A crise do coronavírus e o futuro do neoliberalismo

pulso latino

Com Alfredo Saad-Filho e Danilo Enrico Martuscell

Mediação de Cris Cavalcante

A pandemia escancara as contradições entre vida e capital. Vemos como os diferentes países têm tomado suas próprias medidas – alguns deles jogando com a vida em nome da economia -, mas também presenciamos um momento fértil para análises sobre nossos modelos de sociedade. Para alguns pensadores, como o filósofo Slavoj Žižek, estaríamos vivenciando um golpe mortal ao capitalismo e seria tempo de reinventar o comunismo. Para outros, como o filósofo Byung-Chul Han, a saída da crise do COVID-19 poderia levar-nos a um maior autoritarismo, com a exportação do modelo chinês de controle social ao ocidente.

Neste episódio, convidamos o doutor em economia Alfredo Saad-Filho e do doutor em ciências políticas Danilo Martuscelli para pensar a crise do coronavírus e os rumos que a política, a economia e a humanidade vão tomar daqui pra frente.

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Coronavírus: Brasil lidera em infecções e mortes, mas Venezuela lidera testagem

Drive Through COVID-19 Testing Facility Expands In South FloridaBrasil lidera em infecções e mortes, mas quem lidera na testagem é a Venezuela.

Para quem ainda não conhece, eu recomendo o site “Worldmeters.info” que possui uma página atualizada em tempo quase real para várias estatísticas relacionadas à pandemia causada pelo coronavírus.  Eu visitei este  na tarde de hoje para verificar as estatísticas relacionadas aos 12 países e uma unidade ultramarina que formam a América do Sul, e os resultados são muito reveladores acerca do desempenho do Brasil no controle desta pandemia.

É que segundo os números disponíveis no “Worldmeters”, o Brasil possui o maior número de infectados e mortos pelo coronavírus, mas só possui índices melhores de testagem do que Bolívia e Guiana (ver figura abaixo).

Covid south america

Na questão da testagem, em termos de proporção por milhão de habitantes testados e no número de testes efetivamente realizados, a Venezuela é de longe a líder disparada com 203.208 testes realizados, com uma proporção de 7.143 testes por milhão de habitantes.  Enquanto isso o Brasil aplicou até agora míseros 62.985 testes, com uma taxa de 296 testes por milhão de habitantes. 

Mas a Argentina, um país que se encontra em dificuldades ainda maiores do que o Brasil, no mesmo período aplicou 22.805 testes, em uma taxa de 505 testes por milhão de habitantes.  O interessante é que possuindo uma população de 43.590.368 habitantes, a Argentina tem até agora 2.277 casos oficiais e um total de 102 óbitos por causa da COVID-19. Já o Brasil, com uma população de 211.291.881,00 habitantes, já alcançou 24.232 casos oficiais e 1.378 óbitos.  

A verdade é que toda as alegações de que o Brasil não seguiria as recomendações para aplicar testes para além dos infectados e suas famílias, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS), está nos colocando em uma posição vergonhosa até na América do Sul, onde a maioria dos países não possui a mesma força econômica ou a estrutura hospitalar.

Com base nessas estatísticas, fico com a impressão ainda mais forte de que é falacioso o suposto embate entre o presidente Jair Bolsonaro e o ainda ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM/MS). É que por caminhos aparentemente diferentes, ambos estão deixando a população brasileira (especialmente os segmentos mais pobres) em um voo cego contra um vírus altamente letal. Em outras palavras, Bolsonaro e Mandetta são duas faces de uma mesma moeda.

Finalmente, é fundamental que haja um movimento amplo para se pressionar o governo federal para que disponibilize urgentemente uma grande quantidade de testes para que os estados e municípios possam ter algum controle sobre os polos de dispersão do coronavírus em todo o território nacional.

Apoiador do governo Bolsonaro, SBT vira exemplo de infestação de coronavírus no Rio de Janeiro

sbt rio

Depois de cobrir o avanço do coronavírus nas favelas do Rio de Janeiro, SBT poderá agora cobrir a disseminação dentro de seus próprios estúdios

Um dos veículos da mídia corporativa que mais tem se destacado na defesa do governo Bolsonaro, o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) agora se vê imerso em uma grave crise sanitária, após seus estúdios no Rio de Janeiro serem tomados pelo coronavírus, tendo resultado já na morte do editor de imagens José Augusto Nascimento Silva que, antes de seu falecimento, havia acusado a empresa de negligênciapara com seus funcionários, pois, como ele próprio, tiveram que continuar trabalhando, mesmo sob a suspeita de estarem infectados pelo coronavírus.

Segundo informações sendo difundidas por diferentes veículos da mídia alternativa e da corporativa, a situação dentro do SBT/RJ é de revolta em face do que muitos funcionários consideram ter sido um claro processo de negligência com a saúde coletiva dos que lá trabalham, com pedidos, inclusive, para interdição da sede carioca da empresa.

Até um comunicado tardio da direção da empresa teria sido recebido com antagonismo, pois muitos funcionários consideraram as medidas propostas como “insuficientes“, sendo vista como apenas uma tentativa de salvar aparências.

