Jornal francês volta a denunciar uso abusivo de agrotóxicos no Brasil

soja agrtoóxicosColheita de soja na fazenda Morro Azul perto de Tangará da Serra, no Mato Grosso. Getty Images

Por Adriana Moysés para a RFI

O uso excessivo de agrotóxicos no Brasil continua em destaque na imprensa francesa. Na quarta reportagem de uma série dedicada ao desmatamento na Amazônia, o jornal regional Ouest France relata nesta segunda-feira (30) resultados de estudos científicos apontando o envolvimento do herbicida glifosato em abortos espontâneos e no aumento da mortalidade de recém-nascidos em áreas que concentram 80% da produção de soja no centro-oeste e sul do Brasil.

Jornal de maior tiragem da França, Ouest France cita a pesquisa publicada em fevereiro passado por Mateus Dias, Rudi Rocha e Rodrigo R. Soares, das universidades de Princeton (EUA), São Paulo e Columbia (EUA). O estudo colheu dados de áreas de cultura de variedades de soja geneticamente modificadas, fabricadas pela Monsanto, nas quais também foi associado um herbicida à base de glifosato, explica o diário.

“As populações de 1.119 municípios cercados por plantações de soja foram expostas direta ou indiretamente à molécula, seja por inalação no ar, pelo consumo de água ou de alimentos contaminados com glifosato. Nessas localidades, entre 2000 e 2010, houve uma alta da mortalidade infantil que aponta uma média de 557 mortes de recém-nascidos ou abortos espontâneos por ano”, reporta o diário francês. Outro estudo, realizado na Universidade do Piauí, demonstrou que 80% do leite materno recolhido em diferentes maternidades em duas regiões agrícolas do estado, distantes de 750 km uma da outra, continham glifosato ou outros perturbadores hormonais.

Doses excepcionais e arriscadas para a saúde

A reportagem do Ouest France, muito detalhada, mostra que três quartos das terras cultiváveis no Brasil são tratadas com agrotóxicos. Das 10 substâncias desse gênero mais utilizadas no país em 2016, quatro são proibidas na União Europeia. O glifosato é utilizado em larga escala no território brasileiro e em proporções muito maiores que o permitido na França. A legislação francesa prevê a utilização de apenas meio litro da substância por hectare, enquanto no Brasil, na Argentina, nos Estados Unidos e em outros países da região a proporção tolerada chega a ser 80 a 100 vezes superior.

No “Atlas Geográfico do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia”, elaborado pela professora Larissa Mies Bombardi, da Faculdade de Geografia da USP, a reportagem do Ouest France encontrou outro dado preocupante, relacionando o glifosato a taxas de suicídio.

“No Paraná, de 3.723 casos de intoxicação recenseados no período de 2007-2014, 1.631 foram por tentativa de suicídio, ou seja, 40% do total. As mesmas proporções são encontradas nos estados de São Paulo (844 tentativas) e Minas Gerais (957). Pior ainda em Pernambuco, onde ocorreram 1.145 tentativas de suicídio num total de 1.545 intoxicações. (…) O fato de dispor de produtos agrícolas tóxicos facilita o suicídio. É um veneno ao alcance das mãos.”

A reportagem relata ainda a indignação da ONU depois de o presidente Jair Bolsonaro liberar o uso de centenas de agrotóxicos. “O relatório do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU lembra que o Brasil utiliza maciçamente moléculas proibidas em várias regiões do mundo e em doses excepcionalmente elevadas: enquanto a taxa máxima recomendada de glifosato por litro de água potável é de 0,1 miligrama, no Brasil ela é 5.000 vezes maior.”

Um leitor atento compreende facilmente por que a imagem da agricultura brasileira é péssima na França.

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Este artigo foi inicialmente publicado pela Rede França Internacional [Aqui!].

Reforma da previdência: sindicatos franceses fazem, o que os brasileiros não fizeram

greve frança

A matéria abaixo é da Rede e Televisão de Portugal (RTP) sobre o poderoso movimento de greve que vem ocorrendo na França em função da apresentação de um projeto de reforma da previdência dos trabalhadores franceses.

