Mineração de bauxita é repudiada em Rosário da Limeira

Este blog já postou várias postagens sobre os conflitos e tensões que estão cercando as tentativas da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), ligada ao Grupo Votorantim, de avançar suas atividades de mineração no município mineiro de Rosário da Limeira, que está localizado na Zona da Mata. Uma dessas postagens resultou inclusive num processo judicial contra mim por supostamente ferir a imagem da CBA, o qual, felizmente, foi indeferido pela justiça de Campos dos Goytacazes.

Eis que agora um novo desdobramento deverá causar ainda mais dissabores à CBA e aos seus esforços de conduzir atividades de mineração em Rosário da Limeira. Falo aqui da decisão da Câmara Municipal de Rosário da Limeira de emitir uma moção de repúdio à realização de atividades de mineração no seu território (ver imagem abaixo).

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Entre os motivos apresentados elencados de forma unânime pelos vereadores de Rosário da Limeira para repudiar a implementação da mineração no município estão os impactos causados por este tipo de atividade sobre os solos e o lençol freático.

Ainda que esta moção seja mais uma declaração política do que um documento com capacidade de efetivamente bloquear a emissão de licenças ambientais e demais autorizações requeridas para autorizar o processo de mineração, não deixa de ser um alento saber que, pelo menos em Rosário da Limeira, há um ambiente político onde os interesses estratégicos em torno da sustentabilidade social e ambiental estão sendo colocados como prioridade.

A luta contra a mineração de bauxita na Serra do Brigadeiro e sua importância na atual conjuntura nacional

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Às vésperas do aniversário de um ano do rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG), a população de Rosário da Limeira (na região da Zona da Mata Mineira) está mobilizada para impedir a expansão das atividades de mineração de bauxita da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que pertence ao Grupo Votarantim, no entorno do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro.  Para quem não conhece aquela área, a Serra do Brigadeiro é um ponto ecologicamente sensível e responsável pelo abastecimento de vários importantes, além de conter um importante fragmento preservado de Mata Atlântica.

As razões da rejeição das comunidades que vivem no entorno da Serra do Brigadeiro estão diretamente ligadas aos graves danos sociais e ambientais que acompanham a atividade de mineração, e que ficaram ainda mais claras com o caso do TsuLama da Samarco.

Interessante notar que no último sábado (29/10) houve uma grande manifestação no distrito de Belisário (que pertence ao município de Muriaé), e que teve uma forte participação de jovens e de moradores que ocupam historicamente as áreas que agora se encontram sob ameaça das atividades de mineração da CBA (ver folheto abaixo).

Esse tipo de mobilização comunitária é importante porque coloca em xeque a narrativa oficial (e até de alguns setores chamada “esquerda”) de que tudo está “dominado” na política brasileira, usando como argumento os resultados das eleições municipais, e  que não há como resistir às políticas ultraneoliberais que estão sendo impostas de baixo para cima por um governo sem qualquer legitimidade para isto.

A verdade é que mobilizações como a que está ocorrendo na região da Serra do Brigadeiro é que a população brasileira está pronta para se organizar e defender um outro modelo econômico que difere diametralmente daquele que está sendo imposto pelo governo “de facto” de Michel Temer.

Resta ver agora quem vai se dispor a ampliar o nível da organização das camadas da população que já estão mobilizadas para defender seus direitos.

Abaixo cenas da mobilização em no distrito de Belisário.

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