UFRJ emite nota sobre os problemas da qualidade da água provida pela Cedae na região metropolitana do Rio de Janeiro

A pedido da Reitoria, grupo de docentes da UFRJ elaborou nota técnica contendo constatações e recomendações

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Estação de Tratamento da Água do Guandu – foto: Divulgação/Governo RJ

Face aos questionamentos recentes sobre a qualidade da água potável distribuída para consumo na Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ) e cientes da responsabilidade acadêmica e social que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) tem com toda a população, a Reitoria da UFRJ solicitou a um grupo de docentes que desenvolve suas linhas de pesquisa em assuntos relacionados à ecologia aquática, recursos hídricos, saneamento e saúde pública, a elaboração de nota técnica contendo constatações e recomendações.

1. Há uma evidente degradação ambiental nos mananciais que são utilizados para abastecimento público da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Essa degradação compromete a qualidade da água, dificulta seu tratamento e pode colocar em risco a saúde pública.

2. A companhia de saneamento é responsável pelo controle da qualidade da água tratada, respeitando as resoluções legais. A vigilância da qualidade da água é de responsabilidade do setor da Saúde (Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais da Saúde), que deve garantir a segurança e qualidade da água a ser distribuída para a população.

3. A população não deve ser responsabilizada para identificar se a água está ou não adequada ao consumo. Além disso, sem que haja identificação e esclarecimento de uma eventual contaminação, a população também não poderá ser induzida a consumir água mineral ou de qualquer outra fonte. Não atender a essas considerações propicia um cenário que piora a segurança da água, além de ser socialmente injusto, pois impõe um gasto extra para o consumidor que deveria ser atendido de forma adequada pela rede de distribuição.

4. A falta de informações claras e precisas também configura um cenário de insegurança. É necessário que haja transparência imediata da real situação da qualidade da água distribuída para consumo pela população do Rio de Janeiro e que os setores responsáveis pelo controle e vigilância da qualidade atuem de forma coordenada, cooperativa e rápida para garantir água segura e de qualidade, conforme determina a legislação.

5. Enquanto a recuperação adequada dos recursos hídricos utilizados para abastecimento público não for realizada, a perspectiva de recorrência de crises semelhantes num futuro próximo é bastante provável. Sendo assim, os investimentos necessários para essa recuperação não podem ser adiados e devem ser considerados prioritários e estratégicos.

Mais detalhes sobre esses aspectos podem ser encontrados na nota técnica. Leia na íntegra aqui.

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Este artigo foi inicialmente publicado pela Assessoria de Imprensa do Gabinete da Reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) [Aqui!].

Em São Paulo, desperdício da água volta aos níveis pré-crise hídrica

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Recuperado da crise hídrica que quase secou seus principais reservatórios em 2015, o estado de São Paulo parece ter aprendido muito pouco com o sufoco por que passaram milhões de pessoas, especialmente na sua capitale em sua região metropolitana.

Pelo menos isso é o que pode se depreender quando se verifica que os níveis de desperdícios existentes na rede de distribuição da Sabesp voltaram ao valor d0 ano de 2015, em contraste com 2016 quando medidas de contingenciamento foram adotadas para impedir uma crise total de abastecimento (ver figura abaixo).

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Para que se tenha ideia do desperdício, o montante de litros perdidos em vários pontos da rede de distribuição da Sabesp equivale ao volume da represa de Guarapiranga!

Mas em vez de investir em mudanças estruturais no sistema de captação e distribuição, bem como no processo de educação dos usuários (principalmente o “agrobusiness” que responde por mais de 70% do consumo), o governo de Geraldo Alckmin continua apontando na direção de custosas transposições como a dos Rios Paraíba do Sul e Itapanhaú (Aqui!).

É preciso frisar que essas transposições além de não resolver o problema da escassez hídrica estrutural que continua rondando o estado de São Paulo, ainda cria outros de natureza social e ambiental.

Toda essa indisposição para soluções estruturais se deve ao fato de que a prioridade no modelo de gestão da Sabesp está na distribuição de juros aos seus acionistas, e não no sentido de evitar que a crise de 2014-2016 volte a se repetir. 

Com tanto desprezo para olhar o problema dentro da escala que deveria ser tratado, não será nenhuma surpresa que o caos hídrico volte a se instalar em São Paulo num futuro muito distante. 

Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental/ES promove evento para discutir alternativas para a crise hídrica

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A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES-ES estará realizando o XI SESMA – Seminário Estadual sobre Saneamento e Meio Ambiente e o I Workshop Internacional de Biorremediação de Áreas Contaminadas, idealizado pelo Departamento de Engenharia Ambiental do Centro Tecnológico – DEA-CT, da UFES.

O evento será realizado nos dias 20 e 21 de agosto, das 8h às 18h, no auditório do CCJE, na UFES, em Vitória – ES, com o tema: “Água – Desafios Atuais e Futuros, Nanotecnologia e Membranas Filtrantes”.

Mais informações:
www.abes-es.org.br/evento
eventos@abes-es.org.br
(27) 9.9699-4224

A crise da água está instalada no Brasil. E tudo indica que ela poderá alcançar proporções épicas

A edição deste sábado (30/07) o jornal Tribuna do Cricaré traz uma interessante matéria sobre as redes de solidariedade que foram formadas na cidade de São Mateus para garantir que a maioria de sua população não dependa da água salobra que está sendo fornecida pela empresa municipal de águas e esgotos, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) (ver imagem abaixo).

são mateus

A 4.145 km de distância de São Mateus, a cidade de Rio de Branco, capital do estado do Acre, vivencia os efeitos da maior seca da história do Rio Acre. Isto já resultou na decretação de um estado de emergência e a ameaça de racionamento no fornecimento de água por parte da população de Rio Branco (Aqui!

