Amazônia sofre com aumento explosivo de queimadas

Amazônia registra maior número de focos de queimadas na  dos últimos 13 anos para o mês de junho

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Por Karen Mota para o Greenpeace

São Paulo, 1º de julho, de 2020: Apesar dos volumosos recursos gastos em operações militares, as queimadas na Amazônia já surgem com força. Em junho de 2020, foram registrados 2.248 focos de calor no bioma Amazônia. Esse é o maior número de focos para o mês desde 2007, e representa um aumento de 19,57% em relação ao registrado em junho de 2019 (1.880).

queimadas amazoniaValores fechados para os meses de junho entre 2007-2020 (Fonte: Inpe Queimadas)

 

Além disso, imagens de satélite mostraram uma série de grandes polígonos desmatados nos últimos meses, áreas que vêm sendo ignoradas pelas ações do governo brasileiro e do Conselho Nacional da Amazônia, liderado pelo vice-presidente Hamilton Mourão. Cerca de um mês depois do decreto (10.341/2020), que autoriza o emprego das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO), ao custo mensal de R$ 60 milhões de reais, o equivalente a quase 80% do orçamento anual de fiscalização do Ibama, a resposta aos mais altos índices de desmatamento dos últimos anos continua inócua.

[Veja as imagens de satélite aqui]

“As queimadas contribuem simultaneamente para as crises globais do clima, da biodiversidade e com a catástrofe sanitária na região. O Brasil precisará fazer mais, muito mais, se quiser detê-las, fortalecendo os órgãos de controle, com planos permanentes e metas claras, e não de operações pontuais e custosas”, comenta Rômulo Batista, da campanha e Amazônia do Greenpeace.

Com o início da temporada seca e com o período de queimadas criminosas batendo à porta, o quadro que vem se desenhando é catastrófico em muitos sentidos. Seja pela quantidade de árvores que vão tombar por conta dos incêndios, que pode levar à morte animais e colocar em risco nossa biodiversidade, seja pelo agravamento da vulnerabilidade das populações da Amazônia à COVID-19. “É difícil nutrir esperança de que a catástrofe ambiental que vimos no ano passado, marcada por uma série de queimadas criminosas, seja menor em 2020. Afinal, a contenção do colapso está nas mãos de um governo que joga contra o meio ambiente e vem se mostrando incapaz de combater a destruição do maior patrimônio de todos os brasileiros, a Amazônia”, completa Rômulo.

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Karen Mota, Assessoria de Imprensa Greenpeace,  imprensa.br@greenpeace.org

COVID-19: tentativas e erros no desconfinamento social equivalem a jogar gasolina em incêndio

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Ao contrário da imagem inicial de que a pandemia da COVID-19 funcionaria como uma sequência de ondas que se sucederiam em amplitude menor (a primeira onda sendo a maior de todas) está sendo substituída por outra, a de um incêndio florestal. Nessa versão, enquanto houver material para queimar, o fogo vai continuar ardendo. 

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Se usarmos a imagem do incêndio nos cenários de desconfinamento que estão sendo usados no Brasil ao arrepio do conhecimento científico acumulado em quase 4 meses de vigência, e agora crescimento descontrolado da pandemia, veremos que governadores e prefeitos que estão relaxando as medidas de confinamento estão apenas jogando mais material para ser queimado, reavivando o incêndio sem que ele tenha dado mostras de que iria ser extinguido.

O problema é que o material que está sendo consumido não é composto de árvores mortas, galhos e folhas, mas de vidas humanas.  No dia de hoje (30/06), a contagem oficial (e subnotificada) é de que quase 1,5 milhão de pessoas já foram infectadas e quase 60 mil já morreram por complicações causadas no Brasil.  Esse número de mortos é quase 100 vezes mais o que o presidente Jair Bolsonaro previu logo no início de sua cruzada contra as regras de confinamento, mas a contagem continua se acelerando. Lembremos que em março, Bolsonaro previu (equivocadamente) que o número de mortos pelo coronavírus não alcançaria os 796 causados pelo vírus H1N1 (ver o vídeo abaixo).

Culpados para esse verdadeiro massacre são muitos, começando na presidência da república e chegando até os comerciantes que pressionam prefeitos e trabalhadores de que é preciso trocar vidas humanas por um simulacro de retomada da normalidade. Somado a isso a fragilização do Sistema Único de Saúde (SUS), temos as condições perfeitas para o levantamento das chamas que cada vez mais se aproximam de nós, levando ou mutilando pessoas conhecidas.

Aqui em Campos dos Goytacazes vejo com um misto de “eu já sabia” e pasmo, a decisão do jovem prefeito Rafael Diniz de permitir a reabertura do comércio e igrejas (muitas delas comércios da fé) a partir de amanhã. A alegação, absurda é preciso se frisar, é que se chegou a um equivalente aceitável entre leitos e doentes, desconhecendo por completo as evidências de que há uma gritante subnotificação de casos.

Alguém já disse, e eu assino embaixo, que de Rafael Diniz, o exterminador das políticas sociais que protegiam minimamente os pobres, não se poderia esperar muito, já que seu governo sempre agiu controlado pelo princípio da necropolítica. E não seria agora que Rafael Diniz se elevaria à condição de estadista que a cidade de Campos dos Goytacazes precisaria para enfrentar uma pandemia letal.  Ainda que isso seja verdade, não deixa de ser chocante a tomada de uma decisão que ignora o conhecimento científico já firmado sobre o fato que um confinamento social estrito é a única forma conhecida de conhecer a pandemia da COVID-19 até que a onda passe ou as chamas do incêndio virem brasas dormentes.

