Donald Trump e os “shithole countries”

Resultado de imagem para trump shithole countries

O presidente Donald Trump está causando um escândalo mundial após declarar em um reunião com lideranças do congresso estadunidense por ter revelado de forma sincera que não entendia porque os EUA deveriam receber imigrantes de “shithole countries” como o Haiti e El Salvador [1]. O problema, independente da escolha que se faça para traduzir o termo, é que “shitholes” são aquelas “casinhas” ainda existentes em muitos locais onde os moradores da casa depositam suas fezes diretamente num buraco. Em suma, “shitholes” podem ser traduzidos diretamente “como buracos de merda” e “shithole countries” como “países de merda”.   Donald Trump teria declarado ainda que preferiria ter imigrantes vindos de países como a Noruega onde obviamente a maioria dos habitantes é branca.

Essas declarações de Donald Trump estão causando um verdadeiro rebuliço dentro e até acidentes diplomáticos fora dos EUA,  já que obviamente as mesmas são interpretadas como racistas e injustas contra um contingente de pessoas que realizam normalmente as tarefas mais duras e menos bem pagas. Aliás, um dos levantamentos feitos sobre locais com um número alto de haitianos trabalhando detectou que no resort de Mar-a-Lago de propriedade do próprio Donald Trump há uma maiores concentrações de trabalhadores haitianos na região de Miami. [2]

Convenhamos que o fato de Donald Trump usar uma expressão tão desclassificante para países pobres que enviam grandes contingentes de migrantes para os EUA não deveria surpreender ninguém, pois ele se notabilizou por vencer uma campanha eleitoral onde esse tipo de coisa apareceu várias vezes para delírio de seus apoiadores presentes nos comícios e até nos eventos oficiais do Partido Republicano.  A novidade aqui é ter um presidente dos EUA que diz as coisas de forma cruamente sincera.

Agora, diante deste tipo de declaração o que fica pendente são os efeitos que a mesma trará dentro das numerosas comunidades de migrantes existentes dentro dos EUA. É que diante deste tipo de declaração e do silêncio concordante do Partido Republicano, a mesma certamente terá efeitos políticos que poderão fazer com que Donald Trump seja um daqueles raros presidentes estadunidenses que não sobreviveram a mais do que um mandato na Casa Branca.

Por último, fico curioso para saber como ficam aqueles brasileiros que saíram do Brasil em busca do “sonho americano” diante das declarações de Donald Trump. Provavelmente muitos vão até se sentirem felizes em sabe que conseguiram sair de um dos “shithole countries” mencionados por Trump. Isso enquanto alegremente limpam latrinas para os ultra ricos estadunidenses.


[1] https://edition.cnn.com/2018/01/11/politics/immigrants-shithole-countries-trump/index.html.

[2] https://en.wikipedia.org/wiki/Mar-a-Lago

Donald Trump e as razões para seu conveniente ceticismo climático

Um assumido cético das teses científicas que postulam que o clima da Terra está passando por transformações causadas pelo funcionamento da sociedade capitalista, o presidente estadunidense Donald Trump aproveitou as baixas temperaturas que grassam no leste dos EUA neste início de 2018 para renovar seus ataques anti-ciência do clima.

trump 0

As razões para esses ataques de Donald Trump contra as abundantes evidências de que atravessamos um período de mudanças climáticas são evidentemente econômicas e geopolíticas [1]. É que do ponto de vista de seus principais apoiadores, qualquer modificação estrutural na forma de funcionamento do sistema capitalista implicará em alterações nos padrões de consumo, principalmente no que se refere aos combustíveis fósseis.

Mas teses anti-científicas estão encontrando um terreno fértil para florescer na medida em que a persistente crise que afoga o sistema capitalista desde 2008 vem gerando uma guerra de contra-informação para que se mantenha tudo mais ou menos como está nas relações de produção e circulação de mercadorias.

Mas vamos ao que interessa. Donald Trump pode ser uma pessoa básica, mas está longe de ser o idiota que alguns tentam pintá-lo. Ele deve saber que existe uma diferença fundamental entre tempo atmosférico e clima. É que enquanto tempo se refere a um período curto de dias e semanas para que sejam feitas previsões com um mínimo de chance de acerto, os cálculos climáticos são muito mais complexos, já que se medem períodos acumulados na escala de décadas. 

