Escrevam o que eu digo: política biocida do governo Bolsonaro ainda vai causar um boicote global às commodities brasileiras

O escritor Paulo Coelho está sob fogo direto dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro por ter publicado (e apagado) um tweet onde ele indicava o boicote às commodities brasileiras por causa do caos ambiental instalado no Brasil pelo governo Bolsonaro (ver reprodução abaixo).

boicote paulo coelho

Eu diria que o problemas brasileiros e um iminente boicote aos produtos brasileiros por causa da destruição das florestas amazônicas e do Pantanal para ampliar as áreas destinadas à pecuária e o plantio de grandes monoculturas, tendo a soja à frente, independe da vontade individual de Paulo Coelho, e se tornou uma questão de tempo até que grandes parceiros comerciais como a União Europeia adotem essa medida.

Se isso realmente acontecer, os principais culpados pelo agravamento da crise econômica e social que um boicote às commodities brasileiras inevitavelmente causará será o próprio governo Bolsonaro e suas práticas biocidas.  As cenas de áreas florestadas queimando e engolindo no caminho aldeias indígenas inteiras (ver cenas abaixo do fogo consumindo o Polo Diauarum na Terra Indígena do Xingu).

A questão do boicote aos produtos brasileiros por causa das políticas anti-ambientais está se movendo rapidamente do terreno do “se vai acontecer” para “quando vai acontecer”. E de nada adiantará Jair Bolsonaro, Hamilton Mourão, Ricardo Salles e Tereza Cristina se desentendidos quando o boicote começar. Afinal, é esse governo que dá o principal combustível para o boicote acontecer.

Banco dos BRICS? Vem por ai mais destruição ambiental e a agressão aos direitos das comunidades tradicionais

brics 3

O anúncio da criação de um banco de “desenvolvimento” do bloco alcunhado de BRICS (Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul) tem sido apontado por alguns analistas oficialistas com uma prova da disposição de enfrentar as instituições do acordo de Bretton Woods (principalmente o FMI e o Banco Mundial). 

Eu que tive a chance de avaliar de perto o comportamento anti–regulação ambiental do Brasil no Banco Mundial, sei que essa é apenas uma ilusão, e tenho certeza que rapidamente o Banco do BRICS mostrará ao que veio: financiar projetos sem aquelas desagradáveis amarras (formais é óbvio) que os projetos do BIRD possuem para conter a depredação do meio ambiente e a agressão aos direitos das populações tradicionais. 

O fato de que o tal banco dos BRICS será sediado na China é outro indicador de que no depender dessa nova entidade não ficará pedra sobre pedra, pelo menos fora dos limites chineses, principalmente na África.  Aliás, se olharmos o recorde ambiental de Rússia, índia e África do Sul, veremos que se avizinha por ai ainda mais destruição do que já foi produzido pelos projetos do Banco Mundial.

Aliás, em que medida as práticas sociais e ambientais desses estados nos levaria a pensar que esse banco de “desenvolvimento” levaria a algo diferente, especialmente se a “madrinha” desse monstrengo é Dilma Rousseff, a mãe do PAC e de toda a destruição que esse programa de criação de estruturas pró-commodities gerou no Brasil?