Interessante notar que em Goiás e Paraná, estados que juntos não possuem números que cheguem sequer próximos dos registros no Rio de Janeiro, os governadores estão restabelecendo medidas mais duras de confinamento social após detectarem o crescimento vertiginoso do número de casos. E olhe que estamos falando de Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior, dois governadores conhecidos por suas posições de direita. Mas o processo está sendo reimposto na cidade de Belo Horizonte, governada por Alexandre Khalil, que não é nem de perto uma pessoa que defende ideias de esquerda.

A verdade é que para se combater a ampliação do caos causado pela COVID-19 não devemos nos guiar pela posição do espectro político em que possamos estar, mas pelas evidências científicas já amealhadas para conter e controlar a pandemia. Essa seria uma questão simples para ser entendida, mas que em um país no qual o novo ministro da Educação é pego mentindo sobre o seu currículo acadêmico de forma explícita e não é demitido sumariamente, isto evidentemente não é. Está mais claro do que nunca que as elites brasileiras se preocupam pouco com as evidências científicas, e muito mais com suas próprias necessidades de gerar lucro, nem que isso custe algumas milhares de mortes a mais. Até porque a ciência já demonstrou que quase 70% dos mortos pela COVID-19 no Brasil fazem parte da classe trabalhadora, que é para essas elites apenas material descartável que pode ser consumido no incêndio.

Por isso, aos que estão sendo empurrados para o desconfinamento precoce e jogados à própria sorte dentro do olho do furacão, restará a adoção das medidas de minimização da contaminação pelo coronavírus. Será deste disciplina coletiva que poderá sair o controle que não tem sido propiciado pela ação governamental.

Mas que fique claro que a história irá registrar quem foi que ajudou a manter o fogo aceso.   Por ser exatamente por isso que os historiadores sejam tão detestados no Brasil.

Empresas precisam considerar questões ambientais e sociais na retomada pós-pandemia, alerta Ramboll

Princípios Ambientais, Sociais e de Governança Corporativa (ASG) têm importância crescente nas decisões de investimento

governança

“Internacionalmente, o ASG já está servindo para muitas empresas direcionarem seus investimentos”, destaca Eugenio Singer, presidente da Ramboll no Brasil, organização dinamarquesa de atuação global em consultoria ambiental. Ele salienta que “nosso país ainda está muito atrás nesse processo, perdendo boas oportunidades”. Um exemplo é relatório da consultoria KPMG, intitulado “Investimento sustentável: acelerando sua evolução”, que ouviu 135 investidores institucionais, gerentes de hedge fund e gerentes de investimentos em títulos de longo prazo, de 13 países, e que juntos totalizam 6,25 trilhões de dólares em ativos. O Brasil não tinha representantes na relação.

Os parâmetros de ASG no País estão em seu estágio inicial. Investidores têm se concentrado em assuntos reputacionais e escândalos de corrupção. Consequentemente, a principal área de interesse para investidores brasileiros tem sido a governança corporativa. Porém, pesquisa recente do Instituto CFA, organização global, sem fins lucrativos, de analistas financeiros, gerentes de portfólio e outros profissionais de investimento, sugere que, nos próximos cinco anos, até 2022, os temas ambientais e sociais irão tornar-se significativamente próximos dos relacionados aos de governança em termos de importância.

Eugenio Singer frisa que sinais claros podem ser observados com a carta anual aos CEO´s, na qual a BlackRock informa que, “até o final de 2020, todos os portfólios ativos e estratégicos de consultoria estarão totalmente integrados a critérios ASG”. Logo em seguida, a BTG Pactual estruturou um produto de captação de títulos verdes na ordem de R$ 15 milhões, para financiar a construção de um projeto de energia eólica. Em maio de 2020, o BV captou US$ 50 milhões na primeira emissão de títulos verdes por um banco privado brasileiro.

“Evidências acumulam-se da correlação positiva entre a performance financeira da empresa com a de ASG”, ressalta o presidente da Ramboll no Brasil. Ele cita que estudo recém-publicado da Oxford mostra que a melhoria no desempenho ASG das empresas está correlacionado e tem alguma contribuição causal no aumento do PIB per capita dos países onde estão sediadas. A causalidade do S foi significativa ao nível global, enquanto o A e G foram mais relevantes nos emergentes.

No contexto da pandemia as questões de ASG ganham mais importância em um processo de transição para investimentos sustentáveis, onde a retomada econômica brasileira será condicionada principalmente pelos investimentos em infraestrutura, nos quais as questões ASG terão um papel fundamental. A Ramboll, organização dinamarquesa de atuação global em consultoria ambiental, alerta que as empresas brasileiras precisam estar atentas aos princípios de meio ambiente, sociais e governança (ASG) para poder fazer parte dessa história.

“A atual pandemia da COVID-19, que deu ao mundo mais uma demonstração da importância do cuidado com o meio ambiente e a sustentabilidade, e as pessoas cada vez mais mobilizadas com o futuro do planeta mostram a importância de se estar alinhado com questões sociais, ambientais e de governança. Isso reflete também nos negócios”, pondera Eugenio Singer.

