Observatório dos Agrotóxicos: com mais 27 liberações, governo Bolsonaro chega a 1.127 agrotóxicos liberados em 26 meses

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Enquanto o Brasil segue distraído pelas idas e vindas do presidente Jair Bolsonaro no combate à crise sanitária criada pela pandemia da COVID-19, o seu governo continua ampliando a enxurrada de liberações de agrotóxicos, muitos deles banidos pela União Europeia.

Com a promulgação do Ato 13 de 26 de Fevereiro, o governo Bolsonaro autorizo o uso de mais 27 agrotóxicos em sua forma industrial (o chamado produto técnico) que depois serão transformados em produtos formulados que poderão ser vendidos a varejo ou no atacado.

Dentre os produtos aprovados, a carga habitual de produtos que já estão proibidos pela União Europeia, incluindo os já conhecidos Atrazina, Dibrometo de Diquate, Glufosinato e Hexazinona, todos conhecidos por causarem algum tipo de dano à saúde humana e a outros seres vivos, e também nas águas e solos (ver figura abaixo).

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Status na União Europeia dos agrotóxicos liberados pelo Ato No. 13 de 26 de fevereiro de 2021

É interessante notar que nessa leva também foi feita a aprovação de mais um agrotóxico baseado no Fipronil, conhecido por causa de sua letalidade contra polinizadores. Com isso, o governo Bolsonaro já liberou um total de 23 agrotóxicos com base no Fipronil, sendo que 10 deles são produtos técnicos que poderão gerar sabe-se lá quantos produtos formulados.  O resultado disso é que temos em curso a massificação da venda de um produto conhecido por exterminar abelhas, o que, curiosamente, poderá causar perdas colossais à agricultura brasileira, especialmente naqueles segmentos que mais usam agrotóxicos que são os produtos de commodities agrícolas de exportação.

Empresas chinesas estão aumentando sua hegemonia no fornecimento de agrotóxicos no mercado brasileiro

pesticides china

Outra característica marcante nos 27 agrotóxicos que foram liberados pelo Ato No. 13 é que 92% deles são fabricados por empresas chinesas, a maioria de forma exclusiva (ver figura abaixo).

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Países de origem das empresas fabricantes dos agrotóxicos liberados pelo Ato No. 13 de 26 de fevereiro de 2021

Mas além de participar intensamente do fornecimento, noto agora que empresas chinesas estão se estabelecendo em número cada vez maior no Brasil para passarem a vender diretamente seus produtos em vez de simplesmente entregá-los para empresas brasileiras fazerem o processamento de produto técnico para as diferentes formulações. Essa mudança tende a fortalecer a hegemonia das empresas chinesas no fornecimento de agrotóxicos que serão usados mais amplamente no cultivo daquelas commodities que a China mais importa do Brasil.  O problema aqui é agrotóxicos, como todo produto industrializado, sempre custará mais caro do que soja, por exemplo. E nisso fica uma troca desigual, pois enquanto os chineses compram soja e milho mais baratos dos exportadores brasileiros, o Brasil paga mais caro pelos agrotóxicos chineses, De quebra, por aqui ficam as consequências nefastas de alguns produtos que a própria China já baniu em seu território.

Governo Bolsonaro: vacina não, agrotóxico sim

Voltando ao governo Bolsonaro e sua postura de boicote à vacina Coronavac, fabricada pela  Sinovac, é sempre importante lembrar que a rejeição está longe de ocorrer com os agrotóxicos produzidos por dezenas empresas chinesas sobre as quais há pouca ou nenhuma informação, inclusive nos sites que estas possuem na rede mundial de computadores.

Mas, convenhamos, há extrema coerência nessa situação, pois o governo Bolsonaro além de ser representante direto dos interesses do latifúndio agro-exportador, é liderado por um presidente que até aqui mostrou pouquíssimo interesse em preservar a vida dos brasileiros, e os números de mortos pela COVID-19, quase 270 mil, estão aí para não me deixar falando sozinho.

Quem desejar baixar o arquivo contendo a descrição dos agrotóxicos liberados pelo Ato No. de 26 de fevereiro, vasta clicar [Aqui!]. Já para baixar a base completa contendo os 1.127 agrotóxicos liberados desde o início do governo Bolsonaro, basta clicar  [Aqui!].

