Educação ambiental em quadrinhos para escolas dos ensinos fundamental e médio

Será lançado na próxima sexta-feira, 5 de junho, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, o e-book Falando de Meio Ambiente em Quadrinhos que reúne 21 histórias criadas e ilustradas por alunos da graduação de Engenharia Ambiental da Universidade Veiga de Almeida (UVA). O material traz conceitos de ecologia e sustentabilidade de forma didática e criativa para ser usado como ferramenta de educação ambiental por professores dos ensinos fundamental e médio.

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A organização do conteúdo teve a curadoria da professora da disciplina Ecologia e Sustentabilidade, Viviane Japiassú. Ela reuniu o material, inseriu as informações conceituais e distribuiu as tirinhas em três capítulos: sucessão ecológica e produção primária; indivíduos, população e comunidades; espécies exóticas nativas e endêmicas.

Além de adotar a linguagem dos quadrinhos, que conversa diretamente com o público jovem e adolescentes, no fim de cada capítulo o e-book traz um jogo de palavras-cruzadas e um quiz. “Esse conteúdo adicional é um incentivo para interação uma vez que a proposta é que sejam realizados desafios on-line entre os estudantes. Isso é muito positivo nesse cenário de isolamento social ocasionado pelo novo coronavírus”, destaca Viviane.

A professora avalia que a pandemia da COVID-19, além de todos os impactos socioeconômicos, também provocou questionamentos sobre a forma como lidamos com o planeta. “Não existe economia sem os recursos naturais e pessoas. Por isso, é preciso pensar nos próximos passos para nos adaptarmos à nova realidade. E a educação ambiental é uma importante aliada na construção de seres conscientes e engajados”, conclui.

O e-book Falando de Meio Ambiente em Quadrinhos já é resultado do novo modelo pedagógico UVA Maker, implantado no começo deste ano pela instituição de ensino, cujo objetivo é que o aluno se transforme em protagonista do processo de aprendizagem, através de ações atreladas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. O e-book será distribuído para as Coordenadorias Gerais de Educação do Munícipio (CREs) e também estará disponível para o download no site da universidade.  

Frentes Parlamentares e 35 entidades se mobilizam pela retomada responsável das atividades de reciclagem e coleta seletiva

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Trinta e cinco entidades de setores distintos se uniram a uma iniciativa conjunta das Frentes Parlamentares da Economia Verde, em Defesa da Cadeia Produtiva da Reciclagem e Ambientalista, pela retomada do setor de reciclagem brasileiro, em especial o serviço de coleta seletiva e o trabalho das cooperativas de catadores de materiais recicláveis. Os deputados presidentes das Frentes encaminharam documento ao governo federal na quinta-feira (28 de maio) com exposição de motivos de se adotar um protocolo rígido de proteção à saúde dos profissionais envolvidos.

Estudo realizado pelo Bureau of International Recycling aponta que o Brasil é um dos poucos locais que, em meio à pandemia, não manteve as atividades de reciclagem. Sem os serviços de coleta seletiva e o trabalho dos catadores, todo o resíduo coletado nas cidades é encaminhado diretamente para aterros e lixões, reduzindo a vida útil desses espaços e elevando o risco de danos à saúde das pessoas. Países como China, Estados Unidos, Itália, Espanha, França, Canadá, Inglaterra, Alemanha e Chile, autorizaram o funcionamento de empresas que coletam, fazem a triagem e processam materiais recicláveis, por considerarem essenciais à saúde e ao meio ambiente.

Aproximadamente 800 mil catadores atuam nesse setor no Brasil, de acordo com o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). É uma categoria profissional de baixa renda, suscetível a sofrer com maior intensidade os efeitos da paralisação dos seus serviços em função da pandemia. Esses profissionais se encontram vulneráveis social e economicamente, dependentes de ações solidárias para sobrevivência e ainda tendo que cumprir com as obrigações financeiras das cooperativas, atualmente fechadas.

Manual

Para retomarem os trabalhos com segurança, as cooperativas de catadores devem adotar novas práticas de proteção à saúde adequadas ao momento, com observância às orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e cumprimento da legislação aplicada. Essas orientações estão indicadas em manual elaborado pelo Observatório da Reciclagem Inclusiva e Solidária (ORIS), dado como referência pela Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat), que faz parte do Observatório e também apoia a iniciativa.

