Isenções fiscais para agrotóxicos deixam fatura para a saúde da população e o SUS

Inclusão das substâncias na lista de setores com menos tributos e adiamento de programa de controle impulsionam problema

Brasil é uma das nações que mais consomem agrotóxicos em todo o mundo – Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz)

Por Juliana Passos e Nara Lacerda para o Brasil de Fato 

O fim de 2024 chega com um banho de água fria para a luta pelo controle do uso de agrotóxicos em território nacional. Nesta semana, o Congresso Nacional aprovou a reforma tributária e incluiu os venenos agrícolas na lista de produtos beneficiados com 60% de redução de tributos, se forem registrados no Ministério da Agricultura. 

Outro exemplo emblemático da falta de progresso vem do executivo. O Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), em discussão desde 2014, foi adiado. Prevista para ser lançada neste mês, a política não saiu do papel. Há a expectativa de que o Pronara seja anunciado no primeiro semestre de 2025. 

O atraso foi tema de análise pela organização internacional Humans Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos, em tradução livre), divulgada no último dia 3. O texto, assinado por Julia Bleckner, pesquisadora sênior da iniciativa de saúde global da entidade, alerta que o avanço no tema é urgente, já que o Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. 

Segundo o artigo, “embora o plano original tenha sido elaborado em 2014, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) o impediu repetidamente de avançar. A falha dos ministérios envolvidos em chegar a um acordo é um golpe para os cientistas, ativistas e agricultores familiares brasileiros que defendem o plano há mais de uma década”. 

Em entrevista ao podcast Repórter SUS, a pesquisadora Karen Friedrich, servidora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e integrante do grupo de trabalho saúde e ambiente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), afirma que o país não avançou nos últimos anos, principalmente levando em consideração o fato de que o governo federal está sob uma gestão de bases populares. Ela ressalta, no entanto, que o estrago começou bem antes

“Precisamos analisar não apenas os últimos dois anos, mas também o que os antecedeu. Durante os governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL) tivemos a tramitação do pacote do veneno e vários atos infralegais, que não demandam nem consulta ao Congresso Nacional, flexibilizaram o uso de agrotóxicos. Esses atos, provenientes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Agricultura, permitiram que a liberação de agrotóxicos continuasse no governo Lula como era feita no governo Bolsonaro.” 

Enquanto o Brasil via a confirmação de que o plano de controle continuaria emperrado, uma pesquisa internacional reforçou os riscos do glifosato para o cérebro. A substância é usada em centenas de produtos vendidos no país.

O estudo, publicado no periódico Neuroinflammation, revelou que a exposição ao químico, mesmo em curto prazo, pode causar danos permanentes. A pesquisa, conduzida pela Universidade Estadual do Arizona e pelo Instituto de Pesquisa Genômica Translacional (TGen), mostrou que o glifosato se acumula no cérebro e pode desencadear processos inflamatórios associados a doenças neurodegenerativas.  

Outro alerta importante veio da Fiocruz e da Abrasco. Uma carta pública manifesta preocupação com a pulverização aérea de agrotóxicos com drones. As entidades argumentam que a prática coloca em risco a saúde de trabalhadores rurais, comunidades tradicionais e indígenas, além de contaminar o meio ambiente.  

“A pulverização aérea é uma das práticas mais nocivas que existem”, alerta Karen Friedrich. Ela ressalta que garantir a segurança desse tipo de prática depende de fatores muito diversos, como a quantidade dispersada, o tamanho das gotículas, o vento, a temperatura e outras condições de difícil controle. 

“As condições climáticas do país são muito diversas e mais ainda com o momento de crise e de colapso climático. Então, garantir a segurança é algo antiético. Não é possível dizer que é 100% seguro quando não é. Os mais atingidos são os trabalhadores da agricultura, suas famílias, quem mora nas áreas do entorno e povos e comunidades tradicionais, inclusive de maneira proposital. Além de tudo, agrotóxico no Brasil também é usado como arma química.” 

Na conversa com o podcast, Karen Friedrich aponta ainda que agrotóxicos recebem bilhões de reais em isenções fiscais anualmente. Segundo a pesquisadora, as vantagens contribuem para aumentar o problema do uso excessivo dessas substâncias no Brasil.  

Ela cita um estudo da Abrasco que demonstra que o Sistema Único de Saúde (SUS) gasta cerca de R$ 12 bilhões para tratar doenças causadas por agrotóxicos, enquanto o governo concede R$ 10 bilhões em isenções fiscais para a indústria de agrotóxicos. 

“Estamos discutindo a reforma tributária. Os agrotóxicos têm bilhões de reais em isenção todos os anos. Quando olhamos a relação do que é isento e dos gastos para tratar essas pessoas. Podemos até questionar a história de que o agronegócio é líder do Produto Interno Bruto [PIB]. Sabemos que, se botarmos na conta os problemas, eles vão ficar devendo”.
 

Edição: Martina Medina


Fonte: Brasil de Fato

Mundo será ‘incapaz de lidar’ com volume de resíduos plásticos em 10 anos, alerta especialista

Os países devem reduzir a produção agora e enfrentar o ciclo de vida completo do plástico, diz a ministra norueguesa Anne Beathe Tvinnereim antes das principais negociações da ONU esta semana

poluição plásticaPoluição plástica na praia de Sukaraja em Lampung, Indonésia, 2024. A projeção é que o lixo plástico triplique até 2060. Fotografia: Resha Juhari/We Animals

Por Karen McVeigh para o “The Guardian” 

O mundo será “incapaz de lidar” com o grande volume de resíduos plásticos daqui a uma década, a menos que os países concordem em reduzir a produção , alertou o copresidente de uma coalizão de países-chave antes das negociações decisivas para reduzir a poluição global por plástico.

Falando antes da rodada final e crítica de negociações da ONU sobre o primeiro tratado global para acabar com o desperdício de plástico, em Busan, Coreia do Sul, esta semana, a ministra do desenvolvimento internacional da Noruega, Anne Beathe Tvinnereim, reconheceu a divisão que se desenvolveu entre os países produtores de plástico e outros. Ela representa mais de 60 nações de “alta ambição”, lideradas por Ruanda e Noruega, que querem que a poluição por plástico seja combatida ao longo de todo o seu ciclo de vida. Crucialmente, isso significa reprimir fortemente a produção.

Embora um “tratado perfeito” possa não ser possível devido à força da oposição, principalmente de países produtores de petróleo, ela esperava que um acordo pudesse ser alcançado e fortalecido ao longo do tempo.

Anne Beathe Tvinnereim sentada em uma mesa de conferência em Nova York

Anne Beathe Tvinnereim, que é copresidente de uma coalizão de 60 países que pressionam por um forte tratado global sobre plásticos. Fotografia: Issam Ahmed/AFP/Getty Images

“Não vamos conseguir um tratado perfeito. Mas precisamos ir mais longe. E acho que iremos. Escolho ser esperançoso”, disse Tvinnereim. “Com países de coalizão de alta ambição, continuaremos a demonstrar que há um grande grupo de países que se apega às suas ambições. O mundo precisa desesperadamente de alguma liderança agora, e de algumas boas notícias.”

