Corporações globais dos venenos agrícolas: ganhos bilionários, mas com crescentes pressões contrárias

Lista de classificação das 20 principais empresas agroquímicas globais de 2019 recompostas, agraciadas por 11 empresas chinesa

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Recentemente, a AgroPages divulgou a lista de classificação das 20 maiores empresas agroquímicas globais de 2019. De acordo com a lista, no FY2019, as vendas totais dessas 20 maiores empresas agroquímicas alcançaram US $ 59,53 bilhões, crescendo US $ 3,13 bilhões, ou 5,6%, em comparação com US $ 56,396 bilhões no FY2018. A proporção da concentração foi aumentada ainda mais. Dessa forma, a lista do ranking das 20 melhores empresas foi recomposta. Os novos 4 jogadores principais foram: Bayer CropScience, Syngenta, BASF e Corteva, seguidos de perto por FMC e UPL. Especificamente, os 4 principais participantes responderam por 57% das vendas totais das 20 maiores empresas e os 10 principais participantes representaram quase 90%. Em termos de taxa de crescimento, o UPL liderou a lista, com uma taxa colossal de 66%. O destaque foi que até 11 empresas chinesas figuraram na lista. 

De acordo com dados estatísticos da Phillips McDougall, com base nos níveis ex-fábrica, em 2019 o mercado global de agrotóxicos para lavouras registrou vendas de US $ 59,827 bilhões, representando uma queda de 0,8% em comparação com o nível de US $ 60,304 bilhões em 2018. 2019, o mercado global de pesticidas foi afetado negativamente por uma ampla gama de fatores. Para começar, muitas partes do globo enfrentaram duros desafios climáticos – principalmente as enchentes que infligiram a América do Norte e as secas que afetaram o sudeste da Ásia e a Austrália – limitando assim a aplicação de produtos de proteção à lavoura. Em segundo lugar, as disputas comerciais China-EUA têm afetado o cenário global do comércio de safras. Terceiro, as políticas draconianas da Europa sobre o manejo de pesticidas resultaram no banimento do uso de alguns dos produtos fitossanitários básicos. Finalmente, A China impôs regulamentos mais rígidos sobre segurança e proteção ambiental. Em termos de mercados regionais, a América Latina foi a única região que obteve ganhos. A região registrou um crescimento expressivo de 17,6%, compensando efetivamente o declínio em todas as outras regiões.

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Quatro gigantes prometem ser recompostos

Graças à aquisição da Monsanto, em 2019, a Bayer CropScience ultrapassou a Syngenta, liderando a lista com US $ 10,374 bilhões em vendas. Isso permitiu que a Bayer se tornasse a maior empresa de agrotóxicos do mundo, que teve um crescimento de desempenho de 7,6% ano a ano. No portfólio de agrotóxicos da Bayer, o herbicida tem um papel de liderança, respondendo por 46,9%. Em 2019, as vendas de herbicidas chegaram a €5,097 bilhões, um salto de 22,2% com relação ao ano anterior. Em 2019, a Bayer CropScience viu suas vendas na América do Norte – seu maior mercado regional (incluindo pesticidas e sementes) – aumentarem em 86,2%, para EUR 8,743 bilhões.

A Syngenta, que ficou em segundo lugar com uma pequena diferença, registrou vendas de agrotóxicos de US $ 10,118 bilhões, um aumento de 2,1% ano a ano. Herbicida, a maior categoria de produtos da Syngenta, rendeu à empresa US $ 3,538 bilhões em vendas em 2019. O nascimento do Syngenta Group, um titã agroquímico global, foi sem dúvida o maior marco para a indústria agroquímica global no ano. Em 2019, o Grupo Syngenta registrou vendas de até US $ 23 bilhões (incluindo cerca de US $ 14 bilhões em negócios de agrotóxicos), prometendo reescrever o ranking da lista mais uma vez.

Em 2019, as vendas de agrotóxicos da BASF Agricultural Solutions cresceram 3,0%, para US $ 7,123 bilhões. Herbicida, representando 41,1%, é a principal categoria de produtos da BASF e registrou EUR 2,616 bilhões em vendas em 2019. A América do Norte representa o maior mercado regional da BASF. Em 2019, as vendas da empresa na região atingiram EUR 3,108 bilhões (incluindo pesticidas e sementes), aumentando 43,5% ano a ano e respondendo por 39,8% das vendas totais da empresa. Europa; América do Sul, África, Oriente Médio como um todo; e a Ásia representou 27,1%, 23,0% e 10,0%, respectivamente.

Seguindo a BASF, a Corteva registrou vendas de agrotóxicos de US $ 6,256 bilhões, queda de 2,9% ano a ano. Do portfólio de defensivos agrícolas da Corteva, a América do Norte é o maior mercado regional, cujas vendas em 2019 alcançaram US $ 2,205 bilhões (representando 35,2%), queda de 9,6% ano a ano. América latina; Europa, Oriente Médio e África como um todo; e o Pacífico Asiático representou 28,1%, 21,8% e 14,9%, respectivamente.

Empresas intermediárias miram alto

As empresas que ocupam o 5º ao 9º lugar na lista – incluindo FMC, UPL, ADAMA, Sumitomo Chemical e Nufarm – com vendas combinadas de US $ 17,77 bilhões, representaram 30% das vendas totais dos 20 principais jogadores. Exceto a ADAMA, que teve uma queda modesta nas vendas, os outros jogadores intermediários obtiveram crescimento em seu desempenho de vendas. A UPL viu o aumento mais forte de 66% com relação ao ano anterior, liderando a lista em termos de taxa de crescimento.

