Crise na Alerj, silêncio sepulcral na planície dos Goytacazes

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A profunda crise desencadeada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) com a prisão dos principais mandarins do PMDB (pela ordem Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi) tem um novo capítulo na tarde desta 6a. feira com a realização de uma sessão que poderá mantê-los fazendo companhia ao ex (des) governador Sergio Cabral na cadeia de Benfica ou retorná-los para seus gabinetes.

Curiosamente essa críse sem precedentes na história da Alerj vem recebendo um cobertura para lá de minimalista por parte da mídia corporativa campista. A explicação para tamanho silêncio sinceramente não tenho, mas tenho desconfianças. Uma delas é que três dos mais aguerridos defensores do (des) governo Pezão têm sua base eleitoral nas regiões Norte e Noroeste Fluminense. No caso de dois deles, Geraldo Pudim e João Peixoto, o principal reduto eleitoral é o município de Campos dos Goytacazes. Aliás, dos quatro deputados que podem ser colocados como sendo originários do Norte e Noroeste Fluminense, apenas o deputado Bruno Dauaire (PR) pode ser colocado como sendo parte da minoria oposicionista dentro da Alerj.

Felizmente o jornal “EXTRA” disponibilizou em sua capa desta 6a. feira uma espécie de carta de controle da votação que deverá desconsiderar a decisão do TRF2 e suspender as prisões de Picciani, Melo e Albertassi. Disponibilizo a mesma com uma marcação dos quatro deputados do Norte e Noroeste Fluminense. Vamos ver como votam eles. Mas arrisco a dizer que muito provavelmente apenas Bruno Dauaire deverá votar pela manutenção da decisão de prender e afastar de seus mandatos os mandarins da Alerj.

capa extra

Já sobre o silêncio sepulcral que caracteriza o comportamento da maioria da mídia corporativa no município de Campos dos Goytacazes é possível que sejamos brevemente contemplados que com alguma bomba envolvendo o ex-governador Anthony Garotinho. É que ele continua sendo o principal instrumento de diversionismo quando se trata de não falar das raízes da grave crise que ocorre neste momento no Rio de Janeiro.

De minha parte, convido aos leitores a que se informem sobre como votaram os quatro deputados ligados ao Norte e Noroeste Fluminense para ver o meu placar de 3 votos a favor dos mandarins do PMDB se confirmará ou não. A ver!

Rio de propinas: Sérgio Cabral finalmente apontou seu dedo acusador para Pezão

pezao dedo

Demorou, mas o momento finalmente chegou. Ontem em depoimento ao juiz Marcelo Bretas da 7a. Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, o ex (des) governador Sérgio Cabral lembrou ao ser questionado sobre a cobrança propinas nas obras públicas realizadas no seu (des) governo que o então secretário estadual de obras era o atual (des) governador, o seu protégée político Luiz Fernando Pezão [Aqui!].

cabral pezão propina

Embora a informação de que Luiz Fernando Pezão era o secretário estadual de Obras quando alguns dos casos mais cabeludos de superfaturamento de obras ocorreram esteja disponível até no Wikipedia [Aqui!], até o momento o atual (des) governador estava passando basicamente impune pelo rio de lama que varreu o executivo fluminense após a prisão de Sérgio Cabral e vários de seus (des) secretários.

No more” diria o gringo. É que apesar de Pezão já ter mandado dizer que não comentará as confissões de Sérgio Cabral, o gato foi colocado para fora do saco, como diriam os mais antigos. Este desdobramento cria embaraços não apenas para Pezão, mas para membros do legislativo e do judiciário que já deveriam ter, de alguma forma, se movido para apurar o possível envolvimento do (des) governador Pezão nas tratativas nada republicanas que ocorreram quando ele ocupava o duplo papel de vice  (des) governador e secretário estadual de obras. 

Por outro lado, usando um termo que marcava as tratativas feitas entre empresários corruptores e políticos corruptos, o fogo que cerca Pezão neste momento ainda tem muito oxigênio para queimar. Talvez isto explique o sorriso nervoso que aparece na face do ainda (des) governador em certas ocasiões. É que ele deve saber que cedo ou tarde (aliás, já tardou) explicações terão que ser oferecidas, e que elas terão que ser melhores do que aquelas que Sérgio Cabral achou que teria que prestar para se livrar de muitos anos de cadeia.

