Estudo do ‘mundo real’ em Israel mostra que a vacina contra o coronavírus da Pfizer é 94% eficaz

PFIZERUm profissional de saúde prepara uma dose da vacina contra o coronavírus Pfizer-BioNtech Covid-19 em uma clínica móvel em Israel. Foto: AFP

O estudo israelense, publicado no New England Journal of Medicine , também mostrou que há provavelmente um forte benefício protetor contra infecções, um elemento crucial para interromper a transmissão progressiva.

As curvas de incidência cumulativa (1 menos o risco de Kaplan-Meier) para os vários desfechos são mostradas, começando no dia da administração da primeira dose da vacina. As áreas sombreadas representam intervalos de confiança de 95%. O número em risco em cada momento e o número cumulativo de eventos também são mostrados para cada resultado

“Esta é a primeira evidência revisada por pares em grande escala da eficácia de uma vacina em condições do mundo real”, disse Ben Reis, pesquisador da Harvard Medical School e um dos autores do artigo.

Envolveu quase 600.000 pessoas que receberam as vacinas e um número igual que não as receberam, mas foram parecidas com suas contrapartes vacinadas por idade, sexo, geografia, médicos e outras características.

A eficácia contra o COVID-19 sintomático foi de 94 % sete ou mais dias após a segunda dose – muito próxima dos 95% alcançados durante os ensaios clínicos de Fase 3.

Na Inglaterra, pesquisadores disseram na quinta-feira que as pessoas que receberam duas doses da vacina Pfizer estão gerando fortes respostas de anticorpos à medida que a injeção é aplicada.

Uma pesquisa do Imperial College London mostrou que 87,9% das pessoas com mais de 80 anos testaram positivo para anticorpos após duas doses da vacina Pfizer-BioNTech, aumentando para 95,5 % para aqueles com menos de 60 anos e 100 por cento para aqueles com menos de 30

“Embora haja alguma queda na positividade com a idade, em todas as idades, obtemos uma resposta muito boa a duas doses da vacina”, disse Paul Elliott, presidente de Epidemiologia e Medicina de Saúde Pública do Imperial College London, a jornalistas.

Os níveis de anticorpos são apenas uma parte do quadro de imunidade, com vacinas também demonstrando gerar forte proteção de células T.

Quase 95% dos menores de 30 anos testaram positivo para anticorpos 21 dias após uma dose, mas isso diminuiu nos grupos mais velhos.

A pesquisa descobriu que 34,7% dos 80 anos ou mais geraram respostas de anticorpos a partir de uma dose da vacina Pfizer, mas o Comitê Conjunto de Vacinação e Imunização (JCVI) da Grã-Bretanha encontrou anteriormente alta proteção da vacina Pfizer após uma dose, mesmo quando os níveis de anticorpos são mais baixos.

A Grã-Bretanha estendeu o intervalo entre as doses para 12 semanas, embora a Pfizer tenha alertado que só tem dados de eficácia clínica com um intervalo de três semanas entre as vacinas.

Mais de 154.000 participantes participaram do estudo de vigilância domiciliar do Imperial para anticorpos COVID-19, que monitora os níveis de anticorpos de infecções naturais e também entre os vacinados, entre 26 de janeiro e 8 de fevereiro.

A pesquisa também analisou a confiança nas vacinas e mostrou que era alta, com 92% tendo aceitado ou planejando aceitar uma oferta de vacina, embora a confiança fosse menor entre os negros, caindo para 72,5%.

Mais de 217 milhões de doses de vacinas foram administradas globalmente, embora a grande maioria tenha sido administrada em países de alta renda.

Há grandes esperanças de que as inoculações permitam que o mundo finalmente saia de uma pandemia que matou mais de 2,4 milhões, infectou 112 milhões e atingiu a economia global.

Mas especialistas em saúde advertiram que, a menos que o mundo inteiro tenha acesso às vacinas, a pandemia não terá fim.

Isso ocorreu quando Gana se tornou o primeiro país a receber injeções sob o esquema global Covax Facility, abrindo caminho para que as nações mais pobres alcancem as partes mais ricas do mundo. As 600 mil doses são da Oxford-AstraZeneca e serão administradas em várias cidades de Gana a partir de terça-feira.

Dados mais otimistas, entretanto, surgiram sobre a vacina de injeção única da Johnson & Johnson, que se mostrou altamente eficaz contra os casos graves de COVID-19, incluindo variantes mais recentes, em dados detalhados divulgados pelo regulador dos EUA. A vacina provavelmente será autorizada em breve, tornando-se a terceira disponível no país mais afetado.

A empresa americana de biotecnologia Moderna também anunciou que sua nova vacina candidata contra a COVID-19, voltada para a perigosa variante do coronavírus sul-africano, foi enviada a laboratórios governamentais para teste.

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Este artigo foi inicialmente escrito em inglês e publicado pelo “South China Morning Post”  [Aqui!].

COVID-19: Sleeping Giants Brasil questiona Globo e Folha SP por publicação de anúncio negacionista

O pessoal do “Sleeping Giants Brasil” usou hoje a página do movimento na rede social Twitter para questionar a incrível publicação de um anúncio por uma associação de médicos que propugna o uso do protocolo de drogas não reconhecidas como eficazes contra a COVID-19, o chamado “tratamento precoce” (ver imagens das postagens abaixo).

