Números da recusa ao voto nas capitais brasileiras e seus riscos sistêmicos

A tabela abaixo dispensa maiores explicações. O fato é que segmentos inteiros da população simplesmente se recusaram a escolher candidatos na eleição de ontem.  Motivos para isso não faltam, mas ainda assim esse fenômeno explicita que tempos ainda mais turbulentos estão no horizonte do Brasil.

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Por que? O fato é que ter governantes que não são simplesmente reconhecidos enquanto tal por tanta gente representa o risco constante de que o sistema político venha colapsar de forma inesperada. 

O problema é que no Brasil a saída mais provável para a eventualidade deste acontecimento será ainda mais violência e repressão contra os pobres.

Resultados eleitorais trazem os ventos do confronto social

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Os resultados das eleições de ontem trazem uma notícia que vai ser provavelmente ignorada pelos vitoriosos e derrotados: em muitos colégios eleitorais os vencedores perderam para a soma das abstenções, brancos e nulos.  A situação de descrédito do sistema político é tão grande que em 9 capitais (incluindo São Paulo) a soma de abstenções, brancos e nulos venceriam as eleições (Aqui!).

A razão mais óbvia para esse crescimento da negação em apertar a tecla da urna eletrônica para beneficiar este ou aquele candidato nasce da profunda separação que existe entre a maioria da população e seus governantes. Esse processo, inclusive, tenderá a aumentar para 2018 porque os resultados que saíram das urnas tendem a privilegiar agendas de privatização e de precarização do Estado em nome de um suposto ganho econômico. Tal ganho econômico, já se sabe, vai privilegiar aquele segmento composto por algo em torno de 1% da população brasileira que poderá assim gastar mais em suas viagens a Miami e Paris.

Entretanto, essa eleição também incorporam elementos adicionais para contribuir para o descrédito do sistema político. É que os partidos majoritários optaram em muitos casos em rebaixar o debate e lançar candidatos que não possuem a menor condição de responderem aos problemas reais que terão de enfrentar. Sob a pecha de recusar o político, esses candidatos se travestiram da antipolítica da pior espécie, contribuindo para desacreditar ainda mais o que muitos já não acreditam para começo de conversa. Exemplos disso não faltam, mas a eleição do lobista tucano João “Dólar” Dória em São Paulo salta aos olhos como a aposta em algo que não tem como dar certo. 

No espectro dito de esquerda, o recolhimento do PT a cidades pequenas e médias e derrotas acachapantes em cidades que historicamente o partido controlava é a demonstração de que não se pode abandonar as raízes de forma impune. Mas, além disso, essas derrotas têm que se creditadas à direção do PT que a partir de 2002 trabalhou duro para deseducar as suas bases políticas.  O fortalecimento do Psol, um partido que nasceu a partir do rompimento de frações petistas que foram expurgadas por discordarem do giro à direita que a direção nacional do PT realizou, é mais uma prova de que não é preciso ir longe para enxergar as responsabilidades por detrás desta derrota eleitoral.

Finalmente, não tenho dúvidas de que assistiremos um profundo ataque aos direitos sociais nas prefeituras que elegeram partidos que deram sustentação ao golpe parlamentar contra Dilma Rousseff. É que o golpe não foi dado senão para facilitar o desmonte do Estado e para aumentar o grau de vampirismo que as classes ricas consideram ser necessário para se manterem seus muitos privilégios. Agora, resta saber como vão reagir aqueles que terão negado o pouco que foi conquistado nas úiltimas décadas. Para mim, o que os ventos sinalizam é a abetura de um período de agudos confrontos no Brasil. 

Esquerda, ma non troppo

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Agora que vemos o desgaste inevitável na imagem do Partido dos Trabalhadores (PT) como um legítimo representante de um pensamento de esquerda para o Brasil, há um processo concomitante de caça a partidos que ameaçam crescer no vácuo deixado pela derrocada da agremição liderada pelo ex-presidente Lula.

Como é de se esperar a ira é dirigida principalmente contra o Partido Socialismo e Liberdade (PSol), mas eventualmente sobra para o ressurgente Partido Comunista Brasileiro (PCB).  Pior destino ainda sofre o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (Pstu) que defende que não houve golpe de estado, mas golpe de ex-aliados do PT. Ao Pstu sobram as mais graves designações por sua posição de ultraesquerda.

