Tereza Cristina: de “musa do veneno” a “rainha dos ultraprocessados”

Governo tenta incluir ultraprocessados em guia de alimentação saudável

tereza-cristina-600x387Não contente ser apenas a “Musa do Veneno”, a ministra Tereza Cristina (DEM/MS) também quer ser a “Rainha dos Ultraprocessados”

Por Guilherme Mendes para o Congresso em Foco

O Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP) publicou uma nota nesta quinta-feira (17) em que acusa os ministérios da Saúde e da Agricultura de promoverem uma pressão pela alteração do Guia Alimentar para a População Brasileira.

O documento de referência, editado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Nupens, tem diretrizes para incentivar a alimentação saudável e, segundo a universidade, tem aclamação mundial por parte de organismos internacionais de combate à fome. O guia, em sua edição mais recente, está disponível aqui.

Segundo o Nupens, o ofício encaminhado pela ministra Tereza Cristina veio acompanhado de uma nota técnica, contestando informações presentes no Guia. O documento foca as críticas na definição que os autores do manual fazem aos alimentos ultraprocessados – comidas com alto número de ingredientes e conservantes químicos, e baixíssimo valor nutricional.

Estes produtos, como bolachas, refrigerantes, salgadinhos e macarrão instantâneo, fazem mal à saúde humana e devem ser evitados em dietas saudáveis, segundo o Guia. Agora, o Ministério da Agricultura contesta esta conceituação.

hipermercadoAlimentos ultraprocessados causam vários males à saúde dos consumidores. Mesmo assim, Tereza Cristina quer incluí-los no guia alimentar dos brasileiros

O ofício é assinado pelo Coordenador-Geral do Departamento de Análise Econômica e Políticas Públicas do Ministério da Agricultura, Eduardo Mello Mazzoleni. O representante do ministério argumenta que o guia alimentar induz a população brasileira a uma limitação da autonomia das escolhas alimentares, e que o critério para se apontar uma comida como ultraprocessada  seria cômico.

“As receitas domésticas que utilizam vários ingredientes não podem em hipótese alguma serem rotuladas dessa forma, o que demonstra um evidente ataque sem justificativa a industrialização”, compara a nota. “Pesquisas demonstram que não existem evidências de que o valor nutricional e a saudabilidade de um alimento estejam relacionados aos níveis de processamento, uma vez que existem alimentos processados que contribuem com uma ampla variedade de nutrientes em todos os níveis de processamento.”

Mazzoleni também fez críticas gerais ao documento – definido por ele como um dos “piores” do planeta em sua área. A nota técnica recomenda à ministra que ordene a sua imediata e urgente revisão.

O Nupens alega que a nota técnica omite a vasta literatura científica nacional e internacional acumulada desde 2009, quando a classificação e o conceito de alimentos ultraprocessados foi por ela proposta.

Ainda na nota (disponível aqui), o núcleo de pesquisas alega que as alegações para a alteração apresentadas pelos ministérios são frágeis e inconsistentes, e que o Guia brasileiro é reconhecido internacionalmente por sua qualidade científica por órgãos internacionais. “Confiamos que o Ministério da Saúde e a sociedade brasileira saberão responder à altura o que se configura como um descabido ataque à saúde e à segurança alimentar e nutricional do nosso povo”, afirmou.

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Este texto foi originalmente publicado pelo site Congresso em Foco [Aqui!].