Pega na mentira! Os defensores do Pacote do Veneno espalham inverdades para atacar fatos

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Sob pressão para aprovar um projeto de lei que colocará o Brasil como uma espécie do “paraíso dos agrotóxicos banidos no resto do mundo” (também conhecido como projeto do veneno), a bancada ruralista e seus aliados na indústria química resolveram fazer algo que se tornou bastante comum: contrataram um marqueteiro acostumado a dourar a pílula em campanhas eleitorais para nos fazer engolir a ideia de que agrotóxicos não são tóxicos e nem representam grave ameaça à saúde de ecossistemas naturais e à nossa.  

Falo aqui da contratação pela Confederação Nacional da Agricultura (leia-se confederação dos latifundiários brasileiros) do “publicitário” Nizan Guanaes que prontamente colocou em xeque a denominação dos agrotóxicos por, provavelmente, revelar que os produtos sob este rótulo são tóxicos [1]. 

E tudo indica que Nizan Guanaes e seu pessoal já começaram a fazer valer o contrato, pois já circula pela internet uma versão editada de um vídeo produzido com artistas globais e outras personalidades do mundo cultural brasileiro para denunciar o perigo dos agrotóxicos, acusando que o material seria “fake news”, e apresentando contra-argumentos que ou são totalmente falsos ou de autenticidade discutível (ver vídeo abaixo).

Por exemplo, o vídeo apresenta o contra-argumento de que existem países que usam mais agrotóxicos por unidade produtiva que o Brasil, o que pode ser verdade já que os países citados possuem extensões de terras agriculturáveis muito menores do que as do Brasil como é o caso do Japão e da Alemanha. Mas isto está sendo dito para ocultar um dado irrefutável: o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de agrotóxicos desde 2008, superando o volume consumido até pelos EUA que foi o país a tornar o uso deste tipo de substância uma espécie de mantra da agricultura contemporânea.

Também é apresentado o contra-argumento de que é uma mentira que todo cidadão brasileiro está consumindo agrotóxicos derivados da produção agrícola.  A verdade é que hoje o cidadão brasileiro está não apenas comendo, mas também está bebendo agrotóxicos [2]. E este fato já está largamente comprovado por inúmeros estudos científicos que demonstraram a presença de resíduos de agrotóxicos, seja do princípio ativo aprovado para venda ou de subprodutos que são ainda mais tóxicos e perigosos, em alimentos e água consumida pela nossa população. 

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O vídeo ainda traz o contra-argumento de que o projeto do veneno  servirá para acelerar a velocidade de agrotóxicos mais modernos e que resultarão na diminuição do uso dos agrotóxicos.  A primeira coisa a se dizer é que esta suposta aprovação se dará com a retirada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e do IBAMA do processo de análise de agrotóxicos que poderão ser comercializados no Brasil, ficando o processo de avaliação restrito ao Ministério da Agricultura onde, claro, predominam os interesses dos grandes latifundiários e dos fabricantes de agrotóxicos.

A segunda coisa é que atualmente o Brasil já consume uma quantidade significativa de agrotóxicos que já foram banidos nos países membros da União Europeia, EUA e até na China. Com essa suposta aceleração, o que se está querendo não é apenas manter a venda destes agrotóxicos banidos no resto do mundo, mas como também autorizar a venda de outros que também já proibidos fora do Brasil. Um caso muito provável de agrotóxicos que serão autorizados são vários neonicotinóides que acabaram de ser proibidos pela União Europeia por causa da morte de abelhas e pássaros, para os quais os fabricantes vão ter que garantir mercados até que sejam definitivamente proibidos em todo o mundo.

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Mas o que pode ser chamado de o “rei dos contra-argumentos”  que é aquele que indica que sem o uso de agrotóxicos haverá uma queda na produção de alimentos e, consequentemente,  o aumento da fome no Brasil. A verdade é que a maior parte da produção associada ao uso intensivo de agrotóxicos não se destina ao consumo interno ou, tampouco, para matar a fome de habitantes de outros países. O caso da monocultura da soja é apenas o mais emblemático já que parte significativa do montante exportado acaba sendo usado na alimentação de animais. 

