O governo Dilma Rousseff expõe de vez sua face neoliberal. E agora, o que fazer?

dilma levy

As medidas anunciadas pelo governo de Dilma Rousseff apontam para cortes orçamentários em torno de R$ 26 bilhões, o que avaliado de perto não representa nada significativo do ponto de vista de um verdadeiro ajuste no déficit público. É que os cortes atingem os salários servidores públicos e programas sociais, deixando de fora o principal problema que são as escorchantes taxas de juros que são o sustentáculo da economia financeirizada que nos levou a essa crise. Tanto isso é verdade que o primeiro apoio explícito às medidas veio da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

O fato é que a questão real que esses cortes explicitam é a submissão da presidente Dilma Rousseff à lógica rentista que implica na asfixia dos direitos sociais e trabalhistas em nome de uma estabilidade que se sabe é impossível, mesmo porque estamos imersos numa crise de natureza sistêmica e que é alimentada pelo desaquecimento da economia da China e pela incapacidade dos EUA e da União Européia de fazerem suas economias funcionarem de modo minimamente positivo.

É essa submissão que esta em jogo nesses cortes, pois além de manter a ordem rentista intacta, também aprofunda a precarização do serviço público e a privatização de serviços essenciais. Além disso, também joga para as calendas quaisquer possibilidades de iniciarmos as necessárias reformas na propriedade da terra no campo e na cidade.

Aos apoiadores do governo do neoPT resta o argumento surrado de que essa pílula amarga é uma necessidade para que o Brasil volte a crescer e que os sacrifícios de hoje são antevéspera de momentos melhores. É que basta olhar para a situação de países como Grécia, Espanha e Portugal para saber que isto simplesmente é mentira, E que o arrocho financeiro, seja no plano individual ou institucional, serve principalmente aos interesses das grandes corporações financeiras que, parafraseando o ex-presidente Lula, acumulam lucros nunca antes visto na história deste pais. 

E antes que venham me dizem que eu sou um ultra-esquerdista que não quer entender a importância das supostas mudanças trazidas pelo PT desde que chegou ao Palácio do Planalto em 2003, tenho a dizer que esse argumento está sendo superado pelas mudanças que estão ocorrendo no plano político-partidário na Europa até em locais onde a recessão ainda foi sentida plenamente, como foi o caso da Inglaterra onde o Partido Trabalhista escolheu um líder anti-austeridade para seu posto máximo de liderança. E como todos sabemos, o Partido Trabalhista nunca exatamente um partido de ultra-esquerda.

A questão para mim é ver como as forças que se dizem de esquerda vão agir nos próximos meses. Se vão se orientar por uma estratégia que privilegia um combate estratégico contra o controle rentista do Estado ou vão se apegar a ações táticas para vencer eleições para prefeituras e câmaras municipais. É que apesar de não desconhecer o papel que o debate eleitoral cumpre na disputa política, me parece que o pior dos mundos será esquecer o combate político estratégico em prol de ganhos táticos minguados. 

A questão é que temos que rejeitar a tentação de equivaler a falência política do PT com uma crise da “esquerda”. É que desde a trágica “Carta aos Brasileiros” de 2002, a direção nacional do PT escolheu caminhar até um beco sem saída.  E, pior, não vejo qualquer movimento interno para que se faça algo semelhante ao que acaba de ocorrer no Partido Trabalhista inglês.  Em suma, quem está em crise é o PT e não a “esquerda”. Esta, por sua vez, possui problemas sérios para entender ou, pelo menos vislumbrar, o seu próprio papel num momento tão crucial da nossa história. 

Assim, se concentrar na construção de um programa que rompa efetivamente com o governo Dilma Rousseff é a tarefa da vez para muitos ativistas e militantes que não querem a manutenção da ditadura dos bancos.  O resto, me desculpem, são chorumelas, e o resultado certamente será a prostração e a depressão psicológica e econômica. Simples assim!

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