Estudo revela o alcance da política anti ambiental do governo Bolsonaro: 59 iniciativas contra o meio ambiente

Estudo mostra que o governo brasileiro tem usado sistematicamente a distração corona para facilitar o desmatamento da floresta tropical

Outbreak of the coronavirus disease (COVID-19), in Manacapuru

Agentes de saúde municipais carregam vacinas da AstraZeneca / Oxford para a COVID-19 ao longo das margens do rio Solimões, onde vivem os ribeirinhos, em Manacapuru, estado do Amazonas. REUTERS / Bruno Kelly

RIO DE JANEIRO taz | Durante uma reunião do gabinete ministerial brasileiro realizada em abril de 2020, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi visto orientando como usar o foco da mídia na pandemia da COVID-19  para mudar as leis ambientais brasileiras sem a aprovação do Congresso. O pedido de Salles no vídeo para “passar a boiada” se tornou uma metáfora para a política ambiental do governo brasileiro.

Agora, um grupo de pesquisadores investigaram quais são as consequências da distração causada pela COVID-19 para a proteção ambiental. Conclusão: “Temos que concluir que o atual governo está explorando a pandemia da COVID-19 para enfraquecer a proteção ambiental no Brasil.” No estudo, que foi publicado pela revista Biological Conservation , os autores identificam um total de 59 iniciativas com as quais o o governo Bolsonaro enfraqueceu ou pretende enfraquecer as diretrizes de proteção ambiental existentes no Brasil.

Logo no início do governo Bolsonaro, o Ministério do Meio Ambiente tentou afrouxar a proteção da Mata Atlântica. Como resultado, o desmatamento ilegal em 20.000 km2 de áreas de florestas pode agora ficar impune. Outros 110.000 km2 de vegetação protegida em ilhas e áreas de mangue estão ameaçados de destruição. Após protestos, a iniciativa foi paralisada por enquanto. Mas o presidente Jair Bolsonaro questiona a constitucionalidade da lei de proteção ambiental perante a Suprema Corte. A decisão está pendente.

Além disso, as autoridades ambientais foram sistematicamente reestruturadas. Os servidores com experiência técnica ou em política ambiental tiveram que sair, em muitas áreas protegidas as autoridades agora estão com falta de pessoal ou sem gestão. Servidores foram demitidos por fazerem campanha contra o desmatamento.

Cortes drásticos em órgãos ambientais

Em abril, um dos programas de TV mais populares do Brasil exibiu gravações de funcionários do órgão ambiental Ibama realizando operações contra madeireiros e garimpeiros na área do povo indígena Ituna Itatá. Dois dias depois, o diretor de proteção ambiental do Ibama e dois funcionários tiveram que desocupar seus cargos. Além disso, o governo Bolsonaro cortou drasticamente o financiamento das autoridades ambientais e restringiu as oportunidades de participação da sociedade civil.

De acordo com os autores do estudo publicado pela Biological Conservation, tudo isso tem levado a cada vez menos multas para crimes ambientais. Nos primeiros sete meses da pandemia – que o estudo está analisando – o número de multas foi 72% menor do que o período anterior. Isso, por sua vez, levou ao aumento das taxas de desmatamento. Esses também alcançaram novos máximos durante a pandemia.

O que aconteceu após o período analisado pelos pesquisadores? “Acreditamos que o governo continua a usar a pandemia para relaxar as diretrizes de proteção ambiental”, disse a coautora Rita Portela, que é bióloga e professora de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Planos para fundir órgãos ambientais

Ela estava particularmente preocupada com os planos atuais do governo de fundir o Ibama com o Instituto de Conservação da Biodiversidade (ICMBio ).“Isso significaria uma reestruturação completa dos órgãos e que vai fragiliza-los ainda mais.” Há poucos dias, o governo também apresentou seus planos para 2021. Isso inclui vários projetos polêmicos – como a legalização de projetos de mineração em terras indígenas.

Segundo os pesquisadores, essa política não apenas ameaça a perda de espécies, mas mais gases de efeito estufa serão emitidos e comunidades indígenas serão dizimadas. A perda dos abrigos fornecidos pelas florestas acarreta outro risco: infecções zoonóticas e, portanto, o risco de novas pandemias.

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Este artigo foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo jornal TAZ [Aqui!].

