O governo Dilma Rousseff expõe de vez sua face neoliberal. E agora, o que fazer?

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As medidas anunciadas pelo governo de Dilma Rousseff apontam para cortes orçamentários em torno de R$ 26 bilhões, o que avaliado de perto não representa nada significativo do ponto de vista de um verdadeiro ajuste no déficit público. É que os cortes atingem os salários servidores públicos e programas sociais, deixando de fora o principal problema que são as escorchantes taxas de juros que são o sustentáculo da economia financeirizada que nos levou a essa crise. Tanto isso é verdade que o primeiro apoio explícito às medidas veio da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

O fato é que a questão real que esses cortes explicitam é a submissão da presidente Dilma Rousseff à lógica rentista que implica na asfixia dos direitos sociais e trabalhistas em nome de uma estabilidade que se sabe é impossível, mesmo porque estamos imersos numa crise de natureza sistêmica e que é alimentada pelo desaquecimento da economia da China e pela incapacidade dos EUA e da União Européia de fazerem suas economias funcionarem de modo minimamente positivo.

É essa submissão que esta em jogo nesses cortes, pois além de manter a ordem rentista intacta, também aprofunda a precarização do serviço público e a privatização de serviços essenciais. Além disso, também joga para as calendas quaisquer possibilidades de iniciarmos as necessárias reformas na propriedade da terra no campo e na cidade.

Aos apoiadores do governo do neoPT resta o argumento surrado de que essa pílula amarga é uma necessidade para que o Brasil volte a crescer e que os sacrifícios de hoje são antevéspera de momentos melhores. É que basta olhar para a situação de países como Grécia, Espanha e Portugal para saber que isto simplesmente é mentira, E que o arrocho financeiro, seja no plano individual ou institucional, serve principalmente aos interesses das grandes corporações financeiras que, parafraseando o ex-presidente Lula, acumulam lucros nunca antes visto na história deste pais. 

E antes que venham me dizem que eu sou um ultra-esquerdista que não quer entender a importância das supostas mudanças trazidas pelo PT desde que chegou ao Palácio do Planalto em 2003, tenho a dizer que esse argumento está sendo superado pelas mudanças que estão ocorrendo no plano político-partidário na Europa até em locais onde a recessão ainda foi sentida plenamente, como foi o caso da Inglaterra onde o Partido Trabalhista escolheu um líder anti-austeridade para seu posto máximo de liderança. E como todos sabemos, o Partido Trabalhista nunca exatamente um partido de ultra-esquerda.

A questão para mim é ver como as forças que se dizem de esquerda vão agir nos próximos meses. Se vão se orientar por uma estratégia que privilegia um combate estratégico contra o controle rentista do Estado ou vão se apegar a ações táticas para vencer eleições para prefeituras e câmaras municipais. É que apesar de não desconhecer o papel que o debate eleitoral cumpre na disputa política, me parece que o pior dos mundos será esquecer o combate político estratégico em prol de ganhos táticos minguados. 

A questão é que temos que rejeitar a tentação de equivaler a falência política do PT com uma crise da “esquerda”. É que desde a trágica “Carta aos Brasileiros” de 2002, a direção nacional do PT escolheu caminhar até um beco sem saída.  E, pior, não vejo qualquer movimento interno para que se faça algo semelhante ao que acaba de ocorrer no Partido Trabalhista inglês.  Em suma, quem está em crise é o PT e não a “esquerda”. Esta, por sua vez, possui problemas sérios para entender ou, pelo menos vislumbrar, o seu próprio papel num momento tão crucial da nossa história. 

Assim, se concentrar na construção de um programa que rompa efetivamente com o governo Dilma Rousseff é a tarefa da vez para muitos ativistas e militantes que não querem a manutenção da ditadura dos bancos.  O resto, me desculpem, são chorumelas, e o resultado certamente será a prostração e a depressão psicológica e econômica. Simples assim!

Mídia corporativa noticia crise de refugiados, e “esquece” do massacre dos índios no Mato Grosso do Sul

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Em palestra recente sobre a repressão no campo comandada pelo regime militar de 1964 acabei omitindo um capítulo particularmente desconhecido que foi a repressão às comunidades indígenas e a entrega de suas terras à latifundiárias, especialmente no que ainda era a fronteira de expansão no centro oeste, principalmente o Mato Grosso do Sul.