Em 2019, a FMC ocupou o 5º lugar na lista com vendas de US $ 4,61 bilhões, um aumento de 7,6% ano a ano. Esse crescimento se beneficiou principalmente de maiores volumes e preços elevados dos agrotóxicos da empresa. A empresa registrou o maior aumento na América Latina, onde suas vendas cresceram 19% ano a ano. A alta de preços também foi um dos fatores críticos que impulsionaram seu desempenho.

Beneficiando-se da aquisição bem-sucedida da Arysta LifeScience, a UPL teve um aumento colossal de 66% em suas vendas de agrotóxicos, com os agrotóxicos respondendo por 88% de seu negócio total. Exceto na Europa, as vendas denominadas em rúpias do negócio geral da UPL registraram crescimento de dois dígitos em todos os mercados regionais, com o mercado latino-americano registrando o salto mais forte de 24% com relação ao ano anterior. Em termos de vendas de pesticidas, a UPL ficou em 4º lugar no Brasil e em 1º lugar no México e na Colômbia.

Em 2019, as vendas de agrotóxicos da ADAMA, uma subsidiária do Syngenta Group, somaram US $ 3,611 bilhões (representando 90,3% de suas vendas totais), permanecendo praticamente estável em comparação com o nível de 2018 e permitindo que a empresa ocupasse a 7ª posição na lista das 20 maiores empresas. Entre os vários defensivos agrícolas da ADAMA, o herbicida representa a maior categoria de produtos, cujas vendas em 2019 alcançaram US $ 1,72 bilhão, representando 47% das vendas totais de todos os agrotóxicos. Quando se trata de vendas regionais (incluindo defensivos agrícolas e intermediários e ingredientes), Europa e América Latina, com vendas de US $ 1,030 e US $ 1,022 respectivamente, classificadas entre as melhores dos 5 principais mercados. Especificamente, o mercado europeu viu uma queda de 2,6% em suas vendas; enquanto o mercado latino-americano viu o maior, 9,3% de aumento ano-a-ano. Além do que, além do mais,

Afetada por condições climáticas extremas na América do Norte, a Sumitomo Chemical, que ficou em 8º lugar na lista, registrou US $ 2,575 bilhões em vendas no ano fiscal de 2019, um aumento modesto de 1,5% ano a ano. Notavelmente, no início de abril de 2020, a Sumitomo Chemical concluiu oficialmente sua aquisição das operações da Nufarm na América do Sul. Após esta aquisição, o negócio de agrotóxicos da Sumitomo Chemical na América do Sul ultrapassará o da América do Norte e verá as vendas na região excederem JPY 100 bilhões.

Devido às secas prolongadas na Austrália, a Nufarm, que ficou em 9º lugar na lista, viu seu crescimento nas vendas de agrotóxicos denominados em AUD em todas as regiões, exceto na Austrália e na Nova Zelândia. Por categoria de produto, as vendas de herbicidas aumentaram 8% para AUD 2,29 bilhões, com o crescimento dos herbicidas fenoxi compensando uma queda de 3% nas vendas de glifosato devido às condições climáticas desfavoráveis ​​na Austrália. As vendas de glifosato representaram aproximadamente 10% da margem bruta total da empresa em 2019. Outras receitas de herbicidas aumentaram 21% em relação ao ano anterior, sendo Dicamba, Flumioxazin, Bromoxinil e Fluazifop os principais contribuintes. As vendas de inseticidas aumentaram 21% para AUD 462 milhões, com crescimento impulsionado principalmente por uma contribuição de um ano inteiro dos portfólios europeus adquiridos e crescimento contínuo no Brasil.

As vendas de fungicidas aumentaram 30%, para AUD 410 milhões. O crescimento foi impulsionado principalmente por uma contribuição do ano inteiro dos portfólios europeus adquiridos com misturas de tebuconazol e procloraz apresentando forte crescimento, apesar do fornecimento restrito limitar as vendas.

Empresas chinesas ganham destaque

Nove das 11 empresas após as 9 primeiras na lista estavam sediadas na China, com a Yangnong Chemical completando as 10. Outras duas empresas japonesas foram Kumiai Chemical e Nissan Chemical, que classificaram em 15º e 16º, respectivamente.

Em 2019, a Yangnong Chemical viu suas vendas de agrotóxicos dispararem 58,8% com relação ao ano anterior, para US $ 1,251 bilhão, um salto que mudou sua posição de 14º em 2018 para 10º em 2019. Em 2019, Yangnong Chemical implementou uma importante reestruturação de ativos usando CNY 913 milhões em dinheiro para comprar uma participação de 100% na Sinochem Crop Care e uma participação de 100% na Shenyang Sinochem Agrochemicals R&D Co., Ltd, ambas controladas pela Sinochem International. Essa reestruturação colocou a empresa em uma posição muito mais forte para inovar agrotóxicos, promover preparações, operar de forma integrada (pesquisa, produção e comercialização) e competir no mercado. Além disso, a Yangnong Chemical, com base em sua força de sólidas capacidades de segurança de abastecimento, tenta satisfazer a demanda de clientes valiosos e clientes em potencial em casa, expandindo assim as vendas de agrotóxicos. A empresa é pró ativa no desenvolvimento de mercados para seu novo produto, a piraclostrobina, para criar um novo ponto de crescimento. Ela continua a aprofundar sua colaboração com a Sinochem Crop Care, aumentando drasticamente as vendas de preparações. Ele aumenta consistentemente a profundidade de sua cooperação estratégica com multinacionais agroquímicas em novos projetos e novos produtos. Enquanto isso, a empresa realiza o registro do produto com eficácia para estabelecer uma base sólida para a expansão dos negócios.

