Debate na Uenf: Luís Passoni mostra o diploma de doutor para desmascarar os caluniadores

O debate desta 3a. feira teve vários momentos interessantes, e um foi discreto mas muito importante. Logo em sua fala inicial, o candidato a reitor pela chapa de oposição à reitoria, professor Luís Passoni, mostrou o seu diploma de doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) como mostra a imagem abaixo.

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Esse gesto foi uma forma do professor Passoni responder a uma campanha de calúnia que estava sendo realizada contra ele por pessoas que afirmaram para quem quisesse ouvir que ele não possuía o título de doutor e que teria entrado na Uenf via uma “treta”.  Resolvida essa calúnia, vamos agora nos preparar para a próxima. É que quem tenta caluniar uma vez, certamente tentará caluniar de novo. É que alguns dentro da Uenf não sabem bem como se comportar de forma democrática, respeitosa e transparente. Simples assim!

 

Eleição na UENF: chapa de oposição à atual reitoria usa redes sociais para divulgar propostas

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Numa prova de que as redes sociais viraram instrumentos para campanhas eleitorais em todos os níveis e modalidades em que eleições são realizadas, a chapa de oposição à atual reitoria da Uenf lançou duas páginas de divulgação de suas ideias e atividades: uma na forma de um blog e outra no Facebook.

Ainda que isto não substitua o famoso corpo-a-corpo e as reuniões com a comunidade, o fato é que não há como deixar de usar as redes sociais onde parte significativa do eleitorado, inclusive na Uenf, procura informações para formar suas decisões.

Para quem quiser acessar as páginas da chapa de oposição, os endereços são os seguintes:

https://passonieteresa.wordpress.com/

https://www.facebook.com/pages/Passoni-e-Teresa-Chapa-10-para-reitoria/651713028305680?ref=aymt_homepage_panel

Na eleição para a reitoria da UENF, vou de Luís Passoni e Teresa Peixoto

Nesta sexta-feira (19/06) ocorreu a homologação das chapas que vão concorrer na eleição para a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) para o período 2015-2019.  Essa será uma eleição acirrada, pois, apesar de todos os seus erros e equívocos na condução da UENF, a reitoria tem sua chapa preferencial, já que o recentemente exonerado pró-reitor de Pós-Graduação, Antonio Amaral, concorre ao cargo vice-reitor num esforço claro de continuidade.

Felizmente, há uma chapa de oposição com chances reais de vencer este pleito que é composta pelo ex-presidente da ADUENF, Luis Passoni, e pela ex-diretora do Centro de Ciências do Homem, Teresa Peixoto.  Acredito que esses dois professores há uma chance de recolocarmos a UENF no caminho que foi idealizado por Darcy Ribeiro,

Deste modo, sem mais delongas, aproveito do espaço para declarar o meu apoio à chapa composto por Luís Passoni e Teresa Peixoto. Além disso, convido a todos que queiram que a UENF viva dias melhores a se empenharem na campanha deles. É vencer ou vencer, pois a continuidade da reitoria que ai está não é algo que pode ser permitido, visto que os danos causados à instituição já passaram faz tempo de todos os limites.

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Democracia tutelada: Estudo mostra crescimento de doações de empresas de saúde privada nas campanhas eleitorais

Doações da saúde suplementar nas eleições aumentaram 32 vezes em 12 anos

Estudo de Lígia Bahia e Mário Scheffer identificou grupos de interesse e políticos privilegiados com contribuições nas eleições de 2014

Amil, Bradesco Saúde, Qualicorp e grupo Unimed doaram, juntas, quase R$ 52 milhões para as campanhas eleitorais de 2014. O valor representa mais de 95% do total doado pelo setor de saúde suplementar no pleito do ano passado. O total doado contribuiu com 131 candidaturas de 23 partidos em todos os pleitos, das quais alcançaram vitória a presidente da República, três governadores, três senadores, 29 deputados federais e 24 deputados estaduais. Os dados são do estudo Representação política e interesses particulares na saúde- A participação de empresas de planos de saúde no financiamento de campanhas eleitorais em 2014, de Lígia Bahia e Mário Scheffer, membros da Comissão de Política, Planejamento e Gestão em Saúde da Abrasco e, respectivamente, professores do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IESC/UFRJ) e do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (DMP-FM/USP).

