Mineradoras australianas perderão US$ 11 bilhões em valor de mercado à medida que a derrocada das commodities se acelera

bhpUma pequena figura de brinquedo e imitação mineral são vistas na frente do logotipo da BHP nesta ilustração tirada em 19 de novembro de 2021. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

Por Shashwat Awasthi para a Reuters

20 Jun (Reuters) – As três grandes mineradoras da Austrália estavam em vias de perder mais de 16 bilhões de dólares australianos (US$11,12 bilhões) em valor de mercado combinado nesta segunda-feira nos níveis atuais, à medida que se aprofunda a queda na venda de commodities  causada pela diminuição da demanda da China e pelos temores de uma recessão global se aprofundaram.

As ações da Rio Tinto listadas na Austrália (RIO.AX) devem perder quase A$ 2 bilhões em valor, BHP (BHP.AX) mais de A$ 10 bilhões, e Fortescue Metals (FMG.AX) mais de A$ 4 bilhões.

A menor produção das siderúrgicas chinesas afetou a demanda por minério de ferro, enquanto os preços de commodities como cobre e alumínio caíram devido a preocupações de que aumentos agressivos das taxas de juros pelo Federal Reserve dos EUA e outros bancos centrais possam levar a economia global a uma recessão.

Os três gigantes da mineração australiana, até agora este mês, já perderam cerca de 30 bilhões de dólares australianos de seu valor de mercado combinado e estão enfrentando uma terceira semana consecutiva de perdas depois de atingir mínimos de várias semanas na segunda-feira.

As ações da Rio Tinto e da BHP estão sendo negociadas na mínima de um mês, enquanto a Fortescue está na mínima de três meses.

“Estamos condenados? Ou é mais escuro antes do amanhecer?”, escreveram os analistas da Jefferies no sábado com referência a dados econômicos recentes, os bloqueios da COVID-19 na China e a narrativa política do Fed.

Eles pareciam se inclinar para o último, confiantes de que a desaceleração da demanda por commodities seria seguida por uma recuperação liderada pelas mineradoras, acrescentando que os temores de recessão e inflação dariam lugar à recuperação.

Analistas do JP Morgan também ecoaram os riscos para o setor, mas disseram que um novo apoio político, juntamente com a flexibilização dos bloqueios da COVID-19 na China, estimularia uma recuperação no segundo semestre de 2022 e manteria sua visão “neutra” sobre a Rio Tinto e a BHP.

Mineradoras australianas caem em junho em meio a queda de commodities
Mineradoras australianas caem em junho em meio a queda de commodities


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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pela agência Reuters [Aqui!]

4 entre 10 pacientes com diabetes morrem ao se internar por COVID-19, aponta estudo

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Foto: Marcos Santos/ USP Imagens

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O diabetes mellitus é responsável por 2,5 entre 10 internações por Covid-19, porém, quando consideradas as mortes por Covid-19 entre os pacientes internados, 4 entre 10 têm diabetes. É o que apontam pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (UECE), que analisaram a associação entre o diabetes mellitus e o óbito hospitalar por Covid-19. O estudo está publicado na edição de segunda (30) da revista “Epidemiologia e Serviços de Saúde”.

Para analisar o impacto na população brasileira, os autores tomaram como base os casos de Covid-19 notificados no primeiro ano da pandemia no Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (SIVEP – Gripe). O SIVEP reúne os dados epidemiológicos brasileiros de casos suspeitos e confirmados de qualquer doença com sintomas gripais e foi o sistema utilizado pelo Ministério da Saúde para contabilizar os casos da pandemia no país.

Os dados do SIVEP referentes a 397.600 casos de pessoas hospitalizadas apontam que 32% dos pacientes com Covid-19 admitidos em Unidade de Terapia Intensiva em 2020 morreram. Entre todos os internados por Covid-19, 25,7% tinham o diagnóstico de diabetes, mas a prevalência de óbito entre as pessoas com diabetes saltou para 40,8%. Portanto, o diabetes aumenta em 15% as taxas de óbitos em pessoas internadas por Covid-19, representando aproximadamente 3 em cada 20 óbitos.

“Os estudos da área de saúde apontam que o principal fator atribuído as complicações da COVID-19 em diabéticos é que a doença crônica altera as funções metabólicas e, com isso, afeta também as respostas imunológicas do organismo, tornando assim os portadores do diabetes mais suscetíveis a infecções pelo SARS-CoV-2 Outra hipótese se dá pela inflamação e ao estresse oxidativo e, consequentemente, a resistência à insulina, que é a enzima que controla a quantidade de glicose no sangue após a alimentação”, explica o enfermeiro Thiago Santos Garces, doutorando em Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde pela UECE e um dos autores da pesquisa.

Nos dois últimos anos, cientistas em todo o mundo têm estudado os efeitos e as doenças que podem estar associadas ao quadro da Covid-19. A literatura médica relata diferentes níveis de prevalência dos casos que apresentam diabetes associado a COVID-19. Há revisões sistemáticas e metanálises que mostraram uma probabilidade de 35% de ocorrência de casos e 50% de risco de morte entre os diabéticos diagnosticados com COVID-19. Vale lembra que os dados trazidos pelos pesquisadores da UECE contemplam o ano 2020, e o objetivo do grupo é seguir com a atualização desta análise.

Quem desejar acessar o artigo que deu base para este texto, basta clicar [Aqui!].

Cargas do novo coronavírus têm elevação nos esgotos de cinco capitais na última semana de abril

No fim do último mês, após os feriados prolongados de 15 e 21 de abril, a Rede Monitoramento COVID Esgotos detectou o aumento das cargas do novo coronavírus em Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza e Rio de Janeiro. Somente Recife se manteve sem variação no mês passado 

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O Boletim de Acompanhamento nº 14/2022 da Rede Monitoramento COVID Esgotos, com dados das semanas epidemiológicas 14 (de 3 a 9 de abril) a 17 (de 24 a 30 de abril), identificou a manutenção das baixas cargas do novo coronavírus nos esgotos de cinco das seis capitais acompanhadas: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro. Exceto na capital pernambucana, nas outras quatro cidades as cargas tiveram leve aumento na semana 17, após os feriados prolongados de 15 e 21 de abril, mas seguem em patamar considerado baixo. Em Curitiba a carga viral teve uma elevação significativa nesse período, o que ensejou na Nota de Alerta emitida pela Rede em 5 de maio.

O monitoramento dos esgotos realizado pela Rede segue sendo uma ferramenta importante para o acompanhamento dos efeitos das medidas de flexibilização para a circulação do novo coronavírus. Veja as informações por cidade a seguir.