As alegações que eu vejo aparecendo mais comumente é que ao criticar o PT e o partido satélite que lhe restou dos tempos de domínio absoluto, o pragmático Partido Comunista do Brasil (PC do B) é que equivalente a uma traição na luta contra o golpe de estado via parlamento que foi operado contra a presidente Dilma Rousseff.

Primeiro é importante dizer que a bancada do Psol com apenas 6 militantes foi mais atuante do que a do PT na luta pela manutenção do mandato legítimo de Dilma Rousseff. Sempre notei a desproporção da energia gasta pela bancada do PT em relação à do Psol que parecia ser sempre dez vezes maiores do que era. Segundo, que o Psol e o PCB não estão defendendo nada muito diferente do que defenderam ao longo dos últimos anos, quando criticavam as políticas de cunho neoliberal implantadas por Lula e Dilma.

Para mim, não há como cobrar total alinhamento e ausência de crítica aos candidatos do PT e do PC do B em nome da luta contra o golpe. É que, para começo de conversa, os golpistas eram até recentemente membros da suposta base aliada do governo Dilma. Segundo, é que ao longo dos anos, quem abandonou o campo das alianças de esquerda em nome de um governabilidade que se mostrou fajuta foram o PT e o PC do B.

Ainda que eu considere as posições do Psol como sendo marcadas por uma crença excessiva na capacidade de resolver os problemas nacionais via o parlamento, não há como negar que o partido se manteve coerente a partir de uma posição de defesa dos interesses da maioria da população pobre. Além disso, ao se aliar ao PCB na cidade do Rio de Janeiro, o Psol expressou um avanço no sentido da formação de alianças eleitorais que vão além dos interesses momentâneos e fisiológicos que partidos como o PT e o PC do B continuam adotando. Tanto isso é verdade que o PT está aliado aos chamados partidos golpistas em mais de 1.000 municípios nas atuais eleições.

Finalmente, como eleições são apenas uma espécie de momento “the flash” na luta de classes, a minha expectativa é que estejamos vivenciando um processo de reagrupamento da esquerda no Brasil.  Mas não aquela esquerda “ma non troppo” que só esquerda no momento de pedir votos. É que dessa esquerda, não há mais muito o que esperar.

 

Dezoito madeireiros tentam ser eleitos nos 52 municípios que mais desmatam no país (2)

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Levantamento feito pelo De Olho nos Ruralistas mostra que candidatos à prefeitura já estiveram envolvidos em algumas das principais investigações já feitas sobre extração ilegal de madeira

Por Alceu Luís Castilho, no De olho nos Ruralistas

Dono de um patrimônio de R$ 24 milhões (R$ 5 milhões em dinheiro), o candidato à reeleição na prefeitura de Marcelândia (MT), Arnóbio Vieira de Andrade (PSD), declarou à Justiça Eleitoral uma empresa chamada Ava Desmatamento e Pecuária. O nome não é à toa: as atividades estão bem interligadas na Amazônia Legal. Pecuarista, ele registrou também na Justiça Eleitoral a propriedade de duas motosserras à gasolina, profissionais, modelo 381 – destinada a corte de árvores de médio porte.

Mas sejamos justos: não encontramos nenhuma denúncia de crime ambiental contra o prefeito. O mesmo não se pode dizer de outros candidatos no Arco do Desmatamento. Várias operações – mais ou menos famosas – de combate à exploração ilegal de madeira na Amazônia tiveram a presença de políticos candidatos em 2016. Entre 52 dos municípios que mais desmatam no Brasil, 18 madeireiros tentam ser prefeitos. E a maior parte deles já esteve envolvida em alguma denúncia relativa à extração proibida ou outro tipo de crime ambiental relacionado à madeira.

É o caso do candidato à reeleição em Feliz Natal (MT), Toni Dubiella. Ele já presidiu o Sindicato das Madeireiras do município. Declarou R$ 14,8 milhões em bens este ano (bem mais que os R$ 3,7 milhões de 2012), entre eles a Madeireira Vinícius Ltda, onde trabalham 120 pessoas. O próprio site da prefeitura traz um Dubiella sorridente, se promovendo, e contando que, quando jovem, deixou a pequena empresa de seu pai em busca de seus sonhos: “tornar-se um empresário madeireiro”.

O Ibama de Sinop registrou em 2013 um auto de infração contra a empresa. Em 2015, teve a pena prescrita por um crime ambiental denunciado em 2008: a venda de 68 mil metros quadrados de madeira serrada sem licença. Não foi um caso isolado. Segundo o Ministério Público, ele dificultou a ação dos fiscais do Ibama durante uma inspeção em 2010. Estavam armazenados sem licença pedaços serrados de madeira itaúba, champagne, cupiúba, cambará, cedrinho, sucupira preta, angelim e cambará-rosa. Todos apreendidos. O Tribunal de Justiça do Mato Grosso acolheu no ano passado a denúncia.

