Estudo da Faculdade de Saúde Pública da USP confirma a existência de uma estratégia federal de disseminação da COVID-19 no Brasil

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Um estudo realizado pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo em parceria com a Organização Não-Governamental Conectas Direitos Humanos até janeiro de 2021 e, desde então, com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, coletou as normas federais e estaduais relativas ao enfrentamento da pandemia da COVID-19 para avaliar o seu impacto sobre os direitos humanos no Brasil. A linha do tempo revela que foi implantada no âmbito do governo Bolsonaro uma estratégia de disseminação da  COVID-19 no Brasil.

O documento é composto de duas partes principais: o relatório, que apresenta a metodologia e a síntese dos resultados do estudo; e a linha do tempo, que apresenta a sistematização dos dados coletados.  O estudo teve por objetivo aferir a hipótese de que está em curso no Brasil uma estratégia de disseminação da Covid-19, promovida de forma sistemática em âmbito federal.  O estudo se baseia em pesquisa documental com dados de caráter público, realizada por equipe interdisciplinar com competências nas áreas de  Saúde Pública, Direito, Ciência Política e Epidemiologia, tendo como fontes normas federais, jurisprudência, discursos oficiais, manifestações públicas de autoridades federais e busca em plataformas digitais. A coleta de dados para fins específicos deste estudo compreendeu o período de 03/02/20 a 28/05/21, e buscou informações correspondentes a eventos (ações e omissões) que demonstram a presença de intencionalidade, aqui compreendida simplesmente como a confluência entre a consciência dos atos e omissões praticados, e a vontade de praticá-los.

A coleta resultou na identificação de três tipos de evidências:  a) atos normativos adotados na esfera da União, incluindo vetos presidenciais; b) atos de governo, que compreendem ações de obstrução de medidas de contenção da doença adotadas por governos estaduais e municipais, omissões relativas à gestão da pandemia no âmbito federal, e outros elementos que permitam compreender e contextualizar atos e omissões governamentais; e c) propaganda contra a saúde pública, aqui definida como o discurso político que mobiliza argumentos econômicos, ideológicos e morais, além de notícias falsas e informações técnicas sem comprovação científica, com o propósito de desacreditar as autoridades sanitárias, enfraquecer a adesão popular a recomendações de saúde baseadas em evidências científicas, e promover o ativismo político contra as medidas de saúde pública necessárias para conter o avanço da COVID-19.

Os resultados do estudo apontam para uma confluência entre esferas normativa, de gestão e discursiva da resposta federal à pandemia, havendo coerência entre o que se diz e o que se faz. Os autores da pesquisa apontam que procede, portanto, a hipótese da existência de estratégia de disseminação da doença, por meio, em suma, dos seguintes atos e omissões:  

1) Defesa da tese da imunidade de rebanho (ou coletiva) por contágio (ou transmissão) como forma de resposta à Covid-19, disseminando a crença de que a “imunidade natural” decorrente da infecção pelo vírus protegeria os indivíduos e levaria ao controle da pandemia, além de estimativas infundadas do número de óbitos e da data de término da pandemia;

2) Incitação constante à exposição da população ao vírus e ao descumprimento de medidas sanitárias preventivas, baseada na negação da gravidade da doença, na apologia à coragem e na suposta existência de um “tratamento precoce” para a COVID-19, convertido em política pública;

3) Banalização das mortes e das sequelas causadas pela doença, omitindo-se em relação à proteção de familiares de vítimas e de sobreviventes, propalando a ideia de que faleceriam apenas pessoas idosas ou com comorbidades, ou pessoas que não tivessem acesso ao “tratamento precoce”

4)  Obstrução sistemática às medidas de contenção promovidas por governadores e prefeitos, justificada pela suposta oposição entre a proteção da saúde e a proteção da economia, que inclui a difusão da ideia de que medidas quarentenárias causam mais danos do que o vírus, e que elas é que causariam a fome e o desemprego, e não a pandemia;

5) Foco em medidas de assistência e abstenção de medidas de prevenção da doença, amiúde adotando medidas apenas quando provocadas por outras instituições, em especial o Congresso Nacional e o Poder Judiciário;

6) Ataques a críticos da resposta federal, à imprensa e ao jornalismo profissional, questionando sobretudo a dimensão da doença no país; e

7) Consciência da irregularidade de determinadas condutas.

Irresponsável e negacionista, Bolsonaro é contaminado pela Covid-19 |  Partido dos Trabalhadores

Os responsáveis pelo estudo apontam ainda que, embora não exaustiva, a linha do tempo seria suficiente para oferecer uma visão de conjunto de um processo vivido de forma fragmentada. Segundo eles, os resultados da pesquisa afastam a persistente interpretação de que haveria incompetência e negligência da parte do governo federal na gestão da pandemia. Ao contrário, a sistematização de dados revela o empenho e a eficiência em prol da ampla disseminação do vírus no território nacional, declaradamente com o objetivo de retomar a atividade econômica o mais rápido possível, o que segundo o Tribunal de Contas da União, configura a  opção política do governo Bolsonaro de priorizar a proteção econômica..