O manual orienta pela reorganização das atividades de coleta, transporte, triagem, compactação, armazenagem e despacho para controlar os riscos de contaminação. Inclui utilização de EPCs e EPIs (Equipamentos de Proteção Coletiva e Individual) e a criação de mais um nível de prevenção: o de Equipamentos de Proteção Urbana (EPUs). São pontos de apoio aos catadores autônomos que servirão para orientar a população, assim como os catadores. A manutenção do controle sanitário e técnicas de controle de riscos na coleta seletiva e nos galpões também são contempladas no manual.

A Frente Parlamentar da Economia Verde é coordenada pelo deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), a Ambientalista pelo também deputado Rodrigo Agostinho (PSB/SP) e a em Defesa da Cadeia Produtiva da Reciclagem pelo Carlos Gomes (Republicanos/RS).

Mais informações: Juliana Moreira Lima, (61) 98136-3266,  juliana.moreira@fsb.com.br

Com o governo federal paralisado, a pandemia avança para os rincões do Brasil

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No último dia do mês de maio, o Brasil está fortemente consolidado como o segundo principal foco da COVID-19 no mundo, tendo já ultrapassado 500.000 infectados e beirand os 30.000 mortos, apenas se considerando os dados oficiais. E isso é especialmente lamentável porque não teria que ter sido assim, já que o Brasil teve tempo suficiente para evitar a confirmação dos piores cenários (ver tabela abaixo).

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O avanço da pandemia no Brasil caminha “pari passu” com a paralisia do governo Bolsonaro, que após demitir dois ministros da Saúde que procuravam imprimir um mínimo de racionalidade científica às ações do governo federal (e quando digo mínimo é isso mesmo, mínimo). Após a demissão de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, e a ascensão de uma espécie de protetorado militar no Ministério da Saúde, o fato objetivo é que se perdeu qualquer capacidade de gestão centralizada. O resultado dessa ação, orquestrada a partir das posições negacionistas do presidente Jair Bolsonaro, foi o avanço rápido da ascensão da curva de contaminação e, consequentemente, de mortos.

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Plataforma criada para analisar avanço da COVID-19 mostra rápida interiorização da pandemia no Brasil.

É essa natureza política do avanço da pandemia que tornou o Brasil um concorrente sério a passar das 100.000 mortes por COVID-19.  Mas o pior é que se persistirem os esforços para reabrir o comércio, o número de óbitos poderá ser o dobro do que o limite atualmente estipulado.  Nesse caso, é preciso enfatizar que as pressões para reabrir atividades não- essenciais resultam da indisposição do ministro Paulo Guedes em liberar recursos para as micro- e pequenas empresas que têm carregado o piano nas costas em meio a uma crise econômica que já perdura desde 2016.  Guedes manifestadamente só se preocupa com os bancos, em uma espécie de “cuidar dos seus” já que ele é ligado diretamente ao setor.

Em outras palavras, o avanço da pandemia no Brasil tem origem em uma opção de gestão da nossa economia com olho na saúde dos bancos, e não do povo, especialmente dos segmentos mais pobres. Tivesse o governo Bolsonaro qualquer preocupação real em conter a pandemia, uma linha especial de crédito, tal qual a que foi criada para as grandes instituições financeiras, já teria sido criada, retornando os R$ 20 bilhões que foram retirados do orçamento do Ministério da Saúde em 2019. Mas nem gastar o que foi orçado para o ano de 2020 está se gastando.

Com surto em lar de idosos e frigorífico, Passo Fundo tem mais ...Trabalhadores de frigoríficos estão entre mais contaminados por coronavírus no Brasil.

Um aspecto que tem sido negligenciado no avanço da pandemia é aquele que revela que os grandes focos de contaminação estão hoje associados ao agronegócio e à mineração, com milhares de casos sendo concentrados em frigoríficos e áreas de mineração, onde os trabalhadores seguem sendo obrigados a se expor ao coronavírus para manter as atividades das grandes empresas aptas a exportar suas commodities agrícolas e minerais, aumentando ainda mais a concentração da renda no Brasil. A razão dessa negligência é só uma: o agronegócio e as mineradoras são aliadas de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro, e cada vez mais são estratégicas para a sua manutenção no poder. Em troca desse apoio, esses setores receberam uma espécie de passe livre para expor seus trabalhadores aos riscos de contaminação.