O problema é que se já existia uma revolta contida dentro dos corredores da emissora com a postura subserviente em relação ao governo Bolsonaro, a situação criada pela morte de José Augusto Nascimento Silva e o adoecimento de diversos outros colegas de trabalho agora tem o potencial de explodir publicamente.

A eclosão dessa crise sanitária dentro do SBT/RJ deixa claro que, quanto mais se negar a capacidade de disseminação de um vírus letal em locais que aglomerem pessoas em ambientes fechados, maior será o número de contaminados e, consequentemente, o número de pessoas mortas.

Mas mais importante do que comprovar algo que autoridades médicas já repetiram à exaustão, o caso do SBT/RJ explicita de forma pedagógica o resultado prático decorrente da postura dos patrões que colocam seus interesses políticos e comerciais acima da segurança dos seus empregados.

Finalmente, enquanto os trabalhadores do SBT/RJ padecem em condições insalubres, o homem do baú, o Sr. Silvio Santos, deve estar desfrutando das maravilhas da sua mansão em Orlando, Flórida. Se assim for, ficará confirmada ainda mais a face totalmente irresponsável das elites brasileiras frente aos que objetivamente controem suas fortunas.

 

Em meio à pandemia, movimentos sociais do campo e assentados da reforma agrária doam alimentos

Em meio à cenas que expressam o mais agudo individualismo que são realizadas por pessoas que não ousam sair de seus veículos importados não deixa de ser animador verificar que, em diferentes partes do Brasil, a ação humanitária se desenvolvendo pelas mãos dos assentados de reforma agrária que estão distribuindo gratuitamente toneladas de alimentos nas periferias mais pobres em cidades localizadas e aldeias indígenas em diferentes partes do país (ver imagens abaixo).

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Tal distribuição de alimentos é fruto da ação organizada de movimentos sociais do campo como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), mas também ocorre de forma espontânea a partir de assentamentos de reforma agrária, muitas vezes sob inspiração de lideranças locais.

Ainda que não esteja aparecendo de forma destacada na mídia corporativa que prefere se concentrar nas notícias sobre os supostos embates que estão ocorrendo dentro do governo Bolsonaro,  essas ações deverão abrir uma nova fase no relacionamento político das populações periféricas e os agricultores que hoje lideram essa corrente de solidariedade. É que enquanto grandes redes de supermercados aproveitam-se deste momento de pandemia para aumentar os preços de gêneros básicos, os assentados oferecem comida de graça para os mais pobres.

O fato é que após a passagem do pior da pandemia, o que deverá ocorrer em cerca de um mês, o Brasil e muitos países da América Latina irão se ver diante de uma enorme crise econômica e política. Neste sentido, as ações que os movimentos sociais do campo e os assentados da reforma agrária estão realizando neste momento poderão ter consequências concretas nos enfrentamentos que deverão ocorrer.

De quebra, a ação dos movimentos sociais do campo e dos agricultores assentados demonstra de forma bastante didática como a organização política pode ser usada para gerar dinâmicas que unam de forma objetiva a classe trabalhadora na cidade e no campo.  Em um contexto marcado pela caos político, isto não é, de forma alguma, algo que seja menos importante para o nosso futuro.

Estados Unidos: capitalismo, mais mortal que o coronavírus

coronavirus eua

Por Mike Pappas and Tre kwon para o RP Dimanche

Milhares morrendo todos os dias e corpos empilhados em valas comuns. Essas são as imagens surreais que chegaram até nós desde o primeiro poder imperialista, o epicentro da pandemia atual. Uma situação que não é de modo algum inevitável e que foi amplamente orquestrada por décadas de políticas neoliberais, como demonstrado por Mike Pappas e Tre Kwon, editorialistas do jornal marxista Left Voice .

PR Dimanche: Quais foram as respostas de Trump e do governo federal à crise da saúde? Você pode nos contar mais sobre as leis de emergência que estão sendo aprovadas? E o Partido Democrata?

Tre Kwon: Primeiro, o governo Trump demorou demais para responder à crise. Apesar dos avisos do resto do mundo, Trump não fez nada para conter a propagação inicial do vírus. Ele então alegou que o vírus era uma “farsa” dos democratas e que não era pior que uma gripe, antes de finalmente admitir que o vírus estava se espalhando nos Estados Unidos, minimizando sua gravidade. Hoje, ele finalmente reconhece a magnitude do potencial número de vítimas humanas da epidemia enquanto nos preparamos para cruzar a marca de 20.000 no país. Sua posição inicial participou ativamente da disseminação do vírus, embora não esteja claro quantas pessoas o pegaram e o espalharam por sua culpa. As medidas de contenção tomadas hoje em muitos estados podem ser necessárias, mas também têm uma dimensão política ao criar um impedimento à ação coletiva e ao atomizar a classe trabalhadora. Além disso, em muitos países essas políticas fortalecem o aparato repressivo dos estados, o que obviamente é motivo de grande preocupação.