Outro caso emblemático é o de Eudes Aguiar (DEM), prefeito de Brasnorte (MT) candidato à reeleição em uma coligação chamada É Pra Frente que se Anda – com PP, PT e PMDB, entre outros. Dono da madeireira Imperatriz, ele foi preso em 2005 numa das maiores operações já feitas contra o desmatamento, a Curupira. A ofensiva da Polícia Federal e do Ministério Público Federal ocorreu em 16 municípios de oito Unidades da Federação. Com 95 acusados de integrar o que foi chamado, então, de “maior quadrilha” a praticar crimes ambientais no país. A madeira retirada ilegalmente encheria 66 mil caminhões.

Em 2010, Aguiar foi flagrado em Jaraguari (MS) transportando galos de rinha em uma caminhonete. Mas é mesmo pela madeira que ele costuma ser investigado. Ele e a madeireira são réus em ação civil pública movida pelo Ministério Público mato-grossense. E a punição em relação à Operação Curupira ainda se arrasta, mais de dez anos depois: ele e mais cinco pessoas são acusados pelo Ministério Público Federal em pedido de prisão temporária. E tudo isto em relação a um esquema que mobilizou 450 policiais, em 2005, e teria rendido R$ 890 milhões à quadrilha – nos valores da época.

Outros se lembrarão da Operação Arco de Fogo – mais um nome pelo qual é conhecido o Arco do Desmatamento. Em Rondônia, em 2008, um dos que estiveram na mira da Polícia Federal foi o prefeito de Nova Mamoré (RO), Laerte Queiroz (PMDB), candidato à reeleição em coligação que inclui o PT, o PPS e o PV. A declaração de bens de 2012 registra a participação na empresa S.F. Madeiras, ao lado de Salete Queiroz. Ambos foram denunciados em 2014 por “fraude para legalizar madeira clandestina”, em 2007 e 2008, segundo o Ministério Público do Estado de Rondônia. As guias florestais tinham informações falsas. O TJ-RO aceitou este ano a denúncia por falsidade ideológica.

A LISTA DOS MADEIREIROS

Entre 308 candidatos em 52 dos municípios que mais desmatam no Brasil, são 18 os madeireiros. Fora os simpatizantes. E a maioria não quer ser vice, não. Apenas três deles tentam ser vice-prefeitos. Os demais tentam a reeleição, como Andrade, ou chegar pela primeira vez à prefeitura, comandando secretarias como a da Agricultura e Pecuária ou a do Meio Ambiente. O levantamento foi feito nas últimas semanas pelo De Olho nos Ruralistas, na reportagem especial Eleições 2016 – O Arco Político do Desmatamento. PSDB e PMDB são os partidos com mais candidatos madeireiros:

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A lista acima exclui candidatos que não declararam nenhuma empresa do setor, mas são diretamente ligados a madeireiros. Caso da ex-deputada estadual Luciane Bezerra (PSB), candidata em Luara (MT). Ela é nora do madeireiro Orivaldo Bezerra, investigado pela Polícia Federal por retirada de madeira de terras indígenas. Ou do prefeito de Lábrea (AM), Gean Barros (PMDB), genro de Oscar Gadelha, dono de uma micro empresa destinada à “extração de madeira em florestas plantadas”. Barros e Gadelha foram flagrados utilizando trabalho escravo em propriedade reivindicada pelo prefeito, em plena Reserva Extrativista do Médio Purus, na beira do Rio Umari.

Candidato à reeleição, Gean Barros tentou impedir fiscalizações de crimes ambientais nas reservas, no sul do Amazonas. Ao lado do deputado estadual Adjuto Afonso (PDT) e do ex-diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas, Graco Fregapani, ele mobilizou a população para expulsar fiscais do Instituto Chico Mendes (ICMBio) do município. Eles tinham ido checar a denúncia de que a unidade de conservação estava sendo utilizada para a extração de madeira. O nome de Gadelha aparece desde os anos 90 em denúncias de venda ilegal de toras.

