Crônica de uma crise anunciada, breve resenha e reflexões

Finalmente estou tendo o tempo livre necessário para ler o livro “Crônica de uma crise anunciada: Crítica à economia política de Lula e Dilma” de autoria do economista  e professor livre-docente do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE/UNICAMP), Plínio Arruda de Sampaio Junior, e que foi lançada pela SG-Amarante Editorial [1].  A obra reúne uma coletânea de artigos escritos por Sampaio Jr a partir dos anos de 1990, e representa um esforço analítico não apenas sobre ao alinhamento da economia brasileira ao complexo econômico financeiro que domina a economia globalizada, mas também sobre o papel específico ocupado pelos governos dos presidentes Lula e Dilma à adesão do Brasil aos ditames das reformas neoliberais.

Ainda que se possa encontrar tensões e contradições na narrativa oferecida pelo Sampaio Jr, é possível reconhecer que ele consegue atacar os principais cânones do sistema de idolatria que cerca a figura do ex-presidente Lula. O fato é que Sampaio Jr logra estabelecer uma série de argumentos que são bastante convincentes acerca da existência de uma linha de continuidade no ritmo das ditas reformas neoliberais que começam com Fernando Collor e chegam até o presidente “de facto” Michel Temer. Nessa construção, os governos de Lula e Dilma, mas principalmente o de Lula, apenas se diferenciam pelo estabelecimento de uma retórica distracionista que é muito útil para cooptar o PT, a CUT e movimentos sociais para uma visão apenas “melhorista” da realidade brasileira que é pautada pelo oferecimento de políticas sociais engendradas pelo Banco Mundial.

Afora esse viés teórico importante, é importante reconhecer que a coletânea de Sampaio Jr nos oferece, ainda que de forma subliminar, é um conjunto tarefas a serem cumpridas para que se abandone a linha de acomodação ao receituário Neoliberal em nome de uma ação estratégica que recoloque a classe trabalhadora brasileira como a principal protagonista da luta de classes no Brasil.  Entretanto, fica evidente que isso só será possível com a superação do tratamento quase messiânico que é dispensado à figura do ex-presidente Lula até por setores da esquerda que não está ligados ao PT. 

Uma pista de que as análise de Sampaio Jr. não estão tão longe o alvo foi dada recentemente pela classe trabalhadora argentina que, rompendo com a apatia da CGT e de segmentos expressivos do peronismo, foi capaz de realizar uma mobilização contra a reforma da previdência proposta pelo governo de Maurício Macri que criou ondas de choque no continente inteiro, as quais certamente terão fortes reverberações no Brasil logo no início de 2018 quando o governo Temer tentar impor aqui a sua versão do confisco previdenciário.

Finalmente, deixo a minha sugestão de leitura e estudo do que esta posto no livro de Sampaio Jr.  É que não venceremos a nuvem ideológica que nos cobre neste momento se não entendermos como a mesma tem sido usada para paralisar e imobilizar a classe trabalhadora brasileira. 


[1] http://www.sg-amarante.com.br/cronica/index.html

 

Centrais sindicais neoliberais são co-partícipes do retrocesso

greve geral

Algo que tem sido muito pouco explorado nos retrocessos que foram facilmente impostos pelo governo “de facto” de Michel Temer aos trabalhadores brasileiros é o papel coadjuvante cumprido pelas principais centrais sindicais brasileiras. É que salvas raríssimas exceções, os sindicatos controlados pela CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central, CTB e CSB vêm se omitindo de forma inaceitável na construção do processo de resistência que os trabalhadores estão fazendo de forma atomizada todos os dias.

O impressionante é que nem depois de terem sido flagrantemente traídas por Michel Temer na questão do imposto sindical, os dirigentes dessas centrais não se dispõe a cumprir o papel organizativo que a conjuntura demanda deles.  Tal qual vem acontecendo no embate com o (des) governo Pezão, as centrais sindicais preferem ações alegóricas que em nada pressionam Michel Temer e o congresso que acaba de entregar de mão beijada R$ 1 trilhão para as petroleiras estrangeiras.

A última prova dessa inapetência para o enfrentamento é a nota conjunta emitida nesta 6a. feira para suspender a greve geral que ocorreria no dia 05 de Dezembro.  A alegação para essa suspensão é de que o governo Temer teria recuado, sob a pressão delas, na votação da contrarreforma da Previdência.

centrais neoliberais

É preciso que se diga que as dificuldades enfrentadas por Michel Temer para votar mais uma de suas contrarreformas não tem nada a ver com eventuais pressões dessas centrais. O problema é que as medidas aprovadas anteriormente somadas ao desgaste causado pela dupla negativa de permitir o prosseguimento de investigações contra Michel Temer causaram um desgaste profundo o suficiente para desencorajar muitos  deputados fisiológicos a também votar pela reforma da Previdência.