A metodologia utilizada foi o cruzamento de informações de receitas e arrecadações das campanhas políticas disponíveis no Sistema de Prestação de Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral com o CNPJ e razão social de 1.047 operadoras médico-hospitalares registradas oficialmente na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), segundo cadastro de dezembro de 2014. O total doado foi de  R$ 54.902.441,22.

A primeira observação é o crescimento exponencial de valores doados em comparação aos repassados em 2002, 2006 e 2010, quando os professores realizaram levantamentos similares. O estudo aponta que houve aumento de quase cinco vezes do que foi investido no pleito de 2010 e de 32 vezes, com valores corrigidos, às doações referentes a 2002. Foram pesquisados e documentados os dados fornecidos pelo TSE até o dia 20 de janeiro de 2015.

Diferentes valores, diferentes funções

Outro importante apontamento do estudo diz sobre as diferentes naturezas das doações, no qual, segundo Lígia e Scheffer, é possível identificar padrões diferenciados de financiamento. As grandes contribuições tendem ao apoio mais concentrado em partidos que estão à frente de governos e em candidatos majoritários, como a doação da Amil em prol das campanhas de Dilma Roussef à presidência da República e de Geraldo Alckmin ao governo do Estado de São Paulo, ou compor estratégias mais elaboradas de financiamento, como a da Bradesco Saúde, que compõe o plano de financiamento eleitoral do Grupo Bradesco. Os pesquisadores destacam ainda o apoio a candidatos proporcionais comprometidos com interesses que mesclam agendas corporativas, de entidades médicas e do empresariamento da saúde, como as Unimeds ou de perfil mais “paroquial”, este enquadrado na relação de pequenas operadoras a candidatos próximos, seja por localização geográfica ou por pertencimento a redes relacionais ou societárias.

Para os pesquisadores, o crescimento das doações mostra a força que operadoras, seguradoras e empresas de medicina de grupo articulam seus interesses políticos, além de ser antidemocrática e preservar a sub-representação de segmentos populacionais historicamente carentes e excluídos de direitos. “Deputados federais e senadores eleitos com apoio dos planos de saúde tendem a integrar bancadas mobilizadas para apresentar projetos de lei, relatórios, pareceres, requerimentos e votações em defesa dos interesses dos planos de saúde. Também atuam para vetar proposituras que contrariam esses mesmos interesses ou em manifestações de descrédito dirigidas à saúde pública”. Acesse o escudo completo.

FONTE: http://www.abrasco.org.br/site/2015/02/doacoes-da-saude-suplementar-nas-eleicoes-aumentam-mais-de-32-vezes-em-12-anos/

Sistema eleitoral corrupto e seus filhotes macabros

Há muita gente hoje olhando para alguns dos nomes eleitos com votação expressiva e deixando o queixo cair de perplexidade. É que ver figuras como Jair Bolsonaro, Celso Russomano, Tiririca e Marco Feliciano como campeões de voto é realmente de deixar qualquer um perplexo. Mas não há como explicar determinadas votações sem olhar para o sistema eleitoral que permite a multiplicação destes casos.  Do pouco que me envolvi nesta eleição pude notar que o atual sistema eleitoral é feito para produzir exatamente este tipo de resultado, já que aliena a maioria do eleitorado a partir de uma boa dose de desigualdade de recursos financeiras combinada com uma ação diligente das classes dominantes para aprofundar o processo de despolitização. É essa despolitização que gera essas vitórias macabras, e não simplesmente o gosto do povo por sofrer.

Assim, culpar a população por eleger este ou aquele político que irá contribuir para a formulação de políticas anti-trabalhadores sem questionar o sistema eleitoral é culpar a vítima, e não o culpado. Além disso, não há como culpar a juventude por ter abandonado as ruas, quando a própria presidente Dilma não moveu uma palha em prol da reforma política e, em vez disso, se gabou publicamente da boa colaboração que obteve na repressão às manifestações. E aqui a opção foi clara: deixar o sistema político intacto para continuar aplicando uma política de inserção dependente no sistema econômico global.