Belo Horizonte (MG) 

Em Belo Horizonte a Rede Monitoramento COVID Esgotos observou a permanência do baixo patamar da carga do novo coronavírus nos esgotos entre as semanas epidemiológicas 14 (de 3 a 9 de abril) e 17 (de 24 a 30 de abril). Nesse período a maior carga viral foi de 3 bilhões de cópias do vírus por dia para cada 10 mil habitantes, registrada na semana 14. Já a maior foi de 15,1 bilhões de cópias na semana 17. Desde o início do monitoramento na capital mineira, em abril de 2020, a maior carga foi registrada na semana epidemiológica 3 deste ano (de 16 a 22 de janeiro): 662,1 bilhões de cópias do novo coronavírus por dia para cada 10 mil habitantes.

Evolução da carga viral no esgoto de Belo Horizonte

Entre as semanas epidemiológicas 16 (de 17 a 23 de abril) e 17, as concentrações virais tiveram um leve aumento no esgoto que chegou à Estação de Tratamento de Esgotos Onça (ETE Onça), atingindo um patamar intermediário: entre 4 mil e 25 mil cópias do vírus por litro das amostras, indicadas em laranja nos mapas a seguir. Nos demais pontos as concentrações ficaram num patamar baixo, entre 1 e 4 mil cópias por litro das amostras, indicadas em amarelo abaixo.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nas ETEs monitoradas em Belo Horizonte entre as semanas epidemiológicas 14 e 17 de 2022

 Nos três pontos especiais de monitoramento da capital mineira, o novo coronavírus foi detectado no esgoto do Aeroporto Internacional de Confins nas semanas 14, 16 e 17. Especificamente na semana 16 (de 17 a 23 de abril), a concentração foi elevada, superando 25 mil cópias por litro das amostras. Nas outras duas semanas a concentração foi baixa, ficando abaixo de 4 mil cópias por litro. Já no asilo e na Rodoviária de Belo Horizonte o vírus não foi detectado nesse período de quatro semanas, conforme a tabela a seguir.

Concentração do novo coronavírus no esgoto dos pontos especiais de monitoramento em Belo Horizonte

Brasília (DF)

Entre as semanas epidemiológicas 14 (de 3 a 9 de abril) e 17 (de 24 a 30 de abril), a carga do novo coronavírus nos esgotos das oito estações de tratamento de esgotos (ETEs) do Distrito Federal monitoradas se manteve baixa. No entanto, a carga subiu sistematicamente no período, passando de 11,7 bilhões de cópias do novo coronavírus por dia para cada 10 mil habitantes (na semana 14) para 60,6 bilhões de cópias (na semana 17). Os feriados prolongados de 15 e 21 de abril podem estar associados a essa elevação da carga viral nos esgotos do Distrito Federal.

Evolução da carga viral no esgoto do Distrito Federal 

Entre as semanas epidemiológicas 14 e 17, os pontos monitorados apresentaram concentrações virais que variaram entre não detectadas, baixas (1 a 4 mil cópias do novo coronavírus por litro das amostras) e intermediárias (entre 4 mil e 25 mil cópias por litro), destacadas respectivamente em verde, amarelo e laranja nos mapas a seguir.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nas ETEs monitoradas no DF entre as semanas epidemiológicas 14 e 17 de 2022 

Curitiba (PR)

Em Curitiba houve um aumento da carga viral nos esgotos entre as semanas epidemiológicas 14 (de 3 a 9 de abril) e 17 (de 24 a 30 de abril), que subiu de 34,2 bilhões para 212,7 bilhões de cópias do novo coronavírus por dia para cada 10 mil habitantes. Com isso, as cargas verificadas foram similares às registradas na última semana de 2021 e à segunda semana de março deste ano. Em função dessa elevação, a Rede Monitoramento COVID Esgotos emitiu a Nota de Alerta para Curitiba em 5 de maio. 

Evolução da carga viral no esgoto de Curitiba

Entre as semanas epidemiológicas 14 e 15, Curitiba registrou concentrações virais predominantemente baixas (entre 1 e 4 mil cópias do vírus por litro das amostras) e moderadas (de 4 mil a 25 mil cópias por litro), indicadas respectivamente em amarelo e laranja nos mapas a seguir. Já entre as semanas 16 e 17, as concentrações observadas foram moderadas ou elevadas (acima de 25 mil cópias por litro), destacadas em vermelho nos mapas.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nas ETEs monitoradas em Curitiba entre as semanas epidemiológicas 14 e 17 de 2022 

Fortaleza (CE)

Entre as semanas epidemiológicas 14 (de 3 a 9 de abril) e 17 (de 24 a 30 de abril), Fortaleza teve uma elevação de zero para 12 bilhões de cópias do novo coronavírus por dia para cada 10 mil habitantes, patamar considerado baixo. Entre as semanas 10 (de 6 a 12 de março) e 14, o vírus não foi detectado nos esgotos da capital cearense.

Evolução da carga viral no esgoto de Fortaleza 

Enquanto na semana epidemiológica 14 a Rede Monitoramento COVID Esgotos não detectou o novo coronavírus em nenhum dos pontos monitorados em Fortaleza, na semana 15 houve concentrações baixas indicadas em amarelo nos mapas a seguir. Na semana epidemiológica 16 houve um predomínio de pontos sem detecção do novo coronavírus, indicados em verde. Por sua vez, a semana 17 teve o retorno de concentrações intermediárias no ponto da Estação de Pré-Condicionamento (entre 4 mil e 25 mil cópias do vírus por litro das amostras), indicado em laranja a seguir.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nos pontos monitorados em Fortaleza entre as semanas epidemiológicas 14 e 17 de 2022 

Recife (PE)

Em Recife, entre as semanas epidemiológicas 14 (de 3 a 9 de abril) e 17 (de 24 a 30 de abril), a Rede Monitoramento COVID Esgotos registrou uma baixa carga do novo coronavírus nos esgotos da cidade. Nesse período as cargas foram de 0,2 bilhão de cópias do novo coronavírus por dia para cada 10 mil habitantes na semana 14 e de zero entre as semanas 15 e 17. Com isso, a capital pernambucana não teve a presença do vírus detectada em seus esgotos nas últimas semanas de monitoramento, sendo que no período houve uma tendência de diminuição dos casos suspeitos e confirmados de COVID-19 na capital pernambucana, conforme o gráfico a seguir.

Evolução da carga viral no esgoto de Recife

Ainda nesse período de quatro semanas, Recife teve concentrações virais baixas (de 1 a 4 mil cópias do novo coronavírus por litro das amostras) ou não detectadas na semana 14, indicadas respectivamente em amarelo e verde nos mapas a seguir. Entre as semanas epidemiológicas 15 e 17 houve somente pontos de monitoramento sem a presença do vírus. Por isso, os mapas estão totalmente destacados em verde.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nas ETEs monitoradas em Recife entre as semanas epidemiológicas 14 e 17 de 2022

Rio de Janeiro (RJ)

Nas semanas epidemiológicas 14 (de 3 a 9 de abril) a 17 (de 24 a 30 de abril), a Rede Monitoramento COVID Esgotos observou a permanência de baixas cargas do novo coronavírus (SARS-CoV-2) nos esgotos do município do Rio de Janeiro. Nesse período a maior carga foi de 0,9 bilhão de cópias do vírus por dia para cada 10 mil habitantes, registrada na semana 15 (de 10 a 16 de abril). Na semana 16 (de 17 a 23 de abril) a carga caiu para o menor valor das últimas quatro semanas de monitoramento: 0,1 bilhão de cópias por dia para cada 10 mil habitantes.