Este ano, vários pesquisadores encontraram microplásticos em todas as amostras de placenta que testaram ; em artérias humanas, onde os plásticos estão ligados a ataques cardíacos e derrames; em testículos e sêmen humanos, aumentando as evidências da ubiquidade dos plásticos e a preocupação com os riscos à saúde. A crise dos plásticos é amplamente reconhecida como uma ameaça à saúde humana, à biodiversidade e ao clima.

Dois anos após um acordo histórico de 175 países para adotar um mandato sobre negociações para um tratado global e juridicamente vinculativo para abordar todo o ciclo de vida dos plásticos, os delegados continuam amplamente divididos sobre o que fazer – e um prazo está se aproximando. O progresso estagnou devido a uma discussão sobre a necessidade de cortes na indústria de plásticos de US$ 712 bilhões As últimas negociações , em abril, não conseguiram chegar a um acordo para colocar as metas de produção – vistas como essenciais para conter o desperdício de plástico – no centro do tratado.

A rodada final de negociações, que começa na segunda-feira e deve terminar em 1º de dezembro, é crucial.

“Precisamos de mais reciclagem e gestão de resíduos, é claro, mas se não reduzirmos a produção e o consumo, não seremos capazes de lidar com o volume de plástico no sistema daqui a 10 anos”, disse Tvinnereim.

O uso de plástico pode triplicar globalmente até 2060, com os maiores aumentos esperados na África Subsaariana e na Ásia. O lixo plástico também deve triplicar até 2060, com metade acabando em aterros sanitários e menos de um quinto reciclado.

Um acordo sobre uma “eliminação gradual” de uma lista de produtos plásticos de uso único globalmente, bem como proibições de produtos químicos venenosos em plástico – incluindo plástico de contato com alimentos e brinquedos infantis – foi “óbvio”, disse Tvinnereim. Muitos países já têm proibições unilaterais de plásticos de uso único.

Negociações fragmentadas têm visto visões divergentes, e países com grandes indústrias de combustíveis fósseis, como Arábia Saudita, Rússia e Irã, apelidados de grupo “com ideias semelhantes”, têm evitado cortes de produção e enfatizado a gestão de resíduos como a principal solução para a crise. Nações em desenvolvimento, que arcam com as consequências da superprodução de plástico sobrecarregando seus sistemas de resíduos inadequados, estão pedindo cortes globais. 


Pessoas em um salão de conferências lotado
Delegados em conversas sobre poluição plástica em Ottawa, Canadá, em abril, que não conseguiram garantir um acordo sobre metas de produção. Fotografia: Kiara Worth/ENB/IISD

A incerteza que persegue as negociações foi exacerbada pela posição dos EUA. Um dos maiores produtores de plástico, os EUA sinalizaram recentemente que apoiariam um tratado pedindo restrições à produção. Mas o retorno iminente de Donald Trump, um defensor dos combustíveis fósseis, como presidente dos EUA em janeiro, gerou dúvidas.

Os EUA seriam “muito bem-vindos” para se juntar à coalizão, disse Tvinnereim. Também houve oportunidade para a China e outros mostrarem liderança.

Um negociador de um dos países de “alta ambição” disse: “Se pudermos ver a China se esforçando, como vimos em outros lugares e internamente, temos uma boa chance de criar um instrumento eficaz. Se não o fizermos, será muito difícil.”


Análise sugere que a EPA não está protegendo a população da exposição a agrotóxicos neonicotinóides

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Por Shannon Kelleher para o “The New Lede”

Estudos com roedores fornecidos aos reguladores dos EUA por fabricantes de inseticidas há quase 20 anos revelaram que os produtos químicos podem ser prejudiciais ao desenvolvimento do cérebro dos animais — dados preocupantes para humanos expostos a agrotóxicos populares, mas não devidamente contabilizados pelos reguladores, de acordo com um novo relatório de pesquisa publicado esta semana.

A análise examinou cinco estudos que expuseram ratas prenhes a vários tipos de inseticidas conhecidos como neonicotinoides (comumente chamados de neônicos). Os estudos descobriram que os filhotes nascidos das ratas expostas sofreram encolhimento cerebral e outros problemas.

Encolhimento estatisticamente significativo do tecido cerebral foi visto na prole de ratos expostos a altas doses de cinco tipos de neonicotinoides – acetamiprido, clotianidina, imidacloprido, tiacloprido e tiametoxam, afirma o artigo. Os autores disseram que os impactos no cérebro pareciam semelhantes aos efeitos da nicotina, que eles disseram ser conhecida por interromper o desenvolvimento neurológico dos mamíferos.

Os estudos com animais também reforçam a possibilidade de uma ligação entre a exposição aos neonicotinoides e o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), disseram os autores.

Na maioria dos casos, as empresas que enviaram os estudos não enviaram dados para todos os níveis de dosagem, levando a Agência de Proteção Ambiental (EPA) a supor que os efeitos negativos foram observados apenas na dose alta, de acordo com o estudo.

“Encontramos inúmeras deficiências na supervisão regulatória e nas análises de dados da Environmental Protection Agency (EPA)”, afirmam os autores no artigo, publicado no periódico  Frontiers in Toxicology . Os estudos da indústria, que a EPA usou para determinar quais níveis de exposição a neônicos são considerados seguros para humanos, não estavam disponíveis publicamente e foram obtidos por meio de uma solicitação da Freedom of Information Act (FOIA).

“Consistentemente, os efeitos foram encontrados em doses altas e a EPA não exigiu dados para doses mais baixas, deixando, portanto, incerto o quão pequena é a substância necessária para realmente causar efeitos adversos, como a redução do tamanho de certas regiões do cérebro”, disse Bill Freese, diretor científico do grupo de defesa ambiental Center for Food Safety e autor do estudo.

O estudo descobriu que a EPA consistentemente fez determinações sobre quais níveis de exposição a neônicos eram “seguros” para humanos sem dados suficientes para apoiar suas conclusões. Por exemplo, um estudo de 2001 submetido à agência pelo fabricante de pesticidas Bayer encontrou efeitos no desenvolvimento do cérebro fetal quando ratas prenhes foram expostas a altas doses do pesticida imidacloprida. A EPA pediu à empresa dados de dose média e baixa, então definiu um limite para imidacloprida no nível de dose média, embora nunca tenha recebido dados mostrando que a exposição nesse nível era segura.

“A EPA precisa exigir dados mais rigorosamente dos registrantes quando eles não os enviam”, disse Freese. “Eles estão tomando uma decisão para dizer que esses níveis mais baixos não causam danos, mesmo que não tenham dados para respaldar isso.”

Como dois dos neônicos, o imidacloprido e o tiacloprido, se decompõem nos chamados metabólitos, que são tão potentes quanto a nicotina, “pode-se esperar ver impactos no desenvolvimento neurológico da exposição aos seus produtos químicos originais em baixos níveis de exposição”, escrevem os autores.

Os autores também concluíram que a EPA deve avaliar a exposição cumulativa e o risco de neônicos como um grupo, uma medida exigida pela Lei de Proteção à Qualidade dos Alimentos para pesticidas que funcionam de forma semelhante.