A verdade é que a indústria química que produz os agrotóxicos já está realizando uma espécie de sucessão nas substâncias que são utilizadas nos sistemas agrícolas associados aos modelos da Revolução Verde [3], e brevemente teremos uma predominância do chamado controle biológico de pragas [4]. E até por esse fato, o que está ocorrendo é uma espécie de corrida final para vender agrotóxicos nos países da periferia capitalista, de forma a maximizar os lucros com substâncias que saíram do mercado.

Em suma, o conjunto de contra-argumentos apresentado no vídeo para fazer frente às supostas fake news contidas no vídeo produzido para denunciar o projeto de veneno é que traz informações se não falsas são distorcidas. Ao fazer isto, os produtores da versão adulterada do vídeo original nada mais fazem do politizar e partidarizar a discussão sobre o que está contido no pacote do veneno.  Algo mais fake news do que isso, impossível. Mas vindo da bancada ruralista daria para termos algo diferente? Me parece que não. Por isso, que ninguém se deixe enganar: agrotóxicos são perigosos e fazem mal à nossa saúde e vem contribuindo para uma espécie de apocalipse ecológico que poderá nos levar a um mundo onde comer e beber água se tornarão atividades de alto risco.


[1] https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2018/06/20/em-meio-a-polemica-dos-agrotoxicos-ruralistas-contratam-publicitario-nizan-guanaes-para-trabalhar-imagem-do-setor.ghtml

[2] http://www.mst.org.br/2018/03/20/uso-intenso-de-agrotoxicos-contamina-aguas.html

[3] https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/a-revolucao-verde.htm

[4] https://www.embrapa.br/tema-controle-biologico/sobre-o-tema

A monocultura da mídia corporativa está na raiz da produção em massa de “fake news”

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Há pouco mais de 8 anos resolvi lançar um blog para externar ideias e disseminar informações que normalmente não encontrava disponível na mídia corporativa.  Ainda que esta decisão tenha me obrigado a um processo de aprendizagem sobre como e o que veicular, esta ferramenta vem sobrevivendo, até porque vejo que existe gente que procura este espaço para se informar sobre o que de fato está ocorrendo, por exemplo, em Campos dos Goytacazes.

É que se formos deixados à mercê da mídia corporativa, independente do tamanho da empresa que controle um determinado veículo, estaremos submetidos à uma visão patronal da realidade.  O fato é que mídia corporativa tem sempre um dono interessado em preservar uma certa narrativa que necessariamente não apresenta fatos, mas versões deles e sempre a serviço de alguém. 

No Brasil, essa colonização da realidade se dá sempre na forma do que os burgueses (ou aspirantes à burgueses) mais preferem, qual seja, o da monocultura ou, melhor ainda, de uma “mono-cultura”. E nos mesmos raros momentos em que a mídia corporativa oferece a realidade e não construções alegóricas da mesma e com finalidades que não são publicáveis nem, tampouco, publicadas.

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Tomemos por exemplo o caso da cobertura que se dá ao momento que estamos vivendo em Campos dos Goytacazes. Diferente do momento anterior em que um espirro da prefeita Rosinha Garotinho era apresentado em manchetes garrafais como sendo uma demonstração de que ela tinha pneumonia, agora vivemos como vivêssemos numa cidade à frente do seu tempos.  E aqueles milhares buracos que apareceram nos últimos 18 meses nas ruas de Campos dos Goytacazes? Esses são agora meras ilusões de ótica que não estão infernizando a vida de quem precisa dirigir. Nem a tinta verde que está se espalhando pela cidade afora parece fazer que esta situação deplorável possa ocupar sequer uma coluna secundária numa página que a maioria dos leitores nem presta atenção.

Importante notar que não se pode culpar os bravos jornalistas, a maioria deles muito jovens e recém saídos do curso de graduação, por essa monocultura colonizadora da nossa realidade. É que o profissional que ousa questionar ou mesmo trabalhar com esmero acaba como ganhando como prêmio o caminho da rua. Por isso, muitas vezes, muitos desses jornalistas acabam abandonando a profissão, ou mesmo criando seus próprios espaços de informação para, finalmente, poderem exercer com liberdade o ofício que escolheram.

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Por tudo isso, em que pese não ter a ambição de ampliar o escopo de atuação deste blog, pois meu tempo é razoavelmente ocupado pelas minhas tarefas de professor universitário, é que me animo quando vejo espaços da mídia alternativa alcançando maiores fatias do público leitor, enquanto os veículos da mídia corporativa entram em franca decadência. Desse processo que se assemelha a um processo de sucessão ecológica é que podemos esperar a quebra da monocultura midiática que mantém nosso povo prisioneiro das “fake news” que são produzidas para nos manter enquanto uma sociedade profundamente desigual e injusta.