O massacre dos servidores não resolverá a crise do Rio de Janeiro, e ainda poderá aprofundá-la

 

A

recente aprovação do aumento da contribuição previdenciária dos servidores estaduais está sendo justificada, de forma cínica é claro, por parte dos deputados que votaram a favor como um esforço para colocar os salários atrasados em dia.  A estas alturas do campeonato, esses deputados não merecem nem o direito da dúvida, pois eles sabem muito bem que seu voto não teve nada a ver com a condição trágica em que se encontram mais de 200 mil servidores neste exato momento.

Enquanto os deputados tentam se justificar com argumentos insustentáveis, o (des) governador Pezão continua enviando novos projetos que irão aprofundar o massacre financeiro ao qual o conjunto dos servidores já está sendo submetido. E, com certeza, estes projetos serão aprovados pela base (des) governista com o uso das mesmas justificativas cínicas que já usaram para aprovar outros projetos enviados pelo ainda (des) governador Pezão.

Deixando de lado os deputados que votam favoravelmente a tudo que interessa ao (des) governador Pezão, que tal olharmos para as reais causas da hecatombe financeira que se abateu sobre o Rio de Janeiro.  Além dos bilhões perdidos nos múltiplos casos de corrupção cometidos pelo ex (des) governador Sérgio Cabral e seus (des) secretários, vivemos hoje a herança maldita dos megaeventos esportivos que somaram várias centenas de bilhões de dólares à dívida pública. E, pior, o cenário social e econômico criado pela sucessiva ocorrência destes eventos bilionários (Jogos Panamericanos, Copa do Mundo, Jogos Olímpicos) é de um aumento exponencial na incapacidade do Estado em atender a serviços básicos, sem que haja alternativas que possam dinamizar os pilares da economia real. Em outras palavras, ficaram apenas as dívidas.

Mas não foram apenas os casos de corrupção e os megaeventos esportivos que nos colocaram nesta situação.  Ainda que tenham saído momentaneamente de cena, temos ainda uma crescente sangria com a guerra fiscal que no Rio de Janeiro resultou numa fábrica de isenções fiscais que já causaram perdas superiores a R$ 200 bilhões, e que continuam crescendo. Como nas medidas aprovadas sob o codinome de “Recuperação Fiscal dos estados” não houve um travamento significativo dessa sangria, o mais provável é que continuaremos a ter o oferecimento de benesses fiscais às grandes corporações, literalmente de mãos beijadas.

O último ingrediente da poção maligna que o (des) governo Pezão representa temos a grosseira incompetência que caracteriza Luiz Fernando Pezão e a imensa maioria dos seus (des) secretários. Ouvir ou ler as declarações de Pezão chega a ser doloroso, de tão evidente que fica a sua completa inépcia enquanto chefe do executivo da segunda economia da federação.  Ao ouvi-lo falar parece que estamos vivendo em algum daqueles países mais atrasados do planeta, e não no Rio de Janeiro.  Pezão é claramente o homem errado para uma hora decisiva na história do nosso estado.  E a única explicação para ainda termos que aturar a sua incompetência é que ele ainda permanece sendo útil para quem está ficando mais rico com a nossa desgraça coletiva.

Como não espero que a situação mude positivamente a partir dos canais institucionais que me parecem gravemente enfermos neste momento, o único caminho que nos resta no Rio de Janeiro é unificar a demanda de “Fora Temer” com a de “Fora Pezão”.  É que Pezão é o principal sustentáculo das políticas de destruição do Estado que estão sendo executadas por Temer, e um não vive sem o outro.

O problema aqui será vencer a dinâmica eleitoral que vem guiando a ação dos principais partidos de oposição que dizem lutar contra Michel Temer, mas se unem a Pezão para aprovar as suas medidas de arrocho. É a velha história de ruge como leão com um e mia como um gatinho com outro.

De toda forma, a história já mostrou que sob a pressão das ruas até direções vacilantes adotam as bandeiras corretas, ainda que por puro oportunismo. Por isso, é importante apoiar todas as medidas que coloquem a demanda de que Temer e Pezão sejam removidos o mais rapidamente possível dos cargos que ocupam.

A outra opção, que é a inércia frente ao caos que estamos vivendo, será a erupção de uma gravíssima convulsão social, e os sinais já estão todos presentes e se manifestando.

Finalmente, não sei se existe alguém no (des) governo Pezão que ainda se preocupe com o futuro do Rio de Janeiro. Se existir, e acreditos que seriam poucos indivíduos que conseguem elaborar para além das próximas 24 horas, há que se pesar o impacto que todo este arrocho terá sobre a disposição da maioria dos servidores. É que a apatia e a letargia óbvias frente aos ataques que estão sendo realizados contr servidores que estão sem salários poderão ter como resposta a perigosa opção de simplesmente abandonar quaisquer compromissos com a qualidade dos serviços prestados.  Esse movimento poderá aprofundar ainda mais  a crise que estamos vivendo.  A ver!

