Programa de Fernando Gabeira que trata das estranhas relações entre Eike Batista e Sérgio Cabral no Porto do Açu

A revelação de que as desapropriações realizadas pelo governo do Rio de Janeiro no V Distrito de São João da Barra fizeram parte de um acordo privado preconizado por Sérgio Cabral para beneficiar Eike Batista em troca de uma gorda propina acabou propiciando a vinda de várias equipes de reportagem para visitar a região afetada.

Entre os visitantes o mais conhecido até agora foi Fernando Gabeira que esteve aqui e produziu uma matéria jornalística de bastante fôlego e que foi ao ar inicialmente no último domingo.

Como a reportagem tem atraído muita atenção e nem todos puderam assistí-la, estou disponibilizando o vídeo abaixo que encontrei no Youtube.

Porto do Açu: segunda reportagem do SBT Rio traz denúncia sobre uso de verbas do BNDES

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A segunda reportagem da série “Porto da Desilusão”  que está sendo veiculada pelo SBT Rio que foi ao ar nesta 3a. feira (07/02)  trata centralmente de denúncia sobre malversação de recursos recebidos pelo Grupo EBX do ex-bilionário Eike Batista via empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

As denúncias apresentadas também envolvem a suposta contratação de empresas ligadas a políticos locais. A existência deste tipo de relação de troca entre Eike Batista e políticos locais é um daquelas “lendas urbanas” que qualquer um que tenha andado pelo V Distrito de São João da Barra desde o início da construção do Porto do Açu já ouviu. A diferença agora é que apareceu uma equipe de jornalistas dispostos a ouvir quem quisesse falar isso publicamente.

Como eu mesmo afirmei nesta reportagem, o envolvimento de Eike Batista com autoridades constituídas não tinha como ter ficado restrita apenas ao executivo estadual, deixando de fora, por exemplo, o legislativo e o judiciário.

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Este vídeo não existe

Mas uma coisa é certa: após essa série de reportagens, ainda vamos ter muita repercussão dos fatos que estão sendo revelados nesta série de reportagens.

E eu diria que não é sem tempo, pois os grandes prejudicados dessa situação toda, os agricultores do V Distrito, sofreram por muito tempo com a indiferença da mídia corporativa com o drama social que se desenvolveu à sombra da construção do Porto do Açu. Talvez, notem que eu escrevi talvez, haja mais boa vontade para corrigir as injustiças que foram cometidas em nome do “desenvolvimento”.

Porto do Açu: primeira reportagem do SBT RIO aborda as desapropriações

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Como informado anteriormente, o SBT RIO iniciou nesta 2a. feira (06/02) a veiculação de uma série de reportagens sobre o Porto do Açu. A primeira delas está focada nas escabrosas desapropriações realizadas pelo (des) governo Cabral em prol do ex-bilionário Eike Batista.  A reportagem traz uma série de depoimentos de agricultores atingidos pelas desapropriações realizadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN), e que são corroboradas pelos depoimentos do advogado Antonio Maurício Costa, do juiz João Batista Damasceno e do Desembargador Siro Darlan.

Abaixo segue o vídeo com a reportagem completa.

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Este vídeo não existe

Como essa é apenas a primeira de uma série que o SBT RIO levará ao ar nos próximos dias, penso que mais elementos virão à tona no que sempre tenho considerado um escândalo a céu aberto.

Se a prisão de Eike Batista pelo menos servir para trazer todas as “esquisitices”  existentes em relação às desapropriações realizadas em São João da Barra para beneficiá-lo, eu diria que a decisão do juiz de Marcelo Bretas de mandá-lo para Bangu já terá valido a pena.

É que como mostra a reportagem, o que não faltou no V Distrito de São João da Barra foi covardia e violência contra uma população de agricultores pobres.

Agora, esperemos o que mais o SBT RIO vai mostrar, pois certamente ainda vem muito mais coisa “interessante” por ai.

Vale a penar ver: SBT RIO produz série de reportagens para tratar dos impactos do Porto do Açu

O SBT RIO inicia nesta segunda-feira, 06 de fevereiro, uma série de reportagens investigativas sobre um negócio que provocou um prejuízo gigantesco aos cofres do Estado do Rio.