Em outras palavras, o fato de estar frio por alguns dias não determina de forma alguma que a Terra está esfriando. Aliás, uma das muitas hipóteses acerca das mudanças que o aquecimento da atmosfera trará sobre o clima da Terra será a ocorrência de eventos extremos, tanto em termos de temperatura como de precipitação. Assim, podemos ter muita chuva em poucas horas para depois passarmos meses sem uma mísera chuva. O mesmo vale para as temperaturas. E, acreditem, Donald Trump e seus assessores que defendem o ceticismo climático sabem disso.

Então por que a negação do que 95% da comunidade científica postula como sendo o que se passando com o clima da Terra?  Ora, porque essa verdade inconveniente atenta contra os interesses econômicos e estratégicos das grandes corporações que Donald Trump efetivamente representa.

Para aqueles que ainda não viram um daqueles vídeos que mostrando o derretimento das calotas polares, posto um abaixo.

E após assistirem este vídeo lembrem que o que lhes pareça catástrofe ambiental iminente é visto por Donald Trump e associados como oportunidades econômicas colossais, a começar pelo aumento de tráfego de navios no Ártico [2]!

globes-Artboard_1


[1] https://www.eenews.net/stories/1060069603

[2] https://www.nytimes.com/interactive/2017/05/03/science/earth/arctic-shipping.html

Cenas americanas e a dificuldade de ser dizer as coisas como elas são

Violent Clashes Erupt at "Unite The Right" Rally In Charlottesville

Leon Trotsky realizou uma série de análises sobre as causas do surgimento do Fascismo e até formulou um conjunto de elementos que explicaria porque de tempos em tempos vemos a ascensão de governos que aplicam formas exremas de violência para impor seu controle sobre uma dada sociedade [1].

Tomando o que teorizou Trotsky, o elemento que hoje mais aparece evidente é aquele que alinha a emergência de elementos fascistas a uma frustração das classes médias com a situação objetiva que lhe é imposta por uma combinação de uma crise estrututal do Capitalismo como outra causada pelo processo de superprodução. O Fascismo nesse sentido nada mais é do que uma opção pela extrema violência para obrigar a classe trabalhadora a aceitar o aumento da superexploração do seu trabalho em nome de uma estabilização da crise capitalista.

Como vivemos um período em que a combinação de crises dentro do Capalismo leva a uma exasperação das médias, não chega a ser surpresa que grupos de orientação fascista estejam brotando em diversas partes do mundo.  A maior surpresa talvez seja a incapacidade da mídia corporativa que dar o nome aos bois, no caso bois fascistas.

A maior expressão dessa incapacidade de nominar corretamente é o tratamento que está sendo dado pela mídia mundial, em particular a estadunidense, os grupos envolvidos na ocupação da cidade de Charlottesville (norte do estado da Virginia) com a desculpa de protestar contra a remoção de uma estátua do general confederado Robert E. Lee.   Esses grupos vem sendo chamados de todo tipo de nomes (Alt Right, White Nationalists, White Supremacists) em vez do nome que realmente os define: neonazistas.

neonazis

Essa não é uma dificuldade qualquer porque esconde as raízes deste tipo de movimentação que é, como Trotsky caracterizou, impor pelo terror o consentimento dos trabalhadores com o aumento da superexploração do seu trabalho.  Encobrir este aspecto é fundamental para governos que hoje estão aplicando fórmulas extremas de expropriação da mais valia, seja pela redução dos investimentos em políticas sociais que reduzem os efeitos da apropriação capitalista da riqueza ou pela cassação de direitos trabalhistas que foram duramente conquistados pela classe trabalhadora ao longo do Século XX.

Interessante também notar que no caso dos enfrentamentos de Charlottesville, os que resistiram à marcha dos fascistas (ou neonazistas se for para caracterizar mais precisamente os grupos que lá estacam) também foram chamados de várias coisas, menos pelo que realmente são, antifascistas. E aqui a causa da ausência de caracterização pode ser apenas para deixar fluída a necessidade de caracterizar corretamente o que está se passando dentro dos EUA a partir da chegada ao poder de Donald Trump e sua mensagem de pseudo nacionalismo.  Em minha opinião, o que está ocorrendo por lá é o início de um processo aberto de luta de classes com uma divisão clara dentro das classes médias sobre qual caminho tomar.