As descobertas surgem enquanto a EPA propõe reavaliar exposições ocupacionais a três neônicos, clotianidina, imidacloprido e tiametoxam, até 2025, enquanto a agência realiza sua revisão de registro padrão de neônicos como uma classe. A EPA identificou riscos adicionais para os trabalhadores ao tratar as sementes com os produtos químicos e limpar o equipamento de tratamento de sementes, “mesmo quando o uso de equipamento de proteção individual máximo é considerado”.

“Esses compostos foram aprovados há décadas e agora a EPA está dizendo: ‘talvez tenhamos subestimado o risco’”, diz Freese.

A União Europeia proibiu o uso externo de todos os três agrotóxicos em 2018.

Os neonicotinoides, assim como outros pesticidas vendidos ou distribuídos nos EUA, passam por uma “avaliação aprofundada de riscos potenciais… para o meio ambiente e para a população dos EUA”, disse a EPA em um e-mail. “Os estudos de neurotoxicidade do desenvolvimento de roedores discutidos neste artigo foram revisados ​​de forma independente pela EPA e incorporados às avaliações de risco à saúde humana mais atuais para esses agrotóxicos neonicotinoides”, disse a EPA.

Os neônicos foram introduzidos pela primeira vez na década de 1990 como substitutos mais seguros para pesticidas mais antigos e agora são os produtos químicos mais amplamente usados ​​para matar insetos nos EUA e ao redor do mundo. Além de seu uso agrícola como revestimento em culturas de sementes, como milho e soja, os neônicos são pulverizados em gramados, jardins, parques e playgrounds, e são aplicados em animais de estimação em tratamentos contra pulgas e carrapatos.

Nos últimos anos, os neônicos foram detectados em águas superficiais e água potável tratada no Centro-Oeste, e um estudo de 2022 encontrou os produtos químicos nos corpos de mais de 95% das mulheres grávidas nos EUA. Um estudo de monitoramento de 2015-2016 pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças encontrou os níveis mais altos de neônicos em crianças pequenas. No relatório de monitoramento de resíduos de pesticidas mais recente da Food and Drug Administration , o imidacloprido empatou como o pesticida mais frequentemente encontrado em amostras de alimentos humanos, enquanto o acetamiprido e o tiametoxam ficaram entre os dez primeiros.

Pesquisas cada vez mais questionam a segurança dos neônicos. Alguns cientistas suspeitam que os neônicos estejam causando perdas em populações de polinizadores importantes, incluindo abelhas. Uma avaliação da EPA de 2023 descobriu que três neônicos comumente usados ​​podem estar levando mais de 200 plantas e animais ameaçados de extinção. Outro estudo de 2023 encontrou mudanças comportamentais em peixes-zebra expostos a neônicos, com efeitos persistindo na idade adulta, enquanto um estudo publicado neste verão descobriu que a exposição à clotianidina neônica causou mudanças comportamentais em camundongos fêmeas em desenvolvimento.

Em contraste, uma revisão de 2015 realizada pelas empresas Bayer, Syngenta e outros fabricantes de agrotóxicos concluiu que “as evidências coletivas indicam que os inseticidas neonicotinoides não são neurotóxicos para o desenvolvimento”.

(Imagem em destaque da Getty Images para Unsplash+).


Fonte: The New Lede

Estudos apontam chances de poluição intensa representar riscos ao cérebro

Neurocirurgião e pesquisador da Unicamp aborda os efeitos da poluição no sistema vascular cerebral e os riscos a longo prazo para a saúde mental

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No mês de agosto, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o estado de São Paulo registrou mais queimadas do que nos últimos dois anos, contrariando um padrão histórico. A gravidade dos danos ambientais gerou preocupações urgentes sobre a qualidade do ar. As densas nuvens de fumaça, especialmente no interior, alarmaram a população e provocaram reflexões sobre os impactos dessa poluição no corpo humano, incluindo o cérebro.

Estudos destacam que, mesmo com exposição a níveis considerados seguros de poluentes, existem chances de o funcionamento cerebral sofrer impactos a longo prazo, principalmente nas funções cognitivas, aumentando o risco de doenças neurodegenerativas.

Uma pesquisa realizada na Keck School of Medicine1, da Universidade do Sul da Califórniaavaliou dados de cerca de 9 mil participantes, a fim de investigar os impactos da exposição à poluição do ar no desenvolvimento cerebral de adolescentes. Os resultados indicaram que, mesmo nos casos em que níveis de poluição são considerados “seguros”, há alterações significativas na conectividade funcional do cérebro, influenciando o desenvolvimento cognitivo e emocional.

Outra publicação no Neurology Journals2 investigou a relação entre o contato com a poluição atmosférica e o risco de comprometimento cognitivo leve e demência. Os pesquisadores acreditam que a exposição prolongada a níveis mais altos está associada ao risco de desenvolvimento de problemas cognitivos, com implicações significativas para a saúde pública.

Dr. Marcelo Valadares, neurocirurgião e pesquisador da Disciplina de Neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ressalta a necessidade de olhar além dos efeitos mais óbvios da poluição. “O ar que respiramos não afeta apenas nossos pulmões. A longo prazo, essas agressões ao sistema nervoso central podem contribuir para o declínio cognitivo e aumentar o risco de demência, como evidenciam as pesquisas mais recentes,” afirma Dr. Valadares.

Existem riscos vasculares associados à poluição do ar?

A curto prazo, a poluição do ar, incluindo a fumaça das queimadas, pode também aumentar o risco de acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e de outros problemas vasculares3. A exposição aos poluentes atmosféricos está associada a um aumento da inflamação sistêmica e do estresse oxidativo, que podem danificar os vasos sanguíneos e levar a problemas cardiovasculares e cerebrovasculares.

“As partículas finas podem penetrar profundamente nos pulmões e entrar na corrente sanguínea, provocando respostas inflamatórias que afetam o coração e o cérebro”, explica o Dr. Valadares.

3 medidas essenciais de proteção

Para se proteger da poluição intensa, confira três dicas importantes a seguir:

  1. Monitore a qualidade do ar: em tempos de poluição intensa, existem aplicativos e sites que informam a qualidade do ar em tempo real, como o do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Quando a qualidade do ar estiver ruim, siga as recomendações de saúde pública para proteger-se adequadamente.
  2. Evite atividades ao ar livre: evite ou minimize o tempo ao ar livre, especialmente durante o pico de poluição mais intensa. Se precisar sair, tente reduzir o tempo de exposição, principalmente se fizer parte de grupos de risco, como crianças, idosos, ou pessoas com problemas respiratórios.
  3. Mantenha ambientes internos saudáveis: em casa, mantenha janelas e portas fechadas para evitar que a poluição entre. Utilize purificadores de ar com filtros HEPA para melhorar a qualidade do ar.
  4. Use máscaras apropriadas: em ambientes com alto nível de poluição, especialmente em dias de muita fumaça ou poeira, como aconteceu nos últimos dias em diversos pontos do estado, utilize máscaras que filtrem partículas finas, como as do tipo N95 ou PFF2. Essas máscaras são capazes de bloquear a inalação de partículas perigosas que podem afetar tanto o sistema respiratório, quanto o cardiovascular.