O governo de Sérgio Cabral foi avalista da maior grilagem de terras já feita no país para beneficiar o empresário Eike Batista, no Porto do Açu, em São João da Barra. Laudos da própria perícia judicial apontaram o preço vil pago por Eike por terras que equivalem a duas vezes a cidade de Queimados, na Baixada Fluminense. Uma área avaliada em mais de dois bilhões de reais foi praticamente doada à iniciativa privada por 37 milhões, cerca de 25 centavos por metro quadrado.  Mas para que isto acontecesse  antes o sr. governador decretou a expropriação das 300 familias de camponeses.  Muitos deles até hoje não receberam nada.

Mas la na area esta a placa PROPRIEDADE PRIVADA DA EMPRESA  X.   Não entre.  (e se entrasse a policia do sr. Cabral chegaria, como chegou várias vezes, para amedrontar os que ousaram lutar…

Bangu é pouco, é preciso fazer justiça e devolver as terras para as familias camponesas…

As licenças ambientais também foram concedidas em tempo recorde pelo INEA, contrariando pareceres técnicos de biólogos e ambientalistas. O resultado foi a salinização de parte da área. Além do impacto ambiental, pequenos agricultores foram expulsos de suas casas e até hoje não receberam indenização.

As conexões que envolvem a negociata entre Cabral e Eike são evidentes e estão todas documentadas pelo trabalho investigativo no local, feito pelo editor-chefe do SBT Rio, Humberto Nascimento, e pelo repórter Fabiano Martinez. “Porto da desilusão” é um documento para auxiliar os trabalhos do MPF e da PF sobre a quadrilha liderada pelo próprio governador, que saqueou os cofres públicos. 

Não perca, segunda, a partir de 11:50. 

Brasil de Fato: Projeto de Eike desalojou camponeses com valores abaixo do mercado no Rio de Janeiro

Empresário foi preso nesta semana por promover esquemas de corrupção ao lado do ex-governador Sérgio Cabral

Mariana Pitasse, Brasil de Fato
 

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Relatório do Ibase/UFF estima que aproximadamente 1500 famílias estão sofrendo com a desapropriação / Camila Nobrega | IBASE

Eike Batista tomou conta do noticiário na última semana. A maioria das reportagens contam detalhes da prisão do empresário, mas não tratam sobre os prejuízos trazidos pelos seus empreendimentos. Além dos casos de corrupção, envolvendo o empresário e políticos, como o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), Eike construiu sua fortuna a partir de projetos que geraram uma série de conflitos sociais e ambientais. O principal deles é o projeto Minas-Rio, que abarcou a construção do Porto do Açu e da cidade industrial em São João da Barra, norte do estado do Rio de Janeiro.

O projeto foi idealizado por Eike Batista em parceria com os governos estaduais de Minas Gerais e Rio de Janeiro e governo federal. Um dos pontos chave da investigação de Eike e Cabral é justamente o terreno desapropriado para a construção do Porto do Açu. Na época, Eike Batista fez um cheque de R$ 37,5 milhões ao estado do Rio. A área, de 75 mil metros quadrados, valia mais de 1,2 bilhão.

Em operação desde 2014, com dois terminais, o Porto do Açu não funciona nem a metade do que foi idealizado. De acordo com estimativas, apenas 10% da área planejada está sendo utilizada pelo porto, que é gerido pela Prumo Logística, do grupo multinacional EIG Global Energy Partners, desde 2013. Já o complexo industrial, previsto nos planos de Eike, passou a fazer parte de um projeto futuro da empresa, com finalização estimada em 20 anos.

Problemas sociais e ambientais

Ainda que não tenha atingido seu propósito final, o empreendimento gerou inúmeros problemas sociais e ambientais, que não pararam de crescer ao longo dos últimos anos. A principal problemática gira em torno das desapropriações de terra para construção do porto. Mesmo sem concordar com a venda, a maior parte dos camponeses recebeu valores estipulados pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin), ainda que não existisse um acordo. Segundo relatos, os valores estão muito abaixo do valor de mercado.