Governo Bolsonaro comete “pedalada sanitária” e isola Brasil no mundo

pedalada

A derrubada da primeira presidente da história do Brasil se deu com base em sua culpabilização em função da realização de uma nebulosa “pedalada fiscal”.  Agora, nos vemos diante de uma pedalada do governo Brasil que é de natureza sanitária. É que ao procrastinar e até sabotar o processo de vacinação em massa, o presidente Jair Bolsonaro coloca em risco a saúde de toda a população brasileira. Mas onde está esta pedalada sanitária?  Ela está não apenas no crescimento exponencial de novas infecções pelo novo coronavírus e dos mortos pela COVID-19, mas também, e principalmente, no andamento pífio do processo de vacinação.

O gráfico abaixo mostra que o Brasil, provavelmente o único país que possui um sistema de saúde unificado nos padrões requeridos pela pandemia da COVID-19, ocupa hoje o mirrado 40o. lugar mundial em termos de vacinas aplicadas em doses por 100 habitantes, atrás de países como Marrocos e Romênia, perdendo de longe para o Chile que ocupa hoje o 7o. lugar em nível mundial.

vacina ranking

Sem a Coronavac, a situação da vacinação contra a COVID-19 estaria ainda pior

CoronaVac: os quatro países além do Brasil que planejam usar a vacina  contra Covid-19 | Vacina | G1

A posição brasileira seria ainda pior se não fosse pela utilização da vacina “Coronavac” produzida pela “Sinovac” que move o Brasil de uma posição ainda mais constrangedora (62o.), demonstrando o acerto da estratégia utilizada pelo governador de São Paulo, João Dória (PSDB), que apostou firme na parceria do Instituto Butantã com a empresa chinesa.

Mas como o que está ruim sempre pode piorar, o Ministério da Saúde, anunciou ontem que reduzirá a disponibilidade de vacinas para o mês de março de 37,4 milhões para 30 milhões em função da falta de autorização para uso da vacina Covaxin, fabricada pela empresa indiana Baharat Biontech. Note-se que nesse lote esperado de 30 milhões de doses, 77,7% será composto por doses da vacina Coronavac.

Diante desse quadro, configurada a pedalada sanitária realizada pelo governo federal, sob a batuta do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Saúde, o general de logística Eduardo Pazuello, fica a pergunta sobre quando haverá a devida responsabilização pelo que está sendo feito contra a saúde da maioria da população brasileira. Seria natural que todos aqueles que no dia do impeachment de Dilma Rousseff apareceram para declarar amor pelas suas famílias, voltassem suas atenções para seus entes queridos e saíssem da inércia letal em que se encontram. É que do jeito que a crise sanitária está evoluindo no Brasil, cedo ou tarde (talvez mais cedo do que tarde), não haveria família que não tenha sido tocada pela catástrofe que se apresenta diante de nossos olhos.

Brasil vive seu pior momento na pandemia e vira líder mundial de mortes e novas infecções nas últimas 24 h

cemitérios

Neste momento,  o Brasil está arcando com as consequências das políticas negacionistas do governo Bolsonaro, que vão desde a procrastinação na compra de vacinas até as ações de pura sabotagem para medidas de proteção que envolvem o uso de máscaras faciais e o isolamento social.

Com mais 1.498 mortos e 67.477 novas contaminações nas últimas 24 horas, o Brasil se tornou o líder mundial nesses dois quesitos, superando até os EUA que lideravam esta corrida macabra desde o início de 2020.

Há ainda que se lembrar que apenas na última semana o Brasil somou 10 mil mortos pela COVID-19, chegando a um total de 264.446 oficiais. Nesse ritmo, e dada a completa lotação de UTIs em todo o território nacional, não será nenhuma surpresa se o Brasil chegar a 300 mil mortos pela COVID-19 antes do final de março.