 

Antonio Sarlo: enquanto o (des) governo Pezão se prepara para ser o executor, reitor da Uenf quer ser o coveiro

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A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) continua imersa na maior crise financeira da sua vitoriosa história de menos de 25 anos.  O (des) governo Pezão, ao arrepio do que determina a Constituição Estadual pós-aprovação da PEC 47, ainda não repassou o mínimo de 25% para cobrir as despesas básicas relativas aos serviços essenciais para o funcionamento cotidiano da universidade.

A coisa anda tão precária que eu mesmo tive que oferecer cera para que uma das salas de aula em que ministro uma disciplina de graduação pudesse ficar apta ao uso.  Além disso, inexistem suprimentos básicos incluindo sacos de lixo e materiais para limpar vidraças, por exemplo.

Essa situação de continua calamidade institucional deveria estar colocando a reitoria da Uenf num plano mais racional em que a preocupação fosse impedir uma degradação ainda maior das condições em que as atividades de ensino, pesquisa e extensão estão sendo realizadas, evitando assumir compromissos que comprometem ainda mais a frágil estabilidade sobre a qual a universidade vem funcionando.

Mas não é isso que está ocorrendo. Em vez disso, o reitor da Uenf,  Luis Passoni, veio a público nesta 3ª. feira (08/05) para alardear o plano de incorporar a tradicional Escola Técnica Estadual Agrícola Antonio Sarlo ao quadro institucional da universidade.

E nesse esforço de agradar sabe-se lá quem, o reitor da Uenf produz uma dessas peças lamentáveis de “fake news” que desinforma os tantos leitores do jornal Folha da Manhã que se dispuserem a ler o seu artigo intitulado “Sobre o Antonio Sarlo” (ver abaixo).

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Quem não conhece a situação de perto vai ser levado a acreditar, de forma equivocada é preciso que se diga que há efetivamente uma discussão organizada para salvar o Antonio Sarlo do destino inglório que lhe destina o (des) governo Pezão.  O reitor da Uenf insinua que a discussão sobre a incorporação do Antonio Sarlo é antiga na Uenf, mas esquece (propositalmente eu diria) que essa incorporação significaria na prática o fechamento de uma das principais escolas técnicas do estado do Rio de Janeiro.

É que diferente do que afirma o reitor, não houve qualquer sinalização interna no Conselho Universitário da Uenf para incorporar o Antonio Sarlo, já que as negociações (como depois é reconhecido) já vem se dando com o (des) governo Pezão que não vê a hora de fechar mais uma escola, independente da sua importância para o processo de desenvolvimento econômico do Norte Fluminense.

Ao sinalizar que colocará a discussão da integração do Antonio Sarlo para ser debatida no dia 18 de maio, o reitor omite que inexistem condições básicas para preservar o funcionamento dos níveis de ensino que hoje lá são oferecidos. A começar pelo fato de que não há documento formal que garanta que a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes vá efetivamente se encarregar de continuar o oferecimento do ensino fundamental que hoje ocorre na Antonio Sarlo. Aliás, em uma reunião recente com coordenadores de Educação no Campo, o secretário Brand Arenari deixou os presentes de cabelo em pé ao afirmar que as crianças do campo “querem ver as cores da cidade”, sinalizando que vem mais fechamento de escolas rurais por aí, num município que já é recordista neste tipo de ataque à educação do campo para as crianças que lá vivem.

Mas há que se frisar que tampouco há um projeto minimamente discutido para viabilizar o oferecimento de pelo menos um curso técnico agrícola pela Uenf. Nesse sentido, é revelador o fato de que o Centro de Ciências do Homem onde estão os encarregados de pensar as políticas educacionais tenha sinalizado de que não vai embarcar nessa aventura irresponsável (para não dizer coisa pior).

Há que se lembrar de que as instalações do Antonio Sarlo foram deixadas em completo abandono e hoje se encontram em condições deploráveis. Mas a Uenf não possui recursos sequer para manter o que já é de sua responsabilidade, e não objetivamente não terá como colocar um centavo que seja na recuperação das salas de aula e laboratórios do Antonio Sarlo.  Aliás, se me permitirem uma metáfora, o papel que a reitoria da Uenf está cumprindo nesta história insólita equivale ao do sujeito que pula no Rio Paraíba do Sul para salvar um amigo querido, esquecendo-se, contudo, que ele mesmo não sabe nadar.