Por que fazer uma auditoria independente da dívida pública é fundamental no RJ?

Os professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) que ocuparam ontem de tarde (16/05) a frente do Palácio Guanabara estão levantando uma bandeira que me supreende não ter sido levantada antes. Falo aqui da necessidade de realização de um auditoria independente do montante da dívida pública acumulada por repetidos (des) governos.

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A necessidade desta auditoria independente é mostrada como urgente após cada arresto feito pelo governo “de facto” de Michel Temer sob a alegação de estar recolhendo recursos comprometidos com o pagamento de dívidas acumuladas pelo estado do Rio de Janeiro.

Mas afinal qual é o montante da dívida e quem são os credores dela? Em apenas um caso conhecido, o do RioPrevidência, já se sabe que mensalmente algumas centenas de milhões de dólares saem do Rio de Janeiro em direção ao paraíso fiscal corporativo de Delaware (costa leste dos EUA) para beneficiarem os chamados fundos abutres que adquiriram títulos do malogrado “Rio Oil Finance Trust” (

Entretanto, o caso de Delaware é apenas mais um entre tantos. Enquanto os credores internacionais de dívidas que não se sabe como foram geradas continuam sorvendo recursos bilionários, o serviço público estadual continua afundando e milhares de servidores continuam sem seus salários e aposentadorias referentes ao mês de Março.

A maior lástima é que boa parte da dívida principal que foi acumulada somente a partir do primeiro mandato do hoje presidiário Sérgio Cabral também irrigou fartamente os mecanismos de corrupção que enriqueceram um pequeno número de pessoas, a começar pelo próprio Cabral e vários de seus (des) secretários.

E não esqueçamos ainda que enquanto o Rio de Janeiro se afundava em um montante impagável de dívidas, o mesmo (des) governo liderado por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão entregaram presentes na forma de isenções fiscais que já ultrapassaram a casa dos R$ 200 bilhões!

Desta forma, a demanda pela auditoria da dívida pública e a revisão (e em alguns casos o cancelamento sumário) das isenções fiscais deveria ser abraçada por toda a sociedade fluminense. Senão por toda a sociedade, pois tem gente que ganhou e continua ganhando muito com a falência seletiva do estado, pelo menos pelos sindicatos de servidores públicos. Do contrário, o que vamos assistir é a culpabilização objetiva dos servidores e um desmonte completo do serviço público estadual.

Por isso, que se audite a dívida pública e as isenções fiscais. E quanto antes for, melhor. Mais informações sobre os mecanismos de geração e o montante da dívida pública, podem ser obtidas (Aqui!)

Os delatores da Lava Jato são vilões, não heróis

Em meio a todas as consequências políticas que estão ocorrendo por causa da divulgação da lista de indiciados pelo ministro Luiz Fachin há gente querendo jogar uma aura de super heróis na cara dos delatores. Em mais de uma ocasião já vi discursos que colocam os corruptores privados como vítimas da ação de agentes públicos travestidos de vilões.

É preciso deixar claro que quando um empresário aceita financiar campanhas eleitorais, ou simplesmente pagar propinas, ele o faz com objetivos que invariavelmente se relacionam ao aumento dos seus lucros.  Nem que isso custe a degradação de sistemas ambientais ou a piora da condição de vida dos segmentos mais pobres da população brasileira.  E esse empresário o faz porque simplesmente prefere sabotar as instituições de estado do que cobrar que elas funcionem democraticamente.

A confissão feita por Emilio Odebrecht às gargalhadas de que o sistema de pagamento de propinas utilizado pela sua empreiteira para corromper agentes públicos está em vigência há mais de três décadas mostra que não há porque tratá-lo como vítima. É que Emílio Odebrecht sabe perfeitamente que sairá da enrascada em que se meteu ainda um bilionário, e que terminará seus dias de maneira frugal. Enquanto isso, a maioria pobre da nossa população continuará seu martírio cotidiano por causa das estripulias cometidas pela Odebrecht e por outras grandes empreiteiras.

Por fim, engana-se quem acha que todas essas revelações de compra de agentes públicos vai ser encerrada pelas denúncias e apurações decorrentes da operação Lava Jato. É que tudo indica que os mecanismos de corrupção só serão desativados se corruptores e corrompidos sejam desprovidos das riquezas que acumularam a partir de suas tratativas. E por tudo o que vi até agora, isto não vai acontecer.

