Mídia internacional dá outro banho na cobertura no caso das “indiscrições” da “#VazaJato”

Estou acompanhando desde ontem a cobertura da mídia corporativa brasileira sobre o escândalo eclodido pelo site “The Intercept” que expôs uma pequena porção de um fato material que seus editores estão de posse e que mostra a cooperação indevida e ilegal entre o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Sérgio Moro, e os procuradores da chamada “Operação Lava Jato” para perseguir, julgar e prender o ex-presidente Lula, de modo a impedir que ele se candidatasse a presidente nas eleições presidenciais de 2018.

A primeira coisa que saltou aos olhos foi o fato de que dois dos principais veículos da mídia brasileira, os jornais “O GLOBO” e o “ESTADO DE SÃO PAULO” sequer mencionaram a eclosão do escândalo nas horas que se seguiram à publicação das reportagens do “The Intercept”. É como se as redações desses dois veículos estivessem sem jornalistas de plantão, tamanho foi o silêncio que se seguiu à divulgação das revelações baseadas em conversas realizadas entre a equipe da Lava Jato com o agora ministro Sérgio Moro, e entre eles mesmos.

Mas mesmo nesta manhã quando o caso já está sendo divulgado em grandes veículos da mídia internacional que estão colocando o problema em sua devida dimensão e gravidade. Essa postura, contudo, não é novidade e apenas repete um padrão que já ocorreu em outros momentos, onde a divulgação correta dos fatos não eram necessariamente interessante às elites brasileiras.

Jornal “Diário de Notícias” de Portugal já publicou artigo co detalhes sobre as estratégicas utilizadas por Sérgio Moro e pela equipe da Lava Jato para incriminar, julgar e prender o ex-presidente Lula.

Felizmente, como também já ocorreu nesses outros casos, a mídia internacional está ocupando o papel jornalístico que deveria estar sendo cumprido pela brasileira. Já li boas matérias nos jornais portugueses como o “Diário de Notícias” e o “Público“, o que, aliás, é bastante conveniente. De toda forma, também o El País já dedicou espaço considerável para este assunto em sua edição em português.

De toda forma, esse é um escândalo que deverá ter ampla divulgação internacional, o que poderá pressionar os donos dos jornais brasileiros a, pelo menos, tentarem dar uma cobertura minimamente isenta às revelações do “The Intercept”. A ver!

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