Por isso, considero que todos os ruídos que estão sendo causados nas redes sociais e nas ruas pelos apoiadores do governo Bolsonaro não passam de uma tática diversionista para permitir que as ações anti-nacionais e anti-povo continuem sendo realizadas, no melhor estilo “passa boiada” de Ricardo Salles.  Mas não há propaganda de cloroquina que possa apagar as evidências já consolidadas de que o presidente Jair Bolsonaro tem sido uma espécie de “melhor amigo do coronavírus”, e as pesquisas de opinião pública revelam claramente que a maioria das pessoas já entendeu isso perfeitamente. 

A encruzilhada de Bolsonaro

Sustentação de popularidade em segmentos mais pobres da população benefício emergencial de R$ 600 cria situação quase implausível para o presidente que foi eleito com o apoio das elites

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Segundo artigo do colunista Josias de Souza, que não é propriamente um bolchevique, estando mais para uma das mais conservadoras vozes na mídia corporativa brasileira, a mais recente pesquisa do Datafolha indica que Jair Bolsonaro mostra que sua popularidade não despencou porque a passou a ser escorada  no segmento do eleitorado que passou a receber o chamado “coronavoucher”  de R$ 600,00.

Além disso, Josias de Souza aponta que, dos 33% que apoiam Bolsonaro,  apenas 22% são bolsonaristas empedernidos, enquanto que os  11% são compostos por eleitores pobres que não votaram nele, mas foram seduzidos pelo “coronavoucher“.

Assim, sem apoio dos mais pobres, Jair Bolsonaro já estaria em apuros maiores do que já se encontra, porque sua taxa de reprovação saltou de 38% no mês passado para 43% agora.

Essa dependência dos mais pobres coloca Jair Bolsonaro e as políticas ultraneoliberais em uma encruzilhada, na medida em que se não prolongar para além de três meses o pagamento do auxílio emergencial criado pelo Congresso Nacional, o seu índice de popularidade beirará um limite bastante crítico, do qual não poderá se levantar facilmente. E isto já se sabe, poderia ser a senha para um rápido processo de impeachment.

Por outro lado, se estender o “coronavoucher” ou ainda um auxílio pós-pandemia, o que estará em jogo será a permanência de Paulo Guedes e sua equipe de economistas ultraneoliberais. O nó do laço fica ainda mais apertado porque inevitavelmente há o risco dos níveis de desemprego atingirem níveis estratosféricos ainda em 2020.

Então esqueçam dos embates de fachada porque a encruzilhada do presidente Jair Bolsonaro é quase um beco sem saída, estando já muito próxima de uma sinuca de bico. Talvez por isso, as declarações mais ácidas do que costume nos últimos dias.

 

NEABI/UENF distribui cestas básicas com fundo do Projeto Baobá e Vaquinha online

Contribuindo para o combate ao Coronavírus em comunidades vulneráveis.

20200515_121742. Frutas, farinha

O  Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da Universidade Estadual do Norte Fluminense (NEABI/UENF) realizou a entrega de cestas básicas, produtos de higiene e máscaras para famílias na comunidade de Donana, localizada na periferia de Campos dos Goytacazes com o apoio da Associação Bem Faz Bem (ABFB), presidida por Erivelton Rangel de Almeida.  A entrega foi feita para famílias negras que estão em situações de precariedade, atendendo assim ao Edital Baobá da Equidade Racial.

A doação das cestas só foi possível com os recursos provenientes do Edital de Apoio Emergencial, promovido pelo Fundo Baobá para Equidade Racial, cujo montante foi de R$2.500,00, e uma “vaquinha online” que arrecadou R$2.970,00. Ambas as iniciativas partiram da Profa. Dra. Maria Clareth Gonçalves Reis através do NEABI/UENF, do qual é coordenadora.

As cestas foram montadas com alimentos e produtos de higiene adquiridos nas redes de supermercados. Também foram acrescentados outros alimentos como laranja, limão, banana, aipim, potes de tempero e farinha, provenientes da agricultura familiar agroecológica das comunidades quilombolas de Cambucá, Aleluia de Campos dos Goytacazes/RJ e Machadinha, de Quissamã, também no Norte Fluminense do estado do Rio de Janeiro.

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“Optamos pela compra de alimentos saudáveis cultivados pela agricultura agroecológica quilombola porque estas famílias, que já enfrentavam inúmeras dificuldades, também sofrem os efeitos da pandemia. Dessa forma, conseguimos contemplar o Edital Baobá tanto em relação a estas comunidades fornecedoras dos alimentos quanto à comunidade que os recebeu, no caso as famílias negras da Donana”, afirmou a professora Clareth Reis.