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Apesar de concordar inteiramente com as cobranças feitas pelo “Sleeping Giants Brasil” em relação à publicação desse anúncio, eu vejo essa ação comercial como uma rara explicitação da efetiva linha editorial desses dois grupos que controlam boa parte da informação que circula no Brasil.  Vivêssemos ainda sob os auspícios de um governo controlado pelo PT, eu não tenho dúvidas que o tratamento praticamente adocicado que a pandemia da COVID-19 vem recebendo por parte da mídia corporativa brasileira seria bem muito diferente do que está sendo.

A verdade é que apesar de publicamente discordarem dos supostos excessos discursivos do presidente Jair Bolsonaro, os donos dos veículos de mídia controlados pelas organizações Globo e pela Folha de São Paulo estão completamente alinhados com o seu projeto de desmantelamento do Estado brasileiro. 

Assim, é bastante coerente que publiquem um anúncio negacionista, em que pesem os mais de 248 mil mortos pela COVID-19 no Brasil. Afinal de contas, business is always business…..

Pesquisa da FGV revela que novo auxílio emergencial de R$ 200 não compensará a renda dos informais diante da atual pandemia no Brasil

auxilio emergencial

São Paulo, fevereiro 2021 – O governo federal estuda um novo auxílio emergencial com parcelas de R$ 200 ou R$ 250. Segundo estudo do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGVCemif), se o auxílio for no valor de R$ 200 e os números da pandemia continuarem ruins ou piorarem, as perdas dos trabalhadores “invisíveis informais” não serão compensadas pelo auxílio. Da mesma forma, em um recorte por estado, um valor de R$ 200 não compensará as perdas “invisíveis informais dos estados mais ricos, tais como São Paulo e Rio de Janeiro. Se o valor for de R$ 250, as perdas são repostas, com pequenos ganhos em relação à renda antes da pandemia.

O estudo foi elaborado a partir dos dados da PNAD-COVID, com o objetivo de simular os efeitos do auxílio emergencial reduzido (R$ 200 ou R$ 250) sobre a renda dos invisíveis e informais em diferentes cenários otimista e pessimista – conforme as prováveis perdas decorrentes da pandemia. O pessimista se baseia nos dados da PNAD COVID-19 divulgadas em julho (IBGE, 2020) e o otimista, em dezembro (IBGE, 2020). Dentro de cada um dos cenários foram feitas simulações considerando um novo auxílio emergencial de R$ 200 ou R$ 250, sempre comparando a renda durante a pandemia com a renda usual pré-pandemia.

Utilizando os cenários anteriormente definidos, as três figuras seguintes mostram diversos recortes para um AE de R﹩ 200 – cenário pessimista (PNAD-COVID- julho 2020 – IBGE)
 
 
Fonte: FGVcemif a partir de dados do IBGE
 
Fonte: FGVcemif a partir de dados do IBGE
 
 
No caso dos invisíveis (Figura 1), ao levar em consideração o auxílio emergencial, o ganho para homens é de 5% e, para as mulheres, de 11%, sempre comparado à renda usual pré-pandemia. Ao analisar especificamente os invisíveis informais, mesmo com o pagamento de um novo benefício, há uma perda de 2% para homens e um ganho de apenas 2% para mulheres. Ainda no caso de homens e mulheres invisíveis informais (Figura 2), sem o auxílio as perdas de renda são de 30% e 37%, respectivamente, o que denota uma posição de maior vulnerabilidade aos efeitos da crise.

A Figura 3 apresenta os dados sobre a perda/ganho de renda para invisíveis informais por Unidade Federativa (UF). Mesmo com o pagamento de um AE de R﹩ 200, 7 estados (todos localizados no centro-sul do país) e o Distrito Federal (DF) ainda registrariam perdas de renda. Por outro lado, 17 estados apresentam ganhos, quase todos no Norte e Nordeste do país. Portanto, há evidências de que um AE de R﹩ 200, em um cenário de maiores perdas por conta do recrudescimento da pandemia, é insuficiente para compensar as perdas de renda de grupos mais vulneráveis.
 
Fonte: FGVcemif a partir de dados do IBGE
 
“O auxílio emergencial é fundamental nesse momento em que a evolução da pandemia é desfavorável, com a configuração de uma segunda onda, e ainda diante da lentidão na implementação de plano nacional de imunização, sobretudo pela escassez de vacinas. Neste cenário, as políticas públicas são fundamentais para mitigar os efeitos da crise para a população mais vulnerável”, explica Lauro Gonzalez, coordenador do FGVcemif e autor do estudo.

Auxílio Emergencial de R$ 250

As três próximas figuras seguem a mesma lógica de análise das figuras anteriores, ajustando o valor do auxílio emergencial para R$ 250.
 
 
Fonte: FGVcemif a partir de dados do IBGE
 
A Figura 4 mostra um ganho de 10% para homens e 17% para mulheres com o AE. Ao analisar especificamente os invisíveis informais (Figura 5), o ganho é de 4% para os homens e de 10% para as mulheres. Já a Figura 6 mostra que, mesmo com um AE de R﹩ 250, 6 estados e o DF registrariam perdas de renda.
 
Cenário otimista (PNAD-COVID em dezembro)

Seguindo a mesma lógica, as 3 figuras abaixo mostram a perda/ganho de renda dos invisíveis e dos invisíveis informais por gênero, considerando o pagamento de um valor fixo mensal de R﹩ 200, com a diferença de que o cenário reflete o momento mais favorável da pandemia.