Outro candidato à reeleição, Antonio Rufatto (PSDB), já presidiu o Sindicato dos Madeireiros de Paranaíta, no Mato Grosso. Em 2016, não declarou nenhuma madeireira, só fazendas. Seu irmão, Lir Rufatto, também filiado ao PSDB de Paranaíta, é madeireiro no Mato Grosso e no sul do Amazonas. Está na lista suja do trabalho escravo, por exploração no km 180 da Rodovia Transamazônica, no distrito de Santo Antônio do Matupi, em Manicoré (AM). É um local – que deveria ser um assentamento do Incra – conhecido como o “180”, pivô dos conflitos com os Tenharim, da terra indígena vizinha.

Lir Rufatto – conhecido na família como Moreira – responde a vários processos criminais pelo país. Pertence a uma família de madeireiros: uma das empresas está no nome de sua mulher, Vitória. Antonio Rufatto, o irmão candidato à reeleição, já foi absolvido num processo que apontava sua madeireira, a Perimetral, como beneficiária do furto de autorizações do Ibama para transporte de madeira. O caso ocorreu em 2005 e foi arquivado em maio deste ano. Segundo o desembargador que relatou o caso, o juiz não deveria ter acolhido a denúncia, pois Rufatto já era prefeito.

TUCANOS E MADEIREIROS

Poucas madeireiras foram declaradas pelos candidatos por valores acima de R$ 100 mil. Uma exceção é a empresa do tucano João Rogério de Souza, que tenta voltar à prefeitura de Nova Bandeirantes (MT). Ela vale R$ 500 mil. Pouco em relação ao total de bens do político, R$ 7,6 milhões – sete vezes mais que em 2008. A madeireira J.R. de Souza, ou União, já foi alvo de auto de infração do Ibama em outro município do Mato Grosso, Sinop, em 2008. Com apreensão de madeira.

A madeireira do candidato Milton Amorim (PSDB) em Colniza (MT), a Santa Clara, foi declarada por apenas R$ 25 mil. O município ficou conhecido em 2015 como “o município que mais desmata no Brasil”. Entre agosto e dezembro, respondeu por 19% de todo o desmatamento no Mato Grosso. O pecuarista Miltinho, presidente do Sindicato Rural do município, assinou no ano passado um termo de ajustamento proposto pelo Ministério Público do Estado por causa dos danos ambientais causados pelos resíduos de sua serraria, “casca, cavaco, costaneira, pó de serra, maravalha e aparas”.

Outro tucano que assinou um Termo de Ajustamento de Conduta foi Altamir Kurten, candidato em Cláudia (MT) e dono da Kurten Madeiras do Norte. A promotora Luane Rodrigues Bonfim determinou em julho que ele não corte a mata nativa ou área de proteção permanente de sua propriedade, bem como não utilize “fogo para a limpeza de área”. Sob pena de levar uma multa diária de R$ 5 mil. A Kurten Madeiras foi declarada por R$ 95 mil apenas, mas o candidato registrou na Justiça Eleitoral um empréstimo de R$ 911 mil à madeireira.

EM DEFESA DO SETOR

A madeireira mais valiosa entre as declaradas pelos candidatos no Arco do Desmatamento é a 3F Madeiras, do prefeito de Aripuanã (MT), Ednilson Faitta (PMDB). Ele declarou cotas no total de R$ 1,44 milhão, metade do capital da empresa. Ele preside desde 1999 a Associação das Indústrias Madeireiras de Aripuanã, mas abriu a serraria 3F em 2010. Seu vice, Junior Dalpiaz (PDT), já assinou documento cobrando do governo valorização do que chama de “setor florestal” – a exploração de madeira é a principal atividade econômica do município – e defendendo o manejo em terras indígenas.

Nem sempre é fácil localizar a madeireira do candidato. No caso de Valdinei Correa Pereira, o Valdinei do Posto (PMN), candidato a vice-prefeito em Pimenta Bueno (RO), localizamos uma de suas duas empresas, a Rondo Madeiras, esta de Espigão D’Oeste (RO), pelo CPF. A outra, a Madbel Madeiras, já estava mencionada em uma condenação feita pelo Tribunal de Justiça em 2015. Em 2009, Valdinei foi flagrado pela Polícia Rodoviária Federal transportando um reboque furtado. Em 2012, ele era procurado, como sócio da Rondo Madeiras, mas estava em “lugar incerto e não sabido”.