Ainda segundo a professora Clareth, o trabalho de toda a equipe foi muito gratificante. “Não podemos deixar de agradecer a todas as pessoas que contribuíram de alguma forma para o sucesso da nossa ação, especialmente àquelas que participaram da construção e do desenvolvimento do projeto: Lucas Santos, Luiza Almeida, Stella Freitas, Karolina Alves e Maiara Tavares; à Associação Bem Faz Bem (ABFB) e ao mestrando em serviço social da UFRJ, Abilio Maiworm-Weiand, pelo apoio em todo o processo”.

A professora Clareth e toda equipe do NEABI/UENF agradecem ainda ao Fundo Baobá da Equidade Racial; à Universidade Estadual do Norte Fluminense, especialmente à Gerência de Comunicação – ASCOM, à Prefeitura do Campus, ao Sr. Osvaldo, do Centro de Convenções, ao Sr. Joselmo Vilarinho, Assessoria de Transportes – ASTRAN; a todos que fizeram suas doações por meio da “Vaquinha Online”; a Igreja Santo Amaro, especialmente a Tânia Rodrigues e ao Diácono Márcio Fernandes, à Danielle Corrêa, Judith Farias, Flávia Comelli, Leonardo Barreto, aos assistentes sociais Rita e Cleiton. Enfim, a todas/os que, de alguma forma, contribuíram para a concretização desta ação.

Cientistas,artistas, intelectuais e ativistas sociais lançam manifesto “pela unidade antifascista” no Brasil

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Centenas de cientistas, artistas, intelectuais e ativistas sociais lançaram ontem o que decidiram denominar de “Manifesto pela unidade antifascista” com base nos desdobramentos da crise política que se aprofunda em meio ao avanço da pandemia da COVID-19 no Brasil.

Segundo os signatários do manifesto, o “ governo  (Bolsonaro(aposta no caos, anseia por saques, desespero popular, estados falidos, Congresso dividido, Supremo chantageado, tudo isso enquanto o fascismo assalta mais e mais as instituições.

O manifesto aponta ainda que “não é hora de fazer cálculos para 2022, simplesmente porque as eleições de 2022 estão em risco, como as vidas de todos e todas nós pela ameaça de um golpe.”

A partir dessa compreensão, o manifesto aponta que  nas “próximas eleições municipais é preciso a união de todos e todas em torno das candidaturas capazes de ampliar o movimento democrático e de competir para vencer, em nome da resistência antifascista“. 

Dentre os signatários mais conhecidos do “manifesto pela unidade antifascista” podem ser citados Luiz Eduardo Soares – Antropólogo,  Silvio Tendler – Cineasta, Chico Buarque – Compositor e escritor, Gregório Duvivier – Ator, dramaturgo, escritor e poeta
Roberto Amaral – Escritor e ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Marieta Severo – Atriz, e produtora cultural,  Aderbal Freire-Filho – Dramaturgo, ator e Diretor teatral, Fernando Morais – Jornalista, Hildegard Angel – Jornalista, Juca Kfouri – Jornalista, Cristóvão Borges – Técnico de futebol e Kenarik Boujikian, desembargadora TJSP.

Quem desejar acessar a íntegra do “Manifesto pela unidade antifascista”, basta clicar [Aqui!].

Em meio à catástrofe causada pela COVID-19, revolta popular contra violência policial abala os EUA

Os EUA são o principal epicentro da pandemia da COVID-19 e no dia de hoje a principal potência econômica e militar do planeta já contabiliza cerca de 1.8 milhão de infectados pelo coronavírus e em torno de 103.000 mortos pela COVID-19. Não obstante,  outro caso rumoroso de violência policial contra um cidadão negro, George Floyd, por policiais brancos na cidade de Minneapolis, a mais populosa do estado de Minnesota, causou uma revolta popular sem precedentes, com partes inteiras da cidade, a começar pela delegacia de polícia, foram reduzidas à cinzas (ver vídeo abaixo).

A verdade é que os EUA hoje amargam uma decadência econômica que ameaça a estabilidade social do país, com a grande parte da riqueza ficando concentrada nas mãos dos 1% mais ricos da população. Esse processo de alta concentração de renda já foi rotulado de “Brazilinization” da sociedade estadunidense, pelos motivos que os leitores deste blog podem facilmente imaginar.