Alguém pode se perguntar se o que está acontecendo nos EUA é, de alguma forma, um preâmbulo do que poderá acontecer no Brasil.  Eu particularmente acredito que é justamente o contrário. É que de uma forma perversa, o que está acontecendo lá, já vem acontecendo no Brasil desde que as multidões vestindo a camisa da CBF se postaram nas ruas para em nome do combate à corrupção exigir o fim das políticas de mitigação das desigualdades sociais.  

É preciso lembrar que em todas as manifestações feitas pelo impeachment de Dilma Rousseff a presença de grupos de orientação nazi-fascista era perfeitamente notável. Mas como a mídia corporativa estadunidense, a mídia brasileira escondeu propositalmente a presença e a mensagem desses grupos.  Desta forma, de uma forma bastante inglória, o Brasil se tornou a vanguarda para o atraso dos EUA.

saudação

Nesse sentido, em vez de nos chocarmos com as tochas acesas numa praça de Charlottesville, o melhor  mesmo seria examinar cuidadosamente o que anda acontecendo por aqui mesmo. Afinal de contas, como país periférico tenderemos sempre a experimentar não apenas o pior da crise capitalista, como também das expressões deformadas que são realizadas para contorná-la.  Assim, ignorar a presença ostensiva desses grupos na sociedade brasileira representa um grave erro. E ficar apenas entoando que fascistas não passarão dificilmente resolverá o problema.

Um aspecto  curioso que poucos conhecem é que Robert E. Lee terminou seus dias como presidente de uma universidade que tem suas raízes ligadas ao primeiro presidente dos EUA, George Washington, e que foi rebatizada após sua morte como Washington and Lee University (WLU), a qual está localizada na cidade de Lexington, também localizada no norte da Virginia [2], não muito longe de Charlotesville.  Como presidente da WLU, Lee realizou um interessante processo de recrutamento de estudantes de todas as partes dos EUA e estabeleceu condições para que a universidade chegasse a ser hoje uma das melhores instituições privadas de ensino superior do sul do país [2].  Interessante lembrar que ele morreu no exercício do seu cargo na universidade e  foi enterrado numa capela existente no campus, estando seus restos mortais  ali até hoje. Mas essa parte da biografia de Robert E. Lee não é certamente a que interesse aos fascistas de lá e daqui.

 


[1] https://www.marxists.org/portugues/mandel/1974/mes/fascismo.htm

[2] https://www.wlu.edu/

Em tempos de repressão, o humor continua sendo uma arma poderosa

wall

A chegada de Donald Trump à presidência dos EUA está sendo acompanhada da implementação das medidas extremas que ele havia prometido fazer, e que muitos estadunidenses achavam que apenas um blefe de campanha.

Da ordem para que sejam iniciados os trabalhos para a construção do muro que separará fisicamente as fronteiras dos EUA e do México ao banimento da entrada de muçulmanos de sete países em estadunidense, as promessas de campanha estão sendo aplicadas.

Esse são medidas que efetivamente aumentarão as tensões no mundo, e deverão aumentar os incidentes de violência contra muçulmanos e latinos que já residem dentro dos EUA.

Mas nesses tempos bicudos, o uso do humor como ferramenta de combate ideológico é certamente bastante eficiente para demonstrar o absurdo de determinadas medidas que supostamente visam aumentar a segurança interna dos países ricos.

Abaixo uma prova de uso do humor para ilustrar os paradoxos que envolvem o uso de medidas para coibir o movimento de pessoas e o uso da xenofobia como política de governo.

Capitalismo em convulsão agita os piores instintos da moral burguesa

Um dos aspectos mais peculiares e contraditórios da chamada “Globalização” foi o reforço das tensões locais e regionais, e a emergência de uma onda de uma forma de nacionalismo que incorpora todos os males da sociedade burguesa, incluindo xenofobia, misoginia e homofobia.  O maior símbolo desse nacionalismo foi a eleição do bilionário Donald Trump nos EUA. 