Pacote de estímulos brasileiro vai na contramão da recuperação verde, diz relatório

Afrouxamento de regras ambientais e estímulos à energia fóssil são destaques negativos do país

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Um relatório da consultoria Vivid Economics divulgado hoje (12/02) sobre os estímulos econômicos dos países em 2020 concluiu que o pacote brasileiro, embora robusto, vai na contramão da retomada verde pós-COVID-19. A boiada também não passou despercebida – o estudo destaca que o país piorou a regulação e a fiscalização ambientais em meio à pandemia, sobretudo no que diz respeito à proteção das florestas. O levantamento também aponta que houve estímulos financeiros e outros favorecimentos à energia fóssil.

O Brasil aparece na posição 17 entre 30 grandes economias no ranking de “estímulos verdes” do relatório. Segundo o documento, as contribuições negativas ao clima do pacote de resgate brasileiro representam mais que o dobro do impacto positivo para a natureza.

“A Indonésia e o Brasil são grandes produtores de commodities agrícolas com um histórico de políticas ambientais frouxas que causam degradação florestal significativa e impactos negativos na biodiversidade e nos ecossistemas”, diz o relatório. “Seus setores agrícolas permanecem em uma trajetória de alta intensidade de emissões e destruição significativa do habitat e da biodiversidade.”

A maioria dos governos até agora não conseguiu aproveitar a oportunidade de combinar recuperação econômica com crescimento sustentável, conclui o estudo. Dos US$14,9 trilhões em estímulos econômicos nos 30 países pesquisados, US$4,6 trilhões foram destinados a setores ambientalmente relevantes como agricultura, indústria, resíduos, energia e transporte, mas apenas uma parte – US$1,8 trilhões – resultou em medidas “verdes”.

A boa notícia é que o impulso para uma recuperação verde parece estar aumentando. O relatório destaca o efeito potencialmente transformador da presidência dos EUA sob Joe Biden. O bom desempenho de Canadá, China, Índia e Reino Unido também aponta, segundo o estudo, para uma mudança fiscal e política que pode influenciar vários países.

“Muito mais ação é necessária antes que possamos ver uma recuperação verdadeiramente verde pós-COVID”, disse o economista Jeffrey Beyer, coautor do relatório. “Mas somos encorajados pelos avanços em alguns países, mais notadamente nos EUA e Canadá”. Para ele, as recentes Ordens Executivas dos EUA são um modelo de como a mudança regulatória pode criar empregos, reduzir emissões e proteger a natureza.

Passando a Boiada

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Segundo o documento, desde o início da pandemia, o Brasil tomou medidas significativas para desregulamentar o uso da terra, em especial na Amazônia. O relatório cita a instrução normativa n. 9 da Funai como explicitamente desenhada para favorecer a grilagem de terras e prejudicar populações indígenas e a biodiversidade. A medida, criada em abril de 2020, autorizou o registro e a venda de imóveis em terras indígenas não homologadas ou registradas no Brasil – são 237 reservas em 24 estados do país. Somadas, possuem pelo menos 9,8 milhões de hectares, concentrados principalmente na Amazônia.

O documento também chama a atenção para a explícita redução da fiscalização ambiental no país por meio de demissões e cortes em órgãos federais com essa atribuição.

No setor de energia, o país apresentou pontos altos e baixos. Por um lado, aprovou medidas de apoio às atividades intensivas em carbono, como a instituição de um comitê para a revitalização da produção de petróleo, gás natural e outros recursos fósseis, além da extensão potencial do período de concessão para os campos de petróleo offshore. Os leilões de eletricidade que eram esperados para o final de 2020 foram postergados, o que, segundo o relatório, serviu para dar aos produtores de gás mais tempo para melhorar sua participação e atrair investimentos, prejudicando as energias renováveis.

Na outra ponta, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emitiu US$203 milhões em bônus verdes em outubro de 2020 que podem atrair até US$34 bilhões até 2029. O BNDES também tem apoiado fortemente o financiamento da infraestrutura de energia eólica

Tsunami tóxica: consumo de agrotóxicos ultrapassou 1 milhão de toneladas, alcançando 1,6 bilhão de hectares no Brasil em 2020

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Estudo realizada pela empresa Spark Consultoria Estratégica a pedido do  Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), a área afetada pelo uso de agrotóxicos cresceu 6,9 no Brasil em 2020, totalizando o emprego do valor estratosférico de 1.052.520 toneladas (ou traduzindo em um número mais compreensível, cerca de 1 milhão de toneladas) que foram usados 1,6 bilhão de hectares, 107 milhões a mais que em 2019 (ver figura abaixo).