Essas cenas de caos social são exatamente aquelas que se imaginaria em países mais pobres que hoje sofrem duramente com os efeitos de décadas de políticas neoliberais. Entretanto, estas são cenas genuinamente estadunidenses, o que chega a ser irônico, pois foi dos EUA que se originaram as políticas que aumentaram a concentração da renda em outras partes do planeta. É o famoso “o feitiço se virando contra o feiticeiro.

Essa situação caótica serve ainda para piorar as chances de reeleição do presidente Donald Trump que é visto cada vez mais como o principal responsável pelo duro custo humano que a pandemia da COVID-19 tomou nos EUA. Sempre é bom lembrar que como Jair Bolsonaro fez no Brasil, Donald Trump apostou todas as suas fichas em uma combinação de negacionismo da letalidade do coronavírus e da aposta nos efeitos supostamente milagrosos da cloroquina.

 

Epidemia de COVID-19 avança de forma heterogênea e ainda sem controle no Brasil

epicovid 2Conclusão é de estudo conduzido por pesquisadores do Imperial College London e apresentado em seminário on-line organizado pela FAPESP. Maior inquérito sorológico realizado no país também aponta discrepância entre estados e que casos reais da doença superam em sete vezes os notificados (imagem:Pixabay)

Por Karina Toledo  para Agência FAPESP

A quarentena decretada em março por prefeitos e governadores de todas as regiões brasileiras promoveu uma queda substancial na taxa de contágio do novo coronavírus (SARS-CoV-2). Mas, ao contrário do observado em países asiáticos e europeus que também adotaram medidas de isolamento social, o achatamento da curva epidemiológica no Brasil não foi suficiente para fazer o número de casos e de mortes por COVID-19 parar de crescer.

Segundo estimativa feita por pesquisadores do Imperial College London (Reino Unido), no final de fevereiro, o número de reprodução (Rt) do SARS-CoV-2 em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará e Amazonas estava entre 3 e 4. Isso significa que, nesses locais, cada indivíduo infectado transmitia o vírus para mais de três pessoas em média, fazendo a epidemia avançar rapidamente. No início de maio, estima-se que o Rt havia caído para valores entre 1 e 2.

“Houve uma redução acentuada na intensidade da transmissão, o que significa que o isolamento social ajudou a salvar muitas vidas e das pessoas mais vulneráveis da sociedade. Mas em nenhum estado o Rt caiu abaixo de 1. E somente quando isso ocorrer poderemos dizer que a epidemia está sob controle. O número de infecções diárias cairá significativamente, seguido pelo número de mortes”, disse Thomas Mellan, primeiro autor de um estudo que buscou descrever a evolução da COVID-19 em 16 estados brasileiros por meio de modelagem matemática. Ainda em versão preprint (sem revisão por pares), o artigo foi postado na plataforma medRxiv em 18 de maio.

Na avaliação do pesquisador, a adesão insuficiente da população ao isolamento social parece ser um dos fatores que explicam a menor eficácia dessa “intervenção não farmacológica” na contenção da doença no Brasil. “O motivo exato não está claro, mas ao analisar o Relatório de Mobilidade Comunitária do Google [baseado em dados de localização de usuários em 131 países] observamos que a redução da mobilidade da população brasileira durante a quarentena é menor do que a registrada na maioria dos países europeus”, contou Mellan à Agência FAPESP.

Alternativas metodológicas

A metodologia do estudo foi apresentada por Mellan e por seu colega do Imperial College London Samir Bhat no dia 21 de maio, durante o webinar “COVID-19 – Epidemiological monitoring and measurement of infectivity rates in key countries”, organizado pela FAPESP e transmitido ao vivo pelo canal da Agência FAPESP no Youtube.

Na ocasião, Bhat explicou que o objetivo do trabalho foi estimar a taxa de ataque (número de pessoas infectadas) e o Rt do novo coronavírus no Brasil, usando como referência o número de mortes por COVID-19 confirmado pelo Ministério da Saúde.

“Há várias estratégias para determinar esses indicadores epidemiológicos: vigilância populacional de infecções [testagem em larga escala para detectar casos sintomáticos e assintomáticos], análises genéticas [inferir o Rt com base em linhagens virais sequenciadas], inquéritos de soroprevalência [avaliar por amostragem o porcentual da população que tem anticorpos contra o vírus], estimar com base no número de casos reportados [método fortemente influenciado pela quantidade de testes realizados no local] ou estimar a partir do número reportado de mortes, que julgamos ser a forma mais segura para países como o Brasil, mas não é livre de erro”, ponderou Bhat.