O problema que se coloca pelos trabalhadores que desejarem enfrentar as políticas regressivas começa assim no enfrentamento com as direções dessas centrais que, por exemplo, já vem demitindo centenas de seus próprios trabalhadores após a entrada de vigência da contrarreforma trabalhista.   Além da desmoralização que as demissões dentro de centrais sindicais que deveriam estar lutando contra a aplicação das novas regras, o que essas demissões desnudam é que as principais sindicais brasileiras são parceiras e não adversárias do governo Temer.

Há que se ressaltar que a CSP CONLUTAS, exatamente a menor das centrais existentes no Brasil, já manifestou de forma contrária a vergonhosa nota de capitulação das centrais sindicais [1].  Com isso, a CSP CONLUTAS mostra que é a questão não é tanto de tamanho, mas de linha política. Nesse sentido, é fundamental que, apesar do recuo das principais centrais, ocorram manifestações massivas no dia 05 de Dezembro. É que essas manifestações poderão ser um importante catalisador para fazer aflorar o descontentamento que está vidente em relação a Michel Temer e seu projeto de entregar o Brasil ao capital estrangeiro. 

Um interessante artigo acadêmico sobre esse sindicalismo ajustado ao mundo neoliberal foi escrito pelo professor do IPPUR/UFRJ, Gustavo Bezerra, e  recentemente publicado pelo Cadernos CRH, usando como unidade de análise o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense [2].


[1] http://cspconlutas.org.br/2017/12/nota-oficial-da-csp-conlutas-contra-a-desmarcacao-da-greve-nacional-de-5-de-dezembro/.

[2] http://www.scielo.br/pdf/ccrh/v30n80/0103-4979-ccrh-30-80-0371.pdf

Greve geral no dia 11 de Novembro? É preciso combinar com os “russos”

vem-ai-greve-geral

Em em entrevista ao programa Faixa Livre fui perguntando sobre minha opinião sobre uma supsota greve geral que estaria sendo preparada por centrais sindicais e movimentos sociais para o ainda distante dia 11 de Novembro de 2016!

A minha primeira reação foi perguntar algo do gênero “greve geral, como? quando?”. Mas acabei dando uma opinião um pouco mais dura, pois está mais do que evidente que se puder o governo “de facto” de Michel Temer vai acelerar a votação da PEC 241 (vulgo PEC da morte) para bem antes desta data, o que consequentemente torna essa suposta greve geral um simulacro de uma ação organizada para enfrentar o ataque aos direitos sociais.

Mas eu fui mais longe e ofereci minha opinião singela de que o governo “de facto” só está conseguindo ir tão rápido com seus planos de desmantelamento do Estado brasileiro por que os principais instrumentos de reação estão sendo paralisados pelos dirigentes de sindicatos e movimentos sociais que provavelmente esperam negociar algumas migalhas corporativas. Só pode ser isso, não tem como ser outra coisa.

E uma coisa que me preocupa bastante é a falta de articulação entre os que supostamente estão organizando essa greve geral (que lendo Aqui! descubro que apenas é um ato com data indicativa) e os setores que estão já em luta contra a PEC 241 e outros absurdos que estão sendo cometidos pelo governo “de facto” é a desmoralização de um importante instrumento de luta.

É que, convenhamos, para que haja uma efetiva e abrangente greve geral há que se combinar com os “russos” que no presente caso são aqueles que não estão esperando a ordem das direções burocráticas e partindo para o enfrentamento. E isso efetivamente não está acontecendo. E, adiciono, para a completa alegria de Michel Temer e sua camarilha dirigente.

Ah, sim, terminei minha respota dizendo que algo terrível que pode decorrer deste imobilismo todo é uma explosão social espontânea que poderá, inclusive, ser utilizada pelo governo “de facto” para justificar a intervenção das forças armadas para restabelecer a “ordem”.  

Estaleiro Jurong, aquele que queriam trazer o Porto do Açu, demite e reprime trabalhadores em greve

Após greve, estaleiro mantém metalúrgicos em cárcere privado e demite por justa causa

 por Redação RBA
CNM/CUT – DIVULGAÇÃO – REPRODUÇÃO
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Funcionários da Jurong foram demitidos após participarem de greve por melhores condições de trabalho

São Paulo – Vídeo gravado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do Espírito Santo acusa o Estaleiro Jurong Aracruz (EJA) de manter em cárcere privado mais de 40 trabalhadores que estiveram à frente de uma greve, entre os dias 31 de agosto e 17 passado, durante campanha salarial da categoria. Segundo os depoimentos, a prática – antissindical e ilegal – foi cometida na última terça-feira (22), nas instalações da empresa, em Barra do Sahy, município de Aracruz, litoral norte capixaba.