A RTP enfatiza que até mesmo a principal central sindical francesa, a CFDT, de perfil mais moderado está participando ativamente das mobilizações que podem se estender até o período natalino, fato esse que poderia causar graves danos à economia da França.

A primeira vitória do primeiro dos trabalhadores foi a queda do mentor das reformas, o neoliberal Jean-Paul Delevoye, o que deverá aumentar ainda mais as dificuldades políticas de Emmaneul Macron para aprovar a reforma pretendida, que se ressalte é bem mais moderada do aquela aprovada no Brasil.

Mas a diferença é que, ao contrário daqui, ainda existem centrais sindicais que se orientam pela luta em defesa dos trabalhadores. Melhor para os trabalhadores franceses, certeza!

 

França. Greve continua, ministro demite-se

rtp frança

Por RTP

Ao décimo segundo dia do movimento grevista, o autor do plano para alterar as pensões de reforma renunciou à sua pasta ministerial no Governo presidido por Emmanuel Macron.

Segundo a Agência France Presse, a demissão do “Senhor Reformas”, como é conhecido o ministro Jean-Paul Delevoye, foi aceite “com pesar” pelo presidente da República, Emmanuel Macron.

Delevoye, de 72 anos, encontrava-se em posição insustentável, não só devido à forte contestação social contra as suas concepções estritamente neo-liberais, mas também devido à revelação de actividades profissionais não declaradas por ele próprio e configurando clares conflitos de interesses.

A demissão do arquitecto das alterações legislativas referentes ao sistema de pensões vem agravar a fragilização do Governo perante um movimento grevista que vai a caminho da segunda semana e que agora se receia venha colidir com os festejos de Natal.

A ministra da Transição Ecológica, Elisabeth Borne, declarou que “fazer greve é legítimo, mas pode-se respeitar momentos como as festas de fim do ano, em que toda a gente quer encontrar-se com a família”. E, acto contínuo, acusou os grevistas de irresponsabilidade por “estragarem as férias dos franceses”.

A demissão de Delevoye ocorre na véspera de mais um dos momentos altos do movimento grevista, que será amanhã, terça feira, com o alargamento das greves sectoriais, especialmente no sector dos transportes, a mais uma jornada de greve geral.

Nesse movimento participa mesmo a CFDT, principal central sindical, desde sempre conhecida pela sua moderação reformista.O secretário-geral da CFDT, Laurent Berger, considerou hoje que “o Governo comete um erro profundo em termos de justiça social e também um erro político profundo se persistir [nesta via]”.

Embora Berger tenha admitido uma trégua de Natal no movimento grevista, Philippe Martinez, o líder da outra central sindical, CGT, avisou que o movimento irá prosseguir a não ser que seja retirado o projecto legislativo do ministro demissionário.

França vetará produtos brasileiros associados a desmatamento na Amazônia

soja desmatamentoSoja produzida em área de desmatamento na Amazônia será impedida de entrar na França, anunciou o governo francês.

A alegria quase incontida que tomou conta do governo Bolsonaro e dos seus aliados da bancada ruralista por causa da assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia pode ter sido apenas um daqueles momentos de esperança exagerada que caracterizam as idas e vindas da forma dependente com que o Brasil se relaciona com a economia global.

É que segundo a Rede França Internacional (RFI), o governo francês aproveitou o anúncio do seu plano para o  clima para os próximos cinco anos, para informar que vai bloquear a importação de produtos florestais ou agrícolas que contribuam para o desmatamento no mundo, principalmente na Amazônia, no sudeste da Ásia e no Congo.

rfi soja

O ministro francês da Transição Ecológica, Nicolas Hulot, adiantou que entre os principais itens estão o óleo de palma e soja.  Segundo a RFI, Hulot afirmo que “Vamos colocar um fim ao desmatamento importado”, numa clara sinalização de que deverá ocorrer um controle sobre os pontos de origem da produção, e que áreas de desmatamento na Amazônia e em outras partes do mundo serão barradas como pontos de fornecimento de commodities para a França.  A questão é que outros países europeus deverão seguir o exemplo francês, colocando inclusive em questão a real aplicação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

Essa decisão francesa se soma a outras ações que estão ocorrendo na Europa, a começar pelo boicote que está sendo promovida pela rede sueca de supermercados Paradiset, e de outras ações por parte de organizações da socidade civil em diferentes países europeus que visam pressionar governos nacionais para que uma posição de restrição aos produtos brasileiros originados de áreas desmatadas seja adotada.