Mas não é apenas nos EUA que os bilionários resolveram tomar o controle do Estado para tentar aplicar uma forma brutal de quase retorno ao período que Karl Marx chamava de “acumulação primitiva”. É o vale tudo sendo transformado em política de governo, substituindo o discurso globalista que emergiu após a queda do Muro de Berlim e o subsequente desaparecimento da URSS.

Entretanto, como a história só repete como tragédia ou como farsa, essa reviravolta sob o comando de personagens que não hesitam em serem politicamente incorretos nada passa de mais uma tentativa dos capitalistas para estancar o apodrecimento do seu sistema econômico.  

Há que se lembrar de que o uso de estratégias de extrema violência já ocorreu em diferentes momentos de crise do Capitalismo, incluindo as duas grandes guerras mundiais e o surgimento de forças políticas que se fundavam no exercício da força extrema contra os trabalhadores como foi o caso do Nazismo na Alemanha e do Fascismo na Itália. Aliás, se voltarmos ao Século XIX poderemos verificar como as forças imperialistas atuaram na África, sendo o Rei Leopoldo II da Bélgica o maior exemplo do terror que foi aplicado para garantir a submissão das colônias.

O que me parece diferente nessa atual fase de convulsão do Capitalismo é que o uso do novo discurso nacionalista não sente a menor vergonha de pregar a supressão dos chamados direitos democrático que tanto foram usados para mostrar uma suposta superioridade moral contra a URSS. Aliás, depois das barbaridades cometidas pelas forças estadunidenses em Abu Ghraib e Guantánamo, essa superioridade já tinha ido pelo ralo mesmo.  Nessa mesma toada, a construção de um muro para separar os EUA do México nem causa qualquer enrubescimento na face dos falsos moralistas que ontem pregavam a derrubada de muros, e hoje não hesitam em construí-los. 

E o que falar da guerra na Síria e do apoio dado por governos nacionais a grupos ligados Al Qaeda e, por que não, ao Estado Islâmico.  Aliás, na guerra da Síria todos os lados envolvidos não hesitaram de rasgar todos os supostos compromissos com a dignidade humana.

Um aspecto que deveria preocupar aos brasileiros é que, curiosamente para um país de minoria branca, o Brasil também tem se mostrado um terreno fértil para a propagação desse discurso supostamente politicamente correta que tolera a proliferação de discursos de ódio contra os mais pobres, especialmente se estes são negros, mulheres ou homossexuais.  

Entretanto, dada a posição de economia dependente que o Brasil historicamente tem tido, a verdade é que não haveria como essa onda de ódio não chegasse por aqui sob uma cobertura de indignação com o sistema político. O fato é que sempre uma sociedade autoritária e segregada, e o que acontece agora é que setores mais ressentidos das camadas médias e altas não hesitam mais em mostrar o que realmente pensam. Assim, temos uma combinação clara entre a convulsão do sistema e o aumento da intolerância no plano nacional.

Quanto mais cedo os que não toleram a fluxo livre destas tendências autoritárias acordarem para essa ligação mais provável será a possibilidade de que essas forças desagregadoras das relações societárias sejam derrotadas. Mas se demorarmos muito a reagir, não há nenhuma razão para acreditar que não nos vejamos imersos num imenso reino de terror, seja no plano local, nacional ou global. 

Meus poucos pitacos sobre a vitória de Donald Trump

us-2016-election-results-live

Tenho lido uma série de manifestações postadas em grupos dos quais participo em redes sociais acerca da vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais que me deixam convicto de que há muita confusão entre os intelectuais brasileiros e que se pretendem de esquerda. É que muitos pareciam ver na candidatura de Hillary Clinton traços de uma situação melhor para o mundo em caso de sua vitória, e de uma espécie de condição pré-apocalíptica caso Trump viesse a vencer.

Como alguém que morou nos EUA por um período relativamente longo e uma região fortemente republicana que é o sul, a minha maior surpresa não é a eleição de Trump, mas o fato que se deu pelo partido republicano. A verdade é que Trump apenas usou a sigla e não ficarei surpreso se ele pular para fora do barco republicano ao longo do seu mandato. Além disso, a base eleitoral de Trump foi composta por setores mais amplos do que os republicanos conseguiram amealhar nas duas últimas eleições presidenciais e em estados tradicionalmente democratas.