Beneficiando-se do progresso constante da “plataforma de acesso rápido ao mercado” globalmente, bem como de um profundo compromisso com suas marcas proprietárias, a Shandong Weifang Rainbow Chemical Co., Ltd. viu suas vendas atingirem US $ 880 milhões em 2019, um aumento de 8,8% no ano -no-ano. Depois da Rainbow Chemical, a Beijing Nutrichem divulgou vendas de pesticidas de US $ 757 milhões, uma queda acentuada de 19% com relação ao ano anterior. Esta queda nas vendas apontou principalmente para as fracas exportações da indústria em meio a situações complicadas de comércio internacional durante o período do relatório, disse a empresa. Diante desse cenário, a empresa aprofundou sua estrutura de negócios e encolheu seus negócios comerciais. No entanto, devido à suspensão da produção de sua subsidiária Yancheng Southchem, seu negócio de autoprodução viu uma queda na receita, resultando em menos lucro operacional. Além do mais, devido à desaceleração do setor,

Em 2019, a Nanjing Red Sun, que ocupava a 13ª posição na lista, viu suas vendas de agrotóxicos cairem 22,4%, para US $ 691 milhões. Adversidades e pressões internas e externas colocaram desafios aos resultados operacionais, observou a empresa. Diante dessas adversidades e pressões, a empresa viu o preço de seus principais produtos, como o paraquat, cair em meio à volatilidade e viu seus custos operacionais abrangentes subirem, levando a um declínio substancial nos resultados operacionais. Em resposta, a empresa se compromete com uma abordagem de negócios de “concentração no negócio principal, refinando as cadeias industriais de força e diversificando a linha de produtos principais”. Sob esta abordagem, a empresa se baseia em seus pontos fortes na tecnologia de pesticidas verdes decorrentes da transformação de pesticidas tradicionais usando “digitalização + tecnologia bioquímica”, bem como em seus pontos fortes em produtos e cadeias industriais. Trabalha em estreita colaboração com seus parceiros para estabilizar a produção e o fornecimento de produtos essenciais. Em particular, a empresa pressionou muito para promover e vender o Aquacide, seu carro-chefe, cujas vendas e participação de mercado aumentaram significativamente em comparação com os níveis do ano anterior. Isso não apenas freou a queda no desempenho da empresa no período atual, mas também estabeleceu uma base sólida para que a empresa se tornasse a pioneira no mercado a colher maiores benefícios. Trabalha em estreita colaboração com seus parceiros para estabilizar a produção e o fornecimento de produtos essenciais. Em particular, a empresa pressionou muito para promover e vender o Aquacide, seu carro-chefe, cujas vendas e participação de mercado aumentaram significativamente em comparação com os níveis do ano anterior. Isso não apenas freou a queda no desempenho da empresa no período atual, mas também estabeleceu uma base sólida para que a empresa se tornasse a pioneira no mercado a colher maiores benefícios. Trabalha em estreita colaboração com seus parceiros para estabilizar a produção e o fornecimento de produtos essenciais. Em particular, a empresa pressionou muito para promover e vender o Aquacide, seu carro-chefe, cujas vendas e participação de mercado aumentaram significativamente em comparação com os níveis do ano anterior. Isso não apenas freou a queda no desempenho da empresa no período atual, mas também estabeleceu uma base sólida para que a empresa se tornasse a pioneira no mercado a colher maiores benefícios.

Em 2019, a Lier Chemical viu suas vendas de agrotóxicos cair 3,3% com relação ao ano anterior, para US $ 586 milhões. Vários fatores foram responsáveis ​​pelo declínio nas vendas. Em primeiro lugar, os principais produtos da empresa contribuíram com menos lucro, em parte devido a quedas drásticas no preço de seus principais produtos, decorrentes do acirramento da competição de mercado, e em parte aos aumentos de preços de algumas matérias-primas. Em segundo lugar, a empresa precisava ter seus produtos registrados antes de chegarem aos mercados internacionais. Terceiro, os custos operacionais da empresa aumentaram à medida que ela investiu mais em pesquisa e desenvolvimento de produtos.

A Hubei Xingfa Chemicals, que ocupava a 20ª posição na lista, foi a primeira nova empresa a entrar na lista e em 2019 viu suas vendas crescerem moderadamente 2,8%, para US $ 523 milhões. De acordo com a empresa, no primeiro semestre de 2019, devido a uma série de razões – incluindo melhora na taxa de produção da indústria, aumento da oferta do mercado, aumento do estoque de mercado, bem como redução da compra dos Estados Unidos, um importante consumidor de glifosato , tendo sofrido prolongados eventos climáticos terríveis – o mercado de glifosato estava lento e seus preços caíram em meio à volatilidade. Durante julho e agosto, devido às rígidas regulamentações impostas à indústria do fósforo amarelo no sudoeste da China, o preço do fósforo amarelo subiu, fornecendo suporte de custo mais forte para o glifosato e resultando em uma alta no preço de mercado do glifosato. De setembro a dezembro, devido à queda do preço do fósforo amarelo e também ao aumento do ritmo de operação da indústria, a demanda do mercado de glifosato voltou a desacelerar. Todos esses fatores afetaram o desempenho de vendas da empresa.