Segundo o mesmo relatório, a  soja concentrou 48% do valor em agrotóxicos, representando outro valor estrastoférico, US$ 5,8 bilhões. Em segundo lugar, apareceu o milho, com 13% do total, equivalente a US$ 1,6 bilhão, depois a cana (11% do valor de mercado), o algodão (10%). Assim, juntas essas commodities produzidas primariamente para exportação representaram 82% do consumo total de agrotóxicos no Brasil em 2020!

Em relação ao tipo de agrotóxicos utilizados, mais de 413 milhões de hectares foram afetados pelo uso de inseticidas, cerca de 25% do total. Em seguida, apareceram os herbicidas, com cerca de 401 milhões de hectares (24%). Além disso, os produtores também aplicaram fungicidas em 306 milhões de hectares (19%), enquanto outros 149 milhões de hectares receberam aplicações de produtos para o tratamento de sementes (9%).

Com todos esses números impressionantes, o que temos no Brasil é uma super utilização de agrotóxicos explicitamente para dar conta de quatro commodities (i.e., soja, milho, cana e algodão) que afetam cada vez mais área rurais, e objetivamente contribuem para a poluição ambiental e a contaminação dos habitantes dessas regiões, estejam eles trabalhando direto com agrotóxicos ou não.

Como venho mostrando em seguidas postagens, diversas publicações científicas que estão aparecendo nas melhores revistas científicas do mundo já estão documentando os fortes impactos sobre a saúde dos brasileiros por causa da alta exposição a agrotóxicos altamente perigosos, os quais estão banidos nos países que os produzem. E com isso vem abaixo todo o discurso empregado pelo governo Bolsonaro para facilitar a liberação desses produtos indesejados por outros países no Brasil que lembremos vai no sentido de que mais agrotóxicos traria modernização e segurança.

Esse custo subliminar de um modelo agrícola baseado na exportação de commodities produzidas em grandes áreas de monocultura cedo ou tarde sobrecarregará, tal qual faz a COVID-19 neste momento, um sistema de saúde cada vez mais privatizado e indisponível justamente para aqueles que estão sendo mais diretamente impactados por essa verdadeira tsunami de agrotóxicos que assola o Brasil neste momento.

Finalmente, nunca é demais lembrar que todo esse volume de agrotóxicos já está causando um afastamento de mercados importantes das commodities agrícolas brasileiras. Essa aposta tóxica poderá, mais cedo do que tarde, colocar a produção brasileira em uma espécie de isolamento sanitário por aqueles mesmos países que vendem a lucros fabulosos os venenos agrícolas que estão sendo utilizados no Brasil.

Preços salgados dos agrotóxicos vão pressionar agronegócio brasileiro

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Desde que o governo Bolsonaro se iniciou,  os controladores do mercado brasileiro de agrotóxicos entrou em euforia em função da verdadeira tsunami de novos produtos sendo aprovados em ritmo para lá de acelerado.  Dentre as promessas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro e sua musa do veneno, a ministra Tereza Cristina, essa aprovação massiva de produtos visava introduzir novos substâncias que fossem mais eficientes no combate às ditas pragas agrícolas, e tinham como como outro produto um barateamento dos custos para os produtores que usam venenos agrícolas em suas propriedades.

Ao longo dos últimos dois anos, o Blog do Pedlowski demonstrou a partir da análise dos produtos liberados que a imensa maioria deles é de produtos pós-patente, ou seja, produtos que já estão no mercado há bastante tempo a ponto de terem suas patentes expiradas, liberando-os assim para serem produzidos em países como China e Índia.  

