Resultados eleitorais trazem os ventos do confronto social

doria

Os resultados das eleições de ontem trazem uma notícia que vai ser provavelmente ignorada pelos vitoriosos e derrotados: em muitos colégios eleitorais os vencedores perderam para a soma das abstenções, brancos e nulos.  A situação de descrédito do sistema político é tão grande que em 9 capitais (incluindo São Paulo) a soma de abstenções, brancos e nulos venceriam as eleições (Aqui!).

A razão mais óbvia para esse crescimento da negação em apertar a tecla da urna eletrônica para beneficiar este ou aquele candidato nasce da profunda separação que existe entre a maioria da população e seus governantes. Esse processo, inclusive, tenderá a aumentar para 2018 porque os resultados que saíram das urnas tendem a privilegiar agendas de privatização e de precarização do Estado em nome de um suposto ganho econômico. Tal ganho econômico, já se sabe, vai privilegiar aquele segmento composto por algo em torno de 1% da população brasileira que poderá assim gastar mais em suas viagens a Miami e Paris.

Entretanto, essa eleição também incorporam elementos adicionais para contribuir para o descrédito do sistema político. É que os partidos majoritários optaram em muitos casos em rebaixar o debate e lançar candidatos que não possuem a menor condição de responderem aos problemas reais que terão de enfrentar. Sob a pecha de recusar o político, esses candidatos se travestiram da antipolítica da pior espécie, contribuindo para desacreditar ainda mais o que muitos já não acreditam para começo de conversa. Exemplos disso não faltam, mas a eleição do lobista tucano João “Dólar” Dória em São Paulo salta aos olhos como a aposta em algo que não tem como dar certo. 

No espectro dito de esquerda, o recolhimento do PT a cidades pequenas e médias e derrotas acachapantes em cidades que historicamente o partido controlava é a demonstração de que não se pode abandonar as raízes de forma impune. Mas, além disso, essas derrotas têm que se creditadas à direção do PT que a partir de 2002 trabalhou duro para deseducar as suas bases políticas.  O fortalecimento do Psol, um partido que nasceu a partir do rompimento de frações petistas que foram expurgadas por discordarem do giro à direita que a direção nacional do PT realizou, é mais uma prova de que não é preciso ir longe para enxergar as responsabilidades por detrás desta derrota eleitoral.

Finalmente, não tenho dúvidas de que assistiremos um profundo ataque aos direitos sociais nas prefeituras que elegeram partidos que deram sustentação ao golpe parlamentar contra Dilma Rousseff. É que o golpe não foi dado senão para facilitar o desmonte do Estado e para aumentar o grau de vampirismo que as classes ricas consideram ser necessário para se manterem seus muitos privilégios. Agora, resta saber como vão reagir aqueles que terão negado o pouco que foi conquistado nas úiltimas décadas. Para mim, o que os ventos sinalizam é a abetura de um período de agudos confrontos no Brasil. 

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