Deltan Dallagnol e sua procuradoria da prosperidade

dallagnolO procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato, em palestra no 6º Congresso Internacional de Compliance – Jorge Araújo – 9.mai.2018/Folhapress

A mais recente reportagem da série lançada pelo site “The Intercept” lança luz sobre as tratativas do procurador chefe da “Lava Jato” para lucrar  (isto mesmo, lucrar) com a notoriedade obtida com a operação que terminou tendo com grande “prêmio”  a prisão do ex-presidente Lula.

Como Dallagnol é um membro assíduo da Igreja Batista do Bacacheri em Curitiba, ele pode até pensando em adotar preceitos da chamada “Teologia da Prosperidade” para tocar seus negócios. O estranho é que para isso a reportagem indica que Dallagnol chegou a sugerir colocar a própria a esposa na condição de proprietária da empresa que promoveria os evento com que ele e outros procuradores pensavam obter a prosperidade individual à base da notoriedade obtida com a Lava Jato.

Sem querer adiantar julgamento, mesmo porque está ficando cada vez mais claro que Deltan Dallagnol cedo ou tarde terá que se explicar para seus superiores sobre o teor dessas conversas nada compatíveis com seus próprios discursos  de probidade. Entretanto, este nível de apropriação privada de informações públicas torna toda a situação em torno da Lava Jato para lá de nebulosa.

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Deltan Dallagnol era apresentado como um faz tudo, desde surfista até liderança religiosa. Agora se descobre que também cultivava aspirações de ser empresário motivacional.

Como paranaense posso dizer que nunca me emocionei muito com toda a aura de justiceiros que foi criada pela mídia corporativa em torno dos jovens oriundos da elite paranaense que se apresentavam como os salvadores da pátria. Agora, que o verniz está sendo removido com eficiência pelo “The Intercept”,  cada vez mais gente vai se deixar de emocionar com os procuradores e o ex-juiz lavajateiros,  o que certamente aumentará o nível de escrutínio a que eles serão submetidos. Típica situação do caçador virando caça.

The Intercept lança “Parte 8” e mostra que nem os procuradores da Lava Jato confiam em Sérgio Moro

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O sistema de gotejamento adotado pelos editors do site “The Intercept” para revelar os bastidores da chamada “Operação Lava Jato” chegou a levantar a falsa expectativa, difundida por órgãos da mídia corporativa e também da alternativa, que as balas contra o ex-juiz federal e atual ministro da (in) Justiça, Sérgio Moro, tinham acabado. 

Essa falsa expectativa foi enterrada pelo “The Intercept” com a publicação da “Parte 8” das reportagens, a qual traz uma série de revelações onde os procuradores federais da Lava Jato criticam não apenas o que eles veem como ambição política equivocada de Sérgio Moro, mas também sobre os próprios procedimentos judiciais do ex-juiz.  Em uma das conversas publicadas isto fica mais do que evidente em uma conversa entre dois procuradores que não apenas expressam desconfiança pessoal, mas também reservas às formas de operar de Sérgio Moro (ver imagens abaixo).

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A reportagem do “The Intercept” tem o dom de revelar que nos bastidores da Lava Jato reinou (e provavelmente reina) uma verdadeira rede de intrigas, onde o hoje ministro da (in) Justiça é o pivô central de um processo que está longe de conter o tipo de isenção e probidade que tanto se alardeou para se justificar a leniência com que Sérgio Moro foi tratado pelos escalões superiores da justiça brasileira.

Ao revelar que as relações entre Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato não era o mar de rosas que se apregoava e, pior, que havia entre eles uma relação de colaboração direta, ainda que tensa de tempos em tempos.

Se estivéssemos em tempos normais,  apenas a “Parte 8” serviria para anular todos os processos em que Sérgio Moro esteve envolvido na Lava Jato, além de render pesadas punições para os procuradores federais, a começar por Deltan Dallagnol. Mas se há algo que os tempos não possuem é o caráter da normalidade.  Por isso, é bem provável que nada aconteça por enquanto, e que Sérgio Moro e Deltan Dallagnol continuem nos postos em que se encontram.