Como tantos outros aspectos não corrigidos do período ditatorial, a remoção forçada desses indígenas de seus territórios ancestrais continua pairando sobre a sociedade brasileira como mais dos espectros que assombram a nossa convivência democrática, diminuindo a possibilidade de que sejamos uma Nação minimamente moderna e justa.

Mas a situação acabou piorando com a entrada da senhora Kátia Abreu no Ministério da Agricultura no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, pois o latifúndio deixou de ter estafetas para ter uma das suas representantes dentro do governo federal. O resultado deste “prêmio” dado por Dilma Rousseff ao latifúndio é que o massacre que era latente passou a ser aberto.

Agora, ainda que a imprensa corporativa não dê o devido destaque, está se desenvolvendo uma série de casos de eliminação física de líderes indígenas que estão na frente da luta pela demarcação de seus territórios, processo que foi literalmente paralisado nos últimos anos por uma combinação de inércia do governo federal com a ação de procastinadora dentro do Supremo Tribunal Federal.

Assim, de nada adianta os brasileiros se emocionarem com o resgate de crianças sírias nas águas do Mediterrâneo, se dentro do Brasil está ocorrendo de forma impune um massacre dos nossos povos originários. Mais simples do que isso, impossível!

A “Pátria Educadora” e a greve nas universidades

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Por Guilherme Boulos

No dia 1º de janeiro, Dilma Rousseff anunciou o novo lema de seu governo: “Pátria Educadora”. Uma semana depois, tornou público o primeiro corte orçamentário do ano, mais de R$20 bilhões. A área mais afetada: Educação.

Enredo curioso este. E não parou por aí. Em fevereiro, o MEC bloqueou um terço das verbas das universidades federais, afetando o funcionamento de serviços básicos como limpeza, água, luz, materiais de secretaria, além de bolsas de estudo, e fez corte nos salários de funcionários terceirizados. No caso da pós-graduação, o contingenciamento chegou a 75% das verbas previstas.

A situação só tem se agravado ao longo do ano. Em junho, a reitora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Soraya Smaili, afirmou em nota ter sido surpreendida “com um corte violento em nosso orçamento, que poderá comprometer e adiar diversas ações”.

Em julho, o reitor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) foi claro em dizer que a maior federal do país não terá condições de funcionamento, a partir de setembro. Semana passada, a UFF (Universidade Federal Fluminense) teve que interromper as atividades pelo corte de energia elétrica. Não havia dinheiro para pagar as contas.

Neste cenário, era de se esperar mobilização e resistência. E foi o que ocorreu quando docentes das universidades (representados pelo Andes -Sindicato Nacional), servidores técnicos das federais (representados pela Fasubra) e professores e técnicos dos Institutos Federais (representados pelo Sinasefe) entraram em greve nacional, desde o dia 28 de maio.

A legitimidade dessa greve é inquestionável. Além das demandas salariais, de condições de trabalho e reestruturação da carreira, o que está em jogo é o futuro da universidade pública brasileira. Este caráter não corporativo da greve expressou-se no envolvimento de estudantes em todo o país. Os cortes do ajuste fiscal estão sufocando o ensino superior. A tesoura de Levy picotou a “Pátria Educadora”.

A greve também busca pautar questões de fundo como o avanço das “organizações sociais” (OS) na universidade pública – impulsionado pela decisão do STF que permite contratação de professores sem concurso -e a “financeirização” do ensino superior, expressa na formação de conglomerados educacionais com capital aberto, que tratam a educação como mercadoria nua e crua.

Esses grupos privados têm recebido fatia expressiva do investimento federal em educação, através de programas como o Prouni e o Fies. É verdade que houve uma importante expansão de vagas nas universidades federais, mas que não veio acompanhada dos investimentos necessários em infraestrutura e da contratação de professores e técnicos. O ajuste fiscal agrava ainda mais esta situação, comprometendo o funcionamento básico das instituições.