 

Mas que surpresa! Lava Jato carioca aponta que corrupção na saúde continua na gestão Pezão

A imagem abaixo é uma reprodução parcial de matéria publicada pelo site UOL onde a equipe da Lava Jato aponta para o fato de que a corrupção ocorrida no período do (des) governador de Sérgio Cabral ainda continua no (des) governo comandado por Luiz Fernando Pezão (Aqui!).

pezao saude

Aí é que me vem a pergunta que não quer calar: há ainda alguma alma ingênua que pensa que não? Por favor, me digam que não. É que até para a ingenuidade há limite!

Elio Gaspari e a ruína do (des) governador Pezão

pezao cabralA coluna que o jornalista Elio Gaspari publica em diferentes veículos da mídia corporativa traz hoje um artigo que considero devastador para o que ainda restava de credibilidade do (des) governador Luiz Fernando Pezão (Aqui!). 

É que neste artigo Gaspari faz uma excelente síntese dos últimos acontecimentos em torno do suposto envolvimento do (des) governador Pezão em múltiplos casos de corrupção, bem como sobre o seu papel de herdeiro político do hoje presidiário ex (des) governador Sérgio Cabral.

A sensação que eu tenha é que este artigo de Elio Gaspari representa mais um prego no caixão político de Luiz Fernando Pezão cuja continuidade no cargo está claramente segura por um fio muito fino e prestes a arrebentar. 

Abaixo segue a íntegra do artigo de Elio Gaspari cujo título já diz muito sobre o conteúdo do mesmo.

Pezão foi condenado a viver sua própria ruína 

FOTOS DO DIA

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), em visita ao Ministério da Fazenda

Por Elio Gaspari

Tendo vivido o esplendor da ilusão cabralina, quando foi secretário de Obras e vice-governador, Luiz Fernando Pezão está condenado a viver sua própria ruína. Aquele teleférico do morro do Alemão, que foi inaugurado duas vezes, está parado. (Ele se entristecia quando era exposto o ridículo das duas inaugurações.)

A política de segurança do xerife José Mariano Beltrame ruiu, as contas públicas jogaram o governador para a condição de pedinte e os cidadãos a um período de decadência jamais visto.

Sérgio Cabral está em Bangu, decidindo entre uma cana de 40 anos e a possibilidade de colaborar com a Viúva, cuja bolsa repetidamente assaltou. O coral dos poderosos da ilusão cabralina já tem dois doleiros, um ex-presidente do Tribunal de Contas, seu filho, e mais gente na fila.

Pezão está na situação dos hierarcas do stalinismo que moravam num imponente edifício perto do Kremlin. À noite, quando o elevador fazia barulho, os comissários acordavam temendo que tivessem vindo buscá-los. A administração do Rio está parada.

Fica a impressão de que só dois gabinetes funcionam: o do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, e o do ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça. Um encanou Cabral. O outro ouviu a melodia da colaboração de Jonas Lopes e de seu filho. O doutor Jonas presidiu o Tribunal de Contas do Estado e sua cantoria resultou na prisão de cinco conselheiros. (Em tempo, não se deveriam chamar essas comissões de contas de “tribunal”, pois não o são.)

Admitindo-se que Pezão tenha sido secretário de Obras e vice de Cabral sem ter desconfiado de nada, nem dos cortes de seus ternos Ermenegildo Zegna “su misura”, Jonas e seu filho jogaram o governador na frigideira. O pai contou que em 2013 Pezão mediou em sua casa uma acalorada discussão para definir o rachuncho das propinas. Num lance, em 2015, cada felizardo receberia R$ 60 mil mensais. Noutro, mordiam a comida dos presidiários.

Jonas Filho diz ter ouvido que parte do dinheiro mandado aos conselheiros foi desviada para atender despesas pessoais de Pezão. Coisa de R$ 900 mil. Nesse aspecto a suspeita é a um só tempo frágil e meritória. Frágil, porque nasce de um “ouvir dizer”. Meritória porque se Pezão recebesse apenas R$ 900 mil para cobrir despesas pessoais, seria um anacoreta na corte de Sérgio, o Magnífico.

O capilé de R$ 900 mil teria sido revelado a Jonas por Marcelo Santos Amorim, o Marcelinho, subsecretário de Comunicação do governador. Ele estava no lote de celebridades estaduais levadas para a Polícia Federal na semana passada. Se a história do capilé é ou não verdadeira, só Marcelinho poderá dizer. De qualquer forma ele terá algo a contar sobre o milagre da comunicação de Pezão, que navegava num Estado falido com a pose dos canoeiros de Oxford.