Finalmente, os pesquisadores chamam a atenção a persistência do comportamento de autoridades federais brasileiras diante da vasta disseminação da doença no território nacional e do aumento vertiginoso do número de óbitos, embora instituições como o Supremo Tribunal Federal, o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal tenham apontado, inúmeras vezes, a inconformidade à ordem jurídica brasileira de condutas e de omissões conscientes e voluntárias de gestores federais, assim como o fizeram, incansavelmente, entidades científicas e do setor da saúde.

Novo recorde em alertas mostra que crime ditará taxa de desmate

Com Ibama desmontado, ICMBio ameaçado de extinção e ministro correndo da polícia, dados do Inpe mostram pior maio da série

Por Observatório do Clima

Os alertas de desmatamento na Amazônia em apenas 28 dias de maio atingiram a marca de 1.180 km2, um aumento de 41% em relação ao mesmo mês de 2020. É a maior área de alertas desde o início da série do sistema Deter-B, do Inpe, em 2016, e a primeira vez que o número ultrapassa 1.000 km2 para esse mês.

O dado é preocupante, porque o mês de maio marca o início da estação seca, quando a devastação se intensifica, em grande parte da região amazônica. A permanecer a tendência nos próximos dois meses, a taxa oficial de desmatamento de 2021 (medida de agosto a julho) poderá terminar com uma inédita quarta alta consecutiva. O comportamento da curva dependerá exclusivamente de quem hoje dá as cartas na região: o crime ambiental.

O regime Bolsonaro se dedica há dois anos e meio a desmontar as políticas de controle de desmatamento, enterrando o único plano que conseguiu reduzir a destruição, o PPCDAm (Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia). A fiscalização do Ibama foi manietada; como mostraram neste ano documentos produzidos pelos próprios agentes, a gestão do antiministro Ricardo Salles virtualmente parou as operações do órgão — cuja cúpula acaba de ser afastada por suspeita de operar para madeireiros.

O Instituto Chico Mendes, que fiscaliza as unidades de conservação federais, está ameaçado de extinção. A fracassada Operação Verde Brasil 2, do general Hamilton Mourão, saiu de cena em abril e não deixou nada no lugar. O plano de Salles de criar uma espécie de milícia na floresta usando homens da Força Nacional foi interrompido pelo fato prosaico de que o ministro, com dois inquéritos contra si no STF, dedica seu tempo hoje a fugir da polícia.

No acumulado desde agosto, vem caindo rápido a diferença entre a área recorde de alertas do ano passado e a deste ano: em janeiro o desmatamento em 2021 era 21% menor que em 2020. Agora a diferença é de 8%, e ainda pode cair mais.

Nesse quadro de ausência completa do governo federal, os R$ 270 milhões que o Congresso conseguiu na semana passada para a fiscalização dificilmente produzirão resultado. “O grande problema da fiscalização e do combate ao desmatamento não é apenas falta de dinheiro; o que falta é governo”, afirma Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

O combate ao desmatamento está quase exclusivamente nas mãos dos Estados. O problema é que alguns governadores parecem estar do lado dos desmatadores. Em Rondônia, o Coronel Marcos Rocha (PSL), aliado de Jair Bolsonaro, deu em maio um presente aos grileiros ao reduzir duas unidades de conservação no Estado.

“O desmatamento neste ano será o que os madeireiros ilegais, garimpeiros criminosos e grileiros quiserem que seja. E, neste momento, eles não têm nenhum motivo para se controlar, já que o próprio governo federal, que deveria coibir a ilegalidade, os incentiva com atos e discursos”, conclui Astrini.

Sobre o Observatório do Clima: rede formada em 2002, composta por 68 organizações não governamentais e movimentos sociais. Atua para o progresso do diálogo, das políticas públicas e processos de tomada de decisão sobre mudanças climáticas no país e globalmente. Site: http://oc.eco.br.
Informações para imprensa

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Este texto foi originalmente publicado pelo Observatório do Clima [Aqui!].

The Wall Street Journal publica matéria sobre envolvimento de Ricardo Salles na exportação ilegal de madeira da Amazônia

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Ministro brasileiro encarregado de proteger a Amazônia é investigado por exportação ilegal de madeira. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, está no centro dos esforços do Brasil para obter compensação pelo trabalho de seu país na redução do desmatamento

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De Luciana Magalhães e Samantha Person para o “The Wall Street Journal

SÃO PAULO — O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, acusado de ajudar a proteger a Amazônia, foi alvo da polícia federal brasileira na quarta-feira como parte de uma investigação sobre o suposto corte ilegal de árvores para exportação, segundo pessoas a par da investigação

A polícia disse que cerca de 160 policiais foram destacados para cumprir 35 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e no estado amazônico do Pará, relacionados a supostos crimes envolvendo corrupção e contrabando. A polícia fez buscas em propriedades ligadas a Salles, segundo pessoas a par da operação, que não deram mais detalhes.