Para mim, que já antevia este tipo de votação que deixa muitos perplexos, há que se olhar para os bons exemplos que tivemos no Rio de Janeiro, pois estes foram produzidos a partir de um profundo diálogo com a juventude e setores da classe trabalhadora. Esse diálogo que os partidos de esquerda precisam agora aprofundar entre si para que estes exemplos se tornem a principal referência para embates futuros. É que apesar de toda a gritaria que ouviremos nas próximas semanas entre neopetistas e tucanos, a política que eles têm a nos oferecer é justamente aquele que produz filhotes macabros como os que vimos saindo das urnas no Rio e em São Paulo. Já a esquerda precisa reapreender a ter metas estratégicas e visões utópicas, em vez de insistir em ações micro-orientadas para determinar quem fica com o cacife eleitoral do descontentamento informado.

Finalmente, uma pequena referência à derrota de Anthony Garotinho no plano fluminense. Quem quiser descartá-lo precocemente da política brasileira que se cuide, pois avalio que Garotinho sempre soube que tinha chances reduzidas de ir ao segundo turno, mas estabeleceu metas não declaradas que foram cumpridas. Um exemplo disto foi a votação expressiva de Clarissa Garotinho que se firma agora como a estrela mais brilhante da companhia. E tenho certeza que ele olhará com critério os resultados em Campos dos Goytacazes para fazer uma limpeza em seu grupo político, já que muitos se mostram completas inutilidades na hora de brigar por votos que acabaram fazendo uma falta fatal. A ver!

 

Para resistir às chantagens, é preciso lembrar que voto útil é sempre inútil!

Estamos na véspera de mais uma eleição onde os partidos da ordem se engalfinham para saber quem pode agradar as forças de mercado. A disputa por quem pode ser o melhor gerente do Estado brasileiro em nível federal tem várias peculiaridades, mas no final não há como diferenciar no plano estratégico nenhuma diferença maior, pois o receituário neoliberal apenas varia de grau.  Como alguém já bem definiu, o que tenta menos neoliberal, o PT, ruge como leão nesses dias de eleição, mas depois mia como um gatinho na hora de enfrentar banqueiros, latifundiários e corporações multinacionais.

Mas há que se reconhecer que a estratégia de se fazer parecer de esquerda e cobrar votar o chamado voto útil tem seu apelo. Afinal, as figuras de Aécio Neves e Marina Silva são uma mais expressão mais evidente de  toda a política que a maioria do povo detesta e rejeita. Assim, nos últimos dias tenho visto pessoas que considero genuinamente preocupadas com mudanças estruturais no Brasil apelando para o surrado argumento do voto útil em Dilma Rousseff. 

Eu rejeito sumariamente estas pressões, pois tenho visto de perto os resultados das opções que Dilma Rousseff e seu governo têm feito em prol de setores capitalistas retrógrados e anti-classe trabalhadora cujas expressões são Eike Batista e a dublê de latifundiária e senador, Kátia Abreu. 

No caso de políticas estruturais que foram sumariamente engavetadas em nome de alianças em prol de uma suposta governabilidade está a reforma agrária. Dilma Rousseff conseguiu no seu primeiro mandato produzir números tão magros quanto os de Fernando Collor, cujo mandato foi encurtado por um impeachment. Nada mais revelador do que o fato de que hoje Fernando Collor é um dos sustentáculos de Dilma Rousseff no senado federal.

Diante disso, rejeito o voto útil que, para mim, é a coisa mais inútil que se pode fazer. E como já disse antes, as tarefas da esquerda terão que começar a ser definidas depois de amanhã. É que vencendo o candidato da ordem que vencer, o ano de 2015 deverá ser o palco de profundos ataques aos direitos dos trabalhadores e da juventude brasileira.

E, sim, meu voto é para Luciano Genro. Mas quem quiser votar em Mauro Iasi do PCB ou Zé do Maria do PSTU também votará bem. São estes os candidatos que possuem utilidade para ajudar na construção da resistência que teremos de oferecer no futuro.

Nota da Comissão Pastoral da Terra sobre as Eleições: Onde está a Reforma Agrária ?

