Dissertação na UFRJ aborda narrativas das mulheres do MST e suas contribuições para enfermagem em saúde coletiva

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Recebi e divulgo a realização da banca examinadora da dissertação de mestrado escrita por Denise Consuello A. dos Santos no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob orientação da professora Elisabete Pimenta Araújo Paz.

O trabalho intitulado “Narrativa de mulheres do Movimento dos Trabalhadores  Rurais Sem-Terra (MST): contribuições para enfermagem de saúde coletiva” será defendido na próxima 4a. feira a partir das 0930 h, e os interessados poderão assistir via um canal online (ver cartaz abaixo).

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A partir de uma pesquisa realizado em três assentamentos de reforma agrária, o estudo evidenciou que as mulheres do MST usam plantas medicinais, remédios caseiros e valorizam a alimentação saudável, apoio mútuo, medidas preventivas para cuidar da saúde dentro dos assentamentos. Por outro lado, a pesquisa apurou que “na rede formal de saúde, a Atenção Primária à Saúde se mostrou efetiva para alguns cuidados. Entretanto, observou-se a necessidade de compra de medicamentos prescritos e, devido à demora para se receber atendimentos especializados, as entrevistadas relataram uso de consultas particulares.” Além disso, os dados relativos à “assistência na Atenção Terciária também foram positivos quanto aos atendimentos, mas as unidades de saúde, segundo as narrativas, são muito distantes dos locais de suas residências, impondo dificuldades no deslocamento.”

Considero que essa pesquisa não é apenas essencial do ponto de vista de fortalecer políticas sociais destinadas a atender segmentos politicamente marginalizados como o dos beneficiários da reforma agrária, mas também traz um importante aporte das mulheres que, objetivamente, passam muitas vezes por processos adicionais de marginalização.

Oito em cada dez profissionais de saúde relatam exaustão emocional após um ano de pandemia

ENFERMAGEM

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Após um ano de pandemia, a exaustão emocional e a falta de preparo para enfrentar a COVID-19 são a realidade de profissionais da saúde que estão na linha de frente de combate ao novo coronavírus. Em relatório divulgado nesta semana, pesquisadores da Fundação Getulio Vargas mostram que 80% dos trabalhadores entrevistados sentem impactos negativos na saúde mental causados pela pandemia, sendo que apenas 19% buscaram ajuda para lidar com o problema.

Conduzido pelo Núcleo de Estudos da Burocracia (NEB) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP) da FGV, em parceria com a Fiocruz e com a Rede Covid-19 Humanidades, o estudo aplicou uma survey online entre os dias 1º e 20 de março de 2021 a 1.829 profissionais de saúde do setor público, como médicos, profissionais de enfermagem, agentes comunitários e outros.

“Enfrentar uma pandemia colocando em risco a própria vida é algo que afeta diretamente a saúde mental dos profissionais”, afirma Michelle Fernandez, professora da UnB e co-autora do estudo. A cientista política diz que há poucas perspectivas de melhora em curto prazo. “Eles estão no limite. Precisam de aconselhamento terapêutico, suporte das chefias, atuar em um ambiente de trabalho saudável, acolhedor e seguro, ou seja precisam da ajuda dos governos e das organizações, mas não é o que temos visto”, recomenda.

A pesquisa é a quarta de uma rodada de pesquisas feitas ao longo de 2020 com o intuito de avaliar o impacto da pandemia de COVID-19 em profissionais de saúde atuando na linha de frente. A análise da série mostra que pouca coisa mudou na realidade destes trabalhadores: em abril de 2020, quando a primeira rodada da survey foi aplicada, 65% dos profissionais afirmaram não se sentir preparados para enfrentar a Covid-19, porcentagem que sobe para 70% em março de 2021.

Diversos motivos para esse despreparo foram relatados pelos profissionais, como a situação política e a má condução da pandemia pelo Governo Federal, o negacionismo científico, o medo de expor o vírus à família, além da falta de treinamento, equipamentos de proteção individual, vacinas e testagens. Até agora, 86,8% dos participantes do estudo relataram terem recebido a primeira dose da vacina.

Para Gabriela Lotta, pesquisadora da FGV EAESP e co-autora do estudo, os profissionais de saúde precisam de condições de trabalho adequadas e de apoio e orientação para continuarem o seu trabalho: “É central que os governos vejam a situação dos profissionais para construírem políticas que dêem sustentação a este trabalho primordial. Temos que cuidar de quem cuida de nós, e isso só pode ser feito observando como os profissionais de saúde estão vivendo e enfrentando a pandemia”, explica.

Vacinação e reabertura de comércio

A reabertura de locais que concentram aglomerações tem sido o foco de muitos debates durante a pandemia. Por isso, os pesquisadores consultaram o que os profissionais de saúde pensam sobre o assunto: 32% são contrários, 45% são favoráveis à reabertura apenas de serviços essenciais e com o uso de máscara, enquanto 22% defendem a reabertura total dos serviços e apenas 0,6% considera prudente reabrir estabelecimentos sem o uso obrigatório de máscaras.

No geral, as respostas dos profissionais de saúde sobre temas científicos tendem a se alinhar às recomendações de autoridades nacionais e internacionais da área. Para entender essa percepção, a pesquisa questionou os entrevistados sobre uma situação hipotética em que um paciente com o diagnóstico confirmado de Covid-19 solicita um tratamento que não é consensual na ciência, mas que é muito falado na internet. Diante dessa simulação, 34% defenderam o direito de escolha do paciente, enquanto 65% acreditam que a palavra final deveria ser do próprio profissional de saúde.

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Este foi produzido e publicado originalmente pela Agência Bori [Aqui!].