Salles disse em um vídeo enviado por assessores que as acusações contra ele eram infundadas e acrescentou que ele e os outros trabalhadores sob investigação teriam cooperado com as autoridades se tivessem oportunidade.

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro pediu no mês passado aos EUA que pagassem ao Brasil US $ 1 bilhão para ajudar o país sul-americano a reduzir o desmatamento, dizendo que a maneira de salvar a floresta tropical é financiando atividades sustentáveis ​​na região. As autoridades brasileiras dizem que os países industrializados precisam assumir a responsabilidade por suas contribuições anteriores para a mudança climática.

O Sr. Salles tem estado no centro dos esforços do Brasil para obter compensação pelo trabalho passado e atual de seu país para reduzir o desmatamento, e a investigação pode levantar preocupações no governo Biden e entre os legisladores dos EUA sobre o compromisso do Brasil com a proteção do meio ambiente.

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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo “The Wall Street Journal” [Aqui!].

Sob o risco real de racionamento: Brasil vive pior crise hídrica em quase um século

O que explica a nova crise hídrica e quais riscos ela traz para o Brasil?

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Segundo o governo federal, o Brasil está diante da maior crise hídrica em quase um século, o que pode ter efeitos sobre a geração e distribuição de energia. Para explicar as causas, consequências e possíveis soluções para o problema, a Sputnik Brasil conversou com uma pesquisadora do setor.

Os reservatórios de hidrelétricas no Brasil registram baixo volume de água, em razão da incidência de chuvas abaixo do esperado. No início de maio, em entrevista ao site Poder360, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, classificou a situação como a maior crise hídrica desde 1931 e sinalizou que todas as termelétricas brasileiras serão acionadas, tendo em vista que o país entrou no período seco – com menos chuvas – que deve durar até novembro. As mais de cem termelétricas no Brasil utilizam óleo, carvão, gás natural e biomassa para gerar energia e costumam ser utilizadas para compensar demandas não atendidas pelas hidrelétricas.

Albuquerque afirmou ainda que os níveis dos reservatórios preocupam desde outubro do ano passado e que o uso das termelétricas já ocorria ao longo desse período para preservar os níveis de água. Além disso, usinas com gás importado da Argentina e Uruguai também foram acionadas. Ainda segundo o ministério, o risco de racionamento foi afastado pelas medidas, apesar de que a conta de luz das famílias deve aumentar devido ao acionamento das termelétricas. 

Em Brasília, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, participa de evento ao lado do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, em 28 de setembro de 2020

Em Brasília, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, participa de evento ao lado do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, em 28 de setembro de 2020. © FOLHAPRESS / FRAMEPHOTO / CLAUDIO REIS

O atual volume útil de reservatórios nas regiões Sudeste e Centro-Oeste é pior que os índices de maio de 2015, ano em que uma crise semelhante ocorreu, conforme dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Esses mesmos dados são os que apontam que o período entre setembro de 2020 e abril de 2021 foi o de menor incidência de chuvas nas regiões onde estão as hidrelétricas desde 1931, quando essas informações começaram a ser colhidas. 

Diante da crise hídrica, que pode gerar problemas de energia no Brasil, o governo brasileiro montou uma sala de situação para monitorar o problema. A primeira reunião do grupo ocorreu na quinta-feira (13). A sala de situação pretende desenhar um plano de ação para reduzir a vazão nos reservatórios e evitar que o Brasil passe a racionar energia em meio à pandemia da COVID-19. 

Em Sebastianópolis do Sul, em São Paulo, um técnico trabalha em uma termelétrica que funciona à base de biomassa, em 28 de janeiro de 2010Em Sebastianópolis do Sul, em São Paulo, um técnico trabalha em uma termelétrica que funciona à base de biomassa, em 28 de janeiro de 2010. © FOLHAPRESS / PIERRE DUARTE

Risco de racionamento

Para Heloísa Firmo, engenheira civil do Departamento de Recursos Hídricos e Meio Ambiente da Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apesar das medidas do governo, há um risco real de a atual crise levar a situações de racionamento de energia no Brasil.

“Há risco de racionamento de energia no Brasil, sim. Hoje em dia, por conta dos últimos anos, a gente no Brasil tem tido muita restrição quanto a reservatórios de regularização. E o que é regularizar? É tornar regular. E para tornar regular a vazão de um rio é necessário um reservatório. Com o passar dos anos, nos últimos dez, 20 anos a gente passou a construir reservatórios, usinas, como a gente chama, a fio d’água, com reservatório muito pequeno ou praticamente sem reservatório”, explica a pesquisadora em entrevista à Sputnik Brasil.

Conforme detalha a professora, com esses tipos de reservatórios, o Brasil tem uma capacidade reduzida de resistir a um período sem chuvas, de quatro a cinco meses, sendo que essa capacidade chegou a ser de até três anos.