Evolução da carga viral no esgoto do Rio de Janeiro

Nos pontos monitorados na capital fluminense, entre as semanas 14 e 17, houve dois tipos de situação: ou o vírus não foi detectado ou teve baixas concentrações (entre 1 e 4 mil cópias por litro das amostras), o que está respectivamente indicado em verde e amarelo nos mapas a seguir. Especificamente na semana 17, após o Carnaval, todos os pontos monitorados tiveram registro da presença do vírus – mesmo com baixas concentrações – o que não acontecia desde a semana epidemiológica 3 (de 16 a 22 de janeiro).

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nos pontos monitorados no Rio de Janeiro entre as semanas epidemiológicas 14 e 17 de 2022 

Sobre a Rede Monitoramento COVID Esgotos

A Rede Monitoramento COVID Esgotos, lançada em webinar realizado em 16 de abril de 2021, acompanha as cargas virais e concentrações do novo coronavírus no esgoto de seis capitais e cidades que integram as regiões metropolitanas de: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro. Esse trabalho, uma das maiores iniciativas brasileiras de monitoramento da COVID-19 no esgoto, busca ampliar as informações para o enfrentamento da pandemia atual. 

Nesse sentido, os resultados gerados sobre a ocorrência do novo coronavírus no esgoto das cidades em questão podem auxiliar as autoridades locais de saúde na tomada de decisões relacionadas à manutenção ou flexibilização das medidas de controle para a disseminação da COVID-19. Também podem fornecer alertas precoces dos riscos de aumento de incidência do vírus de forma regionalizada.

Com os estudos o grupo pretende identificar tendências e alterações na ocorrência do vírus no esgoto das diferentes regiões monitoradas, o que pode ajudar a entender a dinâmica de circulação do vírus. Outra linha de atuação é o mapeamento do esgoto para identificar áreas com maior incidência da doença e usar os dados obtidos como uma ferramenta de alerta precoce para novos surtos, por exemplo.

Informações mais detalhadas sobre os pontos de monitoramento, incluindo a justificativa para o monitoramento de cada ponto, constam do Boletim de Apresentação da Rede. O histórico de resultados pode ser consultado nos Boletins de Acompanhamento, disponíveis no site da ANA. Acesse também o Painel Dinâmico da Rede Monitoramento COVID Esgotos, onde são disponibilizados semanalmente os resultados para todas as regiões que integram a Rede.

A Rede é coordenada pela ANA e INCT ETEs Sustentáveis com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e conta com os seguintes parceiros: Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além disso, a Rede conta com a parceria de companhias de saneamento locais e secretarias estaduais de Saúde.

Uso da Ivermectina contra a COVID-19 escancarou danos causados por estudos e periódicos de baixa qualidade

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Saiba como funciona o sistema de publicações científicas na área médica e por que estudos desacreditados sobre a ivermectina continuam servindo de justificativa para uso da droga na COVID-19

Por Luiza Caires, arte por Guilherme Castro, para o Jornal da USP

O nome desta droga rodou em diversos grupos e conversas de WhatsApp e Telegram, mas não somente ali. Prescrições e mesmo a automedicação com ivermectina se multiplicaram durante a pandemia, e ainda há quem defenda seus efeitos na covid com unhas e dentes – ainda que a boa ciência já tenha demonstrado o contrário. Ao investigar a origem de toda esta fama, inclusive argumentando com seus defensores, somos inundados com links para “estudos” e periódicos que, para quem não tem intimidade com os meandros da pesquisa e publicação científica, passam facilmente como provas da eficiência da droga.

Essa reportagem vai abordar mais a fundo dois deles: o site ivmmeta.com e um artigo publicado na revista Cureus. O primeiro caso é mais gritante: o site é anônimo, não faz parte de nenhum periódico científico, além de violar as regras mais básicas da metodologia científica – inclusive com distorção estatística grotesca para quem entende um pouco do assunto. A conclusão forjada, mas propagada inclusive por médicos em vídeos na internet, é de que a chance da ivermectina não funcionar contra a covid é de 1 em 1 trilhão.

Já o segundo caso envolve artigo publicado em uma revista que vem sendo fortemente questionada pelo processo de revisão frágil: os próprios autores indicam os revisores, e o tempo de revisão de poucos dias foge totalmente ao que é considerado por especialistas o mínimo necessário para fazer uma verificação atenta. Os autores também ocultaram conflitos de interesse, como trabalhar para o laboratório que produz ivermectina no Brasil. Mais que a falta de credibilidade, há uma série de inconsistências graves no próprio artigo – e nos dados, como paciente com 119 anos e outro que consta como tendo tomado 6 mil comprimidos da droga – que, mais uma vez, levam ao resultado favorável para a ivermectina na covid, ao contrário do que estudos sérios apontaram.

Mas antes de falarmos deles, na segunda parte dessa matéria, precisamos entender como funciona o ecossistema das publicações científicas, e por que, quando bem ajustado, ele é essencial para a ciência médica.

Revisão por pares

No século 19 apareceram as primeiras revistas científicas. Cientistas se encontravam em academias como a Royal Society, na Inglaterra, ou a Académie, na França, contavam seus achados para os colegas e essas academias reuniam os trabalhos em anais. Depois, as publicações de interesse científico se especializam, surgindo, durante o século 20, as revistas específicas.

E por que elas são tão importantes? “O processo científico precisa de organização, protocolo. É só a partir do registro que é possível reproduzir uma pesquisa e confirmar aquela informação, por exemplo. As publicações, por sua vez, geram outras perguntas e novas pesquisas. Os estudos e seus resultados precisam ser públicos”, explica Bruno Caramelli, médico cardiologista e professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

Mais tarde, as revistas introduziram a revisão por pares. “Como o volume de artigos submetidos para as revistas começa a ser grande demais para os editores decidirem o que deve ou não ser publicado, eles pedem opinião para experts da área”, conta o físico Leandro Tessler, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos fundadores do Grupo de Estudos da Desinformação em Redes Sociais.