Desde 2010, as desapropriações aconteceram a partir de um decreto que determinou utilidade pública ao local. O relatório “O projeto Minas Rio e seus impactos socioambientais: Olhares desde a perspectiva dos atingidos”, produzido a partir de uma parceria de organizações e universidades, como o Instituto Brasileiro de Pesquisa Socioeconômica (IBASE) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), aponta que: pequenos produtores locais foram retirados de suas terras a preços irrisórios para controle privado; houve pressão sobre famílias para venda das terras; reassentamento ilegal e inadequado das famílias desapropriadas.

“Ofereceram comprar as terras por R$1,90 o metro quadrado, sendo que o valor do aluguel das terras na época era de R$6 o metro quadrado. Foram abusos em cima de abusos. Sem contar que a terra não estava à venda. Não tinha preço para os que moravam lá. Ela não é a mercadoria, é um bem natural. Tem a função do plantio e criação de animais. Esse é o fator de maior impacto para essas famílias”, explica a professora do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional da UFF, Ana Costa.

O local em que foi estabelecido o Porto do Açu é o 5º distrito de São João da Barra. De acordo com o Censo de 2010, o local possuía população de 5.574 habitantes, representando 17,02% da população total do município. O último Censo Agropecuário, produzido em 2006, aponta ainda que o local era formado por 1.480 propriedades rurais, de até 30 hectares, e 165 de tamanho maior.

Portanto, mais de 80% das propriedades eram médias e pequenas. Essas propriedades eram destinadas a produção de frutas, legumes e verduras, criação de gado e outros animais. Além disso, também compreendiam as atividades de extração de aroeira, taboa e a pesca em lagoas e no mar.

1500 famílias sofrem com desapropriação

O relatório estima que aproximadamente 1500 famílias estão sofrendo com a desapropriação. Dessas, 53 tiveram as casas demolidas e foram reassentadas no condomínio Vila da Terra. O restante recebeu por seu terreno valores apurados pela Codin. Segundo a assessoria de imprensa da companhia, todos os valores apurados nos laudos de avaliação relativos às áreas desapropriadas foram depositados em juízo – ou seja, sem que houvesse um acordo com os proprietários. Ainda de acordo com a companhia, até hoje, cerca de 80% dos proprietários receberam os valores relativos às suas indenizações e o restante aguarda resolução de questões judiciais. 

A família de Dênis Toledo é uma das que não aceitou um acordo e espera há anos uma resolução na justiça. O terreno, que pertence a família de Dênis há gerações, não era o local em que residiam, mas onde plantam e criam gado. As atividades dão conta da maior parte do orçamento da família. 

“Nós temos muitas restrições para entrar na nossa propriedade. Temos que avisar e pedir autorização para cuidar dos nossos bichos.  Além disso tiraram as cercas, está tudo uma bagunça. Nós estamos resistindo. Houve muita pressão, ameaças. Muita gente ficou triste, faleceu com depressão depois de tudo isso. Viram que tudo o que tinham na vida foi por água abaixo”, conta Dênis.

Para ele ainda há esperança de que essa situação se inverta. “O que vivemos é muito próximo do Brasil colonial só que agora não são os grandes fazendeiros que mandam, são as empresas poderosas. Mesmo assim, estamos na expectativa de que o decreto de desapropriação seja anulado, depois que veio à tona o mega esquema do Eike”, conclui. 

Promessa de desenvolvimento

Considerado o maior empreendimento mínero-portuário do mundo, o projeto foi anunciado em 2006, e incluía a construção do maior mineroduto já visto em toda a história do setor mineral, com 525 km de extensão, em Minas Gerais, e um condomínio industrial misto com infraestrutura logística e portuária no Rio de Janeiro.

Quando anunciado, o Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, era uma promessa de desenvolvimento para a região, projetado sob o conceito de porto-indústria que atrairia empresas de vários setores para o distrito industrial que seria instalado a sua volta.