“Com o passar dos anos o aumento do número de usinas a fio d’água, em detrimento de usinas com grandes reservatórios, fez com que o sistema elétrico ficasse mais vulnerável. Então, eu diria que há risco, sim, de racionamento de energia no Brasil, de falta de energia”, reforça.

Firmo aponta que o termo mais correto para o risco oferecido pela situação atual seria não de um racionamento, mas de uma racionalização, com cortes programados e pontuais. Mesmo assim, a professora da UFRJ salienta que uma eventual recuperação econômica no Brasil pode agravar o cenário.

“Qualquer retomada na economia vai gerar um aumento na demanda de energia. E aí, sim, acho que o risco de racionamento começa a aparecer mais. Porque, por enquanto, a economia está ainda bastante retraída por conta da pandemia da COVID-19”, explica a professora, que lembra ainda que a crise hídrica pode se estender a outros setores para além do energético, como no agronegócio e no abastecimento das famílias.

Maior participação de energias renováveis

A pesquisadora salienta que o cenário atual está longe do que aconteceu em 2001 no Brasil, quando houve um racionamento radical de energia. Desde aquele período, que ficou marcado na memória de muitos brasileiros, o país introduziu novas fontes de geração de energia, diminuindo a dependência das hidrelétricas – cujo armazenamento em reservatórios deve terminar maio, inclusive, com o pior resultado desde 2001, segundo o governo.

“A entrada das fontes alternativas fez com que a gente tivesse uma diversificação maior, e em um certo sentido, aumentou o mix de plantas de energia. E isso é mais favorável do que em 2001 que foi quando houve aquele racionamento”, diz a engenheira civil.

Apesar da diversificação, as hidrelétricas continuam produzindo mais da metade da energia consumida no Brasil. Segundo dados do governo federal, em 2021 o setor foi responsável por mais de 70% da energia consumida no país até agora, repetindo a média dos últimos anos.

A professora lembra que, apesar da ampla participação da energia hidrelétrica, houve aumento da participação de outras fontes renováveis no Brasil, como a energia eólica, que há dez anos não produzia e hoje chega a quase 10% da geração de energia do país. Firmo lamenta, porém, que ainda há pouco uso da energia solar, que poderia ser uma alternativa interessante para fortalecer a segurança energética brasileira em períodos sem chuvas. Ao longo de 2020, a energia solar representou apenas 1% da energia utilizada no país, abaixo ainda da termelétrica (15%) e da nuclear (2,4%).

Usina de Energia Eólica (UEE) em Icaraí, no Ceará (CE).

© FOTO / DIVULGAÇÃO/ARI VERSIANI/PAC/AGÊNCIA BRASIL. Usina de Energia Eólica (UEE) em Icaraí, no Ceará (CE)

“Não houve um estímulo nos últimos anos à energia solar. Se houvesse um estímulo maior, talvez a gente tivesse um pouco menos vulnerável a essa dependência hídrica, nesse sentido de energia hidrelétrica“, aponta a professora.

A pesquisadora chama a atenção para a dificuldade de armazenamento do grupo das chamadas “energias intermitentes”, como no caso da energia eólica e hidrelétrica. No caso da hidrelétrica, o armazenamento depende dos reservatórios, que ficaram menores no Brasil.

“Esse é um grande problema. Não adianta a gente só aumentar eólica e solar, se a gente não consegue armazenar essa energia. A hidrelétrica, como armazena? Nos reservatórios. Como a gente, hoje, tem menos reservatórios do que tinha em décadas anteriores, proporcionalmente, o sistema se torna mais vulnerável a não atender a demanda”, diz.

Cuidado com a água e incentivo ao armazenamento de energia

A pesquisadora da UFRJ ressalta que a crise hídrica no Brasil tem amplas consequências, uma vez que a água, para além do consumo das pessoas, é fundamental na economia brasileira devido à intensa atividade agropecuária e à dependência hídrica do sistema de energia.

“É necessária uma gestão muito cuidadosa, muito parcimoniosa no uso da água, muito cuidado muita atenção. A água é um bem essencial para a vida e no Brasil ela é essencial ao processo produtivo e à geração de energia”, aponta. 

 Gados na fazenda Nossa Senhora do Carmo, em Cumaru do Norte, no interior do Pará (foto de arquivo)Gado na fazenda Nossa Senhora do Carmo, em Cumaru do Norte, no interior do Pará (foto de arquivo). © FOLHAPRESS/ EDUARDO ANIZELLI 

A pesquisadora também sinaliza uma possível solução para o ponto fraco das energias intermitentes como estão instaladas no Brasil, e sugere a ampliação do investimento em tecnologias de armazenamento.

“A gente deve realmente investir em sistemas de armazenamento de energia. Por exemplo, usinas hidrelétricas reversíveis ou mesmo baterias. […] A hidrelétrica reversível é uma solução interessante quando você implementa uma usina, por exemplo, eólica junto com uma hidrelétrica reversível. E aí quando a eólica tem sobra de energia, essa hidrelétrica faz o armazenamento“, diz.