Bruno Caramelli, médico cardiologista – Foto: Arquivo pessoal

Funciona assim: depois de fazer o estudo, a pesquisa propriamente, pesquisador e sua equipe escrevem um texto apresentando o que esperavam responder com aquele estudo, como ele foi feito e quais resultados foram obtidos. E mandam para uma revista que tem relação com o assunto pesquisado. “O editor-chefe da revista tem o papel de aceitar ou recusar o estudo; se aceitar, o estudo irá passar por revisão por pares, quando outros pesquisadores, que não ganham por isso, leem a pesquisa e fazem sugestões. Às vezes até recusam o estudo, mas enviam sugestões de melhora. Se nenhuma revista acabar aceitando, o autor pode engavetar o texto ou submetê-lo a revistas menores ou com um crivo um pouco mais fraco”, expõe José Alencar Neto, médico cardiologista no Instituto Dante Pazzanese e autor do Manual de Medicina Baseada em Evidências.

José Alencar Neto, médico cardiologista – Foto: Arquivo pessoal

A revisão é dita por pares porque é feita por especialistas, assim como o autor da pesquisa, para conferir, dentro do texto, se há algum erro metodológico. “O papel da revisão é garantir que a produção científica tenha qualidade”, diz Caramelli.

A pandemia potencializou um problema com que a ciência se depara há alguns anos, principalmente após a popularização da internet. Se, por um lado, a multiplicação de periódicos representou algum avanço na democratização do acesso e divulgação do conhecimento científico, por outro, deu origem a uma série de publicações científicas (ou com cara de científicas) de baixíssima qualidade e alta tolerância para artigos metodologicamente ruins, quando não escritos a partir de dados fraudados. É neste tipo de revista que se insere a totalidade dos estudos que expõem como conclusão a eficácia da ivermectina contra a covid.

Também a divulgação de preprints – artigos ainda não revisados por pares, que são armazenados em repositórios on-line – aumentou durante a pandemia, já que era uma condição de catástrofe e os cientistas tinham pressa em compartilhar trabalhos e acompanhar os resultados dos colegas. “Os preprints foram concebidos originalmente para reforçar a transparência. Quando faço a primeira versão do meu artigo e submeto a uma revista, muitas vezes os revisores fazem vários pedidos de modificação. Então fica uma primeira versão nessas plataformas, que pode ser comparada com a final”, explica Ana Carolina Peçanha Antonio, médica intensivista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e pesquisadora em Integridade em Pesquisa e Metapesquisa.

Ela diz que, na pandemia, muitas pessoas completamente alheias ao mundo das ciências biomédicas repassaram tanto artigos em preprint, quanto os publicados em revistas que antes não recebiam muita atenção, fracos ou com erros.

Qualidade

Quase nenhum fator que vamos elencar aqui, isolado, é garantia da qualidade de uma produção científica. Mas todos se complementam, e o primeiro indício é a qualidade do periódico onde a pesquisa foi publicada. Existem revistas predatórias, que têm uma revisão por pares fraca ou até mesmo inexistente, estando interessadas apenas em receber o valor que o autor paga para publicar ali. “Esse problema é anterior à pandemia, e uma das coisas que o explicam é a pressão, na carreira acadêmica, para que o cientista publique artigos. Ele depende de um volume de publicações para progredir e ter financiamento”, explica Ana Carolina Peçanha.

Caramelli diz que revistas reconhecidas normalmente não deixam passar trabalhos ruins ou fraudados, embora isso também possa acontecer. Durante a pandemia, por exemplo, revistas de renome como a The Lancet até chegaram a publicar estudos que mais tarde se descobriu serem fraudados. “Mas isso não piora a imagem da revista, já que os estudos foram retirados do ar. Não vivemos em uma redoma protegidos de fraudes”, comenta Alencar Neto. “Revistas menores e que só estão interessadas em cliques podem não fazer o mesmo”, conta.

Na área médica, também é recomendado saber se aquele periódico está indexado em uma base de dados chamada Pubmed, que tem uma série de regras para incluir uma revista, funcionando como um filtro. “É só digitar o nome da revista e o termo ‘pubmed’ no buscador e você descobre se a revista está indexada”, diz Alencar Neto.

Ana Carolina Peçanha, médica intensivista – Foto: Arquivo pessoal

Impacto

fator de impacto de uma revista diz quantas vezes, em média, um artigo publicado nela é citado em outros artigos. Ele é mais um indício da qualidade da revista. A mais famosa da área médica, o New England Jornal of Medicine, por exemplo, tem o mais alto fator de impacto entre todas as revistas científicas, maior que 90.

“Há essa hierarquia das revistas. Em geral, quando escreve um trabalho, você sabe para onde deve mandar. Se é uma coisa muito quente, você vai querer mandar para uma revista muito quente, se não, mandará para uma revista menos prestigiosa. O que traz mais prestígio para uma revista é um processo de seleção de revisão rigoroso e o impacto que ela tem na sociedade”, diz Tessler.

Alencar Neto faz uma ressalva: o fator de impacto pode variar de acordo com a área de pesquisa, já que também mede o interesse público daquela publicação. Assim, o ideal é comparar o fator de impacto das revistas das mesmas especialidades.

Ana Carolina Peçanha diz também que as revistas menos importantes ganharam algum empoderamento na crise da covid, e até aumentaram seu fator de impacto. “A própria revista tem interesse em publicar artigos com resultados extraordinários, que sejam polêmicos, mesmo que gerem críticas, pois geram citações”, afirma a pesquisadora.

Leandro Tessler, físico e professor da Unicamp – Foto: Arquivo pessoal

Por fim, Alencar Neto destaca que os estudos têm objetivos diferentes, e por isso nem sempre um bom estudo estará nas maiores revistas. Mas se o artigo está num bom periódico, certamente tem mais chance de ser confiável.

Autoria

Também existe uma análise subjetiva: verificar quem são os autores das pesquisas. “Eles fazem parte de instituições de pesquisa reconhecidas? Eles e suas instituições têm uma produção científica relevante naquela área? Os autores têm algum conflito de interesse que pode interferir, conscientemente ou não, no resultado que o artigo apresenta?”, indica Tessler como perguntas.

Questões de método

Olhando para o artigo em si, embora seja complexo para uma pessoa leiga em ciência entender as falhas metodológicas de um estudo, há alguns sinais para os quais ficar atento, que podem facilitar essa identificação.

Na pesquisa médica, vale ver se estamos diante de um estudo observacional, que tem um nível mais baixo de evidência, ou controlado, que tem nível maior. Enquanto a pesquisa observacional simplesmente analisa os desfechos do uso de uma droga ou terapia em uma dada população, na pesquisa clínica controlada se fornece um tratamento para um grupo de pacientes em um estudo planejado, e se compara quem fez e quem não fez uso daquela droga, e tomou apenas placebo. Não é que o estudo observacional, por si só, seja ruim. Muitas vezes ele é necessário, como em estudos epidemiológicos. Também não é possível fazer grupo controle em pesquisa de cirurgias, por exemplo. “Costumo falar, generalizando, que estudos observacionais geram hipóteses e estudos controlados podem confirmar hipóteses”, diz Alencar Neto. “Mas se estamos testando a eficácia de um medicamento, o estudo precisa ser controlado”, declara.