A Figura 7 mostra que, no caso dos invisíveis, o ganho para homens é de 13% e, para as mulheres, de 18%. Lembrando que as perdas e ganhos são calculadas sempre em relação à renda usual pré-pandemia. Ao analisar especificamente os invisíveis informais, na Figura 8, o ganho dos homens diminui para 12%, ao passo que o ganho das mulheres permanece inalterado.

 A Figura 9, abaixo, mostra a perda/ganho de renda para invisíveis informais por UF, considerando um benefício de R﹩ 200. Como esperado, os maiores ganhos ocorreriam nas regiões Norte e Nordeste, reflexo da desigualdade regional no país.
 
 
Por fim, as três próximas figuras apresentam os dados do cenário otimista, considerando um auxílio emergencial de R﹩ 250.
 
 
 
 
 
No caso dos invisíveis (Figura 10), tanto para homens quanto para mulheres, o ganho de renda é 5% maior se o AE for de R﹩ 250, ao invés de R﹩ 200. A Figura 12 traz a análise de perda/ganho de renda para invisíveis informais por UF. Todos os estados e o DF apresentariam ganhos, especialmente aqueles das regiões Norte e Nordeste do país.
 
 
 
Sobre a FGV

Criada em 1944, a Fundação Getulio Vargas nasceu com o objetivo de promover o desenvolvimento socioeconômico do Brasil por meio da formação de administradores qualificados, nas áreas pública e privada.

Ao longo do tempo, a FGV ampliou a sua atuação para outras áreas do conhecimento, como Ciências Sociais, Direito, Economia, História, Matemática Aplicada e, mais recentemente, Relações Internacionais, sendo sempre reconhecida pela qualidade e excelência ao produzir e difundir conhecimento.

Atualmente, a FGV possui parceria com mais de 200 instituições estrangeiras de ensino superior e ocupa o 3º lugar entre os melhores Think Tanks do mundo, segundo o Global Go To Think Tank Index Report.

Volta às aulas: “já estamos num colapso. Fomos jogados no olho do furacão”

sala de aula

Criança levanta a mão ao lado de outros alunos em sala de aula da escola Thomaz Rodrigues Alckmin, no primeiro dia de retorno das escolas do estado de São Paulo para atividades extracurriculares em meio ao surto de coronavírus (COVID-19) em São Paulo, Brasil Outubro 7, 2020. REUTERS / Amanda Perobelli

Por Gabriel Brito para o Correio da Cidadania

Fevereiro de 2021 entra para a história como o mês em que, apesar do pico de casos de coronavírus no Brasil, o Estado brasileiro e seus gestores decidiram iniciar o ano letivo em condições pretensamente normais. De acordo com o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo, já são 721 casos de contaminação na comunidade escolar e algumas mortes. Na entrevista ao Correio, o professor Severino Honorato comenta que a maior parte dos estabelecimentos não é apta a funcionar de forma segura e o governo só deu ouvidos às pressões do poder econômico na organização do retorno às aulas.

“As condições são péssimas. Faltam funcionárias para limpeza. As pessoas que existem são terceirizadas e ganham salários de fome. São mulheres que estão na linha de frente da higienização e limpeza do ambiente escolar. Estão expostas ao vírus. Têm casos em que só há uma funcionária para limpar toda a escola. Isso é semiescravidão. Antes de ser do sindicato, sou professor. Eu sou testemunha disso”.

Severino também ataca a má fé do governo Bolsonaro no tratamento da pandemia e na viabilização da vacina, e explica as razões pelas quais a greve dos trabalhadores da educação não se concretizou.

“As perspectivas são de tempos difíceis, duros, de ampliação do contágio e das mortes. Bolsonaro tem um modus operandi maléfico: boicota as medidas necessárias e depois de um tempo as aplica e diz que foi ideia do governo”, resumiu.

A entrevista completa pode ser lida a seguir. 

Correio da Cidadania: Como avalia a volta as aulas na rede pública no contexto da pandemia? Havia como fazer diferente em uma sociedade como a nossa?

Severino Honorato: As condições são péssimas. Faltam funcionárias para limpeza. As pessoas que existem são terceirizadas e ganham salários de fome. São mulheres que estão na linha de frente da higienização e limpeza do ambiente escolar. Estão expostas ao vírus. Têm casos em que só há uma funcionária pra limpar toda a escola. Isso é semiescravidão. Antes de ser do sindicato, sou professor. Eu sou testemunha disso.

Correio da Cidadania: O que pensa da forma como governo e prefeitura conduzem o retorno às aulas, considerando também sua política de contenção do coronavírus de um modo geral?

Severino Honorato: A demagogia e a irresponsabilidade dos governos venceram. Demagogia porque alegam que as crianças estavam entrando em depressão, sofrendo violência doméstica. Mas isso sempre ocorreu e não existem políticas públicas sérias para conter esses problemas. A postura do governo federal foi desastrosa, condenável e criminosa. O negacionismo de Bolsonaro e sua turma de lunáticos custou a vida de muita gente. Na verdade, foi algo deliberado e orquestrado.

Correio da Cidadania: Quais as condições gerais das escolas? O que você pode descrever de acordo com a própria experiência?

Severino Honorato: O retorno foi desastroso do ponto de vista da segurança em relação ao contágio. Foi evidente que ocorreu uma pressão do setor privado e os governos cederam. Era possível fazer diferente, ouvir os segmentos interessados. Dialogar. Isso não ocorreu.