A questão é pura e simples: o (des) governo Pezão decidiu fechar a Escola Antonio Sarlo, sem pesar as drásticas consequências que isso trará para seus atuais estudantes e futuras gerações que ficaram desprovidas de uma escola que já foi um dos maiores orgulhos dos habitantes do Norte Fluminense. De sua parte, a reitoria da Uenf está se prestando ao lamentável papel de coveiro do Antonio Sarlo. E qualquer discurso que seja feito tentando mostrar o contrário será vazio e sem qualquer base real.  Assim, que ninguém se deixe enganar pela promessa de que o objetivo é retornar o Antonio Sarlo aos seus anos dourados. O fato inalienável é que está se preparando o seu enterro, sem pompa nem circunstância.

Aos que não concordarem com  a “solução final” que o (des) governo quer impor ao Antonio Sarlo, a hora de reagir agora, pois os que querem enterrá-lo têm pressa.

No (des) governo Pezão, as fake news têm pernas curtas e mancam

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Um parcela significativa dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro iniciou 2018 em meio ao mesmo tipo de tratamento mentiroso que lhe foi dispensado pelo (des) governo Pezão ao longo de todo o ano passado. Falo aqui da mistura explosiva de atrasos salariais e distribuição de “fake news” sobre a regularização dos atrasados cujo principal disseminador é o próprio Luiz Fernando Pezão.

O descrédito do (des) governador do Rio de Janeiro é tão grande que o cientista política  João Feres Junior publicou um texto no seu blog na plataforma de notícias mantida pelo jornalista Luiz Nassif onde diz que quando se trata de Pezão, a mentira tem pernas curtas e manca [1]. Tal descrédito é plenamente merecido, pois o (des) governador Pezão se tornou um contumaz distribuidor de informações que não sobrevivem à luz de qualquer escrutínio mínimo.

Entretanto, como já ocorria com o hoje tombado em desgraça (des) governador Sérgio Cabral, a mídia corporativa, principalmente a carioca, continua oferecendo a Luiz Fernando Pezão espaços generosos para que ele dissemine suas “fake news” e são raros os casos em que alguma cobertura jornalística é dada à real situação das contas públicas e, pior, da persistente ausência de formulação de saídas para a grave crise social e econômica que engolfa o estado do Rio de Janeiro.

Tamanha leniência que marca a cobertura jornalística do caos em que o Rio de Janeiro está submerso só pode ser explicada pela aquiescência tácita dos proprietários dos principais veículos da mídia corporativa com as políticas estruturais que são tocadas pelo (des) governo Pezão em prol da contínua acumulação de capital nas mãos das corporações privadas.

Obviamente o (des)governo Pezão não permanece blindado apenas na cobertura jornalística, pois também nada se ouve no fronte da ação política e, tampouco, nas apurações policiais que continuam desvelando um sem número de crimes que ocorreram sob a batuta gulosa de Sérgio Cabral. É que como o próprio Cabral já revelou, algumas coisas aconteciam bem debaixo do nariz de Luiz Fernando Pezão que, inexplicavelmente, permanece intocado, podendo assim continuar sua agenda de desmanche do estado.

Como está evidente que estamos sob a égide de uma orquestração bem azeitada para permitir que o (des) governador Luiz Fernando Pezão continue sua “obra” até o último dia do seu mandato,  a pergunta que se coloca é de até quando os sindicatos que representam os servidores (ou dizem representar) e os partidos ditos de oposição vão sair da posição cômoda de resumir o enfrentamento às políticas privatizantes e de ataque os serviço público à manifestações esporádicas para dentro e fora da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. É que essa tática tem permitido a que os ataques desfechados pelo (des) governo Pezão ocorram praticamente sem resistência.

A coisa para mim é simples: ou se saí da oposição alegórica que permitiu que o (des) governo Pezão tratasse quase metade dos servidores públicos como lixo descartável ou 2018 será ainda pior para quem já sofreu. É que entre as poucas verdades anunciadas pelo (des) governador Pezão já apareceu a informação de que ele pretende adotar mais “medidas amargas” em 2018, o que certamente será traduzido num aprofundamento dos ataques já feitos contra  os servidores públicos , a começar pelas suas aposentadorias [2].