Firmo deixa claro que o problema do armazenamento não existe apenas no Brasil, mas é uma demanda de um mundo que caminha na direção da transição energética, buscando novas fontes. Nas palavras da pesquisadora, em meio a esse processo, urge também o desafio de armazenar energia de fontes intermitentes quando não há consumo.

“Essas gerações das fontes intermitentes têm que vir acompanhadas com soluções para armazenamento. Essa é a minha recomendação: a gente aprender a armazenar energia, investir nisso, para fazer sistemas mais inteligentes“, aponta a professora, que conclui acrescentando a necessidade de tecnologias de otimização dos recursos energéticos e hídricos.

A Sputnik Brasil tentou contato com o Ministério de Minas e Energia para comentar a situação, mas não recebeu retorno até o fechamento desta reportagem.

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Esta reportagem foi inicialmente publicada pela Sputnik New Brasil [Aqui!   ].

Devastação desenfreada: Amazônia sofre maior nível de desmatamento em abril dentro de uma década, e degradação florestal também avança

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O desmatamento da Amazônia no último mês de abril foi de 778 km², o maior valor para o mês registrado nos últimos dez anos, segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

O índice é 45% maior que o desmatamento registrado em abril de 2020. Em março, também foi registrado um recorde histórico, quando o Imazon constatou 810 km² de floresta devastada.

Os estados com maior área desmatada são: 

  • Amazonas – 28%
  • Pará – 26%
  • Mato Grosso – 22%
  • Rondônia -16%
  • Roraima -5%
  • Maranhão – 2%
  • Acre 1%

“Em Lábrea e Apuí, no Amazonas, municípios que lideram o ranking dos 10 que mais desmataram, houve perda de 126 km² de floresta, o que representa quase 60% de todo o desmatamento do Estado detectado em abril”, diz o Imazon.

Degradação florestal

Os dados do Imazon apontam ainda o total de “degradação florestalna Amazônia Legal, que somaram 99 km² em abril, o que representa um aumento de 60% em relação ao mesmo mês no ano passado, quando a degradação detectada foi de 62 km². O estado do Mato Grosso concentra 75% da área de floresta degradada, seguido pelo Pará (24%) e Roraima (1%).

“O Imazon classifica o desmatamento como o processo de realização do corte raso, que é a remoção completa da vegetação florestal. Na maioria das vezes, essa floresta é convertida em áreas de pasto. Já a degradação é caracterizada pela extração das árvores, normalmente para fins de comercialização da madeira”, explica o instituto.

Com informações do G1.

Insegurança: não há espaço para reabertura das escolas, diz professor de Medicina da USP

Em audiência no Senado, líder do laboratório que monitora a COVID-19 em tempo real na USP, o benefício do retorno às aulas pode ser superado pelas perdas

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A volta às aulas presenciais na pandemia é considerada uma falsa solução para o problema da pandemia

Por Cida de Oliveira para a RBA

São Paulo – A reabertura das escolas sem a testagem em larga escala antes da vacinação contra a COVID-19 é condenada pelo professor de medicina Domingos Alves, da USP de Ribeirão Preto. Em audiência pública no Senado nesta sexta-feira (14), para discutir estratégias para o retorno seguro às aulas presenciais, ele afirmou que os benefícios em reabrir escolas e universidades para aulas presenciais não podem ser ultrapassados pelas perdas acarretadas pela iniciativa.

“O que é necessário é uma solução real para o problema. E não uma solução falsa, que torne o problema da pandemia ainda mais grave. Os níveis seguros (para a reabertura) resultam da redução da transmissão comunitária, que deve ser a medida real para autorizar o retorno das atividades presenciais. Para isso é preciso rastreamento de casos e isolamento”, explicou Alves, que lidera o Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS), que monitora a COVID-19 em tempo real com base na ciência de dados.

O especialista contestou dados apresentados pelo médico Márcio Sommer Bittencourt, do Hospital Universitário (HU) da USP, de que crianças se contaminam menos e transmitem menos o novo coronavírus, além de sofrerem menos complicações e óbitos que os adultos.

Retorno às aulas presenciais

“Até agosto de 2020, o número de mortes na faixa etária de 0 a 19 anos causadas pela COVID-19 era de 718, o que correspondia a 0,68% do total de óbitos pela doença em todo o país. No começo de abril, o número subiu para 5.216, equivalente a 1,43% do total de casos”, disse, com base em estatísticas de boletins do Ministério da Saúde.

Alves também contestou argumento do epidemiologista Wanderson de Oliveira, então técnico da pasta e da equipe do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. Atual secretário de Serviços Integrados de Saúde do Supremo Tribunal Federal (STF), Wanderson defendeu a reabertura das escolas, especialmente em municípios onde o número de novos casos diários em grupos de 100 mil habitantes seja inferior a 5. “Até onde eu sei, nenhum município chegou a esse patamar”, afirmou.