Por isso tudo é que quaisquer tentativas de tampar o sol com a peneira dentro do Brasil deverá trazer consequências desagradáveis para não apenas o governo Bolsonaro, mas especialmente para os grandes latifundiários que apostaram todas as suas fichas numa forma insustentável de produção agrícola, seja pelo desmatamento ou pelo uso abusivo de agrotóxicos.

Mas agora que o recado francês está dado, vamos ver como reagem os causadores dessa ameaça nada velada aos produtos brasileiros. É que se nada for feito para atender a sinalização francesa, o boicote será inevitável. A ver!

Deputados do partido de Macron se rebelam contra acordo entre Mercosul e União Europeia

O acordo comercial concluído entre o Mercosul e a União Europeia enfrenta forte resistência na França. O assunto é manchete nesta quinta-feira (4) nos jornais Le Figaro e Les Echos.

rfi lemondeA imprensa francesa continua apontando resistências na França ao acordo concluído entre o Mercosul e a União Europeia.Fotomontagem RFI

As duas publicações citam o mal-estar gerado no governo pela declaração do deputado Jean-Baptiste Moreau, agricultor e parlamentar do partido do presidente Emmanuel Macron. Ele considera o tratado ruim e diz que pretende convencer Macron da necessidade de rejeitá-lo. Para o parlamentar, é inaceitável importar produtos agrícolas de um país que liberou recentemente, no governo de Jair Bolsonaro, 250 agrotóxicos proibidos na Europa.

Moreau não é o único a se rebelar contra o tratado concluído na sexta-feira passada. Da extrema esquerda à extrema direita, passando pelo centro, sem falar nos agricultores, o acerto com o Mercosul enfrenta duras críticas e deixa o governo francês em situação desconfortável.

Le Figaro afirma em seu editorial que o acordo não deve ser aprovado no Parlamento francês tão cedo, apesar das declarações da Comissão Europeia de que se trata de um texto “equilibrado” e “estratégico” para os europeus.

“Como explicar a um francês que ele não pode tirar o carro da garagem no dia do rodízio em nome do combate ao aquecimento global e justificar a importação de carne da América do Sul, ainda por cima embalada em escândalos sanitários? Como explicar que é preciso desenvolver uma agricultura sustentável e comprar produtos de quem não respeita nenhuma regra?”, interroga Le Figaro.

Falta de transparência

O jornal conservador reconhece que a globalização tirou uma parte do planeta da miséria nas últimas décadas, mas hoje essa prática enfrenta limites. Não é questão de ceder ao protecionismo, mas sim de inventar um novo sistema de trocas para o comércio internacional, mais sustentável e com riscos controlados, defende o texto.

Vários deputados macronistas, tanto da Assembleia Francesa quanto do Parlamento Europeu, criticam abertamente a falta de transparência nas negociações realizadas pela Comissão Europeia, a ausência de debate e de interação dos parlamentares nos termos do tratado. O ponto central de oposição é a questão ambiental, que se tornou uma preocupação maior e uma exigência da opinião pública, explica Les Echos.

Política ambiental de Bolsonaro afunda o tratado

O ex-deputado da base macronista Matthieu Orphelin explica, nas páginas do Les Echos, que o Mercosul não oferece nenhuma garantia aos europeus de combate ao aquecimento global. Orphelin argumenta que o acordo não prevê nenhum mecanismo de suspensão do tratado caso um país decida abandonar o Acordo de Paris ou simplesmente não cumpra as metas prometidas de controle de emissões e desmatamento.

O deputado cita o exemplo do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que, segundo ele, não merece a menor confiança. “Desde que assumiu o poder, Bolsonaro adota uma política contra o clima, o desmatamento na Amazônia duplicou, inclusive em zonas de reserva”, alega o parlamentar.