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[1] https://jornalggn.com.br/blog/joao-feres-junior/a-mentira-de-pezao-tem-pernas-curtas-e-manca-por-joao-feres-junior

[2] https://oglobo.globo.com/rio/ainda-vou-tomar-medidas-amargas-diz-pezao-sobre-crise-economica-do-rio-22241025

Mídia corporativa e a produção de fake news: o caso da assunção de Nelson Nahim ao paraíso do fórum privilegiado

A nomeação da deputada federal Cristiane Brasil (PTB/RJ) teve como consequência inesperada o retorno à cena política do Sr. Nelson Nahim, ex-presidente da Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes, que passará a ocupar por alguns meses a vaga aberta na Câmara de Deputados já que era o primeiro suplente da coligação da nova ministra do Trabalho.

A mídia corporativa rapidamente se movimentou não apenas para lembrar a condição de ou condenado por exploração sexual de menores do Sr. Nelson Nahim no âmbito do caso que ficou conhecido como “Meninas de Guarus” [1], mas, principalmente, para nos informar a todos os brasileiros que ele é irmão do ex-governador Anthony Garotinho. Tivessem os veículos de mídia um mínimo de responsabilidade para com seus leitores , a informação correta seria de que Nelson Nahim é aliado do (des) governador Luiz Fernando Pezão e do jovem prefeito Rafael Diniz que tem no seu secretariado um de seus filhos. Mas como sabemos que responsabilidade  e qualidade da informação não é o forte da mídia corporativa,  omitiu-se a informação das relações políticas para ressaltar a ligação familiar. E, pior, sem dar o detalhe fundamental de que os dois irmãos estão rompidos há vários anos no melhor estilo do  “Abel versus Caim”.

Mas no meio dessa guerra de informações que exemplificam de forma cabal o que são “fake news“, aparece a informação de que o Sr. Nelson Nahim usará o tempo que tiver na Câmara de Deputados para distribuir aos seus pares cópias integrais do processo que resultou na sua condenação por exploração sexual de menores. Aí surge a primeira questão: quem pagará pelas cópias do extenso processo que supostamente serão disponibilizados ao conjunto dos deputados federais? Aparentemente o contribuinte brasileiro, na medida em que essas cópias deverão ser produzidas pelo gabinete do deputado Nelson Nahim. A segunda questão que se coloca ainda neste quesito é a seguinte:  qual é a relevância da circulação desse processo no congresso nacional? Será que o agora deputado Nelson Nahim tem alguma esperança de encontrar alguém preocupado com sua condenação na Câmara de Deputados, ou ele só está jogando para o público local?

Lamentável mesmo é o fato de podermos constatar que as brechas existentes na legislação brasileira permitam que um condenado possa se valer de uma oportunidade criada pela ciranda de cadeiras no ministério de um governo ilegítimo para poder escapar, ainda que por poucos meses, do seu julgamento em segunda instância. Fosse ele o ex-presidente Lula é provável que a chegada de seu processo à segunda instância não tivesse sido tão vagarosa, permitindo esse encontro fortuito com o fórum privilegiado. Com isso temos ainda o desserviço adicional de criar a imagem de que a classe política é especialmente privilegiada em casos de impunidade, quando o caso apenas reflete padrões mais gerais de impunidade.

Por último, quero frisar que o rumoroso caso das “Meninas de Guarus” é um exemplo clássico de como as punições por crimes cometidos no Brasil são desigualmente distribuídas entre ricos e pobres. É que até onde tenho notícia todos os “empresários” e políticos condenados pelo envolvimento no caso estão livres, leves e soltos; restando aos “bagrinhos” que foram pegos nas redes da justiça o destino merecido por seus atos vis contra crianças pobres indefesas.  Isto sem esquecer o fato de que todos os juízes da Comarca de Campos dos Goytacazes se declararam impedidos de julgar o “Meninas de Guarus”! Como sempre Campos dos Goytacazes mostra estar firme e forte na vanguarda do atraso.


[1] https://blogdopedlowski.com/tag/meninas-de-guarus/

Estudo da FGV revela interferências de fake news e robôs em eleições

Eleições 2018: Robôs, redes sociais e política no Brasil

Estudo da FGV DAPP sobre interferências ilegítimas no debate público na web, riscos à democracia e processo eleitoral de 2018

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Estudo inédito da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV DAPP) aponta que perfis automatizados motivaram debates no Twitter em situações de repercussão política brasileira desde as eleições de 2014 e como definirá o próximo presidente brasileiro.