Defendida pelo Fundo Internacional da ONU para a Infância (Unicef) para a redução das desigualdades sociais e educacionais, a reabertura das escolas, inclusive universidades federais, é tema do projeto de Lei (PL) 5.595/2020. A proposta inclui a educação no rol dos serviços essenciais. Aprovado na Câmara, o PL que agora tramita no Senado é de autoria da deputada e empresária apoiadora de Bolsonaro Paula Belmonte (Cidadania-DF). Ela é casada com Luis Felipe Belmonte, Aliança pelo Brasil, mas o projeto naufragou. Luís Felipe Belmonte, um dos fundadores da Aliança Pelo Brasil, partido criado para abrigar Bolsonaro, mas cujo projeto naufragou. Por sua vez, ele é investigado em inquérito que apura financiamento de atos antidemocráticos, além de ser suspeito de enriquecimento ilícito. .

Faltam recursos

Na audiência, o representante do Ministério da Educação, Mauro Luis Rabelo, defendeu o retorno imediato das aulas presenciais, alegando que repasses de programas mantidos pelo governo federal são suficientes para garantir a implementação de medidas de segurança. Mas não acenou recursos novos para essa finalidade.

A fala de Rabelo foi contestada pela gestora de educação no município de Oliveira (MG), Andrea Pereira da Silva, que representou a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). E também pela vice-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Joana Angélica Guimarães, reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

“Não há como fazer educação remota, porque a maioria dos alunos não tem computadores e nem acesso à internet. E o direito à educação pressupõe o direito à vida: Não podemos fechar os olhos a todos os problemas nas escolas que impedem um retorno seguro. E os recursos para isso são insuficientes”, disse Andrea. O veto do presidente Jair Bolsonaro à Lei da Conectividade, que prevê recursos para compra de tablets e acesso à banda larga deverá ser apreciado no Senado nesta próxima semana.

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Governo e apoiadores de Bolsonaro querem a reabertura das escolas Foto: Agência Senado

Aulas presenciais

Joana afirmou que as universidades vêm se preparando para o retorno às aulas. Já há aulas presenciais em alguns cursos em diversas instituições, ao passo que avança o ensino híbrido. Mas quaisquer medidas requerem investimentos, enquanto o setor enfrenta cortes orçamentários e recursos em patamares iguais aos de 2004. “Essa discussão é muito importante. Educação é essencial. Mas não há vacinas para todos. E pensar em um retorno fica muito difícil com grande redução de recursos. Esta é a grande questão”.

A crítica ao retorno e ao PL que o determina foram criticados ainda pela deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO), relatora do PL 2.949/2020, do retorno seguro. “Precisamos construir condições para que escolas funcionem para receber os alunos”, disse, destacando a situação de quase metade delas. Segundo dados oficiais, 49% sequer tem água, carteira e pátio para atividades externas. Já muitas outras chegam a ter a circulação de 1.500 alunos.

A senadora Zenaide Maia (Pros-RN) fez coro à fala de Dorinha: “Quem lida com educação está mais do que consciente do papel da escola além do ensino, da socialização e também na segurança alimentar de grande parte de alunos – pilares estes que foram apropriados pelos defensores da reabertura das escolas. E questionou a importância do PL em discussão. “Paula (Belmonte), com todo respeito, não há necessidade desse PL para melhorar a educação. A gente já sabe o que precisa para o retorno: vacinação”.

PL do retorno seguro

Iniciativa do senador Jean Paul Prates (PT-RN), a audiência ouviu ainda, entre outros palestrantes, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo. O dirigente pediu a aprovação do “PL do retorno seguro” e a derrubada dos vetos no PL da Conectividade . “O PL 5.595 nos leva à infecção e morte.”

Também manifestou-se o professor da Faculdade de Educação da USP, Daniel Cara, que pediu ao Senado mudanças no PL 5.595 aprovado na Câmara. Entre elas, retirar a menção da educação presencial como serviço ou atividade essencial. E inserir que o retorno presencial deverá ser quando for seguro do ponto de vista epidemiológico. “Reitero a necessidade de o Senado fazer as alterações necessárias e encaminhe no sentido de construir um retorno seguro às atividades presenciais nas escolas brasileiras”

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Este texto foi publicado inicialmente pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

Bolsoflix, uma plataforma que divulga conteúdos que mostram o governo Bolsonaro como ele é

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Sem muito alarde comercial acaba de ser lançado o “Bolsoflix“, uma plataforma que, segundo seus idealizadores, foi criada por um coletivo “independente e apartidário” que não aguenta mais o (des) governo Bolsonaro.

O “teaser” abaixo já dá uma boa ideia de que o “Bolsoflix”  está sendo produzido por gente que entende do riscado, pois o uso de imagens é bastante criativo, tendo como foco, obviamente, a figura do presidente Jair Bolsonaro.

