cidadãos e governos, por onde os voluntários reportam como estão se sentindo. O Colab foi escolhido como plataforma para a pesquisa por já ser usado por mais de 300 mil brasileiros em milhares de municípios e ser adotado por mais de 100 prefeituras para uma gestão pública mais eficiente e colaborativa. 

A iniciativa tem apoio da Amazon Web Services (AWS), que doou US$ 75 mil em créditos de servidores para a plataforma do Brasil Sem Corona.

Pesquisadores e organizações interessados em desenvolver estudos independentes a partir das informações produzidas pela iniciativa podem solicitar acesso à base de dados do movimento.

Vigilância participativa no combate à COVID-19

Diante da ameaça da pandemia do novo coronavírus, muitos países têm usado plataformas de vigilância participativa para ajudar no combate à COVID-19.

Dois estudos científicos publicados recentemente legitimaram a metodologia como estratégia para prever picos de casos confirmados da Covid-19. Os estudos foram realizados a partir de relatos de mais de 2,5 milhões de voluntários por meio de um aplicativo usado nos Estados Unidos e no Reino Unido. Uma das pesquisas, publicada na revista Science*, mostrou que o método conseguiu antecipar com 5 a 7 dias de antecedência dois picos de notificação oficial da doença no sul do País de Gales.

No Brasil, a vigilância participativa foi usada pelo governo federal em 2014, durante a Copa do Mundo, e em 2016, nos Jogos Olímpicos, para monitorar possíveis focos de epidemias durante os eventos em massa, por meio de uma parceria com a Epitrack.

*Estudo: Rapiimplementatioomobiltechnologforealtimepidemiologocovid19 . Autores: David A. Drew, Long H. Nguyen, Claire J. Steves, Cristina Menni, Maxim Freydin, Thomas Varsavsky, Carole H. Sudre, M. Jorge Cardoso, Sebastien Ourselin, Jonathan Wolf, Tim D. Spector, Andrew T. Chan, COPE Consortium

Mais sobre a Epitrack

A Epitrack atua no segmento de Digital Health com a missão de proporcionar acesso inteligente à saúde. Suas plataformas contam com mapas interativos que mostram como doenças se comportam no território. Criada em 2013, a startup já se tornou referência na construção de plataformas baseadas em crowdsourcing e inteligência epidemiológica.

A startup desenvolveu plataformas de vigilância participativa em eventos de massa, como a Saúde na Copa, para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, e a Guardiões da Saúde, para os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Durante esses eventos, o Ministério da Saúde instalou um gabinete de monitoramento com uma equipe central de vigilância que ficava acompanhando as tendências de risco de epidemias e, quando avaliava necessário, enviava equipes de investigação em campo para averiguar se de fato estava ocorrendo o início de um surto.

Também desenvolveu outras soluções que foram aplicadas em países como Estados Unidos, Canadá, Suíça e Porto Rico.

www . epitrack . tech

Mais sobre o Colab

Colab é uma plataforma que conecta cidadão a governo, para dar mais voz ao cidadão e permitir que o governo pratique uma gestão mais compartilhada e eficiente. A população posta demandas de zeladoria urbana no aplicativo Colab e elas são levadas em tempo real às prefeituras pelo sistema da plataforma, sem paradas burocráticas ou empecilhos. E os gestores se baseiam nas propostas e pedidos dos cidadãos para conduzir a administração pública. Pelo aplicativo, os cidadãos também respondem a consultas públicas realizadas pelas prefeituras, para que sua opinião seja levada em conta em tomadas de decisão.

Fundado em 2013 e eleito o melhor aplicativo urbano do mundo pela New Cities Foundation, o Colab já recebeu prêmios nacionais e internacionais pela inovação na gestão pública. Também é a plataforma escolhida pelo ONU-Habitat, o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, para aplicar uma pesquisa anual nacional de percepção dos brasileiros sobre a condição de vida em suas cidades.

www.colab.re

Marina Franco
Oficina de Impacto

Jair Bolsonaro acha que vai escapar das responsabilidades sobre a catástrofe da COVID-19, mas está enganado

bolso renitenteO presidente Jair Bolsonaro confrontou de forma ríspida uma eleitora que o questionou sobre os 38.000 mortos pela COVID-19. Ele precisará se acostumar às cobranças que virão

O presidente Jair Bolsonaro tem sido um contumaz negacionista da letalidade do novo coronavírus e da infecção que ele causa, a COVID-19.  Agora, com o total de mortos chegando a 40.000 mil, as cobranças por sua postura estão vindo até dos seus eleitores, coisa que obviamente o está irritando profundamente, já que não está acostumado a ter que dar explicações sobre o quer que seja.

