Movimento Brasil Sem Corona prevê área prioritária para testagem para COVID-19

  • • Pesquisadores cruzaram informações de voluntários que reportam seus sintomas por meio de aplicativo com dados de síndromes respiratórias da Prefeitura de Caruaru (PE)
  • • Identificação de área de risco em que testagem foi feita apresentou acerto no intervalo de 84% a 94%
  • • Movimento promove vigilância participativa para apoiar gestores e equipes de Saúde no planejamento de ações de combate à Covid-19 no Brasil

corona mapping

São Paulo, 08 de junho de 2020 — Com a abordagem da vigilância participativa, uma metodologia com embasamento científico em que cidadãos ajudam a construir um mapa de risco de epidemias, o Movimento Brasil Sem Corona conseguiu ajudar uma gestão pública do Brasil a priorizar áreas para o direcionamento de testes da COVID-19.

O caso aconteceu em Caruaru, cidade no interior de Pernambuco, onde a participação dos moradores relatando seus sintomas por meio do Brasil Sem Corona é consistente, e a plataforma foi adotada pela prefeitura municipal para complementar os dados do seu sistema de vigilância em Saúde. Diante de 100 testes para detecção de COVID-19, a prefeitura queria saber para onde seria mais inteligente direcioná-los.

Desde o dia 20 de março milhares de voluntários de todo o Brasil estão informando como estão se sentindo com o objetivo de mapear coletivamente o risco do avanço do novo coronavírus pelo território nacional. O mapa gratuito e as informações sobre como participar estão disponíveis em www.brasilsemcorona.com.br

Para ajudar a prefeitura de Caruaru (PE) a otimizar o uso dos testes, os pesquisadores do Brasil Sem Corona cruzaram as informações enviadas por moradores da cidade com dados oficiais de síndromes respiratórias do município e identificaram seis áreas de risco de infecção. A prefeitura optou por enviar os testes para uma região de sobreposição de duas dessas áreas, em que os moradores teriam de 34% a 38% mais chance de serem casos positivos de COVID-19 em relação aos de outras regiões.

Com a aplicação dos exames, 32% das pessoas testaram positivo, o que quer dizer que a análise do Brasil Sem Corona apresentou um acerto no intervalo de 84% a 94%. A prefeitura também realizou testes em áreas fora daquela região e o resultado foi que apenas 3% das pessoas testaram positivo.

“A testagem depende da disponibilidade de materiais e, em um cenário de escassez como o do Brasil, deve ser usada de maneira muito eficiente e otimizada para evitar qualquer tipo de desperdício. A experiência em Caruaru mostra como a vigilância participativa consegue empoderar uma estratégia ou política pública de direcionamento de testes para Covid-19 de maneira inteligente e robusta”, diz Onicio Leal, epidemiologista e PhD em Saúde Pública, cofundador da startup Epitrack, à frente do Movimento Brasil Sem Corona.

“A parceria com o Brasil Sem Corona é imprescindível para o uso dos recursos públicos de maneira adequada e eficiente. Com vigilância participativa, conseguimos atuar mais perto da população e do que ela realmente precisa, além de aumentar a eficiência do serviço público”, diz Francisco Santos, secretário de Saúde de Caruaru (PE).

Além de Caruaru, outras gestões públicas optaram por usar as informações do Brasil Sem Corona para entender tendências da doença e melhorar o tipo de informação que usam para combatê-la, como é o caso de Maceió (AL), Teresina (PI), Ipojuca (PE) e Santo André (SP).

Construção do mapa do Brasil Sem Corona

O mapa do Brasil Sem Corona mostra com geolocalização aproximada e atualização em tempo real os casos considerados suspeitos de COVID-19, graves, confirmados, com alguns sintomas e sem sintomas. A partir do relato dos cidadãos, a classificação é feita por um modelo epidemiológico sindrômico desenvolvido por pesquisadores da Epitrack, startup de inteligência de dados para o monitoramento e controle de doenças, que é referência internacional para a detecção de epidemias.

