FGV Social lança a pesquisa “Percepções da população de políticas públicas portadoras de futuro na pandemia”

Desigualdade de Saúde, Educação e Meio-Ambiente – Situação do pobres piora mais aqui, mas não em outros países

pos pandemia

A pandemia do COVID-19 talvez seja o maior choque global já observado pois afeta de maneira marcada o dia a dia das pessoas ao redor do globo terrestre. O Brasil é um país cuja distribuição de renda reflete na sua média e desigualdade características similares as do mundo. Será que a pandemia afetou mais o Brasil que outros países? Quais os grupos de renda foram mais afetados pela pandemia? Os segmentos mais pobres, médios ou os mais ricos? Como a História muda em diferentes dimensões de performance social?

Esta pesquisa lança mão de dados internacionais do Gallup World Poll para aferir o impacto relativo da pandemia sobre a percepção da população em relação a uma miríade de temas ligados a políticas públicas determinantes de perspectivas futuras tais como saúde, educação, e meio ambiente. Comparamos a performance brasileira nestas dimensões com a de um grupo de 40 países (média simples), contrastando resultados colhidos durante a pandemia com os observados logo antes da mesma. De maneira geral, a pesquisa revela piora da média no Brasil muito maior que a do conjunto de outros países na avaliação dos sistemas de saúde e de ensino e com outras pautas portadoras de problemas futuros como a preservação de meio ambiente, o cuidado com as crianças e com a sua capacidade percebida de aprendizagem. Além da maior perda média em todos os cinco indicadores subjetivos, houve aumento de desigualdade no Brasil. Ou seja, a piora social brasileira foi mais forte entre os segmentos de renda mais baixos em relação aos segmentos mais altos. A pesquisa revela uma igualmente robusta redução de desigualdade destas dimensões no conjunto de 40 países analisados. Isto faz que a piora social entre os mais pobres no Brasil, seja mais acentuada em termos relativos aos globais do que em termos absolutos.

Política de Saúde

A população satisfeita com a atenção à saúde mostra uma deterioração de cinco pontos percentuais no Brasil e um aumento de 1,05 ponto percentual no grupo controle, deixando uma queda líquida relativa de 6,05 pontos percentuais para o Brasil. A média geral da satisfação com o sistema de saúde não só piora no Brasil e melhora no mundo, como a piora Brasileira e a melhora mundial são ambas puxadas pelos 40% mais pobres não com queda da qualidade percebida da saúde de -10.5 pontos percentuais, oposto do que foi observado no resto do mundo que sobe 2.28 pontos. A situação dos 40% mais ricos não se alterou muito em ambos universos geográficos.

Política Educacional

A parcela de pessoas satisfeitas com o sistema educacional caiu de 56% em 2019 para 41% em 2020, uma redução de 15 pontos percentuais. Enquanto no grupo controle a média caiu de 63,98% em 2019 para 60,20% em 2020, uma redução de 3,78 pontos percentuais. Isso significa que o Brasil perdeu 11,23 pontos percentuais em relação à média internacional, aumentando a diferença de satisfação educacional entre Brasil e Mundo. A desigualdade interna brasileira aumentou pois a queda da proporção de satisfeitos com a política educacional no Brasil da pandemia é maior entre os 40% mais pobres (-22 pontos) do que nos segmentos mais altos (-8 pontos). Mais uma vez o oposto ocorre em escala global. Este mesmo padrão de piora media maior e aumento de desigualdade brasileira se repete para percepção de aprendizado assim como de tratamento respeitoso com as crianças. Saímos de uma despiora educacional para uma desmelhora na pandemia, na contramão internacional.

Política Ambiental

O nível de satisfação medido pela proporção de satisfeitos com a política ambiental no Brasil cai de 28% em 2019 para 22% em 2020. Esta queda geral de 6 pontos percentuais contrasta com o aumento de quase um ponto (0,97%) de porcentagem global que passa de 48,23% em 2019 para 49.2% em 2020. Logo a diferença em diferença na pandemia cai 6.98% pontos de porcentagem no Brasil vis a vis o mundo no período pandêmico. Na análise distributiva das percepções de políticas ambientais é notável a maior piora dos mais pobres brasileiros, em contraste com melhoras globais.