Hoje ele teve um primeiro encontro com uma eleitora e apoiadora, a youtuber Cris Bernat, que trabalha com o vereador paulistano do MBL Fernado Holiday (DEM/SP),  que cobrou suas responsabilidades sobre o número de mortos pela COVID-19 (ver vídeo abaixo).

Como se vê no vídeo, a primeira reação do presidente Jair Bolsonaro foi ficar em silêncio, como se estivesse esperando que a maioria dos apoiadores mais obstinados calassem a eleitora renitente.  Mas como isso aconteceu, ele depois partiu para um costumeiro gesto de tentar calar  uma eleitora que apenas exercia o direito de cobrar o eleito. 

Aí ele fez o que sempre fez nos seus quase 30 anos de vida parlamentar:  mandou  sua eleitora renitente  se retirar da porta do Palácio da Alvorada, e ainda disse “Cobre do seu governador. Sai daqui“.

O problema para  Jair Bolsonaro é que não será tão fácil calar aquela parcela de eleitores que votou esperando por reais mudanças na condução do governo em prol dos pobres, que nem parece ser o caso de Cris Bernat. E ainda terá de ouvir muitas vezes declarações semelhantes ou ainda piores do que aquela que pode ser ouvida no vídeo : “O senhor, como chefe da Nação, eu votei no senhor, fiz campanha para o senhor, acho até que o senhor me conhece. E eu sinto que o senhor traiu a nossa população”.

As próximas semanas e meses deverão de ser de dura provação para Jair Bolsonaro, mas não tão duras para as milhares de famílias que estão perdendo entes queridos para uma pandemia letal, que só chegou ao nível que está chegando pela postura negacionista do presidente da república. Simples assim!

Com a pandemia fora de controle, trabalhadores brasileiros são jogados nos braços da COVID-19

Depois que muito outros milhares de brasileiros morrerem por causa da insensibilidade e irresponsabilidade dos governantes que colocam o lucro acima da vida, lembrem bem dessa imagem de um ônibus carregando trabalhadores na cidade do Rio de Janeiro. É nesse sistema de transporte público aquém da dignidade dos transportados, que governantes como Marcelo Crivella e Wilson Witzel estão jogando os trabalhadores nos braços mortais da COVID-19.

pandemia isolamento

O fato inescapável é que as elites econômicas do Brasil estão satisfeitas em poder jogar milhões de trabalhadores pobres no cadafalso em nome da manutenção das políticas ultraneoliberais do governo Bolsonaro e do seu ministro banqueiro, Paulo Guedes. É que, ao contrário dos trabalhadores, as elites possuem jatos, helicópteros que podem levar seus membros para o interior de mansões nababescas.

No futuro quando se olhar para essas imagens, poderemos lembrar que em meio a uma pandemia letal e com a curva de contaminação ainda longe do seu pico, os trabalhadores foram sacrificados para que os ricos pudessem continuar suas vidas luxuriantes, como se nada estivesse acontecendo.

Enquanto isso, a COVID-19 segue sua margem implacável: o Brasil possui no momento em números oficiais um total 742.084 de pessoas infectados pelo coronavírus e 38.497 mortos. E isto sem levar a óbvia subnotificação que omite uma quantidade ainda desconhecida de pessoas afetadas pela pandemia.

 

Vacina contra o coronavírus pode estar pronta para uso emergencial dentro de meses, diz especialista chinês Zhong Nanshan

Zhong Nanshan, especialista em doenças respiratórias diz que o desenvolvimento da imunidade do rebanho vai custar milhões de vidas, então a única maneira de derrotar o Covid-19 é inocular pessoas. 