A assessoria de imprensa da Prumo Logística, que gere o Porto do Açu, não se manifestou sobre o valor pago por Eike Batista pelo terreno em São João da Barra, informando apenas que, desde 2013, a companhia possui um novo acionista controlador e o empresário hoje detém apenas 0,19% da companhia. Sobre as desapropriações, a Prumo afirmou que as ações tramitam no poder judiciário e transcorrem de acordo com a sua respectiva legislação. A Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin) informou que não se posicionará sobre o valor dos depósitos feitos aos proprietários para as desapropriações. 

Edição: Vivian Virissimo

Porto do Açu: Pezão e Regis Fitchner participaram de reunião que discutiu desapropriações no V Distrito

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A prisão no dia de ontem do “idealizador” do Porto do Açu, o ex-bilionário Eike Batista, suscitou uma série de requisições de informações sobre como se deram as desapropriações no V Distrito de São João da Barra.

Pois bem, buscando no grande oceano da internet, encontrei uma nota publicada pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de São João da Barra que tratou de uma reunião realizada no dia 30 de Julho de 2010 no Palácio das Laranjeiras reunindo membros do (des) governo Cabral, a prefeita Carla Machado e secretários, e ainda representantes da LL(X) (Aqui!).  

O título da matéria da ASCOM/SJB era um irônico “Estado e Prefeitura garantem justiça aos produtores do 5º Distrito“. E por que irônico? É que pouco mais de 2 meses depois dessa reunião, o então (des) governador Sérgio Cabral promulgaria os decretos que dariam a base legal para que a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) começasse a expulsar centenas de famílias de agricultores familiares de terras que suas famílias ocupavam há várias gerações. Desapropriações essas que agora se diz terem sido facilitadas por pagamento de propina de Eike Batista para Sérgio Cabral.

Mas o que há de importante nessa reunião que reuniu alguns dos principais “players” desse processo de tomada de terras de humildes agricultores para entregá-las para o então bilionário Eike Batista?

É que graças ao blog do professor Roberto Moraes, pode-se ter acesso a duas imagens que mostram momentos daquela reunião (Aqui!) e uma delas é bastante interessante (ver abaixo).

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E por que interessante? É que além de Sérgio Cabral e Carla Machado também aparecem ao fundo num interlóquio paralelo o então vice-governador Luiz Fernando Pezão e o todo poderoso secretário estadual da Casa Civil, Régis Fitchner.

Pois bem,  é importante lembrar que o escritório de advocacia Andrade & Fitchner Advogados representou os interesses do grupo de Eike Batista em processos relativos ás desapropriações que hoje se encontram sob as luzes dos holofotes por causa da prisão de Eike Batista, e que eu já abordei aqui neste blog no dia 23 de Junho de 2015 (Aqui!).

Quanto ao papel do hoje (des) governador Luiz Fernando Pezão nesta reunião? Bom, essa é uma pergunta que só ele (ou quem sabe Eike Batista) poderão responder. Mas uma coisa é certa: a presença de Pezão e Régis Fitchner (além da simpática Marilene Ramos, que então presidia o Instituto Estadual do Ambiente) sinaliza que as desapropriações em São João da Barra tinham um “carinho” especial no (des) governo de Sérgio Cabral.

E voltando ao título da matéria da ASCOM/SJB, o que eu me pergunto é quando o Estado e a Prefeitura de São João da Barra vão finalmente garantir justiça aos produtores do V Distrito? Um bom primeiro passo seria anular os decretos de desapropriação, fazendo voltar as terras aos seus legítimos donos.

Vale a pena ver de novo: entrevista dada no programa “Debate Brasil” sobre a implantação do Porto do Açu

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Sérgio Cabral e Eike Batista comemoram o início das obras do Porto do Açu

Em Novembro de 2015 dei uma longa entrevista no programa “Debate Brasil” que é produzido pela Associação de Engenheiros da Petrobras (AEPET). Ali fui confrontado pelo economista Paulo Passarinho sobre as múltiplas facetas que cercaram a implantação do Porto do Açu, incluindo as desapropriações promovidas pelo (des) governo Cabral em benefício do grupo EBX.