De maneira geral, a pesquisa revela piora da média no Brasil muito maior que a do conjunto de outros países na avaliação dos sistemas de saúde e de ensino e com outras pautas portadoras de problemas futuros como a preservação de meio ambiente, o cuidado com as crianças e com a sua capacidade percebida de aprendizagem. A piora social brasileira foi mais forte entre os segmentos de renda mais baixos em relação aos segmentos mais altos. A pesquisa revela uma igualmente robusta redução de desigualdade destas dimensões no conjunto de 40 países analisados. Ou seja, a desigualdade aumentou aqui mas caiu alhures.

Veja a pesquisa completa no site:

https://cps.fgv.br/PoliticasPandemia

Veneno de cobra contra a COVID-19: toxinas presentes no veneno da Jararacuçu mostram alta eficiência para conter o coronavírus

Proteína da mistura de toxinas de uma jararaca-lança funciona em laboratório

jararacussuO veneno do Bothrops Jararacussu poderá em breve ser usado na luta contra o vírus corona. Foto: wikimedia.com

Por Norbert Suchanek para o “Neues Deutschland”

Bothrops Jararacussu é uma das maiores cobras venenosas da América do Sul. Sua principal área de distribuição é a Mata Atlântica , que se estende do sul ao nordeste do Brasil. Embora já tenha sido reduzido para cerca de 90%, o veneno da cobra que vive lá pode salvar vidas humanas. Pesquisadores brasileiros descobriram uma molécula nas toxinas dessa espécie de jararaca que retarda a reprodução do novo coronavírus Sars-CoV-2 e pode, portanto, ser a base de um fármaco promissor.

Uma equipe de pesquisadores de universidades do estado de São Paulo isolou uma miotoxina chamada Bothropstoxin-I do veneno de Jararacussu e examinou mais detalhadamente um de seus componentes, o chamado peptídeo. Em testes com células de macaco, o peptídeo identificado, que não é tóxico para humanos, inibiu a capacidade do vírus mortal de se multiplicar em 75%, de acordo com o estudo publicado recentemente na revista Molecules .

O grupo de pesquisa já havia identificado toxinas antibacterianas no veneno de Jararacussu em um estudo anterior, explica o líder do estudo Eduardo Maffud, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Devido ao avanço da pandemia de COVID-19, queríamos ver se os peptídeos do veneno de cobra também funcionam contra Sars-CoV-2.” Uma possível droga com base nisso poderia dar ao corpo mais tempo para admitir anticorpos ao inibir a proteína 19 forma de patógeno para resistir à doença. Dependendo da dosagem, a molécula também pode proteger as células do vírus e, assim, até mesmo impedir que o patógeno entre no corpo.

Mas mais estudos são necessários para isso. Uma das próximas etapas serão os testes in vitru, ou seja, experimentos com animais – em camundongos, por exemplo. Maffud afirmou que: “Se o resultado for positivo, vamos desenvolver um tratamento.”

Além de cientistas da UNESP, também participaram do estudo pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Bothrops Jararacussu é uma cobra majestosa e poderosa. Possui mais de dois metros de comprimento, sendo a segunda maior cobra venenosa do Brasil. Seu nome brasileiro Jararacuçu vem da língua indígena Tupi. Seu coquetel de veneno mortal enriquecido com miotoxinas, que ela injeta no corpo de suas vítimas com dentes venenosos particularmente longos, reduz a coagulação do sangue e danifica o sistema cardiovascular. Além disso, pode causar hemorragia cerebral, sangramento no trato digestivo, insuficiência renal e danos aos tecidos – até necrose e cegueira. Embora seu habitat, a Mata Atlântica, tenha sido amplamente destruído há décadas, ela não está na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção no Brasil.

compass

Este texto foi inicialmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Anvisa, que procrastina a liberação de vacinas e permite enxurrada de agrotóxicos banidos, para Brasil e Argentina em estilo pastelão

anvisa para jogo

Já notei neste blog a dualidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no tratamento da liberação de vacinas e agrotóxicos, sendo lenta e estrita para as primeiras e rápida e liberalíssima na liberação de agrotóxicos banidos em outros países.  Mas agora a Anvisa atingiu um patamar com ares de pastelão ao interromper o jogo entre Brasil e Argentina que era válido pelas eliminatórias da Copa FIFA de 2022 que deverá ser realizada no Qatar.