A Kumiai Chemical, que ficou em 15º lugar na lista, em 2019 viu suas vendas denominadas em US $ cair drasticamente em 24,7%, mas viu suas vendas denominadas em JPY subir 6,6%, para JPY 72,623 bilhões. De acordo com a empresa, para produtos agrícolas no mercado japonês, embora as vendas em grande escala do herbicida Effeeda para arrozais tenham começado, as vendas de produtos estabelecidos, como Top Gun e GanGan, diminuíram. Como resultado, as vendas de herbicida para os arrozais diminuíram em geral de ano para ano. Por outro lado, as vendas de inseticidas para controle de pragas do arroz aumentaram ano a ano porque novos agentes compostos contendo piraxalto foram lançados e as remessas de agentes compostos contendo isotianil expandiram. Assim, as vendas de agentes para os arrozais em geral foram maiores do que no ano fiscal anterior.

As vendas de produtos especiais em geral aumentaram ano a ano. Para as vendas de ingredientes ativos desenvolvidos internamente, Effeeda, um herbicida para arrozais, e Fantasista, um pesticida para horticultura, mantiveram um crescimento constante, e as vendas de produção consignada e vendas para campos de golfe e outras instalações não agrícolas também tiveram desempenho superior ao anterior ano fiscal.

As vendas para mercados fora do Japão aumentaram em relação ao ano fiscal anterior. As vendas do principal Axeev, um herbicida para agricultura de sequeiro, permaneceram robustas nos Estados Unidos, apesar de um declínio na área cultivada com grãos de soja, um importante produto alvo, devido às chuvas prolongadas do início da primavera e ao atrito comercial entre EUA e China. A ação herbicida do Axeev continuou a ser bem avaliada na Argentina e na Austrália também, e as vendas aumentaram de forma constante lá.

A Nissan Chemical, que ficou em 16º lugar na lista, em 2019 viu suas vendas denominadas em US $ aumentar em 14,7%, para US $ 655 milhões, e viu suas vendas denominadas em JPY subir 2,1% para JPY 64,038 bilhões. No mercado nacional de agrotóxicos, foram fortes as vendas de “GRACIA” (inseticida) lançado em maio no Japão. A receita de “ROUNDUP” (herbicida não seletivo para tratamento de folhas) aumentou em relação ao ano anterior devido a desastres naturais no primeiro semestre do exercício anterior ano, e se manteve estável no segundo semestre deste exercício. No mercado externo de agroquímicos, as vendas de “TARGE” (herbicida) diminuíram, mas as vendas de “GRACIA” para o mercado coreano e de “QUINTEC” (fungicida) adquiriram no terceiro trimestre contribuiu para as vendas.

Desempenho melhor ainda é esperado apesar dos desafios maiores

Desde 2020, o surto repentino de COVID-19 teve impactos sem precedentes na indústria agroquímica global. De acordo com os resultados financeiros do 2º trimestre do ano fiscal de2020 publicados pelos 5 maiores titãs agroquímicos – Bayer, BASF, Corteva, FMC e ADAMA, quatro dessas cinco empresas viram diferentes níveis de declínios em seus resultados do 2º trimestre, exceto ADAMA, que registrou um aumento modesto em seu vendas. COVID-19 impactou temporariamente o desempenho dessas empresas. Além disso, a pandemia está levando essas empresas a transformar e atualizar todos os elementos de suas cadeias de valor. Além do mais, COVID-19 significa fazer a indústria inovar com mais rapidez como um todo. Apesar das diversas pressões no mercado global de agroquímicos por enquanto, à medida que a população continua a aumentar e as pessoas precisam cada vez mais de produtos agrícolas.

fecho

Esta reportagem foi escrita inicialmente em inglês e publicada pela AgNews [Aqui! ].

Carta denuncia “farsa das doações” das corporações que controlam plantio de árvores, commodities agrícolas, petróleo e mineração no Brasil

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Uma rede de organizações da sociedade civil e de movimentos sociais lança a carta “A farsa das doações no combate à COVID-19 nos setores de plantações de monoculturas de árvores, agronegócio, petróleo e mineração no Brasil”, em que denuncia a falsa solidariedade das empresas no contexto de crise sanitária em que o país está imerso. 

A carta expõe ações das empresas que aproveitam o momento de crise com a pandemia de Coronavírus para fortalecer a imagem de suas marcas com doações a populações em situação de vulnerabilidade, ao passo que seguem operando em meio a pandemia expondo os próprios trabalhadores ao risco de contaminação, como ocorre em vários municípios ladeados pelas empresas onde se verificou explosão de casos. A análise feita pelo grupo denuncia que o contexto de crise sanitária e, principalmente, as ações do Governo Federal levam a um fortalecimento das grandes empresas sobre os territórios.