Vemos os mesmos cortes ocorrerem nas universidades estaduais. Em São Paulo, USP, Unesp e Unicamp tiveram redução do repasse orçamentário em 2015. Quando se trata de responder à crise econômica com corte de verbas na educação, os governos parecem falar a mesma língua.

Fazem três meses desde o início da greve nas federais. Apesar da paralisação continuar firme em 47 universidades e do conjunto de mobilizações, Dilma não deu qualquer sinalização aos docentes e servidores técnicos.

O mínimo a se esperar seria a suspensão imediata dos cortes que estão impedindo o funcionamento das instituições de ensino e o diálogo efetivo com as pautas do movimento grevista. #NegociaDilma!

Guilherme Boulos é formado em filosofia pela USP, é membro da coordenação nacional do MTST e da Frente de Resistência Urbana.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/guilhermeboulos/2015/08/1674069-a-patria-educadora-e-a-greve-nas-universidades.shtml

Retornando ao reino desencantado das commodities

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No dia 03 de junho de 2012 publiquei o artigo abaixo na Revista Somos Assim. Ao reencontrá-lo em uma dessas buscas que se faz na rede mundial de computadores, eu não consegui resistir à tentação de republicá-lo aqui no blog. É que ao reler o que eu mesmo escrevi há mais de 3 anos, não posso deixar de dizer o famoso “eu avisei!“. 

E como o Sr. Júlio Bueno continua ocupando papel de relevo no (des) governo Pezão, também fico com aquela tremenda vontade de perguntar a ele onde anda o prometido desenvolvimento que viria após se retirar centenas de famílias de suas terras em troco de nada!

Aliás, esta semana comi um delicioso maxixe que ganhei de presente de um agricultor do V Distrito, o qual até hoje está sem receber a justa compensação financeira por uma de suas pequenas propriedades que foi 

expropriada pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin). E saibam todos que o maxixe estava delicioso.

Problemas à vista no reino desencantado das commodities 

Marcos A. Pedlowski, artigo publicado no número 247 da Revista SOMOS ASSIM em 03.06.2012

O fato de que a economia brasileira se tornou perigosamente dependente da exportação de commodities minerais e agrícolas já deveria ter feito soar o alarme de perigo para as autoridades federais há quase uma década. Mas não foi o que se viu e, aliás, o caminho assumido por Lula e Dilma Rousseff foi justamente o oposto, pois todas as apostas feitas foram no sentido de fortalecer o papel ocupado pelas commodities na balança comercial. Assim, bilhões de reais retirados do FGTS e do Fundo de Apoio ao Trabalhador (FAT) foram usados para apoiar um pequeno número de empresas. Exemplos desta aposta nas commodities são a JBS-Friboi, atualmente a maior empresa da área de carnes, a Vale que atua na área de minérios, e o Grupo EBX cujo motor é a área de petróleo e gás. Mas, além de turbinar os negócios destas mega empresas, o governo federal também investiu vultosas somas de recursos na área de infraestrutura e logística através do chamado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). 

A aposta no peso econômico das commodities estava ancorada em dois aspectos básicos: a elevação sem precedentes nos preços de recursos minerais e produtos agrícolas, e o crescimento vertiginoso da economia da China, que passou a se comportar como um aspirador de pó gigante que absorvia grande parte da produção mundial de produtos primários. Além disso, a transformação das commodities em elemento com os quais as grandes corporações financeiras faziam o seu jogo especulativo contribuiu para dar uma aura de inevitabilidade de que o Brasil se dobrasse ao seu apelo comercial. 

Mas, agora que a economia chinesa está dando claros sinais de que vai entrar num ciclo menos virtuoso e os países europeus permanecem enredados numa colossal crise econômica, a aposta nas commodities está se mostrando um erro descomunal. E os sinais disto estão por todo lado. Primeiro foram as indústrias de celulose que congelaram seus planos de expandir os plantios de eucalipto e pinus na região Sul; só a papeleira sueca Stora Enso diminuiu em 80% as suas metas de plantio, além de ter fechado o escritório que mantinha em Porto Alegre, num claro sinal de que está querendo dar um “adjö” ao Brasil. Outra evidência apareceu numa entrevista dada à Revista Exame por Ruben Ometto, que até recentemente jogava fundo na área de produção de açúcar e álcool, mas que repentinamente decidiu mudar o seu foco para a área de logística, e se manter o mais distante possível de tudo que tenha a ver com a cana de açúcar. Mas um sinal mais próximo de que o chamado “superciclo” das commodities pode ter chegado a um final pouco glorioso foi a desistência das multinacionais Ternium (francesa) e Wisco (chinesa) de instalarem siderúrgicas no chamado Complexo Portuário-Industrial do Açu. Apesar de Eike Batista ter tentado, como sempre aliás, colocar uma face risonha na derrocada de suas sonhadas siderúrgicas, o fato é que a produção do aço também está comprometida com o que está acontecendo na China e na Europa. 