Contexto histórico

No ano de 1970, Milton Friedman afirmou categoricamente que a única responsabilidade social das empresas era gerar lucro para seus acionistas, dentro das regras da sociedade (leis). Em 2013, um levantamento global apontou, por um lado, que 31% dos entrevistados entendem que os negócios devem mudar o jeito que operam, alinhando-se com questões e necessidades sociais e ambientais; e 29% dos entrevistados entendem que os negócios devem não somente dar suporte, mas agir proativamente para questões sociais e ambientais relevantes. Por outro lado, apenas 6% dos entrevistados entendem que os negócios existem para gerar lucro para acionistas e não são responsáveis por atender a questões sociais e ambientais.

Ao longo desse período, muitos acontecimentos têm redefinido a percepção da sociedade e, por consequência, o papel e responsabilidade do setor privado. As questões sociais e ambientais, de maneira articulada à gestão e tomada de decisões em uma empresa, passam a compor um conjunto de critérios e indicadores para orientar consultores financeiros, bancos e fundos de investimento na avaliação das organizações de acordo com seus impactos e desempenho nas áreas do Meio Ambiente, Sociedade e Governança (ASG).

Sobre ASG

A Governança Social e Ambiental (ASG) refere-se a uma série de princípios e processos que as empresas adotam para estar adequadas às melhores práticas de sustentabilidade, relações sociais e governança, cada vez mais importantes para a atração de investimentos.

Sobre a Ramboll

A Ramboll é uma empresa de dinamarquesa de consultoria ambiental, que está entre as maiores do mundo. Operando em todos continentes, ela desenvolve projetos na área de transporte, planejamento urbano, energia, saúde, meio ambiente, dentre outros.

A Ramboll tem como compromissos explícitos as Pessoas, os Clientes, a Empresa e a Sociedade. Foi fundada há 75 anos atrás, após a Segunda Guerra Mundial para reconstruir a Europa e hoje está preparada e estabelecida em mais de 30 países e 300 escritórios ao redor do mundo para ajudar a través de seus 16.000 colaboradores a ajudar os países a se recuperarem da grave crise econômica causada pelo COVID 19.

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Hidroxicloroquina: O último estudo de Didier Raoult não convenceu muitos epidemiologistas

A ausência de um grupo de controle estritamente comparável torna mais uma vez impossível concluir sobre a eficácia do tratamento proposto por Didier Raoult para combater o Covid-19

raoultO infectologista Didier Raoult,  da Aix Marseille University e do IHU-Méditerranée Infection, após sua audiência pela comissão de inquérito na Assembléia Nacional em Paris, 24 de junho. THOMAS COEX / AFP

Por Hervé Morin para o Le Monde

Em 24 de junho, diante da comissão de inquérito da Assembléia Nacional encarregada de examinar a gestão da pandemia de Covid-19 na França, o infectiologista Didier Raoult deixou de lado sua equanimidade diante da pergunta final. perguntou o deputado MoDem du Gard Philippe Berta: “por que você não realizou um estudo clínico digno do nome, desde o início, que pudesse responder definitivamente, sim ou não, a hidroxicloroquina tem efeito? Você sabia muito bem que esses ensaios pseudo-clínicos não eram absolutamente admissíveis por ninguém ” , perguntou o parlamentar, que também é geneticista. Imediatamente, o especialista em doenças infecciosas de Marselha respondeu que “quanto menos pessoas houver em um teste, mais significativo será. (…)Qualquer ensaio que envolva mais de 1.000 pessoas tenta demonstrar algo que não existe. “ Antes de exclamar: ” Eu sou um grande cientista! “

Quinta-feira, 25 de junho, um dia após essa troca, sua equipe da IHU Méditerranée Infection publicou na Travel Medicine and Infectious Disease ( TMAID ) um grande estudo com 3.119 pessoas tratadas com o “protocolo de Raoult” em comparação com outros pacientes com recebeu outro tratamento. Conclusão? “Os resultados sugerem que o diagnóstico precoce, isolamento e tratamento de pacientes Covid-19 com pelo menos três dias de administração de hidroxicloroquina e azitromicina levam a resultados clínicos significativamente melhorados e menor carga viral mais rápido do que com outros tratamentos. “

Este estudo era aguardado com entusiasmo: Didier Raoult o mencionara em vários dos vídeos transmitidos por seu instituto, destilando diagramas que todos agora podem examinar à vontade. Como os anteriores, menores, realizados pela equipe de Marselha, este é um estudo retrospectivo, que por construção possui uma força probatória mais baixa do que o padrão de estudos clínicos prospectivos. Objetivam comparar grupos de pacientes formados aleatoriamente de acordo com critérios predefinidos, a fim de evitar vieses diversos. Didier Raoult novamente justificou essa escolha perante os deputados: “A ética básica é que, quando temos provas de que algo funciona, paramos o julgamento” – para que todos os pacientes se beneficiem do tratamento.

A “evidência”, mesmo apoiada por mais pacientes, ainda não parece ganhar a aprovação de um grande número de epidemiologistas. “Ninguém de ninguém”, resume Dominique Costagliola, vice-diretora do Instituto Pierre-Louis de epidemiologia e saúde pública (Universidade Sorbonne, Inserm), que lista as razões pelas quais a comparação entre os pacientes tratados e os outros não é válida: aqueles os que recebem o protocolo promovido pela IHU são, em média, mais jovens, menos propensos a doenças crônicas, apresentam sintomas menos graves e danos nos pulmões – fatores que penalizam o grupo de “outros pacientes”. Eles haviam recebido a combinação hidroxicloroquina-azitromicina em três dias, um ou ambos. Tentativas de corrigir esses vieses não a convencem.