As organizações e os movimentos sociais questionam a campanha de marketing empresarial beneficente veiculada pela rede Globo no jornal Nacional, a chamada “Solidariedade S.A.”, em que cita o caso da CMPC, empresa de produção de celulose no estado do Rio Grande do Sul, que doou R$ 70 milhões, o que representa meros 7% do faturamento de 2019. Denuncia, ainda, ação do Governo Federal que permitiu que as empresas de celulose renegociassem suas dívidas e lhes fosse concedido novos empréstimos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o que representa um ganho financeiro para as empresas que não aparece para a opinião pública. Verbas que, por outro lado, não foram empregadas para auxílio da população em um momento crucial.

A carta ressalta, ainda, o papel desempenhado pelos movimentos sociais e ONGs que — sem receber o mesmo papel de destaque na imprensa — prestam solidariedade a populações carentes das zonas urbana e rural doando alimentos, produtos de consumo não duráveis e material de limpeza com diversos casos em uma rede de apoio construída de Norte a Sul no país.

Quem desejar ler a carta em Português basta clicar [Aqui!], Espanhol [Aqui!], e Inglês [Aqui!].

Rio de Janeiro: (des) governo opera como despachante das corporações. E o povo que se exploda!

A cada notícia de uma nova isenção fiscal bilionária fica mais evidente até para o mais ingênuo dos habitantes do Rio de Janeiro que não vivemos meramente uma crise econômica. Aqui se concentra uma combinação particularmente nefasta de crises: econômica, financeira, fiscal, política e moral.

Como já se desnudou diversas das mentiras alardeadas pelo (des) governo do Rio de Janeiro para explicar a barafunda em que estamos metidos, essa combinação de crises demanda mais do que uma mera denúncia de usos e práticas do grupo que se apossou do controle do estado a partir da entrada de Sérgio Cabral no Palácio Guanabara. É que apenas apontar para os evidentes desvios praticados com a coisa pública, e que emerge de diversas formas nefastas sobre a vida da população, não é suficiente para entendermos porque tudo o que é de ruim parece ser abater sobre o Rio de Janeiro, numa forma muito particular das sete pragas do Egito.

A questão de fundo que merece ser analisada com a devida profundidade se refere à concepção de Estado que está por detrás de tantos malfeitos evidentes. A partir da análise dos discursos e práticas predominantes é possível verificar que há uma evidente inclinação para a aplicação de uma forma particularmente aguda das receitas Neoliberais. Essa receita combina a ação de pilhagem do Estado a partir de contratos superfaturados nas diversas áreas privatizadas com uma generosa política de isenções fiscais para todo tipo de empresa, desde pequenos empreendimentos que incluem termas, restaurantes, cabeleireiros, joalherias até corporações multinacionais como a Jaguar Land Rover, Coca Cola e Nissan.

Enquanto isso acontece como política oficial de (des) governo, a coisa pública vai se desmanchando com uma velocidade impressionante. Nesse terremoto de sucateamento estão sendo engolidos escolas, hospitais e universidades e programas sociais voltados para as camadas mais pobres da população.  A marcha desse desmanche cirurgicamente programado dos serviços públicos é inclemente, mesmo porque não existe uma oposição forte o suficiente para reverter este processo.   E esse é para mim o maior problema que estamos enfrentando, pois tudo parece prosseguir como nada de anormal estivesse acontecendo, inclusive os arranjos e alianças para as próximas eleições municipais.

Esse é o Rio de Janeiro transformando em pasto das corporações onde o Estado se resume a ser um mero despachante de empresas e grupos privados. Resta apenas saber até quando a população vai assistir a tudo de forma pacífica. E se um vagalhão de violência vier, que não se culpe os que reagem a este processo acintoso de destruição da coisa pública que apenas pune quem já é historicamente marginalizado. 

Mecenas das corporações, (des) governo do Rio de Janeiro não informa quando concluirá pagamento de salários de Maio

Mecenas das corporações multinacionais com concessões de isenções fiscais que vigorarão por até 50 anos, o (des) governo do Rio de Janeiro está se negando a informar quando concluirá o pagamento dos salários dos servidores estaduais e pensionistas e aposentados do RioPrevidência referentes ao mês de Maio (ver imagem abaixo).

salários

Para mim está cada vez mais claro que o (des) governo do Rio de Janeiro conta com a desmoralização e a paralisia dos servidores estaduais que decorrem da incapacidade de pagar as contas mais básicas que os mesmos possuem para continuar empurrando o estado do Rio de Janeiro para a maõs das corporações privadas. 

Um exemplo desta generosidade excessiva do (des) governo estadual se deu com a instalação fábrica da Jaguar Land Rover no polo automotivo em Itatiaia que deverá produzir  24 mil veículos por ano, e gerar até (notem que eu disse até) 400 empregos diretos.  O problema é que para Jaguar Land Rover produzir seus carros luxuosos e gerar minguados 400 empregos diretos, o (des) governo do Rio de Janeiro concedeu 50 anos de isenção fiscal para esta corporação multinacional. E o exemplo da Jaguar Land Rover é apenas um dos incontáveis atos de generosidade com o dinheiro público que este (des) governo praticou. Enquanto isso, servidores, pensionistas e aposentados estão sendo tratados com completo desrespeito.

Esta forma primitiva de implantar uma reforma ultraneoliberal precisa necessariamente desmoralizar não apenas os servidores públicos e suas famílias, mas também a população que depende de seus serviços.

A resposta a este ataque frontal de um governo que todos os dias concede isenções fiscais bilionárias terá que passar pela capacidade dos servidores públicos de organizarem uma reação firme pelos seus direitos e pelo serviço público.