MEMÓRIA

Em alguns casos, o político vai reconstruindo seu perfil rumo a algo mais amigável – e as notícias sobre exploração de madeira vão ficando distantes. O prefeito de São Félix do Xingu (PA), João Cleber de Sousa Torres (PMDB), era mencionado pelo Ministério Público Federal em 2003 como um dos principais mandantes de uma “máfia da grilagem” na região. Candidato à reeleição em município que ainda lidera o ranking de homicídios na Amazônia, ele era descrito pelos procuradores como dono das madeireiras Impanguaçu e Maginga. Em 2016, João Cleber declarou possuir um total de R$ 20 milhões em bens, oriundos principalmente de 15 mil cabeças de gado.

Quem também andou se beneficiando do esquecimento foi o ex-deputado estadual Paulo Jasper, o Macarrão (DEM), candidato em Tailândia (PA). Em 2008, era apontado como integrante de uma quadrilha da madeira que lucrava R$ 90 milhões com fraudes, segundo promotores paraenses. O município chegou a ser ocupado por tropa da Força Nacional. Áreas devastadas havia mais de 15 anos eram “esquentadas” a partir de papéis fraudulentos: duas fazendas existiam apenas em cartório, para justificarem o desmatamento. Quem denunciou o esquema foi um antigo sócio de Macarrão.

E tem mais. O tucano Paulo Pombo Tocantins, candidato à reeleição em Paragominas (PA), é dono do único cartório no município. Vejamos esta notícia de 2003, do Greenpeace: “Madeireiros destroem castanhais dentro da área proposta para a criação de reserva em Porto de Moz”. Os ativistas percorreram a estrada que ligava o plano de manejo, pertencente a Paulo Tocantins, e encontraram toras abandonadas, tocos e trilhas de arraste de toras por tratores. Segundo a organização, ele fornecia madeira para várias indústrias madeireiras: Eidai do Brasil, Intelnave e Tropical. Em 2004, o Greenpeace atualizou o caso: a madeira apreendida pelo Ibama tinha sumido.

FONTE: http://racismoambiental.net.br/2016/09/17/dezoito-madeireiros-tentam-ser-eleitos-nos-52-municipios-que-mais-desmatam-no-pais/#.V-NKu141OlR.facebook

África do Sul e a Baixada Fluminense compartilham uma coincidência macabra: assassinatos em série de candidatos a cargos eletivos

Acabo de assistir uma matéria na rede  estadunidense CNN sobre uma série de assassinatos cometidos na véspera das eleições que vão ocorrer na África do Sul tendo como alvo candidatos pelo partido governista African National Council (ANC). 

Ao focar apenas na violência que está ocorrendo na África do Sul, a CNN está perdendo uma oportunidade de ouro para traçar comparações com o Rio de Janeiro, mais especificamente, a Baixa Fluminense, onde a mesma forma de eliminação de potenciais concorrentes a cargos eletivos também vem ocorrendo.

A curiosidade da matéria da CNN é que a morte de dezenas de candidatos do ANC está sendo atribuída a membros do próprio partido que estaria tentando facilitar as suas vitórias com o objetivo de participar do sistema de corrupção vigente na África do Sul. 

Eu fico intrigado se a CNN viesse apurar os assassinatos ocorrendo na Baixa Fluminense se o motivo das mortes seria muito diferente.

Jornal El País produz matéria sobre assassinatos de pré-candidatos a vereador no RJ

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Com o título “A campanha de “matar quem atrapalha” nas eleições municipais do Rio”, o jornal “El País” produziu uma matéria em sua versão em português sobre a onda de assassinatos de políticos e pré-candidatos que está varrendo os municípios da Baixada Fluminense.

Segundo a matéria assinada pela jornalista Maria Martín, essa onda de assassinatos escancara a penetração do crime na vida pública no Rio de Janeiro.

Para ler a matéria completa, basta clicar (Aqui!)

Indignação seletiva é, acima de tudo, cinismo

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Definitivamente a minha paciência com os moralistas seletivas se esgotou, seja no plano federal, estadual ou municipal. Peguemos por exemplo os que denunciam de forma “ad nauseum” o (des) governo municipal comandado por Rosinha Garotinho em Campos dos Goytacazes.  Pessoalmente considero a atual gestão muito pobre em todos os níveis, e olha que não estou falando da aparente penúria que grassa nos cofres municipais. Falo efetivamente no que conta: a capacidade de atacar os problemas que tornam a vida do campista um completo desafio todos os dias. E para mim basta passar na esquina das ruas Formosa (a.k.a Tenente Coronel Cardoso) e do Ouvidor (a.k.a Marechal Floriano) e me deparar, após vários dias, com os riscos causados pela inexistência de um sinal de trânsito que repentinamente tomou Doril.  Para mim, nem é preciso ir depois dali para ver que a atual gestão está cambaleando.