Observação severa

O farmacologista e pneumologista Mathieu Molimard (Universidade de Bordeaux) fez a mesma observação severa: “O que podemos dizer? Comparamos repolho e cenoura e, mesmo ajustando o tamanho das folhas, permanece repolho e cenoura. “ A comparação com outras regiões francesas avançadas ou outros países lhe parece da mesma maneira que ele ” não fazia sentido”. Outro lembrete metodológico: em ensaios clínicos, geralmente definimos a “intenção de tratar” os grupos, ou seja, se um paciente deixa seu grupo original por um motivo ou outro, ele deve sempre ser levado em consideração na análise estatística, como tendo permanecido ali, mesmo que isso penalize as conclusões.“Portanto, aqueles que tiveram menos de três dias de hidroxicloroquina devem permanecer no grupo HCQ, especialmente se sua passagem no grupo controle estiver ligada a uma morte (difícil de continuar após a morte) ou uma passagem em terapia intensiva” , explica- ele.

O que pensa um observador mais distante das brigas franco-francesas em torno da hidroxicloroquina, Anton Pottegard, professor de farmacoepidemiologia (Universidade do Sul da Dinamarca)? Recentemente, ele ajudou a definir diretrizes para a condução adequada desses estudos diante da emergência do Covid-19 – diretrizes aprovadas pela Sociedade Internacional de Farmacoepidemiologia . “Em resumo, não confio nos resultados do estudo “, diz ele. Por quê ? Porque ele não atende aos requisitos mais básicos aos quais deve se inscrever. Existem muitos problemas, cada um dos quais é de grande preocupação. Em conjunto, eles tornam este estudo 100% inútil para orientar a prática clínica. “

Ele explica: “Os que são tratados são comparados com os que não são. O principal problema é que aqueles que não sobrevivem ao tratamento são classificados como não tratados. “ Ele oferece uma comparação voluntariamente grotesca: ” Eu poderia propor um novo ensaio clínico: beijar os pacientes na testa por três dias. Eu compararia aqueles que teriam recebido os três beijos com aqueles … que não teriam sobrevivido para recebê-los. O efeito do tratamento seria ótimo: nenhum dos pacientes que recebeu meu tratamento teria morrido. “ Embora não fosse o mesmo naqueles que não receberam todo o tratamento … Ele também aponta para os pacientes do grupo controle colocado por causa de contra-indicações cardíacas – que são fatores de risco ter um Covid-19 mais sério.

Não há nada a aprender com a análise da grande coorte seguida na IHU? “É certamente o maior estudo do mundo hoje, com amplo monitoramento clínico em um ambiente hospitalar (externo ou interno) de um grande número de pacientes (mais de 3.700), desde um diagnóstico precoce, graças a testes maciços , observa Mahmoud Zureik, professor de epidemiologia na Universidade de Versalhes-Saint-Quentin, no LinkedIn. Ele fornece informações extremamente valiosas sobre a história natural da doença (taxa de mortalidade, taxa de hospitalização, lesões pulmonares por tomografia computadorizada realizadas quase sistematicamente, evolução, …). Essas são as únicas informações a serem retidas neste estudo. Mas já é muito. Pena que os autores focalizem e valorizem este estudo apenas da perspectiva de comparar tratamentos com as principais deficiências metodológicas que impedem qualquer conclusão válida. “

Perguntas sobre a revista que hospedou o estudo

A essas críticas metodológicas são acrescentadas perguntas sobre a revisão que hospedou o estudo. Philippe Gautret, terceiro autor, também é editor associado do TMAID , no qual a equipe de pesquisadores da IHU publicou oito artigos desde o início de 2020. Não foi a primeira escolha de Didier Raoult, que esperava publicar seu trabalho no The Lancet , mais prestigiado, mas a revista médica britânica o rejeitou desde o início, lembrou os deputados.

Ele falou sobre suas suspeitas: Lancet , por causa de seu tropismo anti-Trump e, portanto, anti-hidroxicloroquina promovido pelo presidente americano, preferiu publicar um estudo desfavorável a essa molécula. O estudo foi retirado em 4 de junho devido à recusa da empresa americana Surgisphere em compartilhar os dados em que supostamente se baseava – um episódio que não ajudou a dissipar os debates em torno da hidroxicloroquina.

“Como editor chefe da TMAID, eu mesmo administrei o artigo enviado pela IHU por causa de seu conteúdo polêmico , explica Patricia Schlagenhauf (Universidade de Zurique). Convidei sete revisores e os autores revisaram seus manuscritos de acordo com suas solicitações e as minhas. Philippe Gautret não esteve envolvido neste processo editorial. Um editor associado a um jornal pode enviar um artigo a ele, desde que seja gerenciado por outro editor, é uma prática padrão. Conheço Philippe Gautret há quinze anos e ele é um homem de honra. “

O fato de sete revisores analisarem o manuscrito não tranquiliza Anton Pottegard. “Apesar de me entristecer, devo concluir que sua publicação é um novo exemplo de uma falência completa do sistema de revisão por pares” , conclui.