O Ceta, acordo assinado entre os europeus e o Canadá, enfrenta a mesma desconfiança e passará pelo crivo dos deputados em uma votação que se anuncia complicada para o governo no dia 17 de julho.

Orphelin pensa como o ex-ministro francês do Meio Ambiente, Nicolas Hulot, que não será possível vencer a guerra contra as mudanças climáticas com as regras atuais do comércio internacional. O deputado defende uma refundação das regras do livre-comércio, que não se baseiem exclusivamente no aumento das exportações para garantir a sustentabilidade do comércio. Ele defende um tratamento à parte dos produtos agrícolas, que leve em conta o modelo de exploração e questões relacionadas com alimentação, saúde e meio ambiente.

Diante da oposição aos dois tratados, especialmente ao do Mercosul, Macron tomou a palavra na terça-feira em Bruxelas para criticar o que chamou de onda “neoprotecionista”, reafirmando que é possível abrir os mercados de maneira exigente em relação ao clima e ao respeito dos diferentes modelos agrícolas. O ministro da Agricultura, Didier Guillaume, e o ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, também deram declarações em favor dos dois acordos. Mas a votação na Assembleia Francesa será um teste para a credibilidade do governo.

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Este artigo foi originalmente publicado pela Rede França Internacional [Aqui!].

Jair Bolsonaro comete erros estratégicos graves ao atacar imigrantes e parceiros comerciais na visita aos EUA

Jair Bolsonaro, durante entrevista à rede de TV conservadora Fox

A ultraconservadora FoxNews aponta para o apoio de Jair Bolsonaro a Donald Trump para que um muro seja construído na fronteira com o México.

Não sou muito afim de adotar a linha de indignação exacerbada com que articulistas de direita e de esquerda estão analisando os vários pronunciamentos (equivocados) que o presidente Jair Bolsonaro está proferindo em sua visita oficial aos EUA.  Prefiro apontar algo básico que é a inevitável consequência que tais pronunciamentos terão não sobre a imagem pública de Jair Bolsonaro, mas sobre os interesses econômicos e políticos do Brasil.

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Ao afirmar que a maioria dos imigrantes (incluindo aí os milhares de brasileiros que vivem nos EUA) desejam mal aos estadunidenses e atacar a França por uma suposta política permissiva em relação ao acolhimento de migrantes em seu território, Jair Bolsonaro consegue isolar o Brasil, justamente em um momento em que mais precisamos de inclusão.

E, pior, Jair Bolsonaro ainda está fazendo o jogo pedido pelo presidente estadunidense e ataca a China, país que hoje o principal parceiro comercial do Brasil e destino preferencial das nossas exportações de commodities agrícolas e minerais. A falta de sentido nesse ataque já está levantando sobrancelhas não apenas dentro do latifúndio agroexportador, mas também dentro dos setores mais conservadores da mídia brasileira que agora começam a apontar para o caráter destruidor de sua agenda política que, convenhamos,  na prática de uma receita heterodoxa de “nacionalismo entreguista”.

A questão que se apresenta aqui é que todos esses elementos não encontram apoio incondicional nem dentro dos EUA onde até a ultraconservadora rede de TV Fox News fez reportagem onde apontou para possíveis ligações da família Bolsonaro com as milícias no Rio de Janeiro  (ver clip logo abaixo), que dizer então de importantes parceiros comerciais brasileiros como a China, a Rússia e a própria França. 

Como sou geógrafo sempre tendo a buscar as implicações e consequências geopolíticas de determinadas ações que são adotadas pelos nossos governantes. No caso do que está ocorrendo neste momento com a visita do presidente Jair Bolsonaro, avalio que ela está sendo catastrófica para os interesses políticos e econômicos do Brasil. É que neste momento, os EUA estão afundados numa crise política e em dificuldades claras com o seu débito público. Por isso, ao se aliar de forma tão óbvia ao governo Trump, o que Jair Bolsonaro arrisca a fazer é colocar o Brasil para afundar junto com os EUA. E  em um mundo tão conturbado por realinhamentos estratégicos, esse não é certamente um cenário promissor.