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A Diretoria e a Coordenação Executiva Nacional da Comissão Pastoral da Terra, após denunciar no início da semana passada a onda de violência que se abateu sobre os trabalhadores e trabalhadoras do campo, querem agora unir sua voz à de milhares e milhares de indígenas, quilombolas, pescadores, ribeirinhos, camponeses e camponesas e trabalhadores e trabalhadoras rurais do Brasil, que expressam sua perplexidade e descrença diante do atual quadro político-eleitoral do momento. Na realidade é frequente ouvir deles que nenhum candidato e nenhuma proposta se identifica com as suas necessidades e reivindicações Podemos testemunhar que vem crescendo a não aceitação e uma justa revolta diante do conchavo permanente entre poderosos grupos econômicos privados, nacionais e estrangeiros, ruralistas, agroindustriais, mineradores, para ocupar e controlar cargos nas instituições públicas tanto do executivo, quanto do legislativo. Com isso objetivam influenciar leis e políticas públicas que facilitem a perpetuação do latifúndio e da grilagem, que retirem os direitos duramente conquistados pelos povos indígenas, comunidades quilombolas e outras comunidades tradicionais, e que flexibilizem os direitos trabalhistas, para garantir o lucro a qualquer custo para os investimentos e empreendimentos capitalistas. 

Isso, que homens e mulheres do campo, das águas e das florestas percebem, fica claro na análise dos programas de governo dos candidatos que, em âmbito federal e estadual, disputam com possibilidades de sucesso as eleições. Todos eles exaltam a eficiência e importância do agronegócio, enquanto nem sequer reservam uma linha para a necessidade da reforma agrária, ou aqueles que a ela se referem, a colocam num plano insignificante. O máximo que os programas pontuam é algum tipo de apoio à agricultura familiar e uma insinuação à necessidade de uma agricultura agroecológica e saudável.

O resultado previsto,quaisquer sejam os vencedores, será a confirmação de um modelo de desenvolvimento que ameaça os territórios indígenas, quilombolas e camponeses, a continuidade da vida nos nossos biomas e os direitos trabalhistas. Um modelo de desenvolvimento que, no dizer de Maninha, do Movimento dos Pescadores e Pescadoras, “traz sofrimento para nossas comunidades”.

O próprio financiamento das campanhas eleitorais pelas grandes empresas é a expressão cabal do conluio capital/política. Qual será o interesse, por exemplo, das três empresas responsáveis, até o momento, por 65% do arrecadado pelos três principais candidatos à presidência da república, JBS (Friboi), Ambev (Cervejaria) e OAS Construtora, se elas estão envolvidas em denúncias e punições por violações aos direitos trabalhistas de seus funcionários, inclusive em situações análogas ao trabalho escravo?

Na contramão dos programas das agremiações partidárias, infelizmente hegemônicas, insistimos sobre a centralidade da Reforma Agrária. Trata-se de uma Reforma Agrária ressignificada, que vai além da mera distribuição de terras: é sonho e projeto que brota e floresce com as novas experiências e articulações dos indígenas e dos quilombolas, que defendem e retomam seus territórios, com a proposta de economias que defendam o futuro do Planeta, ameaçado pelo efeito estufa e mudanças climáticas, agroecologias como visão do mundo, aproveitamento das energias limpas, soberania e segurança alimentar respeitosas da Vida, moratórias que preservem o que sobra da Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Pampas, com suas bacias hidrográficas e aquíferos destruídos e constantemente agredidos.

Se não houver uma mudança radical no curso destas eleições, a CPT sente que elas não marcarão nenhum salto qualitativo em relação às grandes expectativas que o Brasil fez eclodir, com muita esperança, nas manifestações de junho de 2013 e nas mobilizações indígenas e camponesas deste último ano. Por isso conclama a todos quantos sentem a urgência de um Brasil novo, à participação no plebiscito popular a acontecer na semana da pátria, em vista da convocação de uma Constituinte soberana e independente para a construção de uma reforma política que abra espaço para organizações populares, de classe e de territórios. Estas representadas e presentes nas decisões mais importantes da vida do País, lutarão para que sejam reconhecidos e aceitos a autonomia e o protagonismo de grupos que resistem à massificação dos métodos do capital e propõem alternativas a um modelo de desenvolvimento elitista e falido.

Se a dimensão política é a “maneira de melhor exercer o maior mandamento do amor” (Papa Francisco, discurso do dia 10 de junho de 2013), cabe-nos, como Comissão Pastoral da Terra,denunciar as viciadas formas de exercer o poder que alimentam e fortalecem os grupos já poderosos, que agridem e ameaçam não só os direitos dos mais fracos, mas a própria Constituição brasileira.

Goiânia, 27, de agosto de 2014.