Contactado para reagir a essas críticas, Didier Raoult e sua equipe não haviam nos respondido no momento da publicação deste artigo.

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Este artigo foi escrito originalmente em francês e publicado pelo jornal Le Monde [Aqui!].

Em meio à pandemia, gestão Diniz aprofunda choque neoliberal e impõe licenças e férias sem pagamento de adicional

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Em muitos sentidos o governo do jovem prefeito Rafael Diniz é uma espécie de antessala em Campos dos Goytacazes da agenda ultraneoliberal que o governo Bolsonaro vem tentando impor ao resto do Brasil.  Com um pouco de uso da memória, todos vão lembrar que o governo Diniz foi o primeiro a exterminar em ampla escala as políticas sociais que criavam uma, ainda que precária, rede de proteção social para os mais pobres. Mas assim que sentou na cadeira de prefeito, Rafael Diniz exterminou de forma meticulosa (e impiedosa)  cada uma das políticas sociais que livraram os mais cidadãos mais pobres da fome e da habitação forçada em calçadas e praças.

Mas afora os pobres, o governo Diniz tem sido particularmente nefasto com os servidores públicos municipais, sejam eles concursados ou precários. No caso dos servidores contratados em regime precário, os chamados RPAs, as informações que circulam dão conta que existem trabalhadores que não veem a cor do dinheiro há elásticos cinco meses, tendo muitos já desistido de obter o acesso a salários que fizeram jus enquanto trabalhavam sem salários. Essa situação tem causado constrangimento e assédio psicológico, e muitos se encontram hoje mentalmente sobrecarregados.

Entretanto, como não hã que esteja tão ruim que não possa piorar, hoje recebi o documento abaixo que mostra uma determinação que possui todos os tons de estar eivada de ilegalidade, já que impõe a servidores públicos concursados o gozo de licenças prêmios e férias, estas sem que seja feito o pagamento do 1/3 de adicional de férias como determinado na forma da lei.

wp-1593261016600..jpgObviamente sempre há a chance do documento ser falso, já que na internet e nos grupos de aplicativos como os do Whatsapp existe a circulação de fake news e documentos falsos. Entretanto, quem me enviou garantiu que já há uma revolta incontida em um grande número de servidores, simplesmente porque o documento é legítimo.

Agora me digam, o que mais precisa acontecer aos servidores públicos municipais em meio a esta pandemia? Muitos têm trabalhado na modalidade do home office arcando com os custos que isto demanda, sem que haja qualquer notícia de que o governo Diniz está custeando o trabalho em casa como, aliás, determina a legislação pertinente.

E há maior castigo de que impor férias em meio a uma pandemia e sem o pagamento do adicional de férias? A primeira coisa é que férias são um artefato destinado a propiciar ao trabalhador um mínimo de descanso físico e mental, enquanto que o adicional de férias foi idealizado para permitir que isto efetivamente ocorra. 

Assim, eu não me surpreenderei se o jovem prefeito Rafael Diniz tiver que se defrontar com ações na justiça por parte dos servidores que irão, justificadamente, se sentir lesados em seus direitos.

Há que se notar que há pelo menos um caso sendo apurado envolvendo a aquisição superfaturada de cestas básicas por causa dos valores vultuosos envolvidos. Isso prova que o problema na gestão do jovem prefeito Rafael Diniz não é a sempre alegada falta de recursos financeiros, mas das opções de como gerir e usar o dinheiro público, bem ao estilo do que o então vereador tanta gostava de dizer (corretamente em muitos casos, é preciso que se frise) em relação à gestão da ex-prefeita Rosinha Garotinho.

Por último, não deixa de ser irônico lembrar que durante a campanha eleitoral de 2016, Rafael Diniz prometia respeitar e valorizar os servidores públicos municipais. Agora se vê que tudo não passava de lorota de campanha.

Pesquisador da FVG/SP alerta para os graves prejuízos causados pela militarização do Ministério da Saúde

O jornal El País publicou hoje uma entrevista com o professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP)  e ex-secretário de Saúde de Curitiba, Adriano Massuda, onde ele expõe de forma clara e corajosa os graves danos que estão sendo causados pela ostensiva presença de militares no Ministério da Saúde, a começar pela incapacidade de gastar pelos recursos disponíveis para o combate da pandemia da COVID-19.

adriano massuda

De forma corajosa, Massuda aponta para as graves consequências que podem decorrer da militarização do Ministério da Saúde, as quais poderão, segundo ele,  causar um “estrago”  que poderá além da  duração da pandemia da COVID-19.

Segundo Massuda, a presença ostensiva de militares na direção de cargos chaves dentro do Ministério da Saúde sem que possuam a capacidade técnica necessária para tanto poderá colocar em risco a sobrevivência de programas importantes, incluindo a política nacional do câncer, do HIV, do sangue e hemoderivados, e a das vacinas que dependem da ação do Ministério da Saúde. 

Um aspecto chave apontada por Massuda é o risco de uma ruptura sistêmica na capacidade gerencial do Sistema Único de Saúde (SUS) em uma dimensão que aparece ainda de forma muito subestimada nas notícias que surgem de forma fragmentada na mídia corporativa brasileira acerca dessa presença ostensiva de pessoal não capacitado na direção de secretarias estratégicas dentro do Ministério da Saúde.