Segundo reportagem da confederação dos metalúrgicos ligados à (CNM-CUT), os funcionários trabalhavam normalmente, quando receberam um comunicado da empresa de que deveriam comparecer a uma sala de reuniões. Lá, foram surpreendidos pelo anúncio de que estavam demitidos por justa causa, isto é, sem direitos.

Alfredo Neto Barbosa, um dos demitidos, conta no vídeo que os metalúrgicos foram mantidos em cárcere privado e sob a coação de mais de 15 seguranças e policias à paisana. “Todas as portarias foram bloqueadas. Os policiais fizeram uma barricada para impedir a saída dos funcionários que se recusaram a assinar a rescisão. Nós ficamos coagidos e os policiais até sacaram armas”, relata. Ainda de acordo com o trabalhador, a Jurong adiantou que nos próximos dias vai demitir mais de 100 metalúrgicos.

Assista ao vídeo:

“A empresa tem uma cultura de práticas antissindicais. Os trabalhadores que foram demitidos são os que estavam à frente da greve, lutando por melhores condições de trabalho”, contou à CNM/CUT o presidente do sindicato dos metalúrgicos capixabas, Roberto Pereira. “O estaleiro não respeita as leis trabalhistas brasileiras e isso é muito preocupante. O sindicato não vai aceitar que práticas como essa aconteçam e já está tomando as medidas necessárias para denunciar esses abusos cometidos pela empresa”, completou.

Para segunda-feira (28) está agendada uma reunião dos trabalhadores com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Espírito Santo para reivindicar a reintegração dos 40 demitidos e para denunciar a prática ilegal da empresa cometida na terça-feira. “Além disso, vamos mover uma ação indenizatória por perseguição ao exercício legal do direito de greve e por este atentado criminoso contra a organização dos trabalhadores”, afirmou Roberto.

Roberto, que também é secretário de Políticas Sociais da CNM/CUT, disse ainda que a entidade prepara uma denúncia contra o estaleiro à Organização Internacional do Trabalho (OIT). “Nenhuma empresa tem poder de polícia para perseguir e prender trabalhador porque ele está exercendo o seu legítimo direito de greve”, destacou o presidente da confederação, Paulo Cayres.

Perseguições

Os trabalhadores acusam ainda outros motivos de indignação da categoria, relacionados à falta de segurança no local de trabalho e às constantes ameaças sofridas pelos metalúrgicos. “Várias denúncias estão sendo feitas ao sindicato. Os metalúrgicos reclamam das condições precárias às quais são submetidos nas dependências do estaleiro, acompanhadas de ameaças de demissão contra os companheiros que participaram das ações sindicais”, afirmou Roberto Pereira.

Um dos demitidos, o cipeiro Leandro Almeida, foi enfático ao descrever a sensação de perseguição imposta aos metalúrgicos. “A relação com os trabalhadores é conflituosa. A empresa nos vigia quando vamos beber água e até quando vamos ao banheiro. Não podemos fazer nada, que eles ficam nos vigiando. Temos que trabalhar como escravos.”

Por ser integrante da Cipa, Leandro tem estabilidade no emprego, segundo as leis brasileiras, e sua demissão é flagrantemente irregular.

A reportagem tentou falar com a sede da Jurong, mas os telefonemas não foram atendidos.

FONTE: http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2015/09/apos-greve-estaleiro-mantem-metalurgicos-em-carcere-privado-e-demite-por-justa-causa-6400.html

CUT vestiu o terno e saiu por ai defendendo a Copa FIFA

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A relação umbilical entre a Central Única dos Trabalhadores (CUT)  e o governo de Dilma Rousseff é mais do que conhecido. Agora, essa relação ficou ainda mais clara com o engajamento da defesa que a CUT está pronta para fazer da Copa da FIFA, como anuncia o site Brasil 247 (Aqui!).

Segundo o que informa o Brasil 247, o presidente da CUT,  Vagner Freitas, teria dito que o evento (a Copa FiFA) vai beneficiar os trabalhadores e os protestos contra o Mundial são “eleitoreiros”, “manipulados pela oposição e pela direita elitista que não se conforma com o fato de o governo Lula ter conseguido trazer os eventos para o Brasil”.

Esse tipo de declaração mostra que, lamentavelmente, a CUT que nasceu como um símbolo da luta por um sindicalismo autônomo e democrático, não passa de um apêndice do aparelho de Estado. Afinal, o Sr. Vagner Freitas sabe que os únicos beneficiados com este megaevento são a FIFA e todas as corporações que a entidade carrega junto para saquear recursos e auferir lucros bilionários dos países que aceitam hospedar o evento.

Felizmente, a edição deste ano no Brasil está afastando candidatos a pais-sede, o que deverá implicar em dificuldades para que a FIFA mantenha sua tática de terra arrasada no futuro. Quanto à CUT, a luta dos trabalhadores ainda passará por cima de seus dirigentes de terno e gravata.