General Santos Cruz oferece análise devastadora sobre a gestão da pandemia da COVID-19 pelo governo Bolsonaro

santos cruz

O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz já ocupou uma série de posições importantes dentro e fora do Exército brasileiro, e foi uma das primeiras cabeças roladas pela chamada ala ideológica do governo Bolsonaro.  Apesar de ter sido defenestrado precocemente do governo, as posições do general Santos Cruz são tidas como sendo importantes dentro das forças armadas brasileiras, sendo visto com um crítico das práticas do presidente Jair Bolsonaro.

Pois bem, no vídeo abaixo, o general Santos Cruz apresenta uma análise devastadora das responsabilidades do presidente Jair Bolsonaro acerca da situação sanitária catastrófica em que o Brasil se encontra neste momento. A análise é particularmente devastadora porque Santos Cruz coloca a responsabilidade do que está acontecendo nos ombros do chefe do executivo federal, enquanto envia sinais para dentro dos quartéis sobre o desgaste que está sendo causado pela excessiva presença de militares no governo Bolsonaro.

O que parece transparecer no conjunto das afirmações do general Santos Cruz é que, pelo menos em segmentos das forças armadas, já há uma clareza sobre o momento político que o Brasil atravessa em função do crescente número de mortos pela COVID-19. Resta ver se Santos Cruz é uma voz solitária ou não.

Vídeo explica “Custo Bolsonaro” de forma didática

custo bolsonaro

Em meio à crise sanitária, social e econômica que varre o Brasil neste momento, temos sinais de vida inteligente aparecendo por todos os lados, com mentes brilhantes sendo utilizadas para explicar de forma didática todas as implicações que são trazidas pela vigência do governo comandado por Jair Bolsonaro. 

Um exemplo é o vídeo que segue abaixo que sumariza os principais elementos do que está sendo causado ao Brasil e ao seu povo por um governo que já demonstrou não ser comandado pelos interesses nacionais.

E como diz o fechamento do vídeo diz “com o custo Bolsonaro, a conta não fecha”. Definitivamente, não fecha.

Observatório dos Agrotóxicos: com mais 67 liberações, governo Bolsonaro lançou 1.100 agrotóxicos no mercado brasileiro

Predominância de empresas chinesas continua marcante na nova leva, com 61% dos agrotóxicos sendo produzidos na China

Conheça os acordos firmados entre Brasil e China em cerimônia realizada no  Itamaraty — Português (Brasil)

Principal parceiro comercial do Brasil na compra de commodities agrícolas, a China está na posição estratégica de impor o consumo de seus agrotóxicos no mercado brasileiro, sob a batuta célere de Tereza Cristina e Jair Bolsonaro

Em uma demonstração que quando quer é eficiente, o governo Bolsonaro acaba de publicar o Ato No. 9 de 22 de fevereiro de 2021  que oficializa a liberação de mais 67 agrotóxicos, o que completa um total de 1.100 agrotóxicos liberados nos primeiros 26 meses da atual administração federal, o que é um verdadeiro recorde em um mercado já altamente saturado pela disponibilidade de mais de 3.000 produtos.

Em mais uma demonstração da hegemonia de empresas chinesas no fornecimento de produtos já existentes no mercado brasileiro, a China é origem de 61% dos produtos aprovados, com o Brasil ficando em segundo lugar (21%) por causa da liberação de 12 agrotóxicos de base biológica (ver figura abaixo).

origem agrotóxicos ato 22

Um detalhe a mais é que a influência chinesa no fornecimento de venenos agrícolas é ainda maior, visto que empresas controladas por capital chinês forneceram produtos a partir de países como Espanha, Israel e o próprio Brasil a partir de uma subsidiária da Syngenta.

Desmontando o mito da modernização e do compromisso da segurança

CBG - Carlos Latuff

Um dos argumentos utilizados rotineiramente pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS), é de que essa verdadeira enxurrada de liberações implicaria na modernização dos produtos sendo vendidos no mercado brasileiro, com a aposentadoria de agrotóxicos mais antigos. O fato é que dos 67 produtos liberados, 64 (95,5%) utilizam ingredientes ativos já registrados anteriormente no país. Ou seja, um verdadeiro museu de velhos agrotóxicos.