Os mais puros de alma poderiam dar de ombros para a débâcle das commodities e se refugiar no mito disseminado pelos ideólogos do governo Dilma de que a economia brasileira está forte o suficiente para resistir à pulverização dos valores estratosféricos que as commodities desfrutaram por mais de duas décadas. Aliás, há que se ressaltar: os valores inflacionados das commodities serviram ainda para disseminar e legitimar o mito de que o Brasil tinha superado nosso histórico atraso econômico para se inserir no fechado clube das economias desenvolvidas. 

Neste processo todo o Brasil perdeu a oportunidade de efetivamente reorganizar para melhor o modus operandi da economia brasileira. Assim, ao invés de apostar em políticas estruturantes como a reforma agrária e o desenvolvimento de alternativas de ponta na área energética, o que se deu foi uma aposta justamente no sentido contrário. Assim, o que temos hoje é um aumento acelerado na concentração da terra para o cultivo das monoculturas agroexportadoras. Por isso, apenas a COSAN de Rubens Ometto detém 100.000 hectares de terras nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Bahia e Maranhão que estão usando exclusivamente apenas para o plantio de cana de açúcar voltado para a produção de açúcar e álcool. Mas não seria preciso ir tão longe para ver como a opção pelas commodities está afetando a produção de alimentos, pois aqui mesmo no V Distrito de São João da Barra, centenas de famílias tiveram suas terras altamente produtivas tomadas para a implantação do Complexo do Açu! O problema é que agora toda a aposta feita no mirabolante Eike Batista está parecendo apenas outro erro trágico dos adoradores de commodities. Aliás, neste caso, caberia perguntar ao secretário estadual de Desenvolvimento, Júlio Bueno, que disse um dia que preferia aço ao maxixe, o que ele fará com as terras desapropriadas agora que o sonho da siderurgia virou pesadelo. 

O mais trágico disto tudo é que se o pior cenário se confirmar, o Brasil terá de se defrontar com uma grave crise econômica e social. Mas talvez aí as mudanças venham finalmente a ocorrer.

Os protestos coxinhas e a falência da imprensa corporativa: duas faces da mesma moeda reacionária

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Os protestos deste domingo contra o governo Dilma Rousseff encolheram em número, mas não em bílis reacionária. As imagens de classe média branca protestando contra a corrupção da qual ela mesma se alimenta todos os dias já seria patética o suficiente, se não fosse o esforço da mídia corporativa (representada com galhardia pela Folha de São Paulo e pela Rede Globo) que procuram ocultar a face obscurantista das demandas que apareceram travestidas de luta contra um governo corrupto.

É que utilizando a estratégia de mostrar a floresta pelo alto, o que a mídia corporativa tentou esconder é que quem foi aos protestos de hoje quer mais é que a luta contra a corrupção se exploda. O que preocupa efetivamente a maioria desses “manifestantes” são os parcos avanços que foram concedidos pelo PT em seus anos de poder.

Aliás, a presença dos monarquistas nestas verdadeiras catarses reacionárias exemplifica bem algo que já foi ironizada nas redes sociais. É que se dependesse da vontade de muitos desses “manifestantes, Eduardo Cunha, o novo super herói dessa gente branca e reacionária, iria colocar imediatamente para ser apreciado a revogação da Lei Áurea.

Por outro lado, há que se dizer que qualquer movimento para defender Dilma Rousseff seria gastar energia indevidamente.  O que precisamos construir no Brasil é uma saída a essa falsa dicotomia entre neoliberais azuis e vermelhos. Do contrário, ficaremos assistindo a uma encenação barata de golpistas cujo único intuito é  cassar todos os direitos que a classe trabalhadora amealhou ao custo de muito suor e sangue.