Zhong  afirma que as vacinas para uso em emergências podem estar prontas até o outono, mas o uso em larga escala pode demorar até dois anos.

zhangZhong Nanshan disse que a vacina estará pronta para uso emergencial no final do ano. Foto: Xinhua

Por Zhuang Pinghui em Beijing

A China poderia ter uma  vacina para uso em emergências já neste outono, de acordo com o principal especialista em doenças respiratórias do país,  Zhong Nanshan.

A estimativa de Zhong ecoou os comentários do mês passado que foram feitos por Gao Fu, chefe do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças, de que estava elaborando diretrizes para determinar quem seria elegível para receber a vacina, quando tomá-la e o que constituiria uso emergencial.

O chefe do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, Antony Fauci, fez comentários semelhantes, dizendo que 100 milhões de doses podem estar prontas até o final do ano, mesmo antes do final dos ensaios clínicos.

Zhong disse que a “imunidade do rebanho sem intervenção não poderia ser alcançada sem um alto número de mortos, tornando a inoculação o único meio viável de obter imunidade ao rebanho“.

A imunidade natural precisa de 60 a 70% da população de um país para ser infectada pelo novo coronavírus, o que poderia causar um número de mortes de 30 a 40 milhões“, disse Zhong em um evento ao vivo realizado pelo gigante da tecnologia Baidu. “A [única] solução ainda é a vacinação em massa”.

[A imunidade do rebanho] ainda depende do desenvolvimento de vacinas. A vacinação em larga escala levará de um a dois anos. A nova vacina pode ser usada em caso de emergência já neste outono ou no final do ano.”

Cinco vacinas desenvolvidas por cientistas chineses estão passando por testes em seres humanos, de acordo com um documento oficial do governo publicado no domingo.

Uma das vacinas candidatas, desenvolvida pelo Instituto de Produtos Biológicos de Pequim, publicou seus dados pré-clínicos na revista Cell no sábado.

Os dados mostram que em macacos a vacina, que usa um patógeno inativado, induziu altos níveis de anticorpos que defendem o corpo e forneceu uma proteção altamente eficiente contra o Sars-CoV-2, o vírus que causa o Covid-19.

Os macacos foram imunizados duas vezes no dia zero e no dia 14, enquanto um grupo placebo recebeu solução salina.

No dia 24, todos os macacos foram expostos ao Sars-CoV-2.

O grupo placebo manteve uma carga viral alta durante o período de avaliação de sete dias após a exposição, mas as zaragatoas dos macacos vacinados mostraram que a carga viral atingiu o pico no quinto dia e foi significativamente menor no sétimo dia.

No sétimo dia após a exposição ao vírus, todos os animais foram sacrificados para exame patológico.

Laboratório chinês produz possível vacina contra o coronavírus ...Cinco vacinas chinesas estão passando por testes em humanos. Foto: AFP

Nenhum macaco nos grupos de baixa e alta dose apresentou carga viral detectável nos lobos pulmonares, diferentemente do grupo placebo.

“Em conjunto, todos esses resultados demonstraram que as vacinas de baixa e alta dose conferiram proteção altamente eficiente contra Sars-CoV-2 em macacos sem aumento observado da infecção dependente de anticorpos”, escreveram os pesquisadores.

Yang Xiaoming, presidente do China National Biotec Group, empresa controladora do Instituto de Produtos Biológicos de Pequim, disse ao portal de notícias Thepaper.cn no mês passado que o grupo estava se concentrando no desenvolvimento de uma vacina inativada porque era experiente nesse campo e poderia ser produzido com segurança.

Outra subsidiária, o Instituto Wuhan de Produtos Biológicos, está conduzindo testes em humanos com outra vacina inativada. O grupo construiu instalações de produção de alta biossegurança que podem produzir 200 milhões de vacinas por ano.

O grupo também está desenvolvendo vacinas que usam outras técnicas – incluindo uma vacina de proteína recombinante que usa engenharia genética – mas essas são de menor prioridade.

O especialista em vacinas de Xangai, Tao Lina, disse que diferentes tecnologias de vacinas têm suas vantagens e desvantagens e ainda é cedo para dizer que tipo de vacina estará pronta para ser usada primeiro.

“Os inativados geralmente precisam de duas ou três doses, enquanto outras tecnologias podem precisar de apenas uma dose. As vacinas que usam a tecnologia de DNA ou RNA provavelmente entrarão em ensaios mais tarde do que as vacinas inativadas, mas é mais fácil expandir a capacidade de produção para elas ”, disse Tao.