Os resultados do estudo britânico indicam que cinco estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e Amazonas – concentram 81% das mortes relatadas até o momento no país. Estima-se que, nesses locais, a porcentagem de pessoas infectadas pelo SARS-CoV-2 varie de 3,3% (com intervalo de confiança de 95%, podendo variar de 2,8% a 3,7%) em São Paulo para 10,6% (de 8,8% a 12,1%) no Amazonas. O estado com a segunda maior taxa de ataque foi o Pará (5,05%), seguido por Ceará (4,46%) e Rio de Janeiro (3,35%). Entre os 16 estados estudados, Minas Gerais apresentou menor proporção de infectados (0,13%), seguido por Santa Catarina (0,23%) e Paraná (0,25%).

Considerando a margem de erro da pesquisa, os números estimados pelo grupo do Imperial College London para São Paulo e Paraná estão próximos do encontrado nas capitais desses estados por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) na primeira fase do estudo EPICOVID19-BR: 3,1% na cidade de São Paulo e 12,5% em Manaus (AM). Realizado entre os dias 14 e 21 de maio, o inquérito sorológico abrangeu coleta e análise de amostras de sangue de mais de 25 mil pessoas, em 133 cidades. O objetivo foi calcular o porcentual da população que já desenvolveu anticorpos contra o SARS-CoV-2. O trabalho foi coordenado pelo reitor da UFPel, Pedro Curi Hallal, que foi um dos palestrantes do seminário on-line promovido pela FAPESP na semana passada.

Nas principais cidades do Pará, o estudo apontou que o índice de infectados chega a 24,8% na cidade de Breves, 15,4% em Castanhal e 15,1% na capital Belém. Em Tefé, município do interior do Amazonas, a taxa de soroprevalência foi de quase 20%.

No conjunto das 90 cidades em que o grupo do EPICOVID19-BR conseguiu testar mais de 200 pessoas (número mínimo para fazer as análises), a taxa de soroprevalência foi estimada em 1,4%, podendo variar de 1,3% a 1,6% pela margem de erro da pesquisa. Segundo os autores, os resultados não devem ser extrapolados para todo o país, nem usados para estimar o número absoluto de casos no Brasil, pois são cidades populosas, com circulação intensa de pessoas e que concentram serviços de saúde. De qualquer modo, a comparação dos números estimados pelo grupo da UFPel e os números oficiais do Ministério da Saúde aponta que, para cada caso confirmado de COVID-19 nesses municípios, existem sete casos reais na população.

Várias epidemias em uma

Os resultados do EPICOVID19-BR indicam que a região Centro-Oeste é a menos afetada do país até o momento. Nenhum teste positivo foi registrado nas nove cidades estudadas, embora já existam casos e óbitos notificados nesses locais. No Rio Grande do Sul, onde já foram concluídas, entre abril e maio, três ondas de testes sorológicos em nove cidades, a taxa de soroprevalência encontrada também foi baixa: variando entre 0,05% (primeira coleta) e 0,22% (terceira coleta).

A região Norte, por outro lado, tem hoje o cenário epidemiológico mais preocupante do país, segundo a pesquisa brasileira, abrigando 11 das 15 cidades com maior proporção de infectados.

A conclusão vai ao encontro dos resultados do modelo britânico, que mostram uma ampla heterogeneidade nas taxas de ataque dos estados estudados, sendo que as regiões Norte e Nordeste parecem estar em um estágio avançado da epidemia, que, em escala nacional, ainda pode ser considerada incipiente.

“Apesar dessa heterogeneidade, no entanto, em nenhum estado a imunidade de rebanho parece estar próxima de ser alcançada”, afirmam os pesquisadores do Imperial College, referindo-se à taxa necessária de infectados (estimada entre 60% e 70%) para que o vírus não consiga mais se propagar na população. “Dado o estágio inicial da epidemia no Brasil, há perspectiva de agravamento da situação caso outras medidas de controle não sejam implementadas”, concluiu o estudo.

Em busca de soluções

Além de Hallal e dos pesquisadores britânicos, o rol de palestrantes do seminário on-line contou com Cécile Viboud, pesquisadora do Centro Internacional Fogarty, vinculado aos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, e Michael Levitt, ex-professor da Universidade Stanford (Estados Unidos) hoje baseado em Israel e vencedor do Nobel de Química em 2013. A mediação foi feita pelo professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Rui Maciel.