Syriza mostra ao PT que existem alternativas ao estelionato eleitoral: povo grego diz sonoro não à austeridade da troika

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A população da Grécia acaba de dar um sonoro não às políticas de austeridade que estavam sendo impostas pela troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia, Banco Central Europeu) para continuar asfixiando a economia grega. A margem da derrota imposta à troika não deve ter sido prevista nem pelos mais otimistas membros da coalizão governista comandada pelo Syriza. Há que se ressaltar que a aposta no referendo foi uma manobra arriscada do primeiro-ministro grego Alexis Tsipras que, confrontado pela intransigência do FMI e da Comissão Europeia comandada por Angela Merkel, resolveu fazer um movimento imprevisto no tabuleiro político da Europa.

Um detalhe que foi explorado pela imprensa corporativa brasileira, sempre alinhada com os esforços de submissão dentro do Brasil, é que a imensa maioria dos 240 bilhões de euros colocados nas contas da dívida da Grécia sequer chegou a tocar o solo grego. Na verdade, todo esse dinheiro foi colocado em bancos europeus, principalmente alemães, que tinham especulado centenas de bilhões de dólares na Grécia e perderam.

Confrontados com o plebiscito proposta por Tsipras, os gerentes da dívida inicialmente desdenharam e tentaram ignorar a decisão grega de ouvir a população sobre o pacote de austeridade. Entretanto, com o passar dos dias e com a resistência da coalizão governista grega, os chefões europeus rapidamente passaram a agir como o lobo mau em frente da casa dos três porquinhos e começaram a fazer as ameaças de sempre.

Neste domingo (05/07), os gregos decidiram rejeitar a ameaças do lobo mau e decidiram rejeitar mais uma rodada de inaceitáveis cortes em direitos sociais que não teriam qualquer efeito na solução da crise financeira grega. E a vitória da rejeição foi por uma diferença impressionante (60 a 40). Este resultado não só deixa dúvida do nível de rejeição do povo grego à austeridade imposta pela troika, mas como coloca o governo comandado pelo Syriza na condição de alterar todo o balanço político da Europa. De quebra, os gregos indicam que não se importam com a ameaça de expulsá-los da União Europeia. Colocando tudo isso junto, a vitória do Não é de uma grande importância histórica.

Há ainda que se ressaltar a grande lição que o Syriza está dando ao PT. É que diferente de Dilma Rousseff, Alexis Tsipras se negou a realizar o estelionato eleitoral e vem governando exatamente ao longo das linhas com que se comprometeu para ser eleito.  Ainda que isto não torne Tsipras um revolucionário no sentido dado pelos revolucionários marxistas, é certo que no estado de miséria intelectual e política que reina no mundo, Tsipras está cumprindo um papel que o torna extremamente relevante. 

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E Tsipras, ainda poderá tomar para si a fase frase de Jorge Lobo Zagallo para dizer à troika: vocês vão ter que me engolir!

WikiLeaks mostra que NSA continua espionando Dilma Rousseff e outras autoridades federais brasileiras

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Em sua recente visita aos Estados Unidos da América, a presidente Dilma Rousseff recebeu afagos do presidente estadunidense Barack Obama, que incluiu até a promessa de que não seria mais objeto de espionagem pela National Security Agency (NSA), aquela mesma que foi exposta por Edward Snowden.

Bom, mas como quem ouve declaração não vê a ação real, hoje (04/07) o site Wikileaks emitiu um comunicado de imprensa acompanhado de uma lista de telefones de altas autoridades brasileiras que tiveram (ou tem) seus telefones grampeados pela NSA (Aqui!).

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Além disso, o comunicado de imprensa está acompanhado da lista de autoridades que estão com seus telefones grampeados pela NSA como mostram as imagens abaixo. E ai, além da presidente Dilma Rousseff, podemos ver que estão tendo suas conversas devidamente escutadas pelos espiões estadunidenses o ministro da Fazenda, os embaixadores brasileiros em Berlim e Paris, Antonio Pallocci, e os ministério das Forças Armadas. Isto sem falar nos telefones do avião presidencial!