O interessante é que até aqui pouco apareceu na mídia corporativa  brasileira sobre processo ostensivo de retirada de técnicos qualificados e da substituição deles por militares sem treinamento médico e até por apoiadores financeiros da campanha presidencial Jair Bolsonaro.

Quem desejar ler a íntegra da entrevista do professor Adriano Massuda, basta clicar Aqui!

Brasil é o país com maior crescimento em preocupações com segurança no mundo, mostra estudo da Unisys

Apurado em 15 países durante a pandemia, Unisys Security Index 2020 indica que a preocupação dos brasileiros com segurança cresceu sete pontos desde 2019

São Paulo, 24 de junho de 2020 – A Unisys anunciou hoje os resultados do Unisys Security Index™ 2020, revelando que o Brasil é o país com o maior crescimento em preocupações relacionadas a assuntos de segurança no mundo.

Estudo mais antigo de preocupações com segurança do consumidor conduzido globalmente, o Unisys Security Index mede as percepções do consumidor em quatro categorias: segurança pessoal, financeira, nacional e na Internet. O Brasil alcançou 197 pontos em um máximo de 300, um crescimento de sete pontos em relação a 2019 – o maior aumento dos 15 países avaliados e a maior pontuação do país desde 2013. Já o índice médio global do USI 2020 é de 175 pontos pelo segundo ano consecutivo, o nível mais alto em 14 anos.

Embora as preocupações com a segurança do Brasil tenham aumentado em todas as áreas, o país tem a pontuação mais baixa entre os países em desenvolvimento avaliados, incluindo os da América Latina: México (212), Colômbia (217) e Chile (218). Em geral, a atenção à segurança digital dos mercados emergentes cresce – Filipinas (238) e Índia (223) lideram o ranking -, enquanto a dos mercados desenvolvidos está diminuindo. Neste ano, o índice brasileiro é mais alto que o de Estados Unidos (159), Austrália (157), França (156), Bélgica (144), Reino Unido (144), Nova Zelândia (136) e, os dos últimos, Alemanha (122) e Holanda (100).

O aumento das preocupações com segurança digital no Brasil ocorreu juntamente com a deflagração da pandemia da COVID-19. Com entrevistas realizadas entre​ 16 de março e 5 de abril de 2020, o USI 2020 identificou as consequentes incertezas econômicas e agitação social decorrentes da crise.

O índice de segurança financeira, por exemplo, cresceu 12 pontos, atingindo 203 neste ano, a maior apreensão dos brasileiros já identificada. Em segundo lugar, vem a segurança pessoal, com 202 pontos, dois a mais que no ano passado. Já a segurança da internet cresceu 6 pontos, chegou a 200 e ficou em terceiro entre as maiores preocupações dos brasileiros. Por último, mas com crescimento significativo de 9 pontos em relação a 2019, ficou a segurança nacional, com 185 pontos, impulsionada pela preocupação com desastres e epidemias.

Entre os componentes específicos de cada dimensão, destacam-se a fraude bancária e o roubo de identidade, assuntos extremamente ou muito preocupantes para 80% e 78% dos brasileiros, respectivamente. Invasões cibernéticas ou vírus compõem a terceira maior preocupação no Brasil, com 73%, seguido de desastres naturais, com 72%. Essa última área, que consiste na ocorrência de inundação, furacão, incêndio florestal ou epidemia, registrou um crescimento de 10% na preocupação em relação ao ano passado. Ao passo que a atenção com segurança nacional, que se refere à proteção à guerras e ao terrorismo, diminuiu 4% em relação à 2019, sendo muito importante para metade dos brasileiros (51%).

Especificamente no âmbito da COVID-19, a infraestrutura de saúde do Brasil e a estabilidade econômica são as principais preocupações durante uma crise de saúde global, respectivamente para 85% e 84% dos entrevistados. Em terceiro, ficou a saúde física da família, considerada extremamente ou muito preocupante para 83% dos brasileiros durante a pandemia.

O Unisys Security Index de 2020 mostra que a sensação de insegurança está aumentando no Brasil dentro das quatro áreas de análise da pesquisa. o Brasil registrou o maior aumento de preocupação ano a ano do que qualquer outro país e percebemos que muitos ainda têm uma falsa sensação de segurança de dados enquanto trabalham em casa”, salienta Mauricio Cataneo, presidente da Unisys Brasil e Chief Financial Officer para América Latina. “Notadamente, fraudes bancárias, roubo de dados pessoais e invasões cibernéticas são as grandes preocupações nacionais, fazendo da proteção de informações um assunto que deve ser priorizado por governos, empresas e consumidores brasileiros. Em meio a desafios econômicos impostos pela crise da pandemia, os brasileiros estão cada vez mais preocupados com sua capacidade de atender obrigações financeiras e preocupados com fraudes”, conclui.

Clique Aqui! para conferir o infográfico com os destaques do Brasil no USI 2020

Sobre o Unisys Security Index™

Iniciativa da Unisys Corporation (NYSE: UIS), o Unisys Security Index™ é o mais antigo monitoramento global de segurança digital. Realizado desde 2007, o levantamento oferece uma análise estatisticamente robusta sobre a percepção de segurança dos consumidores.