Referências:

1: Even “safe” air pollution levels can harm the developing brain, study finds. Acesso clicando aqui.

2: Association of Long-term Exposure to Air Pollution and Dementia Risk. Acesso clicando aqui

3: Impact: Air pollution. Acesso clicando aqui.

Agrotóxicos criam gerações de filhos doentes da agricultura brasileira

Investigação expõe a relação entre o uso de agrotóxicos e o aumento de condições graves entre bebês do campo

agrotoxicos bfAluna da escola rural Attilio Benedetti, em Vacaria, caminha diariamente em meio a plantações – Anna Ortega

Sílvia Lisboa e Carla Ruas para a  Dialogue Earth

Maria nasceu com uma grave anomalia congênita que limitou seu desenvolvimento. Embora os médicos tenham logo drenado o excesso de líquido acumulado ao redor de seu cérebro, um distúrbio conhecido como hidrocefalia, eles não conseguiram impedir danos severos à recém-nascida. Mais tarde, outras cirurgias tentaram corrigir seus pezinhos atrofiados, mas ela nunca andou, nem falou; e à medida que crescia perdia seus poucos movimentos. Seu olhar era distante, segundo a família. 

Em uma consulta médica assim que Maria nasceu, seus pais ouviram a possível causa da condição: contaminação por agrotóxicos. Eles são agricultores de frutas e hortaliças de Vacaria, município rural de 64 mil habitantes no nordeste do Rio Grande do Sul, e usam esses produtos em seu dia a dia. 

“Eles se sentem culpados, foi uma dor muito grande”, disse uma tia da menina que não quis se identificar para não expor os pais, que autorizaram a entrevista, mas ainda sofrem com o diagnóstico mesmo mais duas décadas depois. “Eles são vítimas, não há alerta sobre os riscos”.

Com o passar dos anos, Maria (seu nome foi trocado nesta reportagem) entrou em estado vegetativo e morreu aos 21 anos, em 2020. 

Esse não é um caso isolado. Uma investigação do Dialogue Earth em parceria com Tatiane Moraes, pesquisadora em saúde ambiental na Universidade de São Paulo, explorou os impactos de agrotóxicos na saúde infantil. A análise conduzida por Moraes para essa reportagem revela uma associação entre anomalias como a de Maria e de mortes fetais (após a 28ª semana de gestação) com a proximidade de áreas agrícolas do Brasil.

Pela plataforma Mapbiomas, Moraes identificou os estados onde mais da metade dos municípios têm ao menos 5% da área ocupada pela agricultura. Depois, com dados de 2013 a 2021 do sistema nacional de saúde Datasus, ela verificou se a taxa de anomalias congênitas e mortes fetais — condições já associadas à exposição de agrotóxicos — aumentou nessas cidades. 

A análise encontrou risco aumentado para essas condições no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, no Sul, além de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste. Esses estados são grandes produtores de soja, milho e cana-de-açúcar, segundo o levantamento de Moraes. 

Os mesmos estados estão entre os que mais comercializam agrotóxicos, segundo dados do Ibama, órgão de fiscalização ambiental. Mato Grosso — líder nacional em produção agrícola — está no topo do ranking, enquanto Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão entre os dez primeiros colocados. 

“Os resultados reforçam a necessidade de reavaliar o uso massivo de agrotóxicos na agricultura brasileira”, disse Moraes, que foi bolsista do Departamento de Saúde Global e População da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. 

No Mato Grosso, cidades como Sinop e Sorriso, onde o agronegócio domina a economia, foi identificado um risco 20% maior para anomalias congênitas e 30% para mortes fetais na comparação com cidades sem plantações.


Gestante aguarda consulta médica na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vacaria / Anna Ortega

Nas cidades gaúchas com mais da metade da área dedicada à agricultura, foi encontrado um risco de morte antes do nascimento 73% maior em comparação com os demais municípios. Já em cidades com até um terço da área agrícola, como Vacaria, onde Maria nasceu, foi visto um risco 2% maior de desenvolver anomalias congênitas entre 2013 e 2021.

Segundo Moraes, essa ampla variação do risco pode se dar por outros fatores como, por exemplo, o acesso à saúde em determinados municípios. Para entendê-los a fundo, seria necessário fazer novas investigações. “O importante foi demonstrar haver uma associação positiva e mensurar o risco de se viver em um município agrícola olhando para as crianças”, disse.

Glifosato, perigoso mas disseminado

O glifosato, mais usado no país, e outros químicos, como 2,4-D, atrazina, mancozebe, clorotalonil e acefato interferem na regulação hormonal e podem provocar anomalias, segundo o Atlas dos Agrotóxicos. Com exceção do glifosato e 2,4-D, os demais são proibidos na União Europeia.

Pesquisas no Brasil e no exterior vão ao encontro do trabalho de Moraes. Em um estudo de 2019, a Fundação Oswaldo Cruz revelou que microrregiões (ou seja, regiões dentro dos estados) com maior produção de grãos e de exposição a agrotóxicos têm taxas mais altas de anomalias congênitas.

Em estudo semelhante de 2023, pesquisadoras americanas encontraram índices acima da média de leucemia linfoblástica aguda em crianças por onde a soja está se expandindo na Amazônia e no Cerrado. As cientistas estimaram que, entre 2008 e 2019, houve 123 mortes adicionais entre pacientes com menos de 10 anos que vivem em áreas onde o cultivo do grão avançou.

Para uma das autoras, Kaitlyn Margaret Sims, professora de microeconomia e políticas públicas na Universidade de Denver, o resultado surpreendeu. “Já tínhamos ouvido rumores de que, quando a soja chega, o câncer vem logo atrás. Mas não pensávamos que encontraríamos resultados tão expressivos,” disse ao Dialogue Earth. 

Outra pesquisa, publicada no periódico Review of Economic Studies em 2023, mostrou que até as crianças vivendo longe de plantações podem ser afetadas, já que os resíduos do glifosato são transportados pelos rios. Os resultados mostraram um maior número de bebês que nascem prematuros e abaixo do peso normal, além de um aumento de 5% na mortalidade infantil entre 2000 e 2010 no Centro-Oeste e Sul.

“Mesmo em distâncias de até cem quilômetros da área de uso, nós ainda achamos algum efeito negativo”, explicou Mateus Dias, um dos autores do estudo e professor assistente de economia da saúde na Católica Lisbon School of Business and Economics.

Dados da Organização para Alimentação e Agricultura (FAO) indicam que o Brasil é o campeão mundial no uso de  agrotóxicos. Em 2022, o país aplicou mais de 800 mil toneladas de agrotóxicos nos mais diversos cultivos, superando o total usado por China e Estados Unidos juntos.

“Esses dados precisam ser lidos em um contexto: o Brasil é um país tropical muito sujeito a pragas. Além disso, plantamos quatro a cinco culturas por ano, diferentemente de países com invernos rigorosos que plantam apenas uma cultura”, explica o pesquisador Décio Karam, da Embrapa, órgão federal que atua na pesquisa agropecuária. “Ainda assim, há muito espaço para reduzir o uso de agrotóxicos com manejo adequado”.