Entretanto, como a quantidade de material já publicado é apenas uma pequena fração do total segundo asseguram os editores do “The Intercept”, o mais provável que o processo de fritura de Sérgio Moro saia de fogo baixo para alto daqui a algum tempo. É que dependendo das intimidades que ainda forem reveladas e de quem forem as estrelas das próximas “partes” da série, Moro  e seus colegas da Lava Jato serão neutralizados pelas mesmas forças que lhes deram tanto poder. A ver!

Lava Jato, agora se confirma que nunca foi realmente sobre fazer justiça, mas sim política

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A última reportagem do site “The Intercept” sobre o tratamento privilegiado dado pelo ex-juiz Sérgio Moro e seus colegas procuradores da “Lava Jato” mostra um claro favorecimento ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC).  Isto ficou patente com a afirmação de Moro de que qualquer investigação em relação a FHC poderia melindrar alguém cujo apoio seria importante.

Sem querer inocentar este ou aquele personagem punido pela ações da Lava Jato e do ex-juiz Sérgio Moro (os mais evidentes dele são o ex-presidente Lula e o ex-presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha),  as revelações em torno da aparente isenção dada a FHC e, por extensão, ao PSDB, podem nem ter sido as mais bombásticas da série publicado pelo “The Intercept”, mas não deixa de ser grave na medida em que confirma algo que se sabia era uma possibilidade forte: a Operação Lava Jato, agora sabidamente chefiada informalmente por Sérgio Moro, pode até ter vendido uma imagem de isenção sublinhada na frase “a lei é para todos”, mas esteve longe disso.

O que está se tornando cristalino é que na Lava Jato houve um viés político que caiu como uma luva nas pretensões políticas do agora presidente Jair Bolsonaro que, sem esse apoio crucial, não teria passado jamais do seu patamar inicial de intenção de votos. Por isso, é possível que ainda apareçam mais evidências de que alguns dos passos dados pela Lava Jato e por Sérgio Moro ao longo de 2018 tivessem algum nível de articulação com os responsáveis da campanha de Jair Bolsonaro.

E há que se frisar que o “The Intercept” já inegável  que o banco de dados entregue pela “fonte” desse vazamento gigantesco chega a 2018, o que torna possível que saibamos mais dos bastidores e se houve algum contato entre as partes aqui mencionadas.

Para mim o mais grave é que o viés político e a seletividade das escolhas feitas a partir da coordenação entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol colocam em risco não apenas a credibilidade de toda a Operação Lava Jato, mas também do sistema jurídico como um todo.  É que se as revelações continuarem evoluindo no ritmo que vem sendo adiantado pelos editores do “The Intercept” não chega a ser impossível que vejamos outros personagens que deveriam ser neutros também envolvidos no tratamento seletivo do combate à corrupção no Brasil.

Capas de revistas semanais expõe inferno astral de Sérgio Moro e da Lava Jato

Palestra Democracia, Corrupção e Justiça, no UniCEUB

O ministro Sérgio Moro e o procurador federal Deltan Dallagnol em uma palestra sobre corrupção podem estar passando da condição de caçadores para a de caça.

As capas das principais revistas semanais brasileiras trazem uma mensagem comum para o ex-juiz e atual ministro da (in) Justiça Sérgio Moro e seus companheiros procurdores da “Operação Lava Jato” e  ela parece sinalizar que não há mais flores, talvez só tenham ficado os espinhos, depois do início das revelações trazidas pelo site “The Intercept” sobre comportamentos, digamos, duvidosos em relação às apurações, julgamento e prisão do ex-presidente Lula (ver mosaico abaixo).

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A coisa fica mais complicada quando se verifica que apenas a “Carta Capital” fez oposição aos métodos de Sérgio Moro e da Lava Jato ao longo dos últimos anos, enquanto as demais ficaram mais na posição de caixas de ressonância das operações do que verdadeiros veículos jornalísticos.

O interessante é que a aparente desgraça que está se abatendo sobre Sérgio Moro e seus companheiros de jornada não se deve à ação diligente do PT, alvo preferencial das ações, pois o partido ficou por muito tempo como espectador da própria desgraça, como se estivesse realmente acreditando no sentido republicano do que a “Operação Lava Jato” dizia ter.  