Eis que agora um informe do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) vem jogar um pá de cal dolorosa na promessa de que a política de facilitação de aprovação de agrotóxicos (muitos deles proibidos na União Europeia e na China) iria baixar os custos. Segundo nota divulgada pelo Sindiveg,  o custo dos agrotóxicos para os agricultores brasileiros “sofrerão reajustes imediatos e poderão aumentar ainda mais”.  A razão para esse cenário de encarecimento dos venenos agrícolas seriam “as altas nos preços de matérias-primas, embalagens e transporte internacional, o que provocará reajustes “para absorver os custos, bem como o impacto do câmbio que continua acima do projetado no ano anterior”

Em sua nota, o Sindiveg ainda anuncia que os agrotóxiocos “sofrerão reajustes imediatos e poderão aumentar ainda mais para absorver os custos bem como o impacto do câmbio“.

Trocando em miúdos essa nota dos fabricantes de venenos agrícolas, o aumento no custo dos agrotóxicos será inevitável e os agricultores que dependem deles para viabilizar sua versão envenenada de agricultura terão de internalizar essa alta. Como o preço das commodities não deverá seguir o perfil de alta dos custos, o que deverá acontecer é um encolhimento de margens de lucros que já não são tão grandes para começo de conversa.

A consequência disso deverá ser um esforço pela expansão da área plantada que, por sua vez, deverá pressionar ainda mais as taxas de desmatamento e de uso de venenos agrícolas.  Este círculo vicioso deverá causar ainda a ampliação dos problemas de contaminação ambiental e de problemas para a saúde humana. Em suma, um grande desastre para o Brasil, mas garantia de lucros ainda mais fabulosos para os fabricantes de agrotóxicos.

Reestruturação tributária: que os ricos paguem mais

Dentre do mega pacote de projetos que governo Bolsonaro enviou  ao congresso após a vitória de Bruno Pacheco e Arthur Lira está uma mensagem para realizar a chamada “Reforma Tributária”  que mudaria a forma de cobrança e distribuição dos recursos auferidos com o recolhimento de impostos no Brasil.  Ainda que o teor desse projeto específico ainda não seja plenamente conhecido, posso antecipar que ele não deverá corrigir (e talvez agravar) o cerne do problema tributário brasileiro: os pobres pagam impostos de mais, e os ricos quase não pagam nada.

Tomemos, por exemplo, o caso do Imposto  Predial e Territorial Urbano (IPTU) que acaba de ser majorado em todas as cidades brasileiras, inclusive aqui em Campos dos Goytacazes. Se olharmos o carnê que cada proprietário recebeu, veremos que com certeza a distorção de valores entre áreas ocupadas pelas classes mais ricas em relação aos bairros periféricos. 

Neste caso específico, o eleitor de Guarus, justamente o que elegeu Wladimir Garotinho têm serviços da Bangladesh enquanto paga impostos de Bélgica, enquanto que os da Pelinca vivem o contexto diametralmente oposto.

O caso de Campos dos Goytacazes é um excelente exemplo para ilustrar o fato de apesar do habitantes ricos das cidades brasileiras se doerem com os valores ínfimos de impostos que pagam, é sobre os mais pobres que o cutelo tributário sempre cai mais pesado.

Aliás, se olharmos outros impostos básicos, como no caso do Imposto de Renda, veremos a manutenção desse caráter regressivo do sistema de impostos brasileiros, onde a cobrança é mais pesada relativamente sobre os assalariados do que sobre os ultrarricos.  Em função disso é que qualquer reajuste nas tabelas de cálculo do imposto de renda é empurrado com a barriga pelos governos de plantão, a imensa maioria deles diretamente alinhados com os interesses dos donos do capital que se refastelam com a especulação financeira.

As distorções do caso brasileiro ficaram ainda mais evidentes no tratamento da crise causada pela pandemia da COVID-19 quando o custo da distribuição de paliativos financeiros para os que perderam seus empregos foi retirado do orçamento da União, prejudicando áreas estratégicas como saúde, educação e ciência e tecnologia, sem que se cogitasse como ocorreu na Argentina a taxação das grandes fortunas. E não custa nada lembrar que durante a pandemia em curso houve um aumento das fortunas dos bilionários brasileiros, a começar pelo setor da saúde.

A falta de uma discussão sobre a natureza distorcida do sistema tributário brasileiros é um dos calcanhares de Aquiles das estratégias adotadas até aqui para corrigir as abissais diferenças sociais existentes no nosso país, deixando os ricos livres para especular livremente no sistema financeiro, e chorar suas lágrimas de crocodilo quando se menciona a necessidade de se mudar radicalmente a distribuição dos custos dos tributos no Brasil. 