À esquerda, o principal ponto de captação no Rio Acre. À direita uma visão aérea da calha do rio, mostrando os efeitos da diminuição da sua carga hídrica.

A pergunta que se segue a estes dois casos é a seguinte: em quantas cidades brasileiras, inclusive capitais, temos este cenário de comprometiment ono fornecimento de água, seja por falta ou por algum tipo de contaminação? A inexistência de um esforço concentrado a partir das diferentes esferas de governo torna difícil obter uma resposta confiável. Mas a minha hipótese é de que o cenário é mais comum do que o indicado pelo senso comum vigente. Tanto isso é verdade que no estado de São Paulo estamos vendo o planejamento de diversas obras para garantir o abastecimento na região metropolitana da sua capital.

Por outro lado, mudanças como a realizada no Código Florestal que aumentaram a permissividade para a remoção da cobertura florestal,  bem como a permissão para a instalação de diversos minerodutos que consumem grandes de água em sua operação. ao mesmo tempo, os órgãos ambientais e a própria legislação que eles deveriam proteger estão sofrendo um processo de precarização, em nome de um modelo mais célere de crescimento econômico. A combinação desses fatores aponta para a possibilidade de que tenhamos em breve a ocorrência de uma crise hídrica de proporções épicas no Brasil.

O mais lamentável disso tudo é que ela ocorre não por causas naturais, mas principalmente como resultado de uma decisão racional de ignorar que determinados usos e práticas contribuem para o esgotamento dos corpos hídricos dos quais necessitamos para abastercer nossas cidades.

Com pior crise hídrica em 80 anos, RJ pode enfrentar racionamento

 

 

29.jan.2015 - Homem observa barcos encalhados onde antes havia água no reservatório de Funil, em Itatiaia, na região sul do Estado do Rio de Janeiro

Homem observa barcos encalhados onde antes havia água no reservatório de Funil, em Itatiaia, na região sul do Estado do Rio de Janeiro

O verão que se aproxima terá de ser bastante chuvoso para que o Rio de Janeiro não entre no terceiro ano seguido de baixos níveis nos reservatórios e não sofra desabastecimento de água no período seco, a partir de abril. Dos quatro reservatórios que compõem a bacia do Rio Paraíba do Sul, principal fonte do Estado, dois quase chegaram ao volume morto.

Em média, estão com 5,94% do volume útil, conforme dados da ANA (Agência Nacional de Águas), enquanto no ano passado, que já havia sido difícil, o patamar era de 6,4%.

Em cidades onde os rios não são regularizados, sem reservatórios para reter água –e que, por isso, dependem de chuva para não secar–, a situação já é crítica. Em Angra dos Reis, no litoral sul; Campos e Itaperuna, no norte fluminense; Três Rios, no médio Paraíba; na Baixada Fluminense, especialmente Duque de Caxias, Queimados, Magé e Paracambi, e em Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (todos na região metropolitana), os moradores já recorrem a caminhões-pipa.

Na turística Angra, a preocupação é com a alta temporada, quando a chegada de veranistas triplica o consumo de água. Há três semanas, a prefeitura publicou decreto, a vigorar por no mínimo quatro meses, que multa quem desperdiçar água. Quem lavar carro ou calçada é multado em R$ 440; quem retira água irregularmente da rede paga R$ 3.080. Regar plantas não é permitido. Pelo menos 20 pessoas já foram autuadas.

“No verão passado, a emergência hídrica foi decretada em janeiro. Dessa vez, foi mais cedo. Angra sempre teve índices pluviométricos altos, mas nossos reservatórios chegaram, em outubro, a 10% do volume útil. Tivemos de alternar o abastecimento dos bairros, mandar água um dia sim, três não”, disse o presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto da cidade, Marcos Mafort.

Saída

Vivendo a pior crise hídrica em oito décadas, o Estado entrará no período mais chuvoso com reservatórios baixos mais uma vez. Em 2016, caso as precipitações não sejam abundantes até março, os volumes nos meses de estiagem não serão suficientes para a demanda de populações e indústrias, avisa Paulo Carneiro, pesquisador do Laboratório de Hidrologia da Coppe, que agrega pós-graduação em Engenharia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). O racionamento, então, seria a única saída.

“O período 2013/2014 foi difícil, o 2014/2015, também, e o 2015/2016 está pior, porque os níveis dos reservatórios não foram recompostos. O fenômeno El Niño está intenso e não se sabe como se comportará no Sudeste”, disse o pesquisador.

Apesar dos prognósticos ruins, os governos estadual e federal sustentam que não faltará água nos Jogos Olímpicos, em agosto. Na terça-feira (3), a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que a construção de um tanque reserva com 2 bilhões de metros cúbicos está garantida. Entre as medidas do Estado para economizar água, está a diminuição da vazão do reservatório de Santa Cecília, que abastece o Rio –era de 190 mil l/s em 2014, passou a 110 mil l/s neste ano. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

FONTE: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/11/05/vivendo-pior-crise-hidrica-em-80-anos-estado-do-rio-pode-enfrentar-racionamento.htm