A cena digna de um filme pastelão tipo B dos agentes da Anvisa entrando de forma atabalhoada no gramado do estádio do Corinthians é daquelas de cobrir ainda mais de vergonha um país que já chafurda na completa vergonha no tocante ao enfrentamento da pandemia da COVID-19, inclusive com medidas singulares da própria Anvisa no sentido da frouxidão em que estamos neste momento na maioria do território brasileiro.

A questão envolvendo os 4 jogadores argentinos que teriam entrado no Brasil sem declarar procedência do Reino Unido em desobediência aos protocolos sanitários impostos pela Anvisa para estrangeiros chegando de países considerados como sendo de alta restrição poderia ter sido resolvida na chegada deles no aeroporto. Após a passagem deles pelos pontos de controle da Polícia Federal, restaria ainda a realização de testagens desde o momento em que entraram em território brasileiro, sendo que inexiste informação de que isto tenha sido feito pela Anvisa, pela CBF ou pela FIFA.

Eu só espero que a ação estrepitosa da Anvisa deste domingo ocorra nas manifestações que estão sendo convocadas pelos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro para a próxima 3a. feira (07/09). É que, com toda certeza, a chance de que haja disseminação do novo coronavírus será muito maior nas ruas do que foi nos poucos minutos em que a bola rolou na Neo Química Arena. 

 

Dia da Amazônia: Como o desmatamento da maior floresta tropical do mundo interfere na saúde da população?

COVID-19 e outras doenças chegam até nós como consequência da degradação ambiental

unnamed (37)

Crédito: Tomáš Dohnal (Pixabay)

O Dia da Amazônia é celebrado em 5 de setembro por ser a data de criação da província do Amazonas, por Dom Pedro II em 1850. A data busca chamar atenção para o bioma que é a maior floresta tropical do mundo, reforçando a necessidade de sua preservação e do uso sustentável das matérias primas que a floresta propicia. O assunto é de extrema importância, não só pela vida dos seres vivos que ali habitam, mas também para a saúde ambiental do planeta e do ser humano.

A degradação ambiental ocorre há anos, e cada vez mais vemos de perto como esse descaso com as florestas interfere diretamente na vida da população. Estudos científicos já atestaram que o desmatamento gera uma cadeia de acontecimentos complexos, criando meios para que diferentes patógenos mortais se espalhem entre os humanos. Doença de Lyme e a malária, por exemplo, surgiram a partir daí.

São 40 mil espécies de plantas, milhões de insetos e 400 mamíferos que estima-se ter na Amazônia, floresta que ocupa sete milhões de quilômetros quadrados e faz parte de nove países da América do Sul. O especialista em Gestão de Resíduos Sólidos e fundador da Oceano Resíduos, Rafael Zarvos, alerta a necessidade das pessoas entenderem que desmatamento e doenças estão relacionados.

“Infelizmente, somos a única espécie capaz de destruir e de ameaçar a nossa própria sobrevivência. A forma como a sociedade está transformando o meio ambiente e reduzindo os habitats naturais, faz com que animais silvestres e seres humanos se aproximem. Isso potencializa o risco de transmissão de variados patógenos da espécie deles para a nossa”, explica Zarvos.

Doenças como a zika, que somada a dengue e chikungunya contabilizaram um aumento de 248% do número de casos no ano de 2019, é exemplo de enfermidade que veio da cena rural para a urbana pelo avanço do desmatamento em áreas florestais. “A destruição da natureza coloca em risco a nossa própria existência. O coronavírus, por exemplo, responsável pela pandemia que vivemos, é fruto do contato de humanos com morcegos”, destaca Rafael.