Agora, é chato demais notar que os mesmos articulistas que criticam Rosinha Garotinho são os mesmos que inventam mil maneiras para esconder da nossa população que o (des) governador Luiz Fernando Pezão lançou o Rio de Janeiro no maior caos de sua história recente. Nada funciona no Rio de Janeiro quase todo privatizado para beneficiar os financiadores das campanhas do PMDB e dos seus partidos satélites. Falência dos serviços de trem, metrô, barcas e hospitais,  e o calote no décimo terceiro salário dos servidores? Disso os supostos puristas anti-corrupção no plano municipal querem ser lembrados. 

Esse tipo de moralismo seletivo é indicativo de que em 2016 teremos uma das eleições mais sujas da história já manchada por contínuos escândalos em Campos dos Goytacazes. É que os moralistas seletivos vão continuar omitindo a situação trágica que o Estado vive, enquanto descerão impiedosamente o relho na prefeita.

A questão para nós que queremos mudanças efetivas no jeito de governar não bastará ficar olhando de fora das quatro linhas, como se isso fosse nos dar o que precisamos. Vai ser preciso participar de forma crítica do processo eleitoral, de modo a aumentar as chances de que possamos discutir as coisas que precisam ser discutidas, sem os maniqueísmos de bem e mal que servem apenas para encobrir uma triste verdade que é de que os supostos salvadores da Pátria poderão ser até piores do que o que temos no momento. Mas como dizia meu falecido pai, jacaré parado vira bolsa. E ai, o que vamos querer? Jacaré em movimento ou bolsa de madame?

Eleições na UENF: a chapa 11 e a sua incansável fábrica de boatos

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O debate desta quarta-feira passada (29/07) entre as chapas que concorrem à eleição para a reitoria da UENF foi marcada por uma série de momentos agudos, onde o candidato a reitor da chapa 10, Prof. Luís Passoni, acusou os membros da chapa 11 de estarem mentindo e espalhando boatos que estariam contribuindo para a geração de um clima de conflito e antagonismo.

Em qualquer condição semelhante, um candidato que fosse acusado de mentir e espalhar boatos deveria reagir com indignação e pular nas tamancas. Mas não foi o que se observou, pois a resposta a serie de afirmações contundentes do Prof. Passoni, mereceu apenas olhares e faces petrificadas dos dois candidatos da chapa 11.

Num caso como esse, poderia ser suficiente dizer que “quem cala consente”. Mas não, resolvi listar algumas das coisas que são ditas de forma privada apenas para enxovalhar os membros da chapa 10 (Passoni e Teresa) sem que se apresente um indício mínimo de fatos que corroborem a usina de boatos.

Vejamos alguns exemplos:

Boato 1. Luís Passoni é um sindicalista, sem qualquer experiência de gestão 

Fato: O Prof. Luís Passoni foi chefe do Laboratório de Ciências Químicas; coordenador do curso de Licenciatura em Química na modalidade presencial e duas vezes do curso oferecido na modalidade EAD no Cederj. Além disso, Passoni foi membro dos dois principais colegiados da UENF: o Conselho Universitário e o Colegiado Acadêmico. Além disso, o Prof. Passoni tem uma larga experiência na gestão de unidades industriais,  pois trabalhou no “chão da fábrica” na multinacional 3M.

Boato 2: Teresa Peixoto não é bem vista pelos professores do CCH, centro do qual foi diretora no período entre 2007 e 2011.

Fato: A gestão como diretora da Profa. Teresa Peixoto foi marcada por procedimentos democráticos e transparentes, e decorreu de forma tranquila durante os 4 anos de sua duração. No CCH, a chapa 10 deverá ter uma das melhores votações proporcionais entre os professores, e muito em função do desempenho que a Profa. Teresa teve à frente do centro.

Boato 3: Luís Passoni não lutou por qualquer benefício salarial para os servidores da UENF, e pensou apenas nos professores quando foi presidente da ADUENF.

Fato: Os 19% que foram concedidos aos servidores não docentes em 2014 decorreu de gestões feitas pelo Prof. Passoni junto à Comissão de Educação da Alerj, pois ele considerava que seria extremamente injusto que a proposta do governo Pezão de não conceder qualquer reajuste aos servidores prevalecesse. Quem impediu a unidade entre professores e servidores foram os apoiadores da chapa 11 que naquele momento controlavam a delegacia do Sintuperj na UENF.