Projetado numa escala que vai de zero a 300 (sendo o zero mais seguro e 300, menos), o índice é calculado a partir de uma metodologia que afere atitudes de pessoas ao longo de um dado período de tempo em relação a oito temas de segurança, divididos em quatro categorias: Segurança Nacional, também relacionado a desastres ou epidemias; Segurança Financeira, que aborda temas como fraude bancária e obrigações fiscais; Segurança da Internet, que inclui vírus/ ataques de hackers e transações online; e, por fim, Segurança Pessoal, com tópicos como roubo de identidade e informações pessoais.

O Índice de Segurança é calculado com base na média das preocupações de consumidores com a segurança nessas quatro grandes dimensões em uma escala de um a quatro, em que um é não preocupado e quatro é extremamente preocupado. Das respostas, é aferida uma pontuação média entre extremamente preocupado (300 pontos), muito preocupado (200 pontos), um pouco preocupado (100 pontos) e nada preocupado (0 ponto).

O Unisys Security Index de 2020 foi baseado em pesquisas nacionais de amostras representativas de um total de 15.699 residentes adultos de 18 a 64 anos de idade em 15 países. Foram aplicadas entrevistas online junto a grupos amostrais representativos com o mínimo de 1.000 indivíduos dos seguintes países: Austrália, Bélgica, Brasil, Chile, Colômbia, França, Alemanha, Índia, México, Holanda, Nova Zelândia, Filipinas, Singapura, Reino Unido e Estados Unidos.

Durante a pesquisa, realizada entre 16 de março e 5 de abril de 2020, a pandemia de COVID-19 era predominante em todos os países analisados.

A amostra do estudo é ponderada com relação a características demográficas nacionais de adultos, como gênero, idade e região. Os índices de segurança globais são médias não ponderadas dos índices de segurança dos 15 países.

A margem de erro é de 3,1% para mais ou para menos nos resultados por país, e de 0,8% nos resultados globais. O nível de confiança da pesquisa é de 95%.

Adveniat: “Coronavírus atinge com força a população rural da América Latina”

A organização latino-americana de ajuda humanitária Adveniat e o Mission Medical Institute alertam que as populações rurais da América Latina sofrem de fome e falta de assistência médica durante a pandemia do coronavírus

Mutter mit Schutzmaske und Kindern am HerdAs taxas de infecção por corona também estão aumentando nas áreas rurais remotas da América Latina. Esta mãe em Quilombo Caraíbas, Brasil, se preocupa com a saúde de sua família. Foto: Adveniat / Florian Kopp 

A organização católica latino-americana de ajuda humanitária Adveniat e o Mission Medical Institute em Würzburg reclamam dos efeitos catastróficos da pandemia causada pelo coronavírus na população rural da América do Sul. “O coronavírus atinge com força mortal a população rural vulnerável da América Latina”, enfatizou o gerente geral do Adveniat Michael Heinz na segunda-feira, 22 de junho de 2020, em Essen. Há muito que o vírus se espalhou dos bairros pobres das grandes cidades para as regiões rurais remotas.

Com mais de dois milhões de infectados, o subcontinente é o epicentro da pandemia do coronavírus. Só o Brasil tem mais de um milhão de pessoas infectadas e mais de 50.000 mortas. O chefe do Adveniat criticou que a população rural, incluindo sobretudo os povos indígenas, afro-americanos e migrantes, foi excluída da assistência médica e estava à mercê da crise emergente de suprimentos: “A fome causa pelo coronavírus está aumentando por causa da escassez de alimentos. A comida está se tornando mais caros e os pobres não conseguem sobreviver por causa dos bloqueios e das medidas de quarentena “.

O diretor-gerente do Instituto Médico Missionário em Würzburg, Michael Kuhnert, também alertou que o vírus afeta pessoas no campo cuja defesa imunológica pode ser rapidamente superada devido à sua pobreza, ao sofrimento quase crônico de doenças infecciosas e à sua má situação nutricional se estiverem infectados pelo vírus Corona. . Os cuidados de saúde no campo já são insuficientes em horários normais.

É por isso que Kuhnert teme que os sistemas de saúde entrem em colapso nos tempos da Corona. “Os postos de saúde rurais e os hospitais, em particular, não são treinados adequadamente, e há uma falta de opções de diagnóstico e tratamento. A população rural também frequentemente não possui um suprimento adequado de eletricidade e água potável”.

Ao comunicado de imprensa da Adveniat, 22 de junho de 2020,  “Coronavírus atinge a população rural com força mortal”

fecho

Este artigo foi originalmente publicado em alemão pela Blickpunkt Latin America [Aqui!].

Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo lança visitação virtual ao Museu de Pesca de Santos

Visita online é uma réplica da estrutura física do espaço e contém parte do acervo real; Museu é uma das principais atrações turísticas de Santos

museu de pesca

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo lança a visitação virtual do seu Museu de Pesca, um dos mais importantes pontos turísticos de Santos, no litoral. Fechado devido à pandemia do novo coronavírus desde março de 2020, o espaço poderá agora ser explorado pelo público por meio destsite .

Este é o primeiro produto do Projeto VVV – Venha Visitar Virtualmente, da Secretaria de Agricultura, que tem o objetivo de virtualizar a visita aos seus espaços culturais e educativos da Pasta.

O Museu de Pesca recebe público de mais de 50 mil pessoas, anualmente. Mantido pelo Instituto de Pesca (IP-APTA), o espaço tem a missão de divulgar as ações de pesquisa do IP e destacar a importância da preservação do meio ambiente e da vida aquática, promovendo a educação ambiental. No local são desenvolvidas atividades educativas não formais, com o intuito de promover a preservação ambiental, estimular a sustentabilidade pela correta utilização dos recursos naturais, marinhos e continentais, além de promover a aquicultura sustentável.