Outra falácia propalada por Tereza Cristina é de que os produtos liberados trariam mais segurança para os trabalhadores, consumidores e para o meio ambiente.  Se levarmos em conta os critérios utilizados pela União Europeia, 31% dos produtos sendo liberados se encontram proibidos no mercado europeu por causa dos riscos criados para a saúde humana e o meio ambiente (ver figura abaixo).

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Agrotóxicos altamente perigosos sendo classificados como de baixo risco para a saúde humana 

Mas é ao se examinar que aparecem problemas ainda mais complexos para o entendimento do que está ocorrendo com a política de liberações de agrotóxicos indesejados em mercados mais regulados. Um dos exemplos mais marcantes é o do herbicida Atrazina, proibido na União Europeia a partir de estudos que comprovaram impactos na contaminação do lençol freático. Além disso, a Atrazina tem sido considerada com um disruptor endócrino e que assim pode afetar o processo de reprodução, além de possuir características mutagênicas. Entretanto, no Brasil a Atrazina está classificada como pertencente à Categoria 5 (Improvável de Causar Dano Agudo) à saúde humana.

Mas a Atrazina não é o único agrotóxico com alto potencial de dano à saúde humana e ao meio ambiente e que está classificado como pertencente à Categoria 5.  Bons exemplos disso são os herbicidas Clorimurom-Etílico e Trifloxissulurom-sódico que também foi liberados no Brasil como também pertencendo essa categoria de suposta menor capacidade de causar dano agudo, mas que se encontram proibidos na União Europeia.

Um caso ainda mais gritante é o do é o herbicida Haloxifop-p-metílico que nunca foi autorizado na União Europeia, e que foi classificado pelo governo Bolsonaro, usando a classificação antiga, como sendo de Classe I (Extremamente Tóxico). 

A enxurrada de agrotóxicos deve continuar ao longo de 2021

Pesticides in Drinking Water | Effects of Pesticides in Water

Mas se engana quem pensar que a aprovação de 1.100 agrotóxicos deve diminuir a apresentação de novos pedidos de liberação. Por ter verificado que existem dezenas de pedidos pendentes, a minha avaliação é de que ainda teremos centenas de produtos sendo liberados ao longo de 2021.  O motivo para isso é simples: estamos diante de um governo que é parceiro dos interesses dos grandes fabricantes de agrotóxicos e do latifúndio agro-exportador que pratica um tipo de agricultura que depende da aplicação intensiva de venenos agrícolas para viabilizar suas margens de lucro.

O fato é que depois de superada a pandemia da COVID-19, os brasileiros terão que enfrentar a pandemia dos agrotóxicos, pois, do contrário, nos transfomaremos em um laboratório avançado quem quiser estudar os danos causados por venenos agrícolas sobre a saúde humana e o ambiente. 

Para quem desejar acessar a lista de agrotóxicos liberados pelo Ato No. 9 de 22 de fevereiro, basta clicar [Aqui!]. Já os interessados em baixar a lista de 1.100 agrotóxicos liberados desde janeiro de 2019, basta clicar [Aqui!].

Brasil terá que refazer suas metas no Acordo de Paris antes da COP26

ONU pede revisão de planos climáticos ruins; Brasil ficou fora de Cúpula em 2020 por submeter objetivos que reduzem esforço do país contra aquecimento global

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Um relatório da ONU divulgado hoje (26/02) afirma que as metas atuais dos principais poluidores combinadas não chegam nem perto de mitigar as mudanças climáticas. Segundo o documento, as propostas atuais dos países que representam 30% das emissões de gases de efeito estufa conseguirão reduzir em apenas 1% as emissões até 2030 em relação aos níveis de 2010. Para garantir que o aquecimento global fique abaixo de 2ºC, esse percentual deveria ser de 25%, sendo 45% para a meta de 1,5ºC, segundo cálculos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), maior autoridade científica sobre o assunto.

O relatório Síntese Inicial NDC foi solicitado pelas Partes do Acordo de Paris para medir o progresso dos planos nacionais de ação climática – Contribuições Nacionais Determinadas, conhecidos pela sigla NDC – antes da COP26 em novembro deste ano, que será realizada em Glasgow, na Escócia.