Em relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), é possível ver que a cada quatro meses o ser humano tem uma infecção originária de problemas relacionados ao meio ambiente, e que 75% das doenças são de origem animal. O consumo de carne crua de animais silvestres, o desmatamento, as mudanças climáticas e o tráfico ilegal de animais silvestres são fatores que contribuem para facilitar o contágio de seres humanos por patógenos que vivem na natureza e nas espécies que ali habitam.

“Cientistas especulam que o vírus que desencadeará a próxima pandemia já está em circulação, é só uma questão de tempo até sermos atingidos. Isso prova que está mais do que na hora de prestarmos atenção no consumo de produtos, além de pequenos hábitos do dia a dia que podem ser cruciais para ajudar o meio ambiente e a nós mesmos”, finaliza o especialista.

Sobre a Oceano

A Oceano é uma empresa de gestão de resíduos e coleta inteligente, responsável pela correta destinação do lixo produzido no nosso dia a dia. Nossa gestão é focada, principalmente nos chamados micropoluentes, substâncias de uso comum em nosso dia a dia que constituem uma ameaça emergente à qualidade de águas, rios, lagos, reservatórios, mares e oceanos, uma vez que inexiste tecnologia para remoção destas substâncias provenientes de esgotos sanitários e hospitais, com coleta domiciliar e planos adequados para cada necessidade.

Fuzil ou feijão, o que a maioria dos brasileiros quer? Jair Bolsonaro prefere fuzil porque não lhe falta feijão

feijao-preto

A pandemia da COVID-19 vem aumentando o número de pessoas sem emprego e sem casa, trazendo consigo um aumento acelerado das pessoas que estão passando fome no Brasil.  Essa situação deveria sensibilizar a todos os brasileiros, mas pelo menos um parece estar passando ao largo da miséria de milhares de famílias brasileiras, o presidente Jair Bolsonaro.

É que, aproveitando o cercadinho preenchido com apoiadores, o presidente do Brasil aproveitou esta sexta-feira para fazer uma propaganda da compra de fuzis, enquanto chamava de idiotas aqueles que demandam ações para que o brasileiro possa comprar um item que até recentemente era básico na dieta dos brasileiros, o feijão (ver vídeo abaixo).

Erro
Este vídeo não existe

Ao se buscar o preço do fuzil 762, o que aparente ter a preferência de Jair Bolsonaro, o preço não sai por menos do que R$ 12 mil, ainda que este este possa ser vendido em 12 parcelas, mas ao preçode R$ 14.417,90.

Aí aparece a questão: o que será que a maioria dos brasileiros, e não a maioria de apoiadores que preenchem os cercadinhos abertos por Jair Bolsonaro para reverberar sua agenda política: fuzil ou feijão?

Antes que eu me esqueça: no mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro fazia propaganda de fuzil e criticava quem quer feijão na mão dos brasileiros,  uma de suas ex-esposas, Ana Cristina Valle, que é investigada no conhecido “Esquema das Rachadinhas” da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) se mudou para uma mansão de R$ 3,2 milhões na região do Lago Sul em Brasília para supostamente ajudar os negócios do seu filho Jair Renan a deslanchar.  Com certeza nessa mansão não deverá faltar feijão. 

Especialistas debatem vacinação contra COVID-19 na Amazônia

mortalidade-COVID-19-indígenas-810x487

Nesta quinta-feira, 26, acontece o 1º  Encontro de Palestras Temáticas da Comissão Geral da Aliança COVID Amazônia. O evento traz especialistas para debater sobre as atualizações mais recentes acerca do tema da vacinação no Brasil e no mundo. O evento acontece online.

Com mediação da gestora da Aliança Juliane Menezes, os palestrantes também abrirão uma rodada de perguntas para os presentes. São eles, o Dr. Bernardino Albuquerque, médico especializado em doenças infecciosas, epidemiologia e saúde pública, professor assistente da UFAM, pesquisador adjunto da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado e membro do Comitê Orientador do SUS na Floresta (Programa Saúde na Floresta – FAS).