O “Bolsoflix” opera nos mesmos moldes do “Netflix”, mas com a peculiaridade do menu composto por itens como “Pandemia”, “Corrupção”, “Violência”, “Mentiras”, “Economia” e “Arrependidos” está todo composto por vídeos associados ao presidente Bolsonaro, seus ministros ou mesmo seus filhos com cargos parlamentares.

Além disso, os interessados em obter os conteúdos para eventual distribuição podem fazer isso na página do “Bolsoflix”, em mais uma estratégia inovadora de difusão de material “anti-Bolsonaro”.

Resta saber agora o grau de adesão dos “assinantes” ao Bolsoflix, o que deverá ficar evidente já nas próximas semanas, quando o material disponibilizado pelo site chegar nos telefones dos brasileiros.

Universidade de Oxford promove webinário para discutir as crises climática e da COVID-19 no Brasil sob o governo Bolsonaro

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Em 2020, o Brasil registrou o maior nível de desmatamento na Amazônia em 12 anos. Esse aumento preocupante está relacionado ao desmantelamento de importantes políticas e regulamentações ambientais, à redução ou congelamento de recursos para a proteção das florestas e de suas populações tradicionais, e às propostas de legalização da ocupação privada de terras públicas.

O país está agora sob pressão crescente devido à Covid-19, que causou o pior colapso do sistema de saúde da história brasileira  A pandemia da COVID-19 já causou mais de 400.000 mortes de brasileiros, o segundo maior número de mortes causadas pela pandemia no mundo.

O Brasil também enfrenta crises econômicas e de fome. Um estudo lançado recentemente constatou que mais da metade da população vive com algum nível de insegurança alimentar.

Junte-se a nós neste webinar de uma hora e meia para discutir como os brasileiros foram profundamente afetados por este momento catastrófico e conecte-se com o trabalho e as reflexões de organizações ambientais e escritores no Reino Unido.

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Palestrantes:
– Adriana Ramos, Coordenadora de Políticas e Leis do Instituto Socioambiental (ISA), membro coordenador do Observatório do Clima
– Douglas Belchior, professor de História, fundador da Uneafro Brasil, membro da Coalizão Negra pelos Direitos do Brasil e do Fundo Brasil de Direitos Humanos
– Eliane Brum, jornalista, escritor e documentarista brasileiro, colunista do El País
– Erika Berenguer, Pesquisadora Associada Sênior do The Environmental Change Institute, membro da Amazon Brazilian the Sustainable Amazon Network
– Jay Griffiths, escritor britânico premiado, autor de ‘Wild, an Elemental Journey’, ‘Kith: The Riddle of the Childscape’, e agora lançando ‘Why Rebel?’
– Niki Mardas, Diretora Executiva da Global Canopy
– Sonia Guajajara, líder indígena brasileira, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB)

Mediada por Jonathan Watts, Editor de Meio Ambiente Global da Guardian. Hospedado pela Global Canopy e pelo Oxford Centre for Tropical Forests.

Haverá interpretação ao vivo para inglês e português.

Os interessados em se increver neste evento, podem clicar [Aqui!].

O veneno chega pela torneira: Ministério da Saúde aumenta de 27 para 40 agrotóxicos a serem monitorados na água consumida pelos brasileiros

torneira

Em meio ao avanço da pandemia da COVID-19, o Ministério da Saúde fez publicar sem muito alarde a Portaria GM/MS No. 888 de 04 de maio de 2021 cujo objetivo primário foi alterar o Anexo XX da Portaria de Consolidação GM/MS nº 5, de 28 de setembro de 2017 que dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade no Brasil.

Na prática a Portaria GM/MS No. 888 atualiza uma série de parâmetros que devem ser monitorados para que, em tese, se garanta que a água consumida pelos brasileiros em suas casas não causa danos à saúde deles.  Pois bem, mas um dos itens “atualizados” deveria ou deverá receber grande atenção dos responsáveis por garantir que a água que é consumida pelos brasileiros não vai causar doenças graves em vez de apenas matar a sede deles.

Falo aqui da Tabela de Padrão de Potabilidade para substâncias químicas que representam risco à saúde, especificamente aquelas que são usadas na agricultura, os chamados agrotóxicos.  É que na Portaria de Consolidação, o número de monitoramento eram 27, o que já foi motivo de uma postagem neste blog sobre a presença de todas as substâncias listadas pelo Ministério da Saúde na água consumida pelos habitantes de Campos dos Goytacazes, sendo que 9 delas estavam acima dos limites considerados como seguros.  Eis que agora o número de substâncias a serem monitoradas passou para 40 agrotóxicos, muitos dos quais amplamente usados na produção de commodities agrícolas voltadas para exportação como soja, milho e algodão (ver Aqui! as substâncias alvo para monitoramento em 2017 e em 2021).