Boato 4: A Professora Teresa Peixoto passa muito tempo no exterior à custa de recursos da UENF.

Fato: A Professora Teresa Peixoto, cujo título de doutorado foi obtido na França, realizou seu pós-doutorado naquele país entre 2011 e 2012, e tem viajado com recursos próprios ou de projetos em que ela participa para consolidar parcerias de pesquisa com seus colegas franceses. Essas viagens de trabalho foram todas aprovadas nos órgãos colegiados da UENF, e ela nunca se ausentou da UENF sem a devida permissão da reitoria.

Boato 5: O Prof. Passoni participou de projetos em que recursos foram usados sem qualquer transparência ou retorno para a UENF.

Fato: Todos os projetos de pesquisa em que o Prof. Passoni já participou jamais ofereceram benefícios financeiros individuais para ele. Tampouco há qualquer evidência de que ele tenha se apropriado de recursos ou que suas atividades não tenham dado retorno para a UENF. A opção preferencial do Prof. Passoni pela atuação no ensino de graduação lhe custou inclusive o acesso a editais que apenas privilegiam a realização de pesquisas.

Boato 6. Luís Passoni é um esquerdista radical que não tolera qualquer ideia discordante.

Fato: Todos os depoimentos disponíveis na página da campanha da chapa 10 e que conhecem o Professor Passoni desde o ensino médio dão conta que ele é uma pessoa com grande capacidade de ouvir e ponderar, e que ele é um negociador que procura agregar os grupos onde atua. Pessoalmente posso testemunhar que o Prof. Passoni é uma das pessoas mais ponderadas e incansáveis no trato com os que possuem ideias diferentes das suas. De forma básica direta, Passoni é uma pessoa essencialmente democrática e que acredita no diálogo como ferramenta de resolução de problemas.

Boato 7. Se a chapa 10  for eleita, o Pedlowski vai ser Pró-Reitor de Extensão e colocará tudo o que foi feito por água abaixo.

Fato: Já disse pessoalmente que não estou apoiando a chapa 10 em troca de cargos. Além disso, encaro que meu papel será o de continuar construindo a Uenf desde o meu grupo de pesquisa.  Há ainda que se lembrar que o comitê eleitoral da chapa 10 já definiu critérios claros para a possível ocupação de cargos, os quais incluem experiência prévia nos cargos que serão ocupados. Como nunca fui, por exemplo, sequer coordenador de extensão no CCH, o meu nome está automaticamente eliminado da lista de nomes que poderão ocupar esse cargo.

Boato 8.   A chapa 10 aparelhou a ADUENF e o DCE e por isso a chapa 11 não compareceu nos debates organizados pelos sindicatos nos campi de Campos dos Goytacazes e Macaé.

Fato:  Nem o DCE ou ADUENF fizeram qualquer apoio material ou político a qualquer uma das chapas. O que houve é que diretores e ex-diretores das duas entidades declararam apoio à chapa 10. Agora, em contraposição professores que ocupam cargos indicados na gestão de Silvério Freitas estão usando seus cargos para pedirem votos para chapa 11.

Boato 9. Se Passoni for eleito não haverá mais diálogo com o goverrno Pezão porque ele é um radical e incapaz de dialogar 

Fato: Este boato é uma variação do boato 6. Mas é importante que se lembre que na última gestão em que foi presidente da Aduenf, o Prof.  Passoni se reuniu diversas vezes com o presidente da Alerj, com o presidente da Comissão de Educação da Alerj, com os secretários de Planejamento e Gestão, Sèrgio Ruy, e de Ciência e Tecnologia, Gustavo Tutuca, e até com o então vice-governador, Luis Fernando Pezão. Foi com essa cpaacidade de dialogar com os diferentes níveis de governo que o Passoni conseguiu fechar uma negociação que beneficiou professores e servidores, a qual encerrou a greve que ocorria na Uenf. Aliás, quem sempre mostrou forte incapacidade de negociar foi a reitoria da Uenf na qual o vice-reitor da chapa 11, Antonio Amaral, participava.

Boato 10. O Prof. Luís Passoni não possui título de doutorado e entrou na Uenf num concurso “mutretado” (isto é, eivado de irregularidades).

Fato: No primeiro debate, o Prof. Passoni mostrou a todos o seu título de doutor em Ciências obtido na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e esse boato morreu no nascedouro da campanha.