Economicamente, a Casa Branca e o Congresso concordaram com um resgate de US $ 2 trilhões. Desse montante, mais de meio trilhão de dólares serão destinados às grandes empresas – com US $ 60 bilhões apenas para as companhias aéreas. Em comparação, apenas US $ 125 bilhões são gastos em saúde. Você também deve saber que quase dez milhões de trabalhadores estão desempregados desde a explosão da crise, sabendo que esses números incluem apenas aqueles que solicitaram benefícios de desemprego – e, portanto, não incluem , os milhões de trabalhadores sem documentos que provavelmente perderam o emprego, mas não são elegíveis para o desemprego. Esta é a maior onda de demissões desde a Grande Depressão. A título de comparação, os Estados Unidos viram 12 milhões de empregos perdidos entre 1930 e 1932 … o que é hoje, em apenas duas semanas!

Nessa situação, todo cidadão americano deve receber um cheque de US $ 1.200 – mas em lugares como Nova York, geralmente é menor que o preço do aluguel. Sem congelar o aluguel, esse dinheiro é apenas um subsídio para os proprietários. Também não sabemos quando esse dinheiro realmente chegará. Esse pequeno subsídio é negado aos milhões de trabalhadores sem documentos nos Estados Unidos – trabalhadores que pagam impostos, mas não recebem apoio. Pelo contrário, a agência de deportação ICE continua prendendo os chamados residentes “ilegais” em meio a uma pandemia e, diferentemente dos hospitais, eles recebem equipamentos de proteção suficientes do governo.

O governo federal absolutamente não conseguiu se preparar para uma pandemia como essa. Trump está tentando culpar os estados. Seu genro, Jared Kushner, por exemplo, referiu-se ao estoque federal de respiradores e outros equipamentos que faltava muito quando ele dizia “nosso estoque”. Trump invocou a Lei de Produção de Defesa de 1950, que permitiria ao governo direcionar a indústria para a produção de suprimentos essenciais. Mas nada está acontecendo ainda. A General Motors, por exemplo, pediu US $ 1 bilhão para fabricar respiradores. Estamos nos aproximando do pico da epidemia, mas até agora a General Motors ainda não produziu um único respirador.

O Partido Democrata, liderado pela senadora e ex-candidata presidencial Elizabeth Warren, acrescentou alguns pontos ao resgate para combater as piores formas de corrupção que o mesmo incluía. Agora, as companhias aéreas não devem usar o dinheiro do resgate para recomprar ações, e as empresas de Trump não devem receber os fundos. No entanto, eles aceitaram amplamente a ideia de um resgate corporativo de trilhões de dólares e não ofereceram alternativa. Isso explica em grande parte o aumento do índice de aprovação de Trump nos últimos tempos – já que não há outras propostas em discussão. Desta forma, ele se apresenta como estando à esquerda dos democratas. Ele diz que, graças a ele, todos receberão US $ 1.200, enquanto a líder democrata Nancy Pelosi exige “controle de recursos”.

PR Dimanche: Os Estados Unidos são uma das principais potências capitalistas e, no entanto, seu sistema de saúde não está de acordo com o desafio. O que está faltando?

Mike Pappas: Existem tantos problemas que seria difícil mencionar todos eles: primeiro, como Tre disse, os Estados Unidos ficaram muito para trás na campanha de busca. A OMS validou um protocolo de teste, que muitos países começaram a aplicar, mas os Estados Unidos preferiram desenvolver o seu próprio, presumivelmente para uma empresa americana vencer o concurso. Essa política não apenas atrasou o estabelecimento de uma campanha massiva de triagem, mas também o CDC (órgão federal para a proteção da saúde pública, nota do editor) testes distribuídos, que foram encontrados com defeito. Quando pude fazer testes em larga escala, já era tarde demais para impedir a propagação do vírus entre a população.

Deve-se notar que uma das principais vantagens dos testes é que ele permite colocar em quarentena os casos detectados no Covid-19 e as pessoas com quem eles tiveram contato, como vimos na China. ou na Coréia do Sul. Mas para fazer isso, você precisa de um sistema de saúde pública forte, capaz de lidar com o acompanhamento de um grande número de casos. Os Estados Unidos não possuem esse sistema. Em vez disso, temos um sistema de saúde dominado por empresas privadas ou organizações sem fins lucrativos, mas que, no entanto, funcionam como empresas com fins lucrativos. Como resultado, acabamos com um sistema completamente desarticulado, incapaz de acompanhar a progressão de uma epidemia.

Este já era o caso antes da crise nos Estados Unidos; e agora teremos que lidar com o pico da epidemia em cidades como Nova York nas próximas semanas ou meses. O sistema de saúde americano já está completamente sobrecarregado pela pandemia. Enfermeiras de Nova York, por exemplo, já estavam ameaçando greve no ano passado para denunciar a falta de pessoal. Não importa como eles reclamaram, a gerência do hospital se recusou a tomar qualquer ação. Tudo o que importa para eles são custos mais baixos para aumentar os lucros, não importa o quê. Imagino as condições de trabalho atuais agora que a pandemia chegou.