Pezão e Marcelinho negam que tenham praticado qualquer malfeito e queixam-se da falta de acesso às narrativas de quem os acusa.

Graças ao juiz Bretas e ao ministro Fischer, a administração do Rio de Janeiro pode garantir ao detento Sérgio Cabral que ficou mais difícil roubar em cima das verbas de alimentação do presidiários.

SBT-Rio revela bastidores da corrupção com o (des) governador Pezão ocupando o insólito papel de pacificador das propinas

 

O SBT-Rio levou ao ar hoje o que promete ser  apenas o início de mais uma daquelas séries que o canal vem se notabilizando a partir da cobertura do caso do Porto do Açu.  É que nesta segunda-feira (03/04), o SBT-Rio mostrou uma matéria onde são apresentados detalhes da delação premiada do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

E, pasmemos todos nós, segundo o que teria delatado Jonas Lopes Filho, o (des) governador Pezão teria transformado o seu apartamento no bairro do Leblon numa espécie de APP (Apartamento da Propina Pacificadora), pois em pelo menos um caso ele teria agido para “pacificar” os ânimos exaltados por causa da cobrança e distribuição de propinas. E pensar que nesses anos todos eram as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) que ganharam notoriedade! Qual nada,  o negócio do (des) governo do Rio de Janeiro parece ter sido por para funcionar vários APPs!

A matéria vai ao detalhe de informar que o cardápio teria incluído o oferecimento de um caríssimo vinho português, o Barca-Velha, para os comensais se deliciarem enquanto discutiam a divisão do butim obtido a partir de obras públicas. Apenas para se ter uma ideia do fausto, o preço de um garrafa gira do Barca-Velha pode começar em torno de “módicos” R$ 1.348,62, mas pode chegar a “salgados R$ 3.346,20 (Aqui!)!

Abaixo o vídeo com a matéria completa que foi levada ao ar pelo SBT-RIO

E com essa matéria tendo ido ao ar,  já podemos ao menos saber que quando o (des) governo Pezão declarou que não conhecia o lado corrupto de seu mentor político, o hoje presidiário ex (des) governador Sérgio Cabral, ele no mínimo cometeu uma injustiça com o amigo de fé. 

Agora, vejamos como ficará o clima dentro não apenas do (des) governo Pezão, mas também na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).  Certamente não haverá clima para que se saboreie um Barca-Velha. Ou haverá?

Denúncias diretas de corrupção finalmente alcançam o (des) governador Luiz Fernando Pezão

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A mídia corporativa está estampando notícias que deverão tirar o pouco de sono que ainda restava ao (des) governador Pezão, pois finalmente emergem informações de que ele teria participação direta no grande esquema de corrupção liderado pelo hoje presidiário e seu mentor político, Sérgio Cabral Filho (Aqui!Aqui!Aqui!).

Apesar dessas notícias apenas confirmarem o que já circulava nos corredores do poder e também nas redações da mídia corporativa, a publicação dessas matérias aponta no sentido de que a situação do (des) governador Pezão que era ruim passou para virtualmente insustentável.

O fato é que até agora Pezão fazia cara de paisagem frente à montanha de evidências de que era impossível que ele estivesse “puro” no meio do lamaçal em que o (des) governo do Rio de Janeiro foi transformado a partir da chegada de Sérgio Cabral ao Palácio Guanabara, já tinha experimentado um sério abalo com a condução coercitiva do seu secretário de governo Affonso Monnerat e do presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), para depor na Polícia Federal.

Agora, com as revelações de detalhes da delação do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado, Jonas Lopes Filho que o (des) governador Pezão participou de reuniões para “azeitar”  o esquema de pagamento de propinas,  o enredo se complica (ou como diria William Shakespeare, “the plot tickens”) para o ainda (des) governador Luiz Fernando Pezão.  É que, em função das informações detalhadas prestadas pelo ex-presidente do TCE,  Pezão agora vai ter que se explicar. Só não se sabe se para a imprensa ou para o juiz Marcelo Bretas.

Esta situação toda sinaliza que a condição desesperadora em se encontram quase metade dos servidores estaduais e aposentados ainda vai se agravar antes de melhorar. É que no meio desse caos todo, a “boa vontade”  que o (des) governador Pezão tentou costurar em Brasília simplesmente não vai ocorrer na velocidade em que ele gostaria. Afinal, quem vai querer colocar a assinatura em documentos que ajudariam a tirar um político que acaba de ter a cabeça entregue numa bandeja de prata por um mega delator como Jonas Lopes Filho?