Em sincericídio, Paulo Guedes admite que objetivo do governo Bolsonaro é “tirar o Estado do povo brasileiro”

guedes granadaO dublê de banqueiro e ministro, o Sr. Paulo Guedes, usou hoje a página oficial do Ministério da Economia para dizer com todas as letras que o objetivo do governo Bolsonaro é “tirar o Estado do povo brasileiro” (ver imagem abaixo).

guedes sincero

E para quem será entregue o Estado depois de ser tomado do povo brasileiro? Alguém se arrisca a dizer… banqueiros? latifundiários? especuladores internacionais?

Não é à toa que o governo Bolsonaro só é bom em destruir coisas, pois o objetivo desde o início é esse… tirar o Estado do povo brasileiro.

Ao menos por um momento, temos a sinceridade de Paulo Guedes, o mesmo que quer colocar uma granada no bolso dos servidores públicos.

Na posse de Lira e Pacheco, governo Bolsonaro declara guerra ao Brasil

Arthur Lira (à dir.), Rodrigo Pacheco (centro) e Jair Bolsonaro (à esq.) participam da sessão de abertura do ano legislativo, no Plenário do Congresso Nacional, em Brasília - DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Na posse de seus aliados Rodrigo Pacheco (DEM/MG) como presidente do Senado Federal e Arthur Lira (PP/AL) como presidente da Câmara de Deputados, o presidente Jair Bolsonaro entregou um pacote de projetos que representam uma declaração de guerra aos trabalhadores brasileiros e aos povos indígenas.  No pacote estão incluídos temas explosivos como a privatização da Eletrobras, a permissão para atividades de mineração em terras indígenas e o homeschooling, mas também houve espaço para apresentar as PEC 32/2020 da Reforma Administrativa que deverá destroçar as carreiras dos servidores públicos, e precarizar ainda mais a qualidade dos serviços prestados aos mais pobres.

Enquanto isso, a direção do PT aparentemente operou para que a deputada Marília Arraes (PT/PE) agisse para inviabilizar a eleição para a mesa diretora da Câmara de Deputados do deputado João Daniel (PT/SE) por ele ser mais ligado à esquerda do próprio partido. Essa rasteira realizada contra João Daniel permite antever qual será o papel do PT nos duros embates que terão de ser de travados nas ruas e no parlamento para impedir que a agenda de destruição do governo Bolsonaro tenha êxito. Em suma: não se poderá contar com a maioria do PT para este combate, pois a opção feita está claramente em conviver pacificamente com um governo que está agindo para desmontar o Estado brasileiro para beneficiar principalmente o grande capital multinacional, a começar pelos grandes bancos que hoje se refastelam com a dívida pública brasileira.

O momento que vivemos é certamente um dos mais complexos da história recente do Brasil, pois o êxito da agenda do governo Bolsonaro tornará o Brasil uma economia cada vez mais dependente do setor primário que não gera empregos e serve apenas para concentrar ainda mais a riqueza, enquanto se produz efeitos devastadores sobre a Natureza e os povos tradicionais.

A opção como sempre será sair às ruas para mobilizar a classe trabalhadora e a juventude. O problema é que com o avanço da pandemia e o surgimento de variantes ainda mais contagiantes do SARS-COV-2, isto implicará em desafios ainda maiores para se gerar o nível de mobilização que será capaz de impedir a aprovação desse pacote que equivale a uma verdadeira declaração de guerra ao Brasil e aos segmentos mais pobres da nossa população.

Feijão com excesso de agrotóxicos é mais um grave risco à saúde dos brasileiros

Embrapa já tem alimentos transgênicos liberadosExcesso de agrotóxicos no cultivo de feijão representa outra grave ameaça à saúde dos brasileiros

Tendo nascido no sul do Brasil no meio de uma família de produtores de itens básicos da dieta brasileiro sou um fã confesso do feijão. Nos anos em que morei fora do Brasil em países em cuja a dieta o feijão era ausente, realizei esforços incríveis para mantê-lo como ingrediente da minha dieta costumeira. Aliás, da minha e de milhões de brasileiros.