PR Dimanche: Quais são os elos entre a disseminação do COVID-19, a economia capitalista e as políticas de saúde nos Estados Unidos?

Mike Pappas: Esta crise é um exemplo flagrante de como as políticas de mercado que os capitalistas continuamente retratam como benéficas para todos são de fato extremamente prejudiciais. Já em 2016, o governo Obama sinalizou a probabilidade potencial de uma epidemia global em um relatório que aprendeu lições da luta contra o vírus Ebola. Novamente em 2019, uma simulação do Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo Trump, chamada Crimson Contagion, imaginou a possibilidade de uma pandemia global. Agora, se morássemos em um país com um sistema de saúde pública em funcionamento que trabalhasse para preparar e prevenir doenças, seria de esperar, com base nesses dados, que os hospitais tivessem se preparado para tais cenários. Em vez disso, os sistemas hospitalares optaram por suprimentos “just in time” porque a compra antecipada de suprimentos era um investimento não lucrativo.

A lógica do mercado também afeta o financiamento de empresas públicas. Numa sociedade em que o mercado está indubitavelmente reinando, a ideia de que deve haver menos interferência do governo se traduz em uma redução nos orçamentos das empresas públicas. Por exemplo, como o The Intercept informa, o governo Trump não apenas desligou a unidade global de segurança sanitária do Conselho de Segurança Nacional, mas também cortou fundos para organizações como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), que se concentram especificamente na prevenção global de doenças. Em vez de financiar a pesquisa e o desenvolvimento público, essa lógica levou à assinatura de um grande número de contratos de pesquisa com empresas privadas que preferem investir dinheiro no desenvolvimento do próximo medicamento de sucesso, em vez de colocar tratamentos para proteger massivamente a população. Também são essas opções que pagamos hoje.

Mas também devemos considerar o gerenciamento da equipe do hospital. Há algum tempo, a gerência tenta reduzir o máximo possível, pois isso é visto como uma despesa adicional que ameaça os resultados. Infelizmente, esse downsizing é responsável por uma dificuldade muito maior quando se trata de responder a uma pandemia. Agora estamos vendo os diretores do hospital lutando para encontrar funcionários ou fazer com que os funcionários existentes trabalhem até que eles próprios desenvolvam os sintomas, contribuindo para a disseminação do vírus.

Mas se o governo não preparou o sistema de saúde pelas razões mencionadas acima, também tornou a população mais vulnerável. A destruição completa de um sistema de seguridade social é essencial para o funcionamento do sistema capitalista. É vantajoso para os capitalistas reduzir benefícios de desemprego, licença médica paga, etc. porque coloca a classe trabalhadora em uma posição mais profunda de precariedade e vulnerabilidade, além de economizar dinheiro. Quanto mais vulneráveis ​​as populações, mais fácil é explorá-las no local de trabalho, pois elas estão desesperadas para manter seus empregos. Nos Estados Unidos, os trabalhadores devem continuar trabalhando mesmo quando estão doentes.

Finalmente, eu diria que o capitalismo tornou a população mais vulnerável ao vírus e, ao mesmo tempo, tornou as instituições incapazes de responder a ele. O coronavírus é, no entanto, apenas um aviso do que acontecerá se não nos mobilizarmos contra esse sistema. O número de mortes e sofrimentos que se espera do coronavírus não é nada comparado ao que resultará da próxima crise climática. À medida que os capitalistas continuam destruindo o meio ambiente – 100 empresas são responsáveis ​​por 70% das emissões de gases de efeito estufa – veremos o surgimento de novas doenças, mas também o aumento dos conflitos globais, fomes e mortes.

Atualmente, à medida que a crise ocorre em todo o mundo, o governo Trump está trabalhando para reduzir os padrões da Agência de Proteção Ambiental (EPA), para que as empresas possam poluir ainda mais o ar. água todos nós precisamos para sobreviver. Conforme relatado pelo The Intercept, 2,2 milhões de pessoas poderiam morrer nos Estados Unidos se o coronavírus não fosse controlado. O aumento da poluição do ar aumentará o risco de complicações do coronavírus. Não é por acaso que os residentes do Bronx, historicamente afetados por políticas estruturalmente racistas, incluindo poluição ambiental desproporcional, têm duas vezes mais chances de morrer do coronavírus. Os estudos iniciais agora não mostram nenhuma surpresa que pessoas racializadas, em particular as negras, contraiam e morram de coronavírus a uma taxa desproporcionalmente mais alta do que o resto da população. É por isso que é crucial responder à crise com métodos que se opõem diretamente ao sistema econômico capitalista responsável por essa situação.

PR Dimanche: Exatamente, que medidas sociais e econômicas devem ser tomadas nos Estados Unidos para interromper o COVID-19?