Se estamos tendo agora a oportunidade de olhar as ações da Lava Jato e de Sérgio Moro a partir das palavras e interações dos próprios personagens é porque, muito provavelmente, algum agente interno resolveu mostrar as entranhas do processo todo, e jornalistas com “J” maiúsculo resolveram apurar o caso.  Esse é, aliás, um desdobramento novo na história política do Brasil, pois ao contrário dos EUA que já tiveram a queda de Richard Nixon por causa da ação de jornalistas determinados a apurar informações, o nosso jornalismo e, principalmente, os donos dos veículos da mídia corporativa nunca foram muito inclinados a apurações que comprometessem o status quo político.

Como está mais do que indicado de que vem mais coisa por aí em termos das matérias do “The Intercept”, as próximas capas poderão ser ainda mais negativas para Sérgio Moro e para os procuradores da Lava Jato. Resta saber o tamanho do dano e de como isso será traduzido em manchetes.

 

O ocaso da Lava Jato e a minha conversa com um jornalista alemão em 2015

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Deltan Dallagnol (nascido em Pato Branco) e Sérgio Moro (nascido em Maringá): as estrelas paranaenses de um show jurídico e midiático que se encaminha para um triste ocaso.

Em algum momento de 2015 tive a oportunidade de conversar com um jornalista de um importante veículo de imprensa da Alemanha, que visitava a cidade de Campos dos Goytacazes para realizar uma matéria sobre o Porto do Açu e as possibilidades que a sua interligação com a cadeia do petróleo e gás poderia ter para o desenvolvimento regional.

Lá pelas tantas, o jornalista alemão me perguntou sobre o que eu achava da “Operação Lava Jato” e as chances de que a mesma trazia para o fim da corrupção no Brasil.  Eu respondi de maneira educada que não via nenhuma chance da corrupção acabar no nosso país, pois o problema aqui era que a mesma fazia parte de uma estrutura social de acumulação de riqueza que já estava valendo desde que Pedro Álvares Cabral aportou nas costas da Bahia.  Disse ainda que estava intrigado com o fato de que as “asas” do pessoal da Lava Jato e do então juiz Sérgio Moro não tinham ainda sido “cortadas”. É que aquele grupo de jovens oriundos das elites paranaenses simplesmente não tinha carcaça para enfrentar o sistema político e os interesses dos grandes grupos que controlam a economia brasileira.

Passados mais de 4 anos daquela conversa, vemos se desdobrar diante dos nossos olhos algo que parece ser o ocaso da Lava Jato e da figura política do ex-juiz Sérgio Moro. Em minha opinião, além dos danos econômicos e sociais que as estrepolias jurídicas que agora estão sendo divulgadas pelo site “The Intercept“, os quais não são pequenos de forma alguma, a derrocada da Lava Jato representará a consolidação de algo óbvio: não se resolverão os problemas do Brasil pelas mãos que são parte intrínseca do problema. E, pior, com o que se fez de errado para se atingir fins supostamente corretos, arriscamos a ver a desmoralização por algum tempo de qualquer tentativa séria de diminuir o nível de corrupção dentro do nosso sistema político e empresarial.

Ah, lembro ainda que o jornalista alemão me deu um olhar estupefato quando dei minha resposta sobre as chances da Lava Jato acabar com a corrupção no Brasil. Eu imagino o que ele diria, se lesse este texto e lembrasse da nossa conversa, sobre a minha resposta se pudesse voltar àquela noite de 2015.

#VazaJato e a fonte do “The Intercept: “deep throat” ou “hacker”?

A fonte do “The Intercept” no caso da #VazaJato: Deep Throat ou Hacker?

Venho acompanhando um aspecto singular das revelações trazidas a público pelo site “The Intercept” sobre as tratativas nada republicanas entre o ex-juiz federal e ainda ministro da Justiça, Sérgio Moro, com a equipe de procuradores federais da outrora “Operação Lava Jato”, agora rebatizada de “#VazaJato”.

Falo aqui da possível fonte do que parece ser um grandioso esquema de vazamento de informações que ameaça estraçalhar com o já frágil equilíbrio político existente no Brasil.