A pesquisadora Laila Blanc, mestranda do Núcleo de Neurociências da UFMG e membro da iniciativa digital União Pró-Vacina. E também a Dra. Larissa Brussa, que é doutora em Genética e Biologia Molecular pela UFRGS, coordenadora Estadual (RS) do Movimento Biotecnologia Brasil, membro e divulgadora científica da Rede de Análise de COVID-19, da Campanha Todos pelas Vacinas e da União Pró-Vacina.

O encontro faz parte da agenda de reuniões mensais da Comissão Geral da Aliança COVID Amazônia, que já está na 29ª edição. A reunião poderá ser acessada através da plataforma Zoom.

Sobre a Aliança COVID Amazônia

A “Aliança dos Povos Indígenas e Populações Tradicionais e Organizações Parceiras do Amazonas para o Enfrentamento do Coronavírus” é uma rede de organizações indígenas e indigenistas que vem fazendo uma forte articulação em busca de recursos, financeiros e materiais, para atender as particularidades de cada região da Amazônia no combate ao coronavírus desde o início da pandemia. Serviço:

1º  Encontro de Palestras Temáticas

Comissão Geral da Aliança COVID Amazônia

Dia: 26/08

Horário: 16h (Brasília)

Onde: https://bit.ly/2Woqfrc

Como a COVID-19 afeta pessoas vacinadas e não vacinadas

earth vaccine

Por Katharina Buchholz para a Statista

Embora o CDC tenha parado de relatar infecções  que não terminam em hospitalização, o Departamento de Serviços de Saúde de Wisconsin começou recentemente a publicar a análise de novas infecções por COVID-19 entre pessoas vacinadas e não vacinadas. Embora os números sejam apenas um instantâneo de um estado e um mês, neste caso julho, eles dão uma impressão de como as taxas de infecções, hospitalização e mortalidade diferem entre vacinados e não vacinados.

Em julho de 2021, cerca de 125 infecções emergentes aconteceram por 100.000 habitantes de Wisconsin vacinados, em comparação com cerca de 369 casos por 100.000 habitantes do estado que não haviam sido totalmente vacinados. Em uma taxa de vacinação de cerca de 50 por cento no estado em julho, isso significa que cerca de 3 em 4 novos casos ocorreram em pessoas não vacinadas. Isso teria tornado as vacinas COVID-19 no estado 66 por cento eficazes na prevenção da infecção em condições do mundo real opostas a pessoas não vacinadas, pois para cada três habitantes de Wisconsin não vacinados que foram infectados com COVID-19, duas pessoas vacinadas foram poupadas de uma infecção, assumindo que ambos os grupos tiveram, em média, a mesma exposição ao vírus.

Quando se trata de hospitalizações e mortes, as diferenças nos resultados para pessoas vacinadas e não vacinadas foram ainda maiores. Cerca de quatro em cada cinco hospitalizações por COVID-19 ocorreram em pessoas não vacinadas em Wisconsin, traduzindo-se em uma eficácia da vacina de 73 por cento na prevenção de hospitalizações. Para prevenir a morte, as vacinas provaram ser 91 por cento eficazes, pois apenas um em cada doze habitantes de Wisconsin que sucumbiram ao COVID-19 foi vacinado.

A eficácia das vacinas COVID-19 varia de estudo para estudo, visto que não são realizadas em um laboratório, mas no mundo real, onde as condições variam. A eficácia também difere dependendo da população à qual a vacina é administrada, além do fato de que se espera que a eficácia das vacinas COVID-19 diminua com o tempo e quando confrontada com uma mutação de coronavírus de alta carga viral como a variante Delta. Uma lista de diferentes estudos de eficácia, a maioria deles realizada logo após a vacinação completa, pode ser encontrada no site do CDC.

statista

fecho

Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo site Statista [Aqui!].