Pois bem, eis que lendo o Boletim “Só feijão” produzido pelo Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), descobri que estamos vivenciando um grave problema com o uso intensivo de agrotóxicos por produtores rurais, e que o problema já chegou a tal gravidade que “cargas de Feijão sendo devolvidas por resíduos excessivos de defensivos (isto é, agrotóxicos). Testes rápidos têm permitido que, antes de descarregar o produto, se tenha um resultado prévio e o empacotador não pode descarregar.

O Boletim do Ibrafe informa ainda que o “Ministério da Agricultura tem lavrado multas contra os empacotadores e, repito, que chegam a R$ 490.000 por uma carreta“.   O autor da nota ainda enfatiza que a razão da multa ser tão alta “certamente não é em busca de gerar receita a partir de multas, mas para que se pare com o uso inadequado de defensivos (isto é, agrotóxicos).

Um detalhe curioso nesse informe se refere à informação de que “as empresas de defensivos (isto é, as mesmas corporações que produzem venenos agrícolas, muito deles proibidos em outras partes do mundo) estão preocupadas e sabem que podem ser corresponsáveis pelo mau uso.” 

É interessante lembrar que no livro publicado em 2017 pela geógrafa e docente do Departamento de Geografia da USP, Larissa Miers Bombardi, o “Atlas Geográfico do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia”, há uma referência específica ao limite de resíduos permitidos no feijão para o inseticida malationa que está entre os mais vendidos no nosso país, e que aqui possui uma tolerância quatrocentas vezes maior do que na União Europeia (ver imagem abaixo).

feijão malationa

 Mas a malationa é apenas um dos muitos agrotóxicos utilizados no cultivo do feijão.  Ao se acessar o site da Ihara, um dos principais fabricantes de venenos agrícolas no Brasil, é possível ver que a empresa vende 25 produtos direcionados diretamente para esta cultura, entre eles os fungicidas Clorotalonil, Cloridrato de Cartape e o inseticida da classe dos neonicotinóides, Dinotefuram, que são proibidos pela União Europeia (EU) por seus danos ao ambiente e à saúde humana.

É interessante notar que, por força de decisão judicial, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está tendo que reavaliar a autorização para uso de outro fungicida também proibido pela EU amplamente utilizado no cultivo de feijão, o Carbendazim, por causa dos danos à saúde humana, incluindo a infertilidade, malformações fetais e câncer (ver imagem abaixo).

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O brasileiro, pelo menos aquele que ainda possui dinheiro para comprar comida, está sob mais uma grave ameaça que é a contaminação excessivo de agrotóxicos no feijão. E há que se notar que agrotóxicos como o Clorotalonil e o Cloridrato de Cartape tem sua produção fortemente associada à empresas chinesas, o que novamente explicita toda a hipocrisia que cerca o tratamento dado pelo governo Bolsonaro, a começar pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, à vacina Coronavac,  que é produzida pela empresa Sinovac. Como se vê agora, vacina chinesa não pode, mas feijão contaminado com agrotóxico chinês pode.

“Má condução da pandemia está passando de todos os limites”

 O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o presidente Jair Bolsonaro

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o presidente Jair Bolsonaro

Por Edison Veiga para a Deutsche Welle

Em entrevista, epidemiologista brasileiro fala sobre carta que publicou na “The Lancet” para chamar atenção da comunidade científica internacional para a maneira “vergonhosa” como o governo Bolsonaro conduz a pandemia.

Coordenador do Epicovid-19, primeiro estudo brasileiro a avaliar a magnitude da pandemia do coronavírus, o epidemiologista e educador físico Pedro Hallal, ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), publicou na revista médica britânica The Lancet, na última sexta-feira (22/01), uma dura crítica à maneira como o governo brasileiro está conduzindo a crise sanitária.

Intitulada SOS Brasil: ciência sob ataque, a carta, endereçada à comunidade científica, inclui números da pandemia do Brasil e relembra momentos em que o presidente da República, Jair Bolsonaro, agiu minimizando ou desacreditando a gravidade da situação.

“A falta de ação [do governo federal, quanto ao coronavírus, motivou a carta]. A má condução da pandemia pelo governo brasileiro está passando de todos os limites e, agora, com essa questão da vacinação, a situação ficou insustentável. Achei que a comunidade científica internacional deveria saber do que está acontecendo”, disse Hallal em entrevista à DW Brasil.