Campos agrotóxicos

Na prática o que a elevação de 27 para 40 agrotóxicos a serem monitorados na água de consumo por causa do risco que causam à saúde humana é um reconhecimento tácito é de que uso intensivo e praticamente sem qualquer controle de substâncias altamente perigosas está chegando nos torneiras dos brasileiros. E, pior, sem que as empresas públicas ou privadas que fornecem essa água estejam fazendo qualquer movimento para estabelecer métodos de remoção desses poluentes no seu processo de tratamento, o qual permanece basicamente removendo material biológico e material particulado.

O pior é que dentre os agrotóxicos que passam a ser monitorados estão alguns que são apontados por estudos científicos como causadores de doenças graves tais como o Acefato, o Paraquate, a Ametrina e a Simazina, que têm sido consistentemente ligados à ocorrência de diversos tipos de câncer, além de doenças do sistema nervoso, sendo ainda disruptores endocrinos.

Apenas para se ter uma ideia da gravidade do avanço do processo de contaminação da água consumida por brasileiros por agrotóxicos, fiz uma checagem de quantas das 40 substâncias incluídas na Portaria GM/MS No. 888 de 04 de maio de 2021 estão proibidas na União Europeia (ver Aqui!) e o total foi de 26 (ou seja 65%!). 

status eu agrotóxicos na água

O problema é que como já foi mostrado pela professora Larissa Miers Bombardi no seuAtlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Européia“, os limites máximos de resíduos tolerados no Brasil estão, em alguns casos, em diversas ordens de grandeza daquilo que é tolerado pela Comissão Europeia. Assim, os brasileiros estarão sob um risco cada vez mais grave de estarem consumindo água com níveis de resíduos de agrotóxicos produzidos por multinacionais europeias, mas que aqui não obedecem os critérios de segurança impostos aos agricultores europeus.

No caso de Campos dos Goytacazes onde a Câmara de Vereadores pode ter brevemente uma Comissão Parlamentar de Inquérito para averiguar a qualidade dos serviços prestados pela concessionária “Águas do Paraíba”, um ponto que poderia ser arguida pelos vereadores poderia ser acerca dos métodos de remoção de micropoluentes como os agrotóxicos listados pelo Ministério da Saúde na água servida aos campistas.

Finalmente, não há como deixar de associar a necessidade de aumentar o número de substâncias sendo monitoradas na água servida pelas redes oficiais de fornecimento à política de “passa boiada” que foi adotada pelo governo Bolsonaro em substâncias que estão proibidas para uso justamente nos países que as fabricam.  O resultado dessa política de porteira aberta agora está aí para todos verem, qual seja, a grande possibilidade de que estamos ingerindo um alto número de resíduos de agrotóxicos altamente tóxicos não apenas para seres humanos, mas para os sistemas aquáticos que fornecem a água que precisamos para viver.

Vacinação suspensa por falta de doses sinaliza 3a. onda ainda mais mortal da COVID-19 no Brasil

covid-19

Como os leitores deste blog já foram informados, fui vacinado contra a COVID-19 na última 6a .feira (30/04) com uma vacina produzida pela Astrazeneca/Oxford. Após dois dias sentindo uma leve e ininterrupta dor de cabeça e dores musculares, amanheci neste domingo sem qualquer sintoma colateral.  Como ouvi narrativas de efeitos bem mais fortes do que os que tive, posso me sentir duplamente felizardo.  É que além de ter adentrado a ínfima parcela de brasileiros já vacinados contra a COVID-19, tive efeitos colaterais leves.

Mas o duro mesmo é verificar na página oficial da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes que por “falta de envio de novas doses pelo Ministério da Saúde, tivemos que suspender momentaneamente o calendário de vacinação de 1ª dose dos grupos prioritários“.  Em outras palavras, algo que já vinha ocorrendo de forma lenta pela ação negligente do governo federal, agora está temporariamente suspenso. Com isso, as possibilidades de que teremos uma terceira onda ainda mais forte de contaminações da COVID-19 em Campos dos Goytacazes, como de resto no Brasil, cresce assustadoramente (ver informe completo abaixo). 

vacinação suspensa

Não custa lembrar que o número de mortos no Brasil já ultrapassou a estratosférica quantidade de 408 mil mortos, sendo que só em Campos dos Goytacazes perdemos até o  dia em que fui vacinado 1.127 campistas, o que representa um verdadeiro desastre social, que enluta um número impressionante de famílias.

E aqui não cabe nada mais do que um forte repúdio à ação do governo Bolsonaro que tem sistematicamente sabotado as medidas de isolamento social e uso de medidas preventivas, além de ter agido para postergar a compra de vacinas, como ficou demonstrado na ação displicente em relação à oferta da vacina da Pfizer, que já se encontra aprovada pela Anvisa. Isto se falar da ação, no mínimo, peculiar que atrasando a liberação da vacina russa Sputnik V

Ainda que não seja nenhum consolo para as famílias enlutadas, a história registrará esse capítulo horrendo como algo que foi causado pela existência de um governo anti-pobre que é sustentado pelo ódio de classe e pela extrema desvalorização da vida humana.