Depois, é preciso verificar se o estudo foi duplo cego, quando nem a pessoa que recebeu a intervenção, nem quem a avalia sabem se ela recebeu o medicamento ou o placebo. O cegamento serve para evitar ou diminuir a atribuição de resultados a uma droga, quando eles se devem, na verdade, ao efeito placebo, ou a um enviesamento de quem avalia. “O método científico é feito para nos proteger de nós mesmos, porque nós queremos que o resultado seja bom. Então você dá ivermectina para os seus pacientes no consultório, e eles ficam bons. Mas como você sabe que eles não ficariam bem se você não tivesse dado absolutamente nada para eles?”, complementa Tessler.

Um bom estudo que avalia tratamentos médicos em seres humanos, o ensaio clínico, no jargão da ciência, também deve ser randomizado no momento de incluir os participantes em cada um dos “braços”. Ou seja, os pacientes são colocados em um dos dois grupos de forma aleatória, sem escolha prévia, para que tanto o grupo que recebeu o tratamento quanto o que recebeu placebo tenham características semelhantes: idade, sexo, condições prévias de saúde, sociais, entre outras.

Leia a parte 2: Caso da ivermectina é representativo da pseudociência propagada na pandemia


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Este texto foi inicialmente publicado pelo “Jornal da USP” [Aqui! ].

As mudanças climáticas forçarão novos encontros com animais – e aumentarão os surtos virais

O estudo de modelagem é o primeiro a projetar como o aquecimento global aumentará a troca de vírus entre as espécies

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Os morcegos terão uma grande contribuição para a transmissão de vírus entre espécies no futuro, segundo um estudo de modelagem. Crédito: Pratik Chorge/Hindustan Times via Getty

Por Natasha Gilbert para a Nature

Nos próximos 50 anos, as mudanças climáticas podem gerar mais de 15.000 novos casos de mamíferos transmitindo vírus para outros mamíferos, de acordo com um estudo publicado na Nature 1 . É um dos primeiros a prever como o aquecimento global mudará os habitats da vida selvagem e aumentará os encontros entre espécies capazes de trocar patógenos e quantificar quantas vezes os vírus devem saltar entre as espécies.

Muitos pesquisadores dizem que a pandemia de COVID-19 provavelmente começou quando um coronavírus anteriormente desconhecido passou de um animal selvagem para um humano: um processo chamado transmissão zoonótica. Um aumento previsto de vírus saltando entre espécies pode desencadear mais surtos, representando uma séria ameaça à saúde humana e animal, alerta o estudo – fornecendo ainda mais motivos para governos e organizações de saúde investirem na vigilância de patógenos e melhorarem a infraestrutura de saúde .

O estudo é “um primeiro passo crítico para entender o risco futuro das mudanças climáticas e do uso da terra na próxima pandemia”, diz Kate Jones, que modela as interações entre ecossistemas e saúde humana na University College London.

A pesquisa prevê que grande parte da transmissão do novo vírus acontecerá quando as espécies se encontrarem pela primeira vez à medida que se deslocam para locais mais frios devido ao aumento das temperaturas. E projeta que isso ocorrerá com mais frequência em ecossistemas ricos em espécies em altas altitudes, particularmente áreas da África e Ásia, e em áreas densamente povoadas por humanos, incluindo a região africana do Sahel, Índia e Indonésia. Supondo que o planeta não aqueça mais de 2°C acima das temperaturas pré-industriais neste século – um futuro previsto por algumas análises climáticas – o número de encontros pela primeira vez entre as espécies dobrará até 2070, criando pontos de transmissão de vírus, o estudo diz.

“Este trabalho nos fornece evidências mais incontestáveis ​​de que as próximas décadas não serão apenas mais quentes, mas mais doentes”, diz Gregory Albery, ecologista de doenças da Universidade de Georgetown em Washington DC e coautor do estudo.

Os desafios da modelagem

Para fazer suas previsões, Albery e seus colegas desenvolveram e testaram modelos e realizaram simulações durante um período de cinco anos. Eles combinaram modelos de transmissão de vírus e distribuição de espécies em vários cenários de mudanças climáticas, com foco em mamíferos devido à sua relevância para a saúde humana.

A modelagem parece “tecnicamente impecável”, diz Ignacio Morales-Castilla, ecologista de mudanças globais da Universidade de Alcalá, na Espanha, embora ele aponte que exercícios de previsão como esse às vezes precisam incluir suposições irreais. Mas ele acrescenta que a amplitude e o escopo da pesquisa e sua capacidade de identificar quais partes do mundo podem estar em maior risco “se destacam claramente”.

Uma suposição que os pesquisadores tiveram que fazer foi sobre até onde as espécies se espalhariam à medida que o clima mudasse. Mas fatores como se os mamíferos podem se adaptar às condições locais ou atravessar fisicamente as barreiras nas paisagens são difíceis de prever.

Projeta-se que os morcegos estejam envolvidos na transmissão viral, independentemente desses fatores, segundo o estudo. Acredita-se que seja parte das origens do COVID-19, os morcegos são reservatórios conhecidos de vírus e representam cerca de 20% dos mamíferos. A equipe diz que – em parte porque os morcegos podem voar – eles são menos propensos a enfrentar barreiras para mudar seus habitats.

Repercussões para os humanos?

Embora Jones aplauda o estudo, ela pede cautela ao discutir suas implicações para a saúde humana. “Prever o risco de saltos virais de mamíferos para humanos é mais complicado, pois esses transbordamentos ocorrem em um ambiente socioeconômico complexo ecológico e humano”, diz ela.

Muitos fatores podem reduzir o risco para a saúde humana, incluindo o aumento do investimento em saúde ou um vírus incapaz de infectar humanos por algum motivo, acrescenta ela.

Mas os pesquisadores insistem que não há tempo a perder. A Terra já aqueceu mais de 1°C acima das temperaturas pré-industriais, e isso está impulsionando a migração de espécies e a troca de doenças. “Está acontecendo e não é evitável, mesmo nos melhores cenários de mudança climática”, diz Albery.

Albery e um de seus coautores, Colin Carlson, biólogo de mudanças globais também na Universidade de Georgetown, dizem que, embora seja inevitável algum aumento na transmissão de doenças, isso não é desculpa para inação. Os pesquisadores pedem aos governos e à comunidade internacional que melhorem o monitoramento e a vigilância de animais selvagens e doenças zoonóticas, particularmente em futuros pontos críticos como o sudeste da Ásia. Melhorar a infraestrutura de saúde também é essencial, dizem eles.