Correio da Cidadania: Já há muitos casos de contaminação? Como tem sido o dia a dia? Há chance de colapso das aulas?

Severino Honorato: O sindicato recebeu centenas de notificações de casos de covid-19, a grande maioria de professores. Têm escola com quase dez contaminados. Temos casos de gestores que morreram. Até porque as escolas não fecharam em nenhum momento. Temos casos de escolas com 50% de trabalho remoto, pois os profissionais são do grupo de risco. Já estamos num colapso. Fomos jogados no olho do furacão.

Correio da Cidadania: Houve uma tentativa de greve no meio do processo de retorno? Por que não ocorreu?

Severino Honorato: Greves são movimentos que podem ser um tsunami ou uma brisa. A greve aprovada pelo sindicato não pegou na base. São muitos os motivos. Destaco três: a) a pressão do governo, que criou uma estrutura hierárquica em que gestores e coordenadores “vestiram a camisa do governo”; b) a crise social provocada pela pandemia; c) o distanciamento do sindicato do chão da escola e também da comunidade escolar. O apelo do sindicato não sensibilizou a categoria. Os poucos que estão em greve estão sangrando.

Correio da Cidadania: Que perspectivas vocês enxergam neste contexto, levando em conta o ritmo da vacinação do país?

Severino Honorato: Tempos difíceis, duros, de ampliação do contágio e das mortes. Bolsonaro tem um modus operandi maléfico: boicota as medidas necessárias e depois de um tempo as aplica e diz que foi ideia do governo. Exemplo: Paulo Guedes propôs 200 reais de auxílio emergencial. O Congresso apontou 500, o Governo fechou com 600 e ganhou pontos com um setor da população que não tem tempo pra elucubrações, precisa comer. Só agora Pazzuello fala em agilizar a compra de vacinas, depois das inúmeras demonstrações de despreparo e mesmo desprezo sobre a urgência da situação. São genocidas.

Gabriel Brito é jornalista e editor do Correio da Cidadania.

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Esta entrevista foi inicialmente publicado pelo Correio da Cidadania [Aqui!].

Especialista afirma que virus ficará mais perigoso se o SARS-CoV-2 se fundir com outro coronavírus

virusMembros de uma equipe da Sinovac Biotech, uma empresa biofarmacêutica chinesa, realizam uma nova inoculação simulada de coronavírus em uma zona de biossegurança de alto nível de uma oficina de solução de estoque a ser colocada em produção de vacinas inativadas COVID-19 em Pequim, capital da China, 15 de julho 2020. A Administração Nacional de Produtos Médicos da China concedeu na sexta-feira a aprovação condicional de mercado para CoronaVac, uma vacina COVID-19 inativada desenvolvida pela Sinovac Biotech, disse a empresa no sábado. (Xinhua / Zhang Yuwei)

Por Leng Shumei e Liu Caiyu para o Global Times

 Uma cepa recombinante do novo coronavírus provavelmente foi detectada nos EUA, o que levou especialistas chineses a alertar na quinta-feira que um vírus mais perigoso poderia surgir se o SARS-CoV-2 se recombinar com outro coronavírus.

Bette Korber, cientista do Laboratório Nacional de Los Alamos, disse no início deste mês que descobriu evidências da nova cepa, que foi uma recombinação das variantes detectadas no Reino Unido e na Califórnia, e que pode ser responsável por uma recente onda de casos em Los Angeles, de acordo com um relatório publicado na revista New Scientist de Londres na terça-feira.

A recombinação pode ser vista como uma variação maior do que as mutações descobertas anteriormente. Mas, enquanto ainda estiver limitado nas cepas SARS-CoV-2, não afetará amplamente a antigenicidade do vírus, disse um especialista em vacinas de Pequim ao Global Times na quinta-feira, sob condição de anonimato. 

No entanto, o especialista alertou que a situação seria pior se ocorrer uma recombinação entre o SARS-CoV-2 e outro coronavírus – por exemplo, o vírus SARS. 

A recombinação pode levar ao surgimento de variantes novas e ainda mais perigosas, embora não esteja claro o quanto de ameaça esta primeira recombinação pode representar, disse o relatório da revista New Scientist. 

Se confirmada, a recombinação seria a primeira a ser detectada nesta pandemia, enquanto as mutações contínuas e rápidas do SARS-CoV-2 trouxeram preocupações suficientes para o mundo sobre a doença mortal, já que algumas vacinas foram relatadas como menos potentes contra certas variantes.

“É certamente impossível para os humanos evitar a mutação do vírus. Diante das mudanças, temos que desenvolver vacinas multivalentes ou vacinas sazonais e aceitar inoculações para obter imunidade, assim como o que fazemos contra a gripe”, Jiang Chunlai, professor da Escola de Ciências da Vida da Universidade de Jilin, disse ao Global Times na quinta-feira. 

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, parceiro brasileiro da produtora chinesa de vacinas Sinovac Biotech, disse à mídia nesta quarta-feira que receberam bons resultados sobre a eficácia da vacina Sinovac contra as variantes detectadas no Reino Unido e na África do Sul, enquanto a BioNTech / As vacinas Pfizer e Oxford / AstraZeneca relataram desempenho insatisfatório em algumas cepas.

As vacinas inativadas da China contêm mais epítopos antigênicos do que a vacina de mRNA da BioNTech / Pfizer e a vacina de vetor adenoviral recombinante Oxford / AstraZeneca, portanto, podem lidar com mais mutações, explicou o especialista acima mencionado.