O crescimento no uso de agrotóxicos no Brasil coincide com a introdução da soja transgênica e a adoção do glifosato no final dos anos 1990. Entre 2000 e 2022, dados da FAO mostram que seu consumo por hectare plantado quintuplicou no país.

Em Vacaria, a soja avançou 13 vezes entre 1985 e 2022, e hoje ocupa 70 mil hectares, um terço do município. Já a maçã, que também demanda a aplicação intensa de agrotóxicos, ocupa quase sete mil hectares.

No município, as lavouras ficam extremamente próximas às áreas residenciais. Quando visitamos o local em meados de junho, vimos o nabo forrageiro – que fertiliza e descompacta o solo, preparando-o para o plantio de soja – adentrando o pátio e a quadra da escola rural Attilio Benedetti.


Menino joga futebol na escola rural Attilio Benedetti, em Vacaria, instituição cercada por plantações de soja / Anna Ortega

A diretora Leila Tais Fernandes explicou que o terreno havia sido doado por um agricultor cujas fazendas são limítrofes ao colégio, e a maioria dos 75 alunos são filhos de funcionários.

Uma mãe em busca de respostas

Juliana Pedroso suspeita que o agrotóxico esteja por trás do diagnóstico de seu filho João Otávio, de 7 anos, que tem uma síndrome neurodegenerativa extremamente rara que provoca paraplegia, deficiência intelectual e obesidade. “Foi uma mutação genética na gestação, mas os médicos nunca dizem a causa. Já me perguntei se poderia ser agrotóxico que afetou o pai agricultor”, disse a técnica em enfermagem, que mora na área urbana de Vacaria, também circundada por lavouras.


João Otávio (à esquerda) e sua mãe Juliana Pedroso brincam com bexiga recheada de amido de milho na varanda de sua casa, em Vacaria / Anna Ortega

João Otávio nasceu prematuro e logo manifestou sintomas preocupantes. “Suas mãozinhas eram viradas para dentro, e ele não movia o lado esquerdo”, lembrou a mãe. Depois vieram as crises convulsivas e a peregrinação por médicos e hospitais. 

Apesar das dificuldades e graças ao empenho da família, ele desenvolveu bem a fala e os movimentos. Sua maior diversão é seu canal no YouTube dedicado a videogames. Em uma tarde fria quando o visitamos, João Otávio mostrou orgulhoso seu quarto repleto de bichos de pelúcia e se divertiu estourando um balão recheado de amido de milho que ele fez parecer neve. 

À frente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vacaria há 23 anos, Sérgio Poletto está determinado a entender se o agrotóxico pode ter contribuído para o surgimento da síndrome que afeta João Otávio e a de condições de outras crianças que aguardam uma vaga na Apae, centro para a reabilitação e inclusão de pessoas com deficiência, no município.


Funcionário da Apae municipal de Vacaria trabalha com criança / Anna Ortega

A entidade viu explodir a busca por vagas nos últimos anos e convocou Poletto para investigar o que poderia estar contribuindo para isso. “Estamos muito preocupados com o aumento, de dez anos para cá, de crianças com deficiências”, disse Maria Aparecida Fabris, coordenadora pedagógica da Apae, que hoje atende 80 crianças, enquanto outras 20 seguem na fila de espera. “Não temos capacidade para receber mais, porque todos continuam conosco por um longo tempo”.

Com os ombros levemente curvados, o que lhe dá um ar tímido, mas que contrasta com sua atuação corajosa, Poletto assumiu a tarefa “de questionar o que ninguém questiona”, como ele mesmo diz. Em 2013, ajudou a organizar um amplo estudo que ouviu mais de 980 trabalhadores do campo: 95% disseram usar agrotóxico, e a maioria o aplicava com pulverizadores acoplados como mochilas, colados ao corpo e sem proteção. 

Em visitas às propriedades rurais, ele ficou estupefato com o uso intensivo dos químicos, com a falta de cuidados no seu manuseio e com o desconhecimento sobre seus riscos. A médica Neice Muller, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, liderou a pesquisa.


Sérgio Poletto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vacaria, iniciou uma campanha de conscientização sobre o uso de equipamentos de proteção individual ao pulverizar agrotóxicos / Anna Ortega

Poletto decidiu colocar toda a estrutura do sindicato para conscientizar seus sete mil membros sobre os riscos dos pesticidas. Imprimiu panfletos e organizou palestras sobre a importância do uso de equipamentos de proteção individual, além de nomear um técnico para orientar na migração de agricultores para o cultivo orgânico. Mas, com a resistência interna, passou a apenas auxiliá-los na redução do uso de agrotóxicos. “Tivemos de maneirar no discurso para não perder associados”, disse ele. 

Até Silvandro Fonseca, secretário de Saúde de Vacaria, confiou a Poletto a busca por explicações. Fonseca disse estar em alerta com os índices acima da média brasileira de óbitos fetais, cânceres e problemas renais no município, mas reconheceu que a prefeitura não tem programa de prevenção. “É difícil estabelecer uma causa, por isso também é difícil implementar algum programa”, disse o secretário, em uma reunião na prefeitura convocada por Poletto e acompanhada pela reportagem.

Médico no sindicato, o ginecologista Dirceu Trevisan também está atento ao alto índice de abortos e mortes fetais entre as assalariadas. “Em muitos casos, eu pergunto que produto ela aplica na lavoura, e ela não sabe dizer porque são misturas”, disse ele. “A vigilância sanitária precisa ter um controle disso, senão só trataremos a consequência”.

Ainda é um desafio quantificar a influência dos agrotóxicos sobre doenças graves no país. “Mas o fato de ser complexo não significa que não haja impacto, isto é, que os riscos não existam”, disse a geneticista Lavinia Schuler-Faccini, autoridade em anomalias congênitas na América Latina.

Schuler-Faccini diz que os riscos estão sendo cada vez mais demonstrados por estudos comparando populações expostas e não expostas e por análises em animais e células in vitro. “Um dos grandes desafios agora é sabermos o peso exato dos agrotóxicos no desenvolvimento de condições e doenças”, explica a professora do departamento de genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.


Trabalhadores podam macieiras para o inverno em Vacaria. A cultura exige aplicação intensa de pesticidas e ocupa quase sete mil hectares no município / Anna Ortega

Os efeitos dos agrotóxicos sobre as crianças podem originar tanto do pai quanto da mãe, segundo Schuler-Faccini. A presença de pesticidas no organismo desregula hormônios e interfere nas sinalizações produzidas pelos genes, podendo desligar, enfraquecer ou ativar excessivamente sua expressão. “É um efeito a longo prazo, que ocorre muito antes de uma gestação”, diz a pesquisadora, que também lidera a vigilância de anomalias congênitas no estado.

Legislação flexível e batalhas judiciais

No Brasil, os agrotóxicos têm um caminho cada vez mais livre. Em 2020, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária reavaliou o glifosato e o considerou seguro, desde que não extrapole doses de contaminação aguda e crônica. 