O Movimento Brasil Sem Corona é uma iniciativa conjunta da Epitrack e a startup Colab, plataforma colaborativa de engajamento de cidadãos e governos, por onde os voluntários reportam como estão se sentindo. O Colab foi escolhido como plataforma para a pesquisa por já ser usado por mais de 300 mil brasileiros em milhares de municípios e ser adotado por mais de 100 prefeituras para uma gestão pública mais eficiente e colaborativa. 

A iniciativa tem apoio da Amazon Web Services (AWS), que doou US$ 75 mil em créditos de servidores para a plataforma do Brasil Sem Corona.

Pesquisadores e organizações interessados em desenvolver estudos independentes a partir das informações produzidas pela iniciativa podem solicitar acesso à base de dados do movimento.

Vigilância participativa no combate à COVID-19

Diante da ameaça da pandemia do novo coronavírus, muitos países têm usado plataformas de vigilância participativa para ajudar no combate à COVID-19.

Dois estudos científicos publicados recentemente legitimaram a metodologia como estratégia para prever picos de casos confirmados da Covid-19. Os estudos foram realizados a partir de relatos de mais de 2,5 milhões de voluntários por meio de um aplicativo usado nos Estados Unidos e no Reino Unido. Uma das pesquisas, publicada na revista Science*, mostrou que o método conseguiu antecipar com 5 a 7 dias de antecedência dois picos de notificação oficial da doença no sul do País de Gales.

No Brasil, a vigilância participativa foi usada pelo governo federal em 2014, durante a Copa do Mundo, e em 2016, nos Jogos Olímpicos, para monitorar possíveis focos de epidemias durante os eventos em massa, por meio de uma parceria com a Epitrack.

*Estudo: Rapiimplementatioomobiltechnologforealtimepidemiologocovid19 . Autores: David A. Drew, Long H. Nguyen, Claire J. Steves, Cristina Menni, Maxim Freydin, Thomas Varsavsky, Carole H. Sudre, M. Jorge Cardoso, Sebastien Ourselin, Jonathan Wolf, Tim D. Spector, Andrew T. Chan, COPE Consortium

Mais sobre a Epitrack

A Epitrack atua no segmento de Digital Health com a missão de proporcionar acesso inteligente à saúde. Suas plataformas contam com mapas interativos que mostram como doenças se comportam no território. Criada em 2013, a startup já se tornou referência na construção de plataformas baseadas em crowdsourcing e inteligência epidemiológica.

A startup desenvolveu plataformas de vigilância participativa em eventos de massa, como a Saúde na Copa, para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, e a Guardiões da Saúde, para os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Durante esses eventos, o Ministério da Saúde instalou um gabinete de monitoramento com uma equipe central de vigilância que ficava acompanhando as tendências de risco de epidemias e, quando avaliava necessário, enviava equipes de investigação em campo para averiguar se de fato estava ocorrendo o início de um surto.

Também desenvolveu outras soluções que foram aplicadas em países como Estados Unidos, Canadá, Suíça e Porto Rico.

www . epitrack . tech

Mais sobre o Colab

Colab é uma plataforma que conecta cidadão a governo, para dar mais voz ao cidadão e permitir que o governo pratique uma gestão mais compartilhada e eficiente. A população posta demandas de zeladoria urbana no aplicativo Colab e elas são levadas em tempo real às prefeituras pelo sistema da plataforma, sem paradas burocráticas ou empecilhos. E os gestores se baseiam nas propostas e pedidos dos cidadãos para conduzir a administração pública. Pelo aplicativo, os cidadãos também respondem a consultas públicas realizadas pelas prefeituras, para que sua opinião seja levada em conta em tomadas de decisão.

Fundado em 2013 e eleito o melhor aplicativo urbano do mundo pela New Cities Foundation, o Colab já recebeu prêmios nacionais e internacionais pela inovação na gestão pública. Também é a plataforma escolhida pelo ONU-Habitat, o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, para aplicar uma pesquisa anual nacional de percepção dos brasileiros sobre a condição de vida em suas cidades.

www.colab.re

Marina Franco
Oficina de Impacto

Pesquisadores criam ferramenta para mapear risco de avanço do coronavírus no Brasil

•Movimento Brasil Sem Corona disponibiliza mapa nacional de risco de contágio de COVID-19 com base em relatos de sintomas postados pelo aplicativo Colab