Tre Kwon:País após país foi demonstrado que a estratégia mais eficaz para controlar a pandemia é a triagem em massa e o rastreamento de contatos recentes de pessoas infectadas. Essas medidas se mostraram eficazes em países como a Coréia do Sul, por exemplo. Combinadas com o isolamento de doentes e quarentena de casos suspeitos, essas medidas ajudaram a conter todo o país. Nos casos em que o vírus já está circulando na população, como nos Estados Unidos, são necessárias medidas de contenção, mas elas também devem ser combinadas com testes maciços e isolamento dos aglomerados. No entanto, um país como os Estados Unidos que cortou drasticamente o orçamento do sistema de saúde pública ao longo dos anos não pode arcar com as medidas necessárias de triagem e isolamento. Por outro lado, medidas gerais de contenção sem testes são convenientes para o governo, pois não há necessidade de pressionar o setor privado a produzir testes em massa.

Mike Pappas: Diante das dificuldades que enfrentamos, devemos ir contra as regras do capitalismo. Está começando a acontecer em diferentes níveis, agora que os governos capitalistas de todo o mundo percebem que as indústrias não podem e não participarão adequadamente dessa crise. Governos de todo o mundo, como Espanha e Irlanda, estão nacionalizando hospitais para ajudar a combater a crise. Nos Estados Unidos, após muita relutância, Trump usou a Lei de Produção da Defesa Nacional para coagir a General Motors aumentar a produção de equipamentos médicos vitais, como respiradores. Sem essas medidas, os capitalistas mostraram repetidamente sua determinação de permanecer ociosos, esperando uma oportunidade de maximizar seus lucros, enquanto as pessoas morrem.

Mais concretamente, a voz de esquerda [grupo norte-americano vinculado à Revolução Atual Comunista-Revolucionária Permanente Permanente, ndlt] defende um programa de emergência de 10 pontos, descrevendo as medidas imediatas que acreditamos que devem ser tomadas para lidar com a pandemia. Acreditamos que a população deve se mobilizar e exigir medidas como assistência médica gratuita ou o estabelecimento de licença médica de emergência para todos.Também precisamos nacionalizar imediatamente as indústrias em todos os setores quem pode ajudar com a crise e colocá-los sob o controle direto e democrático dos trabalhadores para garantir que sua produção seja usada para administrar a crise. Da mesma forma, são os pacientes e profissionais de saúde que devem controlar o sistema de saúde e como ele funciona, não os CEOs ricos e os acionistas do Conselho de Administração.

PR Dimanche: Como profissionais de saúde em Nova York, quais são suas condições de trabalho no hospital?

Mike Pappas: As condições de trabalho variam de um estabelecimento para outro. Em alguns centros, os funcionários estão equipados com uma máscara N95, que é solicitada a sua utilização por 1 a 2 semanas até ficarem ”  sujos, úmidos ou danificados  “. Em outros, ele recebe equipamentos de proteção individual que ele guarda por um dia inteiro. Qualquer que seja o estabelecimento, a falta de equipamentos de proteção é flagrante. Também há escassez de outros suprimentos, como respiradores, bolsas de infusão, seringas, etc. A falta de respiradores em uma situação em que os pacientes precisam deles para sobreviver significa um aumento inevitável das mortes.

Os profissionais de saúde trabalham longas horas e são constantemente expostos. As unidades de saúde não testam regularmente a equipe quanto ao coronavírus, mesmo sabendo que existem muitos portadores assintomáticos. Embora nunca o admita, isso se deve em parte ao medo da gerência de que muitos funcionários sejam testados positivamente e se retirem da força de trabalho já severamente restrita.

No entanto, os trabalhadores de Nova York retaliam. Enfermeiros, médicos e outros trabalhadores da linha de frente estão planejando ações nos hospitais da cidade para falar sobre a situação atual. Os enfermeiros do Hospital Jacobi, no Bronx, Nova York, organizaram recentemente uma ação para chamar a atenção para as más condições de trabalho. O “Grupo de Trabalho dos Trabalhadores da Linha de Frente Contra o COVID-19”, no qual estou envolvido, organizou recentemente uma ação no Hospital Mount Sinai para chamar a atenção para a falta de equipamentos de proteção individual, os maus protocolos de controle e isolamento de infecções e acordos inadequados de licença médica. Pedimos tolerância zero para retaliação contra funcionários que falaram ou que expressaram raiva.

PR Dimanche: Você pode nos contar mais sobre o movimento de greve descontrolada e a persistência da luta de classes na crise?

Tre Kwon: Você já deve saber que o número de greves nos Estados Unidos aumentou nos últimos dois anos. No ano passado, milhares de enfermeiros dos hospitais de Nova York lutaram por um aumento na equipe. Nossa greve foi sabotada no último minuto pela liderança burocrática de nosso sindicato. Mas agora vemos quão importantes eram nossas demandas para exigir mais funcionários.

Os Estados Unidos, onde pouquíssimos trabalhadores são sindicalizados, particularmente no setor privado, viram uma pequena explosão de ações dos trabalhadores contra a crise. Trabalhadores em vários armazéns da Amazônia em todo o país estão exigindo proteção contra pandemia – durante uma ação em Staten Island, em Nova York, um dos organizadores foi demitido pela empresa. O proprietário da Amazon, Jeff Bezos, ganhou US $ 6 bilhões adicionais desde o início da crise.