O esforço de pesquisa da FGV DAPP emite um alerta de que não estamos imunes, e que devemos buscar entender, filtrar e denunciar o uso e a disseminação de informações falsas ou manipulativas por meio desse tipo de estratégia e tecnologia. É importante ter atenção e proteger os espaços democráticos inclusive nas redes sociais.

– O que são e o qiue fazem?
– Como podem afetar nossas vidas?
– Como funcionam?
– Como podem ser identificados?
– Coomo a FGV DAPP está trabalhando para identificá-los?

Às vésperas de início do “ano eleitoral” que definirá o próximo presidente brasileiro, cujas campanhas se anunciam de extremo acirramento, torna-se essencial mapear os padrões de uso desses mecanismos, a fim de evitar intervenções ilegítimas no debate como já verificado em outros países.

“O estudo do uso de robôs no período analisado já demonstra de forma clara o potencial danoso dessa prática para a disputa política e o debate público. Uma das conclusões mais evidentes nesse sentido é a concentração dessas ações em polos políticos localizados no extremo do espectro político, promovendo artificialmente uma radicalização do debate e, consequentemente, minando possíveis pontes de diálogo entre os diferentes campos políticos constituídos. Outro elemento flagrante é o inchamento de movimentos políticos que são, na realidade, de dimensão bastante inferior. Somados, esses riscos e outros representados pelos robôs, são mais do que o suficiente para jogar luz sobre uma ameaça real à qualidade do debate público no Brasil e, consequentemente, do processo político e social definidor dos próximos anos”, diz o diretor da FGV DAPP, Marco Aurélio Ruediger, que foi indicado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, a integrar o Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições.

O grupo tem como atribuições: desenvolver pesquisas e estudos sobre as regras eleitorais e a influência da Internet nas eleições, em especial o risco das fake news e o uso de robôs na disseminação das informações; opinar sobre as matérias que lhe sejam submetidas pela Presidência do TSE; e propor ações e metas voltadas ao aperfeiçoamento das normas.

Veja ainda:

– Estudo de caso: Impeachment 2015
– Estudo de caso: Eleições municipais de São Paulo em 2016
– Estudo de caso:Greve Geral de 28 de abril de 2017
– Estudo de caso: Votação da Reforma Trabalhista de 11 de junho de 2017

Confira a íntegra do estudo em PDF

FONTE:  Insight Comunicação

FGV DAPP vai participar de conselho do TSE que vai monitorar ‘fake news’ nas eleições

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou um grupo especial para estudar e desenvolver pesquisas sobre a influência das redes digitais nas eleições do ano que vem, em especial, sobre a disseminação das chamadas “fake news” – as notícias propositalmente falsas divulgadas nas redes sociais. O grupo reúne, além de membros do TSE, representantes dos Ministérios da Justiça e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV). Completam o grupo, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da associação civil SaferNet.

“A eleição de 2018 é a mais importante em décadas. É fundamental haver uma coordenação entre sociedade, atores políticos, provedores de rede, TSE e órgãos de apoio. O debate público deve ser qualificado”, diz o diretor da FGV DAPP, Marco Aurelio Ruediger.

Além do grupo, o TSE definiu que estudará a criação de um canal de denúncias on-line para que os eleitores informem conteúdos falsos durante o pleito. A reunião de ontem ainda firmou que irá monitorar ações internacionais para aperfeiçoar o combate a esse tipo de situação. “Não estamos lidando com uma questão transitória, é um instrumento de disseminação de informação e até uma forma de poder”, alerta Marco Aurelio Ruediger.

Estudo Robôs, Redes Sociais e Política no Brasil

Estudo inédito da FGV DAPP aponta que perfis automatizados motivaram debates no Twitter em situações de repercussão política brasileira desde as eleições de 2014. Contas automatizadas que permitem a massificação de postagens se converteram em uma potencial ferramenta para a manipulação de debates nas redes sociais, em especial em momentos de relevância política. Os dados apontam ainda riscos à democracia e no processo eleitoral de 2018.

 Confira a íntegra do estudo em PDF

FONTE: Insight Comunicação, No Rio – (21) 2509-5399