No ano passado, o Brasil ficou de fora da Cúpula de Ambição Climática da ONU exatamente porque os organizadores do evento não consideraram suficientes as metas climáticas divulgadas quatro dias antes do encontro pelo Ministério do Meio Ambiente. O Brasil é o 6º maior emissor do mundo, e a destruição das florestas responde pelo maior volume de emissões.

“No momento, é como se estivéssemos entrando em um campo minado de olhos vendados”, definiu Patrícia Espinosa, secretária executiva de Mudança Climática da ONU. Ela encorajou todas as nações a investigar outras áreas a fim de criar planos mais robustos. “O que precisamos é muito mais radical e transformador do que o que temos agora. Precisamos de planos concretos para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis o mais rápido possível”.

“O relatório provisório de hoje é um alerta vermelho para nosso planeta”, lamenta o secretário geral das Nações Unidas Antonio Guterres. “Os principais emissores devem apresentar metas muito mais ambiciosas de redução de emissões para 2030 em suas Contribuições Nacionais Determinadas bem antes da Conferência Climática da ONU em Glasgow, em novembro. Agora é a hora.”

Laurence Tubiana, CEO da Fundação Europeia do Clima e uma das idealizadoras do Acordo de Paris afirma que os países do G20 deveriam liderar o processo de mitigação das mudanças climáticas. “Os governos que entregaram planos pouco ambiciosos devem — como sugere a ONU — reconsiderar e reapresentar os planos até a COP26”.

Entre pesquisadores e ambientalistas, os resultados do relatório geraram comoção. “É espantoso como os países estão longe de lidar com a crise climática”, afirma Mohamed Adow, diretor da Power Shift Africa, um think tank com sede no Quênia que estuda a transição energética no continente africano. “Alguns países fizeram bem em atualizar suas promessas do Acordo de Paris, mas muitos outros, como Brasil, Japão, Austrália, México e até mesmo a Nova Zelândia não fizeram nada, vergonhosamente. Este estado de coisas não pode continuar.”

Para Niklas Höhne, fundador do NewClimate Institute, organização especializada em políticas climáticas, o maior impacto positivo vem da União Europeia, seguida do Reino Unido e da Argentina. “Mas dez países apresentaram NDCs revisadas sem nenhuma melhoria na ambição ou mesmo retrocedendo: Austrália, Brasil, Japão, México, Nova Zelândia, Singapura, Coreia do Sul, Suíça e Vietnã”, destaca o pesquisador. Ele ressalta que dessa lista, ao menos o Japão já reconheceu a pouca ambição da meta submetida em 2020 e se comprometeu a melhorá-la este ano.

“O Brasil apresentou uma NDC que efetivamente enfraquece suas já insuficientes metas de ação climática para 2025 e 2030”, avalia Höhne. “Como resultado, as emissões do Brasil em 2030 sob a nova meta poderiam ser 27% maiores do que eram quando ratificou o Acordo de Paris em 2016.” Ele lembra que um recuo nas metas de redução de emissões desobedece a exigência do Acordo de Paris de que cada nova NDC seja mais ambiciosa que a anterior.

Esperança

Os resultados do relatório aumentam ainda mais as expectativas em relação a uma postura mais ambiciosa este ano por parte dos dois grandes poluidores do planeta: EUA e China.

“Espero que os EUA e a China possam igualar a União Europeia na entrega de estratégias que nos coloquem no caminho do zero líquido”, afirma Tubiana, que também é embaixadora da França para a Mudança Climática.

A diretora executiva do Greenpeace Internacional, Jennifer Morgan, também joga os holofotes sobre os dois países. “Estamos chamando os maiores emissores do mundo, os Estados Unidos e a China, para entregar NDCs no próximo mês que nos dêem motivos de esperança”, afirma. Ela ainda vê a possibilidade de países que estão indo no caminho contrário voltarem a cooperar pelo clima.

“A Austrália e o Brasil, arrasados por queimadas agravadas pela emergência climática, devem, respectivamente, controlar os interesses dos combustíveis fósseis e da agricultura industrial, enquanto trabalham para criar um futuro justo e seguro para seus cidadãos e proteger a preciosa biodiversidade”, disse a ambientalista.