É como diz a Luciana Genro… quem paga a banda é que escolhe a música

Doações de campanha somam R$ 1 bi

Os 19 maiores financiadores de campanha respondem por metade do valor doado até agora por empresas e indivíduos na eleição deste ano.

José Roberto de Toledo, Rodrigo Burgarelli e Daniel Bramatti

Financiamento de campanha - Empresário feliz

Os 19 maiores financiadores de campanha respondem por metade do valor doado até agora por empresas e indivíduos na eleição deste ano. As contas de partidos, comitês e candidaturas em todo o País receberam desses 19 grupos privados R$ 522 milhões do total de R$ 1,040 bilhão vindo de contribuições de pessoas físicas e jurídicas até agora.

Esses valores são todos de origem privada e calculados após levantamento que elimina distorções ou eventuais erros cometidos pelas candidaturas. Somando-se o que vem do Fundo Partidário, cuja origem são recursos públicos, o dinheiro que circulou até agora nas campanhas supera R$ 1,138 bilhão. E isso é só o começo. O montante de R$ 1,040 bilhão refere-se ao que foi declarado por candidatos a presidente, governador, senador e deputado federal e estadual ou distrital até 6 de setembro. Como se trata de uma prestação de contas parcial, não é possível comparar com o que foi arrecadado na eleição de quatro anos atrás.

A concentração das doações é significativa. São quase 29 mil doadores até agora, mas 2 de cada 3 reais arrecadados pelas campanhas vieram dos 100 maiores doadores. Sozinho, o maior deles, o Grupo JBS, doou até agora R$ 113 milhões, ou 11% do total doado. Dona de marcas como Friboi, Swift e Bertin, o grupo tem outras empresas que também doaram, como Seara e Flora Higiene-Limpeza.

O PT foi o partido que mais recebeu da JBS: R$ 28,8 milhões – ou 1 de cada 4 reais doado pela empresa. O PSD ficou em segundo lugar, com R$ 16 milhões, e o PMDB, em terceiro, com R$ 14 milhões. Entre todos os candidatos, a maior beneficiada pelas doações da JBS foi a presidente Dilma Rousseff.

O setor de alimentação tem uma outra grande doadora. O grupo Ambev – dono de marcas como Brahma, Antarctica e Skol – aparece em quarto lugar no ranking, com R$ 41,5 milhões doados. O dinheiro foi recebido principalmente por candidatos e comitês do PMDB (R$ 12 milhões), PT (R$ 11 milhões) e PSDB (R$ 8 milhões). O setor financeiro tem duas das 10 maiores doadoras. O grupo Bradesco está em sexto, somando R$ 30 milhões em contribuições vindas de empresas como Bradesco Vida e Previdência, Bradesco Saúde e Bradesco Capitalização, entre outras. O conglomerado deu, até agora, R$ 9,4 milhões para o PSD, R$ 8,7 milhões para o PT, R$ 6,7 milhões para o PMDB e R$ 5,2 milhões para o PSDB.

O banco BTG Pactual e sua administradora de recursos doaram R$ 17 milhões e estão em décimo lugar na classificação geral. PT e PMDB foram os beneficiários de quase 80% desse dinheiro.

O protagonismo desses dois bancos e a atuação de outras empresas do setor que costumam colaborar financeiramente com as campanhas políticas não chega a superar o destaque das empreiteiras na lista de doações para partidos, comitês e candidaturas. Juntas, as construtoras contribuíram com quase R$ 300 milhões, ou 30% do total arrecadado até agora.

Dos dez maiores doadores da atual campanha, cinco são grupos empresariais que tiveram origem no ramo da construção. São os casos da OAS (2.º maior), Andrade Gutierrez (5.º lugar), UTC Engenharia (7.º), Queiroz Galvão (8.º) e Odebrecht (9.º). Os valores foram agregados por grupo econômico e incluem subsidiárias de outros setores, como energia.

Segunda colocada no ranking dos maiores contribuintes com os políticos, a Construtora OAS acumula R$ 66,8 milhões em doações. O PT ficou com quase metade desse dinheiro, ou R$ 32 milhões. O restante foi dividido entre PMDB, PSDB e PSB, entre outras legendas.

A Andrade Gutierrez doou R$ 33 milhões, divididos quase que exclusivamente entre PT (R$ 16 milhões) e PSDB (R$ 13 milhões). A UTC deu R$ 29 milhões (R$ 13 milhões para petistas), a Queiroz Galvão doou R$ 25 milhões (PMDB recebeu R$ 7 milhões), e o grupo Odebrecht, R$ 23 milhões, principalmente para PT, PSDB e DEM. O terceiro maior doador é do setor de mineração. O grupo Vale doou cerca de R$ 53 milhões até agora, por meio de uma série de empresas. Dois partidos se destacam entre os beneficiários de suas doações: PMDB (R$ 20,6 milhões) e PT (R$ 14,5 milhões). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

FONTE: http://atarde.uol.com.br/politica/noticias/1622745-doacoes-de-campanha-somam-r-1-bi

Corporações investem pesado no financiamento de campanhas, e Dilma Rousseff lidera o ranking dos beneficiados com a “generosidade” empresarial

Três empresas bancam 39% da campanha

RODRIGO BURGARELLI, DANIEL BRAMATTI, JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO E DIEGO RABATONE – O ESTADO DE S. PAULO   

Construtoras OAS e Andrade Gutierrez estão em primeiro e terceiro lugar na lista de maiores doadores, completada pelo frigorífico JBS

A Construtora OAS, o frigorífico JBS e a Construtora Andrade Gutierrez são os três principais financiadores da campanha até o momento, de acordo com a segunda prestação parcial de contas apresentada pelos candidatos à Justiça Eleitoral. Juntas, as três empresas doaram quase R$ 64 milhões, 39% do total de recursos que entrou na contabilidade oficial dos três principais concorrentes ao Planalto.