Delta exige intervalo mais curto entre doses de vacina, sugere estudo

delta vacinaFoto: JEFFERSON PEIXOTO / SECOM – SALVADOR

bori conteudo

Em regiões de prevalência da variante delta do novo coronavírus, o intervalo entre doses de vacina de Covid-19 precisa ser mais curto do que doze semanas para que se tenha um controle efetivo da pandemia. É o que sugere modelo matemático desenvolvido pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) a partir de dados preliminares da eficácia da vacina para a variante delta. A ferramenta está descrita em artigo publicado na PNAS na quinta (18).

A tecnologia, criada pelo grupo ModCovid-19 com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Universidade de São Paulo (USP) projeta tempo seguro e ideal entre doses para controle da pandemia, a partir de dados de eficácia de vacinas. Ele mostra que vacinas com menos de 50% de eficácia na primeira dose precisam de um intervalo menor de aplicação do que vacinas com taxas de eficácia maiores. Alimentada com estudos prévios sobre eficácia dos imunizantes, a tecnologia indica quando é possível adiar as doses e quando se atinge o máximo possível de proteção.

“O próprio algoritmo decide quando é melhor aplicar a segunda dose, levando em conta a primeira, de maneira a controlar o mais rápido possível a pandemia”, explica Paulo José da Silva e Silva, co-autor do estudo. Por isso, a ferramenta, que está disponível on-line, pode ajudar nas tomadas de decisão durante o processo de imunização da população brasileira e de outros países.

Paulo lembra que quando o artigo foi escrito, em fevereiro desse ano, a principal pergunta era se valeria a pena adiar a segunda dose e qual a maneira mais segura de se fazer isso, em virtude da quantidade limitada de doses. Nesse sentido, o estudo teve como base a fabricante Astrazeneca e concluiu que o percentual de eficácia entre a primeira dose e segunda era muito pequeno e por isso, comprovadamente, valeria a pena esperar e vacinar mais gente com 1ª dose.

Agora, com o avanço da variante delta em algumas regiões do Brasil e do mundo, as estratégias de vacinação podem ser revistas a partir deste modelo.  “Se você está em um lugar onde ela é a variante prevalente, a eficácia da primeira dose, pelas primeiras estimativas que estão saindo agora, é muito menor do que era com a alfa, então muda a relação da eficácia entre primeira e segunda dose. Essas análises confirmam que a decisão é delicada e que tem que ser feita de maneira sistemática”, observa Paulo.

fecho

Este texto foi originalmente publicado pela Agência Bori [Aqui!].

Reitora da Unifesp ressalta importância das duas doses da vacina contra a COVID-19

Apenas 28% dos brasileiros tomaram a segunda dose da vacina e mais de 7 milhões de pessoas ainda não voltaram para tomar a segunda dose, além disso a variante delta está crescendo e a falta de vacinação, preocupa. Para garantir mais proteção à população e a volta das atividades, é preciso avançar com a segunda dose

SEFUNDA DOSE

“Precisamos continuar a vacinação e agora nos sentimos cada vez mais confiantes, mas ainda falta muito para termos segurança”. É o que afirma a professora Soraya Smaili, farmacologista da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, coordenadora do Centro de Saúde Global da Universidade e do Centro SOU_CIENCIA e reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) no período 2013-2021.

A professora reforça a importância da segunda dose da vacina contra Covid-19. “Agora são 109 milhões de pessoas que receberam a primeira dose e chegamos a 70% da população, mas, temos que avançar mais na imunização, pois a vacinação com duas doses e com dose única da Janssen chegou a apenas 46 milhões, o que corresponde a 28% da população, a pandemia está longe de acabar”. 

A especialista ressalta os números de vacinados, mas pontua também que “podemos atingir um cenário ainda mais favorável se as pessoas atentarem para tomar a segunda dose. Isso porque um levantamento recente mostrou que mais de 7 milhões de pessoas não voltaram para receber a segunda dose. A vacinação completa será mais efetiva para combater a doença e evitar o surgimento de novas variantes”.