À medida que as pessoas começam a se preparar e se adaptar ao aquecimento global, a maioria dos esforços se concentra em atividades como deter o desmatamento ou reforçar os muros marítimos. Mas Carlson diz que a preparação para pandemias e a vigilância de doenças também são adaptação às mudanças climáticas.

doi: https://doi.org/10.1038/d41586-022-01198-w

Referências

  1. Carlson, CJ et ai. Natureza https://doi.org/10.1038/s41586-022-04788-w (2022).


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Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pela revista Nature [Aqui! ].

Fim de estado de emergência contraria Conselho Nacional de Saúde e OMS. ‘Inadmissível’

Decisão do governo Bolsonaro vem um dia depois de a OMS estender por mais 90 dias o estado de emergência internacional. “Não ouviu ninguém”, critica CNS

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Por Redação RBA

São Paulo – O Conselho Nacional de Saúde condenou a determinação do fim do Estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin). A decisão anunciada neste domingo (17) pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga é considera inadmissível pelo presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernando PIgatto. “O governo já é responsável por centenas de milhares de mortes, por milhões de pessoas que adoeceram – que têm sequelas, sofrimento, dor tristeza. Então, mais essa medida irresponsável é algo que não podemos mais tolerar”, afirma.

De acordo com Pigatto, o ministro não pode ir a uma cadeia nacional de TV anunciar uma medida dessa gravidade sem ouvir nenhum organismo de controle social. “Sem diálogo com os governos municipais e estaduais, com o Congresso Nacional e com as próprias autoridades de saúde pública do país e do mundo”, critica.

O fim do estado de emergência em saúde pública pode acabar com medidas impostas desde o início da pandemia, embora não represente o fim da pandemia. O Ministério da Saúde estima que mais de 2.000 normas caiam em todo o país.

Entre elas, por exemplo, a do uso de máscaras, do teletrabalho, e da regulamentação da telemedicina. Além disso, as normativas autorizaram a aplicação de medicamentos e vacinas para uso emergencial e a possibilidade de restrição da entrada e saída do país.

Embora as vacinas da Pfizer, Astrazenica e Janssen já possuam registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Coronavac ainda não. Desse modo, o Ministério da Saúde teve de pedir à Anvisa que prorrogue por mais um ano o autorização para uso emergencial do imunizante distribuído pelo Butantan, entre outros medicamentos de combate à COVID-19.

Pronunciamento de Queiroga

O anúncio de Queiroga ocorre um dia depois de uma reunião coordenada pela Organização Mundial de Saúde com cientistas. O encontro decidiu que a emergência internacional em saúde permanece em vigor por pelo menos os próximos 90 dias. Isso porque a pandemia ainda é uma realidade. Nos Estados Unidos, medidas de controle e uso de máscara foram prorrogadas por mais três meses. Na China, em Xangai, foram registradas três mortes neste domingo, as primeiras desde a retomada do surto.

No Brasil, a média móvel de mortes ainda está em 100 por dia nos últimos sete dias, e a covid-19 ainda é a maior causa de mortes no país. Para o Comitê de Emergência da OMS, a COVID-19 ainda continua a afetar a saúde das populações em todo o mundo. Por isso, representa um risco contínuo de propagação internacional e interferência no tráfego internacional e, portanto, requer uma resposta internacional coordenada.

A extrema desigualdade vacinal e a imprevisibilidade do coronavírus, segundo a OMS, exigem portanto, a manutenção da situação de emergência.


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Este texto foi inicialmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

A pandemia não acabou! Brasil chega a 661 mil mortos por COVID-19 e 21.229 novos casos nas últimas 24 horas

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Um dos maiores exemplos da forma irresponsável com que os governantes brasileiros (desde o presidente da república até os prefeitos) podem tratar a coisa pública é a atitude de decretar o fim antecipado da pandemia da COVID-19 no Brasil. É graças a esta atitude de negar as evidências científicas de que a pandemia está ainda, lamentavelmente, longe de acabar que permite que as pessoas tratem a ameaça da COVID-19 como algo superado. É essa atitude de ignorar o perigo que nos ronda que permitiu que o Brasil chegasse no dia de hoje a um número absurdo de 661 mil mortos e 21.229 novos casos, apenas nas últimas 24 horas (ver imagem abaixo).

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O problema é que se ignorar a realidade normalmente já é uma garantia de que algo vai dar errado, imaginemos o que pode acontecer quando o problema que se enfrenta é um vírus letal que insiste em gerar novas variantes que mantém o escala de casos em níveis muito altos, dois anos após o início oficial da pandemia da COVID-19.

O fato é que, em face da suspensão de todas as medidas básicas de autodefesa que foram precariamente implementadas no Brasil (o uso da máscara oficial sendo a mais popular e adotada de todas), estamos todos continuamente expostos a sermos infectados por uma dessas variantes emergentes, como é o caso agora da recém chegada “BA.2“, uma parente da variante Ômicron que está se provando ser ainda mais contagiosa. A BA.2 seria particularmente problemática devido ao fato de que a pessoa infectado por ela nem sempre apresenta os sintomas comuns da COVID-19.

Assim, por mais anacrônico que possa parecer, ninguém deve se sentir pressionado a não ser a máscara facial, mesmo em ambientes abertos.  A verdade é que ao longo da pandemia da COVID-19 ocorreram incontáveis tentativas de assediar quem desejasse se proteger, e o resultado disso tudo está na tabela mostra logo acima. Desta forma, que se mantenha o uso das máscaras faciais e todas as outras medidas de higiene pessoal que diminuam a chance de contaminação por qualquer uma das variantes do SARS-COV-2 que continuam em circulação.

Por que o coronavírus afeta algumas pessoas mais do que as outras?

Pesquisadores descobrem novas pistas para entender os fatores de risco do Covid-19: dois estudos consideram que genes e o nível de glicose no sangue possam ter um papel crucial no desenvolvimento da doença

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A imagem mostra anticorpos (em forma de y) respondendo a uma infecção com o novo coronavírus SARS-CoV-2. Os anticorpos se ligam a antígenos específicos, tais como proteínas virais, marcando-os para destruição por outras células imunes. Na ilustração, vemos o vírus intacto (esquerda) e sendo destruído (direita). Este processo é determinado pela resposta imunológica do corpo. Keystone / Kateryna Ko

Pessoas jovens e saudáveis testam positivo para o COVID-19 e são internados em UTIs. Pessoas mais velhas e idosas só apresentam sintomas semelhantes à gripe. Pacientes com câncer não apresentam nenhum sintoma. A grande variedade de indivíduos severamente afetados pela doença intriga médicos e cientistas.

No início da pandemia, as pessoas com mais de 65 anos e dos grupos de risco – câncer, diabetes, doenças cardíacas ou pulmonares – pareciam ter um risco maior de sofrer sintomas graves do COVID-19. Mas a idade média dos pacientes internados no hospital diminuiu desde então.