Em trecho do documento, ele afirma que “a resposta trágica do Brasil à covid-19 tem um preço”. “A população brasileira representa 2,7% da população mundial. Se o Brasil também representasse 2,7% das mortes por covid-19 (isto é, tivesse uma performance no enfrentamento da covid-19 igual à média mundial), 56.311 pessoas teriam morrido. Contudo, até o dia 21 de janeiro de 2021, 212.893 pessoas haviam falecido devido à covid-19 no país”, prossegue.

“Em outras palavras, 156.582 vidas foram perdidas por causa do mau desempenho brasileiro no enfrentamento da pandemia. Atacar pesquisadores definitivamente não vai ajudar a resolver o problema”, critica.

The Lancet, fundada em 1823, é considerada uma das mais prestigiadas publicações médicas internacionais.

A divulgação da carta aumentou a perseguição, sobretudo nas redes sociais, que já vinha sendo sofrida por Hallal desde que começou o trabalho à frente do Epicovid-19 e passou a se posicionar publicamente com orientações para a contenção da disseminação do vírus.

No recorte gaúcho da pesquisa, o Epicovid entrevistou e testou, até o momento, 4,5 mil pessoas desde o início da pandemia. Na abordagem nacional, foram analisadas 33.250 pessoas de todos os estados da federação.

No último dia 11, Hallal participou de um programa veiculado pela Rádio Guaíba, de Porto Alegre.

Ele foi questionado como se infectou pelo coronavírus e recusou-se a responder. Com o epidemiologista já fora do ar, o deputado federal Bibo Nunes (PSL) e o jornalista Júlio Ribeiro passaram a criticá-lo. Um trecho da gravação foi compartilhado no perfil de Bolsonaro no Twitter, insuflando críticas ao acadêmico.

DW Brasil: O que motivou o senhor a escrever essa carta publicada pela revista The Lancet?

Pedro Hallal: Em primeiro lugar, a falta de ação [do governo federal, quanto ao coronavírus]. A má condução da pandemia pelo governo brasileiro está passando de todos os limites e, agora, com essa questão da vacinação, a situação ficou insustentável.

Achei que a comunidade científica internacional deveria saber do que está acontecendo. E também houve os ataques diretamente a mim. Na verdade, o que me motivou a escrever a carta especificamente foi o Twitter do presidente da República ter publicado aquele trecho da entrevista, quando o deputado e o jornalista me atacaram.

O senhor se refere aos comentários veiculados, no último dia 11 de janeiro, pela Rádio Guaíba, quando o deputado federal Bibo Nunes (PSL) e o jornalista Júlio Ribeiro davam a entender que o senhor, por ter contraído a covid-19, seria um exemplo de que o isolamento social não funciona – ou que o senhor não segue o que recomenda. Podemos dizer que esse episódio, com o posterior compartilhamento do trecho pelo Twitter de Bolsonaro, incitou os ânimos dos críticos?

Precipitou muitos dos ataques que foram feitos a mim. O vídeo original, de 12 minutos, é um ataque absurdo [do deputado], totalmente descontrolado, numa posição incompatível com o cargo que ocupa. Obviamente as devidas providências, se necessárias, serão tomadas.

Tem uma série de absurdos que estamos tratando com o devido cuidado. Estou estudando, mas é realmente um ataque muito direto à minha pessoa. Tem injúria ali, tem uma série de coisas. Talvez sobre o caso eu vá tomar uma providência.

Sobre a carta publicada pela revista The Lancet, como foi a reação de seus colegas? Como tem sido a repercussão no meio acadêmico?

Muito positiva e impressionante. Recebi milhares [de mensagens], e digo milhares com a maior tranquilidade, acho que já dá para dizer dezenas de milhares. Tem um abaixo-assinado circulando de alguns cientistas brasileiros em defesa da minha situação. A reação foi positiva. O pessoal está indignado com o ataque que eu estou sofrendo e com a má condução da pandemia.

O assunto principal não é o ataque a mim. O assunto principal não é se o deputado federal Alcibio [nome de Bibo Nunes] é um bom ou um mau deputado, se coloca outdoor com dinheiro público e todos os casos de corrupção atribuídos a ele.

Na verdade o que importa é como o governo brasileiro vem conduzindo a pandemia. E a carta escancara para o mundo a vergonha que tem sido o desempenho brasileiro no enfrentamento à pandemia.