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A pergunta que fica agora: o que fará Dilma Rousseff para defender o Brasil da espionagem realizada pela NSA?

Reinações de Kátia Abreu: agrotóxico ainda mais nocivo é aprovado pela Anvisa

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Vivemos tempo curiosos, para não dizer outra coisa, no Brasil. De um lado, temos um congresso onde a base do (des) governo comandado por Dilma Rousseff deixa e rola, aprovando em menos de 24 horas aquilo em que foi derrotado numa primeira votação, como foram os casos do financiamento privado das campanhas eleitorais e a redução da maioridade penal. Nesses casos, o neoPT adota uma face de que ainda é o velho PT e assume um discurso de que é oposição ao que ajudou a criar.

Mas um olhar mais apurado para outras áreas de atuação dos ministros e agentes indicados por Dilma Rousseff, veremos que esse suposto ensaio de uma “saída pela esquerda” do PT não passa de encenação pura. 

O caso mais emblemático para mim do abraço com a direita que caracterizou o estelionato eleitoral realizado por Dilma Rousseff e o neoPT não foi a indicação de Joaquim Levy para comandar o ministério da Fazenda. É que há outra ministra ainda mais alinhada com o ultra-reacionarismo no ministério neoliberal de Dilma, a dublê de senadora e latifundiária, a senhora Kátia Abreu. E sejamos sinceros, Kátia Abreu nunca disse que mudou ou que não continuaria incentivando as práticas nefastas que sempre defendeu. Não obstante, Kátia Abreu é seguramente uma das pessoas de maior confiança de Dilma Rousseff no atual ministério, visto que sua presença decorreu de uma escolha pessoal da presidente.

Mas o que tem Kátia Abreu a ver com a notícia abaixo publica pelo jornal Folha de São Paulo sobre a liberação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de um agrotóxico ainda mais nocivo à saúde humana do que os venenos agrícolas existentes no mercado brasileiro? Ora, tudo! É que desde antes de ser ministra, e isso continuou depois de sua posse no ministério da Agricultura, Kátia Abreu vem defendendo a liberação de venenos mais potentes para turbinar a produção de grãos que fazem a festa do latifúndio agro-exportador.

O problema é que se presta mais atenção nos tópicos que são passíveis de debate num congresso claramente tão ultraconservador quanto Kátia Abreu, outras coisas passam no melhor estilo “os cães ladram e a caravana passa”. Lamentavelmente, o que fica de prático é a disponibilização de venenos ainda mais potentes cujos efeitos recairão não apenas sobre a saúde dos trabalhadores e agricultores que os manuseiam diretamente, mas sobre toda a sociedade brasileira.

No caso específico deste veneno é importante notar que o mesmo será provavelmente utilizado no Norte Fluminense, visto que foi liberado pela Anvisa para uso na monocultura da cana-de-açúcar.

Governo contraria a lei e libera agrotóxico mais nocivo à saúde

REYNALDO TUROLLO JR., DE SÃO PAULO

Contrariando a lei, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a liberação de um agrotóxico mais nocivo à saúde do que outros já existentes no mercado com o mesmo princípio ativo e para o mesmo fim.

À Folha, a agência justificou a liberação como sendo um “erro”. Afirmou que o produto foi classificado como mais tóxico porque não conseguiu fazer os testes corretamente. Agora, mesmo sem parte dos exames, a Anvisa vai reclassificar o produto como menos nocivo, a fim de regularizá-lo (leia texto abaixo).

Para que um defensivo agrícola possa ser comercializado, é necessário aprovação do Ibama (órgão ambiental), da Anvisa (saúde) e do Ministério da Agricultura, que avalia a eficácia agronômica e, por fim, emite o registro.

Editoria de Arte/Folhapress

Os testes da Anvisa nessa etapa analisam a toxicidade aguda, que afeta principalmente o agricultor que manuseia e aplica o agrotóxico, além das comunidades no entorno das plantações.

A fabricante do produto liberado no ano passado, a Ourofino, já havia sido beneficiada de falhas na área de toxicologia da Anvisa em 2012, quando um ex-chefe do setor denunciou irregularidades.