Aprovada em 2023, a lei cujo projeto ficou conhecido como “PL do Veneno” afrouxou ainda mais o controle de agrotóxicos no país, apesar de duras críticas da comunidade científica. Em junho, o governo federal liberou 80 novos produtos com agrotóxicos, incluindo quatro a base de glifosato. Um deles será fabricado pela Monsanto no Brasil, enquanto os outros três, na China, um fornecedor de agrotóxicos cada vez mais relevante no mercado brasileiro.

O glifosato e outros produtos considerados perigosos também seguem sem restrições em vários países. Em 2023, a Comissão Europeia autorizou o uso do herbicida por mais dez anos, embora alguns países europeus tenham proibido seu uso em áreas residenciais e espaços públicos. 

Nos Estados Unidos, porém, a Monsanto tem contabilizado derrotas na Justiça. Vítimas de câncer têm conseguido provar que ficaram doentes por causa do Roundup, à base de glifosato. Até agora, 154 mil ações já chegaram às Cortes americanas, e a multinacional pagou cerca de US$ 11 bilhões em indenizações. Como resultado da ofensiva, a multinacional alemã Bayer, proprietária da Monsanto, retirou o glifosato de produtos para uso residencial no país – este uso segue autorizado no Brasil.

O Brasil tem visto poucas ações judiciais desse tipo, mas há algumas em andamento. Em um caso, a agricultora Lídia Maria do Prado, do Paraná, processou a multinacional Alliance One por ter desenvolvido polineuropatia tardia, uma disfunção de nervos periféricos associada ao contato com agrotóxicos da lavoura de tabaco. Até agora, ela vem vencendo a batalha nos tribunais. 

Agricultores gaúchos de Nova Santa Rita e Eldorado do Sul também buscaram na Justiça a proibição da pulverização aérea de agrotóxicos, que afetou plantações orgânicas e a saúde dos assentados, que relataram sintomas de intoxicação após a deriva. 

Mas nem todos buscam justiça ou respostas. Os pais de Maria preferem não mexer nas feridas do passado. Saber a causa do destino da filha ainda é insuportavelmente doloroso. Outra agricultora com quem conversamos relembrou sua sobrinha, nascida na década de 1990, quando os campos de Vacaria começaram a ser tomados pela soja. A menina, filha de agricultores, nasceu sem vida, vítima de anomalias congênitas. Agora, a mulher se pergunta se a vida da sobrinha teria sido abreviada, assim como a de Maria, pela exposição a agrotóxicos. 

Esta reportagem foi apoiada pelo Fundo Howard G. Buffett para Mulheres Jornalistas da International Women’s Media Foundation. 

Tatiane Moraes contribuiu para a reportagem com sua pesquisa sobre a associação entre o uso de agrotóxicos e as mortes fetais e anomalias congênitas.


Fonte:  Dialogue Earth

Estudo global sobre alimentos ultraprocessados ​​confirma que eles são danosos à saúde humana

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Por Peter Wilde para o “The Conversation”

Os alimentos ultraprocessados, como cereais e refrigerantes, têm sido associados a 32 efeitos nocivos para a saúde, de acordo com a maior revisão de dados realizada até o presente momento.

Pensa-se que em nível global,  uma em cada cinco mortes se deve a uma alimentação inadequada e o papel destes alimentos tem atraído muita atenção em vários estudos nos últimos anos.

Os alimentos ultraprocessados ​​foram definidos pela primeira vez há cerca de 15 anos para permitir aos investigadores examinar o efeito do processamento de alimentos na saúde. Durante esta nova investigação, denominada “revisão guarda-chuva”, foram analisados ​​numerosos estudos recentes, nos quais participaram quase 10 milhões de pessoas, a fim de reunir grande parte dos dados disponíveis para oferecer uma imagem global de como estes alimentos afetam a nossa saúde.

Os resultados relacionam o consumo de grandes proporções de alimentos ultraprocessados ​​na dieta com problemas de saúde e morte prematura por diversas condições, como doenças cardíacas, diabetes tipo 2, obesidade e problemas de saúde mental.

O novo estudo corrobora a relação dos alimentos ultraprocessados ​​com uma grande variedade de doenças, mas permanecem dúvidas sobre os mecanismos específicos pelos quais esses alimentos nos deixam doentes.

Os pesquisadores propuseram vários mecanismos ao longo dos anos. Entre eles, a má qualidade nutricional, já que alguns produtos ultraprocessados ​​podem apresentar alto teor de gordura, açúcar, sal e pouca fibra, além de carecerem de vitaminas, minerais e antioxidantes essenciais.

Outros mecanismos incluem a falta de estrutura e textura , o que acelera a ingestão de alimentos, aumenta os níveis de açúcar no sangue e é menos eficaz na redução do apetite. Muita atenção também tem sido dada aos aditivos alimentares e outros produtos químicos, quer adicionados aos alimentos, quer como contaminantes das embalagens ou do ambiente.

A qualidade do teste varia

Um aspecto interessante do trabalho atual é o fato de que a força dos resultados entre os estudos varia e algumas das correlações foram fracas. Isto provavelmente se deve em parte à grande variedade de alimentos incluídos na categoria de ultraprocessados.

A definição os identifica como produtos comestíveis que podem conter aditivos e produtos químicos, que são intensamente processados ​​com ingredientes refinados e reconstituídos, com os quais os consumidores podem não estar familiarizados.

Abrange alimentos tão diversos como sorvetes, salgadinhos, pão integral, carnes processadas e pastas com baixo teor de gordura. Esses alimentos, que contêm ingredientes e nutrientes muito diferentes, provavelmente terão efeitos muito diferentes na nossa saúde.

Outro fator importante que deve ser levado em consideração é que se trata de grandes estudos populacionais, nos quais milhares de pessoas registram sua ingestão alimentar habitual e seu estado de saúde. A análise leva em consideração vários fatores, como idade, sexo e estilo de vida, que podem distorcer os números.

No entanto, os resultados só podem mostrar uma relação entre ingestão alimentar e saúde. Não fornecem provas diretas dos mecanismos envolvidos, pelo que é urgentemente necessária nova investigação para compreender como e porquê certos alimentos podem causar problemas de saúde.

Embora sejam possíveis alguns estudos directos, os efeitos a longo prazo sobre a saúde, por exemplo, do consumo de níveis elevados de aditivos alimentares podem ser difíceis e eticamente questionáveis. Mas há oportunidade de investigar estes efeitos mais detalhadamente utilizando os dados existentes.

Dada a enorme quantidade de dados na visão geral, seria interessante extrair algumas informações mais precisas para ajudar a identificar quais alimentos devemos evitar.

É hora de cavar mais fundo

Existe uma enorme variedade de alimentos incluídos na categoria de ultraprocessados, com uma gama igualmente diversificada de teores de nutrientes. O pão integral comercial é classificado como ultraprocessado, assim como sorvetes, donuts e salgadinhos fritos. Portanto, é muito provável que diferentes alimentos ultraprocessados ​​tenham uma ampla gama de efeitos à saúde.