As doações das três maiores beneficiaram principalmente a presidente Dilma Rousseff (PT), que disparou no ranking de arrecadação. Depois de sair atrás de Aécio Neves (PSDB) no primeiro mês de campanha, ela se recuperou na segunda parcial da prestação de contas, cujo prazo para entrega se esgotou na terça-feira. No total, a petista já arrecadou R$ 123,6 milhões até agora – cerca de cinco vezes o valor declarado pelas contas da campanha presidencial do PSB, partido de Marina Silva, sua principal adversária.

Dilma arrecadou sozinha mais da metade dos cerca de R$ 200 milhões declarados por todos os presidenciáveis nas duas parciais entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes das eleições. Em segundo lugar vem Aécio, com R$ 44,5 milhões. Marina Silva ainda não tem registros de doações em seu nome, pois sua candidatura ainda precisa ser deferida pelo TSE. O total arrecadado na conta do ex-candidato do PSB Eduardo Campos e em seu comitê chega até agora a R$ 24 milhões.

A OAS é a líder no ranking de doações, com R$ 26,1 milhões repassados nos três primeiros meses de campanha. A principal beneficiária foi Dilma, que recebeu 77% do total. O JBS vem logo a seguir, com R$ 26 milhões (a conta incluiu a Flora Produtos de Higiene e Limpeza, outra empresa do grupo). A Andrade Gutierrez doou R$ 11,8 milhões.

Os dados foram calculados pelo Estadão Dados em parceria com a Transparência Brasil, com base nos registros contábeis apresentados pelas campanhas à Justiça Eleitoral. Foram levadas em consideração todas as doações nas contas da campanha de cada candidato e do comitê para presidente, além do DINHEIRO que saiu das direções nacionais dos partidos para essas duas contas. 

Segundo o diretor executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, o valor parcial das doações aos candidatos a presidente neste ano já se aproxima do que foi doado ao longo de toda a eleição de 2010, incluindo o segundo turno – quando os valores são corrigidos para eliminar o efeito da inflação. Se as doações continuarem nesse ritmo, 2014 terá uma campanha ainda mais cara do que a anterior. É uma tendência que se repete desde 2002.

Uma parte do aumento das doações pode ser creditada à diminuição do caixa 2 e à maior eficácia dos mecanismos de controle, diz Abramo. Mas outra parte é aumento de custos. 

Balanço 

Estado constatou diversas inconsistências na contabilidade do PSB. Na conta da direção nacional do partido, por exemplo, há registro de repasses para a conta do comitê de Eduardo Campos, mas estes não aparecem como receita na contabilidade do mesmo comitê. Também acontece o contrário: na conta do comitê aparecem repasses vindos do partido, mas estes não estão na contabilidade da legenda. Ainda assim, o Estado conseguiu mapear todas as doações de pessoas físicas e jurídicas.

Além dos recursos que já caíram nas contas de candidatos e comitês, os três partidos ainda têm  dinheiro em caixa, que pode ou não ser repassado para as campanhas presidenciais. O PT tem R$ 2 milhões, diferença entre os R$ 66,5 milhões que recebeu em doações e os R$ 64,5 milhões que distribuiu a diversas campanhas – principalmente aos candidatos a governador do partido. O PSDB está com uma sobra de caixa ainda maior: R$ 4,4 milhões. O PSB, por sua vez, dispõe de R$ 2,6 milhões para distribuir entre seus candidatos.

FONTE: http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,tres-empresas-bancam-39-da-campanha,1555032

Movimentos sociais brasileiros espionados

Justiça Global

Empresas privadas do Brasil, de setores estratégicos como mineração ou infraestrutura, espionam e se infiltram nos movimentos sociais e em suas atividades, segundo uma missão da Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH), que foi concluída no dia 14

Por Fabíola Ortiz, Da Agência IPS

Há quase um ano, no dia 24 de janeiro de 2013, durante reunião de planejamento dos líderes do Movimento Xingu Vivo para Sempre,em Altamira, norte do Estado do Pará, suspeitou-se que uma pessoa registrava as conversações e decisões do encontro.

Esse coletivo, que reúne organizações sociais e ambientais de áreas próximas ao projeto da megacentral hidrelétrica de Belo Monte, a terceira do mundo quando entrar em operação, se opõe à instalação da represa no rio Xingu, na Amazônia brasileira. As suspeitas se confirmaram quando se verificou que um dos participantes, recém-chegado ao movimento, tinha nas mãos uma caneta esferográfica espiã.

“Todas as vezes que alguém intervinha, ele dirigia a caneta para onde estava a pessoa. Foi algo completamente inesperado”, contou à IPS a advogada Roberta Amanajás, da Sociedade Paraense de Direitos Humanos, que integra o Movimento. “Essa reunião foi um momento muito estratégico, em que trocamos informações privilegiadas, que só as organizações do coletivo possuem. Ele era um espião contratado pelo consórcio que constrói a obra”, explicou.