•Ferramenta aberta de vigilância participativa ajuda pesquisadores e órgãos de saúde a prever as tendências da pandemia no Brasil

corona detect

São Paulo, 20 de abril de 2020 – Pesquisadores brasileiros lançaram uma ferramenta de crowdsourcing e vigilância participativa que vai permitir aos cientistas e órgãos de saúde prever as tendências de avanço da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Pelo site do MovimentBrasiSeCorona é possível acessar gratuitamente um mapa nacional de risco de contágio, atualizado em tempo real e feito a partir de relatos de sintomas de brasileiros. A iniciativa é encabeçada pelas startups Colab e Epitrack e conta com o apoio de empresas, instituições e governos de todo o Brasil.

Pelo Colab, plataforma de engajamento de cidadãos e governos, os brasileiros estão respondendo diariamente a um questionário sobre seu estado de saúde. As informações reportadas são analisadas e organizadas como casos suspeitos, graves e confirmados pelo algoritmo desenvolvido pela Epitrack, startup de inteligência de dados para o monitoramento e controle de doenças que já ofereceu soluções para grandes eventos de massa como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos realizados no Brasil.

A Epitrack é comandada por Onicio Leal, epidemiologista, PhD em Saúde Pública e pesquisador sênior do departamento de Economia da Universidade de Zurich, e Jones Albuquerque, cientista da computação com pós-doutorado em epidemiologia computacional e pesquisador do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami, da Universidade Federal de Pernambuco.

Eles estão analisando os dados gerados a partir do aplicativo para elaborar previsões sobre como o vírus está se espalhando em diferentes territórios, além de previsões de casos que podem surgir em até 14 dias.

“A nossa ferramenta funciona como um complemento aos sistemas de vigilância da saúde. Saber que há uma aglomeração de pessoas relatando sintomas semelhantes em um determinado período e território ajuda os órgãos acompanhar a pandemia, fazer predições, monitorar os casos suspeitos e planejar ações de combate”, diz Onicio Leal, epidemiologista cofundador da Epitrack.

Desde que o questionário Brasil Sem Corona foi ao ar pelo aplicativo Colab, no dia 20 de março, a ferramenta já conta com a participação de mais de 17 mil brasileiros. O aplicativo já era usado por mais de 300 mil usuários e 100 prefeituras em todo o Brasil. As gestões públicas de Maceió (AL), Santo André (SP) e Ipojuca (PE) já utilizam os dados como complemento às informações oficiais de seus sistemas de saúde. O Movimento Brasil Sem Corona também fornecerá gratuitamente planilhas para gestores públicos que quiserem ter acesso às informações detalhadas do território em que atuam.

Tanto Colab como Epitrack usam serviços de computação em nuvem da da Amazon Web Services (AWS), que doou US$ 75 mil em créditos de servidores para a plataforma Brasil Sem Corona.

Combate à subnotificação

A ferramenta de vigilância participativa é um dos métodos alternativos ao sistema de saúde oficial que pode ajudar a combater o problema da subnotificação de casos de infecção pelo novo coronavírus.

Um estudo em andamento do Centro de Modelagem Matemática de Doenças Infecciosas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres* estima a quantidade de casos de COVID-19 em países com mais de 10 mortes e a porcentagem de notificação. Segundo o estudo, no Brasil apenas 7,8% dos casos chegam a ser notificados

Os modelos para correção das estimativas deste estudo são revisados e atualizados quase que diariamente, à medida em que a epidemia evolui nos diferentes países. Os ajustes são necessários para considerar os diferentes contextos e características sócio-demográficas

Vantagens da vigilância participativa

Estudos científicos apontam que a vigilância participativa por plataformas de crowdsourcing conseguem antecipar o surgimento de alguns surtos e epidemias em até duas semanas. Além disso, a vigilância participativa possibilita que os cidadãos que estão relatando seus sintomas tenham visibilidade para o comportamento da epidemia no seu entorno.

E fazer isso por meio de um aplicativo de celular ainda traz vantagens como possibilidade de fazer pesquisas randomizadas, obtenção de dados geolocalizados, atualização em tempo real e criação de um canal direto entre população, governos e pesquisadores.