Vários estudos tentam explicar essa diferença. Alguns especialistas justificam o fenômeno como resultado das taxas de vacinação mais baixas entre os jovens. Outros afirmam que a variante “Delta” é responsável, pois é mais infecciosa.

A idade e a condição clínica, entretanto, não são os únicos fatores que influenciam o resultado de uma infecção por Covid-19. Novas pesquisas, envolvendo cientistas suíços, identificaram dois outros fatores de risco importantes: os genes e os níveis de glicose no sangue. Estas descobertas podem permitir identificar os pacientes de risco e priorizá-los no tratamento.

Importância dos genes

Quando a primeira onda da pandemia atingiu a Suíça, o médico Dimitri Patriki começou a ver famílias inteiras chegando ao hospital de Baden e se tornarem casos graves de COVID-19 sem uma razão aparente. Então se questionou se os genes não teriam um papel no desenvolvimento da doença.

Patriki procuou Bettina Heidecker, especialista em doenças auto-imunes no Hospital Universitário de Berlim (Charité). “Eu a conheci quando trabalhamos juntos no Hospital Universitário de Zurique e sei que ela era uma grande especialista em genética”, afirma o médico.

A hipótese de Patriki é que um grupo de genes chamado “antígenos leucocitários humanos” (HLA) seria responsável pela regulação do sistema imunológico. Isso explicaria porque algumas pessoas hospitalizadas desenvolvem sintomas leves enquanto outras necessitam de aparelhos de respiração.

O HLA estaria associado a outras doenças, tais como influenza ou artrite reumatóide e também desempenhar um papel no desenvolvimento da miocardite, uma inflamação perigosa do músculo cardíaco. Assim, Heidecker criou um grupo internacional de pesquisa para investigar as ligações entre a HLA e os casos graves de COVID-19, com base em dados de pacientes de hospitais em várias partes do mundo.

Uma amostra diversificada de 435 voluntários coronavírus positivos, incluindo 21 tratados por Patriki, foi examinada ao longo de seis meses em termos de idade, sexo e estágio da doença. “O hospital em Baden desempenhou um papel central nas nossas pesquisas na Suíça”, ressalta Heidecker.

As pessoas afetadas são divididas de acordo com a gravidade da doença (a ventilação mecânica é definida como a condição mais grave). E a equipe de pesquisa coleta amostras de sangue e analisa os traços genéticos do grupo de participantes para encontrar evidências da influência do HLA.

O estudo, publicado recentemente no portal “Lancet”, confirma a hipótese: aqueles com COVID-19 que têm um subtipo particular de antígeno leucocitário humano, chamado HLA-C * 04:01, têm o dobro da probabilidade de serem entubados. A equipe de pesquisa diz que esta variante antigênica pode retardar a resposta imunológica, permitindo que o vírus se reproduza rapidamente ou a intensifica, causando uma inflamação fatal.

Inteligência artificial analisa sangue

A ciência acrescentou recentemente outra peça importante ao quebra-cabeça COVID-19: o papel da glicose no corpo humano.

A descoberta vem do grupo Blue Brain Project da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), que adaptou sua ferramenta de simulação cerebral para analisar os estudos sobre COVID-19. O grupo ensinou o sistema a detectar palavras-chave em um banco de dados com mais de 240 mil artigos acadêmicos mencionando o vírus SARS-CoV-2, a doença que causa e outros coronavírus. “O dispositivo extraiu e classificou mais de 400 mil palavras-chave únicas e relevantes, uma tarefa que um ser humano não poderia ter realizado”, explica Henry Markram, fundador e diretor do Projeto Blue Brain.

Os pesquisadores descobriram que o termo “glicose” foi mencionado 6.326 vezes. Em comparação, o termo SARS-CoV-2 foi mencionado 49.386 vezes. Mas entre os compostos bioquímicos, a glicose tinha as mais amplas associações com todos os estágios de infecção. Em um próximo passo, a equipe analisou os artigos mais significativos destacando a glicose como fator de risco e reconstruiu a COVID-19 – desde infecções nos pulmões até o desenvolvimento de complicações e falência de órgãos – usando um sistema de mapeamento. Isto permitiu-lhes sintetizar a quantidade significativa de informações e explorar o papel potencial da glicose na doença.

“Através deste processo de engenharia de conhecimento, descobrimos que níveis elevados de glicose no sangue promovem praticamente todos os estágios da infecção pelo SARS-CoV-2”, diz Emmanuelle Logette, bióloga molecular do Projeto Cérebro Azul.

“Níveis elevados de glicose comprometem a resposta imunológica inicial e promovem a invasão e multiplicação viral”, diz. Isto também facilita uma inflamação aguda que pode levar a disfunções de múltiplos órgãos. A atividade dos vasos sanguíneos também é perturbada, o que pode levar à trombose.

“Portanto, é a combinação desses efeitos múltiplos da alta glicose que explica o desenvolvimento de formas graves de  COVID-19.”

Diabetes como fator de risco

A diabetes é um fator de risco conhecido para a COVID-19. Mas esta é apenas uma das condições ligadas aos altos níveis de glicose. A análise do Blue Brain Project Group não é especificamente sobre diabetes, mas se concentra na forma como o corpo metaboliza a glicose.

Uma deficiência no processamento da glicose, mesmo sem diabetes, pode comprometer a defesa primária dos pulmões e enfraquecer o sistema imunológico, explicam os autores.

Segundo Heidecker e Patriki, o uso de modelos de inteligência artificial podem ajudar na pesquisa do Covid-19, não apenas para melhor compreender a doença, mas também identificar com mais precisão os grupos de maior risco e prever os resultados graves da doença.

“É muito difícil para nós, médicos, trabalhar durante uma pandemia. Às vezes chegam tantos pacientes que é complicado saber quem pode desenvolver uma forma severa de cpvod-19, especialmente sob pressão de tempo. É muito útil ter mais elementos de avaliação”, diz Patriki.

Ter um quadro completo dos fatores de risco poderia ajudar os profissionais de saúde a prever o comportamento da Covid-19 nos pacientes. “Espero que cheguemos ao ponto em que possamos testar marcadores genéticos para dizer a uma pessoa se ela tem risco contrair Covid-19 e ficar gravemente doente”.

Patriki já testa hoje um algoritmo, em colaboração com o Grupo AWK, para antecipar o desenvolvimento da COVID-19 e outras doenças. O médico espera que o sistema seja capaz de fazer diagnósticos precisos em tempo real. Mas para funcionar corretamente, o dispositivo teria que ser treinado sobre os dados concretos de pacientes.

Múltiplos casos de COVID-19 em crianças forçam suspensão de aulas presenciais em escola campista

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No dia 21 de março escrevi uma postagem em que comentei a decisão do prefeito Wladimir Garotinho decretou o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes abertos e fechados em Campos dos Goytacazes. Considerei aquela decisão equivocada, pois pesquisadores com conhecimento da situação da pandemia da COVID-19 no Brasil consideram que ainda não é a hora de se decretar o fim de uma pandemia que ainda possui potencial para causar graves danos à saúde dos brasileiros.