Poder econômico do agronegócio deixa sociedade refém de seus interesses

Por Maura Silva, Da Página do MST

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O agronegócio é hoje o setor que mais oferece doações de campanhas aos candidatos à Presidência da República. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até o momento os 11 candidatos já arrecadaram um total de R$ 31,2 milhões, sendo que cerca de 40% dessas doações vieram de setores ligados ao agronegócio.

A maior doação recebida, até agora, veio da JBS, responsável em repassar R$ 11 milhões de reais ao comitê de campanha dos três candidatos mais bem colocados: Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) com R$ 5 milhões cada, e o PSB, agora com Marina Silva, com R$ 1 milhão.  

Na mesma linha estão outras empresas do agroindústria, como Seara (R$1 milhão), Coopersucar (R$ 1 milhão), Laticínios Bela Vista Ltda (R$ 350.000), Agropecuária Nova Guaxupé Ltda (R$ 15 mil) e Fazenda Lua Nova Ltda (R$ 15 mil).

Esses números mostram que a dependência financeira dos partidos ainda dita as regras quando o assunto é plataforma política. 

Não à toa, em recente sabatina realizada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os principais candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff  e Aécio Neves, destacaram em sua plataforma de campanha pontos que só tendem a beneficiar o setor.  

Cada um, a sua maneira, fez questão de tranquilizar os empresários do agronegócio com promessas que vão da criação de um “Superministério da Agricultura” até a aprovação de um pacote exclusivo de decisões que beneficiará a esfera agropecuária.

Implicações

Os recursos privados constituem a principal fonte do financiamento de campanhas. Na prática, o financiamento privado acaba afrontando o artigo 14 da Constituição Federal, que diz que “a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei”. 

Para Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST, esse é um processo recorrente a todas as eleições.

“O apoio privado é um vicio eleitoral, as eleições estão terceirizadas. Todo parlamento é comprado, e vai responder a quem pagou, ou seja, a quem mais contribuiu. É uma eleição completamente comprometida, quem decide é o Capital”, diz. 

Uma relação de confiança é estabelecida entre o agronegócio e os possíveis governos, uma vez que já é possível saber com antecedência quais partidos serão possivelmente eleitos. 

Para Gilmar, isso permite que o agronegócio não tenha seus interesses ameaçados em pelas reivindicações feitas por movimento sociais e ambientais. 

“Essa é uma lógica que impede a participação popular no processo eleitoral, o que só contribui para o desinteresse cada vez maior da população brasileira. O atual modelo agroexportador seguido pelo Brasil também favorece os grandes investimentos privados. É um pleito não democrático”, salienta. 

Para o Sem Terra, apenas com ações que sustentem a Reforma Política, como o caso do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político – que acontecerá entre os dias 1 a 7 de setembro – é que o cenário será modificado. 

“O nosso sistema econômico beneficia o agronegócio. Criou-se uma espécie de dependência com o setor. Esses investimentos nada mais são do que uma retribuição por todas as facilidades que o governo federal tem concedido ao setor nos últimos anos. É preciso uma Reforma Política ampla, que estimule de fato a participação popular. Só assim, o povo será impelido a viver ativamente a política. Se dependermos dos atuais trâmites impostos pelo governo nada tende a mudar”, finaliza.    

Para o professor em sociologia da Universidade Federal de Brasília (UnB), Sérgio Sauer, é difícil desvincular as doações privadas dos benefícios futuros que esses grupos e empresas tendem a receber. 

“Doações de empresas, de qualquer setor da economia, sempre trazem algum tipo de compromisso, seja ele direto ou não. Cria-se um mecanismo, uma necessidade de troca. Um favor que mais cedo ou mais tarde alguém terá que pagar”.

Prova disso é o crescimento de grupos como a JBS, que só entre os anos de 2006 e 2009 multiplicou seu faturamento em 1900%, e que consegue do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) vertiginosos empréstimos e investimentos, bem como maior participação em programas subsidiados, como o Programa de Investimentos Sustentáveis (PIS). 

Segundo o professor, essa situação reforça a narrativa de que esse é o setor que mais gera riquezas, mas consolida uma economia pouco sustentável, baseada na exportação de recursos naturais. 

“Na atual conjuntura, os apoios do agronegócio feitos em suas diferentes facetas geram compromissos políticos e exigem apoio ao setor, reforçando especialmente as demandas por desoneração fiscal e por mais investimentos em infraestrutura”, finaliza.    

FONTE: http://www.mst.org.br/node/16422