Estudos em que humanos são alimentados com alimentos ou ingredientes específicos de maneira controlada, bem como análises estatísticas mais detalhadas de estudos existentes, devem nos ajudar a identificar quais produtos ultraprocessados ​​devemos evitar, quais são seguros e quais podem ser benéficos como parte de uma dieta saudável e equilibrada.

Uma coisa é certa: estes estudos devem ajudar a informar conselhos para reduzir o consumo de produtos que são claramente prejudiciais à saúde. Por outro lado, devemos também tentar identificar quais os aspectos destes alimentos que são mais perigosos, para que os fabricantes destes alimentos possam eliminá-los das nossas dietas, como foi conseguido com ingredientes nocivos, como as gorduras trans e alguns corantes artificiais.

Muitas pessoas dependem fortemente de alimentos comerciais e processados, e precisamos de garantir que estes produtos são seguros e nutritivos no futuro, especialmente para os grupos pobres e vulneráveis, destaca Pete Wilde, investigador emérito em biociências no Instituto Quadram.


color compass

Este escrito inicialmente em inglês foi inicialmente publicado pelo “The Conversation” [Aqui!].

A marcha dos agrotóxicos continua no governo Lula: com novo ato, o total de liberações em 2023 é de 126

agrotoxicos comida

No seu discurso da vitória o presidente Lula fez uma série de declarações de impacto, mas uma na qual prestei particular atenção foi a de iniciar uma transformação na agricultura brasileira no sentido da adoção de um modelo agroecológico que não mais previligiasse a dependência em venenos agrícolas como o que ocorreu no governo de Jair Bolsonaro.Passados quase cinco meses de governo, não vejo nenhum movimento consequente para iniciar um debate em torno de um novo modelo agrícola e, pior, a manutenção da política de aprovações de agrotóxicos, muitos deles banidos em outras partes do mundo. 

No dia de hoje, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publicou um novo ato contendo a liberações de mais 23 agrotóxicos do tipo “produto técnico”, 22 deles produzidos por empresas chinesas. Com isso, o grande total já é de 126, o que somado aos venenos liberados no governo Bolsonaro chega a impressionantes 2.156 em apenas 53 meses segundo os dados acumulados no “Observatório dos Agrotóxicos” do Blog do Pedlowski.

Em meio à manutenção da política de liberar venenos agrícolas, ainda tivemos em mais de uma ocasião, declarações do ministro da Agricultura Carlos Fávaro dando declarações caluniosas contra o MST que hoje responde pela oferta de alimentos livres de agrotóxicos, a começar pelo arroz do qual o movimento é hoje o maior produtor brasileiro em áreas livres de agrotóxicos.

Como já disse em mais de uma ocasião, a questão dos agrotóxicos é uma espécie de biruta que mostra para que campo o governo Lula está se inclinando. E neste momento a inclinação não é para a agricultura familiar livre de agrotóxicos, mas sim para o latifúndio agro-exportador que depende de venenos agrícolas que estão envenenando nossos campos e cidades.

Com agricultura viciada em venenos agrícolas, o brasileiro é envenenado todos os dias via a ingestão de água e alimentos

afogados em veneno

Venho acompanhando a problemática dos agrotóxicos há pelo menos duas décadas e o quadro está cada vez mais preocupante. Além de já termos evidências científicas acumuladas mostrando que os resíduos de agrotóxicos já estavam presentes nos solos e recursos hídricos, agora estão aparecendo cada vez mais estudos apontando a presença dessas substâncias no sangue e urina não apenas de quem trabalha diretamente com elas, mas também em quem os ingere via água e alimentos.

Uma dificuldade que agora passa a ser superada é a relação do aumento dos resíduos de agrotóxicos (sozinhos ou combinados) no corpo humano. E o que está surgindo é algo que deveria já ter ser tornado um problema crítico de saúde humana, visto que vários estudos já estão relacionando a incidência de doenças graves com o consumo de água e alimentos contaminados com resíduos de agrotóxicos. E quando se fala de doenças graves, estou falando não apenas de múltiplos tipos de câncer, mas também de doenças neurológicas e do sistema glandular.

No caso do Brasil a lentidão de tomada de posição por parte das autoridades sanitárias é agravada pelo modelo econômico que se tornou cada vez mais dependente da renda gerada pela agricultura de exportação, como é o caso da soja.  Essa dependência é agravada pelo poder político dos setores que se beneficiam do modelo agrícola, sejam eles latifundiários ou grandes corporações multinacionais que estão ligadas à  exportação ao longo da cadeia de produção e de comercialização.

Como já disse de forma repetida, a questão dos agrotóxicos se tornou uma espécie de pedra angular no debate sobre o modelo de desenvolvimento econômico que se propõe para o Brasil.  É que sem haver uma virada no modelo agrícola, o que teremos é cada vez mais a aplicação de venenos agrícolas banidos em outras partes do mundo por serem extremamente danosos à saúde humana e ao meio ambiente.

O problema é que mais uma vez temos um governo central que é prisioneiro da lógica que não se pode mexer com o poder dos latifundiários por causa da dependência que está criada com o modelo agrícola que eles representam.  Com isso, o debate sobre as características desse modelo, que vive às custas não apenas do dinheiro doado pelo Estado via generosos subsídios entregues na forma de créditos agrícolas que nunca são pagos, mas também do adoecimento geral da população, terá que vir de dentro da própria população e dos setores mais organizados de dentro dela.

Uma boa oportunidade para se fazer o devido enfrentamento contra esse modelo agrícola viciado em agrotóxicos é a luta contra a aprovação do Pacote do Veneno que se encontra neste momento em debate no Senado Federal. E como ele deve ser aprovado, essa batalha terá que continuar como parte de um poderoso movimento social, que pode ser iniciado com uma campanha imediata contra o uso de agrotóxicos banidos em outras partes do mundo. Do contrário, o envenenamento diário cobrará um preço muito caro de todos nós.

Agrotóxicos, uma das esfinges que ameaçam devorar o governo Lula

lula favero

Ao escolher o senador e agropecuarista Marcos Fávero (PSD/MT) para chefiar o Ministério da Agricultura, o presidente Lula se afastou do seu compromisso com a criação de uma agricultura de bases ecológicas

Nesta 4a. feira, o Diário Oficial da União publicou o Ato No. 15 de 31 de março de 2023 por meio do qual foram autorizados mais 11 agrotóxicos para comercialização no território nacional. Com isso, o governo Lula já totaliza 59 agrotóxicos desde janeiro, em uma demonstração de que, apesar de mais lenta, a onda de liberações de agrotóxicos segue inabalada, em uma sinal de que os compromissos com o latifúdio agro-exportador e as corporações multinacionais também se mantém firmes e fortes.

Como já escrevi aqui neste mesmo blog, a questão dos agrotóxicos é uma espécie de farol de como efetivamente o governo Lula se comportaria, se mais próximo ou distante dos compromissos de campanha. Lembro ainda que no seu discurso da vitória, o presidente Luís Inácio Lula da Silva se comprometer a avançar um modelo de agricultura mais sintonizada com o meio ambiente, de modo a criar uma agricultura de bases ecológicas.

