Antonio Sarlo: enquanto o (des) governo Pezão se prepara para ser o executor, reitor da Uenf quer ser o coveiro

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A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) continua imersa na maior crise financeira da sua vitoriosa história de menos de 25 anos.  O (des) governo Pezão, ao arrepio do que determina a Constituição Estadual pós-aprovação da PEC 47, ainda não repassou o mínimo de 25% para cobrir as despesas básicas relativas aos serviços essenciais para o funcionamento cotidiano da universidade.

A coisa anda tão precária que eu mesmo tive que oferecer cera para que uma das salas de aula em que ministro uma disciplina de graduação pudesse ficar apta ao uso.  Além disso, inexistem suprimentos básicos incluindo sacos de lixo e materiais para limpar vidraças, por exemplo.

Essa situação de continua calamidade institucional deveria estar colocando a reitoria da Uenf num plano mais racional em que a preocupação fosse impedir uma degradação ainda maior das condições em que as atividades de ensino, pesquisa e extensão estão sendo realizadas, evitando assumir compromissos que comprometem ainda mais a frágil estabilidade sobre a qual a universidade vem funcionando.

Mas não é isso que está ocorrendo. Em vez disso, o reitor da Uenf,  Luis Passoni, veio a público nesta 3ª. feira (08/05) para alardear o plano de incorporar a tradicional Escola Técnica Estadual Agrícola Antonio Sarlo ao quadro institucional da universidade.

E nesse esforço de agradar sabe-se lá quem, o reitor da Uenf produz uma dessas peças lamentáveis de “fake news” que desinforma os tantos leitores do jornal Folha da Manhã que se dispuserem a ler o seu artigo intitulado “Sobre o Antonio Sarlo” (ver abaixo).

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Quem não conhece a situação de perto vai ser levado a acreditar, de forma equivocada é preciso que se diga que há efetivamente uma discussão organizada para salvar o Antonio Sarlo do destino inglório que lhe destina o (des) governo Pezão.  O reitor da Uenf insinua que a discussão sobre a incorporação do Antonio Sarlo é antiga na Uenf, mas esquece (propositalmente eu diria) que essa incorporação significaria na prática o fechamento de uma das principais escolas técnicas do estado do Rio de Janeiro.

É que diferente do que afirma o reitor, não houve qualquer sinalização interna no Conselho Universitário da Uenf para incorporar o Antonio Sarlo, já que as negociações (como depois é reconhecido) já vem se dando com o (des) governo Pezão que não vê a hora de fechar mais uma escola, independente da sua importância para o processo de desenvolvimento econômico do Norte Fluminense.

Ao sinalizar que colocará a discussão da integração do Antonio Sarlo para ser debatida no dia 18 de maio, o reitor omite que inexistem condições básicas para preservar o funcionamento dos níveis de ensino que hoje lá são oferecidos. A começar pelo fato de que não há documento formal que garanta que a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes vá efetivamente se encarregar de continuar o oferecimento do ensino fundamental que hoje ocorre na Antonio Sarlo. Aliás, em uma reunião recente com coordenadores de Educação no Campo, o secretário Brand Arenari deixou os presentes de cabelo em pé ao afirmar que as crianças do campo “querem ver as cores da cidade”, sinalizando que vem mais fechamento de escolas rurais por aí, num município que já é recordista neste tipo de ataque à educação do campo para as crianças que lá vivem.

Mas há que se frisar que tampouco há um projeto minimamente discutido para viabilizar o oferecimento de pelo menos um curso técnico agrícola pela Uenf. Nesse sentido, é revelador o fato de que o Centro de Ciências do Homem onde estão os encarregados de pensar as políticas educacionais tenha sinalizado de que não vai embarcar nessa aventura irresponsável (para não dizer coisa pior).

Há que se lembrar de que as instalações do Antonio Sarlo foram deixadas em completo abandono e hoje se encontram em condições deploráveis. Mas a Uenf não possui recursos sequer para manter o que já é de sua responsabilidade, e não objetivamente não terá como colocar um centavo que seja na recuperação das salas de aula e laboratórios do Antonio Sarlo.  Aliás, se me permitirem uma metáfora, o papel que a reitoria da Uenf está cumprindo nesta história insólita equivale ao do sujeito que pula no Rio Paraíba do Sul para salvar um amigo querido, esquecendo-se, contudo, que ele mesmo não sabe nadar.

A questão é pura e simples: o (des) governo Pezão decidiu fechar a Escola Antonio Sarlo, sem pesar as drásticas consequências que isso trará para seus atuais estudantes e futuras gerações que ficaram desprovidas de uma escola que já foi um dos maiores orgulhos dos habitantes do Norte Fluminense. De sua parte, a reitoria da Uenf está se prestando ao lamentável papel de coveiro do Antonio Sarlo. E qualquer discurso que seja feito tentando mostrar o contrário será vazio e sem qualquer base real.  Assim, que ninguém se deixe enganar pela promessa de que o objetivo é retornar o Antonio Sarlo aos seus anos dourados. O fato inalienável é que está se preparando o seu enterro, sem pompa nem circunstância.

Aos que não concordarem com  a “solução final” que o (des) governo quer impor ao Antonio Sarlo, a hora de reagir agora, pois os que querem enterrá-lo têm pressa.

3 pensamentos sobre “Antonio Sarlo: enquanto o (des) governo Pezão se prepara para ser o executor, reitor da Uenf quer ser o coveiro

  1. […] Antonio Sarlo: enquanto o (des) governo Pezão se prepara para ser o executor, reitor da Uenf quer s… Marcos Pedlowski […]

  2. disse:

    Os (alguns) professores da UENF só querem a fazenda. Danem-se as crianças e jovens.

  3. É muito triste o nosso atual cenário político. O econômico não, na medida em que a arrecadação continua firme, forte, faminta e muito bem das garras.
    O que nos deixa perplexos é o fato de que esse algoz do povo fluminense continua incólume, inimputável e publicamente cXXXXo, em plena e plácida atividade. Justiça pra quem? Para o sofrido cidadão do Estado do Rio de Janeiro é que não é. Mas ainda resta uma pergunta: Para onde está indo o dinheiro dos nossos impostos?

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