Na Coreia do Sul, um dos países que mais conseguiu frear a disseminação do novo coronavírus, o governo usou um aplicativo para monitorar o estado de saúde de visitantes que chegavam de áreas de risco, que tinham que responder diariamente sobre seus sintomas. A ferramenta também foi usada para acompanhar o estado de saúde da população durante a quarentena. Esse tipo de monitoramento pode ajudar a orientar os testes em massa com a população, outra estratégia-chave adotada pela Coreia do Sul para o controle da COVID-19.

Como participar

Para participar, basta responder ao questionário “Brasil Sem Corona” no aplicativo Colab, disponível para sistemas Android e IOS. Primeiro, o usuário irá informar se está se sentindo bem ou não. Se disser que está bem, será questionado sobre se entrou em contato com alguém que apresenta os sintomas da COVID-19, o que também poderia indicar certo grau de risco, e se mora com um idoso, para detectar o risco desse grupo.

detecta corona

Se o usuário disser que não está se sentindo bem, irá responder a uma série de perguntas sobre sintomas e se chegou a procurar o sistema de saúde, o que pode ser um indicativo de que seus sintomas são graves.

Dúvidas e denúncias

Pelo Colab, também é possível tirar dúvidas sobre a COVID-19 com a assistente virtual inteligente Cloudia, chatbot da área da saúde para clínicas e hospitais que foi incorporada no aplicativo. Ela informa, entre outras coisas, sobre números recentes da contaminação no Brasil e no mundo, sintomas da doença, dicas de como se proteger e esclarece mitos ou notícias falsas.

Os usuários ainda podem denunciar a prática de preço abusivo de um produto básico, evento ou comércio aberto irregularmente, filas e aglomerações de pessoas em hospitais e postos de saúde e falta de abastecimento de alimento, remédios e produtos básicos.

As denúncias chegam diretamente por um sistema de gestão para as prefeituras que usam o Colab, e os gestores responsáveis podem atuar com agilidade para resolver o problema

*Estudo: Usindelayadjustecasfatalitratitestimatunderreporting; Autores: Timothy W Russell, Joel Hellewell1, Sam Abbott1, Christopher I Jarvis, Kevin van Zandvoort, CMMID nCov working group, Stefan Flasche, Rosalind Eggo, W John Edmunds & Adam J Kucharski.

Mais sobre a Epitrack

A Epitrack atua no segmento de Digital Health com a missão de proporcionar acesso inteligente à saúde. Suas plataformas contam com mapas interativos que mostram como doenças se comportam no território. Criada em 2013, a startup já se tornou referência na construção de plataformas baseadas em crowdsourcing e inteligência epidemiológica.

A startup desenvolveu plataformas de vigilância participativa em eventos de massa, como a Saúde na Copa, para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, e a Guardiões da Saúde, para os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Durante esses eventos, o Ministério da Saúde instalou um gabinete de monitoramento com uma equipe central de vigilância que ficava acompanhando as tendências de risco de epidemias e, quando avaliava necessário, enviava equipes de investigação em campo para averiguar se de fato estava ocorrendo o início de um surto. Também desenvolveu outras soluções que foram aplicadas em países como Estados Unidos, Canadá, Suíça e Porto Rico.

www.epitrack.tech

Mais sobre o Colab

Colab é uma plataforma que conecta cidadão a governo, para dar mais voz ao cidadão e permitir que o governo pratique uma gestão mais compartilhada e eficiente. A população posta demandas de zeladoria urbana no aplicativo Colab e elas são levadas em tempo real às prefeituras pelo sistema da plataforma, sem paradas burocráticas ou empecilhos. E os gestores se baseiam nas propostas e pedidos dos cidadãos para conduzir a administração pública. Pelo aplicativo, os cidadãos também respondem a consultas públicas realizadas pelas prefeituras, para que sua opinião seja levada em conta em tomadas de decisão.

Fundado em 2013 e eleito o melhor aplicativo urbano do mundo pela New Cities Foundation, o Colab já recebeu prêmios nacionais e internacionais pela inovação na gestão pública. Também é a plataforma escolhida pelo ONU-Habitat, o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, para aplicar uma pesquisa anual nacional de percepção dos brasileiros sobre a condição de vida em suas cidades.

www.colab.re