Conflito socioambiental em Belisário: assembleia popular irá realizar discussão sobre os impactos da mineração

Venho noticiando neste blog o conflito socioambiental em curso no Distrito de Belisário, município de Muriáe (MG), em torno da exploração da bauxita em terras pertencentes à agricultura familiar e também no interior do santuário ecológico do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (PESB). Este conflito foi explicitado de forma cabal pela ameaça de morte ao Frei Gilberto Teixeira que hoje se encontra sob proteção do governo do estado de Minas Gerais [1]

Pois bem, acabo de receber o material abaixo e que mostra que o processo de resistência aos impactos destrutivos da mineração continua ocorrendo e avançando em termos da organização dos que serão diretamente atingidos (ver imagem abaixo).

mineração rosario da limeira

Esse processo que está sendo liderado pela “Comissão de Enfrentamento à Mineração na Serra do Brigadeiro é essencial para que qualquer atividade de mineração que ocorra no futuro obedeça a critérios explícitos de proteção às terras dos agricultores, bem como ao importante ecossistema que é atualmente protegido pela existência do PESB.

A ação de organizar as comunidades é especialmente importante num momento em que o governo “de facto” vem realizando um processo inaceitável de regressão na legislação ambiental, especialmente no que se refere às atividades de mineração, como foi o caso da extinção da Reserva Nacional de Cobre e  Associados [2], uma ação que colocará em risco áreas indígenas e unidades de conservação da natureza.

A verdade é que se não houver a devida resistência à implantação de práticas claramente predatórias social e ambientalmente, o que teremos em escala ampliada será a repetição do que vimos há quase 2 anos quando eclodiu o TsuLama da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billinton) que até hoje permanece completamente impune.


[1] https://blogdopedlowski.com/2017/02/24/conflito-da-mineracao-em-mg-ameaca-a-religioso-ameacado-resulta-em-nota-assinada-por-73-entidades/

[2] https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2017/08/23/governo-extingue-reserva-de-cobre-para-atrair-investimentos-em-mineracao.htm

Conflitos da mineração em MG: religioso sofre ameaça para abandonar organização da resistência popular em Belisário

Em 31 de Outubro de 2016 abordei neste blog (Aqui!) um conflito que estava ocorrendo no Distrito de Belisário, que faz parte do município mineiro de Muriaé, por causa das disputas envolvendo a população e a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). Pois bem, hoje recebi o relato abaixo de um morador que traz uma denúncia preocupante sobre ameaças que estariam sendo cometidas contra lideranças comunitárias.  Essa denúncia é especialmente preocupante no atual quadro de precarização da legislação ambiental e perseguição a ativistas ambientais que está ocorrendo não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina.

Eis o relato:

Ontem, dia 19 de fevereiro, por volta das 11.30 da manhã, o pároco local do Distrito Belisário, o Frei Gilberto Teixeira, foi abordado por um pistoleiro ao sair da casa paroquial  onde atendia seus párocos.  foi surpreendido pela visita de um homem armado De forma contínua, o pistoleiro afirmou que estava ali apenas para dar um aviso, mas que o Frei Gilberto deveria tomar cuidado, pois na próxima vez ele iria agir.

Segundo o pistoleiro, o frei, que é uma liderança local no processo de resistência contra o avanço da mineração de bauxita em unidades de conservação existente em Belisário, “estaria falando demais sobre a mineradora em suas missas e campanhas“. O pistoleiro também disse que o Frei Gilberto “também estaria sendo seguido, e soube descrever a sua agenda semanal com detalhes, inclusive as casas onde o religioso havia passado a noite em viagens a outros municípios, como Ouro Preto e Contagem”. Essas informações não estão disponíveis em suas redes sociais. O pistoleiro também exigiu o celular do Frei Gilberto  que não estava com ele no momento. Depois de  fazer uma revista pessoal, o pistoleiro ainda ameaçou assassinar o Frei Gilberto caso  ele deixasse a sala antes de 15 minutos.

Um detalhe que ilustra a gravidade da situação em Belisário é que no dia anterior houve  uma reunião para discutir a Campanha da Fraternidade de 2017. O tema deste ano está relacionado aos Biomas brasileiros, sendo que a Diocese de Leopoldina escolheu o Distrito de Belisário para representar a zona da Mata Mineira, em parceria com biólogos e ativistas ambientais. Na reunião foi abordado o tema da mineração e o pistoleiro que visitou Frei Gilberto soube descrever com detalhes o que havia passado durante esse encontro. 

Há que se notar que este tipo de ameaça já aconteceu antes, pois faz alguns meses, o agricultor Carlos Alberto de Oliveira, conhecido popularmente como Pavão, outra liderança da resistência à ampliação mineração na região de Belisário, já havia sido vítima de ameaça ao sair de uma reunião que tinha como foco a organização da resistência ao avanço das atividades de mineração no entorno do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (PESB). Naquela ocasião, um desconhecido informou a Pavão que era melhor ele tomar cuidado, pois poderia facilmente morrer ao andar sozinho de moto à noite depois de reuniões como aquela.

Em tempo, a empresa que tem interesse em ampliar as atividades de extração de bauxita no Distrito de Belisário é a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) que até meados de 2016 fazia parte do Grupo Votorantim (Aqui!).