Agora que a casa caiu (ou ameaça cair porque Eike Batista continua foragido), muitos se dizem surpresos com os fatos que estão emergindo. Mas como tentei demonstrar nesta entrevista, nada do que está emergindo é realmente novo. Apenas agora temos a mídia corporativa dando a cobertura de uma forma minimamente isenta sobre os fatos que cercaram as relações pouco republicanas entre Eike Batista e Sérgio Cabral.

Como a enttevista durou em torno de 57 minutos, aviso que a parte das desapropriações já é bem mencionada nos primeiros 15 minutos.

Porto do Açu: desapropriações foram uma ação de amigos entre Eike Batista e Sérgio Cabral

Uma das razões da criação deste blog foi dar voz a centenas de famílias do V Distrito de São João da Barra que estavam sendo violentamente expulsas de suas pequenas propriedades em função da promulgação dos  Decretos 42.675 e 42.676 (ambos do dia 28 de outubro de 2010), que desapropriaram terras pertencentes a pequenos agricultores no município de São João da Barra, para a construção do Distrito Industrial de São João da Barra (DISJB).

Ao longo dos últimos 6 anos dediquei muita atenção aqui no blog e em minhas atividades de pesquisa na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) sobre as desapropriações determinadas pelo (des) governo Cabral supostamente para a criação do DISJB que jamais saiu do papel. Aliás, nesse período de quase 6 anos, os únicos que saíram de algum lugar foram os agricultores, muitas vezes sobre pesada repressão policial e judicial

Os estudos que fiz em torno deste caso estão sintetizados no artigo intitulado “When the State Becomes the Land Grabber: Violence and Dispossession in the Name of ‘Development’ in Brazil ”  (ou em português “Quando o Estado se torna grileiro de terras: violência e despossessão em nome do desenvolvimento”, e que foi publicado no Journal of Latin American Geography em 2013  (Aqui!).

Mas sempre achei que havia algo “fishy” (que cheirava mal) nessas desapropriações, visto que o estoque de terras expropriado e entregue para Eike Batista claramente excedia o que estava acontecendo dentro da retroárea do Porto do Açu.

Eis que agora com a determinação da prisão de Eike Batista como parte das apurações sendo realizadas no ramo fluminense da chamada “Operação Lava Jato”, estamos sendo informados pela mídia corporativa que no mesmo período da decretação das desapropriações em São João da Barra, Eike Batista estava pagando propinas a Sérgio Cabral, além de lhe oferecer várias outras benesses (Aqui! Aqui!).

Passado todo esse tempo em que a imensa maioria das famílias desapropriadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN), vemos emergir lentamente evidências materiais de que todo esse processo foi viciado e se tratou de uma grande ação entre dois amigos poderosos e dispostos a ganhar muito, mas muito dinheiro, nem que centenas de famílias pobres e trabalhadoras tivessem que ficar sem as terras que lhes davam sustento.

Agora que as tratativas e os intercâmbios monetários que ocorreram entre o ex (des) governador Sérgio Cabral e o ex-bilionário Eike Batista, me parece uma obrigação da sociedade civil organizada fluminense cobrar a imediata anulação dos Decretos 42.675 e 42.676, e o imediato retorno das terras expropriadas aos seus legítimos donos. Nem mais, nem menos!

Eike Batista e Sérgio Cabral: uma amizade que precisa ser melhor investigada

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O jornal Folha de São Paulo publicou neste domingo (08/01) uma matéria assinada pelo jornalista Ítalo Nogueira sobre o uso dos jatinhos de Eike Batista pelo casal Sérgio Cabral Filho e Adriana Ancelmo no período entre 2009 e 2011 que alcançou o cabalístico número 13 (Aqui!).

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 A matéria informa que esse número de vôos é maior do que anteriormente conhecido e foi revelado pelo próprio Eike Batista aos procurados que estão a cargo da chamada Operação Calicute.