 
“Com planos climáticos lamentavelmente fracos, grandes emissores como Japão, Austrália e Brasil estão pesando sobre a ambição global, quando na verdade deveriam estar liderando”, afirma Tasneem Essop, diretor executivo da Climate Action Network. Para ele, anúncios de metas líquidas zero em 2050 não podem ser o único sinal de ambição climática. “Os EUA e a China – que ainda vão apresentar suas NDCs – devem fazê-lo o mais rápido possível. É imperativo que os Estados Unidos forneçam sua parte justa, tanto sobre a redução de emissões, como em relação às finanças.”

O relatório está disponível  [Aqui!]

Coronel do Exército exonerado por Ricardo Salles no MS diz que ministro criou situação sórdida ao aparelhar e paralisar o IBAMA

SALLES IBAMA

O contexto [da exoneração] é o seguinte: o ministro Ricardo Salles organizou o Ibama, o ICMbio e o próprio ministério com base nos coronéis da PM de São Paulo. Tenho profundo respeito pela corporação, são pessoas, não é porque é PM não… Mas sei o seguinte, está equivocada essa política, está mal administrada. O Ibama está paralisado. O meio ambiente está mal”, disse o ex-superintendente. Marchetti afirmou que foi nomeado no Ibama, em 2019, por indicação de um general do Exército “com o aval do presidente da República”, Jair Bolsonaro.

salles sordido

O coronel disse, em entrevista nesta terça-feira (23) divulgada pelo site de notícias Campograndenews, que é “sórdido o que está acontecendo” e que o ministro “mobiliou todo o Ibama”. Segundo ele, mobiliar é um termo usado por militares para designar a ocupação de cargos. Ao UOL, Marchetti confirmou as declarações e deu mais detalhes.

Veja matéria completa do UOL sobre as declarações do coronel Luiz Marchetti [Aqui!].

Pesquisa da FGV revela que novo auxílio emergencial de R$ 200 não compensará a renda dos informais diante da atual pandemia no Brasil

auxilio emergencial

São Paulo, fevereiro 2021 – O governo federal estuda um novo auxílio emergencial com parcelas de R$ 200 ou R$ 250. Segundo estudo do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGVCemif), se o auxílio for no valor de R$ 200 e os números da pandemia continuarem ruins ou piorarem, as perdas dos trabalhadores “invisíveis informais” não serão compensadas pelo auxílio. Da mesma forma, em um recorte por estado, um valor de R$ 200 não compensará as perdas “invisíveis informais dos estados mais ricos, tais como São Paulo e Rio de Janeiro. Se o valor for de R$ 250, as perdas são repostas, com pequenos ganhos em relação à renda antes da pandemia.

O estudo foi elaborado a partir dos dados da PNAD-COVID, com o objetivo de simular os efeitos do auxílio emergencial reduzido (R$ 200 ou R$ 250) sobre a renda dos invisíveis e informais em diferentes cenários otimista e pessimista – conforme as prováveis perdas decorrentes da pandemia. O pessimista se baseia nos dados da PNAD COVID-19 divulgadas em julho (IBGE, 2020) e o otimista, em dezembro (IBGE, 2020). Dentro de cada um dos cenários foram feitas simulações considerando um novo auxílio emergencial de R$ 200 ou R$ 250, sempre comparando a renda durante a pandemia com a renda usual pré-pandemia.

Utilizando os cenários anteriormente definidos, as três figuras seguintes mostram diversos recortes para um AE de R﹩ 200 – cenário pessimista (PNAD-COVID- julho 2020 – IBGE)
 
 
Fonte: FGVcemif a partir de dados do IBGE
 
Fonte: FGVcemif a partir de dados do IBGE
 
 
No caso dos invisíveis (Figura 1), ao levar em consideração o auxílio emergencial, o ganho para homens é de 5% e, para as mulheres, de 11%, sempre comparado à renda usual pré-pandemia. Ao analisar especificamente os invisíveis informais, mesmo com o pagamento de um novo benefício, há uma perda de 2% para homens e um ganho de apenas 2% para mulheres. Ainda no caso de homens e mulheres invisíveis informais (Figura 2), sem o auxílio as perdas de renda são de 30% e 37%, respectivamente, o que denota uma posição de maior vulnerabilidade aos efeitos da crise.