Afinal, quem poderia ter passado um acervo que contém conversas inteiras entre o ex-juiz Moro e seus colaboradores na “#VazaJato”. Até aqui existem duas possibilidades: a primeira seria a de um informante interno que, seja lá quais foram os seus motivos, decidiu repassar ao “The Intercept” conversas, documentos, e gravações. Esse seria o modelo “Deep Throat” (ou Garganta Profunda) que se celebrizou no processo de impeachment do presidente estadunidense Richard Nixon. Anos depois soube-se que “Deep Throat” era W. Mark Felt, segundo em comando do FBI na época em que o drama seguido de impeachment ocorreu.

A segunda opção seria a de um especialista em captura de documentos na internet, o chamado hacker, que teria acessado o conjunto do material a partir de um determinado estratagema de penetração eletrônica. Essa hipótese já teria sido negada pelo pessoal do aplicativo Telegram, o qual era usado pelo ex-juiz Moro e o pessoal da #VazaJato para escapar da insegurança que muitos acham ocorrer em relação a outro aplicativo popular, o Whatsapp.

Pessoalmente acredito que o caso está mais para um serviço interno dentro da equipe da #VazaJato. Resta saber quem teria sido esse personagem. Mas uma coisa é certa: quem fez isso não agiu para beneficiar o governo Bolsonaro. É que dentro do governo Bolsonaro não há quem vá realmente ganhar com a desgraça política de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol. Por mais que existam tensões, o fato é que Sérgio Moro e Deltan Dallagnol são peças importantes no tabuleiro e a saída deles de cena traria uma instabilidade que não seria bem vinda.

 

Mídia internacional dá outro banho na cobertura no caso das “indiscrições” da “#VazaJato”

Estou acompanhando desde ontem a cobertura da mídia corporativa brasileira sobre o escândalo eclodido pelo site “The Intercept” que expôs uma pequena porção de um fato material que seus editores estão de posse e que mostra a cooperação indevida e ilegal entre o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Sérgio Moro, e os procuradores da chamada “Operação Lava Jato” para perseguir, julgar e prender o ex-presidente Lula, de modo a impedir que ele se candidatasse a presidente nas eleições presidenciais de 2018.

A primeira coisa que saltou aos olhos foi o fato de que dois dos principais veículos da mídia brasileira, os jornais “O GLOBO” e o “ESTADO DE SÃO PAULO” sequer mencionaram a eclosão do escândalo nas horas que se seguiram à publicação das reportagens do “The Intercept”. É como se as redações desses dois veículos estivessem sem jornalistas de plantão, tamanho foi o silêncio que se seguiu à divulgação das revelações baseadas em conversas realizadas entre a equipe da Lava Jato com o agora ministro Sérgio Moro, e entre eles mesmos.

Mas mesmo nesta manhã quando o caso já está sendo divulgado em grandes veículos da mídia internacional que estão colocando o problema em sua devida dimensão e gravidade. Essa postura, contudo, não é novidade e apenas repete um padrão que já ocorreu em outros momentos, onde a divulgação correta dos fatos não eram necessariamente interessante às elites brasileiras.

Jornal “Diário de Notícias” de Portugal já publicou artigo co detalhes sobre as estratégicas utilizadas por Sérgio Moro e pela equipe da Lava Jato para incriminar, julgar e prender o ex-presidente Lula.

Felizmente, como também já ocorreu nesses outros casos, a mídia internacional está ocupando o papel jornalístico que deveria estar sendo cumprido pela brasileira. Já li boas matérias nos jornais portugueses como o “Diário de Notícias” e o “Público“, o que, aliás, é bastante conveniente. De toda forma, também o El País já dedicou espaço considerável para este assunto em sua edição em português.

De toda forma, esse é um escândalo que deverá ter ampla divulgação internacional, o que poderá pressionar os donos dos jornais brasileiros a, pelo menos, tentarem dar uma cobertura minimamente isenta às revelações do “The Intercept”. A ver!

The Intercept publica série de reportagens sobre os bastidores da Operação Lava Jato

A série intitulada “As mensagens secretas da Lava Jato” traz informações exclusivas sobre uma série de articulações que foram realizadas não apenas para garantir a ida do processo envolvendo o famoso “triplex do Guarujá” para a justiça federal em Curitiba, mas também para impedir que o ex-presidente Lula concedesse uma entrevista antes das eleições presidenciais de 2018 por medo de que o conteúdo da mesma influenciasse o pleito em favor de Fernando Haddad, candidato presidencial do PT.