Soraya comenta que o avanço da variante delta no Brasil também preocupa pois em quatro semanas triplicou o número de casos com esta variante, de acordo com os dados do Gisaid, que reúne informações de 172 países. Além disso, fala-se agora no surgimento da variante Gama plus (a Gama que é a variante predominante no Brasil e que poderá se fortalecer). Para evitar o surgimento de novas variantes, é preciso acelerar a vacinação. “Se o Ministério antecipar a segunda dose da vacina da Pfizer, poderá ajudar muito, pois quanto mais rápido chegarmos à vacinação, mais rápido sairemos da pandemia, pois ela não acabou. Queremos a volta às aulas com segurança, bem como outras atividades. Para isso é preciso continuar avançando na vacinação, sem abandonar a máscara”. 

Apesar de nenhuma vacina oferecer proteção total contra doenças, no caso da COVID-19 todas diminuem o risco de contágio, internação e óbito. Os efeitos são garantidos sobretudo após a segunda dose do imunizante. “Por isso temos que combater a epidemia da desinformação. Os negacionistas se aproveitam até da perda de um grande ator, como o Tarcísio Meira, para desinformar a população. Tentam passar a informação de que as vacinas não funcionam, o que não é verdade. O fato é que nenhuma vacina protege totalmente, além disso, é preciso continuar usando a máscara e evitar aglomeração, não podemos facilitar”, afirma Soraya.

O que podemos fazer com o crescimento da Delta ou o surgimento da Gama plus e outras variantes de preocupação?

Vacinação é fundamental para evitar hospitalizações, sequelas e a morte pela Delta. A chance da pessoa vacinada ter sintomas é 8 vezes menor e a chance de hospitalizações é 25 vezes menor.

Além disso, a vacina pode proteger dos efeitos prolongados da COVID, que atingem 20% dos adultos, principalmente no que diz respeito memória, cansaço físico e mental entre outras sequelas. 

Enquanto não se define a necessidade da terceira dose, temos que tomar a segunda dose e continuar usando as máscaras corretas! Atenção nos locais com maior exposição, menos pessoas vacinadas e que não usam máscaras. 

Qualquer pessoa que teve COVID-19, mesmo da forma grave, deverá receber a vacinação. Os estudos mostram uma melhora da resposta imune com a vacina. 

COVID-19 nos EUA: hospitais lotam novamente em estados com baixos níveis de vacinação

vacinação eua
Por Katharina Buchholz para o Statista
 Hospitais em alguns estados dos EUA com baixas taxas de vacinação, por exemplo Louisiana, estão se enchendo mais uma vez de pacientes com coronavírus infectados com a variante Delta.

Uma comparação de dados de hospitalização dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças e números de vacinação coletados por Our World in Data mostra que as hospitalizações tendem a ser significativamente maiores nos estados dos EUA, onde um grande número de pessoas não vacinadas permanece.

25489

Dos cinco estados menos vacinados de acordo com o Our World in Data e os números de 2020 do US Census Bureau, quatro experimentaram níveis elevados de hospitalizações. Louisiana, onde mais de 60% permanecem não vacinados, teve o segundo maior nível de hospitalizações COVID-19 no país em 520 para cada milhão de habitantes. Alabama e Mississippi, onde cerca de dois terços ainda não estão totalmente vacinados, ficaram logo atrás, com 446 e 473 pacientes com coronavírus no hospital por um milhão de pessoas. Apesar das baixas taxas de vacinação, a situação era menos tensa no pouco povoado Wyoming.

A Flórida, onde apenas cerca de metade da população não está totalmente vacinada, apresenta atualmente o maior número de pacientes hospitalizados com COVID-19, com 648 por milhão de pessoas. Os melhores estados vacinados, localizados na Costa Leste, não experimentaram tais surtos perigosos de infecções por coronavírus. Apesar de também ter entre 34 e 40 por cento de residentes não vacinados, as internações hospitalares permaneceram na casa dos dois dígitos.

fecho

Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pela Statista [Aqui! ].