Em nota a assessoria do ex-bilionário (e aparentemente ex-amigo de Sérgio Cabral) Eike Batista), informou que ” à ocasião [dos empréstimos], o empresário não tinha contrato de prestação de serviço nem recebia pagamentos do Estado. Pelo contrário, usava recursos próprios para patrocinar atividades típicas do poder público, como as Olimpíadas, a implementação das UPPs, despoluição da Lagoa e auxílio a projetos culturais e sociais“.

A nota dos assessores Eike Batista esqueceu, ao que parece propositalmente, que nesse exato intervalo de tempo, o (des) governo Cabral manteve negócios diretos com o ex-bilionário, mais especificamente no processo de implantação do chamado Complexo Industrial-Portuário do Porto do Açu em São João da Barra. 

É que em 2010 quando o então (des) governador do Rio de Janeiro teria voado no jatinho de Eike Batista para ir a Nova York “tratar de negócios” como informou sua assessoria, Sérgio Cabral promulgou os Decretos 42.675 e 42.676 que desapropriaram terras pertencentes a pequenos agricultores do V Distrito de São João da Barra para supostamente implantar um distrito industrial e um corredor logístico que não saíram do papel até hoje cujo beneficiário direto era, sim ele mesmo, o ex-bilionário Eike Batista..

Aliás, essas desapropriações resultaram num negócio bastante questionável entre o (des) governo do Rio de Janeiro e o grupo de Eike Batista e que hoje são objeto de uma disputa judicial que corre sob segredo de justiça  (Aqui!).

Em suma, se a amizade de Eike Batista e Sérgio Cabral for estudada a fundo, é provável que se descubra mais coisas do que um número anteriormente de voos garantidos na base do 0800.  A ver!

 

Que infeliz aniversário! Oito anos depois de sua criação, DISJB não saiu do papel

Poucos se deram conta, inclusive eu mesmo, que no último dia 05 se completaram 8 anos da promulgação do Decreto 41.585/ 2008 que criou o Distrito Industrial de São João da Barra (DISJB), o qual foi posteriormente modificado pelo Decreto 41.916/2009 (ver figuras abaixo que mostram sua localização no V Distrito do município de São João da Barra).

A razão para tamanho esquecimento e eventual falta de qualquer celebração em São João da Barra é que as formidáveis estruturas que foram colocadas em múltiplas apresentações de Powerpoint mostradas a investidores incautos pelo ex-bilionário Eike Batista, mas nunca saíram do papel (ver mapa abaixo com as indústrias que nunca saíram das telas de Datashow).

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Como qualquer um que visitar as terras arenosas que antes de 2010 pertenceram por gerações a centenas de famílias de agricultores familiares verá apenas placas de propaganda do DISJB e da Prumo Logística Global. Agora, indústrias que foram apresentadas como a razão para expropriar terras de famílias trabalhadores que é bom, nem uma chaminé apareceu para ser vista ou fotografada.

O mais trágico disso tudo, ao menos para as famílias expropriadas, é que até hoje as centenas de processos de desapropriação se arrastam na justiça sanjoanense sem nenhuma perspectiva de solução à vista. Muitos idosos que tiveram suas terras tomadas já morreram, e o problema de receber o dinheiro devido pelo estado do Rio de Janeiro agora está nas mãos de herdeiros que sofrem sem ter sequer onde trabalhar. E o pior é que muitos agricultores ainda estão tendo que pagar os impostos devidos pela propriedade de terras que sequer podem adentrar.

E o pior de tudo é que com a falência financeira causada pelos (des) governos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, o estado do Rio de Janeiro perdeu a capacidade de arcar com os custos das desapropriações que determinou por meio dos Decretos 42.675 e 42.676 promulgados em 28 de Outubro de 2010.

A questão que resta agora saber é a seguinte: se o estado não tem como pagar as terras desapropriadas, quando os antigos proprietários ou seus herdeiros terão suas terras de volta? É que, do contrário, estaremos diante de um caso explícito de grilagem de terras feitas por um governo estadual. E até onde eu saiba, isso ainda não é permitido pelas leis brasileiras.

Em suma.. ou pagam, ou devolvem. Simples assim!