O site de notícias “The Intercept” está lançando uma série de reportagens que promete balançar a política brasileira, pois revela os bastidores da Operação Lava Jato e das relações questionáveis entre o ex-juiz federal e hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador federal Deltan Dallagnol.

A série está dividida em 3 reportagens, as quais deverão gerar grande interesse por parte não apenas dos apoiadores do ex-presidente Lula que o consideram um prisioneiro político, mas até daqueles que sempre viram na chamada “Operação Lava Jato” uma oportunidade de livrar a política brasileira de políticos corruptos.

Série de reportagens do “The Intercept” que prometem agitar a política brasileira.

Quem desejar acessar a série “As mensagens secretas da Lava Jato“, basta clicar [Aqui!]

Procuradores e o juiz da Lava Jato: os heróis da classe média podem não ser tão probos quanto querem parecer

Acabo de voltar de uma viagem de trabalho ao extremo sul catarinense e, por causa disso, não tive como atualizar este blog por alguns dias. Mas é claro que a roda política não esperou a minha volta para continuar a girar, e agora temos o tiroteio entre a maioria dos deputados federais e os procuradores do Ministério Público Federal que atuam no âmbito da chamada Operação Lava Jato por causa das alterações feitas no pacote de medidas supostamente voltadas para combater a corrupção no Brasil.

A primeira coisa dessa gritaria dos procuradores da Lava Jato que me espanta é o fato de que parecem ter achado que suas propostas seriam automaticamente sancionadas pelo congresso nacional. Ora, quem legisla são os deputados e senadores, cabendo aos membros do Ministério Público aplicar as leis. Na hora que eles poderem fazer as leis, me parece que estaremos entrando num terreno ainda mais pantanoso para a frágil democracia brasileira.

Mas movidos pelos reclamos de seus heróis tivemos a volta ontem dos paneleiros das classes médias e altas que fizeram ruído depois de meses de silêncio sepulcral. Nem é preciso lembrar que nesse meio tempo de silêncio obsequioso daquela multidão de pele alva e olhos claros tivemos o desmanche de programas sociais, o processo de privatização branca da PETROBRAS e o começo do desmanche do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. No meio disso tudo, a aprovação da PEC 241 pela Câmara de Deputados (depois rebatizada no Senado Federal como PEC 55) cuja aplicação deverá jogar o Brasil com índices de desenvolvimento dos países mais pobres da África e da Ásia. Enquanto isso tudo era aprovado, o silêncio das panelas foi total.

Então é preciso reconhecer que as chamadas e apelos de cunho moralista que partiram dos procuradores da Lava Jato possuem um forte eco em determinados segmentos da população brasileira, a ponto de fazê-los voltar a bater panelas. A curiosidade que eu tenho sobre esse fenômeno é se os paneleiros já olharam seus heróis de mais perto para ver se eles são mais probos do que os deputados federais e senadores que eles tanto possuem ojeriza. A minha resposta é não, ainda que isto ocorra por um misto de comodidade e cinismo. É que para esses setores conservadores há essa mescla de probidade seletiva. Basta ver o ódio ao programa Bolsa Família, enquanto se enriquecem com a especulação financeira que é uma forma de bolsa família dos endinheirados.

Contudo, duas situações envolvendo dois dos heróis dos paneleiros me fazem pensar que haveria algum desencanto caso eles decidissem aplicar os mesmos critérios de probidade aplicados a deputados e senadores em seus personagens ideais. Vejamos o caso do misto de pastor e procurador da república, Deltan Dallagnol, que foi flagrado adquirindo dois apartamentos construídos pelo Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV)na cidade de Ponta Grossa (Aqui!).  Apesar de não haver nada de ilegal com o uso de dinheiro pessoal para a compra de imóveis está claro que as unidades do MCMV foram adquiridas por Dallagnol para lucrar com um programa que deveria garantir a casa própria para setores menos abastados da população. Não tão probo assim, certo?