Descoberto, o espião se identificou como Antônio e confessou ter se infiltrado no Movimento para vigiar as atividades de sua coordenadora, Antônia Melo. Segundo a advogada, o espião contou que enviaria o material para a divisão de inteligência do Consórcio Construtor Belo Monte e para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que mantém um agente em Altamira. “Ele contou que tinha de seguir todos os passos da coordenadora para o Consórcio e que também foi responsável pela demissão de 80 trabalhadores da obra”, afirmou Amanajás.

Outra função do infiltrado era detectar líderes sindicais que pudessem organizar greves na obra, acrescentou. “Não temos dúvidas sobre o processo de espionagem, só não sabemos como acontece. O Movimento Xingu Vivo é o que mais representa a resistência ao modelo de construção das hidrelétricas, e mais, ao desenvolvimento que se impõe na Amazônia”, afirmou a advogada. O Movimento critica a expropriação dos recursos naturais, que não garante os direitos dos povos naturais da região.

A espionagem das organizações sociais da Amazônia não é um caso isolado do Brasil, denunciaram os ativistas da missão da FIDH, que entre 9 e 14 deste mês se encontrou com membros de organizações humanitárias, doMinistério Público, e diretores de empresas acusadas de espionar. A missão internacional integra as atividades doObservatório para a Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos, um programa conjunto com a Organização Mundial Contra a Tortura, e esteve em Brasília, Belém e Rio de Janeiro.

“O que nos preocupa é a relação entre os órgãos públicos e as empresas. Há provas de articulação com agentes do Estado”, afirmou Jimena Reyes, chefe da FIDH para a América, ao apresentar as primeiras conclusões da visita. “É uma situação muito preocupante. São utilizados esquemas públicos para atuações ilegais e ilegítimas, para espionar movimentos sociais”, ressaltou.

A conivência dos funcionários públicos com as empresas foi comprovada pela missão, ao constatar que há companhias que têm acesso a dados secretos do governo, por meio do Infoseg, uma rede que aglutina a informação de segurança pública obtida por mais de 400 agências brasileiras de investigação. Alexandre Faro, integrante do Observatório, disse que, pelo fato de terem destinado grandes recursos, as empresas têm muito interesse em saber o que as organizações sociais farão em relação aos seus projetos.

“Penso que é uma cultura que as companhias têm há muito tempo. Descobrimos no ano passado, não temos provas, mas suponho que são práticas generalizadas em setores sensíveis como mineração e energia”, opinou Faro à IPS sobre a atividade de espionagem dos grupos empresariais contra ativistas na América Latina. As acusações de espionagem também recaem sobre a empresa Vale, gigante da mineração.

Membros da Justiça nos Trilhos, uma organização que defende as comunidades prejudicadas por projetos mineradores, contaram que são espionados desde 2008, pouco depois de iniciarem seu trabalho. Os delegados da FIDH conversaram com um ex-empregado da Vale, identificado como André Almeida, que forneceu dados sobre as relações da empresa com o governo, durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado, no dia 24 de outubro do ano passado.

Entre as acusações, destacaram espionagem de jornalistas, funcionários públicos e líderes sindicais, além da infiltração de espiões nas organizações sociais e nos sindicatos, para obter informação privilegiada. Essas atividades ilegais tiveram a participação ou o apoio de agentes da Abin para atividades de treinamento, incluindo pagamento a agentes do Estado. Segundo essas revelações, estima-se que a Vale destinou cerca de US$ 200 mil mensais à espionagem, informou Faro.

“O que está em jogo no Brasil é o valor da democracia, trata-se de privilegiar a inteligência”, disse o integrante da missão internacional. “O que não é comum é informações assim chegarem ao conhecimento do público. Revela que estão completamente desinibidos a respeito de tudo que fazem de ilegal”, acrescentou Faro. A seu ver, “as empresas privadas acreditam que têm suficiente legitimidade para invadir a vida das pessoas e investigar seus filhos, seus maridos e seus antecedentes”, enfatizou.

Danilo Chammas, advogado da Justiça nos Trilhos, afirmou à IPS que o primeiro indício de que eram espionados obtiveram já em 2008. Em janeiro de 2012, seu escritório foi destruído e, em outubro do mesmo ano e em janeiro de 2013, sua página na internet foi invadida. “Esperamos que a missão da FIDH impulsione mudanças profundas e que as investigações ganhem maior ritmo e as próprias empresas modifiquem suas práticas. O objetivo de tudo isso é que desistamos de agir”, destacou.

Os delegados da FIDH apresentarão o informe com suas conclusões, informações e recomendações, no prazo de dois meses. Amanajás recordou que a visita da missão que protege os defensores dos direitos humanos ocorre após a polêmica generalizada gerada ao se ficar sabendo que o governo brasileiro foi espionado pela Agência Nacional de Segurança (NSA), dos Estados Unidos. “Como o governo não gosta de ser espionado, os movimentos sociais também não gostam”, criticou.

Sobre as perguntas da IPS, a Vale informou que não se pronunciará sobre um caso que está na justiça e sob segredo processual, enquanto o consórcio de Belo Monte não deu respostas.

FONTE: http://www.brasildefato.com.br/node/27521