A primeira sinalização de que do discurso à prática haveria uma boa distância foi a nomeação do senador Marcos Fávero (/PSD/MT) para o cargo de Ministro da Agricultura. A questão é que Fávero, além de ter um histórico de proximidade com o latifúndio agro-exportador matogrossense, também apoia a implementação do Pacote do Veneno, legislação que enfraquecerá de forma ainda mais flagrante a liberação, venda, uso e manuseio de agrotóxicos no Brasil.  Em outras palavras, com Fávero na chefia do ministério da Agricultura, não é de se surpreender que a chuva de agrotóxicos continue.

Cartazes chamam políticos pró-flexibilização de agrotóxicos de 'bancada do  câncer' - 09/02/2022 - Ambiente - Folha

Cartazes nas ruas de Sâo Paulo chamam políticos pró-flexibilização de agrotóxicos de ‘bancada do câncer’

A questão mais importante é que, além de não se parar com a infindável liberação de agrotóxicos, a sinalização é que não haverá a necessária retomada de critérios mais realistas de definição de risco ou, tampouco, a retirada de substâncias que já se encontram banidas em outras partes do mundo por terem sido identificadas como causadoras de doenças graves como o câncer. Uma lista organizada pela professora Sônia Hess da Universidade Federal de Santa Catarina mostra cabalmente como os principais agrotóxicos do mercado brasileiro são responsáveis por uma grande lista de enfermidades que cada vez mais tomam ares de uma epidemia causada pelo envenenamento por agrotóxicos.

A conclusão a que podemos chegar é de que a disputa política com os setores que defendem o modelo agrícola ancorado no uso extensivo e intensivo de venenos agrícolas não terá nenhuma forma de apaziguamento sob o governo Lula. A saída será a continuidade das pesquisas que mostram o efeito catastrófico que essa dependência química traz para o meio ambiente e para a população brasileira. Mas pesquisas são só instrumentos de identificação do problema e, quando muito, de divulgação de resultados. Sem um claro engajamento de sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos, o problema vai apenas se agravar. 

Em suma, os agrotóxicos são uma das muitas esfinges que ameaçam devorar o governo Lula. E, pior,  a todos nós juntos.

Observatório dos Agrotóxicos: com liberação de mais 25 agrotóxicos, governo Bolsonaro totaliza 1.660 liberações em 39 meses e 1,4 por dia

tereza bolsonaro

Jair Bolsonaro e Tereza Cristina seguem com a marcha desenfreada de liberações de venenos agrícolas altamente tóxicos

Em uma demonstração óbvia de que não está esperando pela aprovação do Pacote do Veneno também no Senado Federal, o governo Bolsonaro liberou por meio do Ato No. 14 de 07 de março um total de 25 agrotóxicos do tipo “produto técnico”, levando seu “grand total” a 1.660 venenos agrícolas liberados em 1.169 dias de governo, o que dá a média de 1,4 agrotóxicos liberados por dia. Até para um país cuja agricultura de exportação está firmemente aprisionada na dependência química, esses números são de assombrar qualquer um que se preocupa com os ecossistemas nacionais e a saúde dos brasileiros.

Agrotóxicos proibidos na União Europeia circulam livremente no Brasil

Brasil é 2º maior comprador de agrotóxicos proibidos na Europa, que importa  alimentos produzidos com estes químicos

Um aspecto repetitivo de toda essa onda de aprovações é a presença de produtos banidos na União Europeia cuja legislação pode ser considerada mais rígida do que a brasileira. A “estrela” do Ato No. 14, com 7 produtos liberados, é o Espirodiclofeno, um acaricida que foi proibido na União Europeia (UE) em julho de 2020. Mas além desse, esse ato mais recente também liberou o fungicida Epoxiconazol que está proibido na UE desde abril de 2020.

De quebra, outro “proibidão” liberado foi o fungicida Carbendazim que está proibido desde 2014 após ter sido relacionado a uma ampla gama de doenças que incluem embriotoxicidade, apoptose, teratogenicidade, infertilidade, disfunção hepatocelular, efeitos de desregulação endócrina, interrupção de funções hematológicas, anomalias do fuso mitótico, efeito mutagénico e aneugênico.

Mas apesar de todos esses efeitos, o governo Bolsonaro liberou 10 agrotóxicos contendo o princípio ativo do Carbendazim, uma substância pertencente ao grupo químico Benzimidazol.

A predominância da China como principal fornecedora de agrotóxicos para o Brasil

Agrotóxicos produzidos na China são maioria no pacote de venenos aprovado  pelo governo Bolsonaro |

Outra característica de liberações anteriores que se repetiu no Ato No. 14 foi a forte presença de empresas chinesas no fornecimento de venenos agrícolas para a agricultura nacional, na medida que 24 dos agrotóxicos serão produzidos por empresas sediadas na China. Entretanto, a única exceção que foi o fungicida Pidiflumetofem é produzido na Suiça pela Syngenta, que também é uma empresa chinesa.

Um dado expressivo sobre a dependência brasileira da indústria chinesa de agrotóxicos é que dos 1.660 agrotóxicos liberados nos 39 meses de governo Bolsonaro, 1.001 são “Made in China”, um número que ainda não representa a totalidade do impacto chinês, na medida em que empresas sediadas em países como a Suiça (Syngenta) e Israel (Adama) são de fato propriedade da ChemChina, fundada em 1984, que é um empresa química estatal chinesa que atua nos segmentos de produtos agroquímicos,  borracha, materiais químicos e especialidades químicas, equipamentos industriais e processamento petroquímico para os setores civil e militar.

Com uma 1,4 agrotóxico liberado por dia, governo Bolsonaro deverá ultrapassar 2.000 agrotóxicos liberados em 4 anos de mandato, um verdadeiro recorde mundial

Transgênicos e agrotóxicos: dois “temperos” ocultos na comida do brasileiro  |

Se o governo Bolsonaro mantiver sua média diária de liberações de venenos agrícolas  é de 1,42 por dia, o mais provável é que a dupla Jair Bolsonaro e Tereza Cristina coloquem mais de 2.000 agrotóxicos em um mercado já saturado deste tipo de produto altamente tóxico, o que invariavelmente nos levará a uma crise sanitária em alguns anos, dada a toxicidade de muitos dos produtos que estão sendo liberados, digamos, com sofreguidão.

Por isso tudo é que repito ser fundamental que haja um amplo debate em torno do modelo de agricultura viciada em agrotóxicos que hoje é hegemônica. O fato é que além de ser altamente poluentes e tóxicos, os agrotóxicos são hoje protegidos por uma série de benesses fiscais, causando fortes perdas financeiras a economia brasileira.

É passada a hora de se deixar de premiar o latifúndio agro-exportador e as corporações químicas às custas da degradação ambiental e do envenenamento da água e dos alimentos que os brasileiros consomem.

Quem desejar baixar a planilha contendo os 25 agrotóxicos liberados pelo Ato No. 14, basta clicar [Aqui!]. Para os interessados em baixar a planilha contendo os 1.660 agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonaro, basta clicar [Aqui!].