Finalmente, eu fico me perguntando como estão se sentindo os imigrantes brasileiros que vivem nos EUA ao serem colocados na vala comum daqueles que “não têm boas intenções” ao irem para lá. É que, como se sabe, Jair Bolsonaro teve uma votação expressiva na comunidade de expatriados brasileiros que vivem nos EUA. 

Agricultores franceses e alemães destroem plantações após a descoberta de sementes geneticamente modificadas pela Bayer

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PARIS (Reuters) – A Bayer disse na quarta-feira que fazendeiros na França e na Alemanha desenterraram milhares de hectares de campos de colza depois que vestígios de organismos geneticamente modificados (OGMs) proibidos para cultivo foram encontrados em sementes vendidas pela empresa.

Cultivos transgênicos são amplamente cultivados em todo o mundo, mas permanecem controversos na Europa, onde muito poucas variedades são autorizadas para plantio, e alguns países como a França as proibiram completamente, alegando riscos ambientais.

As verificações das autoridades francesas durante o outono mostraram quantidades mínimas de sementes de OGM, estimadas em menos de 0,005% do volume, em três lotes de sementes de colza vendidas sob a marca Dekalb, disse Catherine Lamboley, chefe de operações da Bayer na França.

A Dekalb era anteriormente uma marca da Monsanto antes de a empresa norte-americana ser adquirida pela Bayer no ano passado. O OGM que foi encontrado, uma variedade de canola cultivada no Canadá, não é autorizado para cultivo na Europa, embora seja permitido em importações destinadas à alimentação humana e animal, disse Lamboley. 

A Bayer emitiu um recall de produtos, mas algumas das sementes já haviam sido semeadas, representando cerca de 8.000 hectares na França e 2.500 a 3.000 hectares na Alemanha, que estão sendo desenterrados, disse a Bayer.


Este artigo foi originalmente publicado em inglês pela agência Reuters [Aqui!]

França busca carne estragada vendida pela Polônia e distribuída no país

Produto comercializado por abatedouro clandestino teria sido exportado para dez países da União Europeia. Governo francês ainda não sabe se a carne chegou às prateleiras.

 

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Imagens de câmera escondida mostram vacas sendo puxadas pelo pescoço, visivelmente doentes, além de carcaças e pedaços de carne estragada.Reuters TV/TVN/via REUTERS

Por RFI

A vigilância sanitária francesa encontrou 795 quilos de carne estragada polonesa em nova empresas do setor agroalimentar do país. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (1) pelo ministro da Agricultura, Didier Guillaume. No total, 150 quilos do produto já foram reciperados nas empresas de transformação que foram ludibriadas pelo fornecedor polonês.

Segundo o ministro francês, a justiça polonesa abriu um inquérito para investigar a comercialização de gado doente por um abatedouro local, que teria distribuído a carne estragada para vários países da União Europeia. “Durante o dia saberemos onde está o restante. A rastreabilidade na França funciona bem, disse Guillaume. “É uma fraude terrível, econômica e sanitária”, disse o ministro francês. Ainda não se sabe se parte da carne chegou às prateleiras para consumo.

A comissária europeia para a Saúde e Segurança Alimentar, Vytenis Andiukaitis, anunciou a realização de uma inspeção na Polônia na próxima semana e pediu às autoridades polonesas que assegurassem o respeito às normas europeias.

A inspeção veterinária no país anunciou nesta quinta-feira (31) que 2,7 toneladas de carne de bois doentes, provenientes de abatedouros clandestinos, foram exportadas para dez países europeus além da França: Finlândia, Hungria, Estônia, Romênia, Suécia, Espanha, Lituânia, Portugal e Eslováquia.

Vídeos chocantes

Um repórter do canal polonês TVN24, que passou três semanas em um abatedouro em Kalinowo, no norte, traz imagens chocantes de animais doentes, puxados com uma corda pelo pescoço, dentro de um caminhão. Em seguida, os vídeos exibem carcaças e pedaços de carne visivelmente impróprios para consumo.

Segundo o Ministério da Agricultura polonês, trata-se de um incidente “isolado”. As autoridades eslovacas também descobriram pelo menos três carregamentos de carne de boi importados da Polônia, que estariam associados ao caso.


Este artigo foi publicado originalmente pela Rádio França Internacional [Aqui!]