“Este é o primeiro de uma série de seminários on-line que a FAPESP pretende promover na tentativa de contribuir para a busca de soluções contra a COVID-19, instigando cientistas nacionais e internacionais e trazendo à tona perguntas e discussões relevantes”, afirmou durante a abertura Luiz Eugênio Mello, diretor científico da Fundação.

Em sua apresentação, Viboud apresentou resultados de estudos de modelagem que buscaram avaliar o impacto de diversas intervenções adotadas no início de janeiro para conter a epidemia na China, principalmente nas cidades de Xangai e de Wuhan.

“Uma das primeiras coisas que nos interessamos foi quantificar as mudanças no número de reprodução. Inicialmente, vemos um período de rápido crescimento da epidemia, com Rt de 2,5. Após 23 de janeiro muitas intervenções foram feitas, incluindo forte distanciamento social, e o Rt cai rapidamente abaixo de 1, e assim permanece até agora”, contou a pesquisadora.

Já Levitt, que tem sido um crítico contundente das políticas de isolamento social, argumentou que, ao contrário do que sugerem os principais modelos epidemiológicos – entre eles o do Imperial College London –, a COVID-19 não cresce exponencialmente, ainda que nenhuma medida de contenção seja implementada.

“Este seria um fenômeno realmente aterrorizante, pois saltaríamos de três casos para 1 milhão em um período de duas semanas caso houvesse crescimento exponencial puro”, disse.

Após avaliar as informações sobre os casos confirmados na China, Levitt concluiu que a curva epidemiológica da doença segue o padrão da chamada curva de Gompertz ou função Gompertz, modelo matemático em que o crescimento é menor no começo e no fim do período temporal.

“Essa coisa toda sobre achatar a curva não tem sentido, pois a curva começa a se achatar sozinha desde o primeiro dia da epidemia”, argumentou.

Na avaliação de Hallal, de fato a taxa de crescimento de novos casos e de mortes começou a baixar em países como Itália, Espanha e Inglaterra bem antes de ser atingido o porcentual de infectados necessário para a imunidade de rebanho.

“Com as medidas de isolamento, o vírus acaba circulando menos e o número de pessoas suscetíveis que ele encontra não é tão grande. A boa notícia é que não é preciso haver tanta gente infectada para os casos começarem a cair. Por outro lado, como a maior parte da população ainda não tem imunidade, é bem provável que daqui a algum tempo venha outra onda da doença. Não podemos subestimar o valor do distanciamento social”, disse à Agência FAPESP.

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Este artigo foi originalmente publicado Revista Fapesp [Aqui!].

Live global reunirá Jane Fonda, Wagner Moura, Morgan Freeman, Maria Gadu, Peter Gabriel e Carlos Nobre em prol dos povos da Amazônia nesta quinta

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Amanhã, 28 de maio de 2020, Jane Fonda, Morgan Freeman, Carlos Santana, Peter Gabriel e vários outros artistas se unirão a líderes indígenas, cientistas e uma ampla coalizão de ONGs no Artists United for Amazonía: Protecting the Protectors, um evento global de duas horas, das 21:00 às 23:00 pelo horário de Brasília, com transmissão ao vivo via Facebook e artistsforamazonia.org

Produzido por Artists for Amazonía, o evento será apresentado pela ativista, atriz e co-estrela de “Game of Thrones” Oona Chaplin e promoverá o Fundo de Emergência da Amazônia, lançado no mês passado por uma coalizão de organizações indígenas, ONGs e aliados para responder às necessidades urgentes de povos indígenas da Amazônia ameaçados pela COVID-19. Os recursos arrecadados serão utilizados para prevenção e atendimento imediatos; alimentos e suprimentos médicos; comunicações de emergência e evacuação; proteção e segurança para territórios indígenas; e soberania alimentar e resiliência da comunidade. O Fundo de Emergência da Amazônia pretende arrecadar US﹩ 5 milhões nos próximos 60 dias para que os Guardiões da Floresta se protejam contra a pandemia nos nove países da Amazônia.

O Artists United for Amazonía terá uma mistura inspiradora de apresentações musicais na sala de estar, entrevistas informativas, sabedoria indígena e apelos à ação. Além de Jane Fonda, Carlos Santana, Morgan Freeman e Peter Gabriel, o evento terá participação dos cientistas Thomas Lovejoy e Carlos Nobre (que têm alertado sobre o ponto a partir do qual a floresta começa a se transformar em savana), Wagner Moura, Maria Gadu,Herbie Hancock, Rocky Dawuni, Butterscotch Clinton, Xiuhtezcatl Martinez, Cary Elwes, Alfre Woodard, Wade Davis e os vencedores do Grammy brasileiro Ivan Lins e Luciana Souza. A lista completa está aqui.