Por que isso se deu? As razões são múltiplas, mas penso que basta olhar para a situação de estados como Michigan, Illinois e Pennsylvania para verificar que parte do eleitorado é originária de uma classe operária que some pelos ralos em razão da lógica da acumulação flexível e sucumbiu ao discurso aparentemente nacionalista de Donald Trump.

Outra razão para o resultado é que boa parte do Partido Democrata não queria Hillary Clinton como candidata e optou por não fazer campanha para ela, mesmo arriscando uma vitória de Donald Trump. Essa indisposição para apoiar Clinton foi acentuada pelas revelações trazidas pelo Wikileaks de que a maioria das elites dirigentes dos Democratas havia sabotado e trabalhado abertamente contra a candidatura mais progressiva do senador pel oestado de Vermont, Bernie Sanders.

Ainda pode se acrescentar nessa equação os efeitos da disposição anti-imigrantes e anti-muçulmanos e anti-minortias que persistem em amplos segmentos da classe média estadunidense, e que não são nada de novo, mas que foi trabalhada com maestria por Trump. Aliás, um dos desafios que Donald Trump terá de enfrentar para ter uma chance mínima de governar é se livrar desta parte do seu próprio enredo. É que, apesar desses sentimentos terem aderência em amplos setores da sociedade estaduninense, há uma quantidade provavelmente maior de pessoas que rejeita esses elementos obscurantistas. E Trump, se quiser governar, vai ter que alcançar algum nível de equilíbrio, o que certamente não será fácil, dado o seu comportamento ao longo da campanha e sua própria personalidade.

No frigir dos ovos, a eleição de Donald Trump é o fim do mundo ou a promessa de que ele está mais próximo? Em minha opinião essa é uma tese furada e que concede um tipo de progressividade a Hillary Clinton que ela simplesmente não aplicaria em seu governo. O fato é que vamos ter de esperar para ver quais serão os tipos de política que Trump vai implementar antes que seja possível determinar qual será efetivamente o rumo que ele tomará.

De toda forma, os primeiros a se desapontarem com  Trump certamente serão os membros da classe trabalhadora que depositaram seus votos na sua candidatura Trump na expectativa de que  a “América voltará a ser grande”. É que ninguém mais do que Donald Trump caiu tanto dinheiro roletando com a decadência da centralidade econômica da indústria estadunidense. E não será porque virou presidente que Trump deixará de ser um homem de negócios. Aliás, há uma chance muito grande de que ele se sirva do seu posto para aumentar o tamanho do seu próprio conglomerado econômico.

 

Delaware, o paraíso fiscal preferido de Hillary Clinton e Donald Trump

delaware

Por uma dessas imensas coincidências do mundo, ontem falei neste blog sobre o fato que um endereço na cidade de Wilmington, Delaware, abriga 285.000 empresas sob a proteção do Corporation Trust Center. Pois bem, o que eu não sabia que ontem (25/4), o jornal britânico “The Guardian” havia publicado um artigo mostrando que duas pessoas em campos opostos da política estadunidense possuem empresas neste mesmíssimo endereço: Hillary Clinton e Donald Trump, respectivamente pré-candidatos presidenciais dos partidos Democrata e Republicano (Aqui!).

E o que atraiu Hillary Clinton e Donald Trump para Delaware? Segundo o artigo assinado por Rupert Neate foram as facilidades fiscais que o estado de Delaware oferece para quem quiser mandar seu dinheiro para lá, que implicam em evasão no pagamento de impostos. O problema é que estas “facilidades” custaram a outros estados a bagatela de US$ 9 bilhões em impostos não coletados apenas na última década.  Em outras palavras, Delaware é um paraíso fiscal, tal como as Ilhas Cayman, apenas com mais empresas de gaveta sendo criadas para evitar o pagamento de impostos.

Aí algum leitor me pergunta: e o que as tratativas de Hillary e Donald tem a ver conosco? É que, como eu mostrei em várias postagens recentes aqui neste blog, Delaware é aquele lugar onde está sediado o “Rio Oil Finance Trust” (mas pode chamar de RioPrevidência!). 

Se não for por nada, os deputados oposicionistas na Alerj poderiam convocar o secretário de Fazenda, o Sr. Júlio Bueno, sobre os custos financeiros para o tesouro estadual das operações envolvendo o “Rio Oil Finance Trust” em Delaware.