Agora o segundo caso que é o do herói mor dos paneleiros, o dublê de juiz federal e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Sérgio Moro, que solicitou e obteve autorização para se licenciar do Brasil para estudar nos Estados Unidos da América, supostamente após a conclusão da Operação Lava Jato, o que deverá ocorrer em 2018 ou 2019 (Aqui!).  Afora o pedido peculiarmente adiantado no tempo que Sérgio Moro fez à UFPR, as relações mal explicadas que ele possui com o FBI  e os processos que correm na justiça estadunidense deveriam suscitar perguntas sobre a pertinência dessa viagem de “estudos”. Entretanto, nada disso parece abalar até agora a adoração que os paneleiros destinam a Sérgio Moro. Eu fico imaginando apenas o que mais ainda vai aparecer sobre as relações entre Moro e o governo dos EUA, e isto importaria de algum modo aos seus fãs.

Para mim o que fica claro é que nos déssemos ao trabalho de olhar outros heróis dos paneleiros com lupas mais apuradas é provável que encontraríamos outros pequenos desvios da imagem de completa e integral probidade que eles gostam de passar. E o que temos no Brasil no momento é apenas um momento em que o passe livre que partes do judiciário se auto-concederam está gestando uma crise institucional sem precedentes na nossa história recente, enquanto os paneleiros seletivamente cutucam suas panelas reluzentes. E, sim, enquanto isso a depressão econômica avança inclemente e milhões de brasileiros estão sendo recolocados rapidamente abaixo da linha de miséria. Nada que impressione ou importe aos paneleiros. Afinal, eles continuam lucrando bastante com as estratosféricas taxas de juros que o Brasil paga.

Uso juvenil do Powerpoint por Dallagnol é destroçado em artigo da revista Forbes

Os problemas que o procurador Deltan Dallognol e sua equipe amealharam com a rústica apresentação de Powerpoint na coletiva em que foram apresentadas as denúncias contra 0 ex-presidente Lula foram repercutidos de maneira dura em um artigo publicado pela influente revista Forbes (Aqui!).

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A jornalista responsável pela matéria, Shannon Williams, além de notar que o Powerpoint para principiantes serviu para duas criar dois fato importantes.  O primeiro foi a criação de uma onda impressionante de “memes” que tornaram Dallagnol e sua equipe verdadeiros “laughing stocks” (motivos de chacota) nas redes sociais, tamanho o primarismo dos slides construídos para denunciar Lula como “comandante máximo” do Petrolão.  A jornalista chegou a notar que até a nova palavra criada pelos procuradores da Lava Jato (a tal “propinocracia”) aparece escrita de forma errada no principal slide da apresentação feita por Dallagnol (aparecendo como “proinocracia”).

Já o segundo elemento por Shannon Williams, e que já foi citado até pelos apaixonados opositores de Lula e do neoPT, é que a baixa qualidade da apresentação de Powerpoint feita pela equipe da Lava Jato diminui a credibilidade da denúncia formal contra Lula. E como nesse caso os próprios procuradores admitiram que sobram convicções, mas faltam provas, credibilidade seria algo essencial para conseguir a condenação de Lula e dos outros 5 indiciados.

Como professor de Metodologia da Pesquisa e usuário contumaz do Powerpoint, eu sempre lembro aos meus estudantes que esse programa foi inicialmente desenvolvido pela Microsoft para auxiliar empresas a venderem seus produtos, e só depois foi apropriado, muitas vezes de forma equivocada, para a realização de palestras acadêmicas e apresentações como as feitas pela equipe da Lava Jato.  Desta forma, é intrínseco ao uso do Powerpoint que a informação seja apresentada de forma parcimoniosa e precisa. E foi justamente esse princípio que foi ignorado, levando ao desastre que agora acompanhamos ao rescaldo. O que me impressiona é como se permitiu que isto pudesse acontecer num momento tão crucial. O mais provável é que a tarefa de preparar a apresentação tenha sido dada a algum estagiário supostamente mais versado no uso do Powerpoint.  De toda forma, se fosse uma apresentação numa disciplina que eu estivesse ministrando, eu sei bem qual a nota que daria.

Agora resta saber qual será o tamanho do desastre que Dallagnol e os outros procuradores arrumaram para si mesmos com esse uso juvenil do Powerpoint. A ver!