Covas, do Instituto Butantan, não deu dados específicos sobre a eficácia, mas disse que o instituto também está testando a vacina contra a variante detectada no Brasil, e acredita que resultados positivos sairão em breve, informou a Reuters. 

No mesmo dia, um relatório divulgado na quarta-feira no The New England Journal of Medicine disse que os pesquisadores descobriram que a vacina BioNTech/Pfizer é menos potente contra a variante do coronavírus detectada na África do Sul e produz apenas um terço dos anticorpos que produziu para o vírus original.

No início deste mês, as autoridades de saúde sul-africanas anunciaram uma suspensão no lançamento da vacina contra o coronavírus Oxford/AstraZeneca no país depois que um estudo mostrou que ela oferecia proteção reduzida contra a variante COVID-19 que lá foi identificada pela primeira vez.

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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo “Global Times” [Aqui!].

Governo Wladimir Garotinho coloca profissionais da educação na linha de fogo da COVID-19

professores

Uma rápida leitura da matéria postada no portal oficial da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes sobre a iminente adoção de um modelo “híbrido” para garantir o retorno às aulas presenciais na rede municipal de educação (pública e privada) já nos fornece o principal elemento de contradição do que está sendo imposto a milhares de servidores municipais da educação que serão obrigados efetivamente a voltar ao trabalho presencial. É que a reunião que decidiu o destino desses trabalhadores não foi presencial, mas na segurança da tela de computador (ver imagens abaixo).

Em termos da proposta que será implementada pela Secretaria Municipal de Educação, uma coisa salta aos olhos: afora as declarações protocolares de que cada escola criará uma tal “Comissão Pró-Saúde” para “monitorar o cumprimento dos protocolos estabelecidos, nada de concreto é indicado para garantir a chance zero de contaminação por parte de profissionais da educação e das crianças que frequentarão “hibridamente” as escolas públicas e privadas.

E isso em um momento que se sabe que pelo menos duas variantes com maior capacidade de contágio já estão presentes de forma comunitária no Rio de Janeiro (as originada no Reino Unido e em Manaus), e de que uma síndrome particularmente letal está se manifestando em crianças e adolescentes contaminadas pelo SARS-Cov-2 no Brasil e nos EUA.

Como sabemos que as condições de trabalho experimentados na rede pública são precárias para se dizer o mínimo, e inexistindo uma campanha de vacinação em massa orientada para os profissionais de educação, o que está se fazendo de maneira prática é colocar milhares de servidores, muitos deles com mais de uma comorbidade, na linha de frente de uma guerra onde o coronavírus está com a faca e o queijo na mão para vencer, causando ainda mais casos de contaminação e mortes.

Caberá ao SEPE-Campos dos Goytacazes defender a integridade e o direito à vida dos servidores da educação, pois não vejo a mínima disposição de qualquer outro ator para fazer essa defesa.  Aos profissionais da educação está sendo reservada uma sorte madrasta, da qual eles só escaparão caso estejam organizados e prontos para documentar e difundir informações sobre casos de contaminação e morte que certamente advirão de uma volta intempestiva ao trabalho presencial.

E há que se diga que repousará sobre os gestores que estão impondo essa volta fora de hora ao ensino presencial todas as responsabilidades sobre o que inevitavelmente virá nas próximas semanas e meses nas escolas de Campos dos Goytacazes. Depois que o caos emergir que ninguém se faça de inocente.

Relatório da ONU aponta que um quarto das doenças globais tem causa ambiental

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De acordo com um relatório da ONU , cerca de um quarto da carga global de doenças vem do meio ambiente. Por um lado, trata-se de doenças que os animais pulam – como a COVID-19 – conforme afirma um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente . Por outro lado, existem riscos à saúde que estão relacionados às mudanças climáticas e aumentam com o aumento das temperaturas, como a desnutrição e as doenças transmitidas pela água e pelos alimentos. Em última análise, a poluição do ar também é uma grande ameaça, levando a quase nove milhões de mortes prematuras a cada ano.

“A deterioração da condição do planeta está minando os esforços para alcançar uma vida saudável e bem-estar para todos”, diz o relatório. A relação entre os humanos e a Natureza deve mudar radicalmente e a paz deve ser feita com os sistemas naturais da Terra.

Existem atualmente três crises ocorrendo simultaneamente: mudança climática, perda de biodiversidade e poluição. Tudo isso é auto infligido, interconectado e põe em risco o bem-estar das gerações atuais e futuras. Nem os objetivos do Acordo Climático de Paris, nem quaisquer objetivos globais para a proteção dos seres vivos, da terra e dos oceanos foram alcançados até agora. Para resolver essas crises, todas as inovações e investimentos futuros teriam que proteger as pessoas e a natureza ao mesmo tempo.

O Programa das Nações Unidas para o Ambiente publicou o relatório tendo em vista a Conferência das Nações Unidas para o Ambiente, que terá lugar online pela primeira vez na segunda e terça-feira e na qual se espera a participação do Secretário-Geral da ONU, António Guterres.

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Este artigo foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo Zeit.de [Aqui!].