A Figura 3 apresenta os dados sobre a perda/ganho de renda para invisíveis informais por Unidade Federativa (UF). Mesmo com o pagamento de um AE de R﹩ 200, 7 estados (todos localizados no centro-sul do país) e o Distrito Federal (DF) ainda registrariam perdas de renda. Por outro lado, 17 estados apresentam ganhos, quase todos no Norte e Nordeste do país. Portanto, há evidências de que um AE de R﹩ 200, em um cenário de maiores perdas por conta do recrudescimento da pandemia, é insuficiente para compensar as perdas de renda de grupos mais vulneráveis.
 
Fonte: FGVcemif a partir de dados do IBGE
 
“O auxílio emergencial é fundamental nesse momento em que a evolução da pandemia é desfavorável, com a configuração de uma segunda onda, e ainda diante da lentidão na implementação de plano nacional de imunização, sobretudo pela escassez de vacinas. Neste cenário, as políticas públicas são fundamentais para mitigar os efeitos da crise para a população mais vulnerável”, explica Lauro Gonzalez, coordenador do FGVcemif e autor do estudo.

Auxílio Emergencial de R$ 250

As três próximas figuras seguem a mesma lógica de análise das figuras anteriores, ajustando o valor do auxílio emergencial para R$ 250.
 
 
Fonte: FGVcemif a partir de dados do IBGE
 
A Figura 4 mostra um ganho de 10% para homens e 17% para mulheres com o AE. Ao analisar especificamente os invisíveis informais (Figura 5), o ganho é de 4% para os homens e de 10% para as mulheres. Já a Figura 6 mostra que, mesmo com um AE de R﹩ 250, 6 estados e o DF registrariam perdas de renda.
 
Cenário otimista (PNAD-COVID em dezembro)

Seguindo a mesma lógica, as 3 figuras abaixo mostram a perda/ganho de renda dos invisíveis e dos invisíveis informais por gênero, considerando o pagamento de um valor fixo mensal de R﹩ 200, com a diferença de que o cenário reflete o momento mais favorável da pandemia.

A Figura 7 mostra que, no caso dos invisíveis, o ganho para homens é de 13% e, para as mulheres, de 18%. Lembrando que as perdas e ganhos são calculadas sempre em relação à renda usual pré-pandemia. Ao analisar especificamente os invisíveis informais, na Figura 8, o ganho dos homens diminui para 12%, ao passo que o ganho das mulheres permanece inalterado.

 A Figura 9, abaixo, mostra a perda/ganho de renda para invisíveis informais por UF, considerando um benefício de R﹩ 200. Como esperado, os maiores ganhos ocorreriam nas regiões Norte e Nordeste, reflexo da desigualdade regional no país.
 
 
Por fim, as três próximas figuras apresentam os dados do cenário otimista, considerando um auxílio emergencial de R﹩ 250.
 
 
 
 
 
No caso dos invisíveis (Figura 10), tanto para homens quanto para mulheres, o ganho de renda é 5% maior se o AE for de R﹩ 250, ao invés de R﹩ 200. A Figura 12 traz a análise de perda/ganho de renda para invisíveis informais por UF. Todos os estados e o DF apresentariam ganhos, especialmente aqueles das regiões Norte e Nordeste do país.
 
 
 
Sobre a FGV

Criada em 1944, a Fundação Getulio Vargas nasceu com o objetivo de promover o desenvolvimento socioeconômico do Brasil por meio da formação de administradores qualificados, nas áreas pública e privada.

Ao longo do tempo, a FGV ampliou a sua atuação para outras áreas do conhecimento, como Ciências Sociais, Direito, Economia, História, Matemática Aplicada e, mais recentemente, Relações Internacionais, sendo sempre reconhecida pela qualidade e excelência ao produzir e difundir conhecimento.

Atualmente, a FGV possui parceria com mais de 200 instituições estrangeiras de ensino superior e ocupa o 3º lugar entre os melhores Think Tanks do mundo, segundo o Global Go To Think Tank Index Report.