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Este artigo foi originalmente publicado em inglês pelo jornal “South China Morning Post” [Aqui!].

Mais de 70 entidades assinam nota contra ocultação de dados da COVID-19 pelo governo Bolsonaro

ocultação

A nota foi divulgada nesse domingo, 7 de junho,  pela SBPC e pela ABC. “Repudiamos qualquer omissão ou deturpação de dados relativos à covid-19. A subtração e a manipulação de dados não mudam a realidade. E não aliviam o peso de milhares de mortes sobre aqueles que preferirem a ficção à ação, abdicando de seu dever de proteger a saúde da população”, escrevem as entidades

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), divulgaram nesse domingo, 7 de junho uma nota contra a ocultação de dados da covid-19 pelo governo. Até o momento, o documento foi subscrito por mais de 70 entidades e instituições de todo o País.

Na carta, as entidades alertam que a atitude do atitude do Governo Federal em não revelar os dados da pandemia permite a manipulação das informações sobre a evolução da doença no Brasil, além de impedir o correto acompanhamento e contenção do vírus que já infectou centenas de milhares de pessoas e levou dezenas de milhares à morte.

“Repudiamos qualquer omissão ou deturpação de dados relativos à COVID-19. A subtração e a manipulação de dados não mudam a realidade. E não aliviam o peso de milhares de mortes sobre aqueles que preferirem a ficção à ação, abdicando de seu dever de proteger a saúde da população”, escrevem as entidades.

O documento foi encaminhado ao Ministério da Saúde (MS), à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (SCTIE) do MS, ao Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), ao Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e ao Conselho Nacional de Saúde (CNS).

Leia a carta na íntegra:

NOTA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS E DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA SOBRE A OCULTAÇÃO DOS DADOS DA COVID-19

Na noite de sexta feira, 5 de junho de 2020, foi retirado o acesso ao portal do governo federal que divulga os dados diários da COVID-19. O referido portal foi reaberto no sábado, 6 de junho de 2020, contendo informações reduzidas, com a justificativa de adoção de nova sistemática de contabilização de casos e óbitos causados pela doença.

A atitude do Governo em não revelar os dados da pandemia permite a manipulação das informações sobre a evolução da COVID-19 no país e impede o acompanhamento e a contenção da doença que tem afetado centenas de milhares de brasileiros. Um cenário de desinformação contribui para que a população se sinta abandonada à sua própria sorte. A ocultação de dados prejudica também a programação para volta de atividades e circulação de pessoas, impactando o planejamento econômico para a saída da recessão, e atenta contra a imagem do Brasil no exterior.

Os dados epidemiológicos são fundamentais para esse planejamento e impactam não somente o conhecimento da evolução da doença no país, mas também no exterior, pois são coletados por instituições  como a tradicional universidade John Hopkins dos Estados Unidos e o Imperial College do Reino Unido. É inaceitável a omissão dos dados sobre a pandemia

É, portanto, indispensável e urgente que sejam restabelecidas a transparência e a clareza na divulgação dos dados, em tempo real, para toda a população e para o mundo, condição necessária para o enfrentamento dessa terrível pandemia. Só assim será possível, a partir da análise científica baseada em dados confiáveis, sair da crise e reduzir o número de vítimas.

Repudiamos qualquer omissão ou deturpação de dados relativos à COVID-19. A subtração e a manipulação de dados não mudam a realidade. E não aliviam o peso de milhares de mortes sobre aqueles que preferirem a ficção à ação, abdicando de seu dever de proteger a saúde da população.

Rio de Janeiro, 7 de junho de 2020

Ildeu de Castro Moreira

Presidente da SBPC

 Luiz Davidovich

Presidente da ABC

Veja o documento aqui.