Brasil ultrapassa 240 mil mortes por COVID-19, enquanto Jair Bolsonaro curte férias em Santa Catarina

covid cemitériosBrasil superou a marca das 240 mil mortes provocadas pela COVID-19.  Foto de AMANDA PEROBELLI

No último dia de 2020, o Brasil registrava 194.949 mil mortos por COVID-19, o que já representava uma marca macabra que deixou enlutadas milhares de famílias brasileiras. Mas graças a uma combinação de ações que misturaram procastinação e descompromisso com as evidências cientíicas, esse número chegou nesta terça-feira de Carnaval a 240.940 mil mortes e a mais de 55 mil novos casos de infecção pelo SARS-Cov-2 Dada as aglomerações em praias e festas clandestinas que estão ocorrendo em diferentes partes do Brasil,  o número de óbitos pela COVID-19 deverá ter uma nova aceleração nos próximos dias e semanas.

Enquanto a curva de mortes e novas infecções continuam crescendo, outras duas coisas aconteceram de forma quase simultânea no Brasil. A primeira foi a suspensão em cidades importantes, a começar pelo Rio de Janeiro, da campanha de vacinação contra a COVID-19 por falta de vacinas.  Essa interrupção que deverá se estender a milhares de cidades brasileiras já que inexiste prazo concreto para a chegada de novos estoques, e com isso haverá campo fértil para novas infecções, especialmente pelas variantes cujo contagia é mais rápido do que o exibido pela cepa original.

A segunda coisa que está acontecendo são as férias estrepitosas que o presidente Jair Bolsonaro e membros de sua família estão gozando no litoral de Santa Catarina. Em meio a ataques à imprensa, mergulhos, pescarias e passeios de jet ski, o presidente brasileiro tem encontrado tempo para causar seguidas aglomerações nas praias catarinenses.  

Bolsonaro se prepara para mergulho no litoral catarinense nesta terça-feira de Carnaval. Reprodução Twitter

Nem o crescente caos sanitário e o aumento do número de mortos pela COVID-19 estão servindo para que o presidente Jair Bolsonaro mostre um mínimo de compromisso com os deveres que o cargo que ocupa demandam, a começar pelas responsabilidades com a segurança dos brasileiros.

Mas, convenhamos, não é possível esperar muito de diferente de Jair Bolsonaro, pois ele já deu seguidas demonstrações que são seus projetos são outros. O que me causa espanto é que ninguém nos diferentes níveis de governo, incluindo os dirigentes dos partidos que dizem fazer oposição a Bolsonaro, parece estar disposto a colocar as responsabilidades sobre seus ombros.

A questão aqui é que o resto do mundo, incluindo os dirigentes das grandes corporações que comandam a economia mundial, está olhando para o que está acontecendo por aqui. Que ninguém se surpreenda se mais empresas estrangeiras decidirem sair do Brasil nos próximos meses. É que apesar dos capitalistas não terem muito compromisso com a vida, também é verdade que ninguém gosta de ficar associado a governos que fazem o que o governo Bolsonaro está fazendo com o povo brasileiro. Digamos que é uma questão de imagem a se preservar. A ver!

Êxodo haitiano gera iminência de grave conflito social na fronteira Brasil-Peru

Foto: Joaninha H. Madeira.

Longe dos holofotes da mídia corporativa brasileira há hoje um grave conflito em ebulição na fronteira Brasil-Peru, mais precisamente na ponte que ligas as cidades de Assis Brasil (Acre) e Iñapari (Madre de Dios), onde cerca de 400 haitianos estão tendo sua entrada bloqueada, pois tentam sair do Brasil em direção a outros países, inclusive o próprio Haiti.

A situação é tão tensa que o Vicariato de Puerto Maldonado já se manifestou para chamar a atenção das autoridades governamentais peruana para que seja encontrada uma solução imediata para uma situação que pode “desencadear um grave conflito social(ver imagem abaixo).

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É importante lembrar que  milhares de haitianos se mudaram nos últimos meses para o estado do Acre. E  após o terremoto que atingiu o Haiti em 2011, mas após a crise gerada pela pandemia da COVID-19, eles agoram buscar abandonar o  Brasil para se instalar em países tais como  Equador,  México, Estados Unidos e Haiti.

Essa situação, por outro lado, pode ser entendida como a ponta do iceberg de turbulência social que está latente no Brasil neste momento por causa da forma com que o governo Bolsonaro vem tratando a pandemia da COVID-19.  A pergunta que fica é a seguinte: o que farão os pobres brasileiros, já que até até os haitianos já viram que por aqui a coisa não está dando mais para aguentar?

Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro passeia de jet ski e causa aglomerações em praias de Santa Catarina….

Casos de síndrome causada pela COVID-19 em crianças estão aumentando e ficando mais graves

A condição, que geralmente surge várias semanas após a infecção, ainda é rara, mas pode ser perigosa. “Uma porcentagem maior deles está  ficando gravemente doente”, disse um médico.

covid-19 wilsonCrédito. Via Amanda Wilson

Por  para o “The New York Times”

Braden Wilson, de quinze anos, tinha medo da COVID-19. Ele teve o cuidado de usar máscaras e só saiu de casa, em Simi Valley, Califórnia, para coisas como exames ortodontistas e visitas aos avós por perto.

Mas de alguma forma, o vírus encontrou Braden. Ele causou danos implacáveis ​​na forma de uma síndrome inflamatória que, por razões desconhecidas, atinge alguns jovens, geralmente várias semanas após a infecção pelo coronavírus.