Houve ações semelhantes em todo o país, como 1.000 trabalhadores em uma fábrica de frigoríficos do Colorado deixando o local de trabalho ou trabalhadores de saneamento em Pittsburg exigindo melhores proteções. Os trabalhadores da indústria automobilística fecharam as três maiores montadoras com ataques violentos – depois que os líderes sindicais se recusaram a fechar as fábricas. Talvez a ação mais progressista que vimos até agora seja a dos trabalhadores da General Electric em Lynn, Massachusetts, que exigiram que a empresa começasse a fabricar respiradores em vez de fechar fábricas e deixar os trabalhadores desempregados.

PR Dimanche: Que política a esquerda do Partido Democrata está liderando? Os ativistas que se mobilizaram em torno da campanha Sanders, principalmente através da DSA, desempenham um papel nesses novos processos de luta de classes? Quais são as possibilidades para os revolucionários nesta nova situação?

Tre Kwon: Na quarta  feira, Bernie Sanders suspendeu sua campanha pelas primárias do Partido Democrata . Por um ano, a maioria dominante da corrente da DSA, perto da revista Jacobin , garante que Sanders possa ganhar a indicação. Apenas seis semanas atrás, eles proclamaram que os democratas eram “o partido de Bernie agora”. Mas o establishment do partido conseguiu se afirmar e se reagrupar em torno de Joe Biden.

Sanders e outros “socialistas” do Partido Democrata agora farão campanha por Biden – um político que há muito trabalha com segregacionistas, defende empresas de cartão de crédito e aprisiona pessoas racializadas. É por isso que a campanha Sanders não tem nenhum papel na luta contra o coronavírus. A demanda central de Sanders por seguro de saúde para todos é progressiva – mesmo que seja insuficiente e seria necessário mobilizar todos os recursos disponíveis contra a pandemia. Todo o Partido Democrata, incluindo Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez, votou no resgate de US $ 2 trilhões para empresas propostas por Trump.

Isso abre um cenário interessante para os revolucionários. A ascensão do “socialismo milenar” nos Estados Unidos levou a um crescimento explosivo dos socialistas democratas da América [membros do movimento DS]. Toda essa energia foi canalizada para a campanha Sanders. Houve até várias organizações que se consideravam socialistas revolucionárias que seguiram essa onda e se dissolveram nessa corrente reformista. Agora, dezenas de milhares de pessoas que fazem campanha por Sanders há meses estão procurando alternativas. Alguns deles podem estar desmoralizados, mas, diante da próxima crise do capitalismo, muitos outros se radicalizarão. Hoje, o nosso objetivo é construir uma esquerda socialista revolucionária neste país que saiba tirar proveito de toda a energia dessas lutas dos novos trabalhadores e que saiba vinculá-las à perspectiva de uma revolução socialista internacional.

Créditos da foto: Craig Stephens
Artigo publicado originalmente na Ideas de Izquierda
Tradução de Notti Ness e Ines Rossi

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Este artigo foi originalmente publicado pela Revolution Permanent Dimanche [Aqui!].

No Brasil, a próxima pandemia virá na forma de fumaça

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O Brasil sofre neste momento com o crescimento da pandemia causada pelo coronavírus e as próximas semanas deverão ser marcadas por uma quantidade imensa de enterros e cremações, muito em parte pela omissão das forças políticas e instituições em face da postura negacionista que emana do presidente Jair Bolsonaro.

Mas que ninguém pense que o fim da atual pandemia nos permitirá respirar aliviados, pois as informações que nos chegam da Amazônia é que em 2020 será quebrado um recorde no número de áreas novas que passarão por um processo de corte raso das florestas nativas.

Se alguém tiver dúvida disso é só olhar com cuidado a animação abaixo que mostra valores bastante altos para desmatamento para os primeiros meses de 2020 em que ocorrem chuvas contínuas na maior parte da bacia Amazônica.

Antes que alguém pense que isto ocorre por meio de indivíduos que operam à margem da lei, eu diria que os grandes desmatadores amazônicos são normalmente dotados de grandes quantidades de capital que lhes permite comprar máquinas e ferramentas com as quais podem desmatar rapidamente grandes extensões de floresta.

Como o ciclo do desmatamento é seguido pelo das queimadas, a minha previsão é que passado o período chuvoso, o Brasil voltará às manchetes mundiais por causa das grandes extensões de terra que emitirão grossas camadas de fumaça, que anularão todos os ganhos eventuais que estão feitos com a redução das emissões urbano-industriais que vem acompanhando a evolução da COVID-19.

A minha suspeita é que um ambiente  de alta intolerância está sendo criado em muitos países contra o Brasil por causa da forma irresponsável que o presidente Jair Bolsonaro vem tratando da pandemia da COVID-19. Assim, quando as grandes queimadas começarem a revelar o avanço massivo da franja de desmatamento em áreas anteriormente praticamente livres da ação de madeireiros e garimpeiros, é bem provável que o nosso país sofra um isolamento ainda maior do que já está sofrendo. O resultado disso será o aumento da crise econômica e do desemprego.