Na ocasião, cinco produtos tiveram problemas, como “pular” a avaliação ou obter a aprovação apesar de serem mais tóxicos que os chamados produtos de referência.

Ao proibir a liberação de defensivos mais tóxicos do que os já existentes (produtos de referência), o objetivo da lei, de 1989, é estimular a indústria a desenvolver tecnologias menos danosas.

Após a Folha publicar uma série de reportagens sobre as irregularidades praticadas em 2012, a AGU (Advocacia-Geral da União) emitiu parecer em fevereiro de 2013 reafirmando que “nenhum agrotóxico pode ter toxicidade maior do que a daqueles já registrados para o mesmo fim”.

O HERBICIDA

Em setembro de 2014, porém, o herbicida para cana-de-açúcar e café MegaBR, da empresa Ourofino, passou pela Anvisa e obteve registro no Ministério da Agricultura apesar de ter sido classificado como mais tóxico que seus produtos de referência, o Metrimex 500 SC e o Gesapax, da Syngenta.

O MegaBR teve classificação toxicológica de nível 2 (altamente tóxico). Já os de referência são de nível 3 (medianamente tóxico) e nível 4 (pouco tóxico), respectivamente. Todos são feitos à base da substância ametrina.

Nas aprovações suspeitas, em 2012, outro produto da Ourofino também se beneficiou pela Anvisa –o inseticida para cana SingularBR. O produto era mais tóxico que seu produto de referência, o Regent 800 WG, da Basf, e continua no mercado, pois o parecer da AGU não foi retroativo.

A empresa é a mesma que, em 2011, emprestou um jatinho ao então ministro da Agricultura, Wagner Rossi. O episódio acelerou a saída dele do governo. A CGU (Controladoria-Geral da União) investigou o caso e concluiu não haver “evidências suficientes” de irregularidade.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2015/07/1650470-governo-contraria-a-lei-e-libera-agrotoxico-mais-nocivo-a-saude.shtml

Cagaço tucano é mostrado direto de Caracas!

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O vídeo abaixo mostra o “cerco” dos manifestantes chavistas à van que conduzia os senadores da direita brasileira que foi a Caracas para um exercício de inutilidade política. As imagens abaixo mostram que, ao contrário do que foi declarado por Ronaldo Caiado e outros membros da “comitiva”, a polícia venezuelana prestou a devida proteção ao veículo em que os direitistas brasileiros estavam.

Além disso, ao contrário do que se viu no Brasil em manifestações recentes onde pessoas vestidas de vermelho (petistas ou não) foram fisicamente agredidas, o que aparece na imagem é uma manifestação política basicamente orientada pelos gritos de “Fora” e “Chavez não morreu, se multiplicou”.

Este tipo de manifestação deve ser mesmo novidade para os falastrões liderados por Aécio Neves que em seus anos na política só saiu nas ruas sob forte proteção de escoltas públicas e privadas.

Aliás, o que eu gostaria mesmo era ver essa comitiva ir à prisão de Guantánamo em Cuba protestar contra os prisioneiros que estão lá há mais de uma década sem qualquer tipo de acusação formal por parte das autoridades estadunidenses.

Finalmente, é lamentável notar toda a submissão do governo Dilma à direita no congresso. E, pior, saber que partidos que se dizem de esquerda, o PSOL incluso, ajudaram a aprovar uma moção de repúdio à Venezuela para defender essa caravana de golpistas. Mais lamentável ainda!

Ferrovia inviável é apenas um passo chinês para transformar Brasil em seu laranja

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Eu achava que já tinha visto de tudo em relação ao combalido ao governo comandado pela presidente Dilma Rousseff, mas acabo de verificar que o fundo do poço não é o limite. É que segundo o que informa o site “Infomoney” a propolada Ferrovia Bioceânica, que deverá custar a “bagatela” de R$ 40 bilhões, na verdade não passa de um blefe chinês para pressionar a pobre Nicarágua que resiste em aceitar uma série de medidas para viabilizar a construção do chamado “Canal da Nicarágua” que ligaria o Atlântico ao Pacífico, e que teriam graves efeitos socioambientais.