Os médicos do Children’s Hospital de Los Angeles colocaram o adolescente em um respirador e uma máquina de bypass coração-pulmão. Mas eles não conseguiram impedir que seus órgãos principais entrassem em falência múltipla. Em 5 de janeiro, “eles disseram oficialmente que ele tinha morte cerebral”, contou sua mãe, Amanda Wilson, aos soluços. “Meu filho tinha morrido.”

Médicos em todo o país têm observado um aumento notável no número de jovens com a doença de Braden, que é chamada de Síndrome Inflamatória Multissistêmica em Crianças ou MIS-C. Ainda mais preocupante, dizem eles, é que mais pacientes estão agora muito doentes do que durante a primeira onda de casos, o que alarmou médicos e pais em todo o mundo na primavera passada.

“Agora estamos recebendo mais dessas crianças MIS-C, mas desta vez, parece que uma porcentagem maior delas está realmente gravemente doente”, disse a Dra. Roberta DeBiasi, chefe de doenças infecciosas do Children’s National Hospital em Washington, DC Durante a primeira onda do hospital, cerca de metade dos pacientes precisou de tratamento na unidade de terapia intensiva, disse ela, mas agora 80 a 90 por cento o fazem.

As razões não são claras. O aumento segue o pico geral de casos de COVID-19 nos Estados Unidos após o feriado de inverno, e mais casos podem simplesmente aumentar as chances de surgimento de doenças graves. Até agora, não há evidências de que variantes recentes do coronavírus sejam responsáveis, e especialistas dizem que é muito cedo para especular sobre o impacto das variantes na síndrome.

A condição permanece rara. Os últimos números dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças mostram 2.060 casos em 48 estados, Porto Rico e Distrito de Columbia, incluindo 30 mortes. A idade média era de 9 anos, mas de bebês a 20 anos já sofreram. Os dados, que estão completos apenas até meados de dezembro, mostram que a taxa de casos vem aumentando desde meados de outubro.

Embora a maioria dos jovens, mesmo aqueles que ficaram gravemente doentes, tenham sobrevivido e ido para casa em condições relativamente saudáveis, os médicos não têm certeza se algum deles terá problemas cardíacos persistentes ou outros problemas.

“Nós realmente não sabemos o que acontecerá a longo prazo”, disse o Dr. Jean Ballweg, diretor médico de transplante cardíaco pediátrico e insuficiência cardíaca avançada do Children’s Hospital & Medical Center em Omaha, Nebraska, onde de abril a outubro, o hospital tratava cerca de dois casos por mês, cerca de 30% deles na UTI. Isso aumentou para 10 casos em dezembro e 12 em janeiro, com 60% precisando de cuidados na UTI – a maioria exigindo ventiladores. “Claramente, eles parecem estar mais doentes”, disse ela.

Os sintomas da síndrome podem incluir febre, erupção cutânea, olhos vermelhos ou problemas gastrointestinais. Eles podem progredir para disfunção cardíaca, incluindo choque cardiogênico, no qual o coração não consegue apertar o suficiente para bombear o sangue o suficiente. Alguns pacientes desenvolvem cardiomiopatia, que enrijece o músculo cardíaco, ou ritmo anormal. A Dra. Ballweg disse que uma adolescente de 15 anos em seu hospital precisava de um procedimento que funcionava como um marca-passo temporário.

Jude Knott, 4, em casa com sua mãe, Ashley Knott, foi hospitalizado por 10 dias após desenvolver dor de cabeça, febre, vômito, olhos vermelhos e aumento da frequência cardíaca.

Kathryn Gamble para o New York Times

Os hospitais afirmam que a maioria dos pacientes apresenta teste positivo para anticorpos contra a COVID-19 que indicam infecção anterior, mas alguns pacientes também apresentam teste positivo para infecção ativa por coronavírus. Muitas crianças eram anteriormente saudáveis ​​e tinham poucos ou nenhum sintoma desde a infecção inicial por COVID-19. Os médicos não têm certeza de quais fatores predispõem as crianças à síndrome. A Dra. Jane Newburger, chefe associada para assuntos acadêmicos no departamento de cardiologia do Boston Children’s Hospital, que é líder de um estudo nacional , disse que pacientes com obesidade e algumas crianças mais velhas parecem piorar.

Sessenta e nove por cento dos casos relatados afetaram jovens latinos ou negros, o que os especialistas acreditam ter origem em fatores socioeconômicos e outros que expuseram desproporcionalmente essas comunidades ao vírus. Mas o hospital de Omaha, onde os primeiros casos ocorreram principalmente entre filhos de pais latinos que trabalhavam na indústria de empacotamento de carne, agora está “vendo um espectro muito mais amplo e de todas as etnias”, disse Ballweg.

Jude Knott, 4, foi hospitalizado em Omaha por 10 dias após desenvolver dor de cabeça, febre, vômito, olhos vermelhos e aumento da frequência cardíaca.

“Era apenas uma montanha-russa”, disse sua mãe, Ashley Knott, uma treinadora de carreira em uma organização sem fins lucrativos de Omaha que ajuda adolescentes de baixa renda.

Para explicar a Jude as infusões de imunoglobulinas intravenosas que os médicos estavam dando a ele, ela disse que eles estavam “’colocando Ninjas em seu sangue para que eles possam lutar’”. está fazendo seu sangue passar de milkshake para água porque precisamos que seja água. ‘ Qualquer coisa para ajudá-lo a entender isso. ”

Jude recentemente voltou para a pré-escola em tempo integral. Ele tem alguma dilatação de uma artéria coronária, mas está melhorando, disse sua mãe.