Boato 11. O Professor Passoni é contra a correção das “distorções salariais” existentes na Uenf e não se importa com a situação dos servidores com menores salários.

Fato: O Prof. Passoni vem afirmando em reuniões e debates que uma prioridade de sua administração será a correção salarial em todos os níveis, mas principalmente naquelas faixas onde a depreciação salarial é maior, especificamente nos servidores de nível elementar e fundamental. Há que se lembrar que esse boato é uma variação dos boatos 3, 6 e 9. Na verdade, a postura do Passoni tem sido justamente a de lutar pelo direito de todos, mesmo quando presidia a Aduenf.

Eu poderia continuar com a lista interminável de boatos que andam circulando na UENF. Mas a pergunta que deve ser feita a toda pessoa que estiver empenhada em dar força para essa verdadeira máquina de boatos é de por que estão se ocupando em difamar os membros da chapa 10 quando poderiam estar apresentando e debatendo o programa da chapa 11.

A verdade que esse comportamento antiético e antidemocrático dos apoiadores e dos membros da chapa 11 apenas procura esconder um fato básico: a chapa 11 representa o continuísmo de um grupo que está instalado na reitoria da UENF desde 2003. Aliás, no debate de ontem, sob a pressão das respostas bem colocadas pela chapa 10, os candidatos Edmilson e Antônio Amaral finalmente revelaram que são sim representantes da atual reitoria.

Tanto isto é verdade é que ao final do debate, o candidato Edmilson Maria gritou em alto e bom som que “nós vamos ganhar de novo!”. Nada mais continuísta do que isto!

Talvez por isso, a chapa 11 tenha fugido dos dois debates organizados pelos sindicatos da UENF, e tenham optado pela disseminação de boatos e inverdades. E isto é lastimável em qualquer eleição, mas principalmente para uma reitoria de universidade pública, onde o debate deveria ser sobre projetos e ideias.

Mas a verdade é que quem não tem substância, acaba sempre apelando no final.

E aqueles que ainda tiverem dúvidas, sugiro que visitem a página que a chapa 10 possui no Facebook e leiam todos os depoimentos que ali estão. Após isto, tenho certeza que nos dias 01 e 04 de Agosto iremos fechar para sempre a incansável fábrica de boatos que a chapa 11 montou para encobrir suas responsabilidades na pífia gestão que dominou a UENF nos últimos 8 anos.  Para acessar a página da chapa 10 basta clicar (Aqui!)

fabrica de boatos

Eleições na UENF: chapa 11 muda layout pela quarta vez e mostra que está perdida na disputa eleitoral

A campanha da chapa situacionista para as eleições da reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) acaba de mudar novamente o layout da sua página no Facebook. Essa é a quarta versão do layout e, em cada uma delas podemos observar modificações que refletem uma clara tentativa de melhorar o desempenho da imagem dos professores Edmilson Maria e Antonio Amaral, enquanto se aproveita para inserir mensagens subliminares que contribuem para confundir os potenciais eleitores.

Vejamos a sequência do primeiro layout até o lançado no dia de hoje.

 

Captura de tela 2015-07-10 20.17.12

A imagem acima é o primeiro layout da propaganda da chapa 11, inclusive no Facebook

Captura de tela 2015-07-11 23.51.19

Layout que foi ao ar no dia 12/07 na página da chapa 11 no Facebook,

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Layout que foi ar no dia 18/07 na página da chapa 11 no Facebook,

Agora vejamos o quarto layout que foi lançado nesta 6a. feira (24/07):layout 5

As principais mudanças que podem ser vistas é a retirada do amarelo no número 11 e a inserção da frase “Temos orgulho da Uenf“. A primeira modificação pode ser entendido como um esforço de retirar a confusão com a cor usada pela chapa 10 para identificar o seu numeral. Mas o uso da frase “Temos orgulho da Uenf” pode ser entendido como um esforço para criar a impressão de que a chapa 10 não compartilha deste sentimento, o que não é efetivamente o caso. 

Mas uma questão que me parece mais contundente é que mudanças de layout tem sido acompanhadas por um campanha informal em que diferentes estratégias vem sendo tentadas para desqualificar os professores Luís Passoni e Teresa Peixoto e sua capacidade para fazer a reitoria da Uenf funcionar de uma forma que seja transparente e respeitosa.  E tantas modificações de layout mostram ainda que todas essas tentativas não estão dando certo. Aliás, a impressão que fica é que o comando da campanha da chapa 11 está sem o devido norte político. Simples assim!