Segundo o que mostra a matéria abaixo Ferrovia Bioceânica é economicamente inviável, e sei custo operacional não é competitiva com o Porto de Santos, apenas para começo de conversa. Em função disso, a “Ferrovia Bioceânica” estaria correndo o risco de ser outro mico do Neodesenvolvimentismo lulopetista, nos mesmos moldes  do Trem Bala que ligaria as capitais do Rio de Janeiro e São Paulo.

Se esse cenário, digamos, cítrico se confirmar, um óbvio perdedor seria o Porto do Açu que continuaria pendurado numa região sem grandes opções de acesso rodoviária ou ferroviário, o que certamente aumentaria ainda mais as pressões em torno da sua viabilidade econômica. Bem que eu suspeitei que essa coisa toda era boa demais para ser verdade. Afinal de contas, quando a esmola é demais, o bom santo deve desconfiar.

 

China pode usar Brasil como laranja por meio de ferrovia “inviável” de R$ 40 bilhões

SÃO PAULO – Um dos pontos de destaque do plano de concessões de R$ 198,4 bilhões anunciado ontem pelo governo para reativar a economia foi o projeto de R$ 40 bilhões da Ferrovia Bioceânica, que ligará o Brasil e o Peru e tem o apoio dos chineses. Porém, muitas polêmicas cercam o plano desta obra gigante e bilionária. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo citando um estudo realizado pela seção latino-americana da União Internacional de Ferrovias, o projeto é economicamente inviável. O custo do transporte de uma tonelada de soja de Lucas do Rio Verde até Xangai, na China, sai por US$ 120,43 se a mercadoria for embarcada no porto de Santos (SP). Pelo porto de Ilo, no Peru, o frete sai a US$ 166,92. Uma diferença de US$ 46,49 por tonelada. E o cálculo ainda não leva em conta o custo da construção, que não existe.

E, por sua grandiosidade e sustentabilidade econômica duvidosa, o projeto está sendo comparado por empresários pelo TAV (Trem de Alta Velocidade) que ligaria o Rio a Campinas, em São Paulo. O projeto foi menina dos olhos de Dilma Rousseff no governo de Lula, quando ela era ministra e hoje está engavetado. Além disso, uma coluna do jornalista Kennedy Alencar destacou que a Ferrovia Bioceânica foi incluída no pacote de concessões a pedido das autoridades chinesas que estiveram em Brasília recentemente. Segundo informa Alencar, ministros desconfiam que esse projeto possa ser usado pela China para pressionar a Nicarágua, onde há resistências ambientais e dificuldade de desapropriação de terras, a liberar a construção de um canal ligando o Mar do Caribe, no Atlântico, ao Oceano Pacífico. “Ou seja, há risco de o Brasil acabar sendo usado como laranja”, afirma.

Como foi um pedido da China, que firmou acordos de cerca de US$ 50 bilhões com o Brasil no mês passado, a presidente avaliou que não havia alternativa e colocou a obra no plano. Porém, a China já deixou de cumprir algumas promessas de investimentos no Brasil, destaca o colunista. Contudo, afirma Alencar, o novo pacote de concessões lançado ontem pelo governo tem mais pontos positivos do que negativos. Defesa do ministro No Senado, o ministro do Planejamento Nelson Barbosa procurou rejeitar a ideia de que a ferrovia Bioceânica pode ter o mesmo fim do trem-bala. “Trem-bala só faz sentido se fizer todo traçado, a ferrovia Bioceânica pode ser feita em partes, começando pelas que são mais viáveis comercialmente”, disse ele nesta quarta-feira, após ser questionado sobre a real viabilidade do projeto, citando os trechos de Sapezal (MT) a Porto Velho (RO) e de Água Boa (MT) até Campinorte (GO).

Durante audiência nesta quarta, Barbosa afirmou que uma série de definições para a Bioceânica ainda dependem da conclusão dos estudos pela China, o que deve ocorrer em maio de 2016, mas defendeu que a ferrovia já se justifica só pelo lado brasileiro no trecho até Porto Velho, para escoamento da produção via rio Madeira, melhorando a infraestrutura para transporte de grãos.

fonte: http://www.infomoney.com.br/mercados/politica/noticia/4094309/china-pode-usar-brasil-como-laranja-por-meio-ferrovia-inviavel