Os médicos disseram que aprenderam abordagens de tratamento eficazes, que, além de esteróides, imunoglobulinas e anticoagulantes, podem incluir medicamentos para pressão arterial, um imunomodulador chamado anakinra e oxigênio suplementar. Alguns hospitais usam ventiladores mais do que outros, dizem os especialistas.

Mas, embora os médicos estejam aprendendo mais, os pediatras podem não perceber a síndrome inicialmente porque os primeiros sintomas podem imitar algumas doenças comuns.

Mayson Barillas, 11, foi hospitalizado por oito dias no Children's National Hospital, onde seus médicos disseram que ele apresentou choque cardiogênico.

Rosem Morton para o The New York Times

No dia de Ano Novo, Mayson Barillas, 11, de Damasco, Md., Começou a se sentir mal. “Meu estômago começou a doer, fui para o jogo de futebol e fiquei com febre”, disse ele.

Sua mãe, Sandy Barillas, assistente médica em um consultório de saúde feminina, deu-lhe Alka Seltzer, Pepto Bismol e Tylenol. Vários dias depois, ele desenvolveu falta de ar e eles foram para uma clínica de atendimento de urgência.

Lá, um teste rápido de COVID-19 foi negativo, assim como as avaliações para estreptococos, gripe e apendicite. A Sra. Barillas disse que lhe disseram: “Foi como uma cólica estomacal”. 

Mas no dia seguinte, Mayson tinha olhos inchados e lábios com bolhas vermelhas. “Ele começou a desenvolver dores corporais muito fortes e não conseguia mais andar”, disse ela. Ela o levou para um pronto-socorro, que o transferiu para o Children’s National Hospital, onde os médicos disseram que ele exibiu choque cardiogênico.

“Foi muito assustador”, disse Barillas. “Nunca tinha ouvido falar dessa síndrome antes.”

Mayson ficou oito dias no hospital, quatro na UTI Desde que saiu, ele se consultou com um hematologista, um reumatologista e um cardiologista e está usando anticoagulantes por enquanto. A parte mais difícil, disse Mayson, uma estrela do futebol local, é ser temporariamente afastado dos esportes, já que os médicos aconselham a maioria dos pacientes por vários meses.

“Foi muito chocante para todos na comunidade: ‘Uau, como isso aconteceu com alguém muito saudável?’”, Disse Barillas.

Em um serviço memorial em 5 de fevereiro, Braden Wilson foi lembrado como um adolescente criativo e de bom coração que amava cinema e moda. Suas pinturas a óleo salpicadas de cores foram exibidas.

Sua mãe leu um poema que ele escreveu que está pendurado na geladeira de seus avós, Fabian e Joe Wilson, de quem era próximo: “Segure-se nos sonhos / para que se os sonhos criem / a vida é uma bela tela / uma obra-prima pintada de forma maravilhosa.”

ia Amanda Wilson

Não está claro por que a síndrome atingiu Braden com tanta força. A Sra. Wilson disse que não tinha problemas de saúde graves. Ela disse que ele estava acima do peso, mas era ativo, nadava três vezes por semana e fazia ioga e dança em sua escola de artes e ciências.

Os sintomas começaram na véspera de Ano Novo, quando ele começou a vomitar e a ter febre. A Sra. Wilson o levou a um pronto-socorro, onde ele testou positivo para coronavírus, recebeu um tratamento que incluía um novo medicamento de anticorpo monoclonal e foi enviado para casa.

Mas sua febre persistiu e dois dias depois, ele desenvolveu diarreia e seus lábios e dedos ficaram azuis. A Sra. Wilson ligou para o 911. Quando os paramédicos chegaram, ela disse, ele estava “deitado na cama, quase sem vida”.

No hospital, ele foi conectado a um ventilador e transferido para o Children’s Hospital de Los Angeles, que, como vários hospitais, estabeleceu uma clínica MIS-C com vários especialistas.

“Braden foi um dos nossos pacientes mais doentes”, disse a Dra. Jacqueline Szmuszkovicz, cardiologista pediátrica local.

Os médicos colocaram-no na máquina de bypass coração-pulmão, colocaram-no em diálise e realizaram um procedimento cardíaco para aliviar a pressão. “Ele tinha o que chamaríamos de grave insuficiência de órgãos multissistêmicos: seus pulmões, seu coração, seus rins”, disse Szmuszkovicz.

Em meio às lágrimas, Wilson disse que depois de alguns dias, Braden começou a sangrar pela boca, olhos e nariz, e os médicos acabaram não conseguindo detectar a atividade cerebral. “Perguntei-lhes especificamente: ‘Há alguma chance de ele se recuperar disso?’”, Contou ela. “E eles disseram que não.”

Membros da família  tiveram tempo para se despedir antes que o suporte vital fosse retirado. A Sra. Wilson deu consentimento para os médicos tirarem amostras de sangue de seu corpo para estudos de pesquisa.

A Sra. Wilson nunca havia escrito poesia antes, mas desde a morte de Braden, ela saiu dela.

“Agora seu coração não bate mais / e não posso mais segurá-lo em meus braços”, diz um deles. “Mas eu me lembro daqueles dias / Quando meu útero te protegia do mal / Você vivia uma vida de beleza / de riso e de graça / Eu te seguro agora dentro do meu coração / Sempre compartilharemos esse espaço.”

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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo “The New York Times” [ Aqui!].