 

Primeiro ministro da Inglaterra agradece trabalhadores da saúde pública após sobreviver ao coronavírus

johnsonPrimeiro-ministro da Inglaterra, Boris John, agradece aos servidores públicos da saúde por salvar sua vida.

O primeiro ministro da Inglaterra teve seu encontro com a COVID-19 e foi parar em uma unidade de terapia intensiva (UTI) do National Health Service (NHS) (o equivalente ao SUS naquele país). Hoje Johnson saiu do hospital onde se encontrava e fez um agradecimento emocionado aos profissionais que, segundo ele, salvaram a sua vida (ver o vídeo abaixo).

Agora, tendo tido sua vida salva pelo sistema público de saúde, vamos ver se Boris Johnson irá parar seu plano de privatizar o NHS e entregar os hospitais ingleses para as corporações estadunidenses como quer o presidente Donald Trump.

Estou esperando para ver quando o presidente Jair Bolsonaro ou qualquer membro do seu governo virão a público para agradecer o sacrifício que milhares de servidores públicos da área da saúde estão fazendo em nome dos brasileiros em meio a esta pandemia mortal. Por vias das dúvidas, esperarei sentado.

Finalmente, repito os desejos de Boris Johnson ao final da sua fala: Feliz Páscoa e que todos fiquem casa.

 

Mapa mostra principais polos de difusão do coronavírus no Rio de Janeiro

O mapa abaixo é assinado pela Redes Fito (projeto desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz para integrar pequenos agricultores, pesquisadores e a grande indústria para o desenvolvimento dos fitomedicamentos no Brasil) e pelo GeoSaúde (ligada à Escola Nacional de Saúde Pública), e mostra os polos de difusão da COVID-19 em partes do território do estado do Rio de Janeiro.

covid 19 rj

Fonte: página pessoal de Jefferson Pereira na rede social Facebook

É preciso lembrar que este é um mapa dinâmico e que deverá se alterar de acordo com o registro oficial de dados de casos de contaminação. Entretanto, o que o mapa mostra neste momento é que existem 3 polos principais de difusão do coronavirus em território fluminense:

1- Região metropolitana capitaneada pela cidade do Rio que já se difundiu para a Região Serrana (Petrópolis, Teresópolis e Friburgo) indo na direção de Minas Gerais (Juiz de Fora) pela BR-040)

2-Segundo polo de difusão Vale do Paraíba capitaneado pela cidade de Volta Redonda difusão pelas cidades do vale e indo em direção a São Paulo pela Dutra.

3- Polo na região Norte Fluminense capitaneada pela cidade de Campos difusão ainda incipiente e localizada (antigo polo de produção de cana e álcool mantém sua centralidade).

A partir da visualização deste mapa é possível ainda apontar que existem ainda dois polos secundários: um na Costa do sol com as cidades de Rio das Ostras e Macaé (região do petróleo), e o outro polo na Costa Verde capitaneado pela cidade de Angra dos Reis (turismo).  O que fica evidente neste mapa é que os três principais polos de difusão, regiões dotadas de centralidade tanto em relação a economia e serviços como de mobilidade no território fluminense.

Com base neste mapa, eu diria que tanto o governador Wilson Witzel como os prefeitos dos municípios que estão funcionando como polos de difusão deveria atuar com mais energia para conter quebras das regras de confinamento social, de modo a impedir que o processo de difusão continue de alastrando.

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As análises aqui colocadas são em maioria retiradas diretamente da postagem em que Jefferson Pereira difundiu o mapa dos polos de difusão do coronavírus em território fluminense.

Coronavírus no mercado: Harvard alerta para maiores pontos de contágio no local

mercado 1© eldar nurkovic / Shutterstock eldar nurkovic / Shutterstock

A quarentena tem sido uma peça essencial no combate à rápida propagação do novo coronavírus pelo mundo. Manter-se em casa é uma das maiores ações que se pode tomar em prol da saúde de todos, mas, ainda assim, há necessidades que fazem com que as pessoas tenham de deixar o isolamento social, como a de ir ao mercado – mas, para isso, é preciso tomar muito cuidado.

Maior perigo do mercado

Apesar de existirem vários aplicativos que permitem pedir compras a domicílio, o longo prazo dos serviços e a impossibilidade de entregar em alguns locais são alguns dos fatores que fazem muitas pessoas terem de ir à rua para abastecer a casa com alimentos, artigos de limpeza e outros itens essenciais durante a pandemia.

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Neste local, é essencial manter as medidas preventivas recomendadas por órgãos de saúde, como guardar uma distância de ao menos um metro das outras pessoas, usar o braço ou lenço para cobrir o rosto ao tossir ou espirrar, limpar e desinfetar produtos adquiridos ao chegar em casa e evitar tocar o rosto – mas há ainda outro fator que pode estar sendo negligenciado: o carrinho ou a cesta de compras.