 

Além da SBPC e da ABC, subscrevem o documento as seguintes entidades:

Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP)

Academia Pernambucana de Ciências (APC)

Associação Brasileira de Antropologia (ABA)

Associação Brasileira de Bioinformática e Biologia Computacional (AB3C)

Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação (ABECO)

Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)

Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas (ABCF)

Associação Brasileira de Cristalografia (ABCr)

Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM)

Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM)

Associação Brasileira de Estatística (SBE)

Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED)

Associação Brasileira de Etnomusicologia (ABET)

Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

Associação Brasileira de Limnologia (ABLimno)

Associação Brasileira de Linguística (Abralin)

Associação Brasileira de Mutagênese e Genômica Ambiental (Mutagen-Brasil)

Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC)

Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor)

Associação Brasileira de Química (ABQ)

Associação Nacional de História (ANPUH)

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (ANPARQ)

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)

Associação Nacional de Pós graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL)

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS)

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED)

Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Geografia (ANPEGE)

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR)

Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (ANPOF)

Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Comunicação (COMPÓS)

Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE)

Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas da Comunicação (SOCICOM)

Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FESBE)

Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC)

Sociedade Astronômica Brasileira (SAB)

Sociedade Brasileira de Automática (SBA)

Sociedade Brasileira de Biofísica (SBBfis)

Sociedade Brasileira de Biologia Celular (SBBC)

Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq)

Sociedade Brasileira de Computação (SBC)

Sociedade Brasileira de Ecotoxicologia (ECOTOX-Brasil)

Sociedade Brasileira de Eletromagnetismo (SBMAG)

Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos (SBEC)

Sociedade Brasileira de Farmacognosia (SBFGnosia)

Sociedade Brasileira de Física (SBF)

Sociedade Brasileira de Fisiologia (SBFis)

Sociedade Brasileira de Fisiologia Vegetal (SBFV)

Sociedade Brasileira de Genética (SBG)

Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC)

Sociedade Brasileira de História da Educação (SBHE)

Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI)

Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI)

Sociedade Brasileira de Inflamação (SBIN)

Sociedade Brasileira de Matemática (SBM)

Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC)

Sociedade Brasileira de Microbiologia (SBM)

Sociedade Brasileira de Microeletrônica (SBMicro)

Sociedade Brasileira de Micro-ondas e Optoeletrônica (SBMO)

Sociedade Brasileira de Microscopia e Microanálise (SBMM)

Sociedade Brasileira de Ornitologia (SBO)

Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP)

Sociedade Brasileira de Parasitologia (SBP)

Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat)

Sociedade Brasileira de Pesquisa Operacional (SOBRAPO)

Sociedade Brasileira de Protozoologia (SBPz)

Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP)

Sociedade Brasileira de Química (SBQ)

Sociedade Brasileira de Telecomunicações (SBrT)

Sociedade Brasileira de Virologia (SBV)

Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB)

União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (Ulepicc-Brasil)

Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE)

Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (ECOECO)

Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO)

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Esta matéria foi inicialmente publicada pelo jornal eletrônico da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) [Aqui!].

Ruas lotadas, vendas baixas… e o vencedor é o coronavírus

A imagem abaixo mostra uma multidão ocupando uma rua central da cidade de Campinas (SP), após a decretação do fim do isolamento social pela Prefeitura Municipal comandado por Jonas Donizete (PSB).

rua lotada campinas

Lojistas entrevistados pelo jornal A Cidade mostraram um resultado heterogêneo, mas houve comerciante que ficou desapontado com o baixo nível de vendas. É que, segundo um lojista entrevistado, a maioria das pessoas que estava no centro de Campinas nesta segunda-feira foi lá para passear e não comprar.

Em cerca de duas semanas (que é o tempo de leva para o coronavírus completar o seu ciclo mortal) é muito provável que Campinas esteja com um alto número de mortes pela COVID-19. É que o alto nível de infecção que inevitavelmente ocorreu hoje, já que a liberação do comércio campineiro se deu em um momento de elevação da curva, resultará em muitos óbitos.

Os culpados para a tragédia que está sendo montada com a abertura precoce na maioria das cidades brasileiras serão os governantes que estão optando por abrir espaço para a ampla disseminação de um vírus letal em troca sabe-se lá do que.

Felizmente no Rio de Janeiro, um juiz que honra a toga, o meritíssimo Bruno Bodart da 7a. Vara de Fazenda Pública, suspender partes dos decretos que relaxavam o isolamento social no estado e município do Rio de Janeiro.  Co m isso, o juiz Bruno Bodart está salvando milhares de vidas, pois, como se viu em Campinas, toda a confusão criada acerca da letalidade da COVID-19 terminou criando um ambiente social que beira a anomia.