Pois bem, 16 dias depois da decisão do prefeito de Campos dos Goytacazes, fui informado que pelo menos uma escola particular foi obrigada a voltar ao ensino online por causa do adoecimento de diversos alunos de uma mesma turma, e que pode ter gerado uma onda de contaminações para crianças de outras turmas.

Para complicar, pais que procura socorro médico para seus filhos na rede privada de saúde encontraram uma situação caótica, pois aos casos de COVID-19 estão se somando casos de gripe, o que está causando um verdadeiro pandemônio nas áreas de emergência.

Daí é que eu digo: em vez de seguir as pressões de grupos que não colocam a saúde da população em primeiro lugar, Wladimir Garotinho deveria se informar com aqueles que sabem a real situação da pandemia da COVID-19, no caso pesquisadores  como a doutora Margareth Dalcomo da Fiocruz.

Finalmente, eu não vou me surpreender se mais escolas campistas tiverem que suspender temporariamente as aulas presenciais. É que o vírus continua circulando, agora mais livremente por causa da decisão intempestiva do prefeito Wladimir Garotinho.

Cartórios de Campos dos Goytacazes registram recorde de “Pais Ausentes” e mais de 1 mil crianças sem o nome paterno na pandemia

Novos módulos do Portal da Transparência do Registro Civil, abastecidos com dados em tempo real, mostram aumento de Mães Solos e queda nos Reconhecimentos de Paternidade durante a crise sanitária da COVID-19

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Dados inéditos levantados pelos Cartórios de Registro Civil de Campos dos Goytacazes apontam que, nos quase dois anos completos de pandemia, mais de 1 mil crianças campistas foram registradas somente com o nome da mãe na certidão de nascimento. O número, que representa 7% dos recém-nascidos em uma das maiores cidades do Médio Paraíba, ganha ainda mais relevância quando os últimos dois anos apontaram a menor quantidade de nascimentos na cidade. Além disso, os reconhecimentos de paternidade registraram queda quando comparados a 2019, ano anterior ao início da pandemia de COVID-19.

Os dados constam nos dois novos módulos – “Pais Ausentes” e “Reconhecimento de Paternidade” – que acabam de ser lançados no Portal da Transparência do Registro Civil, plataforma nacional, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), que reúne os dados referentes aos nascimentos, casamentos e óbitos registrados nos 168 Cartórios de Registro Civil do Rio de Janeiro, distribuídos em todos os municípios e distritos do Estado.

Em números absolutos, 1.119 recém-nascidos em 2020 e 2021 foram registrados com apenas o nome da mãe em sua certidão de nascimento, sendo 580 no primeiro ano de pandemia, e 539 no segundo ano. Os recordes são verificados justamente no ano em que houve os menores números de nascimentos desde o início da série histórica dos Cartórios, em 2003, totalizando 7.929 registros em 2020 e 7.823 em 2021.

Outra queda verificada nos Cartórios de Registro Civil de Campos dos Goytacazes mostra que os reconhecimentos de paternidade sofreram uma diminuição em meio à crise sanitária, passando de 7 em 2019 para 1 em 2020, e nenhum em 2021.

“Mais uma vez os Cartórios de Registro Civil do Rio de Janeiro prestam um serviço importante e essencial para a sociedade, que implica em, junto a órgãos responsáveis, submeter dados relevantes para a implementação de políticas públicas que sejam direcionadas a contribuir com o desenvolvimento da cidadania entre a população mais afetada pela pandemia”, afirma Humberto Monteiro da Costa, presidente da Arpen/RJ.

Rio de Janeiro

Já no Rio de Janeiro, os dados levantados pelos Cartórios de Registro Civil apontam que, nos quase dois anos completos de pandemia, mais de 26 mil crianças fluminenses foram registradas somente com o nome da mãe na certidão de nascimento. O número, que representa 7% dos recém-nascidos fluminenses, ganha ainda mais relevância quando os últimos dois anos apontaram a menor quantidade de nascimentos no Estado. Além disso, os reconhecimentos de paternidade caíram mais de 20% quando comparados a 2019, último ano antes da chegada da COVID-19.

Em números absolutos, 26.017 recém-nascidos em 2020 e 2021 foram registrados com apenas o nome da mãe em sua certidão de nascimento, sendo 12.643 no primeiro ano de pandemia, e 13.374 mil no segundo ano. Os recordes são verificados justamente nos anos em que houveram os menores números de nascimentos desde o início da série histórica dos Cartórios, em 2003, totalizando 196.475 registros em 2020 e 192.835 em 2021.

Outra queda verificada pelos dados dos Cartórios de Registro Civil fluminenses mostra que os reconhecimentos de paternidade sofreram diminuição vertiginosa em meio a crise sanitária, passando de 971 em 2020 para 781 em 2021 — queda de 20% em relação a 2020, ano em que começou a pandemia.

Como reconhecer a paternidade

Desde 2012, com a publicação do Provimento nº. 16, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o procedimento de reconhecimento de paternidade pode ser feito diretamente em qualquer Cartório de Registro Civil do país, não sendo necessária decisão judicial nos casos em que todas as partes concordam com a resolução. Nos casos em que iniciativa seja do próprio pai, basta que ele compareça ao cartório com a cópia da certidão de nascimento do filho, sendo necessária a anuência da mãe ou do próprio filho, caso este seja maior de idade. Em caso de filho menor, é necessário a anuência da mãe. Caso o pai não queira reconhecer o filho, a mãe pode fazer a indicação do suposto pai no próprio Cartório, que comunicará aos órgãos competentes para que seja iniciado o processo de investigação de paternidade.

Desde 2017, caso a criança tenha 12 anos ou mais, também é possível realizar em Cartório o reconhecimento da filiação socioafetiva, procedimento por meio do qual se reconhece a existência de uma relação de afeto, sem nenhum vínculo biológico, desde que haja a concordância da mãe e/ou do pai biológico. Neste caso, caberá ao registrador civil atestar a existência do vínculo afetivo da paternidade ou maternidade, mediante a apuração objetiva por intermédio da verificação de elementos concretos, como testemunhas ou da apresentação de documentos, como por exemplo: inscrição do pretenso filho em plano de saúde ou em órgão de previdência; registro oficial de que residem na mesma unidade domiciliar; certidão de casamento ou de união estável — com o ascendente biológico; entre outros. 

Sobre a Arpen/RJ

A Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Rio de Janeiro (Arpen/RJ) representa os 179 cartórios de registro civil, que atendem a população em todos os 92 municípios do Estado, além de estarem presentes em todos os distritos e subdistritos, realizando os principais atos da vida civil de uma pessoa: o registro de nascimento, casamento e óbito.