De acordo com especialistas da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, estes dois objetos representam um dos maiores pontos de contágio do estabelecimento, justamente pelo fato de que muitas pessoas os tocam diariamente – e várias podem não estar seguindo as medidas preventivas mais importantes, como lavar as mãos com frequência ou usar álcool em gel.

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Há, é claro, quem siga as medidas à risca, mas também é possível que, no mercado, elas tussam, espirrem ou toquem os itens com as mãos contaminadas – e, infelizmente, a maioria destes objetos é feita de plástico ou aço, dois materiais em que o vírus pode permanecer por até 72 horas de acordo com um estudo publicado pelo periódico “The New England Journal of Medicine .

Outro grande risco, de acordo com a universidade norte-americana, é o contato próximo com outros clientes ou funcionários.

Como minimizar os riscos

Para fazer com que a experiência no supermercado não vire um foco de contágio, é importante que você desinfete as partes do carrinho ou da cesta em que se põe a mão. Para isso, alguns estabelecimentos têm oferecido lenços desinfetantes na entrada, mas também é possível levar os seus próprios de casa (bem como um pano e um frasco com álcool 70%).

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Aqui, é importante que os lenços sejam descartados imediatamente após o uso (e o pano, guardado em uma sacolinha para ser lavado em casa). Depois disso, é preciso esperar alguns minutos para que o álcool faça efeito – e, enquanto isso, é importante desinfetar as próprias mãos com álcool em gel para não voltar a contaminar o carrinho.

Após deixar o local, é recomendado limpar as mãos com álcool gel novamente, bem como higienizar a maçaneta do carro e de casa e os itens pessoais que levou com você, como o celular, carteira e até o cartão de crédito.

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Para reduzir o risco de contágio entre pessoas, mantenha uma distância de pelo menos um metro dos outros, inclusive na fila, e tente minimizar suas viagens ao mercado, especialmente nos horários de pico.

Muitas pessoas têm recorrido ao uso de luvas para ir ao mercado, mas elas não oferecem nenhuma proteção extra ao vírus, já que, ao tocarem superfícies contaminadas, ficam tão infectadas quanto as mãos e podem levar o vírus ao organismo do indivíduo caso entrem em contato com o rosto ou mesmo outros objetos pessoais que podem servir de vetor de transmissão, como celular e carteira.

Assim, o melhor é lembrar-se de não tocar o rosto (e também evitar levar o celular ao rosto enquanto estiver no mercado) e higienizar todos os itens pessoais ao chegar em casa.

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Este artigo foi inicialmente publicado pela Microsoft New [Aqui!].

ONU e Fiocruz endossam medidas emergenciais de especialistas em saneamento para conter COVID-19

Documento elenca ações que devem ser executadas pelas prestadoras de serviços públicos de saneamento básico

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Diante da pandemia da Covid-19, é indispensável reconhecer que a disponibilidade de água potável pode ser uma barreira para a contenção da doença no país, uma vez que parte significativa da população brasileira não dispõe desse acesso de forma contínua e segura.

Nesse contexto, o ONDAS – Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento – divulgou documento (carta sociedade brasileira) que demanda do poder público, incluindo reguladores e prestadores de serviços públicos de saneamento básico, a implementação de 10 medidas emergenciais e estratégicas para minimizar impactos da “crise do novo coronavírus” à população mais vulnerável.

A Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz, por meio do Grupo de Trabalho Água, Saneamento e Saúde da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção de Saúde, subscreva1medidaemergenciais e ressalta que elas “devem ser norteadoras de Planos de Contingência e Emergência, a serem executados pelas prestadoras de serviços públicos de saneamento básico, sob determinação e apoio das instâncias municipais, estaduais e federal do poder público”.

Também o Relator Especial dos Direitos Humanos à Água e ao Esgotamento Sanitário da ONU, Leo Heller, destaca a importância das medidas e faz um alerta: “A Carta Aberta do ONDAS traz uma oportuna e fundamental advertência: a pandemia do Covid-19 impõe novas responsabilidades para os prestadores de serviços de saneamento. Caso esses prestadores, sejam estaduais, municipais ou privados, continuem a agir como em tempos normais, deixarão de proteger a vida das pessoas em maior vulnerabilidade. É momento de o Brasil se aproximar dos direitos humanos à água e ao saneamento.”

 As 10 medidas emergenciais

As medidas abrangem aspectos de saúde pública e econômicos, que vão desde a suspensão no corte de fornecimento de água por inadimplência ao cancelamento das manobras de redução da pressão de redes de água que abastecem comunidades, favelas e periferias, passando por políticas públicas para assegurar o abastecimento de água, esgotamento sanitário e disponibilidade de equipamentos para higiene pessoal em asilos, residências comunitárias, presídios e população em situação de rua.

Os especialistas do ONDAS enfatizam que, em termos de saúde pública, não existe uma linha que separe os setores mais vulneráveis dos demais, ou seja, o impacto diferenciado da crise em grupos mais vulneráveis afeta indistintamente toda a sociedade, sendo a prevenção de interesse geral.

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