No momento, existem quase 120 mil casos confirmados de COVID-19 e mais de 6 mil mortes confirmadas na Amazônia. À medida que o novo coronavírus continua a se espalhar, os povos indígenas estão cada vez mais em risco e podem enfrentar um etnocídio em potencial. Os povos indígenas Achuar no Equador registraram uma dúzia de casos, os Shipibo do Peru registraram 58 mortes e no Brasil houve 147 mortes e 1350 casos. Devido à falta de recursos de saúde em toda a região, os casos provavelmente são subnotificados e as atividades ilegais de desmatamento e extração em terras indígenas aumentam ainda mais o risco de exposição. Em abril, centenas de organizações em todo o mundo assinaram uma moratória contra incursões na Amazônia e pediram o fim de todas as atividades destrutivas que degradem e desmatam ainda mais a Amazônia. Os povos indígenas são os melhores administradores e protetores da floresta amazônica e, portanto, sua proteção é vital para a saúde de nosso planeta. “Não podemos esperar mais pelo nosso governo … estamos em perigo de extinção”, disse Jose Gregorio Diaz Mirabel, coordenador geral da COICA (Coordenador de Organizações Indígenas da Bacia do Rio Amazonas) e membro do povo Wakeunai Kurripaco da Venezuela.

“Este evento faz parte de uma extraordinária aliança de organizações e indivíduos dedicados a preservar a região com maior biodiversidade do planeta”, comenta Sarah duPont, fundadora da Amazon Aid Foundation e co-diretora da River of Gold. “A mineração ilegal e não regulamentada de ouro é uma das formas mais perigosas de desmatamento na Bacia Amazônica e libera mercúrio tóxico no ecossistema. Desde a pandemia, a mineração de ouro explodiu em toda a Amazônia e em territórios indígenas, trazendo consigo violência e a COVID-19. A Amazônia está no ponto de inflexão e os protetores da Amazônia estão ameaçados. O que acontece na Amazônia afeta a todos nós.”

Leila Salazar-López, diretora executiva da Amazon Watch, acrescentou: “A Amazônia e seus povos estão em estado de emergência devido às mudanças climáticas e à pandemia do COVID-19. É um crime contra a natureza e um crime contra a humanidade. É hora de todos se unirem e agirem em defesa da floresta e em solidariedade com os povos indígenas e tradicionais da Amazônia, que estão protegendo essa grande floresta tropical e nosso clima para toda a humanidade. e vida na Terra. “

Sobre o Fundo de Emergência da Amazônia: O Fundo de Emergência da Amazônia é uma colaboração recém-formada que trabalha em estreita coordenação com a COICA (Órgão Coordenador de Povos Indígenas da Bacia Amazônica) e suas 9 organizações nacionais, além de parceiros e aliados de ONGs na Amazônia e em todo o mundo, para apoiar resposta de emergência à Covid-19. Está hospedada na Rainforest Foundation-US e apoia diretamente subsídios de resposta rápida para prevenção e cuidados urgentes e imediatos; alimentos e suprimentos médicos; comunicações de emergência e evacuação; proteção e segurança para guardiões da floresta; soberania alimentar e resiliência da comunidade.

Sobre Artistas for Amazonía: A Campanha Artists for Amazonía está aproveitando o poder de influenciadores criativos e de entretenimento para catalisar ações globais em resposta à crise na floresta amazônica e às ameaças aos defensores da terra indígena. Juntos, defendemos a proteção permanente da Amazon.

Sobre a Amazon Aid Foundation: A Amazon Aid Foundation (AAF) é uma organização sem fins lucrativos que utiliza o poder da multimídia para educar sobre a importância da Amazônia e as implicações de sua destruição. Os projetos premiados da AAF afetam a mudança de política global e ativam o público em todo o mundo a se envolver em abordagens sustentáveis ​​para proteger a Amazônia e exigir produtos de origem responsável. A AAF apóia e promove os esforços de advocacy relacionados aos direitos humanos e indígenas, água potável, proteção de espécies e habitat e a regulamentação da mineração de ouro ilícita e não regulamentada e do uso de mercúrio.

Para outras informações:

Elena Teare – elena@amazonwatch.org ou +1.925.385.8757

Jessie Nagel – jessie@hypeworld.com ou +1.213.324.8363