A versão virtual do Museu de Pesca é uma réplica da estrutura física do espaço, contendo em cada ambiente parte de seu acervo real. Na visita presencial, para o grande público, as principais atrações são um imponente esqueleto da baleia Balaenoptera physalus, com 23 metros de comprimento e sete toneladas, e os diversos exemplares de tubarões.

“O lançamento do Museu Virtual permitirá aos visitantes assíduos, principalmente crianças, aplacar a saudade enquanto o mesmo está fechado, e estimulará potenciais novos visitantes, uma vez que a visita virtual gera curiosidade sobre as atrações do Museu”, afirma Thaís Moron, pesquisadora do IP e diretora do Museu de Pesca.

A ideia da virtualização do espaço partiu de Cibele Silva, bióloga e integrante do Centro de Comunicação e Transferência do Conhecimento (CECOM) do Instituto, devido ao impedimento da visitação ao espaço físico neste momento de controle do contágio do novo coronavírus e para dar oportunidade a pessoas de fora da região e até mesmo do Estado de conhecer o acervo do Museu. O Projeto VVV é coordenado por Cibele e foi planejado e desenvolvido por Bruna da Silva, Gabriela Pereira e Raphaela Horti, estagiárias do Instituto de Pesca.

Gabriela Pereira foi a principal responsável pelo desenvolvimento da mídia para virtualização e interatividade entre equipamento e visitante. “Criar o mapa do museu em uma versão virtual, ainda mais interativo, foi um desafio para mim, pois não sou da área de informática. Porém, meus conhecimentos de design gráfico ajudaram na parte visual e, por ser estudante de Ciências Biológicas, meu entusiasmo em poder fazer parte de um projeto que comunica a importância da preservação do meio ambiente e dos seres aquáticos foi a grande motivação para aprender o que não sabia e conseguir fazer a entrega”, diz Pereira.

O Projeto VVV deve lançar nas próximas semanas a visitação virtual do Planeta Inseto, exposição mantida pelo Instituto Biológico (IB-APTA).

Museu de Pesca

O acervo do Museu de Pesca é composto por exemplares de diversas espécies de peixes, crustáceos, aves e mamíferos marinhos taxidermizados ou suas ossadas, conchas de moluscos, areias, além de maquetes de embarcações, aparelhos e equipamentos utilizados na pesca e em pesquisa oceanográfica, obras artísticas dentre outros.

Sua Sede atual, construída no local de uma fortificação datada do século XVIII, abrigou inicialmente a Escola de Aprendizes-Marinheiros, e, a partir de 1933, o Instituto de Pesca Marítima, nome pelo qual passou a ser denominada (a partir de 1932) a Escola de Pesca do Estado de São Paulo, fundada em 1928, no Guarujá. “É um prédio histórico, de localização privilegiada e que oferece ao visitante a experiência de estar em uma construção antiga e apreciar uma belíssima paisagem por meio das janelas do piso superior”, afirma Thaís.

Link para visitação:
http://view.genial.ly/5ee8f8dbdc504b0d7c7e6b15/interactive-image-visitacao-virtual-ao-museu-de-pesca

Endereço:
Avenida Bartolomeu de Gusmão, 192
Ponta da Praia – Santos (SP) – Brasil
CEP 11030-906
Contato: (13) 3261-5260
E-mail: museu@pesca.sp.gov.br / agendamentomuseu@pesca.sp.gov.br

Em Campos é assim: COVID-19 ou queimadas de cana, façam a sua escolha

queimadas

Não bastasse a COVID-19, agora os moradores de Campos dos Goytacazes vão ter que se virar com a poluição causada pelas queimadas de cana

Por uma dessas coincidências nefastas que ocorrem de tempos em tempos, publiquei nesta manhã uma postagem mostrando os efeitos agregados entre a pandemia da COVID-19 e os índices de poluição atmosférica.

Eis que no meio desta tarde comecei a notar aquela característica chuva de fuligem que ocorre durante a safra da cana de açúcar em Campos dos Goytacazes. Sem me dar conta disso, pensei que era apenas um vizinho queimando lixo. Ledo engano! Ao transitar pelas ruas de Campos dos Goytacazes, a verdadeira causa se desvelou e se revelou como sendo uma série de queimadas que estariam ocorrendo na parte norte da cidade (ver imagens abaixo).

Como uma vítima anual de problemas respiratórios pela combinação de ar seco e alta quantidade de material particulado no ar, fato que já me vez frequentar incontáveis visitas à áreas de emergência hospitalar e realizar outras incontáveis sessões de inalação, fico me perguntando o que será de mim se eu ficar no mesmo estado lamentável em que fiquei em safras passadas?

Pois em Campos dos Goytacazes é assim: as vias pelas quais se pode contrair doenças respiratórias são inúmeras, incluindo a COVID-19. Mas a mais tradicional e de longa contribuição para doenças respiratórias certamente não será ela.

Será que custa lembrar pela Lei 5.990 de junho 2011 o  prazo para a erradicação da queimada no Estado do Rio de Janeiro acaba em 2020 para lavouras implantadas em áreas passíveis de mecanização da colheita e em 2024 para áreas não passíveis de mecanização?