E críticas? A carta também está motivando esse tipo de resposta?

Chegaram a mim umas cinco ou seis. Uma, de um médico do Rio de Janeiro, tentando usar argumentos científicos, falando de cloroquina, aquela coisa de sempre.

Bem agressiva, usando argumento de autoridade pelo fato da formação dele, em medicina. Recebi ainda dois e-mails com conotação religiosa, dizendo que Deus vai proteger o presidente das forças do mal e que talvez eu seja uma das forças do mal.

Em algum momento essas críticas passaram ou têm passado do aceitável para um debate?

As eventuais ameaças que recebi durante a pandemia [pelo trabalho à frente do Epicovid-19], e não foram poucas, essas foram encaminhadas para investigação à Polícia Federal e tramitam em sigilo. São ameaças, sim, de apoiadores do presidente.

PS do Blog da Saúde:  A carta do epidemiologista Pedro Hallal publicada na na Lancet, em inglêsA versão em português da mensagem faz parte do apêndice. Nós a reproduzimos, na íntegra, abaixo.

   


fecho
Este texto foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui! ].

Pantanal: busca pelo termo cresce mais de 1500% no país

Panorama levantado pela SEMrush analisa o crescimento na busca por questões ambientais; queimadas e animais são alguns dos mais pesquisados

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São Paulo, novembro de 2020 – O ano de 2020 trouxe consigo muitos desafios. Um dos que chama atenção em nível nacional e internacional são as questões ambientais que tem tomado grandes proporções na mídia. Um ano marcado por queimadas no Pantanal, aumento do desmatamento e morte de muitos animais em seu habitat natural fizeram com que a SEMrush, líder global em marketing digital, realizasse um levantamento para compreender se os brasileiros vêm buscando mais sobre o assunto na internet. E sim: os dados apontam que, de janeiro de 2020 a setembro do mesmo ano, a busca pela palavra ‘Pantanal’ teve um aumento de 1561%, com 673 mil buscas apenas em setembro.

Com isso, os brasileiros também aumentaram seu interesse por outras questões ambientais durante o mês de setembro de 2020. Como por exemplo a busca por queimadas, que somam 74 mil acessos no mês. Outro desdobramento desse interesse foi a pesquisa por animais queimados, com 1,9 mil buscas, e até mais específicos como onça pintada, com 2,9 mil. Os biomas nacionais mais afetados também despertaram mais interesses, e Cerrado e Mata Atlântica totalizam 135 mil e 90,5 mil, respectivamente, incluindo um aumento médio nas buscas por desmatamento, de 60,5 mil.

Veja abaixo os termos com maior crescimento nas buscas:

1) Animais do pantanal: aumento de 1976%
2) Onça do pantanal: aumento de 1605%
3) Pantanal: 1561 %
4) Queimadas: aumento de 1021%
5) Animais queimados: aumento de 804%
6) Desmatamento: 646%
7) Conservação Ambiental: aumento de 519%
8) Poluição: aumento de 401%
9) Mata Atlântica: aumento de 400%
10) Cerrado: aumento de 398%
*média mensal de janeiro de 2020 a setembro de 2020

Outras preocupações ambientais também foram alvo do interesse dos brasileiros em suas pesquisas. O levantamento apontou um aumento de 401,5% na busca pela palavra poluição, seguida de um aumento de 516% por poluição da água. Outra pesquisa relevante que aumentou nesse período foi a pergunta “o que é meio ambiente?” que se desdobrou para a pergunta “o que é aquecimento global?”, ambas com um aumento de 516% e 825%, respectivamente. Todo esse contexto para saber mais sobre as questões ambientais presentes no Brasil também fizeram com que o interesse dos brasileiros aumentasse em 519% sobre a conservação ambiental.

“A preocupação com o que acontece com o meio ambiente não é mais uma questão que as pessoas estão deixando de lado. O aumento da busca por informação relevante é uma tendência que vai crescer com o passar dos anos, e quem quer se posicionar como um provedor de conteúdo de qualidade deve se focar no perfil dos comportamentos de buscas. Importante salientarmos que dados estratégicos são um aliado importante para quem quer ajudar e fazer a sua parte frente a questões sensíveis como o meio-ambiente”, conclui Fernando Angulo, Head of Communications da SEMrush.